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Raised by Wolves - da série de 'The boy who Lived'

Chapter 38: 12 de novembro de 1981

Summary:

Julgamento de Sirius Black, parte final.

Notes:

Demorei mas postei. Reescrevi esse capítulo pelo menos 5 vezes, é um capítulo importante para o futuro da fanfic, que eu realmente espero conseguir terminar de escrever antes de morrer. Me digam oq vocês tão achando da história até agora!

Chapter Text

Pelo jeito, Barto estava mais ocupado em fazer questionamentos idiotas e desnecessários a Sirius do que terminar de comer aquele bolo com gosma verde que imitava limão. Remus contorceu o nariz. Seus sentidos estavam apuradíssimos ainda, o que não era muito agradável normalmente. Mas ali, dentro daquela sala com teto alto e sem ventilação, parecia seu pior pesadelo. Pelo menos a garota no banco de trás parou de me encher o saco, ele falou para si mesmo na tentativa de se confortar.

Claro que não funcionou.

Sirius, dentro de uma gaiola, seu cabelo raspado desnivelado, seu pescoço vermelho e levemente inchado onde a agulha foi enfiada, seus olhos embaçados pela confusão que a poção causava em sua mente.

Claro que não funcionou.

- Sr. Lupin.

Remus ergueu os olhos por um segundo e logo os voltou para Sirius, extremamente irritado pela interrupção. Sabia que tudo seria mais fácil se mantivesse os olhos em seu namorado.

- Sr. Lupin. - a pessoa sentou ao seu lado agora.

- Sim?

- Preciso que venha comigo.

Remus fingiu não ouvir.

- Preciso recolher seu depoimento da noite do Halloween.

- Você sabe o que eu sou? - Remus perguntou devagar, sem desviar o olhar, mas já sentia seu sangue começar a ferver.

- Sim senhor, temos consciência.

- Se vocês tivessem consciência saberiam que nenhuma poção tem efeito sobre mim.

- Não pretendemos usar nenhuma poção, sr. Lupin.

Remus franziu a testa. O tom da conversa soava muito amigável para um agente do Ministério.

- Como você pretende me fazer falar a verdade então?

- Temos outras formas de captar uma mentira.

Remus riu em uma bufada e o agente do Ministério voltou a falar em um sussurro, um sorriso em sua voz. - Preciso que venha comigo de qualquer forma, pois no momento você está interferindo demais no testemunho de Sirius Black.

Remus finalmente quebrou contato visual com Sirius e olhou para o homem ao seu lado.

- Quem é você.

- Agente Rufus Scrimgeour, Departamento de Mistérios.

Departamento de Mistérios. Remus lembra ter lido sobre esse departamento em algumas colunas do Profeta Diário. Projetos sobre vida após a morte, sobre aparatação em tempos diferentes, sem a ajuda de vira-tempos, sobre interligação entre bruxos após o casamento, incluindo desenvolvimento de poderes como legilimência.

Nada oficialmente confirmado, óbvio.

A única coisa que Remus sabia era que o Departamento de Mistérios estudava magia na sua forma mais bruta: a necessidade básica do bruxo. O que seria amor/paixão/sexo, cérebro/mente/ser, morte e o espaço que ocupa.

O resto é mito.

- Venha comigo agora e eu impeço que as doses continuem.

- Doses?

- Eu fiz minha pesquisa, você fez a sua? - o homem questionou, Remus não respondeu. - Se ele continuar tomando Veritasserum a cada 5 minutos, ele pode ter danos irreparáveis.

- Eu não sei sobre isso.

- Talvez você saiba menos do que eu esperava então.

- Ou talvez essa informação seja algo escrito em um de seus documentos, codificados para todo o mundo bruxo.

O homem torceu os lábios como quem concorda com a possibilidade de aquilo ser verdade.

- Eu vou com você e você coloca Sirius em uma cadeira, fora daquela jaula.

- Não posso fazer isso, você sabe porquê. Não queremos que todos os condenados se achem no direito de solicitar por isso.

- Muito bem. Pare totalmente com a poção então. E eu vou com você.

- Acordado.

O homem virou para o lado e sinalizou para outro agente perto da porta, que sinalizou para outro, próximo de Sirius, que rapidamente recolheu os restos da poção e desapareceu atrás de uma porta.

- O que aconteceu? - alguém questionou alto na plateia. Nenhuma resposta foi dada enquanto Sirius e Barto discutiam sobre o uso inapropriado de magia na frente de trouxas em Godric’s Hollow, na noite de Halloween.

Remus se levantou rapidamente e seguiu o homem para fora do auditório. Olhou para Sirius uma última vez, mas não conseguiu dizer nada no meio de todos os pensamentos que compartilhavam.

- Sr. Black! É insuportável sua falta de noção com relação a isso.

- Você acha que “me desculpe” vai ajudar, sr. Crouch?

- Sua insolência…

Barto olhou rapidamente na direção de Walburga Black, que assistia tudo com muita diversão.

- Não, eu vou te dizer o que é insolência. Insolência é sua falta de resultados durante a guerra! Quantos bruxos e bruxas foram culpados pelo uso de magia na frente de trouxas? Quantos foram colocados em Azkaban pelo mesmo motivo? Exato, nenhum. Agora, após o desaparecimento de Voldemort, você decide ir atrás do culpados e me usa de exemplo? O que estava te impedindo antes, além de medo?

- Você vai ser calado pela forma que me responde. - Barto falou em um trovão. Como se aquilo fosse de fato calar Sirius.

- Protegi a casa para que nenhum trouxa bancasse uma de herói e entrasse em uma cena de crime. Protegi as pessoas ao redor da casa da mesma forma de protegi os corpos de Lily e James, e muito mais importante, de Harry. Como você pode me dizer que manter uma casa aos pedaços, onde Voldemort esteve recentemente, ou pior, ainda poderia estar, foi a coisa errada a se fazer?

- Não estou falando que foi errado proteger a casa. Errado é usar magia na frente de trouxas. - Barto não economizou em seus berros. A sra. Mcgonagall falava alto em sua direção, na tentativa de fazer aquela discussão ser encerrada. Algumas pessoas na plateia comentavam alto sobre a falta de consideração dos dois homens que brigavam durante um julgamento. - Quantas pessoas tiveram que ter suas memórias retiradas?

- Eu coloquei minha vida em risco entrando em uma casa onde Voldemort ainda poderia estar. Como minha ação de proteção as vidas trouxas pode ser considerada para minha condenação. Onde estão os julgamentos dos Comensais da Morte perdoados pelo fato de usarem magia na frente de trouxas? O que é um pouco de retiradas de memórias comparada com a morte de troux…

Barto ergueu sua varinha e lançou um feitiço rápido em direção a Sirius, que obviamente não pôde se proteger. Seus lábios foram colados juntos e nenhuma palavra mais foi dita.

Sirius tentou gritar por trás de sua boca, mas seus bufos foram cobertos pelas vozes altas de justiça dos bruxos que assistiam.

- Ele tem o direito de se defender.

- Seu covarde! Você atacou um bruxo sem proteção.

- Você não é um mediador, você claramente está se posicionando muito contra o condenado.

- Troquem o juíz!

Gritos foram ficando muito altos e mais claros:

- Troquem o juíz, troquem o juíz.

Barto olhou ao seu redor, confuso, tinha certeza que ninguém reagiria dessa forma. Alguns de seus colegas desceram de suas mesas e caminharam rapidamente para fora do auditório.

- O que está acontecendo?

- O julgamento está acabado, Barto. Você não é capacitado para esse julgamento, o júri vai se reunir na sala de memórias e decidir o veredicto. Você não é bem vindo. - a sra. McGonagall respondeu sem hesitar. Ela se direcionou para o guarda ao lado da gaiola de Sirius e falou alto o suficiente para seu ouvida acima dos gritos da plateia. - Sirius Black está liberado para sua sala. Por favor, acompanhe ele até lá.

A gaiola de Sirius começou a se mover para o porão pela segunda vez naquela manhã, mas sua boca ainda estava colada. Ele tentou gritar para a mulher que comandou sua remoção, mas infelizmente ela estava longe demais.

A última coisa que Sirius viu, antes de ser abraçado pela escuridão do porão abaixo da sala de julgamentos, foi Barto, piscando pesado e descendo de seu degrau, meio cambaleando.

 

No caminho em direção a sua sala de questionamentos, Remus teve de se lembrar mais de uma vez que não estava em Hogwarts.

O Departamento de Mistérios se estendia em longos corredores. Pedaços enormes de rochas revestiam as paredes, água escorria por falhas, como se em algum lugar daquele labirinto existisse uma cachoeira. As únicas pessoas caminhando por ali eram Remus e Rufus Scrimgeou, mas o eco de seus passos fazia com que Remus se virasse para ter certeza que uma multidão não os seguia.

Luzes refletiam no chão polido, liso como um lago congelado no meio do inverno. Na verdade, a chance de Remus estar pisando em água congelada era tão real quanto o frio que sentia na sola dos pés.

A diferença entre os corredores escuros de Hogwarts e do Departamento de Mistérios era a decoração. As poucas bandeiras e tapeçarias nas paredes contavam histórias diferentes do que qualquer conto popular. Pareciam segredos sussurradas entre pessoas que sabiam demais.

O primeiro desenho que Remus viu em uma tapeçaria era de um homem, possivelmente bruxo, se equilibrando em uma corda bamba com o queixo. Embaixo dele, o abismo. A bandeira que seguia tinha as seguintes palavras bordadas: “quem não balança, não descansa”.

O segundo desenho era de duas pessoas de costas uma para a outra, seus dedos entrelaçados. Ao redor delas, uma redoma branca brilhava devagar, como se pulsasse. A bandeira que seguia não tinha nenhuma mensagem, mas o desenho de duas alianças. Parecia bastante óbvio para Remus o que aquilo significava.

O terceiro desenho, e último antes de Remus ser guiado para dentro de uma sala, era de uma roda de pedra, dividida como uma pizza em 8 pedaços. Um único desenho bordado ocupava um dos pedaços, um pequeno pé de feijão lutando para se manter em pé apesar da neve que não parava de cair ao seu redor. A bandeira que seguia estava coberta em um texto longo de palavras pequenas, impossível de ler enquanto caminhava. Remus captou algumas frases, no entanto.

“Onde você está”.

“O que você vê, o que foi e o que se segue”.

“Renovação do ciclo”.

“Resquícios das suas vidas”.

- Por aqui. - falou Rufus, encaminhando Remus através de uma porta pesada. Dentro da sala, um trio aguardava, ninguém que Remus conhecesse.

- Chá, senhor Lupin?

- Água, por favor. - Remus falou, mas não sentia sede. - Como sei que você cumpriu sua promessa com relação a Sirius.

- Você sabe. - respondeu uma das pessoas do trio que aguardava Remus. - Sente-se. - apontou. Remus obedeceu, medo erguendo os pelos de seus braços, mas não sentia medo.

- Como vou saber se ele está bem.

- Tenho certeza que Sirius Black pode tomar conta de si mesmo. Você não tem?

Remus assentiu devagar, apesar de não concordar completamente. Nunca confiaria que Sirius conseguiria se manter em segurança, muito menos durante as últimas duas semanas.

- Vamos ser diretos na nossa conversa, senhor Lupin. Você não foi chamado aqui para ser questionado. Pelo contrário, o Ministério nunca considerou a ideia de questionar sua pessoa. Você deve imaginar o porquê.

- Porque eles têm medo que eu me estresse, me transforme e faça todo mundo de janta? - Remus respondeu em uma risada, mas sabia o nível de ignorância que pessoas tinham com relação à licantropia. - Estou impressionado com a demora do Ministério de se intrometer nas minhas transformações.

- Você vai ter que agradecer Dumbledore com relação a isso. Ele sabe que você estava sendo melhor cuidado por outras pessoas. - Rufus suspirou e finalmente se virou para Remus, com um copo de água. - Não é por isso que você foi chamado aqui, no entanto. Pelo menos, não para falar sobre Dumbledore, ou sobre seus amigos animagos. - Remus sentiu seu estômago ser engolido com a última frase de Rufus. - Não, nada disso, mas algo muito próximo. Queremos falar com você sobre a mordida de Sirius Black.

Um buraco negro parecia sugar todos os órgãos de Remus agora. Ele levou o copo de água a sua boca e sem querer derrubou um pouco em seu colo.

- O que você fez por Sirius no julgamento foi impressionante. Não me lembro de termos registrados níveis tão fortes de conexão durante todos meus anos trabalhando nesse departamento. - Rufus falou casualmente e os outros assentiram.

- Não sei do que você está falando. - Remus conseguiu responder, trêmulo. De repente sentia muito medo.

- Mas você sabe. E esse é o real motivo de estar aqui. Se você não soubesse, bom, vida que segue, não posso abrir informações sobre magia para todos os bruxos que praticam uma conexão. Mas você sabe. - Rufus repetiu. - Não só sabe, como controla essa magia. Uma magia muito perigosa, mas extremamente poderosa. Você vê esse tipo de magia em casos como Harry Potter. Não funciona do mesmo jeito. Mas é um tipo de conexão que, quando bem controlada, pode mudar o ciclo de vida da sua alma e da pessoa que está conectada a ti.

Remus sentiu tontura. O que a morte de Lily tinha a ver com o fato de que ele e Sirius tinham feito um ritual de acasalamento anos atrás?

- Como você aprendeu a controlar isso? - Rufus questionou de repente.

- Claro que existe a possibilidade de essa magia existir antes de ele existir, Rufus. - uma das pessoas do trio comentou. - Conhecimento como esse não se aprende em 7 anos de Hogwarts.

- Eu não aprendi em Hogwarts. - Remus falou e se arrependeu no mesmo momento. Todas as cabeças viraram para ele, curiosas. Ele decidiu por falar nada, no entanto. Teve vontade de berrar e sair correndo. Estava cansado, teve uma semana horrível, uma noite horrível, notícias horríveis estavam sempre chegando e novas informações que nunca cogitou serem possíveis.

Levantou-se repentinamente e caminhou em direção a porta, mesmo sabendo que sua saída seria logo impedida.

- Não podemos te deixar ir dessa forma.

- Não estou pedindo permissão. - Remus respondeu sem olhar para as pessoas desconhecidas na sala, mas sua mão parou na maçaneta. Apesar do cansaço que o fez se levantar, existia uma curiosidade que o impedia de prosseguir.

- Você pode realmente nos ajudar. Sabe quantas pessoas dariam tudo que têm para estarem nessa sala?

- Não sabia que vocês tinham um grupo de fãs.

- Não são fãs. São cientistas, bruxos ligados com o além.

- Eu conheço eles como estudantes de Adivinhação.

- Nada aqui é adivinhação. Por anos, bruxas e trouxas aplicam pesquisas e voluntariam seu tempo para projetos que promovemos.

- Quantos desses bruxos e trouxas são obrigados a participar?

O silêncio da sala não durou muito.

- Não estamos te obrigando a nada.

- “Não podemos te deixar sair dessa forma”. - Remus sinalizou com os dedos, ainda de costas para as pessoas.

- Justo. - Rufus falou, soando derrotado.

Remus suspirou e se virou, mas manteve um mão na maçaneta.

- Não tenho tempo ou mente para lidar com qualquer informação que você queira me dar. Ou queira tirar de mim. Se você não pode me ajudar, eu não posso te ajudar.

- Mas podemos te ajudar. - uma das pessoas do trio falou, solene. - A essa altura você já deve ter percebido que Sirius Black será condenado. - Remus não respondeu, mas tirou a mão da maçaneta. - Com certeza você sabe o que isso significa. Harry Potter irá para um orfanato trouxa qualquer, extremamente bem monitorado pelo Ministério. Você vai ficar sozinho, seu parceiro vai morrer.

A menção da possível morte de Sirius causou uma reação inesperada em Remus, até para ele mesmo. Ele cruzou a sala em passos longos e bateu as palmas das mãos na mesa que o separava do trio de bruxos desconhecidos.

- Você não sabe disso! - sussurrou, o que surpreendeu os homens que esperavam um berro. Mesmo assim, eles se afastaram minimamente, cuidado em seus olhos.

- Não é uma questão de saber, é uma questão de lógica. Seu parceiro está profundamente depressivo. Ele não vai sobreviver em Azkaban.

- Como você pode me ajudar? - Remus falou entre dentes, sem piscar, sua íris ainda brilhando amarelo.

- Ouve o que temos para te falar e siga com sua vida.

- E como eu posso te ajudar? - ele questionou, ainda entre dentes, sua respiração muito pesada.

- Ouve o que temos para te falar e siga com sua vida.

Notes:

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