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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2020-10-05
Updated:
2021-06-08
Words:
39,456
Chapters:
21/?
Comments:
2
Kudos:
19
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1
Hits:
894

Life's a bitch

Summary:

Sana foi pega desprevenida pela vida algumas vezes. Quase se afogou na piscina de casa aos quatro anos, perdeu seu pai e se mudou para a Coreia aos quinze e, agora, aos dezenove, foi a contragosto morar na mansão de seu novo padastro, Sr. Kim.

Dahyun, por outro lado, gostava de planejar cada detalhe de sua vida e, logo que viu aquela japonesa com cara de quem não se importa com nada pela primeira vez, prometeu para si mesma que seria sua próxima grande surpresa.

Chapter 1: Introdução

Notes:

Há um ano...

Chapter Text

Faltava menos de uma hora para eles saírem de casa para levar Dahyun ao aeroporto. A filha do atual marido de sua mãe estava indo fazer intercâmbio para "descansar a cabeça" após o fim do ensino médio. 

Típica coisa que as pessoas da minha idade falam para poder fazer merda por um ano longe dos pais.

Ofereceram a Sana a possibilidade de ir junto ou ir para outro país, mas tudo que ela não queria era ter que se acostumar a um ambiente novo mais uma vez. A mudança do Japão para a Coréia logo após a perda de seu pai tinha sido traumática demais para ela, que nunca foi boa nisso de fazer amizades. 

Tinha se passado apenas uma semana desde que sua mãe e o marido voltaram da lua de mel, então ela morou poucos dias com aquela garota, mas já foi o suficiente para reparar em algumas coisas. A primeira, que notou logo de cara, é que ela era muito bonita e tinha um sorriso insuportavelmente debochado.

Não tem como aguentar essa criatura por muito tempo, ainda bem que só precisei conhecê-la agora.

A segunda coisa que Sana notou foi que Dahyun gostava muito de brincar com a cara dela. 

Várias pequenas atitudes da coreana a faziam pensar que ela estava flertando, mas não tinha nada concreto e Sana nunca tomaria uma atitude para confirmar suas suspeitas, então se contentava em apenas pensar nela enquanto estava enfurnada sozinha no quarto. Ela fantasiou mais coisas com essa garota essa última semana do que se orgulharia de confessar.

E ela nunca vai saber, até porque vai sumir da minha vida e eu vou fingir que isso nunca aconteceu.

Não passava de olhares, toques inesperados e algumas palavras ditas perto demais, mas era o suficiente para mexer com a cabeça de Sana a semana inteira. Ela tinha até sonhado com aquela desgraça de mulher.

Isso que dá ser virgem ainda. Eu preciso desesperadamente viver mais.

 

No aeroporto, eles sentaram para tomar um café e estavam esperando o embarque. Ainda faltava quase uma hora para o embarque começar e Sana já estava impaciente encarando a tela do celular esperando alguma notificação aparecer, o que não aconteceria dado que era de manhã cedo e Momo, sua amiga, não acordaria antes do meio dia nesse fim de férias. 

A Momo ia rir da minha cara se visse a minha situação. Espero um dia ter a facilidade que ela tem pra pegar pessoas.

A japonesa não entendeu quando Dahyun levantou do banco ao seu lado e estendeu a mão em sua direção.

 - Sana...você viria comigo até o banheiro? - ela disse com um sorriso supostamente inocente em seu rosto, mas a outra garota sabia que tinha algo diferente ali.

Pra que? Eu não confio em você.

 - Ah...a gente não está fazendo nada mesmo, pode ser - ela sentia que se arrependeria de dizer não.

Provavelmente vou me arrepender de dizer sim também, mas vida que segue.

 - Isso mesmo filha, acompanhe a Dahyun. Façam as fofoquinhas de meninas no banheiro, eu sei bem como é - a senhora Minatozaki falou simpática.

Sana revirou os olhos e seguiu os passos de Dahyun. Sua mãe amava aquela garota desde que começou a namorar o pai dela e forçou bastante a barra nos últimos dias para aproximar as duas. Aquele relacionamento fazia muito bem para ela e não queria que nada desse errado em seu novo casamento.

Elas se levantaram e foram em silêncio em direção ao banheiro do aeroporto. Minatozaki não pôde deixar de notar que os olhos de Dahyun a todo momento desviavam do caminho e pousavam sobre seu rosto, mas ela fez o que pôde para não cruzar olhares com ela. O que ela quer de mim?

 - Dahyun...você precisa de alguma coisa? - Sana perguntou, por fim.

 - Acho que precisar não é a palavra certa, na verdade eu vou te dar uma coisa. É um presentinho para você lembrar de mim esse ano - ela respondeu com naturalidade.

Eu não quero lembrar de você.

 - Que coisa?

 - Não se preocupe, você vai gostar. Convivemos pouco mas eu peguei seus sinais, bem como sei que você pegou os meus.

Garota doida.

Elas não falaram mais nada até chegar no banheiro. Tinham mais três garotas se maquiando lá dentro, e Dahyun apenas tirou uma necessaire da bolsa e começou a lavar o rosto com algum produto que Sana com certeza não sabia nem pronunciar o nome. Sua família sempre foi rica, mas, de tudo que o dinheiro poderia trazer para sua vida, o conhecimento sobre marcas de coisas estéticas eram a que ela menos desfrutava. Preferia gastar dinheiro em refrigerante, sinceramente.

Ela vai me dar um produto de pele? Eu finjo que comprei e dor de presente pra minha mãe se for o caso.

Quando as três meninas saíram do banheiro, Dahyun guardou seus produtos e segurou na mão de Sana, que não ofereceu resistência, apenas ficou com uma interrogação enorme na cabeça. Dahyun a puxou para dentro de um box e fechou a porta.

Ok...não vai ser um produto de pele.

Elas ficaram ali paradas se encarando por alguns segundos até Dahyun sentir que já poderia tocar o rosto da outra garota. Segurou seu pescoço com as duas mãos, acariciou seu rosto com os polegares e sorriu de uma forma que Sana sabe que não apagará de sua mente tão cedo.

Ela vai...

E Dahyun a beijou. 

Isso está mesmo acontecendo.

Não é como se Sana nunca tivesse beijado na vida, ela já tinha até "namorado" um menino um tempo atrás - entre muitas aspas porque não durou nem 3 meses e, pra ser sincera, ela nem se lembrava do sobrenome dele - mas sabia, só por aquela pegada, que Dahyun era bem mais experiente que ela. Ficou meio sem jeito no começo, mas depois de alguns minutos elas já estavam muito bem adaptadas uma à outra. 

Foi um beijo profundo e lento. Era quase um reconhecimento de campo. A coreana queria sentir onde estava se metendo antes de viajar e colocar o resto de seu plano à prova.

Quando se separaram, Sana a olhou num misto de confusão e vontade de mais que Dahyun adorou ver em sua expressão.

 - Eu vi o tanto que você me olhou esses dias, Sana. Eu te acho bem atraente também e não queria ter que esperar um ano até poder fazer isso. Esse fica de presente pra você, faça o que quiser com ele durante esse ano, só não se apaixone por mim porque isso nunca dará certo.

Sana sentiu o sangue subir só pelo tom prepotente que Dahyun falou as últimas palavras. Por um lado ela queria nunca mais olhar na cara daquela garota, mas, por outro, precisava de mais. 

E foi o que ela fez.

A japonesa a puxou de volta e a agarrou de novo. Dessa vez tudo foi mais rápido e um tanto mais selvagem, o suficiente para descabelar um pouco a loira, que sempre mantinha os fios impecáveis. Sana sentiu aquele corpo se derreter em seus braços e seus braços circundarem seu pescoço, como se estivesse entregando toda o controle da situação para ela.

E ela gostou muito disso. Mais do que deveria.

Elas estavam completamente imersas naquela confusão de beijos, arranhões e alguns puxões de cabelo, até que uma voz feminina bem conhecida de Sana surgiu no ambiente.

 - Sana? Dahyun? Queridas?

Merda. Não tinha uma hora pior, mãe?

 - Oi tia - respondeu Dahyun na maior naturalidade, sem soltar o corpo de Sana.

 - Oi, meu amor. Vocês vão demorar ainda? Nós dois já vamos levando as suas coisas para a fila do embarque, tudo bem?

 - Sim... - a coreana a encarou antes de pensar no resto da resposta - a Sana só foi comprar um absorvente, mas nós já estamos indo. Obrigada!

 - Imagine, Flor! Vamos indo lá - a senhora disse animada.

 - Obrigada...

Após ouvir a porta do banheiro fechar, Dahyun riu mais uma vez.

Desgraça de sorriso lindo. Fica ainda melhor assim, de perto e sem mais batom nenhum.

 - Essa foi por pouco. Te vejo na volta, irmãzinha - a coreana disse antes de deixar mais um selinho na boca de Sana e soltá-la.

Irmãzinha. Ela não fez isso. Ela não...

 - Irmãzinha, Dahyun? Jura? - ela disse irritada.

 - Ué, nossos pais casaram...é o que esperam da gente. Não me leve a mal, o que eu sinto por você não é nada fraternal também.

Dito isso, ela foi retocar o batom no espelho e a chamou para ir encontrar o resto da "família".

 - Você vai mesmo agir como se nada tivesse acontecido? - Sana perguntou, ainda um pouco chocada com a situação.

 - Nada aconteceu. 

Sana não se deu ao trabalho de responder àquilo.

Na hora de se despedir, Dahyun beijou seu pai, sua madrasta e, por último, deu um beijo na bochecha de Sana e, disfarçadamente, segurou sua cintura com uma das mãos e sussurrou em seu ouvido:

 - Daqui a pouco tem mais, irmãzinha.

Desgraçada.

 

 

 

Chegando na Holanda, a primeira coisa que a coreana fez foi olhar seu novo apartamento e soltar a mala no canto do quarto previamente arrumado para ela. 

Muita coisa vai acontecer aqui esse ano.

O lado bom de ser filha única de um milionário super-protetor, em termos materiais, era que ela tinha tudo que queria a hora que queria, o lado ruim é que essas coisas perdem completamente a graça depois de pouco tempo. A única coisa que nunca deixava de ser divertida era viver uma vida dupla como vinha fazendo há alguns anos.

Meu pai realmente acha que eu vim para a Holanda por achar o país bonito. 

Quero ver até onde eu chego sozinha num lugar tão liberal quanto esse.

Tudo começou durante o ensino médio, no dia que ela viu uma colega de turma ser pega com um maço de cigarro na escola e não levar advertência por fazer seu namorado na época assumir toda a culpa só prometendo transar com ele depois. Esse dia ela entendeu como não é necessário seguir todas as regras, só parecer seguir e ter sempre um plano B era mais que necessário.

Enganar os outros era viciante, mas ainda faltava alguma coisa para atingir seu ápice.

Nessa busca por algum prazer genuíno ela fez muitas coisas. Ficou alta de tudo que se pode imaginar, se relacionou com pessoas que ninguém nunca ficará sabendo e deve até ter cometido um crime ou outro, mas nada que pudesse causar problemas para ela.

Nunca tinha se deparado com nada que ela não conseguisse fazer, até o dia que a nova namorada de seu pai contou que tinha uma filha, mas que ela era um pouco tímida e não queria conhecê-la ainda.

Como assim?

Mesmo essa pequena rejeição já virou a cabeça de Dahyun do avesso.

Ela não quer me conhecer? Isso não faz o menor sentido.

E assim, para seu desgosto, a situação se manteve até o casamento de seu pai, quando elas se mudaram para sua casa e não tinha mais como Sana evitar esse encontro.

Quando a coreana colocou os olhos nela, soube na hora que ela gostava de garotas também. Isso era um bom sinal, seria mais fácil de chamar sua atenção assim. 

Dahyun começou sondando como era a troca de olhares entre elas, e Sana a evitava tanto que ela teve certeza de que ela a desejava. 

Ninguém foge assim de algo que não assusta.

E tudo culminou naquele beijo no aeroporto. Ela não sabia se seria bom ou não, não importava. Só queria ver o choque no rosto da japonesa, mas, no fim das contas, tinha sido uma experiência ótima. Dava para notar que Sana não era muito experiente mas que tinha atitude de sobra, o que era o suficiente para ela, que até gostou de bancar a professora, de certa forma.

Só não esperava que fosse gostar tanto do beijo daquela garota tímida e desajeitada, mas tudo bem. Está tudo sob controle.

A ideia de mandar fotos provocantes para manter o interesse encubado da japonesa surgiu naturalmente enquanto ela tirava as roupas para ir tomar o primeiro banho em seu novo banheiro. Eu ainda vou matar essa garota do coração.

Quero só ver como será quando eu voltar.