Chapter Text
Victor
- senhor Nikiforov, como anda a sua monografia?
Sou pego de surpresa pelo meu orientador, sei que estou enrolando para mostrar qualquer resultado sobre meu TCC, mas mal tenho tempo para dormir, será complicado conseguir terminar esse curso.
- Desculpa professor Katsuki, estou com problemas para arrumar tempo para conseguir começar o trabalho.
Coloco o questionário aplicado em aula na mesa do professor e sigo em direção a próxima aula, mas sou interrompido novamente.
- Senhor Nikiforov, o senhor mesmo me pediu para que eu fosse seu orientador, eu achei o tema brilhante, mas você não me entregou nenhuma etapa de desenvolvimento ainda, você já trancou essa matéria uma vez, sabe que não pode trancar de novo, é sua ultima chance, estou aqui para te ajudar.
Sei que sua preocupação é genuína, o professor Katsuki é um dos docentes mais renomados da universidade germânica, da aulas sobre história da arte, conceitos arquitetônicos e design de interiores, além de orientar alguns alunos da graduação do curso de arquitetura e de artes plasticas. Ele é um dos poucos professores que é estrangeiro, em menos de dois anos trabalhando aqui, conquistou o respeito e admiração dos alunos e de seus colegas de trabalho.
Katsuki é um homem de estatura mediana, um japonês de aparência comum, creio que se vista da maneira mais simples possível para não atrair olhares, mas nunca está desleixado, suas roupas básicas sempre impecáveis e sempre com seus óculos de armação azul que o faz reconhecível mesmo a distancia.
- Desculpa professor Katsuki, sei que pedi para que fosse meu orientador e sei que deixou de escolher orientar outros alunos para pegar o meu projeto, nossa orientação está marcada para quinta, certo? – Katsuki confirma – entregarei alguma coisa até lá, prometo.
- É bom que saiba valorizar meu tempo Nikiforov, muitos alunos gostariam de ter essa oportunidade... lembre se disso. – Katsuki da um sorriso para mim e se despede.
Olho no relógio e percebo que preciso correr para a próxima aula.
***
- Nossa Vicky, você está horrível, não anda dormindo? – me questiona Chris, meu amigo do trabalho – ainda bem que você trabalha de mascara, ninguém te pagaria se visse essas olheiras.
- Bom Chris, não pude descansar muito, eu tive que escrever alguma coisa para meu TCC.
- entendi, mas é por pouco tempo, logo logo você será uma puta formada.
Sempre dou risada desse lema de vida de Chris.
“seja uma puta, mas uma puta estudada”.
Não que eu sejamos garotos de programa, mas somos dançarinos, fazemos strip e pole dance para pagar as contas.
- Vicky, você vai performar a meia noite, depois vai fazer o atendimento das mesas, Chris, você vai ficar nas mesas e vai dançar lá pela 1 hora, depois que o Vicky estiver pronto para tomar seu lugar nas mesas, Georgi vai as 2 horas e JJ será o ultimo – Assim comanda Celestino, o gerente da casa noturna – a casa abre em 15 minutos, quero todos preparados, temos uma fila longa de clientes hoje.
Já faz 7 anos que trabalho na boate Ratskeller, praticamente desde que abriu, no começo eu era apenas um garçom, mas o dinheiro não era o suficiente para cobrir todas as contas, então Celestino me ofereceu a chance de dançar, ele disse que eu poderia ficar com 60% de todo o dinheiro que me oferecessem na minha apresentação, agarrei aquela oportunidade com unhas de dentes.
Claro que o começo não foi fácil, apesar de ter noções ótimas de dança graças as aulas de balé e dança contemporânea que recebi da minha finada mãe, ser um stripper e dançarino de pole dance foi além das minhas habilidades, mas com o tempo aprendi a performar e receber bem para ter uma vida confortável, além de poder dar ao meu irmão uma vida estável e uma garantia de que ele poderia estudar o que quisesse.
Como sou o primeiro, tenho tempo e calma para me arrumar, confirmo que minha peruca está bem colocada, nenhum fio platinado aparente, confesso que deixar meu cabelo crescer facilitou muito o processo, quando estava curto era mais complicado de ajeitar a peruca. Com a parte mais trabalhosa já finalizada, termino de me arrumar para poder me apresentar, antes de entrar ao palco, coloco minha mascara para que ninguém me reconheça.
***
Foi um bom começo de noite, consegui uma boa gorjeta com a minha performance, poderei até comprar alguns materiais sobressalentes para minhas aulas de arquitetura, veremos como será agora com as mesas.
Atendo algumas mesas sempre escondendo a minha face e o cabelo, não por vergonha da minha profissão, mas para evitar escândalos, ainda mais para o meu irmão.
Tudo correndo bem como na maioria das noites, mas logo me deparo com uma mesa com pessoas conhecidas, todos professores da universidade, a maioria de homens de meia idade, alguns já conheço a muitos anos, clientes antigos da casa.
Ao me aproximar, pergunto o que vão querer e mal termino de falar, um dos professores me apalpa na bunda. Eu morro de ódio disso, mas não posso me dar ao luxo de brigar com o cliente.
- O que o você está fazendo Wolfgang?
Me espanto ao ouvir a voz do professor Katsuki atras de mim, esse ambiente não parece ser do seu gosto.
- Não enche Yuri, eles gostam disso, você viu ele reclamando? – fala o Wolfgang, vulgo professor Fischer que ministra as aulas de calculo e física.
- ele não está em uma posição na qual possa reclamar, então por favor, o trate com dignidade. – professor Katsuki fala com firmeza contra o outro professor.
Essa discussão foi o suficiente para que o babaca soltasse a minha bunda, com isso o japonês se senta a mesa e eu o agradeço pela ajuda, o que enfurece o tarado da mesa, o que faz com que ele agarre meu pulso e puxe para perto dele.
Ele começa a falar qualquer ladainha nojenta e eu faço questão de ignorar, mesmo com a mascara em meu rosto, que cobre parte do meu nariz, eu consigo sentir o cheiro forte de álcool exalando desse professor. Consigo me desvencilhar do toque desse nojento e sinto as mãos suaves do professor Katsuki segurando a minha outra mão, ele me puxa para perto para poder sussurrar em meu ouvido.
- Tente relevar a atitude desse idiota, ele está bêbado. Eu vou pedir que você anote os nossos pedidos e deixe que outra pessoa tome conta dessa mesa, de preferencia alguém que possa falar não para essas babaquices. – Nisso, Katsuki retira uma nota de 50 euros e me entrega. – espero que seja o suficiente por perder a mesa.
Apenas agradeço e me retiro do local, entrego os pedidos da mesa para Chris, que acabou de voltar da sua apresentação, conto tudo o que aconteceu e ele alegremente aceita ficar no meu lugar, ele adora lidar com clientes assim, pois sabe coloca-los no seu devido lugar.
O restante da noite corre bem, minhas gorjetas foram ótimas e o dinheiro da minha apresentação foi além do satisfatório, me despeço de todos e vou embora. Como sempre, coloco minha mascara, um gorro e me cubro com o capuz do moletom, tudo para que não saibam que eu trabalho aqui.
Na saída, vejo o babaca do professor Fischer, desvio dele e sigo meu caminho. Infelizmente ele começa a me seguir, começo a correr, sei que ele não tem condições físicas para me acompanhar.
- Hey! Victor, não é? – esbraveja Wolfgang.
Eu tento ignora-lo, mas acabo diminuindo meu passo.
- Victor Nikiforov! – Grita o professor – o que diriam todos se descobrissem que você é um dançarino de strip?
Sinto a raiva ferver meu sangue, me viro e começo a me aproximar do professor.
- Não adianta me ameaçar... isso não vai mudar nada... – afirmo confiante.
- Tem certeza? Soube que você tem um irmão no campus, ele faz medicina, Yuri, o nome dele, não é? – insinua o professor – o que os amigos dele diriam se soubesse que o dinheiro dele vem do irmão que rebola e mostra a bunda para outros homens varias noites durante a semana?
Aperto meus punhos de ódio, mas tenho que saber o que esse babaca quer.
- Bom, podemos entrar em um acordo, você me tratou tão mal na bar, você pode se redimir na minha casa.
Sinto ânsia, mas não sei se posso recursar.
Wolfgang se aproxima e sinto seus dedos se aproximando da minha mascara para retira-la e me beijar, sinto o ácido estomacal subindo pela garganta, fecho os olhos para tentar ignorar o asco que sinto, nesse momento escuto um baque seco, um soco forte, o que derruba o professor no chão.
Observo o agressor e meu possível salvador, é o professor Katsuki, ele me estende a mão e começamos a correr.
