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We Could Be Enough

Summary:

É Fevereiro de 2020 e Louis está deixando seu apartamento, seu contrato acabou e ele nem de longe quer renovar para continuar naquela espelunca, então entrega as chaves e vai morar com seus amigos até encontrar um lugar.

E aí o pior cenário acontece.

De todas as coisas que ele já imaginou que poderiam acontecer para dificultar sua vida, uma pandemia não era nem de longe uma delas. Seus amigos não podem manter uma pessoa a mais e Louis precisa urgentemente de um lugar, sem ter muitas opções e muito menos dinheiro, ele diminui seus critérios e vai parar em um aplicativo que lhe oferece quartos por área e orçamento. Louis acaba alugando o único que não parecia um cativeiro e tudo que ele espera é que o seu novo roommate não seja um sociopata.

Notes:

Disponível também na wattpad - @loycht :)

Moodboards e capa (porque eu não sei colocar foto no ao3) →

https://loycht.tumblr.com

Chapter 1: Everything Sucks

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

Um mês depois dos melhores dias de sua vida com Niall e Liam no maior estilo "friends" dividindo apartamento, Louis está observando a avenida dentro de um táxi com tudo que lhe restou depois de vender suas coisas da casa antiga. Os três estavam desolados de não poderem ficar juntos mas todos estão perdendo seus empregos e eles precisam se manter, e além disso não era seguro para Louis de toda forma. Tomlinson pensa no tempo difícil que eles terão em seus trabalhos e só espera que seus dois melhores amigos fiquem bem.

 

Ninguém tem muita informação sobre esse vírus, tudo que Louis sabe após um google no significado de Pandemia é que a coisa é séria. E depois do SR. Johnson hoje de manhã na tv com suas luvas de látex azul, ele não vai escolher o lado dos idiotas negacionistas. 

 

Ele teve algum tempo pensando em seus próximos passos, um plano existe mas Louis não garante que é um dos bons. 

 

Todos os seus móveis e "coisas inúteis" aos olhos de Niall foram vendidas muito rapidamente, não houve nenhum problema com a geladeira que ele parcelou em 16x indo embora, nem a tv de tela plana que o acompanhou por muitas maratonas de Greys anatomy. O seu peito só começou a doer nos leilões online das revistas em quadrinho de edição especial, duas caixas do trabalho de sua vida indo embora com algum outro cara que jamais iria cuidar tão bem delas quanto ele achava que fazia. 

 

Agora tudo que ele pode chamar de seu cabe em duas malas e três caixas, ele se sente abandonado mesmo que seja o único responsável pelo próprio nariz. 

 

Tomlinson quase reconsidera voltar pra Donny mas não acha que sua mãe precisa de mais um para lhe dar trabalho, seis já são mais que suficiente. Pelo dinheiro que ganhou com as vendas, ele pode pagar o aluguel e metade das contas pelos próximos 3 meses, até lá todo esse caos terá acabado e ele acredita que vai ter o seu emprego de volta. 

 

O mundo está caindo fora daquele carro, o que significa que suas caixas de papelão com seus bens mais preciosos - ou únicos bens - também serão arruinadas no caminho. O fato dele não precisar de um caminhão de mudança fere um pouco seu orgulho, mas seu bolso está mais que agradecido.

 

Quando chega no bairro que será seu novo lar ele tira o celular do bolso para avisar ao seu novo senhorio que está perto. Louis não sabe muito sobre o cara, o aplicativo de aluguel fez um ótimo trabalho em manter as informações seguras, só que ele realmente não quer estar indo para um matadouro. Todas as mensagens foram objetivas, o que significa que ou ele é sociopata ou é muito sério. 

 

O "Styles" no lugar no nome também não passava confiança e só depois da ajuda do google, Louis descobriu que realmente existem pessoas que tem esse sobrenome. A lacuna de apresentação é, assim como as mensagens, muito sucinta. Ele tem dois anos a menos, um emprego em um escritório qualquer, precisa juntar uma grana e por isso procura alguém para alugar seu quarto extra, alguém "silencioso e que mantenha o lugar organizado". Louis pode se considerar muitas coisas, até exagerando na maioria delas, mas organizado com certeza não, o mais velho se sentiu mentindo numa entrevista de emprego mas depois de apenas um "ok" do outro cara, decidiu que ele merecia pela antipatia virtual. 

 

A ideia de morar com um completo estranho estava ficando mais assustadora a cada rua que o táxi virava e todos os enredos de filme de terror passaram pela sua cabeça.

 

O celular apita e Louis se apressa em checar, ele quase revira os olhos porque toda pontuação está impecável e ele não abreviou sequer uma palavra. "Típico de sociopatas" seu cérebro avisa, mas ele ignora. A mensagem dizia que ele deveria dar seu nome completo ao porteiro e pegar a chave com o mesmo, aparentemente o senhor sociopata em potencial está no trabalho e confia muito na segurança do seu prédio. Quem garante que não vai aparecer nenhum outro Louis William Tomlinson em sua portaria, pegar a chave e roubar toda sua casa? Louis pensa em desistir e correr pra casa de sua mãe pela vigésima vez no dia, mas o valor que ele depositou impulsivamente duas semanas atrás não o permite mudar de ideia agora.

 

O táxi estaciona e ele dá uma boa olhada no prédio, parece bem com um pouco de pintura desgastada mas uma ótima jardinagem a frente, sem matadouros então. Louis também repara numa garagem subsolo e algum tipo de estrutura colorida na grama da lateral. Playground geralmente significa crianças, um ambiente com famílias deve ser menos propenso a assassinatos. 

 

O taxista pergunta se alguém vem o buscar e só então Louis se da conta de que está sozinho nessa. O tal Styles não vai o ajudar porque nem está presente e o porteiro só vai identificá-lo após chegar a entrada. Isso o leva a situação constrangedora de tentar equilibrar todas as suas coisas em seus braços pequenos ao passo em que procura por sua carteira. O motorista tem pena dele e apesar de já poder estar ganhando com outra corrida, ele resolve ajudar Louis. 

 

A guarita do prédio fica em um local coberto então ele e o motorista colocam suas coisas do porta-malas alí bem rapidamente, Louis paga o homem e o agradece, mas não sem antes dize-lo que não ficasse surpreso caso seja informado que um corpo fora encontrado naquele local pelas próximas semanas.

 

Um pouco hesitante, ele se aproxima da cabine, o senhor por volta dos 40 se levanta e o encara, como se estivesse tentando se lembrar se o conhece ou não. 

 

- Boa tarde, senhor! - Louis tenta sua cara mais simpática, ele quer acabar logo com isso, então continua - eu não moro aqui mas- na verdade eu moro aqui, não ainda, mas vou. Provavelmente não vai durar muito então não se preocupe em gravar meu rosto, mesmo que tecnicamente precise sabe e... Eu sou o Louis?

 

O senhor a sua frente pisca um pouco atordoado. 

 

- Por favor rapaz fale devagar, - ele assente - Você disse que não mora aqui? E se não mora o que faz então? - o senhor responde com uma careta se formando no rosto, Louis não o culpa, nem ele mesmo pode de defender das merdas que fala quando fica nervoso

 

- Me desculpe, eu... Sou Louis Tomlinson. Estou aqui porque aluguei um quarto no apartamento 172.

 

- Ah sim, porque não disse logo?! Styles me avisou sobre você! Mas vou precisar da sua identidade... Sabe como é, por segurança. - o mais velho agora tem uma expressão um pouco melhor. 

 

- Sim, é claro! - Louis lhe entrega sua identidade e depois de checar num caderno marrom com o que parecem ser recados escritos ele lhe devolve o documento com uma chave.

 

- Essa é a do apartamento 172 do senhor Styles, ele me informou para entregá-lo e autorizar sua entrada mas também mandou dizer que não pode sair até que ele esteja de volta, acho que ele pensa que você pode ser um ladrão ou coisa assim - Louis faz uma careta indignada como se não tivesse pensado na possibilidade minutos atrás - Enfim, eu só passo os recados, precisa de ajudar com essas suas... Coisas? 

 

Louis consegue ver que ele se esforçou muito para não falar 'tralhas' e aprecia isso, ele lhe dá um aceno e então o senhor lhe pede para esperar um minuto. 

 

Um tempo depois ele volta com um pequeno carrinho - ou uma superfície com rodas - e abre finalmente o portão. Os dois colocam todas as caixas e malas amontoadas e o mais velho sai puxando em direção a entrada com Louis o seguindo sem deixar de observar todos os cantos do prédio.

 

- Desculpe o senhor não me disse o seu nome? - Tomlinson observa assim que passam pela porta principal, o saguão é nada mais que quatro paredes decoradas de forma bem genérica e alguns sofás em lados opostos. Tem dois elevadores lado a lado então Louis aperta o botão de ambos pra ver qual vem mais rápido. 

 

- Oh sim, me chamo Edson. Acho que devo lhe informar que o apartamento 172 fica no décimo segundo andar - os dois elevadores chegam ao mesmo tempo então Louis faz uma escolha, o da esquerda, muito melhor. - Não posso acompanhá-lo até lá pois a portaria necessita de supervisão e com toda essa coisa nova, estou só eu aqui. Pode deixar o carrinho no corredor de seu andar que assim que possível eu voltarei para buscá-lo.

 

- Muito obrigado, e muito prazer Edson... Acredito que não vamos nos ver muito, porque ninguém pode sair e eu não tenho um emprego, mas espero te ver ocasionalmente - Louis fala um pouco rápido demais e ri de sua própria desgraça, Edson parece educado demais ou só entediado para rir então ele empurra o carrinho pelo elevador e espera que Louis entre, quando Tomlinson o faz eles se despedem brevemente.

 

Ao chegar ao seu novo andar ele observa os quadros preto e branco bem parecidos com os do saguão nas paredes, ele agora tem mais dois vizinhos e a sua porta é a última do corredor, Louis dá dois giros na chave e ele está muito curioso, mas se ocupa em colocar todas as suas coisas para dentro e fechar a porta primeiro, vai saber como são os vizinhos... 

 

Assim que entra no apartamento ele dá um suspiro involuntário, alívio talvez, mesmo com tudo incerto e sua vida virando de cabeça para baixo, ele tem um teto agora, já é alguma coisa...

 

A porta dá diretamente na sala, a sua direita está uma mesa de jantar, na parede do outro lado uma porta, e a sua frente uma sala muito bem decorada e super organizada. O cara não estava brincando afinal, mesmo não sendo nada luxuoso ele facilmente encontraria uma foto daquele lugar numa revista. O sofá a sua frente é bem grande e Louis não pode evitar se jogar nele para um teste drive.

 

A porta da varanda está logo ali mas antes ele nota que fez um rastro de lama com seu sapato. Ótimo, mais um motivo para o dono o odiar, ele voltar para a entrada e sem saber o que fazer resolve limpar com as meias, certamente tem um pano em algum lugar mas ele não pode arriscar usar o tipo errado. 

 

Depois de resolver sua bagunça e jogar as meias em uma das caixas, decisão essa que ele tem certeza de que vai se arrepender mais tarde, Tomlinson continua sua exploração.

 

A varanda tem uma mesa de madeira estilo piquenique, com um vaso solitário no meio, uma espécie de cozinha do lado de fora e uma sacada que ocupa toda a parede do cômodo. Ele já consegue se imaginar tirando um cochilo no conjunto de sofás e poltronas mais a direita. 

 

Voltando para o outro lado, ele entra por uma porta, a todo momento sentindo que está invadindo o lugar, mesmo que não seja o caso. Como agir no primeiro dia na casa de um completo estranho? Ele definitivamente não estava confortável, mas acredita que seja questão de tempo. A porta em si dava numa cozinha em formato de corredor porém bastante larga, Louis abre todos os armários e fuça a pequena lavanderia, nenhuma roupa na máquina de lavar ou pratos na pia, alguém realmente mora aqui? 

 

Ao final da cozinha-corredor tem uma porta na parede esquerda que ele descobre ser a porta que ele viu assim que entrou, de volta a sala então.

 

Louis nota que não existe nenhum porta-retrato significativo, todos são genéricos e parecem pensados para a decoração, ou o tal Styles é realmente um sociopata ou odeia a família. 

 

Também existe a possibilidade dele ter mudado todos já que agora vai dividir seu apartamento, mas Louis não acha que importaria tanto assim. Deixando de lado a análise psicológica, ele vai em direção as outras portas. Ele descobre um lavabo na porta ao lado da mesa e depois segue para a direita do painel de tv, a única que falta. Passando por ela, nenhuma surpresa, um corredor completamente branco e cheio de personalidade, para não dizer o contrário.

 

A primeira porta a direita é um quarto, ou melhor, o quarto. Aquele que viu no anúncio e que o trouxe até aqui, sem perder tempo e com um certo receio de que o dono do apartamento chegue a qualquer momento, ele volta para pegar suas coisas na sala e começa a se instalar. 

 

...

 

Um hora depois, metade de suas roupas já estão no armário embutido mesmo que todas emboladas, seu novo banheiro particular já tem toda sua coleção de gel de cabelo, sua cama passou no teste do pula-pula e sua pequena mesinha já está equipada com o computador pronto para qualquer sessão de jogos online com Niall ou Liam. Nenhum barulho foi ouvido então ele supõe que ainda tem tempo de bisbilhotar as outras portas, mesmo que tecnicamente todas as áreas que ele pode usar já tenham sido vistas.

 

As duas outras portas estão ao final do corredor um pouco mais afastadas da sua. Mais um sinal de que ele não deveria, a curiosidade fala mais alto no entanto. Ele abre a primeira e dá de cara com uma espécie de escritório. Mesa, computador, e todos os porta-lápis são... iguais? Que tipo de pessoa é essa? 

 

Obviamente um certo tempo foi gasto na cadeira giratória, mas em sua defesa, Louis pode dizer que não encostou em nada além dela, sem mais nada de interessante para ver, ele decide ir ao último cômodo que provavelmente é o outro quarto, Tomlinson tem plena consciência de que isso configuraria uma invasão, mas ele não é nenhum maníaco e só está curioso, que tipo de quarto tem uma pessoa com uma casa tão genérica assim? Ele pelo menos pode conseguir mais pistas sobre a personalidade do cara e se de repente encontrar algo muito estranho, vai ter tempo de fugir. Ele não está bisbilhotando, está zelando pela sua própria segurança afinal.

 

Usando dessa desculpa que pareceu convincente para si mesmo, ele caminha até lá e gira a maçaneta.

 

A porta não abre.

 

Louis não entende o recado e tenta mais uma vez, talvez estivesse emperrada? Ele gira com mais força e ainda assim nada, então tenta uma quarta vez.

 

- Está trancada de propósito. 

 

Notes:

- Queria agradecer imensamente ao meu grupo de betas perfeito que deu feedbacks importantíssimos para o andamento dessa história. Mari, Tamiris, Maria Clara, Sofia e Maria Eduarda, vocês são perfeitasss 💕 Me desculpem por enviar capítulo as duas da manhã ksksksksks

 

É isso, Boa leitura! :)