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Eu odeio o verão

Summary:

Law odeia o verão e nada pode fazer ele mudar de ideia (é sério), mesmo quando um desconhecido levemente conhecido invade sua casa para usar o microondas e revirar a sua vida, o ódio ao verão permanece.

Notes:

Opa! E aí, tudo belezinha?
Então, faz um tempão que eu tô sem escrever e eu resolvi escrever uma fanfic pra pegar a prática de novo, aliei isso com meu carinho por LawLu e cá estamos. Tô escrevendo esse capítulo faz um tempinho, dei várias travadas, mas consegui terminar. Aliás, algo que me ajudou foi a musica Love at first sight do LemonSoda, ela tem muito a vibe dessa fic, ouçam.
Um aviso importante: essa fanfic tem uma linguagem bem informal e eu tava com muito medo de ter cagado nisso, espero ter feito bem.
Esse primeiro capítulo é curtinho, os próximos vão ser mais compridos, talvez eu demore um pouquinho pra lançar, mas não se assustem, eu vou terminar a fanfic. Qualquer coisa, é só me cobrar lá no meu twitter @FrabsRobin.

É isso, boa leitura.

Chapter 1: Microondas

Chapter Text

Eu, definitivamente, não gosto do verão. Não tente me questionar sobre isso, não vai dar certo, outras pessoas já tentaram. E felizmente ou infelizmente, o atual semestre da minha faculdade foi tão adiado que só vai terminar junto com o verão. Tenho a impressão de que essa estação infernal tá passando mais rápido por eu estar tão ocupado estudando, mas também tenho que lidar com o ventilador que é, possivelmente, mais velho que eu e faz um barulho desgraçado quando vira para a direita. Como o ventilador ainda funciona? Não faço a mínima ideia. 

O que eu sei é que me sinto abandonado nesse forno, também conhecido como apartamento com duas janelas que pegam sol o dia todo em pleno janeiro. Meus amigos estudam em outra universidade e todos resolveram viajar nas férias, cada um para um canto. Me sinto como uma coxinha esquecida na vitrine de salgados, não que eu fosse admitir.

Hoje é sábado, o objetivo do dia era ler o máximo que eu pudesse, mas já falhei nisso, nem lembro mais sobre o que o artigo que tô lendo fala, já li vinte vezes o mesmo parágrafo e não absorvi uma palavra sequer. Chegou a famosa hora de desistir, dar uma pausa, tomar uma água gelada e, de repente, almoçar. 

Mal me levantei da cadeira e caí nela de volta por conta do susto. A porta do apartamento começou a ser socada com tanta força que os livros da prateleira pulavam. 

 

— TÁ QUERENDO DERRUBAR A MERDA DA PORTA, Ô CARALHO???? — Gritei enquanto me levantava de novo.

 

Abri a porta pronto para xingar seja lá quem fosse de todos os palavrões que eu conheço (e não são poucos). Mas, para a minha surpresa, me deparei com vários potes de plástico (alguns, com certeza, eram potes de sorvete sem sorvete dentro) ao invés de um rosto. 

— Opa, colega! Me empresta teu microondas? — disse a voz vinda de trás dos potes (ou talvez fossem os potes falando, o calor já tava me fazendo perder a razão mesmo). — É que o meu explodiu, sabe?

 

Uma pessoa foi saindo de trás dos potes. Era um cara de cabelo castanho bagunçado e uma cicatriz embaixo do olho esquerdo, demorei um pouco para raciocinar, mas logo percebi que “conhecia” aquela pessoa. Ele estuda na mesma universidade que eu, é o tipo de pessoa que grita e corre pelos corredores, ouvi boatos de que ele quebrou algumas janelas. 

 

— Que? Por que eu iria te emprestar meu microondas? Tu acabou de quase derrubar a merda da minha porta!

 

— Porque o meu explodiu, não ouviu, não? Acabei de falar! — respondeu enquanto entrava no meu apartamento.

 

Simplesmente não conseguia acreditar no que eu estava vendo, ele invadiu meu apartamento, foi em direção à cozinha, colocou os potes em cima da pia e abriu o microondas como uma tranquilidade, parecia que era a casa dele e não a casa de um completo desconhecido que nem deu a permissão para que ele entrasse, o desconhecido, no caso, sou eu e ao invés de chutar esse cara pra fora, eu só fiquei assistindo a cena, meu raciocínio não está em seu melhor momento.
Era quase como se eu tivesse entrado em transe, mas aí o infeliz tentou enfiar um pote de alumínio com uma colher dentro no meu microondas, todos os meus alarmes internos apitaram e, finalmente, reagi. Tomei o pote da mão dele.

 

— Que merda você pensa que tá fazendo?

 

— Usando o microondas? — respondeu estressado. 

 

— Primeiro, eu não te dei permissão para entrar na minha casa — comecei a falar — segundo, acho que descobri como que teu microondas explodiu. 

 

— E por que tu tava ali parado me olhando igual um bobão sem fazer nada?  — Ele falou e eu fui atingido, não sei se pela sinceridade ou por ele ter percebido.

 

Preferi não responder.

 

— Não sabia que não pode colocar alumínio dentro do microondas? E muito menos talheres? — falei tal qual um comercial de TV. Você sabia que com o banco sei lá qual você pode parcelar seu PIX em 12 vezes?

 

— Não.

 

Aí, eu só desisti. Ajudei ele a aquecer a comida dos 15 potes sem causar um desastre e a destruição do meu apartamento. E você pode me perguntar: “Mas, Law, esse sem noção invadiu sua casa, por que você não chama a polícia? Ou reclama no grupo do zap do prédio?” e a resposta é muito simples: roteiro.

Depois de vários e vários apitos do microondas, finalmente, aquela comida toda estava quente. Aproveitei para preparar o meu almoço também, afinal era o meu objetivo antes desse caos todo começar. 

Sentamos para comer, eu poderia dizer "silenciosamente", mas seria uma mentira, o ventilador idoso continuava com sua sinfonia da morte, um dia ele vai me deixar, sei disso. E, também, o invasor de casas não parava de tagarelar, o principal assunto era sobre como a comida feita pelo seu amigo Sanji era maravilhosa, ele falava isso enquanto enfiava mais comida na boca. Inclusive, ele não colocou a comida em pratos, comia direto do pote e quando terminava o conteúdo de um, tentava lamber as laterais do pote ou virava como se fosse um copo, no caso de algo mais líquido.

Foi no meio de tudo isso (e enquanto eu mastigava um brócolis muito bem temperadinho) que me dei de conta de que ainda não sabia o nome do meu invasor.

 

— Então, acho que eu deveria saber teu nome, já que né…

 

— Né o que? 

 

— Eu não te conheço e você tá aí bem sentado na cadeira que eu nem terminei de pagar as prestações ainda. — informei.

 

— Meu nome é Luffy e tu me conhece, ué — disse confuso — Tu não é colega do Chopper em uma disciplina? Esses dias fui na sala de vocês, te vi lá, até falei contigo.

 

Eu tinha esquecido completamente daquilo. Foi depois de uma prova estressante pra caralho e, para completar, tava um calorão dos infernos. Luffy entrou na sala em algum momento, ele usava um chapéu de palha por alguma razão, e tropeçou na minha mesa, me fez riscar o que estava escrevendo, o nosso assunto foi eu mandando ele tomar no cu, como pude esquecer?

 

— Ah, é. — respondi — Mas não importa, isso não conta como conhecer o suficiente.

 

Ele não falou nada, continuou comendo. Não demorou muito para que ele terminasse. Falou mais algumas bobagens enquanto colocava seus potes um dentro do outro. Eu não estava prestando muita atenção já, quando chega essa hora do dia eu paro de funcionar, o calor me derrota, sinto o suor escorrendo pelo meu corpo e a barulheira em forma física que eu insisto em chamar de ventilador não ajuda em nada. 

Notei Luffy parado na minha frente e reagi um pouco.

 

— Tô indo embora! 

 

— Tá bom? — foi o que eu consegui processar. 

 

— Outro dia apareço aqui de novo — avisou e saiu sem fechar a porta.

 

Me obriguei a levantar para fechar a porta que quase foi destruída mais cedo. Fui até a cozinha para tomar água, a hidratação é muito importante. Percebi que meu microondas estava todo sujo por dentro, me recusei a limpar, pelo menos por agora. 

Me atirei no chão geladinho para refletir um pouco sobre o que tinha acabado de acontecer. Até que foi legal, diminuiu a minha sensação de abandono por um tempinho, mas não que eu fosse admitir isso também. Acho que tô com problemas.