Chapter Text
— Os primeiros movimentos são feitos pelas peças brancas e depois as pretas montam sua estratégia...
— Mantenha a tensão —. Um sorriso cínico formou nos lábios vermelhos da mulher.
— Como quiser —. Sorri e movi o cavalo paralisando a rainha e finalizando a partida. — Checkmate.
— Não é justo, você que me ensinou a jogar, sabe todos meus movimentos —. A resposta falsamente ofendida veio com um tom de voz debochado.
— Sei todos seus movimentos em qualquer situação —. Ajustando meu sobretudo ao levantar da cadeira, estendi a mão para a mulher que estava do outro lado do tabuleiro. Sem faltar a característica arqueada de sombrancelha, a morena aceita.
— Da próxima vez vamos fazer algo da minha escolha —. Reclamou fazendo o bico.
— Como você quiser, amor —. Um selinho rápido nos lábios vermelhos. — Já estão nos esperando no jantar, vida, temos que nos apressar —. Avisei enquanto caminhávamos de braços dados em direção a entrada da luxuosa cobertura.
— Estou cansada de tantos jantares e festas fúteis, você sabe
— Sei, mas, esse é o último que precisamos ir, logo estaremos livres para aproveitar uma a outra —. Falava de forma gentil tentando amenizar a irritação de minha acompanhante. — Nem precisamos ficar muito tempo na festa, meu amor
— Apenas fique ao meu lado, Kara —. Falou ao interromper o passo e depositar um beijo terno em meus lábios.
— Sempre
O caminho até o grande salão foi tranquilo, provoquei Lena a subir em minha moto para chegarmos como um casal "descolado", entretanto, o argumento sobre eu dirigir feito uma louca e que amassaria seu vestido venceu. E verdade seja dita, seria um pecado causar danos aquela peça, um longo de tom negro com corte simples e uma fenda que alcançava até a metade da coxa esquerda da Luthor, o decote do busto não revelava muito, mas, o desenho que o vestido dava ao corpo já preenchia toda a imaginação que poderia ter.
Dirigi de forma cautelosa o Jaguar XE, evitando acelerar demais, ainda que gostasse de velocidade, Lena vivia preocupada com minha relativa imprudência. A festa daquela noite celebrava a parceria da Z-l, minha empresa de tecnologia, com a L-corp, para a produção em massa de uma nova inteligência artificial que auxiliaria no ensino de crianças com diversos níveis de espectro autista; ainda que os papéis já tivessem sido assinados algumas semanas, uma grande festa em comemoração foi exigida pelos acionistas. A verdade era que queriam apresentar ao mundo das fofocas o mais novo casal.
Isso incomodava tanto Lena, quanto a mim, todavia a festa já havia sido planejada e confirmada quando fomos informadas. Prometemos uma para a outra que tentaríamos converter aquele espetáculo para um momento de informação do projeto, ainda que soubéssemos que seria quase impossível logo ao vislumbrar a entrada. A noite fazia-se dia com a quantidade de flashes que invadia o tapete vermelho. Tentando enxergar alguém conhecido antes de tomar coragem para descer do carro, escuto um suspiro ao meu lado.
— Podemos entrar pelos fundos? —. O olhar demonstrava uma certa chateação com toda a situação. A Luthor foi ensinada a lidar com esses eventos a vida inteira, contudo, isso a esgotava mentalmente.
— Claro, vida —. Repousei a mão na coxa exposta pela abertura do vestido. — Mas, não vamos conseguir permanecer no anonimato por muito tempo. —. Ponderei direcionando o carro para os fundos do lugar. Por ser uma propriedade dos Luthor’s, entrar pelos fundos não foi nenhuma dificuldade, adentramos no salão pelo acesso da cozinha.
O salão se encontrava cirurgicamente decorado com flores brancas que contrastavam com os tons amadeirados do lugar, a iluminação tinha tons rosados que finalizavam o ambiente, dando um leve indicativo que teria uma festa não tão formal em um futuro não muito distante. Um sorriso se formou em meus lábios rapidamente, queria puxar Lena para dançar, mas, não saberia que ela resistiria naquele momento.
Com uma quantidade considerável de investidores, acionistas, amigos e familiares o local já se encontrava preenchido, sem contar representantes de mídias que foram autorizados a entrar, consequentemente, não demorou até sermos notadas pelos convidados. Um grupo de homens caminhou em nossa direção com sorrisos sociais estampados em seus rostos; devido ao acordo, tive que soltar a contragosto a mão de Lena e esperar a enfim chegada dos homens.
— Boa noite, senhorita Luthor, o lugar está impecável —. O líder do grupo falou estendendo a mão, e seus seguidores apenas repetiam o comprimento de forma vaga. — A senhorita também está deslumbrante, espero que não esteja fugindo dos holofotes, seria uma tragédia para os fotógrafos a perderem.
— Boa noite, Senhor Lord, gentil da sua parte —. Um sorriso frio se formou nos lábios vermelhos.
— Claro que não podemos esquecer da senhorita Zor-el. A mais nova empresária do ramo tecnológico também está deslumbrante esta noite.
— Obrigada. Senhorita Luthor, a senhora Arias está nos chamando. Aproveitem a festa, senhores, com licença. —. Interrompi a conversa com um sorriso cínico no rosto. Homens como Lord sempre me causaram asco antes mesmo de adentrar no nicho empresarial. Aproveitando a deixa de encontrar os olhos de Sam, que estava acenando para nós duas, pude fugir rapidamente dos falsos bajuladores.
— Você tem que treinar mais esse polimento, Zor-el —. Lena ria de forma divertida para mim.
— Não para tipos como Lord, Luthor, ele é insuportável. —. O sorriso continuou até o momento que alcançamos Sam. Sua risada aquece meu coração e seus olhos sequestram-me para um universo particular que quase não escuto as palavras da Vice-Presidente da L-Corp.
— Boa noite, meninas, vocês estão lindas —. Saudou enquanto nos abraçava.
— Oi, Sam, como está a noite?
— Por enquanto tudo em ordem, os empresários já estão começando a ficar inquietos sobre qual o modo operante de Alya... e por causa das notícias também.
— Hoje é apenas uma breve apresentação, a coletiva será realizada quando o protótipo estiver finalizado, peça que reforcem essa informação. —. Sam sorriu com o tom profissional que minha voz tomou, mas, acenou.
— O discurso precisa ser feito em instantes, qual das...
— Eu faço o discurso essa noite, Sam —. A interrompi antes que terminasse a pergunta, todavia minha resposta gerou uma reação de surpresa nas duas, fazendo Lena arquear a sombrancelha em questionamento. — Sempre fico a frente dos negócios da minha empresa, senhorita Luthor —. Sorri tocando suavemente nas costas da morena. — Podemos começar a nos posicionar, Sam
Segui com Arias em direção ao palco, sendo seguida por um olhar malicioso e curioso de Lena, dificilmente ela observava um ar tão profissional da minha parte. Apesar de saber da extensa experiência dos Luthor’s no meio empresarial, sempre faço questão de permanecer ciente e participar ativamente dos assuntos de minha empresa, principalmente por tê-la construído praticamente sozinha.
Coloquei o ponto no ouvido e ajeitei o terno de linho negro que trajava. Abrindo o melhor sorriso, subi os degraus e me direcionei ao microfone que tinha o logo de L-corp e Z-l misturados em um design um tanto íntimo. Direcionei o sorriso para a plateia que estava se agrupando em frente ao palco.
— Boa noite a todos, bem-vindos a cerimônia de lançamento da inteligência artificial Alya —. Minhas palavras fluíam de forma propositalmente melodiosa, envolvendo meus expectadores. O telão que estava posicionado atrás de mim ganhou vida mostrando o design da estrela da noite. — Alya se estabelecerá como um produto inovador no mercado de ensino. Enxergando as dificuldades existentes em relação ao ensino adequado de pessoas com diversas necessidades e um suporte a suas necessidades; L-corp e Z-l unem-se essa noite na intenção de diminuir tais obstáculos, principalmente para crianças que apresentam espectro autista em algum nível. Nosso projeto poderá ser configurado e aperfeiçoado para a tarefa que for requerida —. Sorrindo abertamente por ter capturado completamente a atenção do público e erguendo a taça que me foi entregue pela cerimonialista. — Por fim, convido-os todos para que se juntem a L-corp e a Z-l para celebrar o nascimento de Alya, que seja tão grande e sublime quanto a estrela que lhe proporcionou o nome. Boa noite e muito obrigada.
Termino meu breve discurso ao som de palmas entusiasmadas. Sorrindo para a plateia uma última vez e caminho em direção a Sam.
— Já posso tirar o chapéu para a senhora, Zor-el —. Brincou fazendo uma reverência sutil após movimentar a mão retirando um chapéu invisível da cabeça.
— Não precisa disso, Sam, treinei muito no espelho...Você viu a Lena? Não consegui vê-la durante o discurso —. Olhei em volta, porém, sem sinal da segunda mais interessada no projeto.
— Ela está falando com Rojas, da Catco...uma jornalista e... conhecida da Lena. —. Adianta-se em completar a respostar ao ver meu olhar confuso. — Elas estão mais ali atrás, Kara
Despedi-me Arias e fui caminho para onde ela havia apontado, cumprimentando algumas pessoas no caminho, era estranho Lena não estar assistindo o discurso. O caminho até elas era de certa forma curto, todavia demorei um pouco devido a uma aglomeração de convidados que se formou a minha volta, parabenizando-me pela iniciativa, sorri amistosamente, oferecendo palavras corporativas de agradecimento e sutil incentivo para investimento no projeto, contudo, minha atenção estava voltada para as duas mulheres que estavam a poucos metros de mim. Lena estava de costas, não percebendo a minha aproximação, a outra mulher que interrompeu a conversa das duas e sorriu.
— Ora, se não é Kara Danvers Zor-el, a mais nova milionária no ramo tecnológico, já está muito bem treinada para os discursos empresariais, devo dizer. —. Estendeu a mão. Olhos claros, cabelos castanhos, usava um vestido azul royal justo e possuía um sorriso inquisidor. — Me chamo, Andrea Rojas, dona da Catco e estou ajudando a cobrir o evento.
— Muito prazer, senhorita Rojas, espero que a senhorita Luthor não esteja vazando nenhuma informação privilegiada sobre Alya —. Brinquei com as duas, observando que Lena estava um pouco silenciosa desde que cheguei.
— Jamais pediria tal coisa, senhorita Zor-el —. Andrea devolveu a brincadeira com uma piscadela. — Apenas estava felicitando Lena pela grande noite e pela parceira, somos amigas de vários anos, fico muito feliz que tenha prosperado tanto, Lee —. A última parte do discurso se destinava apenas a Luthor e possuía uma intimidade incomoda. — Agora me deem licença, parabéns pelo projeto, senhoritas.
Sorri de forma fraca para Andrea enquanto ela se afastava. — Gostou do discurso?
— Sim, claro, você sabe como inspirar as pessoas, foi muito bom, Kara —. A morena finalmente olhou em meus olhos mais tinha algo diferente em seu olhar, seu tom ao chamar meu nome era distante.
— Você está bem? Nunca me contou sobre sua amiga.
— Não tinha notícias de Andrea algum tempo, não sabia que ela viria hoje —. Respondeu dando uma leve corada. — Mas, não tem importância, vamos terminar nosso papel social aqui logo.
— Sim...vamos —. Caminhamos lado a lado de volta para a multidão de convidados.
Ainda que mantivesse o melhor sorriso, Lena estava dispersa, perdida, por consequência, sobrou o trabalho de conversar e manter as aparências para mim aquela noite. Tenho certeza que não demoramos muito, mas, tudo parecia se arrastar e a cada minuto sentia que algo estava errado entre nós.
Como havíamos combinado, Lena deixou a festa alguns minutos antes, ainda tentávamos minimamente aparentar que não estávamos completamente juntas, após um tempo de espera, fiz as últimas despedidas e deixei o encerramento da noite para Sam. Sai pela porta da frente e avistei o carro do outro lado da rua, caminhei mais lentamente que o normal e adentrei, desta vez no banco do passageiro. A Luthor já havia retirado os saltos e seu cabelo estava em misto, metade permanecendo no penteado delicado que fora feito para a ocasião e metade solto sendo penteado com os dedos de maneira desinteressada.
— Desculpe estar distraída essa noite —. Suspendeu o silêncio.
— Tá tudo bem, Lena, alguma coisa encheu seus pensamentos e está tudo bem —. Seu pedido de desculpas parecia distante, como a própria Luthor estava a noite toda, seu jeito de falar havia me chateado, o projeto era importante para as duas e Lena parecia não mais se importar com isso. — Pelo menos as formalidades acabaram por um tempo
— Sim... amor
O trajeto de volta foi silencioso e um pouco incomodo, passei o caminho todo me perguntando se havia dito algo ou a tocado de forma diferente que a incomodou, poucas vezes me deixei repousar o olhar na mulher ao meu lado, não adiantava muita coisa naquele momento, sua expressão era indecifrável e a mesma estava imersa em seus próprios pensamentos, distante demais para eu tentar alcançá-la. Estou passando alguns dias na casa dela então já saberíamos para onde as duas iriam, não demorando a chegar ao destino.
— Vou tomar banho no banheiro de hóspedes —. Quebrei o silêncio quando adentramos a cobertura.
— Por que? —. Um semblante confuso estampava o rosto pálido arrancando-me um sorriso.
— Para adiantar as coisas, meu amor, você toma no seu e eu tomo banho no de hóspedes —. Depositei um beijo na testa e um a puxei para um abraço. — Prometo estar com você em breve
Nem eu sei ao certo o porquê escolhi essa opção, poderíamos tomar banho juntas, mas, a sensação algo de errado ter acontecido ainda permeava a minha mente, queria dar o espaço que talvez Lena estivesse precisando.
***
Adentrei no quarto de forma cautelosa, não havia demorado, no entanto tinha medo que a mesma já estivesse dormindo, ao entrar constatei que na verdade a Luthor ainda não havia terminado seu banho e o lugar mergulhava quase em uma escuridão completa. O abajur no canto do recinto era a única fonte de luz no momento, um ambiente provocante se instaurava, o lugar exalava a essência de Lena, seu cheiro estava por toda parte. Sentei na beira da cama, e me pus a esperar, deixava meus olhos vagarem pelo recinto, tentava refletir sobre a festa, "Teria sido o discurso? Alguma palavra não adequada? Teria interrompido algum assunto muito importante entre Lena e Andrea?... Lena não falou nada para me machucar, porém, não falou nada de incentivador sobre a noite...Eu vi algo nos olhos delas..."
— No que está pensando? —. O toque suave em meu ombro despertou-me subitamente dos pensamentos. Meus olhos direcionam-se imediatamente para o corpo bem definido, coberto por uma fina camada de um robe carmesim que estava entreaberto, relevando um busto acentuado repousado numa peça de mesma cor do robe.
— Em como você estava deslumbrante, você sempre está deslumbrante —. Dei um sorriso fraco e a puxei para mim. Levantando e depositando beijos no pescoço alvo, uma leve arqueada na postura me incentiva a continuar. Sussurro lentamente. — Vermelho é sua cor, sabia?
— Você está desviando da pergunta —. Respondeu fechando os olhos e colocando uma das mãos em minha costa desenhando padrões aleatórios. — Preto é a sua —. Concluiu me encarando, sorri de forma travessa em resposta.
Abri completamente o robe e o retirei deslizando as mãos pelos braços definidos, lentamente comecei a fazer carinhos em suas costas arranhando levemente a pele a cada pequeno suspiro que saia dos lábios dela. Fiz caminhos provocativos até o feixe do sutiã carmesim, depositando um leve selinho em seus lábios como forma de aviso, abro a peça e a retiro sem nenhum tipo de resistência.
— É a minha vez —. Lena me empurrou para o meio da cama, na intenção que sentasse de forma mais confortável.
— O que você está preten... —. Silenciada rapidamente com um beijo lento que terminou com uma leve mordida em meu lábio inferior.
— Minha vez —. Sussurrou enquanto subia em meu colo, minhas mãos indo imediatamente para a bunda dela, apertando com propriedade. — Você não sabe esperar mesmo, não é? —. A famosa arqueada de sombrancelha que me deixava fora de órbita.
— Quando se trata de você, nunca —. Senti uma das mãos segurar meus cabelos firme e um rebolado lento iniciou em meu colo.
— Vai ter que aprender se comportar, senhorita Zor-el —. O movimento aumentou um pouco me fazendo soltar um gemido baixo.
— Le...
— Senhorita Luthor —. Ela me corrigiu quando mordeu meu pescoço me fazendo gemer um pouco mais alto. — Deve me tratar com mais respeito, Zor-el —. Sussurrou, fazendo meu corpo todo se arrepiar com a voz sensual que a morena estava fazendo.
— Como quiser...Luthor.
