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No profundo de minhas águas

Summary:

Depois anos sumido, o ex-atleta de e-sports Lee Felix lança um livro com a ajuda do jornalista Bang Chan para contar o que aconteceu consigo depois do fatídico dia em que foi parar no hospital depois do último booyah das primeiras olimpíadas da história a ter e-sports. Esta história mostra um pouco das preparações para a divulgação do livro e como eles realmente se sentem um pelo outro.

Notes:

Essa fic fala abertamente de depressão e ansiedade, especialmente como os personagens se sentem diante das situações que lhe causam gatilhos emocionais.

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Agradeço a:

1) Você por estar aqui e querer ler a história!
2) Lu, por ter me incentivado a escrever pro projeto e feito esse plot que parece ser pra mim. Fiz com carinho pra você, espero que goste. hahahahaha
3) Mar, por aguentar todos os meus surtos e betar lindamente esta história, tirando todos os meus vícios de escrita aos 48 do segundo tempo
4) Kittyellen, porque sempre incentiva a escrever.
5) À Cereja, que brigou comigo por não poder me incentivar a escrever dignamente. Na próxima, compartilho contigo os projetos.
6) A mim mesma por embarcar nas minhas próprias maluquices e ter as ideias mais doidas do mundo em cima da hora e dar conta delas.

Nada disto está em ordem, todo mundo é muito amado aí.

E é isso. Boa leitura. <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

— Oi, eu sou Lee Felix. E hoje eu vou quebrar mil pixels no soco — disse Felix, olhando para a câmera, de maneira séria. 

 

E caiu na risada. 

 

A transição de vídeo mostrava Felix ao fundo, conversando com alguém, rindo, coçando a cabeça, pensativo e diversas outras expressões em cortes rápidos, enquanto as letras se faziam presentes na tela, explicando a situação:

 

“Lee Felix, maior atleta de e-sports da história e primeiro e maior medalhista olímpico de e-sports, topou dar uma entrevista pra gente, depois da aposentadoria e de anos sumido. Junto com ele, Christopher Bang Chan, que escreveu seu livro biográfico ‘Depois de desligar os leds’. Eles vão responder às perguntas dos nossos leitores, mas cada um em uma sala diferente.”

 

— Oi, eu sou Lee Felix. E hoje eu vou quebrar mil pixels no soco — disse o australiano, dessa vez mais recomposto.

 

A poltrona preta em que sentava era simples e confortável, a parede branca de fundo não dava indícios de onde estava. Poderia estar em qualquer lugar, mas era melhor assim. Diferente de tantos anos fazendo streams no seu quarto, que eventualmente virou seu estúdio.

 

— Nossa, há quantos anos eu não falo isso? — Riu ele, desconcertado. — Essas coisas parecem mais legais quando você tem 12 anos.

 

Atualmente, Felix tinha 29 e muita coisa tinha mudado desde os 12.

 

— Eu não sei se ainda sei gravar vídeos ou se alguém vai ver isso ainda, já que eu não apareço no Youtube há uns 7 anos. Mas vocês têm algumas perguntas pra mim e eu vou tentar respondê-las. Não prometo nada!

 

A transição de vídeo sempre trazia alguma pergunta em letras garrafais, mostrando o quanto o vídeo em si era muito editado, típico da identidade do portal jovem de notícias e curiosidades absurdas do pop local..

 

“QUEM É VOCÊ?”

 

— Eu sou Lee Yongbok Felix, tenho 29 anos e as crianças do parque me chamam de tio e as minhas costas doem — ele brincou, com um sorriso amplo no rosto. — Fui atleta de e-sports até os 22 anos e, aparentemente, ainda detenho recordes que eu não acredito que ninguém quebrou ainda.



“ME EXPLICA O QUE HOUVE, PELO AMOR DE DEUS? UM DIA VOCÊ ERA O PRIMEIRO E MAIOR CAMPEÃO DE E-SPORTS DA HISTÓRIA, NO OUTRO, VOCÊ SUMIU!”

 

— Obrigado pelo campeão, eu acho. Até hoje meio que não absorvi isso. Eu jogo essas coisas desde sempre, desde os 12 fiz o canal na Twitch e compartilhei meus jogos com os outros. Todo dia era simplesmente sobre ser um dia após o outro, então eu não percebi quando virei atleta e… Sei lá, nunca parei pra pensar quando a minha vida virou só isso. Ou se ela sempre foi só isso. mas eu não percebia, porque gostava do que fazia.

 

Felix coçou a ponta do nariz com o indicador, olhando para cima, como se tentasse lembrar das coisas.

 

Um corte de áudio, com Felix parecendo fazer força para ouvir alguém por trás das câmeras, enquanto a legenda aparecia em tela:

 

"Mas você é um campeão. E olímpico, ainda por cima!"

 

As rugas se formaram ao redor dos olhos do australiano, que ria agudamente:

 

— Bom, eu sou campeão olímpico, mas eu não me sinto um. Acho que a ficha só cai mesmo quando a gente tá no pódio, com a medalha no peito, cantando o hino enquanto a bandeira sobe. E eu não tive essa chance.

 

O ex-atleta parou e inclinou a cabeça para o lado, parecendo tecer uma longa conversa com as diversas vozes da sua cabeça.

 

— E eu ainda estraguei a chance dos meus colegas. Espero que eles me perdoem por isso.

 

"ATÉ HOJE VOCÊ NUNCA EXPLICOU PRA GENTE O QUE ROLOU NAQUELE DIA!"

 

Felix parou, piscou diversas vezes, olhando para cima. Buscava sinceramente um jeito de explicar o que aconteceu, não necessariamente nas palavras, mas nas emoções.

 

Quando uma ferida está em processo de cura, ela pode não sangrar, mas lateja, incomoda… Dói.

 

— Bang Chan foi melhor em descrever tudo isso. Ele é melhor com palavras do que eu.  — Riu ele, constrangido.

 

Fechou os olhos e respirou fundo, dizendo:

 

— Digamos que eu era um celular com 10% de bateria funcionando sem o modo economia. Eu não tinha tempo para recarregar completamente na tomada, então eu recarregava quando dava, mas, às vezes, eu jogava Genshin Impact sem estar na tomada.

 

Ele riu, porque era bobo, mas era verdade. Esperava sinceramente que as pessoas entendessem a analogia.

 

— Às vezes, muitas vezes, aliás, eu usava o carregador de mão, mas não é a mesma coisa que carregar na tomada. Um celular não sabe disso. Eu também não sabia. Então, quando eu tava jogando a final, eu não tava mais em 10% de bateria. Quando eu dei o último booyah das Olimpíadas, eu tava em um. Quando eu ia dar meu grito, descarreguei. E não consegui ligar mais.

 

O sorriso social se fez presente, encerrando o assunto.

 

“CARA, POR ONDE VOCÊ ANDOU? SENTIMOS SUA FALTA!”

 

— Eu não podia mais jogar. Foram ordens médicas. Um mês sem jogar. Na real, foi um mês sem atividades emocionantes ou qualquer coisa que pudesse me colocar ansioso. Resumindo, eu não tinha autorização pra viver. Se eu ainda tivesse canal do Youtube e da Twitch pra me preocupar, eu não ia ficar em paz. Então decidi parar tudo. Qualquer coisa, era só voltar.

 

O sorriso social se fez presente, mas vacilou. Então Felix começou a gesticular novamente, tentando manter uma linha lógica que pudesse fazê-lo falar sem desistir.

 

— Falando assim, parece que eu tava muito tranquilo, mas eu não tava. O que eu ia fazer agora? Jogo desde sempre, faço stream desde os 12 anos, com 13 virei e-atleta… O que mais eu ia fazer da vida? Eu nem lembro da coletiva e live em que eu falei da aposentadoria. Tudo foi só passando. Quando eu vi, passei um mês deitado na cama, basicamente levantando pra comer qualquer coisa, tomar remédios e tomar banho. Era… complicado. Seungmin, meu empresário, me arrumou uma casa na Austrália e lá eu fiquei, de frente pra praia, em um ponto que não tinha movimento nenhum. Eu só sou Felix lá.

 

"O QUE VOCÊ FEZ NO TEMPO QUE FICOU SUMIDO?"

 

— Nada! — Felix respondeu de pronto e riu, fazendo o time por trás das câmeras rir também. — Absolutamente nada. 

 

E riu ainda mais. Devidamente recuperado, Felix seguiu:

 

— Acho que é o sonho de qualquer um não fazer nada. E era o meu. Mas você só quer isso se for uma escolha. Eu não tive uma. Pra mim foi doido, porque eu só, de repente, fiquei muito cansado. Exausto, na verdade. E quanto mais eu ficava deitado, menos eu queria fazer algo. No fim das contas, quanto mais você faz nada, você acaba não tendo forças pra fazer algo. Pelo menos era assim que eu pensava. Eu só não sabia que era assim que a depressão se manifestava em mim.

 

O ex-atleta deu de ombros depois de um tempo em silêncio.



— Depois de um tempo, você questiona se vale a pena fazer algo e aí todos os pensamentos invalidantes se manifestam na sua cabeça. E você acredita em cada um deles. Até o ponto em que você não sabe distinguir o que é verdade e o que é mentira. Mesmo que a maioria seja mentira. Na real, todos são. Então é melhor não fazer nada. O negócio é que você não consegue acreditar nisso pra sempre. Ou cansa de acreditar e quer contrariar isso. Foi esse pequeno ato de rebeldia que me fez procurar ajuda.

 

O sorriso que ele deu foi tão sincero que formou rugas ao redor dos olhos. 

 

— Não quer dizer que foi fácil. Ou que é. Tem dias que é o próprio inferno na terra, mas tem outros que são bons. E a gente vai progredindo. Foi assim que eu comecei a querer voltar a fazer as coisas, mas que são segredo.

 

"QUAL A IMPORTÂNCIA DE PROCURAR AJUDA?"

 

— Toda. Eu tive sorte de ter suporte e rede de apoio. Tinha muita gente torcendo por mim, então, quando eu pedi ajuda, as pessoas não estavam apenas ali para mim, mas, também, celebrando essa vitória. Nem todo mundo tem algo assim para si, eu sei. Então eu dei sorte. Espero um dia compensar essa sorte toda que eu tive retribuindo ao mundo. 

 

"E AGORA, FELIX? O QUE VOCÊ VAI FAZER?"

 

O ex-atleta fez biquinho pensativo, mas desabrochou em um sorriso:

 

— Ah… Tem o livro, né? Eu tenho um bom tempo para falar dele para vocês e compartilhar essa experiência toda.

 

O sorriso se tornou mais acanhado, com o nariz enrugado e um rubor ao redor do nariz:

 

— Talvez eu siga falando com vocês. Talvez eu já esteja falando com vocês e vocês nem imaginam. Um dia de cada vez. Por agora, vamos ter várias comunicações por causa do livro e é isso. Depois é depois. E vocês vão ver em breve, assim espero.

 

A edição e o tipo de corte mostravam que o vídeo estava terminando e que era hora do ex-atleta se despedir.

 

— Obrigado por todo o carinho que vocês têm comigo. Sempre tiveram, mas eu realmente não esperava tudo… Tudo isso. Espero que tenham todo esse carinho com o Chan-hyung também. Sem ele, esse livro não teria saído e eu não teria voltado. Então é isso, eu vejo vocês por aí e até a próxima.

 

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

 

"QUEM É VOCÊ?"

 

— Christopher Bang ou Bang Chan. Sou fofoqueiro formado, como diz Felix. — E riu.

 

Christopher nunca tinha feito aquilo de gravar vídeos para internet e sua postura denunciava.

 

— Na verdade, eu sou jornalista e escritor da biografia do Felix e tô aqui pra reagir e comentar o vídeo que o Felix gravou pra vocês. Espero que eu seja bom nisso, porque o Felix é ótimo.

 

O cenário branco estava ali de novo, mas a cadeira ergonômica e a mesa simples tentavam aparentar que se tratava de um lugar diferente, quando, na verdade, não era.

 

O sorriso tímido escancarou ao ver o coautor do livro, embora Felix fosse muito mais que isso para ele. 

 

"COMO VOCÊ CONHECEU FELIX?"

 

— Hum… Na verdade, essa é uma história engraçada, porque eu fui mandado para casa dele sem saber muito o que fazer. Ele me recebeu com a maior cara de sono e um moletom que parecia dar três dele. Era a pessoa mais adorável do mundo, mas abriu a boca e me disse: "Você é o novo jornalista que precisa de férias remuneradas? Ótimo, entra aí. Eu ainda tô dormindo, mas pode ficar à vontade e escolher o seu quarto, desde que ele não esteja trancado. Quando eu acordar, a gente conversa" — disse Chan, entre risadas, depois de imitar a voz de Felix de um jeito caricato.

 

Após limpar uma lágrima de tanto rir, ele disse:

 

— Depois disso, ele nunca me procurou, então eu fiquei ali, coabitando uma casa enorme de frente pro mar, totalmente ciente de que não estava de férias. Mas se meu alvo de trabalho não me deixava chegar perto dele, o que eu ia fazer? Busquei, então, outros trabalhos para fazer.

 

Christopher suspirou e coçou o pescoço, como se pensasse como contar algo.

 

— Eu sou insone, então a noite é minha amiga das antigas. Com meu laptop debaixo do braço, aproveitei uma noite de céu estrelado e lua minguante para ver o mar e escrever. Não era meu dia mais inspirado, mas eu trabalhei. Sem dizer uma palavra, Felix sentou do meu lado e observou o mar revolto que me inspirava.

 

O sorriso agora era mais satisfeito consigo, orgulhoso de si.

 

— "Mergulhar no profundo de minhas águas deveria me matar de vez. Mas, ao contrário, foi o que me salvou". Eu lembro que o texto começava assim. Ele me pediu autorização para ler e perguntou se eu realmente acreditava naquilo. A conversa foi longa e o sol estava nascendo, com tons de laranja destacando ainda mais as sardas dele quando recebi o aval para escrever sobre ele. Eu queria saber pintar para retratar aquele momento, mas as sardas de Felix são lindas.

 

Mergulhado nas próprias memórias, Bang Chan não viu as mulheres do estúdio se derreterem pela declaração do rapaz. 

 

— A gente bolou um jeito de escrever junto e saiu o livro que vocês estão vendo. Ele bateu o pé sobre o título ser "No profundo de minhas águas" e eu não vou questionar as escolhas dele. Não porque é um trecho de algo que eu escrevi, mas porque é a história dele, sabe? Ele escolhe como quer ser representado, desde que não fale mal de si mesmo. Isso eu nunca deixei.

 

O sorriso relaxado e o olhar perdido em lembranças expunham sentimentos que iam muito além do profissional, mas que estavam escondidos.

 

Bang Chan balançou a cabeça e soltou um sonoro:

 

— ENFIM!

 

E deu play no vídeo por puro impulso. Riu com doçura dos cumprimentos do ex-atleta. Pausou e disse:

 

— Eu acho muito doido não ter ouvido falar de Felix enquanto ele tava no auge. Devia estar em uma caverna, mas nunca ouvi ou vi nada dele até o momento em que precisei fazer minha pesquisa sobre ele. Isso me permitiu me apaixonar por Felix como ele era, porque eu convivia com ele todos os dias, mas também pude entender por que as pessoas são apaixonadas por ele. Foi com essa paixão que eu escrevi o livro, porque Felix era uma pessoa real e não meu muso inspirador, distante e irreal.

 

Dando o play novamente, Chan chegou na parte em que Felix explicava o que aconteceu e lembrou como ainda era difícil falar sobre si e suas vulnerabilidades de maneira tão aberta.

 

— Ele me permitiu explicar melhor, então foi o que eu contei no livro: ataques de ansiedade no máximo, remédios dando efeito rebote toda hora e atividade de alto impacto emocional e físico, porque, quando ele jogava, seu corpo era uma bomba de adrenalina e cortisol. Enquanto ele tentava adaptar os remédios para não cair no doping, mas conseguir segurar os efeitos da ansiedade e dos treinos pesados, ele basicamente se arrastava e usava toda a energia que tinha para dar conta, enquanto abusava dos energéticos. Nas Olimpíadas, quando ele matou o brasileiro da paiN, seu corpo não aguentou todo o excesso de meses acumulados, enquanto o coração acelerava demais e seu corpo estafou de vez.

 

Chan deixou a informação ser digerida por todos enquanto mirava a câmera com serenidade.

 

— Felix mentiu muito para si mesmo, mas isso todos nós fazemos o tempo todo. Sempre dizemos: "Só mais um pouco" ou "Eu dou conta, depois descanso", mesmo estando exaustos. A história de Felix não é sobre julgar suas escolhas, que são tão iguais às nossas, mas sim de perceber as consequências delas. Uma pessoa sábia é capaz de aprender com as experiências dos outros, portanto esperamos que vocês aprendam como fazer diferente, como ele eventualmente fez.

 

E apertou o play, por puro reflexo. Seu exterior confiante dizia que ele adorava o que tinha dito, mas, no fundo, tinha medo de ter causado vergonha alheia em Felix e nos espectadores. Mas, infelizmente, não tinha controle sobre isso.

 

Chan viu Felix comentar sobre procurar ajuda, ele não se segurou e pausou o pano.

 

— Posso dizer com folga que tenho muito orgulho de Felix. Desde que procurou ajuda e apresentou quadro de melhora estável, ele passou a fazer trabalho voluntário na linha telefônica de ajuda emocional, cursa psicologia e estuda meios de ser difusor da ciência pelo bem estar. Mas o que ele faz de melhor é um segredo que eu guardo até o meu caixão. A questão é: ele não gosta de ver ninguém sofrer e vai fazer de tudo para manter as pessoas calmas e ajudar quando elas se sentirem prontas e aptas a serem ajudadas.

 

A firmeza que Chan carregava era tão tranquila que quase escondia a intensidade de seus sentimentos nada discretos.

 

— Essa é uma das coisas que eu mais amo em Felix e eu espero que vocês também consigam ver e amar como eu. Porque amor é tudo o que ele merece, já que é tudo o que ele vem dando por todos esses anos a todos que o cercam.

 

Chan deu o play, assistindo à despedida apressada de Felix e apreciando todo o jeitinho do outro rapaz, enquanto um rubor tomava conta de suas bochechas.

 

— Felix é… absolutamente adorável e, se vocês pedirem, ele vai ficar. Se não conseguirem falar com ele, eu vou convencê-lo a ficar e aparecer, porque ele foi feito para ser amado e admirado e eu vou fazer ele ficar.

 

"UMA MENSAGEM FINAL"

 

— Se você está assistindo a isso aqui e está passando pelo o que o Felix passou, mas sozinho, este é seu sinal para procurar ajuda imediatamente. O que quer que esteja acontecendo de ruim com você é um estado transitório. Não é sobre "eu sou assim", mas sim sobre "estou assim, qual é meu pequeno ato de rebeldia que vai mudar tudo?”, e seja rebelde. Procure ajuda.  

 

A edição começou a tocar a música que indicava o fim do vídeo.

 

— Obrigado por estarem aqui comigo e comprem o livro do Felix. Mas não comprem por comprar, mas sim para que conheçam a história dele. E deem a ele todo amor do mundo, porque ele fez sempre o melhor pra vocês.

 

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O quarto de hotel depois de um dia cansativo nem de longe era como o refúgio deles na Austrália, mas teria que servir.

 

Tendo assistido todo o vídeo de reação de Christopher, Felix não conseguia segurar o sorriso amplo de caninos pontiagudos. Cercou Bang Chan contra a porta e cantarolou:

 

— Você me ama, você me quer, você é incapaz de resistir a mim. Eu sempre soube que você cairia de amores por mim e era só uma questão de tempo até acontecer. 

 

Vermelho até a raiz dos cabelos, Bang Chan sorriu, negou com a cabeça, olhando para baixo e disse:

 

— Não é bem assim, Lix.

 

Inconformado, o mais novo tocou no queixo do jornalista, levantando-o levemente e disse:

 

— Mas você falou isso diversas vezes, que se apaixonou por mim e que me ama…

 

Chan tentou argumentar, mas foi fraco:

 

— Não é exatamente assim, pequeno.

 

Sua fraqueza era diretamente proporcional à vontade, às memórias que compartilhavam, aos olhares cheios de pedidos velados e ao desejo que tanto expressaram em toques e confissões furtivas.

 

— Não? Que pena. Porque eu me sinto exatamente assim, Bang Chan. Eu te amo. O que seria muito triste, porque é a primeira vez depois de anos que sou capaz de amar de novo. — O tom resignado de Felix não deixava de ser apaixonado. 

 

Chan impediu Yongbok de ir embora.

 

— Eu te amo — ele disse, em tom baixo, mas firme. — Só preciso te pedir um favor: vamos mais lento. Eu preciso me acostumar com isso.

 

— Tudo bem. Eu só… posso te beijar agora?

 

Chan assentiu, recebendo o beijo lento e doce do ex-atleta. Aquela era a promessa de que era só o começo de Lee Felix e Bang Chan.

Notes:

E é isso. Obrigada por ter lido até aqui.

Se quiser me falar algo, tô no twitter e não mordo: @OiFeeliixx