Chapter Text
#Kirari
O dia amanheceu chuvoso, porém era algo de se esperar já que hoje seria o dia do enterro de minha mãe.
Foram longos 5 meses dentro de um hospital tomando conta dela junto com minha irmã Ririka.
Era sempre difícil chegar lá e ve-lá definhando em cima de uma cama.
Jamais poderíamos imaginar que a queda na qual ela teve resultaria em um tumor cerebral.
Passar por isso tudo, parecia um pesadelo compartilhado que jamais teria fim, porém acabou tendo a 2 dias atrás.
Assim que fui trocar de lugar com minha irmã, nossa mãe antes de morrer nos contou tudo sobre quem era o nosso suposto pai e nos disse que tinha algumas coisas dentro de uma pasta guardada em seu quarto que contava sobre o que aconteceu.
Ela também nos pediu para que fossemos atrás dele, contar a verdade já que ela sabia que não iria poder.
Nós então aceitamos o seu pedido.
Agora o velório está acontecendo na capela do cemitério local.
Poucas pessoas pareceram, entre elas alguns amigos, nossa tia que nos acolheu junto com nossa prima Yumeko.
Depois de uma hora de velório e de enterro, fomos para a casa de minha tia onde vivíamos de favor.
Reconheço o que ela havia feito esse tempo todo por nós, no entanto passado alguns anos a mesma vivia explorando minha irmã e eu, enquanto sua filha levava toda a mordomia dos nossos feitos.
Assim que chegamos lá, Yumeko e a tia Keiko saíram para algum lugar, deixando minha irmã e eu sozinhas em casa.
- O que iremos fazer agora Kirari? - me pergunta um pouco aflita.
- Não é óbvio!? Iremos atrás de nosso pai como a mamãe nos pediu!
- Você acha que assim que chegamos lá e falarmos que somos sua filha ele vai acreditar?
- Acho que sim, já que temos as cartas de amor que ele mandava para ela quando morava na fazenda.
- E já pensou como nossa tia irá reagir com isso tudo?
- Fica tranquila já tenho tudo sobre controle e assim que ela voltar iremos conversar com ela.
- Está bem então!
- Agora faça suas malas e farei as minhas.
Subimos as escadas e fomos arrumar nossas coisas, como não eram muitas foi fácil de ajeitar.
Assim que terminamos, vou tomar um banho para trocar de roupa.
Após se passarem uns minutos, escuto o barulho da porta e as vozes delas.
Desço então as escadas rapidamente, na chance de encontrar a minha tia antes que ela vá para o quarto.
- Que isso menina!? - Para que essa correria? - pergunta minha tia espantada.
- A Kirarizinha você poderia cair da escada! - diz Yumeko me olhando com um olhar gracioso.
Como eu a conhecia tão bem, esse era um dos truques que ela usava para manipular alguém com mente fraca.
Bastava uma palavra carinhosa, um olhar gracioso e já era manipulado.
- Tia preciso conversar sério com a Sra!
- Podemos conversar aqui.
- Ririka e eu sabemos quem é o nosso pai!
- Chama sua irmã e vamos para o meu escritório conversar.
- Está bem!
Digo me virando e indo para o nosso quarto lá em cima chamar Ririka.
Enquanto nossa tia prosseguiu para ir até o seu escritório particular que ficava dentro de casa.
- Bora Ririka, nossa tia vai falar com a gente!
- Kirari isso vai dar merda, ela não vai aceitar.
- Não se preocupe, estamos juntas nessa. - digo indo em sua direção e a abraçando. - Vamos!
- Vamos!
Descemos juntas e fomos para o escritório particular da nossa tia.
Quando chegamos lá, batemos na porta e escutamos a mesma nos mandando entrar.
Assim que adentramos o local, me deparo com a mesma tragando o cigarro longo que havia na ponta dos seus dedos.
Observo ela manusear perfeitamente o cigarro até o cinzeiro de prata que havia em cima da mesa.
Eu achava isso dela tão elegante e ao mesmo tempo diferente.
Nossa tia Keiko era mais velha que a mamãe e mais nova que a tia Yui.
Beirando a casa dos 40 e poucos anos, a mesma possuía o rosto de uma jovem de 20 anos.
Seus cabelos eram negros iguais da Yumeko, porém diferente de sua filha seu cabelo vivia preso em um coque prefeito e seus olhos eram amendoados.
Se notava que através das suas roupas sociais e unhas grandes pintadas, o quanto era vaidosa.
- Então sabe quem é o pai de vocês?- pergunta depois de terminar de tragar o cigarro.
- Sabemos sim e queremos conhecê-lo! - responde Ririka com um pouco de receio.
- Hum...interessante. - indaga cruzando perfeitamente a perna sobre a outra, assim fazendo com que ficasse com uma postura impecável. - E o que acham que vão conseguir indo lá? Ou vocês acham que ele vai acreditar em vocês? - conclui dando um sorriso frio, enquanto nos questionava.
- Não sei se ele vai acreditar, no entanto iremos fazer o que nossa mãe nos pediu para fazermos antes de morrer.
- Então ela pediu isso para vocês...Harumi sempre sendo ingrata.
- A nossa mãe não é ingrata e nem a gente.
- Ah não... e os anos que moraram aqui de favor? - Quando a avó de vocês pediu para acolhe-las, por que a mãe de vocês ficou com medo de encarar as consequências já que a posição do pai de vocês era bem diferente.
- NÃO FALA ASSIM DA NOSSA MÃE! - grito bravamente na cara dela.
- Se quiserem ir minhas adoráveis sobrinhas, podem ir. No entanto se passarem daquela porta para fora não precisam mais voltar.
- Não iremos voltar. Amanhã iremos partir!
- Se já fizeram a suas escolhas, podem se retirar.
Olho para ela acendendo outro cigarro e me retiro junto com Ririka daquele lugar.
No momento em que abrimos a porta do escritório, damos de cara com Yumeko espantada.
- Vocês vão embora?
- Não é da sua conta! - responde Ririka passando por ela.
- É isso que escutou.
Subimos direto para o nosso quarto.
- Vamos sair que horas amanhã?
- Ririka devemos sair daqui umas 4:30 por que esse lugar para onde vamos é interior e não podemos nos atrasar já que só passa 1 barco por dia para ir pra lá.
- Vamos direto de barco?
- Não!
- Então?
- Vamos primeiramente andar até a estação de trem e pegaremos o trem para o leste...
- O que tem haver o trem com o barco?
- Por que depois de ficarmos 3 horas no trem, pegaremos o único barco de 8:30 que nos deixará perto de lá. Fora que temos 1 hora de caminhada.
- Estamos indo para o fim do mundo?
- Não! Só estamos indo para o interior.
- E como você sabe disso tudo?
- Eu vi o nome do lugar em uma das cartas que mamãe ganhou do Sota, então joguei aqui no Waze e a rota de como chegamos lá apareceu.
- Ah sim!
- Agora vamos dormir, para acordamos amanhã dispostas.
Já que não teríamos que nos preocupar com as nossas coisas que estavam organizadas e guardadas para irmos embora, fomos dormir as 18:30, mesmo sabendo que era cedo de mais.
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No dia seguinte me levanto com os 2 alarmes tocando.
Desligo então primeiramente o do meu celular e em seguida começo a procurar o celular de Ririka que não parava de tocar.
Nesse meio tempo procurando o celular para desligar o maldito alarme, Ririka estava dormindo tranquilamente.
Após meia hora depois procurando, ele para de despertar e Ririka levanta meia sonolenta.
- Menina o alarme morreu de tocar e você com o sono da morte nem para acordar. - Já estava preocupada com você.
- Ah...Para Kirari! - Me responde em um bocejo.
- Vamos sono da morte, não podemos perder tempo.
- Tá!Tá! - diz se levantando e indo para a suite se arrumar.
Conforme Ririka vai se ajeitando, começo a fiscalizar as malas e as coisas. Para ter certeza que não deixaremos nada para trás.
Após terminar minha tarefa e Ririka já estava pronta, vou para a suíte me ajeitar.
Meia hora depois já me encontrava pronta, com a minha mochila azul nas costas e uma mala pequena nas mãos.
Ririka também estava com a sua mochila verde nas costas e uma mala pequena nas mãos.
Saímos de casa sem que nossa tia ou a Yumeko nos visse e fomos direto para a estação de trem.
Caminhamos ao longo da plataforma, o trem que estava sendo anunciado através do auto falante e seria o que iriamos pe- Hum...interessante. - indaga cruzando perfeitamente a perna sobre a outra, assim fazendo com que ficasse com uma postura impecável. - E o que acham que vão conseguir indo lá? Ou vocês acham que ele vai acreditar em vocês? - conclui dando um sorriso frio, enquanto nos questionava.gar, era conhecido como maria fumaça, então sem muita embromação adentramos o local antes mesmo da multidão de pessoas entrarem.
Conseguir um lugar sentado foi um pouco difícil, pois tivemos que andar pelos vagões até que paramos entre um vagão e outro.
Não era seguro mais, não éramos as únicas que estávamos assim.
Foram 3 longas horas, a nossa sorte é que Ririka havia pego algumas comidas escondidas para comermos.
A viagem até o porto foi tranquila, comemos 3 sacos de batatas chips, conversamos entre nós e com outras pessoas que apareciam.
Depois das 3 intermináveis horas dentro da maria fumaça, descemos em uma plataforma bem antiga e caminhamos para sairmos de lá.
Assim que saímos, peço informação para um rapaz que conscientemente estava indo pegar o mesmo barco.
Seguimos ele até o local do porto, que não era tão longe como imaginávamos ser.
Ririka e eu andávamos pouco de barco, já que onde morávamos era mais carro e trens.
Tirando os enjoos de minha irmã, o trajeto foi bastante calmo.
Deu até para tirarmos um cochilo, já que tínhamos acordado bem cedo.
Navegamos por quase 1 hora até que o mesmo parou em seu destino final.
Nos retiramos do mesmo e prosseguimos caminhando até ver uma cidadezinha.
Casas tradicionais, comércios pequenos, escola grande, posto de saúde e igreja.
- A gente está chegando? - pergunta Ririka um pouco impaciente.
- Ainda não, mais podemos comer algo decente e pedir informação.
- Está bem, vamos então para aquele estabelecimento ali.
Seguimos até o estabelecimento chamado YomotsukiCoffe.
Ao entrarmos no estabelecimento, vemos que tem poucas pessoas.
Então aproveitamos e sentamos em uma mesinha.
- O garotas! - chama uma pequena figura de cabelos longos aloirados e casaco de cachorrinho, enquanto se aproxima de nós. - Aqui o cardápio! Qualquer coisa é só chamar me chamar, a propósito me chamo Runa. - conclui dando uma piscadinha.
- Está bem!
A menina se afasta de nós, como tivesse nos dando privacidade.
Conforme caço algo de bom no cardápio, minha irmã fica observando tudo em nossa volta.
- Gente estranha! - diz Ririka com a voz baixa, enquanto termina de olhar a nossa volta.
- Você em vez de ver o que vai comer, fica aí reparando nos outros como sempre.
- Ah Kirari esse lugar é estranho e tenho medo de ser assaltada.
- Ah...para tá! - indago pondo o cardápio na mesa e observando em nossa volta. - Só por que tem uma garota parecendo um pirata de tapa olho junto com umas garotas estranhas e o lugar é um pouco sujinho não quer dizer que seja ruim ou que vamos ser assaltadas, tá!?
- Tá bom! - diz olhando para meus olhos.
- Olha lá no palco! - falo apontando para o mesmo.- Tem uma cantora de cabelos rosados.
- Arrasa Yumemi! - grita a garota de tapa olho.
- Oh garota! Não atrapalha a apresentação. - diz a jovem que nos atendeu. - Se não gostar pode se retirar Ikishima-san!
- Affs tá bom!
Ririka termina de pensar no que vai pedir e assim que entramos em um denominador em comum, chamamos a menina que nos atendeu.
Após anotar nossos pedidos, ficamos escutando a música ser cantada pela moça.
Ficamos esperando um pouco o nosso café da manhã, que só demorou por que Ririka pediu uma torre de panquecas carameladas.
Depois que chegou o nosso pedido e eu paguei na hora, ficamos comendo aquele monte de panqueca.
Entre panquecas e risos, tentamos descansar o máximo já que sabíamos que ainda faltava uma boa parte para percorrermos.
Logo após acabarmos, pergunto para a menina chamada Runa se ela sabia onde ficava o endereço que mostrei.
Então a mesma me diz que não era tão longe dali e que Midari iria entregar uma encomenda lá.
E nos disse que se quiséssemos poderiamos pegar carona com ela na sua caminhonete.
- O Ikishima-san me faz um favor?
- O que você quer pirralha?
- Já que você vai levar os produtos na fazenda dos Tanakas, que a Sra Hana pediu. Tem como dar uma carona para as forasteiras?
- Sei que se não der vai encher meu saco, então tá bom!
Fiquei pensando nesse nome Hana e não era estranho para mim, mas como estava cansada com a viagem deixei passar
- Vamos então! - Entrem na caminhonete!
- Voltem sempre meninas e boa sorte!
- Obrigada Runa! - agradeço a mesma enquanto entro na caminhonete.
Já Ririka acena da caminhonete para ela e a mesma da um sorriso.
- O que vocês vão fazer lá? - pergunta a menina do tapa olho dirigindo.
- Vamos falar com uma pessoa.
- Ah sim! - Vocês são tão parecidas, o que muda é o penteado.
- Somos gêmeas da mesma placenta.
- Interessante!
- Como perdeu o olho? - pergunta Ririka em um tom curioso.
- Isso eu falarei na próxima vez que nos virmos. - diz parando a caminhonete no grande portão. - Já chegamos! - conclui abrindo a porta e saindo de onde estava.
A menina do tapa olho toca um interfone e em seguida vem uma bela moça de cabelos da mesma cor que os olhos arroxeados.
Vestida de kimono longo azul escuro com detalhes floridos brancos e um coque baixo junto a uma franja.
E logo atrás dela veio aparece uma senhora que aparenta ter 60 e poucos anos, de cabelo platinados, olhos esverdeados puxados e vestida de um kimono longo vermelho.
No momento em vejo essa senhora cutuco minha irmã para nós descermos.
Prossiguimos para perto da Ikishima e assim que vejo direito a mulher algumas lágrimas caíram pelo meu olho, pois ela era idêntica a nossa mãe.
- O que vocês duas fazem aqui? - nos pergunta um pouco perdida.
- Dona Hana, a Sra conhece essas moças?
- Sim srta Igarashi! - São as minhas netas que não deveriam estar aqui.
- Viemos aqui por que nossa mãe morreu e precisamos conversar. - digo limpando o meu rosto.
- Eu sei que a mãe de vocês morreram, a tia de vocês Keiko me disse. - Meninas me desculpem por não ido.
- Você sabia e mesmo assim não foi!? - fala Ririka indignada.
- Não fui por que quando soube já era tarde de mais, no entanto não esperavam por vocês.
- Viemos por que precisamos resolver umas coisas.
- Entendo! - Srta Sayaka pode por gentileza acompanhar as minhas netas... quem é quem?
- Eu sou a Kirari! - digo me apresentando.
- E eu a Ririka! - minha irmã se apresenta em seguida.
- Tem como acompanhar as minhas netas Kirari e Ririka até um dos aposentos vagos de criados e apresenta elas a casa, enquanto eu vou falar com o patrão depois de acompanhar a srta Midari com as coisas até a cozinha.
- Posso sim Sra Momobami! - Venham meninas.
