Chapter Text
- Sábado à tarde.
Jisung está olhando para os skatistas que andam de um lado para outro na rampa, realizando manobras, pingando suor e correndo com seus skates embaixo do braço. Ele está mexendo as mãos nervosamente. Droga , ele só olha skatistas porque os acha bonitinhos. Por conta disso, ganhou um skate novinho.
Desvia o olhar dos jovens abaixo de si. Coloca as mãos atrás das costas para apoiar e olha para cima, o céu limpo e azulado, o sol quente começando a fazer seu corpo transpirar. Uma brisa suave passa por ele, balançando sua camisa xadrez vermelha e amarela com os botões abertos, revelando a regata branca que usa por baixo, cobrindo seu peitoral magro.
Conta até três, se levanta, coloca o skate embaixo do braço e desce da arquibancada que fica no meio da praça. Conforme desce, sente o suor se acumular na palma das mãos. Ele só precisa ser simpático, isso, educado!
A passos cautelosos, ele se aproxima da pista de skate. Skatistas descem e sobem rampas, fazendo manobras das quais Jisung sequer sabe o nome. Um skatista passa próximo de si, o barulho das rodinhas deslizando tão perto que faz Jisung dar um pulinho assustado. Ele ri e some de vista.
Jisung para na frente do garoto que vem chamando sua atenção há tempos. Ele ajeita a postura como um lembrete mental soando na forma da voz de sua mãe, mandando-o parar de andar corcunda. Umedece os lábios, levemente inseguro.
O skatista, sentado em cima do skate, para de jogar conversa fora e olha para cima, no rosto daquele garoto na sua frente. Ele encara, esperando o motivo do outro estar ali, tapando o sol com toda sua estatura.
O bate-papo descontraído dos skatistas cessa, todos os olhares curiosos voltados para ele. Jisung engole em seco. Não queria ser o foco de todos.
— Quero que me ensine a andar de skate — Jisung profere animado, um sorrisinho tímido e uma expressão leve.
— O quê? — o skatista responde, incrédulo.
— Me ensine a andar de skate — insiste Jisung.
— Isso eu entendi — o skatista fala, claramente confuso com aquele pedido repentino. — Mas por que eu?
— Porque você é o melhor — Jisung responde, convicto e confiante.
Jisung espera que usando aquele argumento consiga convencer o outro a lhe ensinar o esporte. Ele só não quer que o skate fique jogado pegando poeira atrás do guarda-roupa ou embaixo da cama.
— O garoto tem coragem, Minho — uma voz suave comenta atrás de Jisung.
Jisung se vira e identifica como a dona da fala uma skatista ruiva, bonita, de estatura alta. Traja um boné branco de aba reta, uma mini blusa de alça grossa amarela, uma calça larga presa à cintura fina por um cinto preto e tênis brancos. Ele pisca, tímido, e volta a olhar para o skatista — que a garota chamou de Minho. Esse é o nome do garoto bonito e talentoso, Jisung pensa, sorrindo involuntariamente.
Minho olha para aquele sorrisinho. Ele parece ponderar por alguns instantes. Yeji, a skatista ruiva e bonita, tem razão. O garoto realmente teve coragem de ir até ele e lhe pedir sem ao menos o conhecer. Minho soube admirar essa atitude. Avalia as possibilidades, olhando-o de cima a baixo. Não é nenhum tipo de contrato. Se perder a paciência, pode facilmente largar o garoto e não falar mais com ele.
— Tudo bem. — Minho dá sua resposta final.
Ele não se deixou convencer pelo ego após ouvir que é o melhor, como alguém poderia deduzir, e sim por conta da atitude do outro. Ele não se importa com títulos, apenas anda de skate porque gosta.
Minho levanta e pisa na ponta do skate, capturando-o com a ponta dos dedos e colocando-o debaixo do braço. Ele caminha para a parte mais vazia da pista, e Jisung o segue. Minho o olha e, por um segundo, pode ter certeza que conseguiu vislumbrar um brilho no olhar do outro por breves segundos.
— Me chamo Minho — o skatista se apresenta.
— Jisung. — O jovem diz seu nome.
Eles se olham. Jisung se sente intimidado. Minho é muito bonito e toda a coragem do ato anterior evapora pelos ares.
Minho apoia seu skate no muro colorido cheio de pichação e se volta para Jisung. Chega bem perto e pega o skate debaixo do braço dele, coloca no chão e, apenas com o olhar, indica que ele suba. Jisung ergue o pé e Minho lhe estende a mão como forma de apoio. Jisung a segura de leve e sobe no skate, tentando manter o equilíbrio, tremendo sem parar. Vendo sua dificuldade, Minho estende a outra mão, que Jisung aceita de muito bom grado.
— Por que comprou um skate se não sabe andar? — Minho pergunta, olhando para os tênis de Jisung e ajeitando os pés do outro utilizando seus pés, numa tentativa de ensiná-lo ao menos a se equilibrar em cima do skate.
— Eu ganhei do meu padrasto — Jisung conta.
Finalmente, Jisung consegue se equilibrar. O olhar de ambos sobe dos pés ao rosto, até estarem olhando nos olhos um do outro. Jisung começa a sorrir, feliz com a pequena conquista. Porém, distraído, deixa o skate ir para a frente e Jisung desliza para trás.
Minho, com seus reflexos bons, solta as mãos de Jisung e agarra sua cintura, impedindo uma queda desastrosa. O skate desce a rampa, deslizando para longe dos dois.
Jisung sente o toque firme na sua cintura e cora levemente. Ele sabe que não foi proposital. Minho percebe que está o segurando por tempo demais e solta a cintura dele, indo buscar seu skate.
Minho volta com o skate embaixo do braço e o devolve para o dono, que o envolve com as duas mãos, pressionando-o contra a barriga.
— Obrigado — Minho agradece, sorrindo sem graça. É uma fala ambígua.
Minho pega seu skate encostado à parede e o solta no chão, subindo e deslizando o pé no chão para pegar velocidade.
— Procure se manter concentrado. — Minho passa por ele. — A gente se vê.
E o skatista vai embora, deixando um Jisung agarrado ao skate com o coração acelerado, bochechas queimando e um sorriso bobo no rosto.
