Work Text:
O ronco do motor distrai Jeongin, vibra direto em seu coração. Cheiro de gasolina, maresia e problemas. Pede para o cliente repetir o pedido, rabiscando o que tentou escrever antes, com um sorriso dentado estático. Seu foco dura pouco, volta a encarar a janela durante o pedido do cliente. É o único momento do dia em que trabalha medíocre, e ama isso.
São cinco da tarde. Caindo no horizonte no fim do oceano, o Sol pela metade faz Jeongin semicerrar os olhos quando se esgueira na vitrine. Vê o motoqueiro. As vestes idiossincráticas, o colete de espinhos e o capacete que reluz um feixe de luz direto nos olhos de Jeongin. Religiosamente, ele para no sinal, avança, completa o retorno e estaciona na lateral da lanchonete onde Jeongin trabalha. Todos os dias.
Jeongin gostaria de anotar o pedido dele e pendurar como prioridade antes mesmo dele chegar, mas… ele não merece! É gatinho, mas a que custo?
Além do mais, Chan, o motoqueiro, não é o tipo de cliente “o de sempre, por favor”. Primeiro que agradecimentos foram excluídos de seu vocabulário no dia do nascimento. Cada dia que se senta no canto alemão, a mesa com a melhor vista da praia, e estende o braço pelo encosto, ele faz um pedido diferente. É um novo dia.
Vive um relacionamento insalubre com o menu. Jeongin já o serviu em ordem alfabética, uni duni tê, passando o dedo pelo cardápio de olhos fechados até escolher um… Vale tudo pelo diferente, pela novidade boiando sobre o costumeiro.
As colegas de trabalho de Jeongin desistiram de atendê-lo, deixando-o sozinho com a prenda de agradar o príncipe do heavy metal que sempre diz alguma gracinha relacionada ao seu cabelo colorido.
A verdade é que nenhum dos dois quer estar ali. Apesar de Chan ser uma obra de arte, um pecado personificado, Jeongin sonha em nunca mais vê-lo. Ouviu falar dele na vizinhança. O cara foi banido da maioria dos estabelecimentos e frequenta esse só porque pertence ao tio. Então, todo fim de tarde é isso que ele faz. Se espalha na mesa, cada coturno apontando para um lado, cotovelos sobre o encosto, e faz o que faz de melhor: manda no mundo.
O pavio de Jeongin não é curto. No entanto, quando o assunto é Chan, a cera derrete completamente e o castiçal quebra. Quando viu Chan pela primeira vez, ele era o tipo de cara que todos os seus instintos te dizem para correr na direção contrária e jamais olhar para trás. Ao invés disso, o sangue de Jeongin congelou e o manteve no lugar, então disse algo estúpido(“seus espinhos machucam de verdade?”), para variar, e pela maneira como Chan riu de sua cara patética, soube que não conseguiria fugir dele. Foi marcado para sempre com o ferro quente da implicância.
Os coturnos batem dentro da lanchonete, amassam o chão bem polido. Por suas costas, Jeongin fecha os olhos puxando ar. A maneira como ele anda, seu diabo de cada dia. Jeongin desconfia que a joia na sobrancelha e a orelha abarrotada de piercings nasceram com ele. E se não nasceram, então piercings passaram a existir somente quando ele os inventou.
Óculos escuros deitam sobre as bochechas de Chan nesta tarde. Ao vê-lo caminhar em direção a jukebox, Jeongin o segue sem saber a razão, fulminando-o com o olhar. Apesar de não poder afirmar, jura ter visto o motoqueiro piscar um olho para ele quando passou. A faceta da artimanha.
— Isso aqui não funciona? — O coturno de Chan ameaça chutar a máquina.
— Posso jurar que eu te disse na semana passada que não funciona.
— Eu sei. Você também disse que ela só toca “Amei te Ver” em looping e que você iria consertar. Então, vai ficar aí como um dois de paus olhando para a minha cara?
— Consertar? Isso custaria dois meses do meu salário.
— E você não tem? — Chan arqueou as sobrancelhas, observando Jeongin cruzar os braços.
— Mesmo que tivesse, eu não faria isso por você. Se quer ouvir música, compre um walkman ou algo assim. — Jeongin suspirou. — Vinte e cinco mil wons e coloco toda a porra de banda ruim e barulhenta que você quiser.
Entre um olhar provocador e um sorriso travesso, Chan ergue o indicador para o botão on/off da jukebox e deixa ali, flutuando no ar.
— Vai fundo. — Jeongin dá de ombros. — Da outra vez ela não queria desligar de jeito nenhum, mesmo apertando todos os botões. Puxei a tomada e achei que continuaria tocando, mas parou.
O motoqueiro se diverte com a história, ergue as lentes para verificar seu conterrâneo, o óculos pousa sobre a cabeça lutando para manter as mechas para trás. Embora a respiração tenha se acentuado ao ser observado, Jeongin tenta manter o rosto impassível, fingindo que Chan não o desconcerta inteiro.
Chan encara Jeongin como se pudesse adivinhar todas as vezes em que ele pensou em si, todos os sonhos sujos e os xingamentos no espelho, a negação. Felizmente, Jeongin não se incomoda que ele leia o interesse em seu olhar. Migrando os dedos do botão da máquina para a bochecha de Jeongin, Chan tira um fio de cabelo perdido. Depois sinaliza para que ele se aproxime, inclinando o rosto.
— Sendo bem sincero, eu gosto um pouquinho dessa música — sussurra.
Pisca devagar ao analisar o rosto de Jeongin, o desenho bonito da mandíbula se esforçando para conter um sorriso, os fios tingidos como o oceano.
— Eu também, mas todo mundo odeia ela então eu finjo odiar também.
— Você faria sucesso lá no moto clube, com o seu cabelo assim… — Chan gesticula um ninho no topo da cabeça.
E como ele era bonito sorrindo! A sapequice dos lábios fez Jeongin rir bufado, incerto sobre estar sendo elogiado ou ofendido. Mesmo assim, o gesto de pentear as madeixas azuis para trás da orelha é inconsciente.
Mesmo dentro da esfera da implicância, Jeongin sempre pensou que ficaria muito nervoso perto de seu crush metaleiro esquentadinho, provavelmente por causa da cara de poucos amigos. Mas ele sorria gentilmente, ria de suas piadas, era um docinho.
— Fica tranquilo, não tô te zoando. — Chan dá um soquinho no ombro dele. — Passa lá qualquer dia desses.
Ele se retira para sentar-se na costumeira mesa onde o sol beija suas bochechas. Faz seu pedido único e diferenciado, éclair de chocolate e dois smoothies, e espera olhando para o horizonte. Se Jeongin o conhecesse melhor, diria que ele está sentindo falta de música. Mas se limita a supor. Chan com certeza fica mais bonito com música, tanto que algo está zumbindo no ouvido de Jeongin, uma balada lenta, de piano devagar. Lionel Richie. Jeongin estapeia a própria têmpora, volta ao trabalho.
Depois ele sai, encosta na moto, tem um ritual para ir embora assim como para chegar. Embora apenas Jeongin percebesse esses trejeitos. Por fim, ele amassa o cigarro com o pé no chão e entra novamente na lanchonete. Deveria montar na moto e sumir. A mente de Jeongin se confunde por um instante ao vê-lo sair do script e parar diante do balcão.
Observa-o de baixo para cima, vendo Chan tirar da carteira e estender vinte e cinco mil wons. Eles se entreolharam quando Jeongin abre um sorriso amarelo, acenando para Chan até que ele suma de sua vista. Fecha a cara e guarda o dinheiro. Chan mal sabe o que o aguarda.
Jeongin conversa com o patrão no mesmo dia, encolhido na saída dos fundos em um frio litoral de foder, ouvindo o velho gritar que não tinha dinheiro para isso e perguntar se ele era idiota o suficiente para abrir mão de seu salário por dois meses. Assim que ele cala a boca, Jeongin entrega o dinheiro dado por Chan e se despede.
[...]
Saboreando o prazer de ver o balcão organizado, os macarons por combinações de paleta de cores e os cookies azuis ao lado dos rosas com os roxos no meio, Jeongin suspira satisfeito. Sua paz dura dois segundos, pois o ronco do motor soa ao longe. Olha de rabo de olho para a vitrine da loja, como se pudesse ser condenado por estar ansioso.
Chan adentra a lanchonete, também ansioso e sem se importar em demonstrar. Um finge não se importar com a presença do outro enquanto Chan conversa com a atendente colega de Jeongin, comprando fichas para a jukebox. Depois de deixar o capacete em uma das mesas e fazer seu pedido esquisito, dirige-se à maquina.
Aperta o botão, o visor acende e Chan solta uma exclamação, inserindo as fichas. O menu abre e ele se dirige à seção de álbuns, vendo apenas dois quadrados brancos intitulados “Spice” e “Spiceworld”. Seu sorriso míngua e ele lambe e suga o piercing da boca, balançando a cabeça em negação. Nesse momento, Jeongin está passando despretensiosamente ao seu lado para limpar uma das mesas, quando é segurado pelo antebraço.
— Como você sabia?
— O quê?
A essa altura, Jeongin não esconde mais o sorriso canalha.
— Que eu amo as Spice Girls.
Os cantos dos lábios de Chan subiram e não desceram mais, as covinhas apareceram nas bochechas. Ele escolhe a segunda faixa do primeiro álbum, insere as dez fichas e coloca para repetir. Quando a melodia de “Say You'll Be There” começa, Chan oferece um último olhar ao atendente antes de se sentar.
Jeongin faz menção de dar um passo, mas é parado por outra mão em seu antebraço, dessa vez da colega de trabalho. Haein puxa-o na direção contrária, dizendo que ele pediu por isso, ou, em tradução livre, que ele é sobrinho do dono e eles não podem fazer nada.
[...]
Às sextas o movimento é fraco, afinal, a lanchonete não vende nada de interessante o suficiente que não possa ser ofuscado pelos quiosques e bares da praia. Com poucos afazeres, Jeongin se senta em uma das mesas com seu caderno de desenho.
Ele está atrasado. Mas Jeongin não liga, ou pelo menos rabisca furiosamente até se convencer que não. Quase uma hora depois, o ronco do motor. Jeongin olha para o próprio braço sobre a mesa, vendo os pelos eriçados, irritado com o comichão em seu estômago. Vira-se para a jukebox, xinga algumas gerações de Chan.
Claro que vê a moto parar no sinal, fazer o retorno e todo aquele ritual diário, porém evita levantar os olhos de seu desenho. Limpa uma parte com borracha, em seguida esfrega com as costas da mão para criar sombra. Os coturnos vão diretamente em sua direção. Chan apoia uma mão na mesa, curvando o tronco para olhar melhor o desenho.
— Quem gozou isso? — pergunta retoricamente, recebendo uma resposta imediata.
— Vai para o inferno.
— Então você vive trocando a cor do cabelo para compensar ser um chato sem personalidade?
Um alerta vermelho acende nos pensamentos de Jeongin. Coloriu os cabelos de turquesa recentemente, pois o azul desbotou e pareceu mais fácil migrar de cor. É a sua cor favorita desde que iniciou a jornada dos fios de arco-íris. Chan pode fazer o que quiser, ser insuportável, ser sobrinho do dono, ser perigoso, mas não pode tirar isso dele.
— Tenho mais personalidade que você, que se esconde atrás de couro e metal. Um lobinho medroso e carente que vive querendo chamar a atenção porque quer ser amado.
Cospe cada palavra com uma clareza invejável, voltando para seu desenho em seguida, sentindo o coração palpitar. O mundo é silêncio por um momento. Chan se cala, o que é um milagre quando se trata do Sr. Afrontoso.
O Sr. Afrontoso está em um bom dia — ou sem energia o suficiente para implicar por motivos de brigas com os pais —, por isso, se limita a bufar. Larga o capacete na mesa e carrega sua existência para perto do garoto de cabelo turquesa. A presença de Chan faz o corpo de Jeongin retesar, contrair quando ele bate o ombro no seu e sorri olhando em seus olhos.
— Hey.
— Hey — responde Jeongin.
O cumprimento soa mais como uma pergunta confusa, ávida em saber a razão do repentino comportamento amigável dele. Quase completa com um “acabei de te xingar, não está batendo bem da cabeça?”.
Chan se inclina sobre a mesa, observando os traços do Robert Smith desenhado a lápis.
— Friday I'm in love? Você gosta?
— Não, nunca assisti esse filme.
Chan dá uma risada gostosa ao ponto de fazê-lo desejar desenhá-la, caso um dia o universo permitisse. Era como se ela se materializasse, de alguma forma, em seus pensamentos.
O sorriso de Chan era verde e rosa. Era se perder em um jardim abarrotado de sardinheiras, ser absorvido por trepadeiras sete-léguas em um abraço calmo. Tudo sobre Chan ganhava uma forma em seus pensamentos, verde menta com rosa chá. Teve tantos pensamentos que precisou suspirar, percebendo não prestar atenção no que ele dizia.
— Não é um filme, é uma banda.
— A... — A vogal salta dos lábios de Jeongin enquanto suas bochechas esquentam. — Eu vi um pôster no centro, achei que fosse um filme. Você gosta dessa banda?
Ao olhar para baixo, Chan consegue enxergar as mãos dele se encolhendo sobre a própria coxa, apertando e soltando o tecido da calça. Para confortá-lo, intromete seus coturnos entre os pés dele, brincando com os tornozelos de Jeongin.
— É melancólico demais, me deixa emotivo. Fala muito sobre amor platônico, não gosto disso. Gosto de amor levinho, rápido, tipo…
— Colchões macios e suco de abacaxi.
— Como manhwas fofinhos, novelas de paixões adolescentes.
— Você? Assistindo novela? — Jeongin recua para olhá-lo, querendo captar um sinal de seriedade e encontrando uma dezena.
— E você não? Por que o susto?
— Alguém como você…
Em um escape para elaborar, Jeongin batuca os dedos na mesa para formular o restante do que quer dizer, apesar de não fazer ideia de por onde começar. Chan captura no ar exatamente o que ele quer dizer e provoca:
— Como é “alguém como eu”?
— Revoltado, anarquista. Você, um predador de xereca. Punheteiro de banheiro químico.
Depois de uma longa gargalhada, Chan leva a mão ao coração.
— Sou um revolucionário. E não sabia que podia sair tanto palavrão dessa boca em um rostinho tão bonito. O que mais sai dela?
Jeongin dá um sorrisinho amarelado. Notando suas bochechas em tons de vermelho, o rosto de Chan simplesmente se ilumina, abre como uma flor. Como ele era fascinante assim, sendo simples. Brincando com os espinhos de aço perto do pulso, continua:
— Como não gosta de novelas? Eu venho aqui só por causa delas.
Sinaliza para a TV da lanchonete. Jeongin percebe que nunca parou para assisti-la de fato, sempre ocupado carregando bandejas de um lado para o outro. Finalmente, repara que, em sua pausa diária na lanchonete, Chan não fica encarando o horizonte, na verdade ele está vendo novela. Ele não faz ideia do por que acha graça nisso, de uma maneira que não quer elaborar, só começa a rir. Deixando-o à mercê de seus devaneios, Chan vai fazer seu pedido, mas uma mão afasta o cardápio dele. A atendente, colega de Jeongin, pousa diante deles um prato cheio de macarons.
— Como você pediu. — A colega pisca um olho para Jeongin, que mira ela com olhos apertados de quem pergunta sem falar, “eu não pedi nada”. A maneira como ela mantém o sorriso aberto diz a ele que ela não fornecerá respostas para isso. Sorri para Chan. — Docinhos para um docinho, como você disse, não é, Jeongin? E porque você gosta de novela, esses docinhos são levinhos como se apaixonar. São por conta da casa, porque nós ali da cozinha ficamos felizes.
A cor abandona o rosto de Jeongin e sua expressão não ajuda nem um pouco ao congelar por um instante. Uma vez que retorna as funções básicas, debocha:
— Felizes? — pergunta, já cruzando os braços. — Felizes com o quê?
— Vocês conversando sem tentar se matar.
Imediatamente e, ao mesmo tempo, no discreto mais descarado que pode existir, eles se afastam com um deslizar de bumbuns sutil no banco. Jeongin limpa a garganta. Chan enfia um macaron na boca. Eles comem em silêncio, nunca mais olhando para o lado até que no prato reste somente farelos coloridos. Chan faz estalos enquanto lambe os próprios dedos.
— Cara, isso é tão gostoso. É como se eu pudesse comer o rock n’ roll.
— É só açúcar. Não tem como estar gostoso… — Jeongin hesita por um momento antes de continuar. — Eu que fiz. E eu não sei fazer doces.
— Você pode fazer mais amanhã? Ou pedir pra sua amiga fazer. Se existe uma possibilidade de ficarem mais gostosos, eu quero saber.
— E você vai voltar amanhã?
Jeongin tira um pouco da franja do rosto, observando com olhos brilhantes enquanto Chan se levanta, enfia o capacete no cotovelo e acena para ele. Pendurado na porta, com o corpo meio para dentro, meio pra fora da lanchonete, dá um sorriso de fechar os olhos. Mas seu sorriso é tão rápido, era como uma linha no escuro que Jeongin tenta segurar e consegue, mas ela escorrega de seus dedos. Precisa que ele sorria de novo. Só mais uma vez.
— Sabe a resposta — diz, antes de dar as costas e desaparecer.
[...]
— Judas Priest!
É a primeira exclamação de Chan naquele fim de tarde, dedos ansiosos passeiam pelo jukebox, vira-se para o balcão e sorri para Jeongin em um agradecimento silencioso.
Mais tarde, ao vê-lo sentado no canto alemão, assistindo a novela em silêncio enquanto batuca o coturno na velocidade das músicas, Jeongin se alivia. Jeongin tira a bandeja que escondeu na vitrine, o cheiro já vencendo Chan pelo estômago. Então, ele o convida para sentar-se com ele.
— Vai — diz a colega atendente. — Eu cuido das coisas por aqui.
Jeongin deixa o balcão sem olhar para trás e se junta ao motoqueiro. Pega um dos macarons e, ao invés de comer, estende no ar. Chan abre logo a boca, fazendo barulhos de satisfação. Seu olhar vira refém dos lábios bonitos que se curvam enquanto ele mastiga, tão preso que o faz se perder no universo. O olhar sobe pelo rosto de Chan, admirando, e quase dobra de tamanho ao encontrar os dele encarando sua boca.
Pega logo outro macaron, desviando o olhar, enganando-se de que conseguiria se afastar, mas não aguenta por muito tempo. Dentro de seus tênis, os dedos se contraem com o som que Chan faz ao se deleitar no doce. Ele estende a mão por baixo da mesa e aperta a coxa de Chan sem medir força, descontando uma vontade tremenda de tocá-lo.
— Tá gostoso?
— Demais. Me deu até sede.
Chan assente, sua boca acentua o gosto doce no cerne da língua, salivando. Como deve ser unir esse gosto com o de Jeongin? Ao invés de descobrir, passa a coxa sobre a dele, une seus pés por baixo da mesa. Parece que o mar inteiro se fecha ao redor deles e é difícil respirar com tanta proximidade. Jeongin capta muito bem quando o pomo de adão dele sobe e desce engolindo em seco. Quer arrastar a língua por ali, cobrir tudo como tinta, pintar a pele de Chan com sua boca.
— Como escolheu as músicas?
— Eu ouvi e odiei, sabia que você iria gostar.
— Você odiou Judas Priest? — Chan se finge ofendido.
Quando o garoto da lanchonete sorri, é a vez de Chan demorar-se em seus lábios. Engolidos pela atmosfera sufocante, eles comem rodelas de pão de leite com cobertura de caramelo e tiras de açúcar. Conversam sobre a próxima cor de cabelo de Jeongin, que finge não saber, mesmo sabendo muito bem.
Na hora de ir embora, Chan se despede, encosta na moto e acende um cigarro que fuma realmente, pela primeira vez, olhando para o balanço suave do mar. Dessa vez, demora para ir embora, do jeitinho de quem não quer ir. Dentro da lanchonete, Jeongin finge não vê-lo, age como se fosse surdo perante aos gritos afogados em seu peito querendo arrastá-lo para lá.
Nas semanas que se seguem, assim como nas anteriores, Chan aparece exatamente no mesmo horário. Porém, agora Jeongin vai além de admirá-lo por trás do balcão. Vira profissional em desculpas para sair mais cedo, terminar o serviço antes ou simplesmente ganhar tempo para ter sua dose diária de Chan. Ele provavelmente vai estar no mural de funcionário de destaque do mês depois de tanto esforço.
Durante meses, Chan acompanhou cada cor de cabelo de Jeongin, que por sua vez acompanhou cada jaqueta personalizada, cada espinho prateado e camisetas surradas e cinzas de bandas. Como uma fotografia mudando as cores e os acessórios, mas sempre congelada em dois sorrisos calorosos de frente um para o outro.
Sem a menor pressa para se conhecerem, sentam-se sempre no mesmo lugar. São um quadro bonito em um apartamento bem iluminado. Há dias em que a praia está mais verde, noutras amarelada. Há tardes alaranjadas em que apenas ficam em silêncio, assistem novela, desenham. Chan sempre se senta do lado esquerdo porque, por mais que não assuma para si mesmo, é a maneira que encontrou de admirar Jeongin e a praia ao mesmo tempo. Mesmo que ele nunca, quase nunca, olhasse para algo além do atendente.
[...]
Certa tarde, em um susto semelhante ao de derrubar uma garrafa de vinho, Jeongin e suas colegas dão um pulo enquanto conversam. Entre o comichão que aquece sua barriga sempre que escuta o ronco do motor, ouvi-lo ser interrompido abruptamente pelo som de uma colisão deixa Jeongin atordoado, arrancado do útero. Poderia começar a chorar ali mesmo, mas seus pés o guiam para fora da lanchonete mais rápido do que possa pensar.
Chega na calçada a tempo de ver Chan levantar do chão. Jeongin suspira apreensivo, quer xingar um palavrão com o tamanho do susto. Ele está inteiro, com uma fileira de sangue descendo sobre a têmpora quando tira o capacete tão irritado que seria capaz de arrancar a própria cabeça.
Cospe uma série de ofensas ao motorista do carro, ignorando que sua moto virada no meio do asfalto parou o trânsito. Apressando-se em atravessar a rua, Jeongin segura o cotovelo dele, o tecido grosso do couro escorrega de seus dedos na primeira tentativa, mas é suficiente para que Chan vire-se e encontre seu olhar. Ele pausa por um momento, distante, apruma logo a postura. Sem dizer mais nada, deixa que Jeongin o guie para que eles levantam a moto e carreguem para o estacionamento da lanchonete.
Ainda há silêncio e estaticidade quando Jeongin deixa Chan sentado em seu lugar costumeiro. Se prepara para pedir a uma das colegas para cobrir ele, mas antes que fale qualquer coisa, ela sibila um “vai, eu te cubro”, e ele agradece, saindo da lanchonete.
Uma hora depois, enquanto Jeongin limpa o sangue nas bochechas, no pescoço e nos lábios dele, conversam o banal e o trivial até caírem nas graças do silêncio que os lembra que precisam conversar de verdade. É a primeira vez que ficam juntos até o anoitecer. O estabelecimento está com a placa de fechado virado para a rua e apenas a luminária acima da mesa deles está acesa.
Chan reclama da batida, reclama quando Jeongin limpa seu machucado, e ele não fica para trás, começa a reclamar de Chan também, irritado com a imprudência e quase perdendo a paciência com o motoqueiro que, de acordo com a descrição do evento, estava errado e ainda queria sair como certo! Horas se passam, mas Chan ainda está furioso, com as pontas das orelhas vermelhas.
Quando ele enruga a pele ao redor do corte e aplica a cola para machucado, queima como o inferno. Chan geme de dor, o rosto contorcido a meia luz, mas não se afasta. Com a língua para fora em concentração, Jeongin dá seu melhor para que o sofrimento seja rápido, posiciona o curativo sobre a pele e aperta no final.
— Pronto — diz Jeongin e respira fundo ao ver seu trabalho cumprido.
Depois de soltar uma longa parcela de ar pela boca, Chan joga os braços sobre a mesa, descansando sobre eles. Jeongin estende a mão, com vontade de embrenhar os dedos no cabelo curto escuro, mas no meio do caminho pensa que não é uma boa ideia e recua.
— Se vier um cara aqui, baixinho, mas forte, careca e com uma cicatriz no olho, você diz que não viu nada, okay?
— Deixa eu adivinhar… É o seu pai, e ele não pode saber que você bateu, senão você fica sem moto.
Chan começa a emburrar-se.
— Como você sabe?
Os dentes puxam o piercing no canto do lábio, uma mania de mexer ali quando está estressado. Fez tanto isso, o dia inteiro, que seus lábios estão mais escuros que o normal.
— Você é mais previsível do que pensa. — Jeongin ri exausto. Faz uma pausa para bocejar. — Vou pintar o cabelo amanhã. Escolhe a cor.
Chan nem pensa antes de responder.
— Vermelho cereja.
— Vou pensar no seu caso. — Secretamente, Jeongin gosta da sugestão. O sono se agarra em seus tornozelos, perseguindo-o. — Preciso ir.
— Deixa eu adivinhar, você vai para a cama todo dia pontualmente às dez. Você também é previsível, imbecil.
— Imbecil? Salvei essa tua bunda gorda hoje, garoto! Acorda. Podia ser um pouco mais grato.
Jeongin pega a mochila e termina de fechar a loja com Chan em seu encalço.
— Eu posso fazer um curativo sozinho.
— Pode, mas hoje não fez. E do jeito que você perdeu a cabeça, não pode se salvar de uma briga de trânsito depois de ter sido imprudente, você é realmente exemplar!
Segurando-o pela alça da mochila, Chan impede que ele saia andando.
— Vamos, vou te dar uma carona.
Assim que as três sílabas de carona deixam os lábios de Chan, Jeongin imediatamente volta a caminhar.
— Passo. Como você tem coragem de me oferecer uma carona depois de hoje?
Chan dá uma corridinha até alcançá-lo.
— Vou te acompanhar.
Caminhando juntos, nenhum dos dois se olha diretamente. Sempre agindo como se fosse sua primeira vez na cidade, Jeongin observa tudo nas ruas vazias. Um vira-lata moribundo uiva na noite. Alguém toca saxofone em algum lugar distante. O som do mar fica para trás ao adentrarem a rua de Jeongin.
Assim, minguado com olhar de cachorro que caiu da mudança e um curativo charmoso perto da joia na sobrancelha, até que ele ficou sexy. Tanto que Jeongin quis rir.
— Desculpa por hoje — diz Chan, mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta, um olhar baixo que se ergue com pesar.
Parado diante a ele, Jeongin o encara em busca de respostas em seus olhos. E encontra muito mais além disso, encontra a verdade.
— Tudo bem. Vou te acobertar dessa vez, mas você precisa ser cuidadoso. Senão conto para o seu pai.
— Não faria isso.
— Me provoca para você ver! Só… fique seguro, ok? Vivi tempo suficiente para ver que pressa não leva a lugar nenhum.
Com um aceno lento, Chan estica os braços, apenas o suficiente para receber Jeongin mais perto. Segura os braços dele numa carícia leve de despedida e é devolvido pelo aperto dos braços de Jeongin enquanto trocam um abraço bagunçado, desajeitado e aconchegante.
[...]
— Um pouco de The Cure para você.
Sobre a mesa, um vinil do álbum “The Head on The Door” alcança os dedos de Jeongin. A lanchonete está movimentada, outra pessoa ativou a jukebox e deixou Spice Girls tocando. De alguma forma, atraiu clientes. Jeongin ri ao imaginar a reação da pessoa ao ver as únicas duas escolhas de artistas. Há falação, copos batendo em mesas e música pop. Vendo-o sentado tão relaxado lendo a lista de músicas no verso, Chan pergunta:
— Você não trabalha hoje?
— Estou de folga.
Jeongin vira-se para o lado, devolvendo o olhar do motoqueiro com as sobrancelhas arqueadas, largando o próprio hambúrguer com cautela na bandeja. Quanto tempo ele levaria para raciocinar que estava ali só para vê-lo? Se ele apenas soubesse quantos outros dias na verdade eram sua folga, mas fora até a lanchonete de qualquer jeito só pra ficar com ele…
— Então o que você tá-
Chan é interrompido por um dedo de Jeongin no canto de seus lábios, escorregando lentamente para o lado. Quando se afasta, os dois olham para o dedo meio sujo de molho verde. A linha de raciocínio de Chan para terminar a frase se perde para sempre.
— Obrigado.
Nem ao menos consegue lembrar sobre o que estavam conversando antes da intromissão. Limpa a garganta ao ver Jeongin virar-se para frente, largando o hambúrguer pela metade.
— Perdeu a fome? — Jeongin ouve a voz de Chan, sentindo o hálito quente extremamente perto de seu rosto. Sabe que Chan não faz de propósito, mas aquilo abala seu coração de um jeito... Ele engole em seco.
— Sim. — Devia estar há minutos apenas encarando o nada e a comida.
— Então… você vai tirar a touca?
— Não.
Com a resposta de Jeongin, Chan revira os olhos e afunda na cadeira de braços cruzados. Deve ser a décima vez que o confronta sobre isso e, a certa altura, Jeongin também não sabe dizer a razão de ter não ter tirado a touca ainda. Talvez seja porque é divertido acompanhar o motoqueiro aborrecidinho, mordendo o canto da boca do jeito que faz quando as coisas não saem do seu jeito.
Jeongin levanta e Chan também, mordendo e soltando o piercing, batendo a joia no dente igual criança mimada tentando irritar. Tão carente.
— Vamos, te acompanho até a moto.
Mergulham na noite do estacionamento. As luzes na praia brilham sem vergonha, uma música eletrônica vem de algum lugar. Menos de três passos e os lábios de Chan já se curvam ao redor de um cigarro apagado. Jeongin encolhe as mãos dentro da jaqueta.
— Não vai tirar a touca mesmo? — Chan diz indignado quando esmaga o cigarro com o coturno.
— Você quer mesmo isso? Então tire você.
Jeongin abre os braços para não oferecer nenhuma resistência. Mas tem outra coisa que Chan quer mais do que saber a nova cor de seu cabelo. Sua mente se inquieta, sabe o que quer, sabe o que deseja, mas fará algo sobre isso? Pela santidade de Deus, ele nunca deixou de fazer o que queria por vergonha. Mas de pé diante de Jeongin, se acovarda como um tolo.
Quando Chan dá um passo, Jeongin mal respira, parado entre ele e a moto. Tudo no mundo é uma tentação, desde a maneira como o jeans rasgado de Chan engole as coxas dele à maneira como ele morde o lábio, ansioso. Ele e Chan eram os únicos no estacionamento... O que os impedia? O que o impedia de ceder aos desejos?
— Beija rapazes? — Chan pergunta.
— Mais do que o recomendado.
A essa altura, o que vão fazer os envolve em uma aura quase palpável. Braços envolvem Jeongin antes que saiba o que está acontecendo. Dentro de sua mente, engrenagens param quando Chan chega perto.
— Se importa de ir sem moderação?
— Não. — Jeongin exibe seu sorriso encantador. Chan instintivamente chupa metade do próprio lábio inferior, liberando-o úmido em seguida. Jeongin acompanha cada movimento. — Pode ficar à vontade.
Depois de dez segundos de silêncio, Chan se aproxima e se encaixa nele com uma paciência que certamente não tem nas mãos. Já nervoso para recebê-lo, Jeongin morde o lábio. Chan acaricia sua barriga, empurrando-o suavemente em direção a moto. Os narizes se tocam levemente e o coração de Chan pula uma batida ao afastar curtamente seu rosto, vendo ele de olhos fechados, esperando. Tão adorável.
— Vem cá — sussurra, a respiração quente atinge a boca de Jeongin, o rosto próximo ao seu e ele não aparenta nenhum tipo de luz vermelha para impedi-lo de seguir em frente — pelo contrário, era até verde o suficiente —, e se inclina encaixando a boca na dele.
Os lábios, surreais de tão macios, suaves e quentes em contraste com o frio do vento litorâneo. Um suspiro de Jeongin é deixado nos lábios de Chan, se perdendo nas carícias enquanto eles unem os lábios de novo e de novo em selinhos apreciativos antes de engatar um beijo de verdade.
O quadril colide com o couro do assento da moto enquanto seus dedos se enredam nos cabelos da nuca de Chan. As mãos possessivas em seu quadril têm certeza do que querem, brincando com os passadores de seu cinto, usando-os para puxar os quadris de Jeongin para mais perto. Ele adentra a camisa, envolve as mãos em sua cintura e segura firme naquela região. Encurralado entre Chan e a moto, Jeongin se apoia na superfície do banco.
Força o corpo a subir na moto enquanto corre a língua sobre a dele, sentindo-o enfraquecer em seus braços, saboreando Jeongin, um frescor de hortelã na boca geladinha e molhada, os lábios bonitos encaixados perfeitamente nos seus.
Um beijo não deveria ser tão bom, Chan pensa, mas veja só. Quando seus pés saem do chão, Jeongin sente frio na boca do estômago. Segura com força os ombros de Chan, colhendo da jaqueta de couro em seus dedos finos atrás de um pouco de estabilidade, embora o corpo esteja relaxado, fruto da confiança que tem nele.
Chan se move contra Jeongin, agarra suas coxas, sente a pele macia por baixo da bermuda. Jeongin responde com um gemido baixo que contamina o ar com bastante pecado. O beijo fica desigual quando adentram o limbo entre parar e continuar, as respirações quentes se sufocando.
Jeongin aperta com força o assento da moto quando ele começa a beijar seu pescoço. Deixa beijos quentes sobre sua clavícula, fazendo seus batimentos cardíacos perderem o controle. Chan pousa a mão em seu pescoço, olhando em seus olhos como se estivesse hipnotizado. De uma só vez, puxa a touca de Jeongin para longe.
As madeixas estão vermelho cereja, assim como seus lábios acentuados pelo beijo. Boca entreaberta, Jeongin respira rápido, engolindo em seco. Chan só consegue pensar no quanto ele está bonito, os cabelos bagunçados para todos os lados, autoria inteiramente sua. Com o corpo inclinado sobre a moto, tem certeza que ele brilha.
— Maneiro — exclama, seguido de um sorriso.
— Mesmo? — Jeongin penteia rapidamente a franja para trás e Chan assiste o cabelo teimoso voltar a cobrir a testa em uma onda. — Você sempre diz “ficou legal”, “gostei”. Esse foi o único que você disse “maneiro”. Então esse sou eu, é a minha personalidade. Já que você vive dizendo que não tenho.
— Isso não é verdade. Eu sempre gosto de todos, mas esse…
Chan aperta as bochechas dele em suas mãos, pousando a boca na dele mais uma vez.
— Esse parece com você? Com seu estilo?
Chan balança a cabeça em negação.
— Esse é seu. Você não tem que parecer comigo ou se moldar para mim, seja quem você é, seja a pessoa pelo qual eu estive apaixonado por todo esse tempo.
— Se tenho personalidade… — Jeongin dá um sorrisinho. — O que você já reparou em mim?
— Sabe, todo mundo é secretamente apaixonado pelas próprias peculiaridades, e é melhor ainda quando alguém repara nelas. Me dá vontade de rir quando você só enrola os cadarços porque não tem tempo de amarrá-los, e você gosta disso, faz mesmo quando tem tempo para colocá-los do jeito certo. Sempre dá uma dobra na borda da calça. Rosa é sua cor favorita. Seu dia favorito é quarta, quando o meu tio não passa na lanchonete e você pode trabalhar com aquele macacão azul claro que tanto ama.
— Como sabe que eu amo?
— É o único que te faz admirar o próprio reflexo na vitrine a cada dois minutos. — Chan revira os olhos enquanto ri. — Meu palpite é que você gosta de boinas, bichos de pelúcia e pretende ir para a área de veterinária.
Jeongin franze o nariz.
— Errado, eu curso História.
— Sei que você só gostou do vermelho cereja por causa da maneira que ele desbota para o rosa. E quase perco a cabeça quando você vem com aquele colar de pérolas, ou a gargantilha prateada. Quero tanto você para mim, a única coisa que sinto desde que te conheci é a cobiça.
Deixa um beijo curto, menor e gentil no canto da boca de Jeongin. Agarra-o e puxa até que esteja deitado em seu peito, a cabeça entre a abertura da jaqueta de couro, ouvindo o coração de Chan pulsar por baixo da blusa preta. Precisa de tempo para processar as palavras e, sinceramente, diria uma besteira se tentasse falar qualquer coisa naquele momento. Sabe, somente e com certeza, bem no fundo do coração, que está feliz.
Se é recíproco ou não, como de costume, eles não têm pressa. Ficam assim, com Chan acariciando o topo da cabeça de Jeongin até que o frio fique insuportável.
— Quero te dar uma carona só para te beijar no seu portão. — Chan espalha beijos pelo rosto franzido de Jeongin. — Confia em mim?
A resposta de Jeongin é curta, muda, dita em um gesto suave dos lábios, segredada entre suspiros.
[...]
No primeiro dia, é estranho e aceitável. Ao fechar as portas da lanchonete, Jeongin decide deixar para lá. No segundo, sabe que algo aconteceu, mas se convence de que ele aparecerá no próximo dia. E no terceiro ele também não aparece.
A mente de Jeongin planta mil pequenos feijões que viram florestas catastróficas, destruidoras de concretos de esperança. Por que ele some após terem um dia maravilhoso juntos, concluído com Chan pressionando Jeongin contra seu muro enquanto ele ri dizendo que talvez seus pais possam vê-lo? O quarto dia é traiçoeiro, seu primeiro pensamento reina sobre todos: Chan morreu. É isso. Foi imprudente e lhe custou a vida. Era a única razão de ter desaparecido por uma semana, não ter entrado em contato, não ter aparecido na lanchonete.
Na sexta-feira, Jeongin simplesmente deixa seu posto e decide ir no único outro lugar que já o viu, o moto clube no fim da praia. Na caminhada longa chove pensamentos, pensa em desistir, mas cada passo é um mais perto e não tem jeito. As portas da sede do clube estão fechadas, mas há uma oficina ao lado e é lá que Jeongin encontra Chan sentado no balcão do caixa.
Em um primeiro momento, ele não o nota, rabiscando preguiçosamente um papel. Jeongin entra devagar no estabelecimento. Há uma garota agachada sobre uma moto, dedos sujos de graxa intrometendo-se nas ferragens.
— Finalmente, você veio atrás de mim! — Ele estende uma mão sobre o balcão para tocar a bochecha de Jeongin.
Planta a mão sobre a mão dele, apreciando o carinho. De repente, se sente louco por pensar que estava tudo bem passar uma semana inteira sem Chan. Sua nostalgia de caprichos se interrompe ao ver o braço engessado de Chan, que ele mantém para trás do balcão com um quê de vergonha. Nesse momento, os olhos dos dois conversam. Fiquei preocupado, diz Jeongin. Chan afirma estar bem e que não quer conversar sobre isso naquele momento. Terminam em um suave piscar de olhos, assim como os gatos se beijam.
O olhar de Jeongin desvia para a identidade no balcão. Há um clique nos pensamentos de Chan. Seu movimento é rápido ao tentar pegar a identidade, porém não o suficiente, Jeongin pega primeiro, dá um passo para trás e adota um sorriso abobado enquanto analisa o documento.
Poupando os esforços do motoqueiro que insiste em esticar o braço útil sobre o balcão para tentar alcançar a identidade, Jeongin devolve.
— Então temos a mesma idade. Por que você me chama tanto de menino, bagunça meu cabelo?
— Porque você é um menino, seu cabelo é macio e você fica gato de cabelo bagunçado. Mais alguma coisa?
Enrubescido, Jeongin solta uma risada soprada.
— Você também é.
— Gato ou menino?
— Menino. É uma criança travessa. — Jeongin ri com a língua entre os dentes.
A inclinação sobre o balcão é mútua, prelúdio de tudo aquilo que é bom. Os sorrisos bonitos se atraem, tão perto, imobilizam Chan. Há uma vozinha em sua cabeça repetindo aí meu deus, de novo, de novo, querendo beijar Jeongin com uma sede adolescente. Mas Jeongin desvia, e seu cotovelo escorrega no mogno, quase dando de cara no balcão.
Nem dá tempo de Jeongin ver a cara chocada de Chan, está de costas, caminhando pela loja como se os adesivos de motoclubes fossem a coisa mais interessante do mundo. Sabe muito bem o que fez.
— Essa loja é interessante — ri, o tom debochado.
— Quer saber por que eu sumi, não é? Eu estava viajando com o clube e então fiz isso. — Chan aponta para o gesso com um sorriso mínimo. — Tive que voltar às pressas e meu castigo é cuidar daqui todos os dias.
O silêncio se mantém por um instante, interrompido por um ruído atrás do balcão. Jeongin se inclina, vendo Chan tentar abrir a tampa da marmita com uma mão. Respira pelo nariz, pegando o pote das mãos dele. Não se contentou em abrir e devolver, também destacou o par de varetas e forrou o balcão com um guardanapo, tudo em um padrão impecável. O sorriso contente de Chan foi um pagamento mais que suficiente.
— Como você está sobrevivendo sozinho, hein? — pergunta Jeongin, dedos curvados punhetando o ar.
O gesto obsceno arranca uma risada gostosa de Chan, as madeixas escuras balançam quando joga a cabeça para trás e depois para a frente, encarando Jeongin com as bochechas cheias. Corre um dedo por baixo do queixo dele uma, duas, três vez em uma carícia continua. Jura ter visto Jeongin puxar todo o ar possível e segurar, deixando o rosto ser conduzido em direção a Chan.
— Você poderia vir me ajudar amanhã, que tal? — Aponta para a escada. — Eu moro lá em cima. A loja fecha às nove.
— Tá bom.
Depois de concordar, Jeongin umedece os lábios e dá um passo para trás. Ajeita sua jaqueta jeans sem necessidade e caminha para a saída com Chan observando cada movimento seu, a mão dobrada debaixo do queixo em uma expressão leve.
— Vai embora sem a única coisa que veio buscar? — Jeongin ouve a voz de Chan ecoar pela oficina, seguido de uma risada nasalada.
Parado na porta, Jeongin rola os olhos. Estufa o peito e faz seu caminho de volta. Seus olhos se encontraram antes mesmo de estarem ao alcance um do outro. Chan estende o braço bom e ansioso no ar, chamando-o com o indicador. Demora pouco para a mesma mão estar encaixada nos cabelos da nuca de Jeongin, puxando-o delicadamente.
Um suspiro de Jeongin é deixado sobre a pele quente de Chan enquanto ele encara os lábios bem desenhados tão perto dos seus, sofrendo por antecipação. Nenhum dos dois contesta a demora, pelo fato de ser gostoso estar nela. Chan sente algo se espalhar dentro dele e sabe que está queimando tudo. Jeongin o faz ferver.
Sem uma palavra, diminuíram a distância entre seus lábios. Chan não tardou em tomá-los para si num selar demorado. O mundo deixa de existir, Chan aprofunda o beijo enquanto acaricia os fios macios de Jeongin que retribui o gesto, seu beijo vira uma dança apaixonada. Um dos dois está prestes a pular sobre o balcão.
Mas quando as coisas estavam prestes a melhorar, foram interrompidos por um aperto forte de Chan nos ombros de Jeongin. Assustado, ele se afasta, a respiração irregular e o rosto corado. É que sua cadeira alta deu uma balançada ameaçadora e ele quase morreu do coração. Só que Jeongin percebeu e não consegue não rir da expressão assustadiça dele.
— Ei, você vai vir mesmo? — pergunta Chan. Ali, de sobrancelhas arqueadas e um rosto apreensivo por uma resposta positiva, ele até tem um rostinho fofo. Jeongin acaricia sua bochecha com o polegar.
— Claro que sim. Até amanhã, Chan — ri, a voz cheia de diversão. Caminha novamente à saída, acenando antes de ir embora.
[...]
Pontualmente, depois do trabalho, lá está Jeongin subindo as escadas. Chan se esforçava para fechar as portas quando chegou e ele o empurrou para que fizesse o resto sozinho, afirmando que Chan não podia forçar o braço, antes de ser conduzido às escadas.
— Pode entrar, minha irmã viajou para outra cidade com o moto clube — diz Chan, virando-se repentinamente.
Poucos degraus abaixo, Jeongin tem a cabeça erguida e os olhos grudados diretamente em sua bunda. Chan reprime uma risada e volta a subir no mesmo momento. O tempo de resposta é mais longo que o costume.
— E você ficou?
Chan estende o braço quebrado.
— É o jeito.
O apê sobre a oficina é pequeno, de um cômodo só, para a felicidade de Jeongin. Mentiria se dissesse que não gostou de esbarrar em Chan a cada segundo enquanto ele organizava um banho confortável para o convidado.
Pediram três pizzas, que chegam assim que Jeongin termina o banho. Escolhem o VHS de “The Lover”(1992) depois de Chan insistir que precisavam assistir, afinal, foi proibido no cinema. E tudo que era proibido era melhor, de acordo com suas palavras. Na sala quase completamente apagada só a TV os ilumina, o rosto de Jeongin concentrado nas cenas mais quentes do filme e a luz azulada batendo nas bochechas de Chan.
Dividiam o conforto do tapete felpudo melhor e mais espaçoso do que o sofá. Chan aproveita de um momento que vai pegar a pizza para colocar uma perna sobre a de Jeongin. Aquele tapete de fato foi uma aquisição e tanto, pensa. Jeongin finge não ligar, mas sente um aperto na boca do estômago. Descansa uma mão sobre a coxa dele, a palma corre do joelho à virilha, tão perigosamente perto, apenas para voltar em uma lentidão torturante.
Chan ergue o olhar pelo tronco dele e segue caminho para os músculos que muito provavelmente queriam estourar as mangas da camiseta preta que usava.
— Pega pizza para mim? — Jeongin sussurra, sem tirar os olhos do filme. Chan ri bufado.
— Mas você tá mais perto.
— Só que eu quero que você pegue. — Com um bico debochado, faz o que os pensamentos de Chan precisam naquele momento: cruza os braços.
Morde o lábio inferior e puxa, admirando os músculos dele lutando contra o tecido apertado. Chan escapa uma ou outra olhadela para Jeongin antes de, finalmente, colocar o filme para escanteio. Não aguentava mais.
Precisava averiguar. Jeongin se vira para ele prestes a repetir o pedido, mas não tem tempo de sequer questionar ou pensar, porque Chan engatinha até ele, encaixa as pernas ao seu lado e se senta em seu colo.
Jeongin engole um suspiro surpreso. Acompanha ele pegar um pedaço de pizza, morder a metade e pôr a outra em sua boca. A gordura deixa seus lábios brilhantes e Chan quer provar. Afasta a fatia de Jeongin o suficiente para encostar a boca na dele. Em seguida, outro selinho. E outro, suavemente, até que seus lábios fiquem pressionados cada vez por mais tempo.
Jeongin coloca uma mão em sua nuca, trazendo-o para mais perto enquanto seus lábios se movem mais rápido, cheios de desejo e necessidade, desejos suprimidos finalmente escapando na calada da noite, na intimidade do apartamento.
Assim que se separam, Chan beija sua bochecha novamente, logo abaixo do olho, então se move para baixo, para a mandíbula e pescoço de Jeongin, mimando-o com beijos doces em todos os lugares. Ele deixa a cabeça cair para trás, fechando os olhos no processo. Se deixa levar pelo momento, relaxando sob os toques gentis.
— Me mostra o que você quer. Mas sem dizer nada — Jeongin desafia. Se tem algo que nunca faltou nos quatro cantos daquele apartamento era o clima entre Chan e Jeongin, algo que nasceu no primeiríssimo dia e nunca mais foi embora. Vontade sempre tinha.
— Agora mesmo — sussurra em seu ouvido, beliscando seu lóbulo.
As bochechas de Jeongin esquentam quando a gola de sua camisa é puxada para o lado com facilidade, expondo a extensão de sua pele. Mas Chan quer outra área, bastante específica, e deixa uma gama de beijos pelo caminho trilhado em direção ao braço dele. A visão de Jeongin começa a embaçar e Chan pode sentir a tensão nos membros dele.
O cheiro de Chan impregna e é viciante, quanto mais ele respira, mais é afetado. Um suspiro suave foge de Jeongin quando ele coloca os lábios num ponto particularmente sensível em seu pescoço, chupando e deixando uma marca vermelha profunda. O contato não dura por mais que um instante, apenas o suficiente para Jeongin começar a ficar impaciente. Chan desce a boca e, finalmente, deixa leves mordidinhas em seus bíceps.
Para ao sentir os braços envolverem sua cintura. Jeongin respira tão calmo, como se cada toque na pele macia e sensível de Chan precisasse ser meticulosamente calculado.
— Posso acender um? — pergunta, a quentura de sua respiração bate diretamente na pele dele.
Em resposta, Jeongin afunda os dedos em sua cintura. A respiração de Chan bate na ponta de seu nariz, pesada, carregada de algo que Jeongin sabe descrever muito bem. Pega um estojo na mesinha de centro atrás deles com Jeongin estudando cada um de seus movimentos.
Chan leva o baseado aos lábios e o acende, um fluxo constante de fumaça subindo no ar em seguida. Faz um show colocando lentamente o cigarro entre os lábios, a erva queimando intensamente enquanto ele inala. Inclina o queixo para cima e sopra a fumaça, a névoa ao redor suavizando suas feições. Entrega para Jeongin e ele espelha os movimentos. A fumaça enche seus pulmões e ele segura por um momento antes de soprá-la para o ar.
— Porra, isso é bom — diz Jeongin, pegando o baseado entre o polegar e o indicador.
— Primeira vez?
Jeongin balança a cabeça positivamente.
— Já estou começando a sentir.
— Sim — Chan responde e tosse, a dormência confortável já começando a crescer em seu corpo. — Eu também.
— Então… posso te ajudar agora? Já que tem sido difícil para você se virar sozinho.
— Tá perguntando o que eu penso que está? — Chan abre um sorriso. — Se foi difícil bater uma pensando em você?
Tudo o que Jeongin faz é arquear as sobrancelhas e dar de ombros, muito confortável ao apoiar a cabeça no sofá para observar Chan.
— Foi um pouco. Mas agora eu tenho você bem aqui.
O excesso de fumaça sai de seus lábios enquanto Chan pega o baseado e descarta no cinzeiro da mesinha, nunca quebrando o contato visual, o que faz o estômago de Jeongin queimar de desejo. Chan se inclina e pressiona seus lábios juntos novamente. Jeongin se estica ansiosamente para encontrá-lo no meio do caminho e antecipar o contato.
No segundo em que seus lábios se encontram, Jeongin não hesita em abrir os lábios. Quando suas línguas colidem, a fumaça é soprada em sua boca e ele respira fundo. Recusando-se a se separar ainda, Chan sopra a fumaça de seu nariz enquanto seus lábios deslizam languidamente juntos.
Solta sem cautela o peso do corpo, fazendo uma pressão gostosa no pau excitado embaixo de si. Jeongin inclina-se para frente e planta um beijo na mandíbula, sentindo a respiração dele engatar sob os cuidados de sua boca. Jeongin tenta retribuir o beijo com o mesmo fervor, agarrando as coxas dele.
Chan lambe o lábio inferior de Jeongin e é tudo o que precisa para deixá-lo entrar. Entre eles há um leve gosto de gloss de morango e maconha, uma combinação estranha em qualquer outro momento, mas agora, é perfeita.
Arrasta a bunda no pau de Jeongin, fazendo ele suspirar e desandar o ritmo do beijo. O shortinho enrola nas bordas conforme se move para frente e para trás. Era tão difícil não rebolar por sobre a ereção quente de Jeongin com o ritmo que ele ditava com a mão em sua cintura. Tão difícil.
Seus corpos pressionam um contra o outro, as mãos vagando e explorando, alimentadas por uma combinação de paixão e desejo. As mãos gananciosas de Jeongin se esgueiram por todos os lugares. Na blusinha branca de Chan, é possível notar seus mamilos se enrijecendo com o roçar dos dedos gelados de Jeongin em seu torso. Seus sentidos estão um pouco bagunçados, mas está certo do que quer.
A pegada de Jeongin o guia como se deixasse o corpo mole no mar, ele toca com gosto, firmeza de quem sabe onde pôr as mãos e gosta do que tá fazendo. Quer Chan perto dele, quer tocar aqui e ali, como se precisasse daquilo para sobreviver. Sabe ser bruto na hora certa, como quando puxa ele sobre seu colo e aperta a carne das coxas com os dedos intrusos debaixo do tecido, brincando de soltar e puxar a bermuda.
Chan geme rouco, arrastado, volta e meia impulsiona o corpo sobre Jeongin, tocando a bunda no pau dele. Sabe o que faz, com tanto tesão, queria tanto se esfregar nele até gozar… Pode ver no olhar de Jeongin que quer aquilo tanto quanto ele.
— Eu adoro sentir você em cima de mim — confessa Jeongin, embriagado sob a pele debaixo de seus lábios que desenham o caminho do pescoço ao centro do peito, onde puxa a regata folgada para baixo e beija a região entre as clavículas.
Os lábios habilidosos trocam um beijo devoto com a pele, chupando e soltando estalidos como se fosse a própria boca de Chan. Sua pele tem gostinho de água salgada e Jeongin sabe que está no paraíso. Não há pressa de sua parte. Para ele, é uma ofensa direta do destino que o tempo não pare enquanto estão desse jeitinho.
— Você é uma delícia — murmura Jeongin.
Chan sufoca um riso tímido ao ouvir, a boca comprimida logo dominada por Jeongin num selinho apressado.
— Pensei em ficar com você o dia todo. Ontem eu senti tanto vontade de te agarrar, porra, de te puxar para trás daquele balcão.
— Se você tivesse me puxado eu não iria recusar — responde Jeongin. Enrosca dois dedos no passante da bermuda e faz ele rebolar devagar sobre seu colo. — Difícil seria controlar esse tesão todo que você me dá.
Depois de manter o ritmo sozinho, Chan arrasta o quadril tortuosamente para frente e para trás, tomado por uma sensação abrasante quando Jeongin arfa entre as bocas. Ele sorri, daquele jeitinho cafajeste que faz o peito de Jeongin subir e descer. Provoca uma rebolada voluntária, só porque gostou de ver o olhar semicerrado de Jeongin banhado em desejo.
— Caralho, é tão confortável sentar em você.
— Senta mais, então. Me mostra essa vontade toda aí que sua boca quer mostrar.
Entregando as chaves de seu corpo para ele, Chan estremece ao sentir as mãos rasparem em seu baixo ventre e na linha em V que o guiavam com prazer à borda da bermuda. Jeongin levanta-se num movimento rápido, curvando o corpo para beijar a região que cobiçou o dia todo. Leva o pau de Chan a pressionar a barriga, causando uma sensação gostosa que faz ele se contorcer um pouco.
O corpo acima de Jeongin tenciona e se remexe irrequieto, os dedos penetram os cabelos curtos de sua nuca onde Chan desconta toda a ânsia.
— Innie… — chama manhoso, aninhando-se ao peito dele. — Bate uma pra mim? Tô cheio de tesão.
— Tá.
— Tá? Assim tão fácil? — Chan ri saindo do colo dele.
Jeongin ergue as sobrancelhas, mas não diz uma palavra. Está sério, a mandíbula tensionada enquanto assiste Chan se acomodar entre suas pernas e curvar as costas para apoiar os cotovelos na mesinha. Seus olhos escurecem quando começa a desfazer o laço do short dele.
Desliza para baixo só um bocado, em seguida, puxa Chan com força pela cintura. Olha para ele e fixa os olhos antes de se inclinar e tomar o lábio inferior de Chan em sua boca. Chupa suavemente. Chan faz um barulho de desaprovação, remexendo os quadris na direção de Jeongin em um pedido silencioso para ser tocado. Jeongin o ignora e começa a puxar o elástico da bermuda.
Demora mais do que deveria. Chan esquece até a própria necessidade enquanto observa o rosto intenso de Jeongin, como se estivesse descobrindo uma reação química. Exceto que tudo o que ele está fazendo é justamente não fazer nada. Assim que escorrega para dentro de seu short, Chan quase engasga com a saliva e um gemido entalado na garganta, tamanha foi sua surpresa.
Para ele, o tempo para completamente quando Jeongin enfia a mão quente dentro de seu short e começa a acariciá-lo. Sem pressa, sem compromisso, apenas Chan fechando os olhos inconscientemente e sentindo a barriga subir e descer em sôfregos baixos.
Jeongin decide não pensar em mais nada, e não é difícil quando a grossura do pênis toma toda a área livre de suas mãos, quente e de textura macia, e ele passeia pela extensão pela primeira vez, afastando até a base e voltando com firmeza nos pulsos ansiosos. Os dedos de Chan apertam seu pescoço quando, de olhos fechados, tomba a cabeça para trás e deixa o pescoço exposto, implorando para que Jeongin o tomasse para si.
Chan sente o movimento da mão dele pouco a pouco ganhando confiança e põe a mão sobre a dele, tentando mover no mesmo ritmo. As mãos se esbarram enquanto brincam, os dedos dele chegando até a região sensível em torno de sua glande e apertando aquele ponto, vez ou outra deslizando ou pressionando o polegar sobre a fenda já úmida de pré-gozo. Aquilo o faz gemer mais e percebe que ele já começava a decifrar o que lhe dava mais prazer, repetindo com frequência e parecendo satisfeito com suas reações.
Depois de passar a língua pelos lábios de Chan, ele ofega segurando suas bochechas enquanto pressionam as testas unidas. Afasta a mão de seu membro.
— O que foi, vida? Não tá bom? Você tava quase gozando, né? — Jeongin sugere, convicto ao se lembrar do rosto de Chan todo contorcido e toda a vontade que ele segurava.
A maneira apaixonada e boba que ele o olha, como se ele fosse uma peça rara de arte, faz com que queira dar um show único e exclusivo para Jeongin.
— Tá ótimo. — Chan recupera as energias com um sorriso.
Jeongin admira o corpo dele, tão receptivo e maleável em suas mãos, enquanto ele geme gostoso e expele tanta porra que consegue escorregar a mão com facilidade. Sente o próprio pau doer dentro da calça, queria encostar o seu no dele e punhetar os dois até pedirem arrego.
Ajeita a postura novamente e, com uma mão masturbando Chan, usa a outra para tocar a região do períneo e todo o corpo dele se contorce, um corpo tão inumanamente bonito que só podia ser coisa dos infernos. Chan deixa a cabeça rolar para trás e relaxa no deslizar e tatear que acontece em todo o seu corpo.
Jeongin curva o rosto sobre seu torso e umbigo, lambe e gosta do gosto de pele salgada e um pouco de colônia masculina que irrita o cantinho da língua. Fez questão de deixar uma porção de beijos em volta do umbigo dele e pressionar a região com a língua. Beija suavemente a barriga dele, os lábios quentes em choque com a pele fazendo estalos.
Observa o pau dele sumir e reaparecer entre seus dedos. Olha para a cabeça pulsante com uma gotinha perolada implorando para ser extinguida. Jeongin lambe e, de tão excitado e sensível, Chan dá uma leve recuada. Empurra Jeongin suavemente, a mão apertando o ombro dele entre os dedos.
— Quero fumar mais — diz, ofegante e recuperando a respiração. — Fuma comigo.
Antes que Jeongin aceite ou negue, Chan já está enchendo a boca de fumaça e colocando a mão atrás de seu pescoço. Puxa seu rosto para perto, seus lábios separados por menos de um centímetro. Jeongin fecha os olhos enquanto inala lentamente a fumaça da boca de Chan. Pode sentir o calor e o tesão irradiando dele, o toque delicado nas costas de seu pescoço fazendo sua pele pegar fogo. Chan não se afasta mesmo quando a fumaça restante sobe entre eles.
— Você me quer, não é, Innie?
— Eu te quero muito — Jeongin sussurra de volta.
— Você me quer muito — Chan repete e sorri. Jeongin está muito destruído para fazer qualquer coisa, então apenas acena com a cabeça desesperadamente. — E eu quero te dar. Agora.
Puxa-o para outro beijo, molhado e mais sensual dessa vez, impressionado em descobrir que sua excitação ainda podia aumentar. Com muito custo, Chan rompe o beijo
— Vira o corredor, entra no banheiro, abre a segunda gaveta — Chan ordena ofegante. — Seja rápido.
E Jeongin não perde um minuto. Quando volta para a sala de estar, Chan se virou de costas e apoiou o tronco sobre a mesa. Jeongin poderia engoli-lo inteiro só com o olhar.
Chan ofega olhando intensamente para Jeongin enquanto sorri e balança os quadris. O mesmo indicador que usa para chamar por Jeongin, usa para tocar o fim das próprias costas, dedos apontam ansiosamente para o cós do short. Jeongin fica parado por um momento, com a boca ligeiramente aberta e a ereção contra a calça.
Larga por perto o que trouxe do banheiro e se posiciona atrás de Chan. No segundo em que ele está em seu alcance, agarra-o pela cintura e faz com que ele conserte a postura. A mão sobe pelo centro das costas de Chan, forçando-o a tocar o peito na mesinha e manter a bunda bem empinada, as pernas abertas em um ângulo perfeito para que pudesse simplesmente se encaixar.
Abaixa lentamente o short preto molinho e Chan faz um barulho de aprovação quando ele alcança suas coxas. De roupa parecia que ele tinha uma bunda pequena, Jeongin sabe disso pois vive olhando para ela sem nenhuma vergonha. No entanto, basta Chan ficar de joelhos e pronto, brota uns dois quilos de bunda e Jeongin fica incapaz de não fazer nada. Tem um sorriso atordoado em seus lábios e um pequeno arrepio no estômago porque o mesmo “porra” que ecoa em seus pensamentos sai pelos lábios de Chan quando ele toma um tapa estalado.
Ouve Chan respirar fundo antes de se aproximar para beijar, morder e beijar o centro de suas costas, as mãos tomando sua bunda, apertando a região quente pelo tapa e intensificando a ardência. Antes de virar o rosto sobre o vidro frio, Chan geme de dor, os olhos castanhos mirando Jeongin por cima do ombro. Sorri ao dançar seus quadris na ereção dele.
— Não gosta de apanhar? Pensei que gostasse de dor. — Jeongin se esforça para beijar seu pescoço.
Ao sentir os lábios macios no pé de seu ouvido, Chan geme e se contorce, esfregando a bunda nua no pau coberto atrás de si. O autocontrole de Jeongin está prestes a cair por terra. Começa a acariciá-lo rapidamente, ocasionalmente passando o polegar sobre seu cu. Chan sai de seu padrão, joga a bunda para trás tentando desesperadamente fazê-lo ultrapassar o limite.
Assim que os lábios de Jeongin se conectam com o centro de suas costas, seu dedo está afundando, gelado e molhado. Chan estremece por um segundo antes dele se enterrar ainda mais. Quando Chan começa a ficar rouco de tanto gemer, Jeongin encharca os dedos com lubrificante antes de introduzir dois deles no mais alto, sentindo-o tensionar os músculos enquanto rebola devagar.
A pele de Chan queima contra a mesa fria, impondo o quadril para cima e arqueando as costas, praticamente fodendo-se sozinho em Jeongin. A única coisa que conseguia pensar era nele, Jeongin perto, por cima, por baixo, dentro, invadindo, tocando e lambendo todo seu corpo numa série de obscenidades.
Seus pensamentos se dissipam quando Jeongin enfia um terceiro dedo, observando enquanto deixa escapar um “porra” muito alto antes de engolir em seco.
Mas ele grita mesmo quando a língua quente de Jeongin passa com vontade por todo espaço que antes ele tocava, fazendo-o contrair de novo de tão gostoso. Jeongin umedece a boca antes de tocar na região e gosta da sensação da carne, parece ter aberto seu apetite de zero a cem em segundos. Lentamente, lambe de baixo para cima, doido para meter a língua ali.
Por causa dos efeitos da maconha, Chan está com os nervos à flor da pele. Já nasceu naturalmente sensível com ou sem a erva, mas sente que pode gozar logo se Jeongin continuar com aqueles toques. Empina bem a bunda para receber o carinho gostoso que tanto necessita.
Implora sem dizer uma palavra, impulsiona o quadril para trás com Jeongin chupando gostoso, com bastante saliva e lubrificante. Não aguentaria por muito tempo, com certeza iria à loucura se continuassem naquela bagunça instigante. Queria ceder, queria dar em todas as posições para aquele inferno de homem lindo.
Parece que ele escuta seus pensamentos, ou devia estar gemendo eles bem alto no meio das palavras incoerentes que saiam de sua boca. Jeongin também não duraria, podia gozar só de tê-lo ali em seus braços, rebolando contra sua mão, gemendo baixinho. É ágil em vestir a camisinha.
Jeongin segura seus quadris e o ergue o suficiente para roçar a cabeça de seu pau no cu de Chan e seus dedos tem fé no que querem quando coloca a cabeça encaixada na entrada. Mas deixa que o outro comande, e Chan não faz rodeios, logo empurra o quadril e desliza o pau inteiro para dentro, finalmente ganhando o que tanto queria.
As coxas de Chan tremem com a intrusão, Jeongin pode sentir. Prende a respiração até estar acomodado completamente nele. Uma vez inteiro dentro, a posição arranca um gemido de ambos.
— Innie… — chama, o olhar por cima do ombro tenso. — Eu nunca gostei de transar devagar. Por favor, mais fundo — reclama entre suspiros.
— Vou bem fundo, não se preocupe.
Jeongin tira a blusa e joga no chão, voltando a atenção para Chan. Abraça sua cintura, erguendo ainda mais o rabo gostoso como se o ângulo nunca fosse suficiente para foder ele do jeito que merece. Dá a ele exatamente o que pediu, empurrando forte, selvagem, em puro instinto primitivo.
Chan cobre a própria boca, mordendo as costas da mão em um gesto inconsciente feito em momentos de muito prazer quando começam as estocadas firmes. Jeongin engole seus gemidos o melhor que pode enquanto fode Chan, sentindo o aperto quente do cu dele em torno de seu pau. Suspiros que se tornam um choramingar até que Jeongin força seu tronco para cima para que suas costas toquem o peito dele.
— Quero você sentando em mim — sussurra Jeongin.
É surreal para Chan que ele tenha curvado seu corpo inteiro apenas pelo bel prazer de sussurrar em seu ouvido, segurar com força suas bochechas e seu queixo. Fica ainda mais tenso com as palavras e o tom rouco de Jeongin enquanto um sorriso predatório toma seu rosto.
Jeongin se encosta no sofá com um Chan de riso debochado ainda ofegante pulando em cima de si. Toca com calma a alça da tipoia.
— Tá tudo ok com você, Chan?
— Claro. Você tira toda minha dor.
Assentindo, Chan respira fundo, levantando os quadris e guiando-se para o pau de Jeongin. Morde o lábio para impedir que mais ruídos escapem enquanto se empurra para baixo.
Nem é muito, ou melhor, Chan nem começou, mas é o paraíso para Jeongin, que deixa a boca entreaberta ao jogar a cabeça para trás e pensar se aguentaria por muito tempo.
Chan pensou que estaria realmente esticado e seria mais fácil, mas suas paredes internas certamente estavam apertadas, pois ainda dói. Embora seja um tipo diferente de dor, porque ele sabe que a dor será substituída por prazer.
Fica sentado durante algumas respirações e, uma vez tendo certeza de que está bem ajustado com tanto pau invadindo-o, se levanta com as pernas trêmulas e desce, fodendo-se sozinho em Jeongin. É bom, é delicioso. Não consegue ir tão rápido quanto deseja e isso o faz gemer de frustração e sentar com ainda mais vontade.
Jeongin sente sua respiração acelerar, o fluxo de sangue correndo em suas veias conforme Chan faz o que bem entende com seu corpo. Simplesmente cansa de lutar, permanece parado deixando-o quicar sem pena e, porra, se aquela era toda a vontade que ele tinha guardado, iam quebrar no meio.
Demora para ele dar uma canseira, caindo ofegante no ombro de Jeongin, que segura seu corpo manhoso aninhado nos braços e o estoca num movimento completamente delicioso.
Ficam face a face, tudo gira em torno de Chan e isso excita os dois de uma maneira diferente, embora na mesma intensidade. Ele não conhece as zonas erógenas de Chan, então continua beijando seus mamilos e a lateral de seu pescoço, beijando e chupando os pontos sensíveis até Chan gemer.
— Quer minha ajuda, amor? — pergunta, espalhando beijos pelo rosto de Chan. Ele balança a cabeça rapidamente.
— Por favor… — Solta murmurinhos desconexos, segurando os braços de Jeongin, choramingando enquanto ele mesmo sobe e desce deixando o pau afundar em si.
Chan suspira quando ele, com o apoio nos tornozelos, assume o comando e levanta os quadris, encontrando Chan no meio do caminho. Na mesma hora Jeongin começa um ritmo brutal enquanto o fode. Cai em seu peito, o prazer dominando-o. Geme com a sensação, especialmente preguiçoso e entregue, os olhos semicerrados enquanto Jeongin esfrega sua próstata.
Jeongin fica maravilhado com a maneira como ele se contrai ao seu redor, com todo aquele calor e aperto. Puxa o cabelo de sua nuca com força, enquanto com a outra o agarra pela cintura. Agarra o que pode, as coxas, os músculos firmes da bunda, os quadris. Não quer que nenhuma parte de Chan saia intocada daquele apartamento.
Chan o xinga de todos os nomes possíveis, para cada palavra leva um tapa estalado na coxa, e Jeongin sempre aperta a região depois, fazendo ficar ainda mais quente, acentuando o ardor, aguçando seus sentidos.
Rodeia os braços em sua cintura, cola seus troncos tão próximos que estão quase pressionados um contra o outro, e olha bem nos olhos marejados de Chan, beijando-o. Golpe baixo, assim que sente os lábios de Jeongin, atinge seu limite.
Ofegando feito louco, goza sobre as próprias pernas, sem sequer ter seu membro tocado. Abraça o peito de Jeongin e inspira contra seu ombro.
— Cê tá suando muito… — diz Jeongin, tendo seu cabelo agarrado em seguida. — Me deixa te comer do meu jeitinho.
Já é possível ver que Chan está cansado, pelo menos um pouco tonto e super chapado em uma felicidade pós-orgásmica. Jeongin faz menção de tirar sua blusa, mas ele recua.
— Ei, confia em mim. — Jeongin assegura. — Não vou machucar seu braço.
Inclinando-se, Chan beija sua bochecha. Em seguida, belisca o mesmo local.
— Fofo — sussurra, vendo Jeongin revirar os olhos.
— Vem comigo.
Jeongin cumpre sua palavra. Tira cada peça de Chan calmamente, com toda a paciência do mundo. O som de beijos estalados ocupa o silêncio sempre que Jeongin julga estar perto suficiente de sua pele e não resiste, o que acontece a cada um segundo. Chan observa tudo com um sorrisinho que jamais conseguiria esconder, as bochechas coradas.
Com as mãos pousadas em sua clavícula, Jeongin deita seu corpo no sofá. Seu peito se move para cima e para baixo, com algumas gotas de suor deslizando pelo peito bem definido.
Ajeita-se de joelhos, observando Chan bem acomodado no sofá, mordendo o indicador. Sua boca salivava, o olhar dividido entre o pau de Jeongin e as mãos encharcadas de lubrificante dele passeando por suas coxas, seu abdômen, massageando, e depois no próprio pau.
O estômago de Chan revira de ansiedade. É lindo como apenas suas coxas deixam Jeongin assim, tão desgrenhado, safado, a maneira como ele as adora e aperta. Os beliscões descem pela extensão de sua perna e é uma sensação tão boa que os pelos de sua nuca se arrepiam. Jeongin coloca as pernas de Chan em seus ombros, não avança sem antes beijar seus tornozelos.
Afasta algumas mechas de cabelo que cobriam seus olhos e faz isso enquanto encara-o fixamente, se enterrando nele de novo.
Chan teria achado fofo a adoração, mas não tem tempo para pensar ou soltar um comentário para atiçá-lo ao sentir o estômago ferver de calor quando Jeongin choca os quadris contra os seus, metendo como se precisasse disso para sobreviver, empurrando o corpo de Chan com força contra o estofado macio.
O ritmo é lento e proposital. Desliza tão facilmente, a nova posição permite que se aprofunde mais. Talvez Jeongin também esteja bem chapado, porque sente vontade de tecer mil elogios à Chan, tantos que não consegue segurar.
— Eu quero quebrar essa porra de bunda perfeita que você tem. — Jeongin segreda baixinho. — Você é lindo pra caralho.
Jeongin estoca de um jeito tão gostoso, intenso e afobado, que Chan só consegue deixar a boca aberta em êxtase. Suas unhas deixando marcas nos ombros de Jeongin são a motivação que ele precisa para acelerar o ritmo, empurrando forte e rápido.
Chan se contorce, por pura sensibilidade, mas não mostra nenhum sinal de desagrado. Seus murmúrios se misturam entre palavrões, suor e elogios. Jeongin sente o inevitável aperto no estômago e se inclina, enterrando o rosto no pescoço de Chan para abafar seus gemidos. Suas estocadas declinam enquanto ele tem seu orgasmo.
A sala está quente, seus corpos escorregadios com suor deslizam em todos os pontos de contato da pele. Jeongin se vê incapaz de se mover, ainda enterrado profundamente dentro de Chan enquanto os dois recuperam o fôlego. Depois de se recuperar, Jeongin finalmente sai, arrancando um gemido fino de um Chan sensível.
— Não acredito que finalmente posso falar que transamos.
— A, era só isso que você queria? — Chan ri, enlaçando o pescoço dele para trazê-lo para sua boca.
— Exatamente. — Jeongin sorri contra seus lábios, mergulhando em um beijo profundo, seco, mas eles não conseguem e nem querem fazer algo no momento além disso, além de imergir no quentinho gostoso das línguas calorosas.
— Gatinho. — Jeongin suspira, traçando um dedo na mandíbula de Chan. — Vamos tomar um banho.
Virando um pouco o rosto, Chan pensa por um momento, não queria que Jeongin presenciasse sua vulnerabilidade.
— É que é difícil e um pouco demorado… Se você quiser ir dormir, eu faço isso sozinho.
— Chan… É sério. Primeiro que eu só vim para te ajudar.
Se o banho é complicado ou chato, Jeongin não chega nem perto da borda. Durante o banho, Chan ensina para ele os pontos onde a fratura recentemente recuperada dói mais. Depois vão para o quarto, Chan diz que gosta de dormir sem nada, Jeongin diz que também, uma grande mentira. Há uma ou outra sessão de chameguinhos que ora voltam, ora param, até que são vencidos de vez pela preguiça.
Por alguns minutos, nenhum dos dois consegue dormir. Jeongin está de olhos abertos mirando o nada, já Chan mira diretamente sua bochecha, seus lábios, por onde corre o polegar, memorizando a textura. Dá um sorriso, beija e abraça Jeongin. Só então consegue cochilar.
[...]
O negócio é que, uns dois dias depois, os coturnos de Chan retinem apressadamente pela lanchonete. Entra esbaforido, procurando por todos os lados até que encontra Jeongin almoçando calmamente.
Claro que ele ouviu o ronco do motor bem antes, mas permanece em sua posição, esperando que Chan busque sua presença.
Ele se senta ao seu lado e não diz nada, descansa o rosto na palma da mão. Jeongin quer tanto rir que corre o risco de engasgar com a comida.
— Se você terminar logo, ainda vai ter tempo de dar uma voltinha comigo — Chan diz em seu melhor tom persuasivo. Ele ainda não sabe que pode tirar o que quiser de Jeongin, mesmo sem dizer nada.
— E o que você quer?
As sobrancelhas de Chan se erguem sugestivamente. Jeongin se apressa um pouco, mas nem tanto, curte ver Chan observando-o impaciente, esbaforido, já fez de tudo que podia fazer em um restaurante cheio, como bater seu ombro no de Jeongin, acariciar sua coxa por baixo da mesa, chegar muito perto de seu rosto e não beijá-lo.
Imediatamente após ele terminar e sair do banheiro, Chan toma seu pulso e o carrega para fora. Entram em um vão no estacionamento e logo os braços de Chan tomam Jeongin. Seja por cima de seu ombro, em sua cintura, ele quer tocar todos os lugares ao mesmo tempo, é uma bagunça. Quer se fundir a Jeongin ou sugar sua alma.
Quando se afastam por fôlego, Jeongin pensa que foi ingenuidade de sua parte achar que seria fácil sair dos braços de Chan naquela tarde.
— Foi uma noite louca, muito gostosa, e meio frustrante, porque achei que você fosse me procurar. — Chan pressiona seu corpo contra a parede.
— Mas é que foi… anteontem.
— Dane-se! Meu braço já tá bom, o que significa que já posso te enforcar!
Com um sorriso safado e convencido, seus dedos contornam o pescoço de Jeongin e simulam apertar, libertando-o em seguida, embora o sorriso de Jeongin seja ainda mais safado e mais convencido.
— Eu vou casar com você um dia.
— Meio extremo, não acha?
— Problema é meu. Mas eu gostei muito, Innie. Eu gosto de você. E você… eu sei que se contorce inteiro quando eu sussurro no seu ouvido. Isso não tem como significar outra coisa.
— Lá onde eu moro as pessoas chamam de tesão — Jeongin debocha. Mas Chan não parece feliz. — Aí, cê não vai me pedir em casamento só porque te comi gostoso, né? Né…?
— Por quê? Não pode mais? Quer que eu passe meses te cortejando?
— Meu Deus, sim?
— Não se pode ter tudo o que quer — reitera Chan.
Ficam sérios por um segundo antes de cair na gargalhada. As mãos de Chan buscam pelas dele, entrelaça os dedos e as segura contra o próprio peito.
— Só vim te chamar para dar uma voltinha, já que você disse que sempre quis andar de moto comigo…
— Tá brincando, sério? — Jeongin exclama, em uma felicidade tão genuína que deixa Chan instantaneamente contente.
O horário de almoço de Jeongin está perto do fim, mas finge não se importar com isso ao montar na moto de Chan. Poderia se atrasar um pouco, apesar do movimento alto, havia um novo atendente e, bom, suas colegas acobertariam sem que ele nem precisasse pedir.
Jeongin queria um passeio no pôr do Sol, mas uma da tarde também servia, e se segurou na esperança de que teriam outras chances. Segura firme na cintura de Chan, sem deixar de lembrar como seus dedos finos emolduravam a carne avermelhada enquanto transavam. Sente vontade de apertar do mesmo jeito, mas não faz, porque morre de medo de romper a concentração de Chan no trânsito.
Não havia um capacete para ele e, por isso, pôde encostar o rosto na jaqueta de couro de Chan, abraçando-o apertado, por medo ou por afeto, tanto faz. Se quiser ficar, terá que se acostumar.
Lembra-se de si mesmo assistindo Chan pilotando e a paisagem atrás, porém, agora assiste da garupa a todo aquele mundo que se esvai apressado. Sente-se eufórico, poderoso, o sangue fervendo sob sua pele. Chan está acelerando e ele tem medo, mas quem se importa.
Mais tarde em uma área remota da praia, se você estreitasse um pouco os olhos, podia ver Chan e Jeongin brincando, rindo, correndo pela areia como se ali fosse o único lugar do mundo em que queriam estar: dividindo o mar nos braços um do outro. As ondas calmas são as principais culpadas pelo sentimento de paz que toma Jeongin e eles estão tão felizes que não pensam em mais nada além de si mesmos e do oceano.
[...]
Sentado em uma mesa próxima ao balcão, Chan bate as unhas na mesa impacientemente ao observar Jeongin. Ele tem certeza de que, se Jeongin se esforçar, consegue esticar aquela droga de fio e alcançá-lo. Mas Jeongin tagarela sem hora pra acabar, segurando o telefone no ombro enquanto faz anotações. Sequer olhou para Chan desde que ele chegou.
É que o patrão resolveu colocar um desses discadores fixos para fazer entregas e Jeongin é o rapaz do telefone. Chan não está nem um pouco satisfeito em ser chutado por tecnologia barata. Mas bem que gostou desses novos telefones públicos que colocaram pela cidade, era um bom lugar para beijar Jeongin quando quisesse.
Oh, Jeongin está tão atolado hoje! Mas Chan só quer olhar bem fundo em seus olhos e gritar: fofo! Aflito, ele estende o braço sorrateiramente sobre o balcão e pressiona o gancho do discador.
A testa de Jeongin se enruga com o silêncio repentino na linha. Ergue o rosto e vê Chan de braços cruzados, já começa a dar bronca. O plano é demonstrar aborrecimento por ter sido deixado de lado, no entanto, basta Jeongin olhá-lo por dois segundos e ele sorri, as bochechas ganhando cor.
Jeongin não se cansa do motoqueiro, de sua disposição, seus desejos, prontidão e submissão. De cada olhar intenso direcionado a Jeongin, apenas a ele.
— Oi! Nem vi você chegar! — Jeongin estende as mãos sobre o balcão e o puxa pelas orelhas.
— Claro, agora você só quer saber desse telefone… — Revira os olhos enquanto recebe beijinhos por todo o rosto e no falso biquinho tristonho.
— Desculpa, descobri que consigo falar com meu irmão. Mas shh, o patrão não sabe. O que vai querer hoje?
— Você.
— Eu tô falando sério.
Apesar disso, Jeongin ri batendo a caneta no bloquinho ao esperar pelo pedido.
— Ok, então eu quero waffles e… Quero descobrir o que te faz sorrir.
— Agora, nesse momento, é você.
— Se eu te quero e você me quer…
Chan sugere sem terminar. Solta um riso bufado, daqueles que faz seu lábio pender para um lado e, imediatamente, Jeongin esquece tudo que devia fazer para observá-lo sair da lanchonete, o capacete pendurado no antebraço. Nem precisava perguntar, sabia onde encontrá-lo no fim do expediente.
O encontro é afobado como todos os outros. Mãos e lábios ansiosos para sentir. No mesmo lugar onde se beijaram pela primeira vez, Jeongin aproxima o rosto do ombro de Chan, atraído por seu cheiro natural mesclado à brisa salgada, e fecha os olhos em êxtase.
É demais para ele. Ninguém nunca olhou para Jeongin assim. Ninguém jamais pulou nele assim, beijando-o, abraçando-o avidamente, como se ele fosse o ar tão necessário para respirar, a primeira refeição em semanas. A gota d'água na pele do rosto depois de um ano sem chuva.
Aliciado pelo olhar sedento de Jeongin em seus lábios, Chan igualmente busca senti-lo. Parece nunca, nunca estar ciente do quanto realmente gosta de ter os lábios dele nos seus, apenas quando juntam-se e uma onda de agitação toma seu corpo inteiro, assim como as pequenas ondas da praia.
Jeongin se afoga nas pupilas escuras, na pele lisa e dourada de Sol, em sua voz súplice entre os gemidos. Chan é tudo o que sempre procurou, por mais que nunca tenha realmente procurado. Ele apenas sabe que achou.
[...]
Há fogo em seu capacete preto brilhante e a palavra “PAINKILLER” gravada em fonte berrante na jaqueta de couro. Esse é seu pseudônimo no moto clube. Exatamente, Jeongin não segura a risada quando descobre. Todos os amigos de Chan do Gehenna Keepers tinham seus apelidos. Ou seja… não demora para que ele ganhe um também.
O seu é Ziggy Stardust. Diz isso no patch em seu colete, porque ele é um membro honorário. Painkiller disse que ele não poderia ser um membro pleno até ter sua própria moto e, enfim, poderia escolher um, nas palavras de Chan, “nome de macho”, algo que lembre suor e montanhas.
Não falaram sobre a verdadeira natureza de seu relacionamento, pois relacionamentos homossexuais eram raros nesse mundinho. Mas dado o tamanho de Chan, sua cara de bravo e seu comportamento esquentadinho, seu histórico familiar no clube e quem ele era, ninguém discutiu.
Especialmente naquela tarde, Chan dirige em direção contrária à orla. Adentra a cidade e as ruas barulhentas e depois estaciona num centro comercial. Por fim, entram em uma loja de moto peças.
Ao contrário dele, Chan não tem medo de se expressar, fazendo-se notar onde quer que esteja. Mostra quem realmente é. E não o faz de forma áspera ou arrogante, é sutil e avassalador. Caminha pela loja, passa direto pelo vendedor, sabe exatamente o que quer. Jeongin questiona o motivo de estarem ali.
— Preciso de um outro capacete.
— Tem milhares aqui. — Jeongin diz.
Passeia pelo paredão de capacetes, fileiras e mais fileiras coloridas em direção ao teto. Toca um e outro, distraído esperando Chan escolher. Está distraído observando um capacete holográfico com um adesivo da Penelope Pitstop quando sente Chan discretamente puxá-lo pela cintura.
— Preciso de um que seja novo, só para você — diz, sorrindo gentilmente.
Assim que eles se entendem, seus olhos se beijam por um momento, rápido demais até para o próprio tempo.
— Posso escolher qualquer um? — Jeongin ri ao se desvencilhar de Chan, empolgado com a novidade.
— Qualquer um.
E quase que Chan se arrepende da frase no segundo em que vê o capacete escolhido, mas mantém a postura, o sorriso, o polegar em pé. Faz um tempo desde que notou que Jeongin não tem tanta facilidade de expressão de personalidade quanto ele e por isso acaba parecendo um cara sem graça, mas é completamente o contrário.
É um alívio Jeongin ter escolhido um azul cheio de margaridas e corações e todo o frufru possível na face da terra — ainda compra um adesivo “as free as the ocean” que praticamente some entre tantos detalhes depois de ser colado na lateral —, mas ele prefere esse do que um apenas branco, ele sabe que o Jeongin de cinco ou seis meses antes teria optado por um branco.
É um progresso e tanto, o próprio Jeongin reconhece.
Depois de meses aprendendo seu corpo, aprendia Jeongin. E ele… Chan suspira só de pensar. Quando vão à praia, ele tem as pernas mais longas e bonitas que existem, sob o implacável sol, de short e camiseta branca quando caminham de mãos dadas ao longo da costa. Na mão que não se entrelaça à de Chan, segura uma bebida colorida decorada com frutas tropicais.
Seu cabelo escuro com uma mechinha verde está desgrenhado, seu rosto está empoeirado e com areia no nariz, mas o par de olhos escuros admira Chan incansavelmente.
Talvez ainda se sentisse inseguro, perdido demais em pensamentos sobre como Chan podia gostar de alguém tão sem graça quando ele podia ter qualquer pessoa no mundo. Mas ele gostava de Jeongin e ponto final.
Pensa: quando será que ficariam chapados juntos antes de foder no tapete de novo ou em qualquer outra superfície que atendesse aos desejos no momento? Sorri para Chan enquanto tagarela com ele por horas sobre coisas que não devem ser decifradas por ninguém além deles. Sexo com Chan era um plano totalmente diferente de qualquer outro sexo que já teve.
É único e também pertence apenas a eles. Chan gosta de ficar com outras pessoas quando sente vontade, Jeongin está se abrindo para esse mundo também. Mas o patamar a dois é imbatível. Não importa se há três ou quatro indivíduos em jogo, existe essa parte, esse espaço onde são apenas os dois. Têm seu barquinho e nele há um vínculo forte, profundo, de paz e companhia, como espiar entre as páginas que grudam. No final do dia, Jeongin ama Chan e vice-versa. A pessoa que lhe dá estabilidade, mesmo que o mundo ao redor seja estável quanto um pedaço de madeira flutuando nas águas do Pacífico.
As vezes, é pra ser, Jeongin só quer um beijo e acaba fodendo Chan contra a parede. Depois, caídos na moleza do amor, Chan discorre sobre estar totalmente apaixonado por ele, sem medo nenhum, sussurra, quase cantando: “E se eu aparecesse com uma passagem de avião. E um anel bem brilhante com seu nome nele. Será que você viria comigo? Porque tudo o que eu quero é você”. E, de repente, ele havia tatuado seu nome em um coração flechado.
Seus beijos são como uma carta longa de segredos a dois. E Chan sempre deixa um mais curto no final, no canto da boca. Sua assinatura.
O ronco do motor ainda distrai Jeongin e agora mais do que nunca deixa-o contente, pois significa dois minutos para o fim do expediente. Depois de trocar o horário da faculdade, Chan o busca todos os dias.
Agora, às cinco, quando ele passa e param para comer juntos, sobe na moto e vai embora pela orla da praia. Talvez estejam fazendo planos para o futuro, por mais que Jeongin sinta-se congelado no tempo toda vez que Chan sorri.
Porque o problema é que o Jeongin nunca pensou que teria a chance de namorar o galã motoqueiro de dorama. Desde o dia que o viu pela primeira vez, pois é, já estava apaixonado. Naquela época, ele não sabia como as coisas iriam acabar, só que queria estar perto dele. E aqui está ele. Ainda não sabe como as coisas vão acabar, mas essa não é mais a questão.
Então, Jeongin não precisava ser alguém que não era pra agradar. Ele era de Chan, sua personalidade era ser dele. E isso é o suficiente.
Às vezes caminham na praia. Às vezes se divertem no apartamento, às vezes vão aos eventos do motoclube. Mas, na maioria delas, é apenas Chan e Jeongin descalços dançando na sala, rodopiando nos gracejos de um vinil pirata que só toca Under Pressure, cantando a plenos pulmões, bebendo sua dose diária um do outro.
