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WAVE
Primeira Onda
Mal conseguia abrir os olhos quando lhe foi oferecido uma xícara de chá quente. Aconchegou o objeto vaporizante entre as palmas das mãos que lentamente foram aquecidas pela cerâmica morna e sentiu o aroma. Era romã.
Talvez xingaria o seu pai por tê-lo acordado às quatro horas da manhã de um sábado, mas aceitar a xícara de cara feia era ainda mais ameaçador, faria seu pai tremer com toda certeza. Seus óculos chegavam a embaçar por causa do vapor todas as vezes que bebia algum gole do líquido.
Não estava nem um pouco ansioso para aquela aula de Surf que seu pai tinha conseguido com um antigo amigo, para que ele ficasse “mais animado” pela mudança de moradia. Sentia o filho mais cabisbaixo e recluso em seu quarto por tempo demais.
Chanyeol se mudou para a casa do seu pai, localizada na ilha de Jeju há pouco mais de um mês. A troca de cidade se fez necessária, pois sua mãe precisava passar um tempo no exterior a trabalho.
Seus pais já eram divorciados desde que o pequeno-grande Park tinha 5 meses de vida. Talvez fosse até cruel imaginar um casal se separando com uma criança tão pequena, mas acredite, eles se amavam mais quando não estavam como um casal. O garoto teve todo o carinho, cuidado e atenção dos pais, o fazendo até ser mais tímido e medroso.
— Chanyeol, você vai gostar…. Não faz cara feia, filho.
Mostrou a língua para o pai após tomar um gole daquele chá levemente cítrico. Na realidade, Chanyeol adorava chás, ele adorava água, coisas líquidas, fluidas apenas submergir nelas, era algo totalmente preocupante, assim como socializar.
Nunca foi bom em manter conversas ou iniciar uma. Devido a isso tinha para si mesmo que viver sozinho era a sua felicidade, afinal não tinha aptidão para relações interpessoais. Ao contrário do seu pai, que sempre foi muito comunicativo, proativo e adorava fazer esportes. Chegava a pensar que o motivo principal para a separação dos dois era pelo simples fato da sua mãe não entender o quanto a vida fora da família era algo importante para ele. Seu pai ia a muitas festas, conhecia muitas pessoas, participava de torneios de corrida e surfe, quando precisou ir para a capital era como se tivessem o sequestrado e mantido em cativeiro. Ele fez por amor, mas sempre havia algo faltando.
— Vem ou você vai perder a aula.
O garoto preferiu não verbalizar, deixou a xícara vazia sobre a mesa e seguiu para o carro do seu pai.
O caminho para a Praia Jungmun era um tanto distante do local onde morava. As paisagens rochosas e marítimas davam uma sensação de liberdade para o garoto de apenas quatorze anos. Abaixou o vidro da janela, deixando todo aquele vento barulhento entrar e o fazer rir assim que atingia o seu rosto, era como se o vento estivesse em um momento de raiva e expressasse todos sentimentos através daquele som.
— Pai, como é uma aula de surf? — questionou depois de longos minutos de silêncio.
— Hm… Está com medo? — O Sr. Park dirigia com apenas uma mão e acabou apertando de leve a bochecha rosada do garoto. Chanyeol prontamente negou com a cabeça. — Você vai aprender a como se equilibrar em uma prancha, como remar e mergulhar usando ela.
— Eu vou precisar mergulhar com ela?
— Claro, como acha que vai atravessar uma onda?
— Por cima? — a pergunta retórica veio acompanhada de um olhar indignado do pequeno-grande Park e fez o mais velho gargalhar. — Mas assim eu vou morrer, pai... — declarou com uma face assustada ao fitar a estrada à sua frente.
— Garoto, se acalme, ok?! Eles não vão te jogar no mar e observar você se afogar, tudo bem?
— Técnica — respondeu com o jargão do próprio pai, revirando os olhos e rindo.
O Sr. Park era marceneiro e construía móveis para casas e apartamentos sob medida. Modéstia à parte, Chanyeol achava ele o melhor no que fazia, até uma casa na árvore construíra para o pequeno realmente pequeno Park.
A estrada estava livre e o caminho foi repleto de perguntas sobre como o pai conheceu o amigo, como o surf funcionava e uma tentativa quase bem sucedida de convencer o filho que o surf era o melhor esporte.
— Foi nessa praia que conheci a sua mãe — comentou assim que saiu do carro e olhou para o mar, encarou uma paisagem da qual já estava acostumado.
A mesma paisagem era um tanto caótica para o garoto.
Não era mais noite, o dia já tinha amanhecido totalmente, mas ainda estava relativamente frio. As ondas eram altas e fortes, a cor da água mais escura lhe dava uma sensação de impotência, as finas partículas de água pairando sobre o mar dando uma sensação de névoa, deixava o céu mais embaçado.
— Como conheceu a mamãe? — perguntou enquanto se afastava do carro e seguiram andando em direção a uma casinha de madeira que ficava na areia, mais perto do asfalto do que da água propriamente dita.
— Ela estava saindo com esse meu amigo, veio acompanhar alguns treinos e seu pai era um galã, conquistou a Sra. Park com algumas manobras no surf.
Chanyeol riu da informação e retirou os sapatos por perceber que estava difícil de caminhar naquela areia fofa e branquinha.
— E vocês não brigaram pela mamãe? — a sua curiosidade era genuína.
— Não, ele na verdade gostava de outra pessoa na época.
— Legal.
Às vezes o garoto se aproximava da areia molhada e brincava com ela, mas não perto demais a ponto dos seus pés encontrarem a água, achava interessante a textura, como pareciam moldáveis e ásperas. Chanyeol ia a praia pouquíssimas vezes durante o ano. A maioria era quando estava na casa de seu pai, matava saudades da água salobra apenas olhando, de longe de preferência.
Olhou em direção a casinha e acabou rindo com os desenhos feitos na parede de madeira. Eram flores grandes e coloridas, conhecia aqueles desenhos muito bem, as paredes da sua antiga casa na árvore tinham aquelas mesmas flores porque tinha pedido ao pai. Foram inspiradas pelas flores da Máquina de Mistérios. Quando criança adorava o scooby-doo e a sua turma.
— O senhor que fez aquelas flores? — Voltou-se para o seu pai e este apenas balançou a cabeça com um sorriso leve nos lábios.
— Seu pai é quase um artista, não acha? — Gargalharam.
Ouviu algumas pessoas conversando enquanto caminhavam animadas, tendo assim a sua atenção. Eram cerca de cinco pessoas, trajadas com macacões de mergulho pretos, todos carregavam pranchas e seguiam para o mar. Logo um arrepio atravessou a sua espinha, só em imaginar entrar na água. Mas estava ali para aprender, certo? Tentaria pelo menos.
Andaram mais um pouco e ouviu a voz do seu pai, anunciado que estavam chegando. Conseguiu ver um rapaz alto e com cabelos escuros, o macacão estava até a cintura, mostrando o resultado de prováveis anos fazendo exercícios físicos.
Seu pai seguiu andando um pouco mais acelerado e estendeu os braços para que pudessem se cumprimentar com um abraço. O rapaz deixou a prancha que estava debaixo das axilas e abraçou o seu pai dando tapas até que fortes em suas costas. Não era acostumado a ver cumprimentos tão calorosos, acabando por se encolher um pouco enquanto se aproximava.
— Park! Que bom rever você! — O homem não escondia a animação, embora o garoto achasse que estava cedo demais para aquilo. Literalmente cedo demais.
Colocou as mãos nos bolsos e olhou para os garotos que estavam mais à frente entrando no mar. Percebeu que eles riam e conversavam, como se estivessem livres, realmente pareciam ter uma conexão com o mar. Não que o pequeno-grande Park não fosse livre, podia sair e ficar até tarde na rua e seus pais não se incomodavam, mas era um sentimento um tanto diferente de liberdade. Ter a permissão de liberdade, é diferente de se sentir livre.
Não reparou tanto no que os amigos comentavam entre si, prestava mais atenção nos garotos, nas ondas começando a se formar ao longe e eles se preparando, remavam com os braços em direção a ela. Chanyeol sentia receio, já os garotos, ansiavam para encará-la.
Sempre se lembrava de ataques de tubarão quando observava pessoas surfando. Como o fato de algo se movendo sobre a água, poderia despertar a curiosidade de um animal que não se alimenta de humanos?
Outro arrepio atravessou a espinha. Ele balançou a cabeça expulsando os pensamentos.
A cada segundo que se passava, percebia que a onda ficava mais encorpada e maior, ganhando até velocidade e indo em direção a eles. Um dos garotos se levantou de forma habilidosa e ficou em pé sobre a prancha. Os outros se separaram e quando essa mesma onda veio, mergulharam por baixo dela, fazendo Chanyeol empurrar a haste do óculos em direção ao rosto, ficou realmente surpreso com a manobra que parecia simples. Por sua vez, o garoto que se levantou, praticamente deslizava pela onda, fazendo algumas manobras e virando em direção a praia.
— Uau… — acabou falando um pouco alto e se sobressaltou quando um braço repousou sobre os seus ombros.
— Muito legal, não é? — Virou o rosto de forma súbita, pois não sabia quem era e acabou por se surpreender com o sorriso que adornava os lábios. — Acredito que em breve esteja fazendo o mesmo. O que acha?
Chanyeol continuou piscando em direção ao garoto, não entendendo muito o que estava acontecendo consigo mesmo e com a atenção que estava dando àquilo. Quando este se afastou um pouco, direcionou a mão para si.
— Desculpe, acho que te assustei. Meu nome é Oh Sehun, eu sou filho daquele cara ali. — E apontou para o rapaz que conversava com o seu pai, parecia que havia puxado aquilo do pai.
O garoto foi aproximando a mão dele um pouco devagar e assim que sentiu os dedos longos nos seus, não deixou de reparar no sorriso ainda mais largo que apareceu enquanto balançava as duas mãos, fazendo até o seu braço se movimentar com rapidez.
— Oi… eu sou Park-
— Chanyeol, não é? Meu pai falou de você! O que acha de sermos amigos como os nossos pais?
E só então percebeu que algo estava diferente.
O rosto dele brilhava, não era um brilho qualquer, eram como pequenas explosões de brilhos. A luz do sol que atingia a sua pele deixava tudo ainda mais resplandecente. Seu rosto levemente bronzeado e os olhos em um tom de verde único. Chanyeol não olhava para Sehun como olhava para as outras pessoas.
Todo aquele conjunto era como aquela mesma onda do mar. Esverdeada e brilhante ao ser agraciada pelo sol, mas teria a mesma intensidade dela? Não sabia, e talvez precisaria aprender a surfar para entender. Ele precisava entender.
à beira mar
Os primeiros dias não foram tão difíceis quanto achou que seriam, afinal, foram três dias de empenho para conseguir, no mínimo, o equilíbrio para se levantar e ficar em pé na prancha. O garoto chegou a pensar em se render e desistir.
Ainda não tinha tido contato com o mar. Segundo o garoto Oh, ele teria que ter estabilidade sobre a prancha antes de ir desafiar alguma onda, o que o mar tinha de belo, tinha de perigoso. E ele estava totalmente certo, porque se caso Chanyeol tivesse realmente encarado algum point break, o caldo seria dado como certeza, e sim esse é o nome de uma onda.
Aprendeu a como respirar e como fazer apnéia no surf. O garoto não sabia que tudo aquilo era tão importante para que conseguisse subir em uma prancha, parecia mais fácil quando os outros faziam, parecia tão simples. Sehun o ensinava com paciência e de forma divertida, o que chamava ainda mais atenção do Park mais novo, ele se sentia desconfortavelmente confortável com o outro.
O seu pai o acompanhou apenas no primeiro dia, dava alguns pitacos no que o outro falava. Parecia que tinha dois professores e que estava à beira de iniciar a semana de provas. Eram muitas informações para aprender em pouco tempo e a prova era literalmente conseguir surfar. Era desafiador ter que dar orgulho para dois professores.
Chanyeol colocou em sua cabeça que ele ainda estava na beira do mar no seu nível de aprendizagem sobre os oceanos, ondas, pranchas, roupas e etc…
Durante esse período inicial, como um bom estudante e nerd declarado — segundo a sua mãe —, pesquisou sobre os tipos de ondas que eram mais comuns pela praia em que iria iniciar as práticas. Descobriu que as ondas eram divididas em: a crista que é o pico da onda, a parte mais alta; cavado que é a base que sustenta a onda e a área de rebentação, que é quando ela quebra.
Soube que iniciaria provavelmente com as ondas crumbly , que são ondas que não são intensas e nem perigosas, porque não são rápidas e nem íngremes. Como aquela praia era repleta de corais mais ao longe, as ondas que se formavam eram as reef breaks , que são ondas maiores e mais perigosas, porque os corais podem ser afiados e então causar algum acidente com o surfista.
Digamos que nosso pequeno-grande Chanyeol estava quase expert no que se diz respeito aos conceitos e fundamentos relacionados ao surf. Na teoria, ele garantia nota máxima.
O Park mais velho achava muito fofo o empenho do filho quando chegava em casa e ia estudar um pouco sobre o esporte, porém não durava muito tempo porque o cansaço o pegava de jeito e ele não conseguia manter por muitos minutos. Houve vezes que o Sr. Park o carregou até a cama.
Naquele dia em específico, ele estava realmente exausto, o sol que raiava nas horas da manhã o atingiam em cheio, sentia até as suas mãos e pés latejarem. Estava sentado na areia sentindo os fios escuros colarem em seu pescoço pelo suor que não parava de escorrer, estava muito quente.
— Toma, vai te ajudar a recuperar a temperatura. — Sehun estendeu a mão e lhe entregou uma latinha com um conteúdo levemente duvidoso.
Chanyeol a aceitou.
— Eu não sei como você consegue ficar tanto tempo assim no sol e ainda surfar. Eu sinto meu corpo inteiro ardendo, fora o quanto ele fica vermelho — ditou ao pegar a lata, olhou no rótulo e tinha escrito energético. Nunca tinha tomado energético na vida.
— Me acostumei, venho com o meu pai desde que era muito pequeno. Ele sempre ensinou surfe e eu sempre o acompanhei. — Sehun sentou ao seu lado e com a garrafinha que estava na mão, despejou nas costas do Park, este se encolheu por completo devido a temperatura fria em contraste com a sua pele quente. — Isso, vai te ajudar, você está todo vermelho, tá usando protetor solar? Claro que não, nem acredito que vou ter que te cobrar sobre isso também.
Estava dentro da rotina Chanyeol esquecer das coisas, era algo muito comum. Roupa de banho, garrafa de água, prancha e por último e não menos importante: protetor solar. A grande sorte é que Sehun sempre mantinha um dentro da “casinha”, essa é a forma carinhosa de Chanyeol chamar a loja de acessórios de surf.
E então se instalou o silêncio. Era corriqueiro chegar nesse momento enquanto estavam descansando. Nesse, o Park estava com um pouco de vergonha por ter esquecido do protetor solar, entretanto era justamente nesses momentos que conseguia prestar mais atenção no garoto Oh. Ele gostava disso.
A sua pele brilhava daquele mesmo jeito que antes, ainda observando o mar, admirando todos os seus nuances, e nem precisaria aprender sobre ondas e coisas marinhas para perceber que aquilo era uma paixão para ele. Nesses dias que estiveram juntos conseguiu reparar em várias pintinhas e sardinhas espalhadas pelos ombros, peitoral e região das costas. Mas a sua atenção era especificamente em uma localizada em torno da sua nuca um pouco abaixo da orelha. Sentia uma necessidade quase incontrolável de tocá-la, era como se ela o convidasse incessantemente para tal.
Sehun virou para si com um olhar um tanto confuso, não entendendo a expressão de admiração de Chanyeol para onde ele olhava.
Já o garoto Park caiu ainda mais em devaneios quando visualizou os olhos esverdeados. Eram como águas quase cristalinas que o atraíam, não sentiria medo se pudesse mergulhar nelas.
Ah, como gostava deles…
— Chan?
Piscou os olhos por diversas vezes se recompondo dos seus devaneios.
— Ah! Oi!
— Eu estava pensando… vai ter uma festa hoje a noite aqui perto e então imaginei, “por que não chamar o Chanyeol?” vai ter bebidas, algumas pessoas legais, você vai ter mais contato com a galera do surf.
Chanyeol calmamente ajeitou a armação dos óculos sobre o rosto e suspirou fundo.
— Não sei, não… Bebida alcoólica?
— Não precisa beber se não quiser, mas se beber, a gente dá um jeito do seu pai não saber.
— Hm…
— Vamos! Eu passo na sua casa e te pego. Juro que você vai se divertir. E bebe logo esse negócio se não eu faço você tomar um caldo simulado na areia.
O Park riu e confirmou com a cabeça. Ele havia aceitado o convite.
O que poderia dar errado em uma festa de adolescentes, regados a álcool e a beira mar?
Nada.
corais rasos
— Essa não… essa daqui também não… — expressava enquanto retirava várias camisas do seu guarda-roupas.
O Sr. Park apareceu na porta do quarto e encostou o corpo no batente, ficando com parte do corpo para dentro do cômodo.
— Vai sair, filho? — perguntou sorridente enquanto acompanhava um Chanyeol preocupado, caçando roupas em meio a uma pilha enorme que estava sobre a cama de solteiro dele, aparentemente todas foram descartadas.
— Eu fui convidado pra ir em uma festa perto da casinha, o Sehun e os meninos da aula de surf também vão… algum problema?
Primeiramente o Park maior fez uma expressão mal-humorada, mas logo alterou e foi até o filho sorrindo.
— Claro que não! Eu posso te levar-
— Não! Não! O Sehun vem me buscar — ditou estático e firme ao olhar para o seu pai.
— Ah, o Sehun vem aqui te buscar… — repetiu para assimilar as palavras que ouviu. — Eu gosto daquele garoto.
— Claro que gosta, ele é filho do seu melhor amigo — bufou ao pegar uma das camisas com estampa do spider-man , e jogar sobre o bolo de roupas.
— Não, ele me parece um garoto responsável. — Chanyeol segurou o riso e se manteve procurando uma camisa adequada. Se o pai dele soubesse que teria bebida alcoólica nessa festa com certeza terminaria essa percepção de responsável que ele tem pelo filho do Oh. — E ele está cuidando de você muito bem. — E na mesma hora o Park mais novo tossiu, não esperava por aquelas palavras.
— Certo, pai! Mas agora eu preciso encontrar uma roupa, senão, não vou — concordou apressando o mais velho e se aproximando dele e começando a incitar ele a sair do seu quarto.
Assim que ele o fez, nosso pequeno-grande Park encostou as costas na porta e deslizou por ela. Como diria a seu pai que estava sentindo coisas estranhas por um garoto? E que o garoto era filho do seu melhor amigo?
Sacudiu a cabeça em uma tentativa de expulsar aqueles pensamentos.
Precisava entender o que estava acontecendo. Só não sabia como faria aquilo.
A procura por roupas se encerrou quando se recordou que havia trazido da capital uma das suas peças favoritas, um macacão de jeans claros e com rasgos nos joelhos. Colocou uma camisa básica branca, tênis all stars e manteve todo o resto. Estava pronto para essa festa desconhecida.
Sehun chegou em um jeep — provavelmente de seu pai — e sorriu ao ver Chanyeol já pronto e vindo em sua direção.
— Pronto pra se divertir?
— Estou com medo dessa diversão — comentou após colocar o cinto de segurança.
— Então nunca se divertiu de verdade.
Rodou os olhos, mas acabou rindo. Sehun tinha esse poder sobre ele, mexer com as suas reações.
O caminho foi regado a fofocas internas relacionadas aos alunos do pai de Sehun. O total de alunos era cinco contando com Chanyeol.
— Então quer dizer que ele partiu a prancha nas costas do cara?
— Eu estou falando pra você, meu pai não é de levar desaforo pra casa não.
— Inacreditável. E o cara tá bem?
— Eu acredito que sim e provavelmente bem longe daqui, porque não tivemos nem notícia.
— Seu pai é muito legal.
— Seu pai também é. Meu pai contava algumas histórias bem legais dele. Até de quando ele conheceu-
— A minha mãe.
— Isso, a sua mãe.
— Eu fiquei sabendo aqui enquanto íamos pra casinha.
— Casinha?
— Sim, a loja de materiais de surf do seu pai.
Sehun acabou rindo quando se lembrou de uma coisa. Chanyeol o olhava sem entender o motivo.
— É um nome muito fofo pra um lugar que foi palco para a fabricação de duas crianças, não acha?
Os olhos do Park automaticamente duplicaram de tamanho. Sehun estava falando de si e do garoto sentado ao seu lado, mas o garoto não assimilou rápido o bastante.
— Quem?
— Eu e você.
Abriu os lábios incrédulos pela informação recebida tão despreocupadamente. Juntando A mais B em seus pensamentos.
— Eu não acredito-
— E foi em cima de uma prancha…
— Não! — Ele se recusava a acreditar.
— Sim!
— Sehun! — rebateu quase gritando e rindo.
Estava determinado a recusar qualquer outra informação que fosse relacionada ao seu surgimento.
— Nesses últimos dias percebi que gosto muito de perturbar você. — O Oh soltou uma das mãos do volante e apertou o ombro de Chanyeol e aquilo foi o bastante para deixá-lo tenso, não esperava por aquele toque. — Ok, essa segunda parte eu inventei — confessou para tranquilizá-lo, ele não tinha tantas informações assim.
Entretanto, o garoto Park precisava ser tranquilizado por outra situação.
≋≋≋
Bolas, piscina, bebidas, pessoas com poucas roupas, mais bebidas, boias, pessoas se pegando, mais bebidas… detalhe: praticamente todas eram alcoólicas.
Foi assim que ficou registrado na mente do Park a primeira impressão sobre a pool party que estava presente junto com Sehun e os seus colegas.
Cumprimentou os garotos que conhecia a pouco tempo devido às aulas de Surf. Foi apresentado também a mais algumas pessoas conhecidas de Sehun e ficou até que contente com o gesto. Sentia que o Oh não queria que se sentisse sozinho, mesmo no meio daquela multidão.
Olhava ao redor totalmente sem graça por estar coberto de tecido e praticamente todos o observavam. Como foi falado anteriormente, Chanyeol tinha um certo problema com relações interpessoais além de toda a questão da timidez, então todo aquele cenário o deixava extremamente desconfortável.
Devido a isso, seus olhos vagaram pelo espaço e identificaram um local onde estaria seguro. Esperou que Sehun saísse para pegar as bebidas que tanto implorou para o garoto Park experimentar, e seguiu para a beirada da piscina infantil que ficava mais ao fundo e totalmente esquecida por todos.
Perfeito.
Sentou na beira sendo bem cuidadoso para não cair. Puxou as barras do macacão depois de tirar os tênis e depositou os pés sobre a água transparente e brilhante.
No final do dia, o céu estava incrivelmente azul, com alguns tons roxos e laranja. Permaneceu com o rosto erguido para o horizonte, captando todas aquelas nuances de cores, até que percebeu a presença de alguém sentando ao seu lado.
No automático virou-se, imaginando ser Sehun segurando todas aquelas bebidas malucas que não tinha nem lembrado os nomes, mas estava enganado, era alguém totalmente diferente, fazendo nosso pequeno-grande Park ficar surpreso.
— O gato comeu sua língua, Park?
Ficou estático por mais alguns segundos até ter o impulso de abraçá-la e rir feliz por encontrá-la.
— Realmente, sentiu muitas saudades de mim — ditou ela ao retribuir e soltando uma risada de surpresa pela demonstração de afeto.
— Ah, cala a boca! Eu nunca ia te imaginar aqui! Meu Deus, que coincidência! — O garoto ainda parecia surpreso.
Sulli, a garota que o abraçou e dona de um sorriso contagiante, foi uma das primeiras paixonites de Chanyeol.
Eles estudavam na mesma escola em Seoul e compartilhavam a carteira dupla. Sempre achou incrível o fato dela ter os cabelos mais escuros que já viu. Seus sorrisos sempre chamaram a atenção dele. Ela gostava de desenhar e o Park de tocar violão. Nos finais de tarde, costumavam ir para o jardim da escola, enquanto ele tocava, ela desenhava ou cantava a música juntamente com ele.
Com o tempo, todo aquele contato passou a ficar mais frequente, saiam por mais vezes, tinham encontros… no fim, Chanyeol sentiu uma faisquinha no seu peito acesa por Sulli.
Entretanto, no final do mesmo ano, Sulli contou que iria embora. Chanyeol ficou cabisbaixo, mas para que fosse uma despedida marcante, a convidou para o baile de final de ano da escola. E a beijou.
Foi seu primeiro beijo.
Se sentiu esquisito de inicio, essa coisa toda de língua e saliva o deixava um pouco agoniado, entretanto gostou, mas no dia seguinte, Sulli se encontrava no aeroporto despachando as malas e indo embora.
Depois disso não se encontraram mais e o nosso querido Park teve poucas experiências relacionadas a trocas de salivas.
Mas lá estava ela!
Os cabelos compridos e escuros, um vestido colorido como o verão, os braços longos e os lábios rosados. Eles estavam lá, presentes e chamativos.
— E então, o que está fazendo aqui? — ele perguntou por se sentir um pouco bobo por ter a abraçado por tanto tempo.
— Vim passar as férias.
— Uau… E você está linda! — Chanyeol ainda estava impressionado.
Ela sorriu sem graça e tocou na coxa.
— E você, Chan? O que está fazendo por aqui?
— Eu estou morando com o meu pai por alguns meses e comecei a fazer aulas de surf — disse todo orgulhoso.
— Mentira! Eu nunca te imaginei em cima de uma prancha, na verdade nem indo a praia. — Ergueu as sobrancelhas em surpresa.
— Nem eu imagino até hoje.
Os dois riram e permaneceram conversando mais longos minutos. Colocaram as novidades em dia e só então passou a sentir a falta de Sehun, afinal, ele disse que só iria pegar algumas bebidas.
Estava sendo nítido para Sulli o quanto ele estava impaciente por algo. As pernas do Park não paravam de se movimentar embaixo da água clorada e às vezes percebia o olhar por cima de seus ombros. Estaria esperando alguém?
Sehun ficou totalmente irritado ao ver toda aquela situação e não sabia a origem daqueles sentimentos, o garoto estava apenas conversando com alguém e introvertido como ele era, aquilo era bom, certo?
Ele carregava dois copos de bebidas para que Chanyeol experimentasse, entretanto acabou deixando de ser algo tão importante quando foi tomado por aquele sentimento que não soube descrever e foi atrás dele, determinado em ter a atenção do Park.
— Ah, o Sehun! — Chanyeol falou empolgado ao vê-lo se aproximar. — Sulli esse é o meu professor de Surf, Oh Sehun.
O garoto se sentiu estranho ao ser apresentado para a garota. Por que ele estava sentindo aquilo? Sentia uma certa tensão entre eles dois, será que estavam tendo algo além dessas conversas?
Acabou fechando a mão com um pouco mais de força ao redor dos copos que segurava. Aquilo não estava nem um pouco certo.
— Oi, Sehun — respondeu ela sorridente e se levantou para cumprimentá-lo.
Ele abriu um sorriso amarelo e indicou com as mãos que não poderia comprimentá-la já que estava com elas ocupadas, e graças a Deus por isso.
Por outro lado, Chanyeol sentiu uma leve tensão pairando entre Sehun e a garota, é como se eles não estivessem se dando muito bem desde o primeiro olhar, havia uma rivalidade que ele não conhecia? Devido a isso preferiu se despedir de Sulli já que estava ali acompanhando a Sehun.
— Acho melhor eu ir, depois conversamos. — Chanyeol a abraçou e suspirou fundo quando percebeu Sehun batendo o pé com impaciência no chão.
Se despediu da garota e logo voltou a andar com Sehun de volta à festa.
— Quem era a garota? — A curiosidade era evidente.
— Uma garota com quem estudei. A gente quase namorou.
Sehun ficou surpreso. Não imaginava que o garoto já tinha se relacionado com alguém. Que já tinha sentido sentimentos por alguém. Suspirou fundo novamente, balançando a cabeça brevemente, concordando e sem dizer nada entregou a bebida a ele e voltou para o meio da multidão começando a dançar.
Chanyeol achou estranha toda aquela reação e deu de ombros. Bebeu a bebida desconhecida, sentindo a garganta esquentar no mesmo instante em que o líquido passou por ali.
Os minutos se passaram e logo Chanyeol já não estava mais em seu estado normal de sobriedade. Conseguia ver todos se movendo de forma lenta e bagunçada, e nisso tinha tomado apenas dois copos daquela bebida doida e ardida que Sehun tinha entregado a ele.
O garoto o acompanhava com o olhar e às vezes dançava com ele, mas tinha um olhar diferente, uma sensação estranha como se fosse o devorar a qualquer momento. Claro que isso era apenas o seu pensamento de garoto bêbado. Seria loucura Sehun querer o beijar, ou até mesmo o devorar.
Mas não seria loucura querer beijá-lo.
Ele estava com a camisa praticamente inteira aberta, mostrando todo o seu corpo definido por músculos, mesmo estando no auge da sua adolescência. Estava suado e molhado por algum tipo de bebida estranha, o seu dorso estava brilhando, as bochechas rosadas pela quantidade de álcool e poderia facilmente permanecer apenas o observando. E ele estava se aproximando aos poucos.
Se aproximando.
Ainda mais.
Se aproximando. Ainda mais.
Até que estava perto o bastante para quase colar o corpo ao do Park mais novo.
— Está gostando da festa? — soltou a pergunta como se fosse uma cantada velha e ultrapassada, era o melhor que havia conseguido pensar até então.
Não sabia muito bem o que dizer. Estava tudo tão estranho. Sehun estava diferente, ele mesmo estava se sentindo esquisito com todas aquelas estrelas banhando o proprio olhar e fazendo com que ao redor do Oh tudo fosse uma inteira mágica.
— Eu estou bem — respondeu ao se afastar um pouco dele.
— Por que estava com aquela garota? Eu disse para me esperar. — Ouviu a voz dele meio rouca, porém em um tom mais alto.
— Eu só a encontrei — disse simplista.
— Chanyeol, eu pedi pra você esperar aqui — afirmou firmemente
— Sehun qual é o seu problema? O que é que está acontecendo? — O olhou fixamente, perdendo totalmente a paciência.
— Qual é o meu problema? — Apontou para si próprio indignado com o questionamento, queria que Chanyeol percebesse o que estava óbvio apenas para si mesmo.
— Sim! Qual é o seu problema?
E após fazer essa pergunta entendeu que talvez não deveria questionar tanto.
O Park presente apenas ouviu o baque do copo sendo estilhaçado no chão e sentiu duas mãos segurando o seu rosto, tendo posteriormente algo macio encostado nos seus lábios.
Aquilo era um beijo .
O que estava realmente acontecendo?
Por que Sehun estava fazendo aquilo consigo?
Por que não tinha forças para resistir?
Por que ele não queria resistir?
Apenas aceitou e parou de se questionar. Fechou os olhos e aceitou o que Sehun queria dizer, sem qualquer tipo de palavra a ser proferida.
Sentia como se os lábios estivessem encostando em alguma pétala de flor extremamente delicada e macia, porém de forma mais intensa, a língua do garoto caçava a sua e cedeu. Cedeu porque tinha gostado mais do que deveria.
águas profundas
Na manhã seguinte, nosso pequeno-grande Park não conseguiu se levantar de imediato.
Infinitos questionamentos passavam pela sua cabeça, desde os mais simples como:
“Como ele foi para casa?”
“Todo mundo viu o que aconteceu?”
“Será que ele está bem?”
Até os questionamentos mais complexos:
“O que aquilo significou para ele?”
“Por que eu me senti tão bem, apesar de estar tão confuso?”
Se debateu na cama totalmente confuso e irritado com todos esses questionamentos sem qualquer tipo de possibilidade de resposta.
Mesmo assim juntou forças e se levantou.
Seu pai o esperava com o fatídico chá de romã e torradas sobre a mesa. Sabia que provavelmente ele estaria ansioso para saber da festa que aconteceu no dia anterior e porque parecia tão assustado quando o ligou pedindo para buscá-lo.
Estava com receio de dizer. Chanyeol nunca mentiu pro seu pai, sempre teve consciência do ótimo pai que tinha e o quão liberal ele era, mas não podia negar que sentia um certo medo.
— Bom dia, filho. Chá de romã pra te fazer acordar.
— Bom dia, pai — ditou contido ao se sentar em uma das cadeiras vazias.
— Ressaca?
Balançou a cabeça negando e tomou um gole do chá.
Estava totalmente incerto em dizer. Sentia como se várias horas tivessem passado e o Park mais novo permanecia quieto.
O pai achou estranho então preferiu iniciar a conversa.
— Quer me contar sobre o que aconteceu ontem?
Chanyeol permaneceu em silêncio ponderando sobre como iria dizer a ele que pela primeira vez tinha beijado um garoto que era filho do melhor amigo dele e tinha gostado?
Maravilhoso, não?!
Balançou a cabeça negativamente.
— O que foi? É por quê você bebeu? Fumou?
Balançou a cabeça negando novamente.
— Perdeu a virgindade?
Hesitante.
Mas balançou a cabeça novamente.
— Não, pai! — falou rápido ao levantar o rosto e o fitar. — Não é nada disso que você está pensando. Mas eu não sei como dizer.
— Filho, ajuda o seu pai e anda logo, fala o que aconteceu. Ontem você pareceu totalmente transtornado com alguma coisa. Fiquei muito preocupado.
O garoto respirou fundo.
— Vamos, filho, me conte — tentou dar um pouco de coragem.
— Eu beijei um garoto — disparou rapidamente e fechou os olhos, esperando por algo que com certeza não viria, pelo menos não de seu pai.
O Park mais velho ficou parado o olhando depois de ouvir o que foi dito e colocou a torrada em seu lugar.
— E foi o Sehun… e… eu não sei o que está acontecendo, pai…
Abraçou as próprias pernas e se encolheu na cadeira, se sentia totalmente perdido. Tinha um nó na sua garganta e seu coração parecia pesado. Ele estava tão confuso.
O Sr. Park apenas se moveu e abraçou o filho. Nunca que iria rejeitá-lo ou brigar com ele devido a qualquer descoberta que realizasse.
— Chanyeol… tá tudo bem, filho. Acredito que esteja bem confuso agora, e está tudo bem. Sabe que não é forçado a decidir nada, só curta a experiência.
Primeiramente ouviu o que ele tinha dito, mas quando percebeu o peso daquelas palavras olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas.
— Você não está decepcionado comigo? — inquiriu com um pouco de dificuldade.
— Chanyeol, por que eu estaria decepcionado com você?
— Porque provavelmente eu goste de garotas e garotos.
— Ai eu não seria seu pai e sim um louco. Você tem que experimentar coisas, claro, com cuidado. Mas você é meu filho, Chanyeol, você tem passe livre para ser quem você quiser. Eu te amo independente de qualquer coisa.
Aquelas palavras tocaram Chanyeol em cheio, ele não precisava ter medo do que sentia, estava aliviado pelo apoio do seu pai, mas não era a única coisa que angustiava o seu coração. Ainda tinha Sehun e ele não queria vê-lo tão cedo.
As horas passaram extremamente devagar durante o dia.
Como não tinha ido para o Surf, ele se sentia muito entediado. Chegou a ligar a tv por diversas vezes procurando algo que chamasse a sua atenção, mas nada o prendia, nada o tirava daquela imersão de pensamentos.
Foi para o gameboy e nada.
Foi atrás de livros e nada.
Tentou cozinhar e apenas sobrou uma massa inteiramente queimada e a cozinha cheirando a fumaça.
No fim se jogou no sofá e fechou os olhos. Logo veio a lembrança, o cheiro da maré, o barulho das águas se chocando nas pedras… estava sentindo falta da praia, do surf.
De Sehun.
Balançou a cabeça ao ver várias cenas do dia anterior em sua cabeça. Resolveu ir dormir, talvez o ajudasse com todo aquele tédio e pensamentos voltados ao Oh.
≋
Acordou horas mais com certa dificuldade em enxergar, primeiro que estava muito escuro e segundo que estava sem óculos. Caçou a armação por ali e colocou no rosto, logo ouviu o toque da campainha tocar. Se levantou sem medos ou receios e abriu a porta antes de verificar quem estava dando o ar da graça em sua casa naquele momento da noite.
— Oi…
Assustou-se totalmente ao ver Oh Sehun parado na frente da sua porta. Não esperava por aquilo.
— É… Oi — respondeu totalmente sem graça e abaixando levemente o rosto.
— Como você está? Eu fiquei preocupado… você saiu daquele jeito…
— Eu acho que estou bem.
Depois da resposta de Chanyeol, um silêncio ensurdecedor se instalou por minutos que pareciam uma eternidade.
— A gente pode conversar? — perguntou o garoto.
— Acho que sim — a resposta veio sem muita certeza.
— Vem comigo.
Chanyeol até pensou em desistir e dizer que não queria, mas era mais forte que ele, então o seguiu. Ele estava confuso, precisava de respostas e de perguntas, acima de tudo, precisava estar com Sehun.
Tudo que sabia era que precisava.
O caminho que seguiram era em direção a praia que tinha por perto. Uma praia pouco habitada devido a grande quantidade de pedras que tinha, deixando uma curta faixa de areia para ser aproveitada.
Desceram com cuidado, Sehun cuidadoso sempre segurando a mão do Chanyeol enquanto se equilibrava para não cair. As ondas por sua vez batiam com força, fazendo a água espirrar por todos os lados possíveis ao se quebrarem ali.
Se acomodaram em um lugar mais confortável, um ao lado do outro, olhando para o horizonte. O silêncio ainda era dominante.
— Chanyeol…
O garoto Park estava imerso em pensamentos, principalmente depois da conversa que teve mais cedo com o seu pai. O som do mar acalma a inquietude do seu coração.
— Chan…
Ouviu o seu nome ser chamado e acabou virando o rosto para dar atenção a ele.
E mesmo no escuro, Sehun ainda era brilhante, tanto quanto a água do mar quando é agraciada pelo sol.
— Então… ?
Conseguia sentir o nervosismo do garoto em sua frente. As mãos estavam sendo apertadas e os pés com sandálias cutucando um pequeno lago de água salgada, chegando a incomodar os pequeninos peixes que tinham ali.
— Eu não sei por onde começar…
— Pelo começo — disse Chanyeol sendo direto pela primeira vez na vida ao empurrar a armação em direção ao rosto. — Quando tudo isso começou? Quando nós começamos?
Sehun o olhou e um vento se chocou contra o rosto do garoto, fazendo seus cabelos balançarem sobre o rosto, até cobrindo o seu olhar.
— Eu não sei dizer… — o Oh começou, ergueu a mão até seu rosto, tirando os fios rebeldes de frente aos seus olhos. — Acho que foi em momentos como esse.
Como assim momentos como esse?
— O que mais me chamou atenção foi a forma como você olha o mar, Chan.
Chanyeol balançou a cabeça, riu baixo.
— É como se você sentisse tudo que o mar quer dizer pra você, até balança a cabeça confirmando sabia? — Sehon confessou, havia sinceridade em cada palavra que saía da sua boca. Chanyeol riu e virou em direção às ondas fortes. — Eu achei que ninguém sentiria o mesmo, além de mim…
Park sentiu o peso daquelas palavras.
Sabia o quanto Sehun amava incondicionalmente estar naquele ambiente, sentir a areia, apreciar a brisa salobra, submergir nas águas cristalinas da praia de onde vivia. Por um momento encontrou uma forma de abraçar os joelhos e olhar para ele após deitar o rosto sobre os joelhos flexionados.
Os olhos esverdeados do garoto sempre chamavam a atenção do Park. Porque além de nunca ter visto um coreano com uma cor de olhos extremamente específicos, era como se todo o conjunto dos gostos e o físico combinasse com toda a sua vivência. Ele nasceu pra viver ali, estar ali.
— E então? O que faremos? — perguntou o nosso pequeno-grande Park depois de longos minutos apenas observando a face repleta de pintinhas.
— Não sei… Você vai amanhã pro Surf? — perguntou ele, fazendo a mesma coisa que o Park. Abraçar os joelhos e deitar o rosto nos joelhos.
— Eu vou e eu acho bom voltar pra casa agora. Senão seremos engolidos pelo mar.
Ficou ainda olhando para ele, pensando no que realmente iria acontecer dali pra frente, mas pelo menos estavam acertados, certo? E o que sentia era recíproco. Talvez esse fosse o sentimento do garoto de apenas quatorze anos e não sabia o que aconteceria dali pra frente.
Tudo que sabia era que no dia seguinte ainda estariam juntos em mais uma aula de surf e isso era o bastante por enquanto. Poderia aprender sobre seus sentimentos com calma, com a mesma calma que aprendia a desbravar as ondas das quais tinha tanto medo. Tudo com Sehun.
maresia
— E no dia seguinte a minha mãe estava em Jeju para me levar de volta. — Soluçou e apoiou o copo de vidro sobre o balcão velho de madeira, o barman fingia dar atenção para conseguir vender mais bebidas. — Nem consegui me despedir dele… O pior é que sinto como se estivesse ficando louco porque acabei de ver um cara muito parecido com ele perto do meu prédio… eu nunca vou conseguir superar ele?
As luzes coloridas traspassaram o seu corpo e tudo que tinha naquele cubículo. A prateleira repleta de copos e taças rebateu aquelas luzes, devolvendo para a pista de dança, local esse que nosso grande Chanyeol tinha saído a pouco mais de uma hora e meia.
Agora com vinte e cinco anos tinha a vida que todo jovem gostaria de ter.
Tinha se formado como Designer Gráfico e trabalhava para uma empresa de marketing em modelo home office. Com o passar dos meses conheceu seus três melhores amigos e conseguiu seguir sua vida. Mas não se sentia completo.
Parecia que havia faltado algo.
E esse algo havia ficado em Jeju.
Quando sua mãe apareceu para buscá-lo, Chanyeol não conseguia pensar direito. Voltar tão cedo para Seul não estava nos seus planos, tudo havia sido rápido demais. Sua mãe chegou à noite e partiriam logo ao amanhecer, o garoto não queria ir, disse que tinha aulas de surf e sua mãe achou bobagem e não houve protesto de seu pai que a convencesse a deixá-lo ficar por pelo menos mais um dia. Eles precisavam ir embora.
Amanheceu e Chanyeol foi embora.
Sehun o esperava ansioso para mais uma aula de surf e de descoberta de seus sentimentos.
Nunca mais se viram.
Sehun perguntava para o senhor Park e “ele está bem” era a única coisa que ouvia. Com o tempo, Sehun parou de perguntar. E tudo que se lembrava era da última coisa que ouvira do garoto “Senão seremos engolidos pelo mar”.
De fato. Os sentimentos deles, mais puro e genuíno, haviam sido engolidos pelo mar.
Para sempre.
≋
O barman pediu um táxi para Chanyeol assim que ele desmaiou no balcão, já havia atingido o limite de bebidas naquela noite. Como ele era um cliente assíduo do lugar, sabia onde ele morava e chamou um motorista que fosse confiável para levá-lo em casa em segurança.
O Park acordou pouco antes do táxi chegar e tudo que bebeu até estar em casa foi água, precisava se hidratar. Foi deixado na portaria do prédio e se lembrou do acontecimento de mais cedo, de quando viu, mesmo que longe, um homem entrar no condomínio e trazer a ele a lembrança do seu amor de verão e intenso como as águas do oceano. Definitivamente, o responsável por ele se encontrar alcoolizado naquele momento.
Deu de ombros e subiu, era melhor esquecer aquilo. Era melhor esquecer todos seus sentimentos. Ele era só um adolescente idiota na época.
Ao entrar no seu apartamento, foi tirando a roupa e deixando-a pelo caminho, estava cansado, já passava das duas da manhã, mas não conseguia dormir sem tomar ao menos uma ducha. Ele precisava.
— Eu preciso parar de beber. Você já é um homem adulto, Park Chanyeol, esqueça essas besteiras do passado.
Prometeu a si mesmo que não tornaria a ter esses sentimentos novamente.
Quando chegou no banheiro estava somente de cueca e então paralisou.
Ele estava bêbado. Estava muito bêbado. Mas sabia reconhecer uma barata quando via uma. E tinha uma barata colossal no box do seu banheiro.
Chanyeol tinha medo de baratas e ver uma intrusa no seu banheiro fez qualquer resquício de álcool ir embora do seu corpo quase imediatamente. Talvez o álcool foi o combustível exato para desencadear o seu medo.
Não moveu mais nenhum músculo para dentro do banheiro, deu meia volta e foi até a área de serviço para buscar o inseticida, sempre olhando para trás, só queria se certificar que não estava sendo seguido. Procurou e procurou, mas não achou nada.
Aquela barata precisava ser eliminada, caso contrário, ele não iria dormir.
Sem o inseticida, o designer tinha duas opções: ou ele mesmo matava, ou chamava alguém para matar mesmo que fosse tarde da noite.
Ele preferia morrer do que considerar lutar contra o inseto.
Buscou sua camiseta no chão e saiu do apartamento, não conhecia nenhum vizinho graças a sua timidez, mas ela seria a última coisa que o atrapalharia para se livrar do inseto asqueroso. Tocou a campainha do primeiro apartamento, mas ninguém atendeu, provavelmente estava vazio, o segundo também, na terceira tentativa, suplicou para que tivesse alguém ali, caso contrário, iria pegar suas coisas, iria para um hotel e deixaria o apartamento para a barata.
Mas felizmente não foi necessário.
O inquilino abriu a porta. Surpreso por ser acordado aquela hora da manhã.
Ainda mais surpreso por ser quem era.
— Chanyeol?
— Sehun… oh…
Sehun precisou piscar algumas vezes para se certificar de que não estava sonhando.
Sim, ele havia sonhado com o Park pelo menos uma centena de vezes.
— Meu deus… — A surpresa era mais que evidente. Para ambos. — O que você… nós não nos vemos tem mais de dez anos.
Chanyeol estava tão surpreso quanto. Seu coração disparou e era como se ele fosse sair pela boca. Eram os sentimentos de adolescentes.
Os sentimentos que haviam sido engolidos pelo mar. Ou não.
— Eu moro ali. — Apontou com o polegar sem tirar os olhos de Sehun, não queria perdê-lo de vista. — Eu…
Então o homem não estava de fato errado, quem ele havia visto de fato era Sehun e agora eram vizinhos. A Coréia era mesmo minúscula. O homem pelo qual havia bebido a noite toda estava logo ali, sendo seu vizinho de porta.
— Mas o que está fazendo aqui? E há essa hora… está tarde…
Ah. A barata.
O agora grande-não-tão-pequeno Park se lembrou porque estava batendo de porta em porta há segundos atrás. Era algo de suma importância.
— Ah. — Seu rosto corou e ele sentiu vergonha. — Tem uma barata gigante no meu banheiro e preciso que você a mate para mim.
Sehun riu. Soltou uma gargalhada sincera.
Um homem daquele tamanho tinha medo de barata.
— Não ria, ela é enorme e provavelmente tem um milhão de doenças — era a sua justificativa para ter medo.
O outro cruzou os braços ao se encostar no batente da porta. Contendo mais um riso.
— O Park Chanyeol que conheci era mais corajoso que isso, o que Seul fez com você?
Ele suspirou.
— Vai me ajudar ou não? — perguntou, impaciente.
O surfista provocou mais um pouco e acabou aceitando e seguiu o Park para seu apartamento.
A barata não era tão grande assim, na verdade, era uma barata adolescente e inofensiva, mas virou um cadáver com somente um golpe. Chanyeol fez Sehun matar e jogar a barata no vaso, ele se recusava a estar no mesmo ambiente que o inseto mesmo que ele estivesse morto.
E suas reações de medo faziam o outro gargalhar, não conheceu esse lado do outro quando se conheceram anos atrás. Sorriu fraco por mais uma lembrança do passado surgir em seus pensamentos quando seus olhos encontraram os de Park. Ele ainda fazia o seu coração disparar.
— Ok, seu banheiro está seguro, não há nenhum sinal de que passou algum inseto por lá — o Oh assegurou o outro que estava na sala, bem distante daquele cômodo.
— Tem certeza?
Sehun assentiu.
— Olhei em tudo, não tem mais baratas por aqui.
O suspirou de alívio veio em alto e bom som.
E então veio o silêncio.
Com um grande elefante branco. Eles se encaravam, constrangidos, com muito e com nada a dizer.
— Se é só isso, eu vou voltar para o meu apartamento — Sehun anunciou, seguindo em direção a porta.
Chanyeol hesitou uma, duas vezes.
Ele hesitou demais.
Mas tinha coisas que estavam há uma década guardadas. Eram seus sentimentos. Mas…
— Eu senti sua falta, Sehun. Me desculpe por não ter me despedido.
Sehun sorriu, voltando a olhar para o Park.
— Não se preocupe, não foi culpa sua. Seu pai tinha me contado que você precisou ir embora correndo. — De fato, o surfista não culpava ou sentia alguma mágoa do homem. Não havia culpa dele. — E se você tivesse ido se despedir, não sei se deixaria você voltar para Seul.
— Bem, eu realmente queria ficar — confessou baixo, como um segredo. E novamente o silêncio estava presente. Como se os dois esperassem que o outro tomasse iniciativa de algo, fizesse algo relevante. — Quer tomar um café comigo qualquer dia desses?
A pergunta casual, veio com uma resposta casual:
— Sim. Boa noite, Park Chanyeol.
sob a luz do luar
Chanyeol estava inquieto mesmo depois de uma noite de bebedeira, mesmo depois de um banho quente. Também pudera, havia encontrado seu primeiro amor. Embora Sulli fosse o seu primeiro beijo, ela não foi o seu primeiro amor. Foi Sehun. E por ironia do destino, agora ele era seu vizinho, estava literalmente há metros de distância de si. Estiveram tão longe e agora estavam tão perto.
Um turbilhão de sentimentos assolavam seu peito e seus pensamentos, sobre o que ele sentia sobre Sehun, mas também dúvidas se Sehun ainda sentia algo por ele.
Mesmo quando mais novos, nunca conseguiu desvendar bem os sentimentos do outro, ele não dava muitos sinais, isso sem contar que o tempo que Chanyeol passava olhando para Sehun, ele estava perdido em cada detalhe do garoto.
A campainha tocou e por dois segundos ele ficou totalmente atordoado, eram quase três da manhã e qual louco — além dele — ia perturbar alguém nesse horário?
Ele não demorou a abrir a porta e quem estava lá fez o seu coração disparar.
Era Sehun.
Sehun e uma garrafa de vinho.
— Eu sei que o combinado era um café, mas depois desse reencontro, eu não vou conseguir dormir tão cedo e acredito que você também não. Quer dividir uma garrafa de vinho comigo?
Chanyeol assentiu e apenas deu espaço para que ele entrasse.
Sehun abriu a garrafa enquanto Chanyeol pegava as taças.
Sentados um na frente do outro, no mesmo sofá, joelhos encostados e olhares conectados.
Eles tinham muito o que conversar, muita coisa para colocar em dia. Eram mais de dez anos de mudanças. Eram novas pessoas, com novos pensamentos, novos gostos.
Entre uma taça e outra, risadas e brincadeiras.
Eram novas pessoas, mas alguns sentimentos eram os mesmos.
Park pegou a garrafa para encher a taça de Oh mais uma vez. Mas ele recusou.
— Eu estava bêbado demais quando te beijei pela primeira vez que mal lembro dele. Não quero cometer esse mesmo erro.
Os sentimentos eram os mesmos, eles eram os mesmos. Agora adultos, agora se entendiam.
Um.
Dois.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Seis segundos de silêncio foram o bastante para fazê-lo ter certeza do que queria.
O Park foi para o colo de Oh e esse tomou o último gole que havia na sua taça antes de deixar a mesma em cima da mesa ao lado do sofá para que as mãos ficassem livres. Queria e tocaria o homem o quanto quisesse.
Chanyeol encarou o outro à sua frente por alguns segundos e sorriu, segurando o seu rosto ao se aproximar e unir os lábios, deslizando a língua por eles como um pedido de um beijo. Beijo que imediatamente foi cedido. Com calma, com necessidade, com um desejo que havia sido guardado por uma década. Eles precisavam um do outro.
As mãos de Sehun correram pelas coxas e nádegas fartas, apertando com força, puxando-o ainda mais para si e com um encaixe perfeito. Ele se levantou, levando Chanyeol no seu colo até o quarto, procurando-o pelo apartamento, era definitivamente um cômodo melhor para se devorarem.
A única coisa que iluminava o quarto era a luz da lua que atravessava a janela, mas era o bastante. Eles conseguiam ver, se admirarem e ver o desejo estampado em suas faces. Era um desejo único, puro, como a primeira vez de um casal apaixonado. Bem, e era.
— Eu preciso confessar que sonhei com isso pelo menos um milhão de vezes, Sehun — Chanyeol disse baixo, ao pé do ouvido do outro enquanto tinha seu pescoço beijado, mordido, marcado.
— Mesmo quando éramos adolescentes? — a pergunta veio entre os selares na pele alheia, finalmente pôde beijar as pintinhas que haviam li.
— Principalmente quando éramos adolescentes.
A aquela altura já estavam nús.
As pernas de Chanyeol estavam envoltas na cintura de Sehun e ele movia o seu quadril em uma provocação nada sutil, como um teste de resistência a Oh que estava completamente duro. Os dedos do maior desceram por entre as nádegas alheias, indo de encontro a sua entrada, tocando brevemente, notou um sobressalto e um riso safado surgiu no seu rosto ao notar o quão sensível ele era.
O penetrou com um, depois dois dedos, queria prepará-lo ao menos um pouco por mais que quisesse estar dentro dele desde o minuto que o viu parado na sua porta.
— N-Não… S-Sehun… — Sehun estremeceu com os dedos dentro de si, a cada segundo mais sensível, mas necessitado. — Não precisa fazer mais isso… eu só quero te sentir dentro de mim logo. — Os olhares se encontraram mais uma vez. — Por favor…
O Oh assentiu, mas em uma última provocação, em resposta as reboladas que o deixaram duro e completamente melado com o pré-gozo, ele meteu os dois dedos de uma só vez, fundo e sem cuidado nenhum, tocando o ponto mais sensível de Park, que só conseguiu arfar, se agarrar em seu braço e marcar sua pele com as unhas. Ele estava tão excitado que poderia gozar só com aquilo.
O designer estava logo abaixo de Sehun. Sentir o homem o penetrar, fez com que revisasse os olhos de prazer, o Oh não perdeu nenhum segundo daquele momento, precisava gravar a expressão de prazer na face de Park ao finalmente tê-lo dentro de si. E lá estava de novo aquele mesmo sorriso safado no rosto do maior.
Os olhares se encontraram mais uma vez, o pau de Sehun estava todo dentro de Chanyeol, sua boca estava entreaberta. Ele sentia dor. Seus olhos marejaram. O Oh começou a se mover devagar, saindo quase por completo e penetrando de uma só vez. Ele sentiu prazer. As lágrimas rolaram pelo canto dos seus olhos.
Aqueles sons inaudíveis que saíam da sua boca se tornavam gemidos a cada vez que o ritmo aumentava. Mais forte. Mais fundo. Mais rápido. Chanyeol que no começo havia se preocupado em gemer alto demais, aquela altura já não se importava com mais nada. Estava sendo devorado pelas mordidas, marcado com tapas e fodido com força. Tudo que ele queria era mais e pedia por isso sem vergonha alguma, e o Oh cedia as posições.
Embora aquele sexo tenha começado puro e quase uma primera vez adolescente, o desejo de adultos se tornou presente antes mesmo do primeiro orgasmo. A necessidade um do outro era física, carnal, cheia de luxúria.
O primeiro orgasmo de Sehun foi dentro de Chanyeol, e esse gozou antes, quando ainda estava sendo fodido. Depois foi em seu rosto, peito, costas. Uma bagunça, uma noite longa cheia de prazer — só não foi o bastante. Tomaram banho juntos e Sehun fez questão de fazer sexo oral ali mesmo, Sehun estava duro e ele não deixaria passar a oportunidade.
Estava amanhecendo quando decidiram descansar, juntos, na mesma cama e abraçados. Estavam exaustos, mas não queriam desgrudar um do outro.
Era como se nunca tivessem se separado. Eles tinham certeza disso.
— O que vamos fazer agora? — Chanyeol perguntou baixo, com os olhos pesados e quase caindo no sono.
— Estou indo para Jeju esse fim de semana, quer ir comigo?
— Vamos voltar juntos?
— Sim, vamos voltar juntos — prometeu.
