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Os ponteiros do relógio correm sem qualquer pressa presos à parede, em total contraste com o homem que se olha no espelho pela décima vez nos últimos dez minutos. Seus cabelos negros, e levemente longos, caem milimetricamente bagunçados em torno do seu rosto fino; seus olhos estrategicamente maquiados para maximizar seu olhar felino e intenso. A cor avermelhada em seus lábios grossos é infinitamente capaz de levar homens e mulheres à loucura e é exatamente isso que o faz sorrir ao ver novamente seu próprio reflexo.
Ao final da noite ele sabe que estará uma completa bagunça, com direito a sua pele brilhando em suor e seu batom espalhado pelos lábios e corpo de outro alguém. Mas, neste momento, isso não importa. Nesse momento a imagem no espelho é o que lhe dá confiança de que, quando tiver bagunçado toda a sua aparência cuidadosamente planejada, será após gemer alto e satisfeito ao sentir seu corpo ser devastado por puro prazer.
Exatamente por isso seu coração pulsa em ansiedade ao ouvir o som da conhecida buzina, deixando claro que o outro havia chegado. Com seu celular e carteira em mãos, o tailandês saí apressado pela porta, sem se dar ao trabalho de explicar aonde vai ou que horas volta. Afinal, os colegas que vivem consigo na república sabem bem que quando um dos sete objetos de assombro e admiração da cidade saem ao cair da noite, apenas ao raiar do dia irão vê-los novamente dentro de suas casas. Com suas marcas pela pele, seus lábios inchados, seus sorrisos sacanas e a aura que todos odeiam invejar.
Toda noite o sal na pele do fim do verão
E os melhores da cidade em sua melhor versão
Encontram seu destino num carpete azul no chão
— Você está sozinho hoje. – Não era uma pergunta, tampouco uma acusação, apesar da sobrancelha levantada que o moreno mantém ao entrar no carro e automaticamente se sentir confortável sobre o banco de couro.
— Eles disseram que estariam ocupados. Por hoje você vai precisar se contentar apenas comigo, Bammie. – O mais novo responde com um sorriso sacana ao final da frase, deixando claro que esse é um desafio ao qual está ansioso para enfrentar. Porém, não passa despercebido ao mais velho que ao olhar para a estrada ele parece mais sério que o comum.
— Bem, pelo menos eu sei que seus dons são o bastante para me entreter, Kim. – O sarcasmo em sua voz é perceptível, mas o sorriso carregado de desejo não esconde o fato de que a verdade é que a presença do mais novo é realmente mais que o bastante para o satisfazer. Talvez fosse até mesmo perfeita para essa noite.
Amontoados no meu carro caro por vaidade
A cidade fala mal querendo fazer parte
Que culpa a gente tem de ser bonito e ter pouca idade?
Ver as ruas da pequena e pacata cidade passarem pela janela não é algo novo, mas ainda assim o tailandês se permite aproveitar da visão. O rock clássico toca baixinho no rádio, e ele sabe que não precisam mais do que isso para ocupar o espaço entre eles. Palavras nunca foram um problema, mas o silêncio os conforta tanto quanto. E, quando nenhum dos dois parece o suficiente, então os sons de seus corpos se chocando e entrelaçando-se um ao outro era exatamente o que os dava maior prazer, e isso ele tem consciência de que não demoraria a acontecer.
O trajeto é razoavelmente curto, e ao final da segunda música o mais velho sente o carro parar no estacionamento já tão conhecido. Eles descem do carro sem nenhuma palavra ser dita, o mais novo ali brincando com suas chaves enquanto caminha um passo atrás do outro. Seus olhos permanecem fixos nas costas alheias, sua expressão séria contrastando com a divertida e sacana que sempre carrega. Entretanto, sempre que seus olhares se cruzam, Kim Yugyeom faz questão de esconder tal seriedade por trás do sorriso doce que é sempre eficaz em enganar a muitos sobre a pureza de seus pensamentos e corpo.
A recepcionista do hotel com pior fama da cidade não se surpreende ao ver seus costumeiros clientes entrarem pela porta, mas levanta uma sobrancelha ao notar que são apenas dois naquela noite. Sua expressão de curiosidade é respondida apenas com um sorriso charmoso do tailandês, que lhe passa o cartão para efetuar o pagamento sem nem mesmo especificar qual quarto deseja. Todos sabem qual será o destino daquela noite, o roteiro já bem consolidado pelos jovens, que mesmo com os diferentes caminhos sempre acabam no mesmo local.
Quando os trâmites necessários são feitos, a chave é entregue ao moreno mais baixo, que não perde tempo, indo diretamente ao elevador sem se preocupar em garantir que está sendo seguido.
No elevador
Sem jeito e sem medo
Sete bocas com sete segredos
No quarto sete do Hotel San Diego
Já dentro da caixa de metal o ar em torno deles parece se tornar mais pesado, um clima ligeiramente diferente do usual se instalando, apesar de tentarem fingir normalidade. Os olhares parecem travar uma dança de esquivas, em busca de conhecimento e ao mesmo tempo fuga do que podem perceber um no outro. Ao ouvir o clique indicando que a porta havia sido aberta, Yugyeom é o primeiro a sair, caminhando com as mãos nos bolsos da jaqueta que usa e parando ao lado da porta. Pela primeira vez desde que deixaram o carro ele olha diretamente para Bambam, de maneira intensa e quase agressiva, fazendo com que o outro perca o ar.
A chave é levada a fechadura de maneira mecânica, os olhares ainda fixos, até que o tailandês empurra a porta e então tudo se torna a mais pura confusão. Nenhum dos dois sabe realmente quem deu o passo que faltava para seus corpos se unirem, mas tampouco se importam em descobrir. Quando dão por si estão tombando para dentro do quarto, a perna do Kim empurrando a porta para que se feche enquanto suas mãos vão direto à cintura de Bambam. As línguas se tocam antes mesmo que os corpos caiam sobre a cama, o gosto de cada um despertando no outro uma necessidade que jamais se esgota realmente.
O tailandês caí deitado, enquanto o coreano se mantém ajoelhado entre suas pernas. O olhar dele parece ver além das roupas que Bambam usa, vislumbrando por baixo delas o corpo que conhece tão bem. Suas mãos iniciam um caminho conhecido pelas pernas do outro, sem pressa enquanto segue em direção as suas coxas e então continuando até chegar novamente em sua cintura. Seu tronco se inclinando sobre o corpo alheio, seus olhos agora fixos nos lábios grossos e seu olhar demonstrando puro desejo de tê-los novamente nos dele. De tê-los caminhando pelo seu corpo lhe dando prazer ou então entreabertos deixando escapar gritos e suspiros de prazer.
Bambam parece perder a paciência depois de algum tempo, puxando o outro até que seus lábios voltem a se tocar. Suas pernas se fecham em torno do corpo alheio, fazendo com que os dois suspirem em desagrado por sentirem tantas peças separarem suas peles do toque direto. A insatisfação se demonstra na agressividade colocada no beijo que trocam, que não demora em misturar a si mordidas que exploram a pele do tailandês, enquanto as unhas do mesmo marcam a nuca do coreano.
Mãos passam a explorar por baixo das camisetas, a jaqueta sendo arrancada de forma apressada, assim como os sapatos de ambos. O Kim volta a se ajoelhar sobre a cama, retirando a última peça da parte superior do seu corpo e aproveitando do momento para vislumbrar a pele do outro já avermelhada. As marcas em seu pescoço, que no dia seguinte com toda certeza chamariam atenção pelos corredores da faculdade, os lábios inchados após os beijos lascivos trocados. O mais baixo gosta do olhar que recebe, do desejo que transborda nos olhos que o devoram. Seu sorriso de canto é desmanchado quando sua língua passa pelo seu lábio inferior, desejando passar por outro lugar, por outra pele. Ele se coloca sentado sobre a cama, segurando a cintura alheia enquanto leva sua boca a pele tão clara e diferente da sua, apenas começando a satisfazer seu desejo pelo gosto que tanto desperta sua loucura.
Pele na boca, vocês fazem bem
Rindo sem roupa e sem amar ninguém
Ah ah ah
No escuro eu te vejo tão bem
O tailandês acaba por empurrar o Kim sobre a cama, fazendo com que o mais alto se deite da mesma forma com que o mais baixo estava antes. Tomando o controle da situação, ele passa a explorar o corpo alheio com suas mãos, boca a língua, o despindo sem pressa. Bambam vê como Yugyeom fecha seus dedos no lençol ao sentir seu membro ser engolido, sentindo sua própria excitação aumentar ao ouvir a doce voz chamar seu nome enquanto o corpo alheio se contorce abaixo de si. Não há pressa em seus movimentos, nem mesmo ao sentir seu corpo implorar para sentir mais do que apenas esse estímulo. O jovem leva seu próprio tempo o sentindo, o tocando, o explorando e o fazendo gemer mais e mais alto.
Ao ter seus fios puxados com força, Bambam acaba cedendo aos pedidos do outro, afastando seus lábios do corpo alheio com uma expressão de tristeza. Durante o tempo que o mais alto leva para se recuperar o tailandês volta a se abaixar até a pele tão clara que adora marcar, dessa vez distribuindo beijos doces e calmos, trilhando seu caminho até o rosto agora totalmente vermelho do companheiro, sorrindo ao sentir a respiração dele já mais calma. Ao ver os olhos escuros se abrirem acaba sorrindo de forma sacana, se sentando sobre o colo alheio e alargando ainda mais o sorriso ao sentir mãos apertarem sua cintura com força.
Cada um libera aqui as dores que estão presas
A loucura cai melhor ao corpo que a cabeça
Eu já nem lembro de você olhando pra essa luz vermelha
Não leva muito tempo para que Bambam sinta seu corpo ser jogado contra o colchão, para logo em seguida sentir um corpo maior que o seu ser prensado contra si enquanto seus lábios são devorados com certo desespero. Ali ele sente que será sua vez de ser tocado, explorado e levado à loucura. Algo que se concretiza ao se deixar ser totalmente dominado, sentindo a bagunça que tanto ansiou o alcançar quando finalmente um corpo se encaixa no seu e investe contra si com força. Sua voz chama pelo nome do homem que está consigo, alta, manhosa e necessitada, suas mãos procurando as costas alheias em uma tentativa de descontar parte das sensações que passam por si nas marcas que deixa na pele clara.
Suor, saliva e olhares são trocados, vozes formando um doce e erótico dueto que perdura por horas dentro daquele quarto. Os corpos conhecidos se acalmam e voltam a se excitar pelas vezes necessárias até que ambos finalmente se cansem e caiam exaustos sobre o colchão. Os olhares então se cruzam novamente, um olhar cúmplice sendo compartilhado. Dois corações batendo acelerados à medida que palavras e sentimentos não ditos parecem querer transbordar em seus peitos, mas nada escapa por seus lábios.
Porque ao final eles sabem que nada poderá ser dito. Porque eles sabem que existem diversos segredos compartilhados entre sete bocas e corpos, mas no fundo também sabem que alguns permanecem entre apenas dois. E eles sabem que os conhecem, mas ainda não estão prontos para dizê-los. Então apenas adormecem no quarto escuro e familiar, envoltos no cheiro que os remetem a segurança e ao perigo na mesma medida.
Eu te vejo tão bem
No escuro eu te vejo tão bem
No escuro eu te vejo no Hotel San Diego (eu te vejo tão bem)
