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“O quê?” Neuvillette pisca confuso.
“Disse que quero que sente na minha cara.” Wriothesley repete com a maior tranquilidade do mundo, dando outro gole no chá que eles compartilhavam.
Era isso que era para ser: uma tarde tranquila. Neuvillette tinha uma pilha de papéis para resolver, Wriothesley resolveria suas obrigações também - já que até mesmo em silêncio, eles encontravam paz na companhia um do outro. Toques no rosto surgiam quando um dos dois parecia preocupado demais; uma mão tranquilizante na coxa quando ela começava a batucar apressada e ansiosamente no chão. Eles estavam ali, um pelo outro.
Por isso a surpresa.
Não que eles não tivessem feito coisas assim anteriormente. Não eram poucas as vezes em que um dos dois se esgueirava no meio da noite. Da última vez, tinha sido Neuvillette. Ele deu dois toques na porta do outro homem e não esperou muito para beijá-lo, sendo recebido com um sorriso e logo em seguida, sem muita demora, orgasmos contínuos. Orgasmos que só Wriothesley poderia arrancar dele com tanta facilidade.
Neuvillette põe a xícara sobre o pires, tossindo nervoso. Seu rosto vermelho contradizendo as imagens que surgiram de imediato em sua cabeça, acompanhando a vibração em seu estômago, o fazendo se ajeitar na cadeira, com as pernas próximas. Com uma olhada rápida, Wrio consegue ver como elas sutilmente se esfregam uma na outra.
O sorriso de Wriothesley aumenta, mas ele busca agir com normalidade, sem pressão. Ele não faria nada que não fosse do agrado de Neuvillette.
“E então? Nós não precisamos fazer se não quiser, sabe disso. Foi apenas uma sugestão-”
“Eu quero.” ele o interrompe, seus olhos presos aos do outro, a respiração tomando um rumo mais desordenado.
Wriothesley estende a mão na direção de Neuvillette.
“Então, venha.” e apesar da vermelhidão incendiando suas bochechas, ele aceita prontamente.
Os próximos segundos são o suficiente para substituir o significado da vermelhidão no rosto de Neuvillette. Anteriormente vergonha, agora excitação. Tudo isso no exato momento em que as mãos de Wriothesley caminham até sua cintura e a seguram com possessividade, o fazendo se mover em seu colo. Os quadris tremendo, o som de uma respiração pesada escapando de ambos os lábios.
Wriothesley guia a boca até o pescoço do homem em seu colo, os dentes segurando a pele, arrancando um gemido mais alto. Neuvillette põe as mãos nos fios escuros e puxa, do jeito que Wriothesley gosta, e ele confirma isso quando o escuta gemer rouco, os dentes escapando de sua pele.
Neuvillette se mexe ansioso, o pau de Wriothesley pulsa a cada rebolar e o dragão sente sua boca salivar ao descer a mão para dentro da calça alheia. Os dedos ao redor de seu pau, a palma esfregando tortuosamente.
“Neuvi… Eu quero te chupar.”
O dragão sorri, o deitando na cama. Suas vestes caem no chão e somente sua camisa se mantém, aberta. As cicatrizes abaixo dos seios dão um destaque encantador em Neuvillette, fazendo Wriothesley se apaixonar mais e mais.
Quando Neuvillette se senta acima de sua cintura, os dedos do seu amado caminham sobre as marcas, admirando, porque aquele homem é o ser mais divino que Wriothesley já viu e saber que Neuvillette era dele e somente dele, o fazia sorrir orgulhoso.
“Você é… Perfeito.”
“Devia conhecer o meu marido, ele é ainda mais.” Neuvillette sorri, acariciando o rosto do homem que tanto ama e Wriothesley devolve o sorriso, o puxando para um beijo mais calmo, que apenas foi desvencilhado para que Neuvillette pudesse perguntar. “Tem certeza disso?
“Está me perguntando se eu tenho certeza de querer o homem mais lindo do mundo me sufocando com suas coxas? Porra, Neuvillette, eu sonho com isso há muito tempo.”
Um arrepio sobe pela sua coluna, as orelhas pontudas começam a tomar uma coloração mais avermelhada, assim como seu rosto. Ele assente, não respondendo verbalmente, pois a vergonha lhe arranca palavras em momentos como aquele. Não por muito tempo, claro.
Neuvillette arrasta os joelhos pelo colchão e respira fundo antes de sentar no rosto de Wriothesley. O gemido de satisfação que sai do moreno, abafado pela buceta de Neuvillette o faz estremecer. Ele tem que se apoiar na parede quando sente as mãos grossas em suas coxas, o segurando no lugar quando Neuvillette faz menção de se afastar, minimamente inseguro com a posição.
Mas aí a língua alheia se afunda, ele lambe os lábios, chupa seu clitóris e Neuvillette se permite. Se permite colocar peso no corpo, rebolar em sua face.
E deuses, Wriothesley tem certeza que pode morrer feliz com o movimento desesperado dos quadris em sua boca. Ele chupa com devoção, a saliva escorrendo no canto de seus lábios.
Neuvillette afasta as mãos da parede para apertar os cabelos de Wriothesley, como um apoio, devidamente cavalgando nele.
“Deuses. Wrio- Você faz isso tão bem… Tudo em você é divino. Assim-”
Wriothesley sorri. Ele ama quando todo filtro, toda pose de Iudex some, dando lugar àquele homem sensível, que balbucia desconexo só com um oral, que chora quando Wriothesley o fode com seus dedos, que desmorona no pau dele, gemendo manhoso, desesperado por um orgasmo atrás do outro. Ele não admitiria em seu habitual, de maneira alguma, mas Neuvillette é sedento, insaciável, ele adora ser resumido à putinha de Wriothesley, tendo seus sentidos privados, seu corpo à mercê dos desejos do outro. As ordens que ele ama obedecer, os elogios que ele adora receber.
Divino.
As costas de Neuvillette se arqueiam, ele fecha as pernas, sufocando Wriothesley que geme em satisfação. Com uma das mãos ele abandona a cintura e a junta com sua língua. Ele desliza os dedos com facilidade, os tesourando.
“Wriothesley. Wriothesley.” o nome dele na boca do dragão soa quase como uma prece. Que irônico. Um Deus clamando por ele. Desejando seus toques. Tremendo sob seus dedos e língua. Apertando estes quando a vibração em seu ventre surge como uma chama.
Wriothesley arranha os dentes levemente, provocando e isso causa um efeito instantâneo. Neuvillette praticamente quica na língua dele, sua cabeça pesando para trás, a boca aberta deixando gemidos altos escaparem.
Neuvillette será a morte de Wriothesley e ele sabe disso. Ambos sabem. E é por isso que tudo em um implora pelo outro. Incendeia. Explode como as estrelas nos olhos do Monsieur.
Ele afasta os lábios com os dois dedos e o devora. Seu pau ainda coberto implora por qualquer toque, mas cada movimento ansioso, cada vez que Neuvillette simplesmente usa a boca de Wriothesley como um brinquedo, ele tem a certeza de que ele não precisa de toque algum. Dar prazer ao seu homem, deixá-lo trêmulo, o sufocando a cada som molhado da boca em sua buceta, é muito mais do que o suficiente. Ele joga os próprios quadris para cima, sua calça apertada, a frente dela encharcada. O prazer inunda suas veias, ele não percebe quando começa a gemer alto, mas ele percebe quando Neuvillette fode sua boca. Ele percebe muito bem quando o dragão chora de prazer, não contendo um único som. Ele quer que ouçam, ele quer que saibam. Não é segredo para ninguém as coisas que acontecem quando eles dois somem. Mas naquele momento, Neuvillette sente que não pararia de se mover nem se abrissem a porta. Ele geme mais alto com o cenário imaginário.
Wriothesley não pode respirar. E justamente por isso que é perfeito. Era isso que ele queria, a tontura pelo aperto das coxas, o peso acima de si. Ele arranha a coxa de Neuvillette que em mais dois ou três impulsos de quadril, esguicha entre os dedos, enchendo a boca de Wriothesley, que revira os olhos, a poça em sua calça mais proeminente.
Neuvillette se afasta do rosto de Wriothesley e geme afetado quando vê seus lindos olhos cinzas cobertos inteiramente pelo preto de suas pupilas. Ele respira com força, Neuvillette reflete o ato. Eles ficam em silêncio por um tempo, apenas ouvindo o som ofegante um do outro. Os dedos do Iudex acariciam o rosto com a barba por fazer e ele não consegue segurar seu sorriso. Suas pernas ainda tremem, sua buceta está encharcada, sua porra ainda desce no canto dos lábios do Duque, e a luz fraca torna tudo ainda mais hipnotizante.
Eles passam mais alguns minutos assim, se recuperando, organizando sua mente. Wriothesley o olha de cima a baixo, sorrindo apaixonado. A ponta dos dedos vagando pela pele clara, polida, tão diferente da sua, que era repleta de cicatrizes que o deixavam inseguro - até Neuvillette beijá-las com ternura, repetindo veemente que Wriothesley era o ser mais belo existente. Tão belo que chegava a ser injusto.
O polegar esfrega em sua buceta, arrancando Neuvillette dos seus pensamentos ternos, o fazendo gemer alto.
“Wriothesley.” soa como uma bronca e o Duque ri em meio a névoa.
“Você estava tremendo tanto.” ele divaga.
“Você parecia mais animado com isso do que eu.”
“Ter suas coxas apertando minha cabeça e ouvir você gemendo que nem uma puta de fato mexe comigo-” Neuvillette o estapeia sem muita força. “Ei! Eu digo como um elogio. Não precisa de tanta timidez. Além do mais, você não estava tímido minutos atrás.”
“É uma reação natural. Você estava fazendo algo… Algo bom. E eu me senti bem.”
“Você pode dizer que estava com muito tesão, Neuvi.”
“Eu vou te bater novamente.”
“Oh, por favor, eu ia adorar.”
Neuvillette sorri.
“De certa forma, eu estou orgulhoso de mim mesmo. Fiz você gozar sem ao menos te tocar. Não sou só eu o sensível aqui.”
O sorriso de Wriothesley some quando seu rosto fica ainda mais vermelho.
“Viu só? É assim que eu me sinto.”
Wriothesley puxa Neuvillette com cuidado, o tirando de cima de si, colocando-o ao seu lado. As pernas se juntam - as longas e pálidas do Iudex por dentro das do moreno, cobertas por sua calça. Os braços fortes ao redor do corpo do homem que ele ama. Seu sorriso retorna à medida que as unhas pontudas passeiam por sua mandíbula. Neuvillette tem esses momentos silenciosos de contemplação e Wriothesley se sente verdadeiramente amado.
“Você gostou?” Wriothesley pergunta, quase como um ritual após eles tentarem algo novo.
“Você sabe que sim, eu gosto de tudo que você propõe. Você sabe como me atrair.”
“Isso amacia meu ego, obrigado.” eles riem juntos. “Se for assim, acho que você vai adorar minha próxima sugestão.”
