Chapter Text
– Ei Eminha, tudo bem?
August se aproximou de Emma por trás, a assustando sem querer. Recém havia entrado na sala de convivência do laboratório. A loira estava sentada em frente a bancada do café, pensativa até então, com a caneca na mão e o café esfriando.
– Ai… Quer me matar do coração? – Ela se sobressaltou.
Ele era sem dúvida o mais animado – e infantil – da equipe. Emma não tinha família, então sua equipe do laboratório, extremamente unida, era como sua família. E August, o perito mais jovem, claramente era o irmão mais novo – e por vezes irritante – da família.
– Desculpe, não foi a intenção. – Ele se sentou no banco ao lado da sala. – Só fiquei preocupado com você. Primeiro o divórcio, depois a situação com Neal e agora esse caso envolvendo a Regina. Tem certeza que está tudo ok? David não vai reclamar se você se afastar do caso, tenho certeza que ele entenderia.
– Eu agradeço de verdade a preocupação August, mas eu juro que eu estou bem. – Ela sorriu. – E não vou perder as estribeiras com a Regina, eu prometo.
– É o que eu espero. – Ruby chegou na sala, pegando a conversa pela metade, ela vinha com uma pasta na mão. – David pediu para que eu fosse contigo até a casa de Regina, temos que coletar algumas evidências na cena do crime e conversar com ela.
– Deixa que eu vou com você. – Graham também chegava na sala.
Todos estavam realmente preocupados com Emma, depois de saberem do seu divórcio, com Jones, um homem por quem ela era apaixonada há quase quinze anos. O divórcio não havia sido algo fácil para ela, e preferiu guardar o assunto para si por um bom tempo.
Killian Jones, era um renomado cientista forense, que havia sido o supervisor do turno da noite. Era extremamente conhecido e respeitado no laboratório, pode-se dizer que também admirado. Porém há alguns anos havia decidido largar o laboratório, depois disso ele vivia viajando em seu barco, trabalhando em alto mar e o casamento a distância acabou não funcionando. Atualmente, Emma não sabia onde encontrar ele, girando o globo, poderia estar em qualquer área azul do mapa.
Após o divórcio, Emma se envolveu com um homem chamado Neal Cassidy. Porém ele acabou sendo assassinado, e ela quase fora incriminada. Todos seus colegas pensavam que ela havia traído Killian, porém foi quando ela teve que contar a verdade e que não era mais a senhora Jones. Isso não mudou o fato que por longos dias, seus colegas de trabalho, sua família, acreditaram que ela poderia ser uma assassina.
Por ter passado por tudo que passou, sabiam que ficar cara a cara com Regina a podia fazer sentir-se pior, uma vez que todos tinham quase certeza de que Jones e Regina tiveram um caso, ainda que passageiro. Era claro o ciúmes que Emma tinha de Regina, e o clima sempre ficava pesado quando as duas estavam no mesmo ambiente, seja pelo Jones, ou pela personalidade forte das duas que nunca haviam se encaixado.
– Não precisa, eu disse que eu estou bem, e eu vou.
– Emma… – August e Graham disseram quase uníssonos.
– Meninos, coloquem um pouco de fé em mim. Sou adulta e responsável, não vou colocar o caso a perder somente por picuinhas pessoais. Além do mais, Jones não é mais meu marido e ele pode ficar com quem ele quiser, até com ela, se assim quiser. – Por fora até pareceu normal, mas por dentro sentiu uma onda de repulsa onda de repulsa só de imaginar.
– Então? Vamos? – Ruby a chamou.
– Só vou pegar minhas coisas, te encontro no carro.
– Certo.
...
Já estava escurecendo quando chegaram a casa de Regina. Ruby confessou, ainda no trajeto, que, após tantos boatos e fofocas sobre ela, tinha curiosidade de conhecê-la. Emma por outro lado, não falou muita coisa, estava bem séria, o que deixou Ruby até um pouco arrependida de tê-la convidado para ir junto na casa da ex-dominatrix.
Regina Mills, por muito tempo fora conhecida como Lady Queen, uma dominatrix famosa e capaz de deixar muitos homens – literalmente – aos seus pés. Após a morte de sua filha, ela havia deixado a vida de dominadora para trás. Atualmente era uma terapeuta sexual.
Não era fácil se livrar do estigma de Lady Queen.
Ela claramente não gostava da polícia, já havia tido alguns encontros – nada agradáveis – com a equipe do laboratório de perícias, fora assim que conheceu Jones. Entretanto, quando uma dominatrix jovem, que ela havia treinado há alguns anos atrás havia morrido em sua casa, mais precisamente no quarto vermelho de sua masmorra, ela não teve escolha a não ser chamar as autoridades. Ainda que a contragosto.
Por esse motivo, elas claramente não foram recebidas com muita felicidade pela dona da casa. Regina atendeu a porta com uma taça de vinho na mão, pelo visto não esperava ninguém naquele horário. Ruby se apresentou, prontamente, já que Emma dispensava apresentações.
– Sou Ruby do laboratório de criminalística. Nós precisamos do acesso à masmorra, novamente.
– Deixaram passar algo? – Regina disse em um tom levemente provocativo e com muita perspicácia.
– Nós não podemos discutir um caso em aberto. – Emma respondeu seca, não estava para muita conversa.
– Ah, oi Emma. – Regina já havia percebido a presença da perita, mas fingiu desinteresse até então. Nesse momento a olhou dos pés à cabeça, com certo desdém. – Como está Jones?
– Você deve saber melhor do que eu, já que se falam tanto. – Ela ergueu o cenho. – A masmorra, por favor?
Elas seguiram até a masmorra, entrando no quarto vermelho. Ruby havia começado a coleta juntamente a Emma. Regina ficava do lado de fora, antes da faixa que dizia que o local estava restrito. O telefone de Ruby tocou e ela atendeu prontamente.
– Ruby… Hey David… Claro… Eu estava terminando aqui na casa da Regina… Claro… Estou a caminho.
Ruby desligou o telefone em seguida, e se virou para Emma.
– Ei Emma, vou ter que ir, o David precisa de mim no laboratório o quanto antes. A gente pode voltar aqui…
– Pode ir, eu termino por aqui, e depois vou para o lab, não tem problema.
– Você tem certeza? – Ruby não queria falar na frente da ruiva, mas se referia exatamente a ela.
– Até você? Eu já disse que sou adulta.
– Ok, então eu vou lá. Te vejo mais tarde no laboratório.
– Até.
Ruby recolheu seu material e em seguida saiu passando por Regina sem se despedir. A ruiva ficou na mesma posição, ela observava Emma atentamente que seguia buscando algo em específico no quarto.
– Fiquei sabendo do divórico. – Regina quebrou o silêncio.
– Bom, então você está bem atualizada. – Respondeu, tentando não dar importância a provocação.
– Eu acho que ele cometeu um erro. Você parece triste.
Emma, por um momento, pareceu não acreditar no que estava ouvindo. Claramente, Regina queria provocá-la, fazê-la perder as estribeiras. Ela queria provar que ela estava enlouquecendo, que ela não era capaz de diferenciar o pessoal do profissional, e mostrar que todos estavam certos. Mas não estavam. Ela se manteria concentrada em seu trabalho, ainda que tivesse que fingir que Regina não estava ali.
– E ele disse que isso seria o melhor para você, que o casamento não estava mais lhe fazendo bem, a distância também não. – Ela seguiu, mesmo sendo ignorada.
– Ele sempre diz a mesma coisa. – Emma murmurou tão baixo, que foi quase inaudível. Regina apenas pode ouvir um murmúrio, mas sem conseguir discernir o que ela havia falado.
– Eu acho que ele é um idiota.
Emma então parou o que estava fazendo e olhou para Regina. O que ela queria, afinal?
– Não se preocupe, eu já disse isso para ele. – Ela então sorveu um gole do vinho que até então estava intocado na taça.
– O que você quer, afinal?
– Nada. Só estamos conversando, não?
– Você está falando, eu só estou ouvindo. – Emma ainda se concentrava na sua busca, ou pelo menos tentava se concentrar.
– Ei, eu só estou dizendo que… Apesar de tudo, e apesar do amor que eu sei que você sente por ele, ele não merece que você entregue a ele.
Emma respirou então profundamente, e virou-se para Regina, quase explodindo. Manter sua cabeça no lugar era uma guerra.
– O meu amor? – Por fim, ela respondeu.
– Não, o seu poder.
