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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-09-08
Words:
2,073
Chapters:
1/1
Kudos:
8
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1
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62

a vez em que ele ficou

Summary:

O Mestre está muito ocupado tentando explodir coisas, então o Doutor cruza o seu caminho.

Notes:

apenas uma ideia que eu tive em alguma madrugada se tornando real (do seu modo).

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Explodir uma nave-satélite na qual se está a bordo era uma das loucuras que o Mestre provavelmente faria.

Na verdade ele estava se organizando para isso agora.

O presidente de um planeta brilhantemente metálico, localizado no centro galáctico (uma estrutura formidável, de alta performance tecnológica, que porém não se encaixava completamente no conceito popular de “planeta”, embora seus habitantes orgulhosamente insistissem no contrário), estava dando uma festa de aniversário.

Havia tortinhas de morango o suficiente para alimentar metade da galáxia (que particularmente, não era muito numerosa) e drinques de cerejas deliciosos (que o Mestre cuspiu depois de descobrir como são cultivadas).

Logo depois ele se ocupou na implantação da bomba de condensação atômica nos controles gravitacionais, enquanto uma quantidade considerável de guardas desacordados enfeitavam o chão. Aquele planeta ou bola gigantesca de metal iria pelos ares nos próximos quarenta minutos.

A contagem regressiva começou a rodar, então ele saltou alegremente até a pista de dança, roubou a bebida sem cerejas de alguém (algum humano estúpido, possivelmente) e ondulou ao som da música.

O Mestre estava em paz. A calmaria que precede a tragédia é sempre deliciosa. (E explodir coisas era divertido).

Ele precisava partir para a sala de naves nos próximos trinta minutos, isso daria tempo de estar em uma posição privilegiada para assistir a explosão (de uma distância razoavelmente segura).

E apenas um lembrete: Senhores do tempo não se atrasam.

A não ser que se distraiam.

A distração veio como um arrepio que percorreu por todo ele. Um alerta vermelho piscou no fundo de sua mente, o Mestre fungou o ar e suas suspeitas foram confirmadas.

O Doutor.

Do outro do salão com os olhos fincados nele.

O Doutor deve tê-lo rastreado até aqui, ele tinha quase certeza de que o outro usou algumas de suas máquinas “caça-problemas” (como se precisasse de um empurrãozinho eletrônico para isso, afinal, ele é o Doutor).

O Mestre sorriu inocentemente e logo desapareceu atrás de uma humana trajada de um jeito que fazia “extravagante” soar como um eufemismo.

O Doutor se espichou e serpenteou entre as pessoas, suas pernas longas o ajudaram a alcançar um certo alienígena de cabelo descolorido e enlaçar a mão ao redor do seu braço.

“Eu acho que tenho uma coisa que pode interessar você”, disse o Doutor.

O Mestre ergueu uma sobrancelha, duvidando muito. “E o que você teria que me interessaria?”

O Doutor deu um sorrisinho. O sorriso típico de alguém que tem uma carta na manga. “Muito interessante o seu instrumento nos controles gravitacionais.” Ele deu um assovio. “Fiquei impressionado.”

O Mestre bufou com azedume.

A valsa anterior havia cessado. As pessoas bateram palmas e logo depois se ajustaram para outra dança, alheias ao lampejo de perigo que os espreitou segundos antes.

O salão onde estavam tinha pilastras enormes, cobertas de entalhes esculpidos por mãos que até o olhar mais leigo sabia serem suaves e precisas. O belo e sublime renascentismo voltando à moda.

Uma beleza assassina, pensou o Mestre.

O Doutor olhava para ele e pensava o mesmo.

E então, a valsa recomeçou.

O Mestre se aprumou. “Você quer dançar?”

O Doutor piscou, tentou falar mas por fim decidiu apenas estreitar os olhos, desconfiado. Ele se contrariou ao que pegou a mão livre do Mestre, conforme manda a etiqueta, e segurou sua cintura, o que fez o outro balançar a cabeça em discordância.

“Eu guio”, disse ele, muito severamente.

Mas o Doutor ignorou e o puxou para si.

“Me dê o dispositivo”, arrulhou o Mestre, unindo suas bochechas, a respiração batendo no ouvido do Doutor.

“Nem pensar”, respondeu ele, os levando para um rodopiar mais lento.

“Então eu vou ter que tirar de você. Eu sei que você o guardou no bolso do casaco.”

“Você pode tentar pegar de volta, mas acho difícil conseguir. Talvez seja relevante saber também que esses bolsos têm mais dimensões do que você tem de dedos.”

Ele está sendo irritante, pensou o Mestre, e deu um sorriso fingido, tentando esconder seu aborrecimento. O Mestre decidiu apelar então, acariciando o pescoço do Doutor, rindo de seu arrepio. Ele não moveu seu queixo do lugar quente e macio que era o ombro esquerdo do seu par quando disse: “Você quer apostar?”

A música estava mais lenta agora e o Doutor conduziu eles para algo que era um meio balançar. O Mestre se afastou o suficiente para olhá-lo nos olhos.

Aqueles olhos brilhantes e pegajosos, rastreando seu rosto, atentos ao mero sinal de maquinação maligna. Eles pararam de se mover, o Doutor percebeu, com os corações batendo nos ouvidos. O Mestre se inclinou para ele, perto demais, perto o suficiente para que seus narizes se tocassem e ele pudesse sentir a prévia de um beijo.

“Mestre”, o Doutor sussurrou tremulamente.

O Mestre respondeu unindo suas bocas. Ele pousou uma mão no rosto do Doutor e usou a outra para bisbilhotar no casaco multidimensional. O Doutor pareceu não perceber, ocupado demais retribuindo o beijo.

A música cessou, alguns cochichos soaram e os dois senhores do tempo se separaram. Um sorriso convencido brincou nos lábios do Mestre. O Doutor não o perdeu, estava olhando diretamente para eles naquele instante.

“Você é tão fácil, Doutor”, o Mestre disse, deslizando a mão pelo peito do outro. A intenção sedutora não saía dos seus olhos.

Ele empurrou o Doutor para longe no momento certo em que uma nova música tocou e a multidão se aglomerou no salão, dezenas entre eles. O Mestre aproveitou a deixa para correr por uma saída.

O Doutor arregalou os olhos, enfiando as mãos nos bolsos e procurando a bomba de condensação atômica na dimensão três milhões novecentos e trinta e sete mil e seiscentos e setenta e oito (onde ele a escondeu), e bufou irritado por não tê-la encontrado.

Que estúpido ele foi.

O Doutor se enfiou entre os casais, murmurando pedidos de desculpas e se arremessou contra o corredor oeste, que ligava a uma série de outros corredores, e em um deles, o Mestre já se adiantava.

O Mestre então saltou pela porta da enorme sala de controles, sorriu, mas o rastro de satisfação desapareceu do seu rosto quando sentiu algo pontudo e gelado ser empurrado contra seu pescoço.

“Parece que encontramos o engraçadinho”, disse um homem. “Nem pense em se mover.”

Que criaturas irritantes, pensou ele, já maquinando um plano. E se esse texto fosse mais cartunesco, poder-se-ia ver uma lâmpada brilhar no alto da sua cabeça.

“Estúpido”, o Mestre pensou em voz alta.

O cano da arma voltou a ser pressionado em sua garganta. “O que disse?”

Tarde demais, o senhor do tempo girou o corpo com velocidade surpreendente e conseguiu desviar com muita desenvoltura do raio laser da arma do guarda, aproveitando para lhe acertar uma rasteira nas pernas e derrubá-lo no chão metálico.

O Mestre juntou a arma a laser, então decidiu tirar dois segundos para zombar do homem, o que serviu apenas para dar tempo do guarda habilidosamente agarrar seu tornozelo e o rodar em um sentido anormal, tirando-o de seu eixo.

Eles dois estavam no chão agora e outro raio laser foi solto da arma. Havia um humano morto e um senhor do tempo caído no chão, fazendo caretas de dor.

O Doutor poderia esperar encontrar algo diferente?

Se esperava, ele estava profundamente decepcionado.

O Mestre lhe lançou aquele longo olhar entediado quando o viu se aproximando, mascarando a dor que estava ali presente e pulsante, enquanto o Doutor se agachava e sentia a falta de batimentos cardíacos do guarda ao lado. Ele fez a velha e conhecida expressão de repreensão, aquela que o Mestre sempre ignorava, e então estendeu a mão.

Eles não demoraram muito na troca de olhares, pois logo foram perturbados pelo acelerado barulho de pisadas no corredor leste.

“Eles estão armados”, informou o Doutor.

O Mestre demonstrou falsa afetação. “Sério? Eu não percebi.” E lutou para erguer-se, apoiando-se nas paredes. Ele teria que tirar “correr” da sua lista de coisas que conseguiria fazer em situações como a que ele estava enfiado agora. O Doutor estudava seus movimentos, alguém que se intitulava “doutor” tinha os olhos afiados para esse tipo de coisa.

Ele se abaixou e o Mestre tentou calcular o que diabos ele pretendia até sentir um braço ser empurrado contra as costas dos seus joelhos e ser erguido do chão.

“Não! Não, não, não! Solte-me agora”, ele ordenou, cuspindo as palavras. “Eu não preciso da sua ajuda.”

O Doutor ergueu uma sobrancelha. “Eu acho que precisa.”

“Gostaria de lembrá-lo, Doutor, que eu tenho uma bomba comigo. E ela está contando os minutos com muita ansiedade.”

“Você não…”, ele tentou, mas os passos apressados já estavam quase dobrando o corredor. O Doutor respirou fundo e saiu correndo.

Talvez os habitantes do planeta-metálico fossem secretamente apaixonados por labirintos, apenas isso explicaria a atração por tantos corredores iguais. O Doutor esperava poder confiar no seu senso de direção e chegar ao adorável jardim artificial onde ele havia deixado a TARDIS, pulando e apertando o passo tanto quanto podia. O Mestre estava pendurado em seu pescoço, reclamando e bufando.

“Doutor”, ele sussurrou em plena proximidade de seu ouvido, “se me derrubar eu faço isso tudo, inclusive você, virar poeira.”

O Doutor o respondeu com um resmungo sobre estar fazendo todo o trabalho aqui, então passou pelo último arco, soltando ares de alívio, chegando ao suntuoso jardim.

Uma noite estrelada caiu sobre eles, que passaram por entre arbustos floridos e árvores de todos os tamanhos, coloridas de um brilhante amarelo, àquela altura e hora, com os tons mais escuros do que seriam em uma ensolarada manhã.

O Mestre sentiu o Doutor pressioná-lo ainda mais contra si, ele estava caindo outra vez na mesma mania de sempre, é inegável, porém, que o calor do outro era familiarmente confortável. O Mestre se aproveitou disso, roçando o nariz em sua bochecha.

Os guardas de antes não os encontraram, por enquanto. O Doutor continuou caminhando, dessa vez a passos mais lentos. Eles passaram pela cortina de relva e trepadeiras que serpenteavam de cima de um coreto pomposo, onde a TARDIS estava bem comportada.

O Doutor entrou, cuidando para que os pés do Mestre não batessem na moldura da porta.

“O seu instinto protetor é patético.”

“Agradeça a esse instinto por ser patético, você está a salvo por culpa dele.”

“Não pedi que me salvasse.”

“Você não me impediu de fazer isso.”

“Eu neguei a sua ajuda.”

“Negou, mas não me impediu.”

O Doutor sorriu vitorioso, ganhando um olhar perigoso do Mestre. Eles seguiram até a ala médica da TARDIS (que reclamou veementemente da companhia que o Doutor trouxe) e o Mestre foi colocado suavemente sobre a cama. O Doutor aproveitou para puxar a bomba de condensação atômica do bolso do moletom dele, verificando o contador, enquanto tinha a impressão de ver pelo canto do olho o sorriso do Mestre aumentar.

“Por um momento eu acreditei em você.”

“A julgar pelo tempo e história que temos juntos, você deveria saber que acreditar em mim não é a sugestão mais sensata.”

O Doutor tentou lembrar onde guardou as aspirinas. “Deveria agradecer por eu lhe dar o benefício da dúvida”, ele franziu a testa, percebendo que o Mestre estava tirando os sapatos. “Por que mudou de ideia, então? Afinal, seu desejo era explodir tudo.”

O Mestre fez uma careta de antecipação e moveu seu tornozelo de volta ao lugar de onde não deveria ter saído. “Eu tive um pequeno imprevisto, não sei se você percebeu.” Ele testou a desenvoltura do seu pobre pé. “Mas”, continuou, dessa vez olhando fixamente para os olhos do Doutor, “encontrei algo novo para me entreter.”

O Doutor engoliu em seco, permanecendo estático, pareceu ponderar cada palavra dita, estudando qual a ação correspondente.

Após algum tempo e nenhuma atitude tomada…

“Você é um idiota”, concluiu o Mestre, puxando-o pela camisa e se inclinando sobre o restante do espaço que os separava, beijando-o.

Houve carícias leves, alguns puxões quase delicados de cabelo e um gesto silencioso de língua que pedia encarecidamente que abrisse sua boca direito. Quando a falta de ar veio, o Mestre o empurrou, olhando para o Doutor apenas para ter o prazer de assisti-lo corar e balançar no lugar, então o segurou pelos ombros para firmá-lo.

O Doutor limpou a garganta. “Você quer ficar esta noite?”

A TARDIS emitiu um ruído mecânico de protesto.

O Mestre deu um sorrisinho. “Não tenho a intenção de ir embora.”

E, para plena alegria do Doutor e para grande aborrecimento da TARDIS, ele ficou.

Notes:

90% dessa fanfic eu escrevi ouvindo "in your eyes" de george benson, então, talvez em algum pensamento não tão distante, os tensimm tenham dançado essa música.