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The Last Dragon

Summary:

Ochako é uma bruxa sendo perseguida por cavaleiros do reino e ela acaba salvando um filhote de dragão durante sua fuga. O que ela não sabia era que, pouco tempo depois, apenas esse pequeno ato mudaria completamente o destino da jovem bruxa.

Chapter 1: Caça às bruxas

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

O vento gélido de uma manhã de outono lhe cortava o rosto, os pés doloridos de tanto correr já começavam a falhar, a respiração ofegante tornara-se quase sufocante, mas, com os guardas em seu encalço Uraraka não poderia parar. Aquela floresta era tão imensa e escura, ela não a conhecia, nunca fora tão longe e isso servia também para os soldados. Aquela era uma região desconhecida para todos.

Quando pensou ter os despistados, a jovem bruxa sentou-se entre as raízes de uma grande árvore, finalmente conseguindo respirar direito. Levou a mão ao peito tentando acalmar seu coração que batia mais rápido do que o trote dos cavalos que a perseguiam.

Um grunhido estranho chamou a atenção de Ochako, forçando-a a abrir os olhos e focá-los sobre a pequena criatura escamosa à sua frente.

Como diabos ela não o notara ali?!

Mal podia acreditar no que estava vendo. Em sua frente havia um pequeno dragão branco, provavelmente um bebê. Ele retorcia-se contra as raízes tentando se afastar da bruxa, mas não conseguia sua asa e pata direita estavam feridas, o impossibilitando de sair daquele emaranhado de raízes.

O queixo de Uraraka fora direto ao chão.

Nunca em toda sua vida ela imaginou que veria um dragão.

Sua mãe costumava dizer que a muito eles foram extintos, mas obviamente aquela criatura provava o contrário. De alguma forma, os dragões ainda vivem.

"Olhem! A bruxa está ali!" Um dos guardas berrou e logo Ochako fora capaz de ouvir aquele familiar som dos cascos dos cavalos socando o solo. Ela olhou para o bebê dragão mais uma vez e se aproximou, o pegando em seus braços com certa dificuldade.

Se o pegassem talvez ela ganhasse algum tempo... Mas ela jamais deixaria que isso acontecesse. Ela não se perdoaria se deixasse aqueles soldados capturarem o que poderia ser um dos últimos dragões existentes em todo o reino.

Muito assustada a pequena criatura de escamas brancas tentou resistir, sem saber que ela estava o ajudando, dificultando ainda mais a vida da bruxa.

Quanto mais corria, mais o solo da floresta tornava-se irregular, cheio de raízes altas e buracos onde ela poderia facilmente torcer o pé ou cair. Os guardas, impossibilitados de avançar com seus cavalos, desceram e continuaram a perseguição sobre seus próprios pés.

Eles bradavam ordens e riam de como a garota estava desesperada. Fazia dias que estavam seguindo incessantemente, as pernas dela já não aguentavam mais, a cada passo elas falhavam, quase caindo contra o chão.

"Só mais um pouco"

"Só mais um pouco"

Persistiu em pensamento ao avistar os raios de sol que denunciavam o fim da floresta. Torcia com todas as forças para haver uma cidade ou até mesmo uma pequena vila onde pudesse se esconder e despistar os soldados.

Agarrou-se mais o bebê dragão em seus braços e apertou o passo, alcançando finalmente aqueles raios de sol que a muito não via.

Antes mesmo de pôr seus pés sobre a grama macia da clareira, seus olhos foram momentaneamente cegados pela claridade, mas seus pés não pararam em momento algum. Uraraka continuou seu tiro de meta até que sua visão retornou, revelando para si a triste realidade que a atingira tão fortemente que já não havia mais força restante para continuar a correr.

Não havia cidade ou vila alguma, apenas uma imensa clareira, onde os ventos dançavam por entre a grama.

As pernas da bruxa falharam de vez, jogando-a direto ao chão enquanto os guardas continuavam avançando em sua direção.

"Fuja." Pediu desesperançosa para o pequeno dragão branco.

O ser albino a olhou com seus olhinhos azuis e grunhiu, afundando-se mais em seus braços.

"Agora te pegamos sua bruxa imunda." Decretou um dos guardas que já esticava sua mão para agarrar a garota pelos cabelos castanhos.

Ochako instintivamente fechou os olhos e se encolheu, escondendo a criatura que carregava em seus braços enquanto aguardava pelo seu fim breve e trágico.

"Santo Deus" Clamou um outro guarda, atraindo a atenção da garota para a total ausência de movimentação por parte dos soldados.

O vento havia mudado, o que antes eram brisas agradáveis, que acariciavam a madeixas castanhas da bruxa, agora pareciam verdadeiros ventos de tempestade. A claridade também havia sumido, deixando aquela campina tão escura quanto a floresta onde estiveram anteriormente.

Reunindo coragem para levantar a cabeça, seus olhos capturaram a grama se debatendo no vento e os rostos dos guardas voltados para o céu com um semblante aterrorizado.

Um trovejar de uma voz desconhecida ecoou por toda a clareira, fazendo o pequeno bebê dragão se agitar e saltar para fora do colo da morena, despertando a curiosidade da bruxa que finalmente também guiou seus olhos para cima, focando-os direto na enorme criatura que bloqueava o sol bem acima de suas cabeças.

"Um dragão!" Recuou o chefe da cavalaria.

Não era apenas um dragão, era um dragão gigantesco de escamas da cor do sangue, que batia suas asas com tanta força para manter-se flutuando que parecia que formaria um tornado a qualquer momento.

"держись подальше"¹ Novamente a voz de antes bradou pelos céus, fazendo um calafrio percorrer o corpo de Ochako.

O dragão fala?!

Certamente não era a língua do reino, mas, como uma bruxa, ela reconhecia tal dialeto. Era a língua dos antigos, há muitos séculos aquela era a língua comum em todo o reino, mas também há muitos séculos havia sido esquecida.

Antes mesmo que o choque inicial passasse, algo despencou de cima do dragão vermelho em direção ao chão e pousou a poucos metros dela e dos guardas. Por estar de costas, tudo que a jovem bruxa podia ver era um enorme manto tingido da mesma cor do enorme dragão. Ela recuou um pouco, temerosa, ao ver uma lâmina aparecer pela lateral, e os soldados recuaram alguns passos.

Logo acima do manto vermelho, havia um maço de cabelo loiro exageradamente desgrenhado, mas fora apenas quando aquele ser ergueu-se, ficando de pé, que Uraraka teve a certeza que se tratava de um homem.

Mais uma vez aquela voz grossa de antes trovejou em direção aos guardas. Parecia furioso, enquanto punha-se em posição de ataque.

"Então não era o dragão que estava falando antes." Pensou ainda jogada ao chão. Por mais que estivesse assustada, não possuía forças para fugir.

Mas, afinal, mesmo em seu ápice de energia, seria impossível fugir de um dragão.

O primeiro soldado a sair correndo incentivou os outros que também saíram desesperados para fora da clareira. No entanto, as expressões do loiro não se acalmaram. Ele berrou algumas curtas palavras para o dragão que domava os céus e então bastou um sopro para que todos os guardas fossem tomados por chamas.

Ochako tremia-se toda diante daquela horrível cena. Dava ainda para ouvir os gritos de dor dos homens quando o loiro se virou para ela, rosnando enquanto se aproximava.

Tentou manter a distância entre eles, mas tal esforço fora inútil, não fora capaz de se arrastar nem mesmo um metro para longe e ele a alcançou, direcionando sua lâmina a garganta da bruxa.

Engoliu em seco.

Sob aqueles olhos rubros tudo que conseguia pensar é que aquele seria seu fim. Já podia até mesmo sentir o metal frio da lâmina tocar-lhe a pele do pescoço, quando o pequeno bebê dragão soltou de volta para seu colo, grunhindo em direção ao homem loiro.

A princípio ele apenas arqueou a sobrancelha, desdenhando do filhote, mas conforme o dragão branco continuava a grunhir, como se tentasse dizer algo, ele abaixou a lâmina e retrucou algumas palavras para o pequeno.

Ele estava conversando com o dragão?!

A mente de Uraraka nunca esteve tão confusa. Era muita coisa para processar de uma única vez.

Novamente os orbes vermelhos do loiro repousaram sobre os dela e ali ficaram por longos segundos do mais absoluto nada, até que finalmente ele rompesse aquele contato com um rosnar de desgosto e então a levantasse do chão jogando seu corpo sobre seu ombro direto.

Um grito de surpresa escapou pelos lábios da bruxa, que tentou se soltar, mas logo parou quando o som do grande dragão vermelho pousando se fez ser ouvido.

"Me solta!" Implorou, enquanto o loiro a carregava para cima da criatura de escamas escarlates, mas fora inútil, ele não parecia sequer ouvi-la.

Fora praticamente jogada contra as costas do enorme dragão e o pequeno ser albino imediatamente correu para seu colo, arrancando assim mais resmunados do homem.

Notes:

Na época que escrevi essa história, que decidi que o Bakugou falaria uma outra língua, mas, como essa tal língua não existe, eu fiquei um bom tempo pensando em como coloca-la no texto, até que finalmente decidi escolher alguma língua estrangeira pra servir apenas para ilustrar essa tal língua antiga na história. Eu acabei escolhendo russo, apenas porque os caracteres são diferentes, parecendo um pouco com runas antigas, ou algo do tipo. Mas, como dito antes, isso é apenas ilustrativo, na história em si a língua que o Bakugou é uma língua fictícia.
E, mesmo que eu tenha escrito essa história para ser entendida sem precisarem entender o que o Bakugou fala, com o tempo acabei pensando que podem haver momentos que o diálogo fique meio confuso, então todo fim de capítulo vou deixar a tradução das falas do Bakugou aqui nas notas finais, todas referenciadas com um número que acompanha as falas durante o capítulo, para caso alguém queira saber o que ele está falando.
Obs: Eu não falo russo, então se tiver algo escrito errado (o que é bem provável que tenha), culpem o google tradutor.

Glossário do capítulo:
1. Se afaste!