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Melissa estava desolada. Linda, estonteante, magnífica no seu vestido de noiva, mas completamente desolada.
Ela tinha organizado a mais linda cerimônia de casamento surpresa para Natalan, mas ele teve coragem de dizer não para ela. Ele teve coragem de olhar nos olhos de Melissa e dizer que aquilo era loucura.
E por isso, em um momento de fraqueza, Melissa acabou matando ele, bem no altar da igreja, em um acesso de fúria incontrolável. Afinal, quem ele pensava que era para rejeitar a morena assim?
E agora Melissa estava lá, sentada sozinha, coberta de sangue — apenas com o corpo do noivo em companhia — no altar da igreja, chorando pela rejeição de Natalan.
Repentinamente, Melissa ouve um estranho barulho de sirenes, e tem certeza que alguém viu o que houve na igreja e chamou a polícia, mas ela simplesmente não se importava mais.
A jovem se levanta do chão, seca as lágrimas e caminha em direção a porta da igreja, pronta para se entregar à polícia.
Mas quem entrou pela porta da igreja, esbaforida, não foi a polícia nem nada assim. Quem entrou foi uma mulher correndo, toda descabelada, com um uniforme de presidiária e as mãos algemadas na frente do corpo.
A mulher simplesmente congelou ao ver Melissa no meio do corredor, parada, pronta para se entregar para a polícia.
Melissa conseguia ver claramente os pensamentos da loira, enquanto a expressão facial dela ia mudando de choque para alegria depois de vê-la e seu olhar ir em direção ao altar, vendo o corpo no chão.
— Se você está fugindo de alguém, é melhor se esconder. A polícia está vindo para cá. — Melissa diz para loira, tentando entender o porquê da alegria no rosto dela.
— Não, não está. A polícia estava me perseguindo, mas eu despistei eles. Eles estão indo para o outro lado. — A recém-chegada diz para a jovem, enquanto se aproxima lentamente, com um semblante cheio de curiosidade. — Ia dizer pra você tomar cuidado, mas algo me diz que você não é tão inofensiva quanto parece. — A loira acena com a cabeça, indicando o corpo no chão.
Melissa estava encantada pela fugitiva. O cabelo bagunçado por estar se escondendo da polícia, os olhos azuis escuros que pareciam olhar para a sua alma, o sorriso daqueles lábios — que Melissa queria descobrir se eram tão macios quantos aparentavam ser —, tudo, chamava a atenção dela.
— Ah, aquilo? Era alguém que não era importante. Bom, pelo menos não é mais. E você…. Gatinha? É tão perigosa quanto parece?
— Ah, claro que sim. Perigosa e instável, de acordo com a polícia. — A loira estava praticamente colada no corpo de Melissa, erguendo sua mão algemada em direção ao rosto dela.
A morena se aproximou mais ainda, fazendo as mãos de Cell finalmente tocarem seu rosto, o dedão passando suavemente pelas manchas que as lágrimas tinham deixado.
Celline trouxe o rosto de Melissa para mais perto de si, deixando a orelha da morena praticamente grudada em seus lábios.
— Se ele foi responsável por essas lágrimas, a morte foi muito pouco pra ele. — A voz de Celline saiu baixa, rouca, carregada de uma tensão que não estava lá segundos antes. Melissa sentia uma eletricidade passando pelo seu corpo, que começava exatamente onde os dedos de Celline tocavam sua pele.
A fugitiva se afastou apenas o suficiente para fitar os profundos olhos amêndoas de Melissa. Ela não parecia estar com medo da proximidade de Celline, como normalmente acontecia. Ela parecia estar fascinada. E isso fez a loira sentir que precisa dela, como nunca precisou de ninguém.
Melissa fitava os olhos de Celline, procurando medo, mas a mulher parecia fascinada por ela.
Cell passou o dedo pelo rosto da noiva, bem devagar. — Tem um pouco de sangue aqui… Guapita.
Ela fixou o olhar no sangue que manchava o rosto de Melissa, e novamente a trouxe para mais perto de si, sentindo mais ainda o inebriante cheiro da morena, misturado com o cheiro de sangue. E em um movimento que fez os joelhos de Melissa tremerem, Cell lambeu o rastro de sangue que estava em sua bochecha, bem próximo a seus lábios.
A língua de Celline era delicada, porém decidida. Ela lambeu todo o sangue que sujava o rosto da morena, exceto uma última mancha, que estava bem nos seus lábios.
— Só tem mais uma mancha… — Celline passou o polegar levemente na boca macia de Melissa. — Bem aqui.
Ela manteve a mão no rosto da morena, enquanto olhava fixamente em seus olhos, deixando-a decidir o próximo movimento.
— Gatinha… Me abrace, por favor. — Melissa apontou para as algemas que atrapalhavam os movimentos da loira.
Celline não desviou o olhar do dela enquanto passava suas mãos por cima da cabeça da morena, passando lentamente pelos ombros até chegar a cintura, onde parou suas mãos, abraçando Melissa e a puxando mais perto de si ainda.
Melissa ergueu suas mãos até os ombros de Celline, sem quebrar o contato visual, a abraçando também.
— Gatinha, agora você pode beijar a noiva.
