Work Text:
O silêncio habitual do apartamento foi o que Sa-eon se deparou quando abriu a porta, mas dessa vez algo parecia diferente. As luzes não estavam acesas e não havia nenhum sinal de Hee-joo na sala de estar ou na cozinha, o que era estranho, já que ainda era muito cedo para ela estar dormindo.
"Hong Hee-joo?" Sa-eon chamou, enquanto batia suavemente na porta do quarto dela. Ele esperou alguns momentos e, quando ela não abriu, entrou no quarto.
O cômodo estava mal iluminado e Hee-joo estava deitada de costas para ele. A tensão deixou o seu corpo quando ele a viu, os músculos relaxando ao perceber que ela estava em casa e segura. O porta-voz, então, se virou para a porta, mas o barulho dos lençóis chamou sua atenção, fazendo-o olhar novamente para sua esposa.
Logo, Sa-eon percebeu que algo estava errado. Ele deu alguns passos, aproximando-se da cama, foi aí que ele percebeu que o corpo de Hee-joo parecia estar tremendo, mesmo que não estivesse frio no quarto.
"Hong Hee-joo, você está bem?" ele perguntou, tocando suavemente o ombro dela, com medo de assustá-la.
Quando ela não respondeu, Sa-eon puxou suavemente os lençóis de seu corpo, o que a fez se encolher mais. Hee-joo virou o rosto na direção dele, ainda com os olhos fechados, e o coração de Sa-eon disparou em preocupação ao ver a palidez e a fraqueza em seu rosto. Ele colocou a mão em sua testa, percebendo imediatamente que sua pele estava ardente por causa da febre, quando ela abriu os olhos e piscou, parecendo atordoada com o toque não habitual dele.
"Hong Hee-joo, você precisa ir ao hospital" Sa-eon disse, enquanto se empertigava e tirava a mão de seu rosto. Ela o olhou com confusão por alguns segundos e depois balançou a cabeça, procurando o celular perto do travesseiro. O porta-voz observou enquanto ela desbloqueava o aparelho e digitava algo, em seguida virando para que ele pudesse ler.
"Eu estou bem. É só um resfriado, não preciso ir ao hospital"
"Como pode dizer isso enquanto você está ardendo em febre?" ele passou a mão pelo cabelo e suspirou exasperado, olhando para ela, nada além de preocupação sincera em seu rosto. "Você poderia ter ao menos me mandado uma mensagem avisando que não estava se sentindo bem. Eu teria ido à farmácia e comprado remédios para você"
"Eu não achei que você se importaria com isso" foi o que ela digitou dessa vez, seus olhos cintilando com uma emoção que Sa-eon não conseguia entender.
"Como pode pensar que eu não me importaria se você estivesse doente?" Sa-eon disparou, o tom de sua voz aumentando de forma não intencional.
A confusão voltou ao rosto de Hee-joo ao vê-lo daquele jeito e ele se sentiu um grande babaca, porque sabia exatamente o motivo. Baek Sa-eon, o porta-voz da presidência, sempre contido e paciente, nunca levantava a voz para ninguém, muito menos para ela, a quem ele normalmente destinava um tratamento frio e distante. É claro que ela pensaria que ele não se importaria com ela, afinal, por que ela pensaria algo diferente? Ele então fechou os olhos, tentando se recompor e mascarar suas emoções, como sempre fazia quando estava perto dela.
"Espere aqui, eu volto já" ele a olhou por um momento a mais, antes de se virar e sair do quarto.
Sa-eon se dirigiu ao armário no qual eram guardadas as toalhas, em seguida,
molhou uma na pia e agarrou o balcão com força, vendo os nós dos dedos ficarem brancos pela pressão. Quase estraguei tudo mais uma vez, ele pensou, mas era impossível pensar em Hee-joo sozinha, doente, enquanto ele não tinha nenhuma ideia do que estava acontecendo. Ele estava falhando em esconder o quanto se importava com ela, o quanto tinha medo de que ela se machucasse.
Ele observou seu reflexo no espelho e respirou fundo mais uma vez, uma tentativa de se recompor. Quando achou que já estava bem, Sa-eon foi até a cozinha e pegou um copo de água, seguindo para o quarto de Hee-joo.
Ela estava sentada com os pés para fora da cama agora, quando ele entrou no cômodo. Seu coração apertou outra vez ao vê-la com os olhos apertados, seu corpo sendo agitado por tremores de frio.
"O que está fazendo?" ele perguntou, aproximando-se rapidamente dela. "Você deveria estar deitada."
Hee-joo abriu os olhos e o encarou. Na fraca iluminação do abajur, ela parecia ainda mais frágil. A cor que normalmente pintava as suas bochechas, um tom de rosa como o céu no pôr do sol, havia desaparecido e sua pele estava pálida. Sa-eon teve o forte desejo de cuidar dela.
Ela assistiu curiosa enquanto ele colocava a toalha e o copo na mesa de cabeceira. Depois, o porta-voz a ajudou a se deitar novamente e a cobriu com os lençóis. Os dedos de Sa-eon tocaram suavemente a pele exposta dos braços de Hee-joo, o que foi suficiente para enviar ondas de eletricidade por todo seu corpo.
"Posso?" Sa-eon perguntou baixinho, pegando a toalha e se sentando na beira da cama. Hee-joo balançou a cabeça em concordância, enquanto fechava os olhos novamente com a sensação reconfortante da compressa colocada em sua testa.
Os dedos dele desceram pelo rosto dela e sua mão, quase que involutariamente, descansou em sua bochecha. Quando Hee-joo abriu os olhos, parecendo assustada com o gesto, ele rapidamente puxou a mão de volta ao se levantar da cama, afrouxando sua gravata em um gesto ansioso. Sa-eon pegou o copo de água e entregou à ela, observando ela beber o líquido em pequenos goles.
"Eu vou até a farmácia comprar algo para a febre," Sa-eon declarou, quando ela colocou o copo vazio de volta na mesa, sua voz quebrada o traindo. Ele se virou para sair, mas Hee-joo segurou seu braço fracamente e sacudiu a cabeça. O olhar dele desceu até o dela e Sa-eon tentou decifrar o que se passava na mente dela, o que estava sendo dito nas palavras que ela não poderia pronunciar.
Os dedos dela soltaram o pulso dele, enquanto Hee-joo pegava seu celular e digitava uma única palavra: "Fique".
Ele encarou ela por alguns segundos depois de ler, seu rosto franzindo com a batalha interna entre sua mente e seu coração. Sa-eon queria cuidar dela, queria ser o marido que sua esposa precisava, mas sabia que a relação deles não era assim, o casamento deles não passava de uma mentira conveniente para duas famílias ricas e ele não deveria querer que fosse mais do que isso. Mas ele queria, com todo o seu coração.
Sa-eon percebeu quando a cor voltava lentamente para as bochechas de Hee-joo e seu corpo voltava a tremer. Dessa vez, a vergonha pintava seu rosto de rosa enquanto ela digitava algo no celular, mas Sa-eon foi mais rápido e tirou o aparelho de suas mãos. Ele puxou os lençóis e se deitou ao seu lado de forma rígida, sem saber como agir com esse nível de proximidade não familiar entre eles. O porta-voz conseguiu sentir o calor emanando da pele febril de sua esposa quando tocou seu rosto suavemente, depois ajeitou a toalha em sua testa.
"Vou ficar com você até a febre baixar. Se não acontecer, vou levá-la ao hospital" ele disse baixinho, mas firme, para que não sobrasse espaço para contradições. Hee-joo assentiu devagar, seus olhos fechando lentamente com o aproximar do sono. E
Sa-eon assistiu enquanto sua respiração gradualmente atingia um ritmo calmo e natural. Ele fitou, atentamente, os detalhes do rosto dela que ele não se permitia prestar atenção quando ela estava acordada. Seus traços suaves e delicados que a faziam parecer o anjo mais bonito. Ela sempre foi a mulher mais linda que ele já conheceu, de todas as formas, Hee-joo era perfeita.
Em algum momento, Sa-eon também foi levado pelo sono. Seu corpo relaxando por vontade própria, mesmo que ele dissesse a si mesmo que deveria ficar acordado.
----------
Quando ele abriu os olhos pela manhã, Hee-joo ainda estava dormindo pacificamente ao seu lado. Ele se permitiu imaginar como seria acordar todos os dias ao lado dela, depois de dormir com ela em seus braços.
Ele foi arrancado de suas imaginações quando Hee-joo começou a acordar, parecendo assustada por um momento quando o viu, mas relaxando logo em seguida.
"Você está se sentindo melhor?" ele perguntou baixinho. Ela assentiu e ele tocou sua testa novamente, certificando-se que ela não estava mais com febre.
Ele então se levantou da cama e limpou a garganta, assumindo novamente sua postura rígida. Sa-eon olhou para ela mais uma vez, observando um lampejo de algo que ele não reconheceu passando por seus olhos, enquanto ela mordia o lábio e desviava o olhar para qualquer lugar que não fosse o rosto dele. Ela parecia desconfortável e envergonhada pela situação em que eles estavam, o momento que compartilharam, já ele se sentia um idiota aproveitador por acreditar que ela realmente queria ele ali, quando na verdade só deveria estar confusa por causa da febre.
Ela abriu o aplicativo de notas e digitou rapidamente, antes de virar o aparelho para que ele lesse. "Estou bem, a febre passou. Obrigada."
"Já que está bem, vou me arrumar para o trabalho. Me mande uma mensagem se precisar de algo" Sa-eon declarou, dirigindo-se mecanicamente para a porta, enquanto Hee-joo ainda o observava da cama.
Ele fechou a porta atrás de si, encostando-se nela e suspirando.
Hee-joo era como uma brisa leve de primavera, uma melodia linda e serena. Ela era totalmente diferente da natureza fria e complicada dele e de sua família. Talvez em outras circunstâncias, eles poderiam ter se conhecido e ela poderia tê-lo amado mesmo com todas as suas falhas, talvez ele poderia ter sido o marido que cuida dela durante a noite e cozinha para ela pela manhã.
Mas, na situação deles, ele tinha que voltar à sua frieza habitual, distante dela e de seus próprios sentimentos.
