Work Text:
— Bom dia! Quem quer leite de banana? — perguntou o senhor Jeon ao seu filho Jungkook, enquanto ele se juntava à mesa.
— Sim! — disse se sentando na cadeira com os olhos inchados e cabelos bagunçado.
— Eu quero também papai! — grita Juhon, seu irmão de 6 anos.
— Não grita, pirralho, papai comprou pra mim.
— Você tem 27 anos, Hyung. — disse com desdém.
— O leite de banana é meu — ditou sério.
— Jungkook... — o patriarca o repreende com um tom ameaçador.
— Desculpe, mas trabalhei até mais tarde. Como está mamãe? — responde a procurando.
— Bem, hoje tem consulta dela às 11:00. Você vai?
— Sim! Adiantei tudo ontem para ir. — forçou o sorriso.
— Obrigado!
— Vocês são minha família afinal... — deu nos ombros — Sempre foram.
Jungkook também era adotado, sua mãe tivera câncer e teve que retirar o útero, mas como nada dessa vida é fácil, agora tinha câncer em outro lugar, na mama. Seus pais insistiram para ele não fizesse, mas Jungkook pediu afastamento da sua empresa e trouxe todos seus equipamentos de música para ficar com a família naquele momento.
— Uma nevasca parece estar se aproximando. — avisa o Senhor Jeon, apontando para os flocos de neve que caírem pela janela e vendo o filho mais velho suspirar; odiava neve.
A manhã passa rápido e logo estão os 4 no carro a caminho do hospital. Seu pai tentava rir e distrair a situação toda, era uma merda. Jungkook estava com um conjunto de moletom preto, seus piercings e tatuagens nada discretas, para aquela cidade com poucos habitantes.
Jungkook não é o tipo de cara que, aos 27 anos e sendo produtor musical, tinha uma vida, bem ... tão animada. Ele era pacato e o que importava era produzir músicas. Entrou na empresa dos caras que ele sentia orgulho, Namjoon. Trabalhou muito, mas conseguiu e estar no estúdio de música bastava.
Perdidos em seus pensamentos, agora estava na sala de espera do hospital, cuidando do seu irmão caçula. Foi quando o pegou alguém olhando para si, pela primeira vez se sentiu como se suas bochechas estivessem queimando. Ele tirando sarro da sua cara?
— Dá pra ficar quieto? — sussurrou com raiva para o irmão que não parava de bagunçar as coisas.
Olhou novamente para o homem que agora tinha um sorriso de lado no rosto, teve certeza de que ele estava, sim, gastando com sua cara. Um homem que não conseguia que uma criança o obedecesse? Balançou o rosto e tentou despistar os pensamentos em sua cabeça, focando agora no celular.
— Com licença.
Jungkook levantou o olhar e se deparou com um sorriso do homem alto com ombros largos, o encarando. Ele estava com uma pasta na mão e sobretudo.
— Bom, — continuou — seu filho pode brincar na ala das crianças, fica naquela sala ali. — Deu um sorriso, — lá você pode fazer barulho. — disse simpático para seu irmão.
Mas Juhon não riu, ele fez uma careta.
— Meu hyung não é meu pai, Deus é mais. — disse e saiu correndo.
— Oh, me desculpa. — Jungkook se levantou e curvando para o mais velho. — Obrigado! Meu irmão é impossível.
— Que bom que tenha ajudado. — respondeu e o silêncio se instalou quase palpável por algum momento. — Éee... você é da cidade?
— Ohh não, não. Era quando mais novo. Estou de volta para fazer companhia a meus pais.
— Humm . Entendo. E-eu já estou indo.
— Obrigado pela ajuda.
—Fico feliz. Por isso. — forçou um sorriso simpático e saiu.
Jungkook tornou-se incapaz de falar, de pensar, de fazer alguma coisa além de respirar enquanto fitava o rosto do outro indo embora. Percebeu por fim, que suas bochechas estavam completamente avermelhadas e sorriu bobo, era um idiota.
— Está tudo bem filho? — escutou a voz que vinha de trás dele, da sua mãe.
— Hum? Sim, sim. Vamos? — perguntou vendo ela assentiu um pouco cansada.
No caminho para casa, Jungkook não tirava aquele sorriso da cabeça, encostou a cabeça no vidro da janela enquanto observava a paisagem movendo-se rapidamente, vendo a paisagem coberta pela neve, uma suave névoa branca e as nuvens carregadas e cinzentas no céu.
Jungkook fecha os olhos e só se lembra do rosto do homem de mais cedo. Escutando sua música pelos fones do seu iPhone, jamais esperaria que continuasse em seus ouvidos depois do que aconteceu. Pois continuou.
O carro em que estavam sofreu um acidente, fora destruído. O impacto do carro desceu uma ribanceira, pelos pneus do carro não terem funcionado direito, quando deslizou pela pista molhada. O carro colidiu com uma árvore, o chassi foi amassado. Jungkook piscou algumas vezes e só sentiu um cheiro de gasolina e pequenas chamas se acendendo. Estava frio. E Jungkook observou o seu pulso, sem o menor sinal de sangue e ferimento. Só frio.
...
O bip do aparelho, mostrava que ainda estava vivo, sua pele branca e olhos fechados. Conectado ao um aparelho de ventilação mecânica, que o fazia respirar por si.
— Ligaram para alguém? — perguntou Seokjin
— A assistente social está cuidando disso. Mas aparentemente só era a família adotiva.
— Ninguém ainda? — Seokjin perguntou novamente.
— Não, nada ainda - afirmou revirando os olhos e bufando para o amigo. Hoseok olhava desconfiado para Seokjin, cirurgião geral do hospital. Eles era amigos de infância, quase irmãos.
— Vamos, te conheço bem!
— Você que atendeu ele, hemorragia craniana? — disse enquanto agora entrava na sala de UTI.
— Sim, mas não sei o grau, não é mais meu paciente e sim da neurologia - parou olhando para o Seokjin. — Não é seu paciente.
— Sim, eu sei , mas... — Seokjin coçou a nuca. — sei que não é meu paciente — afirmou para si mesmo.
— Mas mesmo assim, você vem ver ele todos os dias.
— Isso faz diferença agora? - perguntou.
Havia tantos tubos ligados em nele que era difícil de contá-los: um ligado à garganta e outro no nariz; As máquinas faziam o trabalho do corpo para o garoto. Ele se mantinha hidratado pela veia, estava com uma sonda para esvaziar a bexiga, muitos monitores estavam ligados ao seu peito, registrando as batidas do coração e outro estava ligado ao dedo, registrando a pulsação. Além do respirador que fazia o papel da sua respiração, que tinha um ritmo tão suave e monótono.
— Ninguém, a não ser os médicos, os enfermeiros e uma assistente social, veio vê-lo.
— Para pacientes em estado de coma, ajuda muito escutar a voz de seus familiares.
— Se interesse por ele? Você conversa com ele? — pergunta incrédulo, não tendo certeza que queria ouvir a resposta.
— Só venho ver ele.
Hoseok suspirou. Sério? Sério mesmo que era o que estava pensando? Seu amigo só poderia estar louco
Os olhos de Jungkook se abriram devagar e ele suspirou preguiçoso. Havia escutado a conversa dos 2 homens no quarto. Moveu no colchão, procurando algo, mas estava vazio. Onde estava mesmo? Estava em uma maca, olhou para o redor, um quarto de hospital. Lembrou do acidente.
Jungkook levantou, estava vestindo um avental de internado, onde era amarrado nas costas. Uff. Estava nu na parte de trás. Se levantou um pouco aborrecido com a situação. Ele caminhou rápido para sair do quarto.
Observou os 2 homens desaparecerem pelo corredor. Ele tentou os seguir, mas eles já haviam entrado no elevador.
Jungkook andou pelos corredores do hospital e as pessoas não se importaram com sua presença. Ninguém olhava para si, ninguém se importava.
ㅡ Com licença, ㅡ tentou iniciar uma conversa com uma mulher, que parecia ser enfermeira, mas ela nem se quer olhava para si. ㅡ você pode me ajudar?
A mulher continuava a digitar no computador.
ㅡ Preciso saber onde está minha família. ㅡ Jungkook parecia invisível para as pessoas. Estava ficando louco? Por que ninguém lhe olhava?
Jungkook se desesperou tentando falar com uma pessoa e outra dentro do hospital, mas sem sucesso.
Ele voltou para seu quarto e não acreditou no que estava vendo. Jungkook encarou a si mesmo, deitado na cama do hospital.
Ele sentiu uma explosão de nervo. Se aproxima para olhar mais de perto. Ele tocou seu corpo, ligado aos aparelhos, estava em uma sala de Unidade de Tratamento Intensivo, ou UTI.
Os computadores lêem as impressões dos sinais vitais. No meio do quarto havia ainda mais computadores e aparelho de ventilação mecânica. Uma enfermeira entrou no quarto e começou a anotar algo em uma prancheta.
ㅡ ei ... EIIIII, responde! ㅡ Jungkook gritou desesperado e tentou tocar na mulher. Ele a sentiu, mas ela não teve nenhuma reação.
Ele se sentou no chão desesperado. Jungkook estava preso entre a vida e a morte.
...
Ele não podia gritar, ninguém escutaria. Ele não podia quebrar a janela com seu punho até ver sua mão sangrar. Jungkook não podia tocar ninguém. Jungkook nem sequer podia sair do hospital, acredite, ele tentou de várias formas.
Já se passaram 3 dias e Jungkook nem dormia. A esta altura, já descobrira que não tinha nenhum poder sobrenatural.
Não podia atravessar as paredes e nem sair pelas portas de saída do hospital. Jungkook era invisível para qualquer outra pessoa.
Podia tocar as coisas e até mexer nas maçanetas das portas, mas ninguém o sentia. Era como se ele estivesse vendo tudo de um aquário, o que não fazia sentido, mas nada estava fazendo sentido em sua vida.
Jungkook descobriu que já havia se passado 2 meses de desde o acidente. Ele estava em coma há dois meses e só havia acordado agora. Bem, não acordado, despertado naquela dimensão.
Quando ele voltou para seu quarto, onde seu corpo estava, havia dois médicos lhe observando. Não eram os médicos responsáveis.
ㅡ JK continua inconsciente, mas seus sinais vitais estão melhorando — Um dos médicos disse e Jungkook leu seu crachá. Dr. Jung Hoseok.
ㅡ Colocou apelido nele? ㅡ o outro médico de jaleco branco perguntou, que levou Jungkook a reconhecê-lo.
Ele era o cara que o ajudou com seu irmão antes do acidente. Seu crachá estava escrito, Dr. Kim Seokjin.
ㅡ Claro, não quero que Yoongi saiba que estou interessado no caso dele.
ㅡ Interessado?
ㅡ Sim! Por sua causa. A assistente social ainda está atrás de seus familiares. Ele está tendo sessões de fisioterapia agora. E vai começar a realizar testes para ver se os pulmões estão funcionando e se ele conseguirá respirar sem a ajuda dos aparelhos.
ㅡ Um bom sinal!
Os 2 escutam um bip e Hoseok saiu da sala correndo, demonstrando que era o hospital lhe chamando. Jungkook já entendeu que os médicos tinham um sinalizador e quando tinha alguma emergência, eles eram chamados.
Já eram 2 horas da manhã, quase ninguém na ala de UTI, somente ele uma pessoa idosa, perto de ter alta.
O outro doutor caminhou para o lado de sua cama. Olhou o prontuário e continuou com um olhar triste, se aproximando do corpo sem vida.
ㅡ Seja forte JK ㅡsorriu sem humor ㅡ gostei do seu apelido, Hoseok é um idiota.
Seokjin beijou as pálpebras dos olhos do rapaz acabado com tanta delicadeza, que Jungkook chegou a sentir, mesmo que fosse coisa de sua imaginação.
E fez Jungkook sorrir.
Era incrível a maneira como ele era um bom observador.
Já havia se passado 4 semanas, um mês com Jungkook sendo... ele nem sabia o que era. Um fantasma? Um espírito? Puff. Também estava sem paciência para aquela porra toda.
Na UTI, era tudo quase igual. Não se sabia ao certo quais as horas e nem quanto tempo se passa. Não havia luz natural. E um barulho dos bipes dos monitores que eram constantes.
Jungkook já sabia onde ficava cada ala médica, cada sala daquele hospital. Escutava as fofocas dos enfermeiros e médicos. Sabiam até quem pega quem nas salas de descanso.
E Dr. Hoseok e Dr. Yoongi, seu médico responsável, só andavam se pegando.
Tudo era monótono, mas passava quando era dia dele trabalhar. Jungkook acompanhava Seokjin para cima e para baixo pelo hospital, via ele atendendo e com as crianças, ele era o melhor.
Dr. Kim Seokjin era simples e um bom médico, cumprimentava a todos, sempre atento a tudo ao seu redor. Ele dava plantão 4 vezes na semana e todas as noites, na madrugada, ele estava na ala de UTI, beijando a pálpebra fria do corpo quase sem vida de Jungkook, além de proferir as palavras " Seja forte". Jungkook não entendia porque só o médico fazia aquilo. Ninguém o vinha o visitar, somente Seokjin, e Hoseok, às vezes.
Eles conversavam sobre o caso de Jeon, de suas melhoras e pioras. E sempre que Hoseok saía, Seokjin continuava por meia hora ali, encarando o seu corpo.
Era um tanto estranho, mas bom de qualquer jeito. Alguém que se preocupava consigo.
Os dias se passavam e tudo dentro do hospital já não tinha graça. Jungkook gostaria de sair ou de ir embora, gostaria que tudo aquilo acabasse.
Já havia tentado desligar suas máquinas quando ouviu a conversa que seus pais estavam mortos. Fora um dia horrível, já que não era o dia que Seokjin estava ali.
Não pode ir ao velório dos seus pais e nem sabia se seu irmão estava vivo ou morto. Estava ali, preso em uma dimensão, como se o mundo fosse um aquário, ou um grande espetáculo triste.
Mas, todo aquele sentimento passava quando Seokjin atravessava pela porta da entrada. Uuouuu... com seu sobretudo e todo seu esplendor e o mais novo o seguia para sua sala.
Jungkook se acomodava ali todas as vezes. E agora estava deitado no sofá do escritório do médico, enquanto ele estudava um caso difícil em seu notebook.
Jungkook pensava se o médico pudesse lhe ver, com aquele avental ridículo que estava. Uff.. O que ele estava pensando?
Dr. Kim lhe olharia?
Saiu dos seus devaneios quando Hoseok entrou na sala como bala e Seokjin nem sequer olhou para o outro quando esse sentou em sua frente.
ㅡ Eu odeio Yoongi, ele se acha por ser neurologista.
ㅡ Ele é. ㅡ disse Seokjin ainda digitando com seus óculos. Uouuu. Dr. Kim era muito bonito, tinha que confessar.
ㅡ Mas se acha demais.
ㅡ Ele é foda, tem que se achar.
ㅡ Eu também sou médico, sou traumatologista.
ㅡ Você também é um bom médico.
ㅡ Mas ele não vê isso.
Seokjin parou e olhou para o rosto do amigo. O que fez Jungkook ficar atento, se sentando no sofá.
ㅡ Isso tá muito bom, ele pega meu neurologista ㅡ Jungkook deu risada, mas ninguém o escutava na sala.
ㅡ Ele não tem que ver nada Hoseok, seus pacientes sim. ㅡ Seokjin lhe deu uma olhada desconfiada.
ㅡ Eu... euu...
ㅡ Hoseok...
Jungkook começou a rir e se levantou ficando atrás da cadeira de Seokjin para ver a cara do seu amigo.
ㅡ Você gosta dele. ㅡ Seokjin afirmou. ㅡ Você está transando com Yoongi? - Seokjin relaxou em sua cadeira e riu ㅡ Como eu não vi isso?
E a resposta foi Hoseok se levantando desconcertado, como se houvesse sido pego.
ㅡ E daí? Você também gosta do JK. Não sou tão diferente de você, Seokjin.
O sorriu de Seokjin morreu de repente.
ㅡ Ele está em coma Hyung, em coma. Coloque isso na sua cabeça, como você se apaixona por um paciente em coma? Pelo menos eu me apaixonei pelo ranzinza do Yoongi.
Seokjin respirou fundo e não soube o que responder.
Nessa hora, Hoseok levantou e saiu, fazendo com que Jungkook se aproximasse do médico que olhava para o nada. Jungkook esticou as mãos e tentou tocar suas bochechas, seu coração agora estava apertado.
Será que era por Seokjin que Jungkook não morreu? Será por Seokjin que Jungkook estava preso naquela dimensão?
Jungkook sentiu seu coração se quebrar ali mesmo. Seokjin havia se apaixonado por um moribundo. Puff. Estava fudido também, pensou.
E quando as mãos de Jungkook tocaram os lábios carnudos do médico, esse saiu de seus devaneios e em um pulo na cadeira, se levantando e pondo a sua mão a boca.
ㅡ Aish... o que foi isso?
ㅡ Você pode me sentir? ㅡ Jungkook se levantou e tentou tocar em Jin novamente ㅡ Pode me sentir, Dr? Dr. Kim?
Mas Seokjin cruzou os braços e os esquentou, estava arrepiado. Ele sentiu a presença de alguém naquela sala, mas não havia ninguém.
Estava louco. Então sentiu novamente como se um dedos tocassem seus lábios. O que? Só poderia estar louco, agora sentia presença de alguém ... um fantasma? Espírito?
Merda.
Saiu do escritório com pressa. E Jungkook continuou ali, travado. Era ele. Era Seokjin o fio que segurava Jungkook entre os mundos da vida e da morte. Ele sabia. Ele sentiu.
Jungkook perambulava pelo hospital todos os dias, da ala da maternidade até necropsia. Ele via as conversas dos familiares até das enfermeiras. Mas o que Jungkook gostava mesmo era quando Seokjin chegava e ficava em seu escritório ou no consultório sozinho.
Ele poderia ficar olhando para o médico, ou tocando seus lábios para ver a reação.
Jungkook tentou fazer isso em outras pessoas. Será que tocar os lábios era a ponte? Não, não. Tocar os lábios de somente de Seokjin. Só ele sentia calafrios o que fazia Jungkook não se sentir tão morto.
Mais um mês se passou e Jungkook ainda estava preso às máquinas. Ele seguia Seokjin naquela madrugada fria, sabia que o médico iria para a ala de UTI. Quando chega ao quarto, Seokjin se depara com o médico, Dr. Min Yoongi, colocando uma luz debaixo das suas pálpebras com as lanternas e outro homem que reconhece ser Namjoon, se aproxima para escutar a conversa.
— Se ele conseguisse respirar sozinho, seria um ótimo sinal, mas ele não consegue, já tentamos. Significa que os pulmões não estão se recuperando, que há contusões internas e um ponto de interrogação nas lesões cerebrais.
— O que é isso? — indaga Namjoon.
— Não sabemos quando ele vai acordar, se vai acordar ou o quanto o seu cérebro está comprometido.
E Jungkook viu seu amigo Namjoon chorar.
— Quem é ele? — Hoseok chegou perto de Seokjin, que observava os dois.
— Namjoon, o JK trabalha na empresa dele. Ele é músico.
— Como você sabe?
Fora respondido, com um sorriso triste e saiu.
Durante a estadia de Namjoon ali, Jungkook ficou ao seu lado. Gostava do seu chefe, gostava mesmo, eram amigos. Depois de 2 dias, Namjoon foi embora e tudo voltou ao normal. Seokjin voltara a lhe visitar como sempre, com beijos em suas pálpebras.
Mas a cada dia Jungkook sentia- se cansado. Não sabia o que fazer e como sair daquela situação. Às vezes Seokjin ficava em silêncio e aí podia ver as pequenas lágrimas escorrendo dos seus olhos. E aquilo partia seu coração. Muito. O que levava Jungkook a crer que estava se apaixonado pelo médico, mas se ele morresse? Ele nem sabia o que era.
...
Seokjin estava agora em seu consultório e Hoseok estava almoçando com o amigo, sempre com Jungkook do lado, querendo comer o Kimbap que estavam devorando.
— Quando você vai viajar?
— Eun quer sair amanhã, já estava agendada essa data para minhas férias. Vai ser a nossa última tentativa, você sabe que ele é bem possessivo.
— Eun? — Jungkook perguntou em voz alta, se sentando. Quem é Eun?
— Espero que você tire JK de sua cabeça de vento. — apontou com os hashi pra Seokjin que riu. — Se Eun souber que o namorado dele está apaixonado por um paciente, ele vai surtar, Jin e eu nem quero ver isso.
— Namorado? — Jungkook se levantou, assustado.
— Já pensou se o JK acorda? Você estaria muito fudido.— continuou Hoseok.
— Você bem sabe que essas coisas só funcionam em filmes.
— Toda ficção é baseada na realidade, Dr. Kim — afirmou ele.
— Você é um médico maluco, Hoseok.
— Eu? — perguntou incrédulo. — Me diz por que você entra no quarto de UTI, de um estranho e chora apaixonado, hun? — indagou o outro. — Eu que sou maluco. — Hoseok resmungou.
— E-euu euu... — Seokjin gaguejou. — Não importa. Eun vem me buscar mais tarde e só volto em 1 mês.
— Espero que você tire ele da cabeça, Jin.
— É... eu também espero.
E Jungkook ficou ali, escutando eles mudarem de assunto e falarem da viagem de Seokjin com seu namorado. Seu mundo caiu. Mas já havia caído mesmo, o que ele queria? Puff... Como ele era bobo, como poderia se apaixonar sem ter nem vida e nem morte?
Jungkook voltou para seu quarto na UTI e ficou ali, sentado, se olhando. Ele fechou os olhos, e começou a desejar que tudo aquilo acabasse. Ele tentou se concentrar porque, de repente, uma sensação de aperto lhe abateu e lhe puxou, ele não tinha mais Seokjin.
Os barulho dos monitores começaram a apitar sem parar e uma enfermeiros e Dr. Min correram em sua direção.
— Pressão arterial e pulsação caindo — gritou.
— Ele está com taquicardia. O que aconteceu?
— Chamem Hoseok, o traumatologista e um cardiologista. — Dr. Kim gritou e fora última coisa que Jungkook escutou.
...
Poucos minutos depois, os médicos que Yoongi havia solicitado estavam na frente no quarto da UTI.
— O que aconteceu?
— Seu coração está fraco, não podemos fazer mais nada. Na atual situação, não posso lhe dizer até quanto tempo ele vai aguentar. Sinto muito. — o cardiologista forçou um sorriso e saiu da sala.
— Yoon...
— Hobi, eu não sei o que se passa com você e Seokjin e esse paciente, mas encontramos sua mãe biológica. Ela assinou hoje a ordem de não ressuscitação. — disse triste. — Eu sinto muito.
Hoseok piscou várias vezes, o único que o preocupava era o amigo. Ele agradeceu o outro em sua frente e saiu a procura de Seokjin.
Seokjin já estava em seu escritório, quando o Eun sentou em seu colo e começou a lhe beijar. Ele não gostava muito daquilo em seu ambiente de trabalho, mas seu namorado era insistente. Foi quando Hoseok abriu a porta de vez, ofegante por ter atravessado o hospital quase todo.
— Ele.. ufff.. ele teve uma parada cardíaca.
— Ele quem? — Eun se levantou.
— Encontraram a mãe biológica dele Jin, ela assinou o termo de não ressuscitação do JK.
— Quem é JK? — Eun perguntou vendo o namorado paralisado. — Jin? O que está acontecendo? A gente tem uma viagem marcada. Vamos noivar, Jin!
— Eu... eu ... eu preciso vê-lo.
— Jin? Merda! — disse nervoso. — Estamos programando isso há um tempão, você só pensa nesse hospital. — Eun viu seu namorado levantando sem lhe responder, então segurou o braço de Seokjin, dando um ultimato: — Se você não vier comigo e me abandonar, acabou Seokjin.
Seokjin olhou nos olhos do seu namorado e nada disse. Ele correu para ala de UTI o deixando para trás.
Seokjin não estava pronto para deixar Jeon partir. Não ainda. Mas porque? Nem ele tinha essa resposta.
Cheiros de pessoas em um hospital quase não se evidencia. Mas para um médico com olfato apurado, Seokjin conseguia distinguir o cheiro de Jungkook. Seu quarto tinha seu cheiro, aquele cheiro misturando aí de couro cabeludo não lavado, cheiro de pele sem perfume. Jungkook tinha um cheiro maravilhoso e quando Seokjin beija sua pálpebra e respira lentamente, jurava que queria permanecer ali.
E quando ele chega no quarto de Jeon, só há uma linha. Um fio no monitor, mostrando que Jungkook estava sem batimentos.
Ele havia corrido para chegar até a ala de UTI, não havia ninguém no quarto. Ninguém poderia fazer nada.
Então por um momento o sangue de Seokjin congelou. Ele sabia, Jungkook estava indo. E não, ninguém poderia reanimar uma pessoa que o familiar assinou a ordem de ressuscitação.
Os 5 segundos que ficou parado olhando o monitor, fora o mais rápido que seus neurônios trabalhavam. Seokjin pensou, muito por sinal, nesses 5 segundos. Como nunca imaginou que conseguiria.
E tomou uma atitude.
ㅡ Dr. Kim? ㅡ uma enfermeira o chamou, mas Seokjin já passava por ela e voltava com o carrinho de reanimação.
ㅡ Dr. Kim, não você não pode.
ㅡ SAIA DAQUI, se não for me ajudar. ㅡ Seokjin já injetando epinefrina em sua veia.
A enfermeira saiu correndo e quando Yoongi e Hoseok entraram na sala, se deparou com Seokjin em cima do paciente fazendo massagem cardíaca, enquanto o desfibrilador carregava. Os médicos estvam chocados.
ㅡ Clean ㅡ um choque na caixa torácica de Jeon foi emitida pelo médico. Que a todo custo tentava o salvar.
ㅡ DR. Kim ㅡ Yoongi o chamou.
ㅡ Sem pulso. Preciso de mais Adrenalina ㅡ olhou para Hoseok e estava ao lado do neurologista.
Hoseok ficou travado, ao sentir a mão de seu amado em seu pulso o impedindo. Mas a súplica nos olhos de Seokjin era mais.
ㅡ Por Favor Hobi
ㅡ Hoseok, não faça isso.
O tom na voz de Yoongi era de puro nervoso, já o de soekjin era de puro desespero.
ㅡ Desculpa Yoon. ㅡ Hoseok caminhou rápido para pegar a droga e injetar no paciente olhando para Seokjin com confiança .
ㅡ Carregar ! Clen ㅡ mais uma descarga elétrica.
ㅡ VOCÊS DOIS ESTÃO MALUCOS ? ㅡ Yoongi estava nervoso, olhou para a enfermeira ㅡ Chamem o segurança.
E ali eles sabiam que não tinham muito tempo. Hoseok injetou a dose máxima para parada cardíaca em um paciente e Seokjin ajustou a voltagem máxima.
ㅡ Carregado! Clean.
Hoseok e Seokjin olhavam para o monitor por 2 segundos, era tudo ou nada.
O linha voltou, voltou. Bater. O bip ecoava alto pela sala. O coração havia voltado.
Seokjin empurrou o carro para o lado e se aproximou abraçando Jungkook e apenas deixou as lágrimas rolarem.
Ele beija sua pálpebra mais uma vez.
Ele sabe que Jungkook está prestes a ir embora, ele pode ter outra parada cardíaca a qualquer momento, mas ele tinha que falar. Então ele se inclina até que o seu rosto o ouvido de Jeon sussurra :
— Seja forte. ㅡ ele sorrir com lagrimas no olhos. ㅡ eu sempre te digo isso, hein? Tudo bem não ser também Jungkook- ah. Tudo bem. Se você quiser partir — diz Seokjin agora chorando. — Eu quero que você fique. Como você me fez ficar quando eu tinha apenas 15 anos. Jungkook-ah? Você se lembra de mim? Lembra que me salvou de me afogar? Eu queria terminar com minha vida quando tinha 15 anos e você com apenas 9 anos me salvou e mostrou o quando a vida tem que ser vivida. Nunca me esqueci de você.
Hoseok estava ali escutando tudo que Seokjin dizia para o JK.
ㅡ E depois você foi embora Jungkook-ah, mas me lembro do seu nariz, dos seus olhos. E quando eu te vi eu soube que era você, o garoto que me salvou e brincou com adolescente depressivo. Só você gostava de mim e depois que você foi embora, eu me apaixonei denovo por suas músicas. - Seokjin pega o celular com os dedos tremendo e coloca uma música.
Nessa hora, 2 seguranças chegam no quarto de UTI e Hoseok vê Yoongi pararem e pedir alguns minutos. Ele sorri triste para o namorado.
ㅡ Stay. Gostaria de cantar com você e Namjoon. ㅡ Seokjin sorriu sem humor. ㅡ gostaria de te conhecer mais Jungkook- ah. Eu desejo por qualquer outra coisa na minha vida. Como você me desejou a vida naquele lago, eu estou vivo por sua causa. — tão emocionado, Seokjin tem um voz embargada. Ele faz uma pausa e respira fundo e continua: — Mas se essa não for sua vontade eu entendo. Tudo bem Jungkook-ah. Tudo bem se você decidir não ser forte.
Então Seokjin começa a murmurar a voz bem baixa. Ele não para de repetir: tudo bem Jungkook-ah. Tudo bem Jungkook-ah.Tudo bem não ser forte.Tudo bem Jungkook-ah.Tudo bem não ser forte.Tudo bem Jungkook-ah.Tudo bem não ser forte.Tudo bem Jungkook-ah.Tudo bem não ser forte.Tudo bem Jungkook-ah.Tudo bem não ser forte.
Por fim, ele para e olha bem para o meu rosto, tentando gravar cada detalhe e segurando sua mão.
Então sente.
Ele sente mão do Jungkook ao apertar a dele.
— Jungkook? — ele o chama e Jungkook abre os olhos.
Jungkook tinha um pouco de medo de acordar do coma. Ele até não se importaria de dormir para sempre, ou morrer de vez.
Ficava se perguntando se toda pessoa que estava prestes a morrer passava por essa dimensão, entre a vida e a morte. Onde poderia ver toda sua vida passando pelos fundos dos olhos e divagar sem que as pessoas o vissem.
Jungkook abriu os olhos, não porque queria, porque nem se importava mais, estava cansado de tudo e queria que acabasse logo. Ele abriu os olhos com a dor, seu peito doía agonizantemente.
Ele abriu os olhos então e escutou a sua música antes de vê-lo. Sua respiração estava rápida e ofegante. Seokjin respirava como se tivesse acabado de correr numa maratona, com rosto entregue às lágrimas.
Jungkook piscava freneticamente e sua respiração começou a incomodar.
Parecia que algo o sufocava, o fazendo respirar mecanicamente. E era isso, Jungkook começou a sair do coma, era um milagre.
Seokjin ficou parado e Yoongi o empurrou para desligar o aparelho de ventilação mecânica e desentubar Jungkook.
Fora feito e Jungkook sentiu um alívio enorme. Olhando com suas orbes negras para os 3 homens à sua frente.
Yoongi puxava as pálpebras para cima, colocando a luz daquela lanterna, franzindo as sobrancelhas enquanto escrevia no meu prontuário como se tivesse espantado.
Jungkook seguiu todos com os olhos.
ㅡ Deve ser difícil falar, sua boca está seca? Se sim, pisque os olhos duas vezes.
E foi obedecido. Yoongi deu água para Jeon e seguiu fazendo perguntas e ajustando as medicações.
ㅡ Quer tentar falar?
Mais duas piscadas de Jungkook.
ㅡ Lembra do que aconteceu?
ㅡ M-minha f-amili-a morreu.
Os médicos se entreolharam e Yoongi que estava à frente afirmou com a cabeça.
ㅡ Jungkook-ah? ㅡ Seokjin se aproximou segurando sua mão e capturando o olhar do outro. Não soube bem o porquê, mas estava tão feliz por ver que Jeon tinha acordado que não conseguia se segurar. Ele queria abraçá-lo.
ㅡ Po-r q-ue e-esta c-ho-rando? E-eu co -co-nhe-ço v-ocê?
Jungkook encarou o médico, com olhos vermelhos e inchados, não sabia muito bem o que ele era e por que o olhava daquele jeito. Porque ele chorava? Ele o conhecia?
ㅡ Dr. Kim? ㅡ o segurança chegou perto do médico. ㅡ Não poderá mais tocar no paciente, por favor me acompanhe.
Seokjin soltou aos poucos a mão de Jungkook. Claro. Que patético. O cara estava em coma, como lembraria dele? Que bosta de médico é você, Seokjin?
Ele nem sequer se lembrou dele quando o viu pela primeira vez na recepção do hospital quando acompanhava seus pais, horas antes do acidente. Como Jungkook lembraria dele em coma, quando tudo que fazia era falar com seu corpo sem consciência?
Jungkook viu o médico que estava em sua frente ir para trás, limpando as lágrimas e sair da sala sendo acompanhado por seguranças.
Ele sentiu um vazio na mesma hora. Não soube dizer o porquê e também não conseguia se lembrar da fisionomia daquele rosto.
...
" O júri chegou ao seu veredito! O médico, Dr. Kim Seokjin, foi condenado a 3 meses de prisão e 2 anos em regime aberto. Sem poder exercer a profissão. Será impedido de atender e só poderá trabalhar em instituto de educação com matérias básicas."
Seokjin acordou novamente, suado e revivendo o pior dia de sua vida. Depois de 3 anos, Seokjin era professor na universidade de Seul.
Ele escutou seu telefone tocar. Era Hoseok; havia marcado de se verem aquela noite. Ele confirmou e se arrumou para sua aula que começaria em poucos minutos.
O dia se passava rápido. No começo, Jin odiava ser professor, mas acabou por se acostumar.
No horário marcado, ele estava no bar esperando Hoseok que sairia do interior para vê-lo. Seokjin no julgamento assumiu toda responsabilidade por ter ignorado a ordem de não ressuscitação de Jungkook, tirando assim o amigo de qualquer pena que fosse cair por cima dele.
Era sexta à noite e enquanto o professor esperava o amigo, ele bebia. Havia se tornado mais comum Seokjin beber. E beber muito. Às vezes se achava que era um alcoólatra. Por Deus, ele secava uma garrafa de uísque em uma sentada.
E era isso que fazia ali, aquele pub. Bebendo ainda, agora porque Hoseok mandou uma mensagem dizendo que teve um imprevisto.
O bom de tudo aquilo, era que Seokjin ainda continuava a ganhar bem. Seu salário de professor não era tão ruim. Ele estava tão atônito em seu pensamento e auto depreciação que nem escutou uma voz que chegou ao seu lado.
ㅡ Oi!
E quando ele olhou para o lado, era ele. Jungkook estava ao seu lado. O professor quase caiu do banco em que estava e foi segurado pelo braço de Jungkook, sendo impedido de bater com a bunda no chão.
ㅡ Jimin? ㅡ o mais novo chamou o barman dono do bar e se virou novamente. ㅡ Você está bem? ㅡ o outro em sua frente parecia que tinha visto um fantasma.
ㅡ Você o conhece? ㅡ Jimin chegou atrás do balcão.
ㅡ Não, mas... ele não está muito bem.
ㅡ Eu já recolhi a chave do seu carro e chamei um táxi. Seokjin-ssi, está tudo bem? ㅡ Olhou para Seokjin que estava com a boca branca. ㅡ O táxi sabe onde ele mora. É estranho, ele já bebe mais do que isso e não ficou nesse estado. Será que aconteceu alguma coisa? ㅡ Jimin estava preocupado com seu cliente.
ㅡ Eu levo ele em casa. Como é seu nome mesmo?
ㅡ Seokjin.
ㅡ Seokjin...ㅡ Jungkook repetiu, já tinha escutando aquele nome em algum lugar mas não se lembrava.
Ele estava ali agora, lhe ajudando a entrar no táxi. Era um sonho? Não, ele não podia. Seokjin tinha uma medida protetiva para chegar perto de Jungkook. Na verdade, essa medida já havia acabado há 3 anos, mas ainda sim, não foi ele que lhe procurou correto?
Seokjin parecia uma criança na porta de sua casa. Ele não olhava para Jungkook direito, passou o caminho todo dentro do táxi olhando pela janela. Jungkook havia descido também por algum motivo desconhecido e Seokjin procurava a chave em seus bolsos sem olhar para o mais novo. O que ele queria? Por que não ia embora? Jin também não queria perguntar e olhar para ele.
Quando achou a chave, abriu a porta e fez menção de entrar, resmungando um agradecimento sem olhar para o músico.
ㅡ Não vai me chamar para entrar?
Seokjin se assustou e finalmente olhou de verdade para Jungkook. Ele estava todo de preto, com uma jaqueta preta e os cabelos um pouco longos; um badboy.
ㅡ Estou bêbado, acho melhor não.
ㅡ Qual é? Seokjin, né? Você não está bêbado assim. ㅡ Jungkook se aproximou. ㅡ Já te vi sair daquele bar pior, você nem bebeu uma garrafa toda, como te vejo. Só que hoje você não está com aquele parceiro escandaloso.
Seokjin arregalou os olhos. Como assim? Jungkook se aproximou novamente até que o mais velho sentiu seu hálito alcoólico.
ㅡ Eu também bebi, por isso estou com coragem de fazer o que estou fazendo.
Seokjin então demorou 5 segundos. Novamente, 5 segundo que ele e seus neurônios trabalham loucamente, mas teve a certeza que não trabalhou bem, pois ele entrou em casa, deixando a porta aberta para o mais novo vir atrás de si.
Estava fudido.
Jungkook estava em sua sala. Ele olhava tudo. Era uma cozinha americana, sua casa não era tão grande e nem tão pequena como um apartamento. Seokjin odiava apartamentos.
Ele só poderia estar louco. Já havia bebido 3 copos d'água inteiros olhando para o mais novo.
Nossa como Jungkook estava diferente. Mais corado, cabelos num corte Undercut, maquiado e todo de preto, da jaqueta ao coturno. Seu cheiro se espalhou pela sala pequena de sua casa, misturada com álcool e um pouco perfume.
ㅡ Estava com sede, hein? ㅡ o mais novo o analisou, tirando a jaqueta preta de couro.
ㅡ Humrum...
ㅡ Se você estiver... sabe ...não estiver afim, tudo bem! ㅡ disse se aproximando e olhando para o mais velho que continuava a beber água. Era engraçado.
ㅡ Só estou muito bêbado, só pode.
ㅡNão está. ㅡ se aproximou ㅡ Eu estou um pouco e não era para estar; mas estou. ㅡ Jungkook estava novamente em frente do mais velho. ㅡ Só assim para ter coragem de estar aqui agora com você. De estar tendo essa conversa com você. De ter coragem.
Seokjin piscou os olhos sem entender.
ㅡ Ah, qual é? Eu todos os dias vou naquele bar para te ver, todos os dias, mas nunca tive coragem. E então você estava sozinho hoje e era minha chance. Mas eu não tive coragem e então eu bebi. Acredite, Seokjin, foi muito irresponsável da minha parte colocar álcool em minha boca. Yoongi, meu neurologista, vai me matar por isso.
ㅡ Você bebeu?
ㅡ Sim... valeu a pena. Olha onde estou? ㅡ Jungkook sorriu, ao tocar o rosto do maior. Porra!!! Só estando muito bêbado mesmo para ter se oferecido tanto para aquele homem.
ㅡ Mas você... não pode beber...
ㅡ É, eu sei. ㅡ Jungkook agarrou os cabelos da nuca do mais velho enquanto a outra mais apertava seu ombro. ㅡ Mas eu percebi que só se vive uma vez. Eu quase morri em um acidente e fiquei um tempo em coma. A vida está sempre por um fio. Hoje estamos aqui aproveitando, amanhã pode haver só lembranças.
Aquela altura nenhum dos dois estavam se importando mais ou se preocupando o quanto estavam bêbados e com o que poderia acontecer. Seokjin já havia se segurado o bastante para quase explodir e Jungkook não era diferente.
A sensação de ter o cheiro de Jungkook ali era quase palpável e lhe dava borboletas no estômago, o revirando por inteiro.
A agonia em dizer o que estava preso em sua garganta, o quanto o amava e o quanto sonhou em tê-lo em seus braços.
E dessa vez, era real. Não era um Jungkook em coma, era como o imaginou em seus sonhos mais explícitos.
E dessa vez nada lhe impediu antes de dizer:
ㅡ Eu quero te beijar.
No meio da frase, Jungkook já tinha se aproximado o suficiente para ficar a centímetros do outro, os narizes quase se encostando e as bocas mais ainda.
ㅡ Era isso que precisava ouvir.
O choque de ambos as bocas se chocando com um desejo fora do comum foi o início.
...
Mais uma sexta feira. A aula na faculdade se arrastava e Seokjin só queria ir pra casa. Seu coração estava em expectativa para vê-lo e também ansioso.
Em sua primeira noite, Jungkook saiu de madrugada e quando Seokjin acordou, pensou que era um sonho.
Mas não, Jungkook voltou a sua casa no outro dia. Bêbado novamente, alegando que sem a bebida não chegaria ali, mas que queria Seokjin de novo.
E o mais velho só fez ceder. Não tinha o que fazer, não é mesmo?
Agora depois de um mês, estavam dormindo juntos, transando sem compromisso. Seokjin chegava em frente de sua casa e lá estava ele. Sempre esperando por Seokjin. Agora com moletom preto, bucket hat e seu piercing na boca.
Seokjin abria a boca e Jungkook caminhava para dentro de sua casa com um sorriso safado em seu rosto e quando ele fechava a porta, o mais novo o agarrava.
Dessa vez, suas mãos acolheram o rosto de Jungkook, os polegares desenhando círculos sobre as bochechas vermelhas antes de esfregar-se sobre seu lábio inferior inchado. O mais novo ronronou porque gostava do carinho.
Ele fechou os olhos, beijando o polegar de Seokjin, que estava nu ao seu lado.
ㅡ O que você fez comigo, Jungkook-ah? ㅡ Sussurrou.
E só recebeu um sorriso em resposta já caindo no sono. Então, Jungkook sentiu o beijo do mais velho em suas pálpebras.
E naquele momento ele se lembrou. Lembrou de tudo quando estivera em coma. Não saberia explicar como, mas ele abriu os olhos encarando o rosto do mais velho assustado.
ㅡ Você está bem? Eu te fiz alguma coisa?
ㅡ E-eu lembro Hyung. Agora eu lembro de você.
Seokjin se sentou e ficou desconfortável.
ㅡ Do que está falando?
ㅡ Do hospital? De você me salvar? De você conversando comigo.
Seokjin estava extremamente nervoso.
ㅡ Alguém deve ter falado para você, Jungkook.
O Jeon se levantou e segurou o rosto do mais velho.
ㅡ Eu lembro do seu namorado, eu lembro que deixou ele por mim e por isso estou aqui. Hyung... quando a vida fica por um fio a gente se agarra nela, a gente consegue até dar um nó. Na vida, são as pequenas coisas que valem e você não desistiu de mim.
Seokjin tinha seus olhos cheios de lágrimas.
ㅡ Yeobo... meu fio de vida é você, eu demorei mas te encontrei de novo. Obrigado por não desistir de mim.
Jungkook se ajoelhou, ainda nu em frente ao outro.
ㅡ Casa comigo?
ㅡ Casar? Pensei que me pediria em namoro primeiro.
ㅡ Não quero perder tempo. Quero viver com você cada minuto e segundo de vida que eu estiver, não em outra dimensão. Aqui e agora.
ㅡ Sim! Juntos, em qualquer lugar, sim!
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Essa fic foi baseada no filme Se eu ficar. ( sou boiola por ele).
