Chapter Text
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POV Draco Malfoy
4 anos... 4 anos haviam se passado desde a morte de Voldemort e fim da Guerra.
Tudo havia acontecido muito rápido após o ocorrido. Seu pai, Lucius havia sido condenado a 20 anos em Azkaban. Outros haviam pegado penas muito maiores.
Ele pensou que não haveria muitas consequências para si, porém a lei decretara que qualquer participante que tivesse a marca negra e sido Comensal teria que cumprir uma pena.
Draco foi acusado por quase matar sua colega Penelope, por estar envolvido com Voldemort e ter a marca negra, sendo assim, um comensal em seu último ano, e por fim tentar matar Dumbledore.
Ele foi ao tribunal bruxo, e assim como outros colegas, foi sentenciado a 4 anos de reclusão em Mariland, onde estava desde então.
Essa prisão era como um reformatório para os infratores de pequeno porte. Nem se comparava à Azkaban, por isso ele era grato.
Os dias, e meses que foram passando ali, eram praticamente dias em branco.
Era tratado como um paciente em reabilitação, tinham quartos e alas individuais, horários de refeição, horários de estudo aos que não puderam retornar para seu último ano em Hogwarts.
E 2 vezes por semana cada prisioneiro recebia a visita de um MedBruxo. Eram bruxos formados que se especializavam em diversas áreas de atendimento, como por exemplo acompanhamento psicológico, que era de extrema importância para determinar a evolução mental dos prisioneiros durante suas penas.
Durante os primeiros 3 anos, Draco recebeu os cuidados de um MedBruxo chamado Steve.
Ele achou extremamente perturbador ser obrigado a sentar com um desconhecido que lhe estudava minuciosamente e fazia perguntas pessoais. Com o passar de muitos meses, talvez quase 1 ano inteiro, Draco passou a relaxar com a presença do homem. Apreciou o fato de que, por vezes, ficavam em silêncio, respeitando que Draco apenas não queria falar. Apenas 1 ano depois, acabou acostumando-se às sessões e a conversar um pouco mais. Era uma companhia no final das contas.
Quando o novo ano começou, seria seu último ano antes de ser solto, sentiu-se angustiado, porém internamente feliz. Teria sua liberdade de volta. Agora como um adulto, poderia reiniciar sua vida.
Estava sentado aguardando por Steve, quando uma das supervisoras entrou na sala. Draco franziu a testa.
-Bom dia, sr Malfoy.
-Bom dia. -Ele respondeu.
Ela estava com alguns papéis na mão, e o olhou por cima dos óculos.
-Onde está Steve? -Ele perguntou apressadamente, pois em três anos nunca havia entrado outra pessoa naquela sala específica com ele.
-Sr Malfoy, é exatamente por isso que estou aqui. Steve sofreu um acidente doméstico, e vai precisar ficar afastado por algum tempo.
-O que aconteceu com ele? -Novamente sua voz saiu de forma apressada. Estranhou o sentimento de leve preocupação, nunca havia sentido isso por muitas pessoas, a não ser sua mãe. Mas afinal, recebia a visita do bruxo por três anos, estranharia se não sentisse nada com a falta dele.
-Ele está bem, na medida do possível. Não se preocupe. -A mulher respondeu. -Vai se curar. Mas não sabemos quanto tempo ele vai precisar para isso. Como vocês não podem ficar sem esse acompanhamento, arrumamos uma substituta que fará um trabalho igualmente bom. Ela teve ótimas indicações.
Draco ficou sem palavras. Agora teria que se acostumar com outra pessoa?
-Sabemos que não é o ideal. O ideal seria manter o mesmo profissional. -Ela disse, vendo sua reação. -Mas incidentes acontecem.
Sem ter o que falar, Draco afirmou com a cabeça. A mulher se deu por satisfeita, e, antes de sair da sala falou:
-Acredito que ela foi uma boa escolha. Vocês estudaram juntos, podem se conectar a partir daí. -Ela sorriu, antes de fechar a porta.
Estudaram juntos? O que ela queria...?
Antes que Draco pudesse esboçar qualquer reação, a porta foi aberta novamente e outra mulher entrou. Ele sentiu o sangue esvaindo do rosto.
Granger.
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POV Hermione Granger
1 semana antes
Hermione estava sentada em sua mesa do escritório, terminando o relatório do dia, quando seu supervisor entrou.
-Srta Granger.
-Olá, sr Ferguston.
-Como está indo o relatório? -O bruxo mais velho sentou-se à sua frente, com um sorriso simpático.
-Praticamente terminado. -Ela respondeu com outro sorriso.
-Ótimo. -Pela expressão dele, não esperava menos. -Srta Granger, vamos precisar de seus trabalhos em Mariland.
Ela franziu o cenho.
-Mariland?
-Sim, acredito que o trabalho que vem fazendo conosco é brilhante, por isso você foi minha indicação.
Ela sorriu, sentindo-se orgulhosa com o elogio.
-Uau. Eu não estava esperando... não por agora.
-Um dos nossos colaboradores, Steve, sofreu um acidente e precisará se afastar do caso no momento. Não pude pensar em ninguém melhor para substitui-lo.
Hermione assentiu, ainda orgulhosa.
-Ele vai ficar bem?
-Sim, só não sabemos quanto tempo. Colocamos uma média de 6 meses a 1 ano, então a srta. pode estar preparada para trabalhar neste caso por esse tempo.
-Ok. -Ela assentiu.
Ela sempre teve curiosidade em trabalhar algum dia em Mariland. Havia se formado como Medbruxa especializada em atendimentos humanizados. Depois da guerra, ela sentiu na pele o estresse-pós-traumático de tudo o que viveu, e decidiu que se pudesse ajudar outros bruxos com isto, se sentiria muito melhor. Além de tudo, ela era muito boa analisando pessoas e comportamentos.
-O sr. Já tem o nome de quem vou tratar? -Perguntou, enquanto enchia novamente sua caneca com chá.
-Sim. Acredito que será uma parceria muito interessante, pois ele frequentou Hogwarts com a srta.
Ela ergueu as sobrancelhas em surpresa, enquanto tomava o gole de chá.
-Mesmo? Quem é?
Ele olhou para o papel que segurava por baixo dos óculos, e leu.
-Sr. Draco Malfoy.
Hermione engasgou com o segundo gole, enquanto o sr Ferguston se levantava e dava pequenas palmadinhas em suas costas.
-Malfoy? -Ela repetiu, assim que parou de tossir.
-Sim, algum problema?
Hermione respirou fundo. Ele não fazia idéia...
Mas ela era uma profissional. E mais do que nunca, estava em uma fase de ascensão em sua carreira. Não podia se dar ao luxo de se mostrar fraca, ainda mais por acontecimentos adolescentes, quando ambos ainda eram tão imaturos.
Além disso, a guerra trouxe consigo uma mudança inestimável para todos que estavam presentes. Incluindo ela.
-Certo. -Ela se recompôs, erguendo os ombros. -Nenhum problema, sr Ferguson. Quando começo?
Ele deu um sorriso de orgulho enquanto pedia que ela sentasse novamente para que ele lhe passasse os detalhes.
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-Qual é, de todas as possibilidades, te colocaram justo a Doninha? -Rony exclamou na mesa dos Weasley, enquanto Hermione contava para ele, Harry e Gina, que estava grávida e tinha parado com a colher de manteiga de amendoim a caminho da boca.
-Não foi intencional, Rony. -Ela revirou os olhos. -Vamos dizer que foi um infeliz acaso, do qual eu não posso recusar, justamente agora que estou começando a crescer na minha carreira.
Harry a olhava atentamente.
-Tem certeza de que você vai ficar bem? -Ele estava receoso e com preocupação na voz. -Não é problema recusar uma oferta que vai mexer com seu psicológico, Hermione, tenho certeza que entenderiam...
-Harry, eu sou uma profissional. -Ela disse firmemente, com o queixo erguido. -E não teria porque mexer com meu psicológico, isso já faz muito tempo... -Olhou para suas mãos, encerrando o contato visual com os amigos.
Gina soltou um suspiro, enquanto lambia a colher e a olhava atentamente, assim como Harry.
-Harry tem razão, Hermione. Mas conhecemos você bem o suficiente para saber que você vai colocar a sua carreira em primeiro lugar, e o quão teimosa você é. Ao menor sinal de desconforto com a doninha, reporte ao seu chefe.
Ela assentiu, suspirando.
-Claro. Não se preocupem. Ele deve ter amadurecido algo depois de tudo.
-Eu não colocaria minha mão no fogo por ele. -Rony disse com a boca cheia.
-Argh, você precisa comer com a boca aberta assim? Eu estou grávida! -Gina disse com uma careta, olhando a comida escapulindo da boca do irmão.
Aquilo quebrou o gelo, Harry riu enquanto passava a mão na barriga dela, Hermione sorriu e revirou os olhos.
-De qualquer forma, estamos aqui por você, qualquer problema com ele nos avise. -Gina voltou a falar com Hermione. - Eu ainda posso quebrar a cara dele quando ele sair.
Todo mundo riu, e Hermione finalmente conseguiu relaxar um pouco desde quando recebeu a novidade. Não tinha percebido como seus ombros estavam rígidos.
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1 semana depois
Hermione voltou a encaixar um fio teimoso de cabelo que insistia em sair do seu coque. Tinha colocado as vestes mais profissionais que tinha achado em seu armário, o que incluía um terninho que só havia usado uma vez em sua primeira entrevista.
Mariland definitivamente era um local tranquilo. Bom para a mente dos prisioneiros, ela pensou. Tudo ali era branco, transmitia um pouco de paz, ao mesmo tempo em que passava a idéia de um hospital.
Ela suspirou, enquanto entrava. Uma mulher mais velha de óculos se aproximou em seus primeiros passos.
-Hermione Granger?
-Eu mesma. -Tentou dar um sorriso, e quando se viu no espelho, viu que sua expressão estava mortificada. Esperou que a mulher não percebesse e tentou ao máximo se recompor. -Muito prazer, deve ser a Sra. Jones.
-Exatamente. Estava esperando por você. Acredito que o sr. Ferguson lhe passou todos os detalhes?
-Sim. Ele passou.
-Perfeito. -A mulher sorriu, enquanto a direcionava. -Seja bem-vinda, espero que se sinta bem aqui. Água, chá e café estarão disponíveis na sala. Temos o restaurante, que fica logo ali. Se tiver qualquer dúvida pode me chamar na sala principal, aquela é minha sala.
Enquanto ela apontava aos locais, Hermione tentou ao máximo se concentrar no que ela dizia e assentir com a cabeça.
-A srta. chegou um pouco antecipada, mas acredito que não tenha problema em entrar mais cedo. Será até melhor, para a nova interação com o sr. Malfoy.
Hermione assentiu novamente, e sentiu as mãos suarem. O que estava acontecendo? Aquilo era ridículo. Era uma mulher adulta, não podia estar nervosa como uma garotinha.
Ela estava bem, era uma profissional. Não iria demonstrar fraqueza.
-Alguma dúvida? -A mulher estava falando mais algumas coisas, que ela não ouviu, e então pararam em frente a uma porta.
Era ali. Hermione negou com a cabeça.
-Não, senhora.
-Fique à vontade. Espero a sua visita em minha sala quando terminarem a sessão, para saber como foi.
-Ok. Obrigada. -Hermione deu o máximo que pôde de um sorriso.
A Sra. Jones deu um sorriso simpático, enrugando os olhos, e se afastou. Hermione de repente se sentiu perdida como quando tinha 11 anos e pisou pela primeira vez em Hogwarts, queria pedir a ela que voltasse.
Precisou de um minuto, enquanto respirava fundo e arrumava o terninho pela centésima vez.
Vamos lá, Hermione, não seja ridícula. Você é uma profissional, e vai dar tudo certo.
Arrumou os ombros, ergueu o queixo, e abriu a porta da sala com o máximo de segurança que podia transmitir enquanto entrava.
