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Summary:

Chan nunca tinha enfrentado um bloqueio criativo tão cruel. As ideias se recusavam a tomar forma, os sons pareciam estagnados, e o estúdio, sempre seu refúgio, agora soava abafado, vazio. Exausto de insistir, acendeu um baseado, esperando que a fumaça ajudasse onde a música falhava.

Hyunjin sabia exatamente o que aquilo significava. Sabia pela forma que o Chan se escondia. E sabia, principalmente, que seu hyung não pediria ajuda, mas aceitaria se ela viesse da forma certa.

E ele pretendia oferecer do jeito certo.

Work Text:

Chan já estava há horas no estúdio. O relógio na parede marcava um horário irrelevante, e ele sequer lembrava a última vez que havia comido algo. O estômago estava vazio, mas o cérebro parecia ainda mais. Já não sabia se lá fora era dia ou noite, verão ou inverno — talvez tivessem sido abduzidos ou uma nova pandemia tivesse dizimado metade da população e ele não teria percebido. Mas, sinceramente, não se importava.

Precisava terminar logo aquela gravação. Chan não iria sossegar enquanto não finalizasse. E o pior de tudo, é que aquela música nem faz parte de um álbum.

O problema era que nada saía. Nenhuma batida soava certa, nenhum acorde parecia encaixar. Nenhuma palavra vinha.

A última bronca que levara tinha sido de Minho, horas antes. O amigo havia gravado sua parte de uma canção e, para o alívio de Chan, foi tudo rápido. Minho quase não errava. Só algumas correções sutis de pronúncia em inglês. Em minutos, já estava recolhendo os fones e deixando o estúdio com um olhar exausto, mas satisfeito. Antes de sair, passou a mão pelo ombro de Chan com força demais — como se quisesse sacudi-lo por dentro — e soltou um “você está horrível, dorme, pelo amor de Deus”, antes de sumir pela porta.

Jisung e Changbin também já tinham passado por lá. Fizeram piada, deram ideias, apagaram frases, rabiscaram partituras, ajustaram samples. Tentaram ajudar, de verdade. Como os outros produtores do grupo, era comum que passassem horas trancados ali com Chan, cercados por abafadores de som, laptops abertos e latas de energético vazias. Mas naquela noite, todos foram embora. E Chan ficou.

Ficou porque não conseguia sair. Porque, mesmo sem conseguir criar nada, ainda sentia que precisava.

Frustrado, empurrou a cadeira para trás e se levantou de súbito, como se pudesse andar até onde as ideias estavam escondidas. Foi até os fundos e pegou o violão encostado ao lado de uma caixa de cabos. Sentou-se no sofá, a madeira do instrumento contra o peito, e dedilhou algumas notas soltas. Um lá menor, depois um sol, um ré — acordes que ele conhecia tão bem que quase se tocavam sozinhos.

Mas nada surgia. Nenhuma melodia viva. Nenhuma fagulha criativa.

Soltou um suspiro longo, exausto. Os dedos pararam nas cordas, e ele pousou o violão no chão, com cuidado. Caminhou até o teclado no canto da sala. Sentou-se mais uma vez, dessa vez curvado, os ombros baixos. Tocou uma sequência simples, algo que costumava relaxá-lo. As notas saíam limpas, suaves, preenchendo o estúdio vazio com uma calma incômoda.

Mas, dentro dele, tudo era ruído. Suas ideias estavam sujas, ocas, vazias.

Fechou os olhos e tentou. Tentou deixar a música vir sozinha. Tentou se lembrar do porquê amava tanto aquilo. Tentou pensar nos fãs, nos amigos, na sensação de cantar no palco com as luzes todas voltadas pra eles.

Mas nada.

Voltou para sua mesa. As luzes da tela do computador piscavam como se zombassem dele. As trilhas abertas no programa de edição estavam lá, esperando. Mas ele não estava mais.

Abriu a gaveta do lado direito, sem pensar muito, e tirou um baseado que havia deixado ali semanas atrás. Não costumava usar com frequência, mas às vezes… às vezes, era necessário.

Como se o mundo estivesse pesado demais para ser sentido sóbrio.

Acendeu com um isqueiro qualquer, puxando a fumaça com os olhos semicerrados, os pensamentos amolecendo devagar. O calor do estúdio parecia mais abafado, a madeira do chão mais distante, e o próprio corpo… mais leve.

Não era o tipo de fuga que gostava de ter. Mas, naquele momento, era tudo o que restava.

Ficou ali, apoiado na cadeira, o braço largado sobre a mesa, ouvindo o som do próprio coração e o tique sutil do relógio na parede — cada segundo que passava parecia zombar dele.

Chan não sabia se precisava dormir, chorar ou desistir de vez.

Mas sabia que precisava que algo — qualquer coisa — mudasse logo.

Levou o cigarro até os lábios secos e puxou uma, duas, três vezes, sentindo a fumaça quente arranhar sua garganta e preencher os pulmões como se aliviasse um peso que ele nem sabia estar carregando. O corpo começou a relaxar devagar, os ombros antes tensos agora caindo, e a mente — sempre acelerada, sufocada de pressões e prazos — enfim silenciando, mesmo que por minutos.

Colocou os fones de ouvido, afundou-se na cadeira e deu play na faixa que estava tentando produzir havia dias. A ideia tinha surgido forte, crua, quase como um sussurro no escuro.

A inspiração veio de um sonho que ele mal lembrava, mas que tinha deixado uma marca nítida no peito. Um daqueles que misturam imagens desconexas com sensações muito reais. E, no meio disso, um filme que ele vira semanas atrás, sobre dois amantes presos em um relacionamento visceral, obsessivo, autodestrutivo. A combinação foi suficiente para plantar uma semente criativa que crescia feito erva daninha.

Desejo. Caos. Um tipo de amor doentio que queima mais do que conforta.

Era isso. Era esse sentimento que ele queria traduzir.

A letra já estava escrita, cheia de frases rasgadas, ambíguas, quase cruéis. A melodia também estava quase finalizada: pesada nos graves, marcada por batidas lentas e texturas densas. Mas ainda faltava alguma coisa. Algo que desse profundidade, que transformasse aquilo tudo em carne, em arrepio, em verdade.

Era como se a música estivesse parada na superfície — bonita, mas estéril. Sem alma.

O baseado já estava no fim, queimando perto de seus dedos quando a porta do estúdio se abriu com um clique abafado. Chan não percebeu de imediato — estava imerso demais no som e nos próprios pensamentos. Só notou quando uma brisa sutil movimentou o ar carregado de fumaça.

— Channie? — a voz veio baixa, curiosa, seguida do som suave de passos sobre o chão de madeira.

Chan se sobressaltou, deixando cair as cinzas em sua blusa. Tossiu, engasgando com a última tragada.

— Merda! — disse, erguendo os olhos, surpreso. — Hyunjin… desculpa. Eu não sabia que você ia aparecer agora.

— Bom, não estava nos meus planos — Hyunjin respondeu com naturalidade, parando ao lado dele, com os braços cruzados e uma expressão indecifrável. — Mas o Minho me disse que você ainda estava aqui. Então resolvi aparecer… e tentar tirar você desse estúdio.

— Não posso ir, Hyune — Chan bufou, passando a mão no rosto. O efeito da droga o deixava mole, lento, mas ainda ansioso por dentro. — Preciso terminar a música.

— Eu sabia que você ia dizer isso — Hyunjin riu de leve, como quem já conhecia a resposta antes mesmo de perguntar. Tirou a mochila das costas e a apoiou na mesa, de onde retirou um pote simples e transparente, com um sanduíche bem recheado, e um copo térmico. — Trouxe pra você. É frango grelhado com maionese de alho. E suco de abacaxi com hortelã. Do jeito que você gosta.

Chan olhou para o lanche como se fosse uma miragem no deserto.

— Você é um anjo, Hyune.

Pegou o sanduíche com as mãos ainda trêmulas e deu uma mordida grande, deixando escapar um suspiro satisfeito. O suco veio logo em seguida, e o líquido gelado desceu como um choque bom, limpando a garganta ressecada, trazendo-o um pouco de volta à terra.

— Eu tava mesmo precisando disso.

Hyunjin o observou comer, os olhos atentos demais para alguém que só veio trazer comida. Um sorriso quase malicioso se formou em seus lábios — mas Chan, distraído, não notou.

— Já que tô aqui… deixa eu te ajudar — Hyunjin puxou uma cadeira e sentou ao lado dele, cruzando as pernas com elegância casual. Seus movimentos eram lentos, quase provocativos. — Do que você precisa?

Chan apoiou o cotovelo na mesa, massageando a têmpora.

— Inspiração. Ideias... — respondeu num resmungo preguiçoso, ainda mastigando. — Ainda tô preso naquela música.

— Ainda? — Hyunjin o encarou, os olhos escuros observando cada traço do rosto de Chan. Mesmo exausto, com olheiras fundas e cabelo bagunçado, o produtor ainda parecia bonito demais. Ou talvez fosse só o efeito da luz baixa e do afeto. — Posso tentar te ajudar. Separei uns vídeos, textos... ou, se quiser, posso inventar alguma ideia.

— Aceito tudo o que você quiser me dar — Chan murmurou, sem perceber o leve rubor que subiu pelo pescoço de Hyunjin.

— Então vamos começar.

Hyunjin ajeitou-se na cadeira, agora mais perto. A perna roçou sutilmente na de Chan, mas nenhum dos dois recuou. O celular foi desbloqueado com um gesto ágil, e logo Hyunjin estava abrindo uma pasta de referências que havia separado — ele não disse, mas tinha feito aquilo pensando em Chan desde o início.

— Eu separei umas coisas esses dias… nada muito elaborado, mas com aquela vibe que você queria.

— Do caos? — Chan perguntou, com a voz mais baixa agora. Estava se permitindo relaxar.

— Daquela relação que se esfarela por dentro, mas ninguém consegue soltar. Aquela coisa sufocante… tipo “eu sei que você me faz mal, mas ainda assim preciso de você”.

Chan sentiu um arrepio na espinha.

— Isso. É exatamente isso.

Hyunjin sorriu de lado, satisfeito por ter acertado em cheio. Estendeu o celular e deu play em um vídeo curto: um trecho de um filme estrangeiro, com cenas em preto e branco, dois personagens se encarando em silêncio, olhos cheios de dor e desejo. A música de fundo era dissonante, desconfortável.

— E aí? — perguntou Hyunjin, depois de alguns segundos.

Chan não respondeu de imediato. Estava concentrado, os olhos fixos na tela, como se estivesse absorvendo cada frame.

— Isso tem alguma coisa. Essa tensão muda… essa coisa de que um toque pode ser um pedido de socorro ou uma ameaça.

— Exato — disse Hyunjin, mais baixo agora, como se falasse para dentro da alma de Chan. — Isso que a gente quer capturar.

A palavra “a gente” não passou despercebida. E, de repente, o estúdio já não parecia tão sufocante. Chan sentiu a primeira fagulha em horas acender bem ali — e, dessa vez, parecia real.

Hyunjin abriu outro vídeo no YouTube, sem dizer nada. Era um curta experimental, em preto e branco. Cortes rápidos, rostos em close, olhos que gritavam sentimentos que nenhuma palavra saberia traduzir. A trilha era desconfortável: vozes sobrepostas, sussurros entrelaçados, o som abafado de pele contra pele, o arrastar de tecidos, quase como se a câmera estivesse invadindo algo íntimo demais para ser mostrado.

Chan assistiu em silêncio. Os olhos fixos na tela, os ombros imóveis. Só a mandíbula contraída denunciava que algo dentro dele se mexia.

— E esse? — Hyunjin perguntou, sem esperar resposta. Já trocava para o próximo vídeo: uma performance de dança contemporânea, luz baixa, dois bailarinos se entrelaçando no palco como se estivessem em guerra e em oração ao mesmo tempo.

Os corpos colavam, se empurravam, tremiam. Havia violência nos gestos, mas também uma entrega bruta, uma dependência que se materializava em cada toque desesperado.

Chan mordeu o lábio, o cenho franzido. A respiração mais lenta. Esticou uma das mãos até o teclado ao lado e tentou acompanhar a cena com algumas notas. Mas os dedos vacilaram nas teclas. A melodia que surgiu era bela, mas vazia. Sem profundidade. Sem ferida.

Ele parou, os olhos ainda na tela, e então se inclinou devagar, os cotovelos nos joelhos, os cabelos caindo sobre o rosto como uma cortina. O silêncio tomou conta da sala de novo — denso, melancólico.

— Nada parece certo — murmurou, mais para si mesmo do que para Hyunjin. — Eu sei o que quero sentir quando escuto essa música… Mas nada me leva até lá. Nem os vídeos, nem a melodia. Tudo parece… superficial. Frio. Faltando alguma coisa.

Hyunjin ficou em silêncio por alguns segundos. Observou Chan ali, curvado, vulnerável, os cotovelos nos joelhos e os cabelos caindo sobre o rosto como uma cortina. Havia algo cru naquele cansaço — um tipo de fragilidade que chamava mais do que preocupava.

Sem dizer nada, Hyunjin se levantou devagar da cadeira. Foi até ele, contornando o teclado, e se posicionou atrás de Chan, os passos calmos, a presença repentina quase tangível.

Chan não reagiu de imediato — não percebeu. Só notou quando sentiu duas mãos grandes e quentes pousarem em seus ombros.

— Relaxa um pouco — disse Hyunjin, a voz baixa, perto da sua orelha.

Os dedos começaram a massagear seus ombros, com pressão firme, compassada. Chan arregalou um pouco os olhos, surpreso, mas não se mexeu. Os polegares de Hyunjin encontraram pontos de tensão com precisão, como se soubessem exatamente onde doía.

— Você tá carregando tudo nas costas de novo — ele sussurrou, e a voz agora soava mais próxima, como se a intenção fosse escorrer pela pele.

Chan soltou o ar devagar, os ombros cedendo. A cabeça caiu um pouco para frente, os olhos se fechando.

— Você é bom nisso — murmurou, num fio de voz.

Hyunjin riu baixo, um som rouco que reverberou perto demais da sua nuca.

— Em te ler? Sempre fui.

A resposta fez Chan sorrir com o canto dos lábios, ainda de olhos fechados.

As mãos de Hyunjin deslizaram das escápulas para a base do pescoço, subindo com calma até os fios do cabelo desgrenhado. Ele os afastou com delicadeza, os dedos roçando suavemente na nuca suada de Chan. Um arrepio percorreu sua coluna.

— Tá calor aqui, né? — Hyunjin perguntou, casual, mas com uma malícia discreta no tom. — Deixa eu te ajudar.

Chan assentiu sem pensar.

Hyunjin pegou um elástico no próprio pulso e, com cuidado, foi reunindo os fios soltos. Seus dedos passaram devagar entre os cabelos, os nós sendo desfeitos com calma, e o toque — leve demais para ser apenas prático — fez Chan prender a respiração por um instante.

— Você devia usar o cabelo preso mais vezes — Hyunjin disse, puxando os fios num coque pequeno no alto da cabeça. — Fica bonito. Dá vontade de… — parou no meio da frase e sorriu. — Nada.

Chan abriu os olhos devagar, tentando esconder o rubor que começava a subir em seu rosto.

— De quê? — tentou soar casual, mas a voz saiu baixa, meio hesitante.

— De puxar — Hyunjin respondeu, com um sorriso enviesado, os olhos cravados na pele sensível da nuca de Chan. — Mas finge que eu não falei isso.

Chan riu, surpreso. Baixou a cabeça de novo, tímido, mas não recuou. Pelo contrário: os ombros estavam mais baixos, o corpo mais solto. E havia um calor novo sob a pele.

Hyunjin voltou às costas, os polegares trabalhando os músculos sob a camiseta fina. Dessa vez, os toques estavam mais lentos. Mais íntimos. Os dedos se demoravam um pouco mais em cada curva do ombro, escorregavam pela lateral do pescoço, subiam de novo até a raiz do cabelo.

Chan engoliu seco. Queria dizer alguma coisa, mas não conseguia. Só deixou que aquilo acontecesse.

— Tá melhor? — Hyunjin perguntou, e a pergunta não era só sobre a tensão.

Chan assentiu devagar.

— Uhum. Tá… bem melhor.

O silêncio que veio depois foi denso, carregado — não de constrangimento, mas de algo que parecia prestes a acontecer. Algo que ainda não havia sido dito em voz alta, mas que ambos já sentiam. Hyunjin voltou a sentar ao lado de Chan.

— Talvez você esteja procurando em lugares demais — Hyunjin disse, firme, o olhar ainda preso ao corpo tenso à sua frente. — Tentando forçar o sentimento, em vez de deixar ele te engolir.

— É, mas se eu deixar ele me engolir, Hyunjin… eu afundo.

Hyunjin riu, um som abafado, suave.

— Talvez seja isso que você precise — disse, se afastando só o bastante para pegar algo na mochila. — Se afundar.

O zíper foi aberto, e logo veio o clique baixo do isqueiro. Chan virou o rosto devagar e viu Hyunjin acendendo um baseado com naturalidade, tragando fundo, os olhos fechados como quem ouve uma música silenciosa.

A fumaça escapou dos lábios grossos com um traço artístico.

— E se eu desistir? — Chan perguntou, a voz mais baixa.

Hyunjin não desviou o olhar.

— Aí não seria você.

O silêncio que veio depois foi denso — mas cheio de significado. Os olhos de Hyunjin voltaram a percorrer Chan com atenção, como se decifrassem cada centímetro dele. O cansaço. A confusão. A vontade de sumir.

Ele se aproximou mais uma vez. Tocou novamente a perna de Chan com a sua, e agora pousou a mão na coxa dele, firme.

— Você não precisa fazer isso sozinho. Me deixa afundar com você.

Chan fechou os olhos. Pela primeira vez em dias, sentiu algo que não era peso. Era vertigem. Mas não parecia tão ruim assim.

— Abre a boca — disse, baixo, o tom tão calmo que parecia inocente, mas o olhar denunciava o contrário.

Chan o encarou, surpreso, os olhos se estreitando um pouco, mas não recuou. Não disse nada.

Hyunjin levou o baseado até os lábios de Chan com a mesma suavidade com que se leva um segredo ao ouvido. Os dedos roçaram sua boca — quentes, firmes, o toque breve e absolutamente consciente. Aquilo não era só um gesto casual. Era um convite. Um teste.

Chan obedeceu sem pensar. Os lábios se entreabriram, e a ponta do baseado encostou ali como se selasse algo não dito. Ele puxou a fumaça devagar, sentindo o calor invadir o corpo de dentro pra fora, mas havia outra coisa queimando ali. Algo mais perigoso.

Seus olhos ficaram presos nos de Hyunjin, como se tentassem entender de onde vinha tanta calma provocativa. E Hyunjin apenas observava. Quieto. Como quem estuda a reação de algo delicado — ou inflamável.

— Vai ajudar a soltar esse nó — murmurou Hyunjin, como se aquilo fosse só mais um cuidado, e não uma provocação embutida em cada gesto.

Chan tragou devagar, a fumaça preenchendo os pulmões, mas era o olhar dele que o deixava tonto. A boca entreaberta, o rubor nas bochechas, os dedos ainda trêmulos de leve. O ar entre eles parecia diferente agora. Mais denso. Mais quente.

— Me mostra a música — disse Hyunjin, voltando a se recostar levemente, mas o sorriso no canto da boca permanecia. Um meio sorriso malicioso, como quem sabe o efeito que está causando e gosta de prolongá-lo.

Chan assentiu em silêncio, os sentidos em alerta. Voltou ao notebook, os dedos hesitando um pouco nas teclas. Clicou na pasta certa. Deu play.

A demo começou com um som etéreo, quase delicado. Um synth suave preenchia o espaço, criando uma atmosfera onírica, antes que os graves entrassem — espessos, arrastados. Depois, a voz de Chan surgia, rouca, íntima, quase como um sussurro confessional ao pé do ouvido. A letra falava de desejo incontrolável, de mãos que se buscavam no escuro, de noites em que fugir não era mais uma opção. Era sobre entrega. Sobre vício. Sobre não saber se aquilo era amor ou ruína.

Hyunjin fechou os olhos ao ouvir. O pé batia no chão, levemente, marcando o tempo. Mordeu o lábio inferior quando o refrão chegou — uma explosão abafada de dor e anseio, que não se resolvia. E era exatamente isso que o deixava bom.

Quando a faixa terminou, o silêncio que ficou parecia vibrar entre eles. Hyunjin ainda tinha os olhos fechados, o corpo levemente inclinado pra frente, como se estivesse sentindo os últimos ecos da música no peito.

— A letra tá forte — disse, por fim. — Tem verdade.

Abriu os olhos. Encarou Chan de novo, mais sério agora.

— Mas a base tá segura demais. Você tá segurando o soco. Tá com medo de machucar.

Chan bufou, frustrado, batendo a mão na coxa com força contida.

— Eu sei! Mas eu não sei como mudar isso. Eu começo a mexer e acabo… suavizando tudo. Corto o que incomoda. Tento fazer soar bonito. Quando não é bonito.

— Então deixa ser feio — respondeu Hyunjin, a voz mais baixa. — Deixa doer.

Chan virou o rosto devagar para encará-lo. E por um segundo longo, havia algo ali — no ar, no som abafado do computador, no espaço entre os dois. Como se o estúdio inteiro tivesse parado. Como se o tempo estivesse esperando por um passo.

Hyunjin se inclinou de novo, só um pouco, como quem saboreia o impacto da tensão que ele mesmo construiu.

— Eu fico pensando… — murmurou — se você só consegue escrever sobre esse tipo de sentimento porque já sentiu isso.

Chan desviou os olhos, os músculos do rosto enrijecendo. Mas continuava ouvindo. Cada palavra. Cada silêncio entre elas.

— Ou será que isso é só um desejo seu?

A pergunta não era só provocação. Era uma faca de ponta fina. Uma que cortava sem dor imediata — mas deixava marcas.

Hyunjin o observava com atenção, e, mesmo sem resposta, entendeu. Chan não precisava dizer nada. O silêncio dele falava alto.

Foi quando levantou a mão devagar e tocou o rosto de Chan. Segurou com as duas mãos, os dedos acariciando de leve a linha do maxilar, os polegares roçando a pele quente e sensível. Havia ternura ali, mas também algo mais. Algo que queimava sob a superfície.

Chan ficou completamente imóvel, exceto pelos olhos — arregalados, surpresos, vacilando. Mas não havia medo. Havia entrega.

— Eu vou te ajudar com essa parte — disse Hyunjin, a voz tão baixa que parecia destinada apenas a ele. — Talvez o que te falte… seja um vislumbre desse desejo. Sentir ele de verdade.

Então, com calma, levou o baseado de volta à própria boca. Tragou devagar. A fumaça se acumulou nos pulmões. O ar pareceu vibrar.

O estúdio estava silencioso, exceto pela reverberação residual da última faixa — grave, como um coração pulsando perto demais do ouvido. O cheiro de fumaça misturado ao de calor, à eletricidade do que não se diz.

Hyunjin se inclinou. Até seus joelhos tocarem os de Chan. Até os narizes quase se encostarem. Podia sentir a respiração do outro: quente, entrecortada. Chan mantinha os olhos abertos, mas instáveis, como se não soubesse para onde olhar — para a boca de Hyunjin, para seus olhos, para as mãos em seu rosto.

Então Hyunjin soltou a fumaça. Mas não apenas no ar. Ele a soprou para dentro da boca de Chan, lenta, firme, como quem selava algo invisível entre eles. Os lábios se encostaram por fim. Um toque suave. Quase imperceptível. Mas denso como um raio.

Chan estremeceu, o corpo enrijecido por um instante, depois mole, entregue.

— Hyune… — a voz saiu grave, rouca, quase um pedido. Um sussurro partido que ele não teve tempo de esconder.

— Eu tô aqui, Channie — respondeu Hyunjin, a boca perto demais da dele, a voz suave como uma promessa. E então, sem esperar mais, arrastou seus lábios pelos de Chan, devagar, de um canto ao outro, como quem experimenta. Como quem quer guardar o sabor.

Chan soltou um suspiro fraco. As mãos dele ainda estavam no colo, mas os dedos já se mexiam, nervosos, como se procurassem onde se agarrar.

Hyunjin sorriu contra sua boca. Um sorriso pequeno, quase vitorioso.

— Você precisa que alguém tome o controle — sussurrou contra a boca dele. — Pelo menos por enquanto. Você precisa sentir tudo o que escreveu nessa música… ou pelo menos uma parte.

As mãos de Hyunjin deslizaram pela nuca de Chan, subindo devagar entre os fios castanhos, até se enroscarem ali com firmeza. Puxou com cuidado, os dedos arranhando de leve a raiz, o bastante para arrancar um suspiro tenso de Chan — que já respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo em ritmo acelerado.

Ele estava entregue. E perdido.

A mão de Chan, antes inerte, agora repousava sobre a coxa de Hyunjin, firme, quente, como se tivesse ido parar ali por vontade própria — e, de certo modo, tinha. Ele não recuou. Pelo contrário, apertou de leve, sentindo o músculo sob o jeans justo, os dedos se moldando ao volume da perna com mais intimidade do que ousaria admitir.

Hyunjin riu baixinho contra a pele do outro, o som vibrando direto em sua boca.

— Então, Channie? — disse entre um beijo e outro, mal tocando, mas incendiando. — Vai me deixar assumir o controle dessa vez?

Chan não respondeu com palavras. A cabeça rodava, o corpo ardia, os pensamentos embaralhados. Mas o olhar… o olhar dizia tudo. Era vulnerável, ansioso, cheio de algo entre o medo e a vontade.

— Por favor… — murmurou, com a testa encostada na de Hyunjin, a voz rouca, trêmula. — Eu quero isso… Eu quero você.

Hyunjin fechou os olhos por um segundo, como se aquela frase tivesse atravessado o peito. Quando os abriu de novo, sorria — um sorriso pequeno, mas carregado. De alívio, de desejo, de algo antigo que finalmente saía da sombra.

Há tanto tempo ele esperava por aquilo.

— Hm… o hyung pedindo assim… — sussurrou, quase cantando, deixando a palavra escorrer entre os lábios com gosto. — Fica difícil não querer obedecer.

Chan estremeceu. Aquilo o atingiu em algum lugar fundo. Não era só a palavra. Era o jeito como Hyunjin a disse — sem submissão alguma, mas com um prazer claro em virar o jogo. Em provocar. Em fazê-lo sentir.

A reação foi imediata. Chan engoliu seco, o rosto corando visivelmente, mas não desviou. Queria mais. Queria aquilo.

Hyunjin afundou os dedos nos cabelos presos no coque e puxou com mais firmeza, forçando Chan a erguer o queixo. Iniciou um beijo mais profundo, arrastado, uma dança lenta de língua e lábios. Não havia mais hesitação — nem da parte de Chan. Sua boca era quente, faminta, tentando acompanhar o ritmo imposto por Hyunjin, tentando memorizar o gosto, o peso, o toque.

Mas então Hyunjin interrompeu. Afastou os lábios apenas o suficiente para sentir a respiração quente dele contra a boca.

— Não, Channie… — murmurou, ofegante. — Eu cuido de você. Eu tô no controle agora. Só aproveita.

Chan fechou os olhos, respirando fundo, e se deixou cair. Não no sofá. Não nos braços. Mas no momento. No toque. No desejo que sempre esteve ali, agora liberado, sem mais desculpas.

O beijo voltou mais forte. Uma onda que engole, um impulso que não permite recuo. Hyunjin o puxava pela nuca, pressionando seus corpos, dominando cada movimento com uma precisão quase coreografada — como se soubesse exatamente como tocar Chan, exatamente o que provocar.

Os dedos dele desceram da nuca para o ombro, depois pelo braço coberto pelo moletom, apertando o músculo tenso ali. Chan soltou um suspiro, quase um gemido abafado, que fez Hyunjin sorrir contra sua boca.

— Tão bonitinho assim, hyung… — provocou de novo, sussurrando a palavra com um carinho debochado.

Chan apertou mais forte sua coxa, os olhos meio fechados, entre o prazer e o embaraço. Estava corado até as orelhas. Mas sorria. Um sorriso tímido, pequeno, que se desmanchava a cada beijo.

O baseado ainda queimava esquecido no cinzeiro, lançando uma linha fina de fumaça que se misturava ao calor da sala. Hyunjin se afastou por um instante, pegou o que restava com dois dedos e tragou devagar, os olhos cravados nos de Chan.

— Abre a boca — pediu, a voz mais grave, arrastada de desejo.

Chan obedeceu sem pensar. Hyunjin soltou a fumaça ali mesmo, entre os dois, deixando-a pairar no espaço estreito entre suas bocas. Era como se compartilhassem mais do que o ar — compartilhavam o mesmo ritmo, o mesmo pensamento, o mesmo pulso.

Hyunjin tragou de novo e, dessa vez, buscou a boca de Chan para dividir ali. Um beijo lento, molhado, cheio de fumaça e tensão e língua. E dessa vez… eles não pararam.

A cadeira rangeu levemente sob o peso dos dois. Chan ainda estava sentado, mas Hyunjin já se encaixava entre suas pernas, os corpos colados, respirando juntos. Suas mãos estavam na cintura de Chan, firmes, puxando-o com ritmo, marcando território.

Então ele se afastou apenas o suficiente para falar, o olhar quente, a voz baixa:

— Vem aqui comigo.

Chan piscou, confuso por um segundo, mas entendeu quando Hyunjin se ajeitou melhor na cadeira, abrindo espaço no colo. Puxou-o pela cintura com naturalidade, os dedos pressionando sua pele por baixo da blusa.

— Senta aqui — disse, com dois tapinhas leves em sua coxa, e completou com um sorriso travesso: — Anda, hyung… deixa eu te sentir direito.

Chan prendeu o ar, os lábios entreabertos, os olhos vidrados nos dele. Aquilo... Aquilo não era só provocação. Era desejo cru, honesto, direto. E ele não queria dizer não. Não queria recuar.

Só queria… cair.

Chan hesitou por menos de um segundo. Havia algo ali, uma expectativa tremendo entre os dois, mas não havia mais medo. Nem dúvida. O desejo tinha ultrapassado todas as barreiras.

Com um movimento lento, quase respeitoso, ele passou uma perna por cima do outro e se acomodou no colo de Hyunjin, os joelhos firmes de cada lado, o rosto perto demais.

Hyunjin soltou um suspiro abafado assim que o peso de Chan se instalou sobre ele. As mãos deslizaram com naturalidade para a cintura do mais velho, apertando, puxando, moldando sua pele entre os dedos como se ela fosse dele.

— Isso, Channie… assim mesmo — disse contra sua boca, com a voz baixa e arrastada. Voltou a beijá-lo com vontade, mas dessa vez sem contenção. Um beijo cheio de língua, de dentes, de urgência. Era sujo, era quente, mas acima de tudo, era libertador.

Hyunjin tomava conta. A mão dele subiu pela lateral do corpo de Chan, aberta, quente, explorando as costelas, passando pelo tórax até alcançar a nuca. Lá, apertou de leve, puxando os cabelos enquanto o beijo aprofundava.

A língua dele invadia sem pedir, dançava com a de Chan num ritmo que era só dele. A boca de Hyunjin era exigente, molhada, quente demais. Quando sugou o lábio inferior de Chan com força, um gemido escapou alto, sem controle.

— Assim, hyung… — murmurou contra a boca dele, ainda segurando seu cabelo. — Geme pra mim. Me mostra o quanto você quer isso.

Chan mal conseguia reagir com palavras. Seus quadris já se moviam por instinto, encaixando, procurando, tremendo, sentindo a firmeza de Hyunjin bem abaixo de si. As mãos apertavam os ombros do loiro com desespero, e ele arfava a cada investida de língua, a cada toque que parecia incendiar sua pele.

As mãos de Hyunjin desceram de novo, mas dessa vez deslizaram por toda a extensão das costas até os quadris, onde apertaram com mais força. Seus dedos afundaram na bunda, puxando Chan ainda mais contra si.

— Você fica tão bem no meu colo assim… — provocou, agora roçando os lábios na bochecha dele, depois no maxilar. — Todo molinho, tão fácil de guiar… meu hyung tão obediente.

Chan gemeu outra vez, mais alto, os quadris se retesando.

— Você gosta quando eu te chamo assim, não gosta? — Hyunjin continuou, a voz agora quase um sussurro dentro do ouvido dele. — Hyung… hyung… hyung… — repetiu devagar, entre beijos e mordidas pequenas no lóbulo da orelha.

O som saía como veneno doce, cada sílaba uma gota que fazia Chan se desfazer por dentro.

A mão de Hyunjin deslizou de leve pelo abdômen trêmulo, arranhando de leve. Quando alcançou os mamilos, parou. Pressionou com os polegares, circulou em volta, brincou até ouvir outro gemido desesperado sair dos lábios de Chan.

— Sensível aqui também…? — Hyunjin sorriu, os olhos baixos observando a pele arrepiada. — Você vai mesmo se desmanchar só com meus toques?

Chan apenas gemeu como resposta, os olhos fechados, a testa colada à dele, o corpo inteiro tremendo sob o domínio suave de Hyunjin.

— Você é tão bonito assim, hyung… sem defesas, só pra mim — murmurou, antes de se inclinar e pressionar a boca bem no meio do peito de Chan. Beijou ali com força, com intenção, e depois deixou a língua escorrer pela pele, deixando um rastro quente.

Chan tremia. Não de frio, mas de excitação. Seu corpo reagia com cada célula.

Hyunjin subiu o rosto de novo e voltou ao beijo — mas agora ele o tomou com mais força. Os dedos emaranhados no cabelo de Chan puxaram a cabeça para trás e o beijo desceu. Foi brutal de tão profundo. A língua de Hyunjin invadia e dominava, explorando cada canto da boca dele, sugando os lábios, mordendo com desejo cru.

Chan gemeu contra a boca dele, completamente entregue. Cada vez que Hyunjin puxava, cada vez que o empurrava contra si, ele aceitava. Cada toque, cada provocação, cada comando sussurrado em "hyung" fazia seu corpo implorar por mais.

— Olha pra você… — Hyunjin murmurou, os lábios ainda colados aos dele, arfando. — Nem precisa pedir. Seu corpo já implora por mim.

Chan assentiu levemente, ofegante, com os olhos turvos e o rosto vermelho. Ele queria falar, queria dizer o quanto precisava daquilo, mas as palavras não vinham. Só sons, só suspiros.

Hyunjin o beijou de novo, mas agora alternava entre a boca, o queixo e o pescoço. Cada mordida era seguida por uma lambida lenta, um beijo úmido, e depois outra provocação:

— É isso que você quer, né, hyung? Ser meu. Ser tocado assim. Ser beijado assim. Ser usado assim.

E Chan, com o corpo arqueado, os dedos cravados nas costas de Hyunjin e o rosto enterrado no pescoço dele, gemeu. Um som baixo, rendido, cheio de prazer.

— Fala que é meu, hyung… — sussurrou Hyunjin, beijando a mandíbula dele com força. — Fala que você é só meu.

Chan encostou a boca no ouvido dele e sussurrou, trêmulo:

— Sou teu… sou teu, Hyunjin…

Hyunjin sorriu contra a pele dele, satisfeito.

E começou a tocá-lo de novo.

Sem dizer nada, Chan se levantou devagar do colo de Hyunjin. Os dedos do outro escorregaram de sua cintura com relutância, mas não tentaram segurá-lo — como se soubessem que ele voltaria. Chan caminhou até a porta do estúdio, passou a mão pela maçaneta como se refletisse por um segundo — e então girou a tranca, ouvindo o pequeno estalo que selava os dois ali dentro, longe de qualquer interrupção.

Quando se virou, ficou parado no lugar. A respiração já falhava, como se tivesse corrido. Mas não era cansaço — era o efeito de Hyunjin.

Ele ainda estava ali, largado na cadeira, as pernas afastadas, os braços apoiados nas coxas, os olhos fixos nele. Um brilho escuro e faminto pulsava em sua expressão. Os lábios estavam vermelhos e inchados, molhados pelos beijos anteriores. Os cabelos bagunçados caíam sobre os olhos, e a bochecha corada subia e descia com sua respiração irregular.

Chan sentiu o estômago afundar — como se caísse de um penhasco por dentro. Gemeu baixo, involuntário, ao ver o que Hyunjin era ali: pecado moldado em carne, esperando por ele de pernas abertas.

— Hyune… — murmurou, quase sem ar.

Hyunjin ergueu uma das sobrancelhas com calma, os olhos descendo lentamente pelo corpo de Chan, parando nos pontos certos como se o estivesse despindo com o olhar.

E, de certa forma, estava.

Com um movimento suave, estendeu as mãos e o puxou de volta pelo quadril. As palmas firmes se fecharam ali, quentes, decididas. A força sutil e o olhar que não recuava diziam tudo: “Você é meu.”

— Vem cá, hyung — disse com a voz mais baixa, mais rouca, cheia de promessas carregadas.

Chan não hesitou.

Parou entre as pernas de Hyunjin, o corpo tenso, mas os olhos submissos, fixos nos dele, esperando — ou talvez implorando.

Hyunjin ergueu as mãos devagar, os dedos encontrando a barra da blusa de Chan. Os nós dos dedos roçaram a pele exposta no ventre, e o contato, mesmo breve, fez Chan tremer. Os olhos se fecharam por um instante, a respiração cortada.

A camiseta subiu centímetro por centímetro, arrastando contra a pele quente, deixando um rastro de arrepios. Quando a peça foi retirada, caiu no chão com um som abafado. Os olhos de Hyunjin não deixaram o rosto de Chan.

— Você é lindo assim — sussurrou, como uma confissão. E depois, com um sorriso enviesado, acrescentou: — E é só meu, né, hyung?

Chan engoliu seco, mas não respondeu. Apenas assentiu com a cabeça, devagar, como se admitisse algo que já não conseguia negar.

As mãos de Hyunjin voltaram a subir, agora pelos braços, ombros e clavícula, mapeando o corpo com intenção. Cada toque era firme, como se gravasse a textura da pele em sua memória. As unhas arranhavam levemente, arrancando suspiros trêmulos de Chan.

— Tão sensível — Hyunjin comentou, arranhando de leve a lateral das costelas. — Meu hyung derretendo só com isso…

Chan já mal conseguia se manter de pé.

Hyunjin se inclinou e passou a língua pelo próprio lábio inferior antes de pressionar um beijo lento bem no centro do peito nu de Chan, onde o coração disparava sem controle. O calor da boca ali, úmido, reverente, fez Chan ofegar. A cabeça caiu levemente para trás, expondo o pescoço, vulnerável.

Hyunjin seguiu até o botão da calça, os dedos habilidosos lidando com a peça como se já tivessem feito aquilo mil vezes. Seus olhos subiram, encontrando os de Chan — escuros, dilatados, brilhando de submissão pura. Não era uma pergunta. Era um aviso de que ele iria até o fim.

E Chan não apenas permitiu — ofereceu.

A calça desceu pelos quadris, pelas pernas. Quando caiu no chão, Hyunjin passou as mãos pelas coxas do mais velho, subindo com firmeza até alcançar a curva da cintura. O contato fez Chan soltar um gemido mais alto, a cabeça tombando com os lábios entreabertos.

Hyunjin colou a boca à pele da barriga, beijando ali com intensidade, como se marcasse território. O calor da língua, o roçar dos dentes, o som úmido do beijo ecoando no silêncio — tudo deixava Chan à beira do colapso.

— Eu vou tirar tudo de você, hyung… mas devagar — sussurrou contra a pele. — Porque você merece sentir cada maldito segundo.

Chan fechou os olhos com força, os dedos cravando nos ombros de Hyunjin. O corpo inteiro reagia. Cada toque era um fio puxando, desfazendo-o por dentro.

Hyunjin ainda permaneceu sentado, encarando aquele corpo à sua frente. A pele de Chan brilhava sob a luz suave, coberta por arrepios. Com um cuidado quase sagrado, deslizou os dedos pela linha da cueca preta, provocando, pressionando o elástico.

Seus olhos encontraram os de Chan uma última vez — e Chan não recuou. Pelo contrário: levou uma das mãos até a nuca de Hyunjin e a segurou ali, como se dissesse: continua. Me quebra inteiro. Eu quero.

Então Hyunjin tirou o resto.

A cueca foi empurrada com lentidão. A cada centímetro revelado, seus olhos famintos percorriam a pele como se devorassem com o olhar. Quando Chan ficou nu, completamente exposto, Hyunjin suspirou fundo. A mão subiu e pousou no quadril dele, firme, enquanto a outra o puxava com leveza.

— Você é mais do que eu imaginei, hyung… — sussurrou, antes de encostar os lábios bem abaixo do umbigo. Um beijo quente, demorado. Outro, mais abaixo. E outro.

Chan cedeu — o corpo se curvando em direção ao toque, os quadris tremendo.

Hyunjin beijou cada centímetro, alternando entre a língua, os dentes e a respiração. O som molhado de sua boca contra a pele exposta se misturava aos gemidos de Chan, criando uma atmosfera que os envolvia como fumaça densa.

Chan gemia alto agora, os dedos enterrados nos cabelos de Hyunjin. Estava tonto. Submisso. Um homem desmanchando nas mãos de outro.

E então Hyunjin segurou o membro de Chan.

A palma envolveu com precisão, e seus dedos começaram a se mover num ritmo lento, profundo, com a pressão exata para enlouquecer. O polegar passava pela ponta, girando, espalhando o líquido pré-gozo. Os gemidos de Chan se tornaram erráticos, a respiração falhava, e o corpo todo tremia sob o toque.

Hyunjin se inclinou e mordeu o osso do quadril com firmeza. Sentiu os músculos de Chan se retesarem sob sua boca, o membro pulsar em sua mão. Depois, desceu com a língua até a base e soltou um gemido baixo, satisfeito.

— Tão gostoso, hyung… — murmurou com a boca colada à pele. — Você vai implorar por mim hoje.

Chan não respondeu. Ele não podia. A única coisa que conseguia fazer era gemer, tremer, se agarrar. Seus olhos estavam marejados, o corpo inteiro entregue.

Hyunjin sentiu o próprio membro pulsar contra a calça apertada. O tecido incomodava, pressionava, fazia sua ereção doer como se queimasse por dentro. Mas ele não se importava. Toda sua atenção era de Chan — o jeito como ele tremia, como os lábios entreabertos pareciam implorar, como seu corpo reagia a cada toque como se fosse a primeira vez.

— Eu vou fazer você sentir tudo o que eu sinto por você, Channie — sussurrou, com a boca colada à cabeça sensível do membro do outro, a língua passando lenta, provocadora, colhendo o líquido pré-gozo que escorria. O gosto era quente, salgado, íntimo. Hyunjin gemeu baixo, só pelo sabor. — Todo o desejo, admiração, carinho, amor… tudo. Você é meu essa noite. Só meu, hyung.

A palavra saiu carregada de malícia, mas também de afeto. Um deboche doce, que fez Chan prender a respiração. Ele já estava longe demais, o corpo tremendo sob os toques de Hyunjin, completamente entregue.

Hyunjin abriu bem os lábios e engoliu o membro de uma vez só, até mais da metade. A espessura preenchia sua boca, invadia sua garganta quente, e ele gemeu com o movimento, com o peso, com o gosto que se espalhava pela língua. Chan não era o maior que já tinha visto, mas era grosso, pesado, quente — e cada centímetro fazia Hyunjin sentir que estava exatamente onde devia estar.

Os movimentos começaram lentos, com precisão quase cruel. Hyunjin subia e afundava, sentindo a glande roçar no céu da boca e, às vezes, ir ainda mais fundo, provocando a própria garganta a se ajustar ao volume. A língua pressionava os pontos certos, girava, lambia, moldava cada contorno como se esculpisse com a boca. A mão, firme na base do membro, se movia em sincronia, apertando com pressão medida.

Às vezes ele parava apenas para chupar a ponta, deixando um estalo molhado ecoar no estúdio abafado. Outras vezes acelerava tudo, como se estivesse faminto, desesperado por mais, como se o próprio prazer estivesse entre os lábios de Chan.

O gosto, os sons, o cheiro de suor e desejo no ar — tudo era intoxicante.

Chan olhava para baixo e mal acreditava no que via. Hyunjin de joelhos, entregue àquilo, com os cabelos loiros caindo pelos olhos semicerrados, os lábios vermelhos e úmidos, a boca cheia e os movimentos precisos. Aquela imagem entrava fundo em sua mente, queimando tudo o que havia antes.

— Hyune… por favor — Chan já nem sabia porque estava implorando.

As mãos de Chan seguravam os cabelos de Hyunjin com força, enterrando os dedos ali como se só aquilo o mantivesse de pé. Ele estava ofegante, suado, em colapso.

E então, por um instante, Hyunjin o encarou — os olhos fixos nos seus, sem medo, sem hesitação. E sorriu. Um sorriso sujo, satisfeito, possessivo. O membro de Chan pressionava sua garganta, os lábios de Hyunjin o envolviam por completo, molhados, vermelhos, brilhando de saliva e desejo.

— P-porra, Hyunjin! — Chan gemeu alto, o som ecoando abafado pelo estúdio. Sua cabeça caiu para trás, a pele brilhava de suor, o peito arfava. Ele já não conseguia conter nada. — Hyune… eu vou… se continuar assim…

Hyunjin sentiu o quadril do outro se mover contra sua boca, empurrando, pedindo mais. Gemeu com a boca cheia, e a vibração do som percorreu o membro de Chan, arrancando dele um gemido arrastado, quase desesperado.

Chan não sabia mais se pedia para parar ou continuar.

— Hyune… por favor… — murmurou, a voz entrecortada, quase suplicante. O corpo dele curvava, trêmulo, os músculos tensos. Puxou com força os cabelos do outro, afastando a boca quente e molhada de seu membro. Um estalo úmido preencheu o espaço entre eles quando Hyunjin se separou com relutância, os lábios ainda entreabertos, manchados de saliva.

Hyunjin se levantou num impulso, a respiração falha, as pupilas dilatadas. O peito subia e descia com violência, o rosto vermelho, os lábios brilhantes. Segurou a cintura de Chan com força, colando seus corpos.

O contato de pele com pele foi explosivo. O calor, a umidade, o membro de Chan escorrendo contra o de Hyunjin, duro e pulsante entre eles.

— O que foi, hyung? — Hyunjin provocou, o nariz roçando no do outro, o sorriso debochado ainda nos lábios molhados. — Não tava bom?

Chan balançou a cabeça, arfando, sem conseguir conter o desespero no toque quando levou as mãos à camisa de Hyunjin.

— Não é isso… — sussurrou. — Eu quero mais… Eu preciso de você.

A frase saiu embargada, rasgada. E foi tudo o que Hyunjin precisava ouvir.

Sentiu o tecido subir pelos braços até ser arrancado, e então a mão quente de Chan desceu por sua barriga, traçando o caminho com dedos firmes, mas trêmulos, até alcançar o cós da calça.

Com um puxão certeiro, desceu a calça e a cueca de uma vez, e o membro de Hyunjin saltou para fora, completamente rígido, pesado, brilhando na ponta.

Hyunjin gemeu fundo — um som rouco, urgente, quase agressivo.

Chan envolveu o membro com a mão pela primeira vez, e o toque foi instintivo, íntimo, direto. Masturbava com firmeza, sentindo o calor, a textura, a pulsação. E Hyunjin arfava contra sua boca, ofegando com os lábios entreabertos, os olhos cravados nele.

— Me beija de novo — Chan pediu, os olhos marejados, o rosto vulnerável, o corpo tremendo. — Por favor…

Hyunjin o segurou pelo rosto, os polegares pressionando de leve suas bochechas, o olhar cheio de desejo e ternura misturados.

— Você é tão bonito quando implora, hyung — disse, passando os dedos e pressionando os lábios grossos antes de colar a boca à dele.

O beijo veio com tudo. Intenso, cheio de dentes, de língua, de sal. Era quente, úmido, descontrolado. A boca de Hyunjin era profunda, exploradora, sem pudores. Ele beijava como se quisesse desmanchar Chan de dentro pra fora. Sua mão desceu até a bunda do outro e apertou com força, puxando com brutalidade contra si.

O roçar dos membros, o som das bocas, os gemidos abafados entre os beijos… Era demais.

Chan gemeu contra a boca de Hyunjin, se agarrando a ele como quem precisava se manter inteiro — mas já era tarde. Ele já estava se desfazendo nas mãos do outro.

E Hyunjin? Estava só começando.

Eles estavam nesse limbo de beijos, toques e gemidos, se perdendo um no outro, até que Hyunjin teve uma ideia. Sem que Chan percebesse, ele esticou o braço e ligou a gravação. A batida da música inacabada começou a rodar baixinho na sala de gravação, preenchendo o espaço abafado com sintetizadores flutuantes e batidas graves — a trilha perfeita para o que estavam vivendo.

— Vem, eu tive uma ideia — disse Hyunjin, segurando a mão de Chan, os olhos ainda brilhando com algo entre inspiração e desejo.

Chan deu um passo, mas parou antes de cruzar a porta. Soltou os dedos de Hyunjin e se virou em direção à mesa. Abriu a última gaveta, como se fizesse aquilo no automático. De lá, tirou um frasco de lubrificante e, ao lado dele, um baseado esquecido.

— Por que você tem lubrificante aqui? — Hyunjin arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços, o canto da boca curvado em provocação. — Você já usou com algum dos meninos?

— O quê?! — Chan franziu a testa, olhando para ele com indignação. — Claro que não. Às vezes eu só… fico preso aqui à noite. A cabeça cheia. É uma forma de aliviar.

Hyunjin segurou a risada quando viu as orelhas de Chan ficando vermelhas. Ele adorava aquilo — aquele contraste entre o líder seguro, forte, e esse Chan tímido, exposto, com pequenos gestos que entregavam mais do que qualquer palavra.

Sem dizer nada, Hyunjin puxou Chan pela cintura, colando seus corpos novamente. Beijou sua bochecha, depois o maxilar, e enfim os lábios, com carinho e um desejo contido que mal se segurava.

— Agora você não precisa mais fazer isso sozinho — sussurrou contra sua boca. — Sempre que quiser… me chama.

Hyunjin pegou o baseado e colocou entre os lábios, acendeu com calma e deu uma tragada antes de devolvê-lo para Chan. O cheiro denso da fumaça encheu o ar, e por um momento, a tensão entre os dois ficou ainda mais espessa.

Sem soltar sua mão, Hyunjin o guiou até a sala de gravação. A música ecoava suave pelas paredes, envolvente, hipnótica. Chan entrou devagar e parou de repente.

— Por que a música tá tocando? — ele perguntou, olhando ao redor, a voz mais baixa do que antes.

— Pra te deixar ainda mais inspirado, hyung — respondeu Hyunjin, colando-se em suas costas, suas mãos na cintura do outro, sua boca próxima ao ouvido. — E também porque eu queria ver se você consegue ouvir sua própria música… enquanto sente isso.

Hyunjin pressionou o quadril para frente, fazendo seu membro duro se encaixar entre as nádegas de Chan. A reação foi imediata, Chan se curvou levemente para frente, arfando, a mão indo de encontro ao vidro da cabine para se apoiar.

— Você é tão gostoso… — Hyunjin murmurou, com os lábios contra o pescoço dele.

Cada palavra era dita com uma voz baixa, rouca, molhada de intenção. Sua mão deslizou por baixo masturbando o membro de Chan novamente.

Chan gemeu baixo e arqueou o corpo. Sentia o coração batendo na garganta, e o som da música misturado ao hálito quente de Hyunjin em sua nuca fazia tudo parecer irreal.

— Eu vou te dar o que você quer, meu amor — continuou Hyunjin, pegando o lubrificante da mão de Chan e abrindo com um estalo seco.

O líquido frio escorreu entre os dedos de Hyunjin enquanto ele espalhava com calma.

— Afasta as pernas pra mim.

A voz grave e mansa de Hyunjin foi como um comando impossível de ignorar. Chan obedeceu sem pensar. Os joelhos um pouco flexionados, a bunda empinada, o peito se movendo rápido, as mãos ainda no vidro.

Hyunjin se aproximou mais uma vez por trás, sua ereção pressionando o corpo do outro, a respiração ofegante contra a pele da nuca de Chan.

— Sabia que eu já sonhei com você… bem aqui? — ele sussurrou, enquanto seu dedo escorregava lentamente entre as nádegas de Chan, massageando a entrada com paciência. — Sonhei que te tocava desse jeito, aqui mesmo. Só que, no sonho, os outros estavam do lado de fora. E mesmo assim, você chorava de prazer. Se contorcia só por mim.

Chan soltou um som abafado, os olhos fechados com força. O primeiro dedo entrou devagar, deslizando com cuidado. O corpo reagiu de imediato, se contraindo, e ao mesmo tempo, se entregando.

— Hyune… — a voz saiu falhada, carregada de prazer e incredulidade.

— Eu sei, amor… — Hyunjin respondeu, encaixando o segundo dedo, empurrando com firmeza. — Eu sei.

Chan se curvava mais a cada movimento, as costas arqueadas, a testa quase encostada no vidro agora, e a música ainda tocando. Era como se cada estrofe fosse parte da trilha daquele momento — uma tradução crua do que sentiam, do que não conseguiam mais esconder.

Hyunjin continuou os movimentos, seus dedos entrando e saindo com mais precisão, mais fundo, enquanto sua outra mão segurava firme a cintura de Chan. O terceiro dedo veio logo em seguida, e a respiração do mais velho ficou descompassada.

Hyunjin não desviava o olhar. Vê-lo assim — entregue, tremendo, gemendo baixo contra o som da própria criação — era mais do que desejou em todos aqueles sonhos. Era arte viva. E era toda dele.

Chan arfava contra o vidro, o som abafado da sua própria música misturando-se aos gemidos baixos que escapavam dos seus lábios. Cada dedo que Hyunjin adicionava era uma nova onda que o atravessava por dentro, como se estivesse sendo reconstruído de dentro pra fora, centímetro por centímetro, toque por toque.

O terceiro dedo entrou mais fundo, com firmeza, e Chan se curvou ainda mais, os joelhos quase falhando. Ele mordeu o lábio com força, tentando se controlar, mas a respiração irregular e o suor escorrendo por sua coluna entregavam tudo.

— Você tá tão apertado, hyung… — Hyunjin murmurou contra sua nuca, lambendo o caminho até a mandíbula, a voz embargada de desejo.

— Nunca mais vou conseguir ouvir você me chamar assim e não querer ter sua mão em mim. — Chan jogou a cabeça para trás e voltou a acender o baseado que apagou. Ele fumou e deu para Hyunjin.

— Mas você só pode sentir isso comigo, hyung — Hyunjin puxou uma vez e soltou na nuca de Chan, seus dedos acertavam o ponto doce de Chan sempre que estocava

Chan apenas gemeu em resposta, os olhos fechados com força. As palavras mal saíam. Estava entregue, atravessado por sensações que ele nunca tinha sentido daquele jeito. O toque de Hyunjin não era só físico — era inteiro, era cheio, era íntimo. Como se estivesse dizendo tudo o que nunca disse com a boca, com os dedos, com a respiração.

Hyunjin retirou os dedos com cuidado, e o corpo de Chan estremeceu com a ausência. O peito subia e descia rápido, como se o ar já não bastasse, como se o vazio deixado fosse grande demais. Mas não houve tempo para pensar. Chan mal teve tempo de virar o rosto quando ouviu o estalo do frasco sendo apertado mais uma vez.

O loiro estava atrás dele, a expressão concentrada, os olhos escuros devorando a visão à sua frente. Deixou cair o lubrificante sobre o próprio membro com generosidade e começou a se tocar, espalhando o líquido com a palma aberta, sem pressa. A mão deslizava com firmeza, os dedos fechando com força, a respiração falhando.

Os olhos de Hyunjin desceram devagar pelo corpo curvado diante dele. A pele avermelhada, marcada, os ombros brilhando de suor, a coluna desenhada até o encaixe perfeito das nádegas, agora separadas pela própria mão. Chan arfava baixinho, a boca entreaberta, os olhos meio fechados, e ainda assim, ciente de que estava sendo observado. Exibido. E gostando disso.

— Você é perfeito, sabia? — murmurou Hyunjin, antes de soltar um tapa estalado e molhado na bunda de Chan, fazendo o som ecoar pelo estúdio.

O gemido que veio em resposta foi imediato.

— Hm… faz de novo…

Hyunjin sorriu, malicioso. Seu tom desceu uma oitava.

— Ah, então meu hyung gosta de apanhar?

Chan respondeu com outro gemido, entre um sorriso rouco e puro desejo.

— Eu gosto de tanta coisa, Hyune…

Outro tapa, mais forte. A pele avermelhou onde a palma de Hyunjin bateu. Chan arqueou mais, oferecendo o corpo com naturalidade, provocando sem medo. O som da música ainda preenchia a sala — talvez ela tenha tocado de novo — grave, hipnótica, agora quase parte do corpo deles.

— E eu mal posso esperar pra descobrir todas — Hyunjin disse, a voz rouca, embargada. Ele se inclinou para frente, colando o peito às costas de Chan, e lambeu a curva entre seu pescoço e o ombro, sem pressa. — Cada uma, hyung.

A palavra saiu como uma lâmina doce, carregada de domínio e promessa. Chan tremeu.

— Pronto? — Hyunjin perguntou, sem esperar resposta. Sua mão continuava acariciando o próprio membro, firme, enquanto a outra abria espaço entre as nádegas do outro, revelando a entrada úmida, ainda pulsando de antecipação.

Chan virou o rosto, ofegante, os olhos marejados e cheios de desejo.

— Me fode logo, Hyune!

Hyunjin sorriu contra a pele dele e posicionou a glande bem ali, provocando, esfregando, vendo o corpo do outro reagir com pequenas contrações desesperadas.

— Olha só… tão impaciente pra sentir seu dongsaeng, hyung?

Chan gemeu como resposta, empinando mais, e Hyunjin se guiou com precisão. O toque quente, lubrificado, deslizou até encontrar o lugar certo. Ele empurrou devagar, sentindo a resistência ceder, sentindo o calor, a pressão, o acolhimento apertado que fez seu corpo inteiro vibrar.

— Aah… porra… — arfou, a cabeça tombando para trás.

Chan gritou baixo, o som abafado pela própria palma contra o vidro. O corpo arqueou, as pernas cederam por um instante. O membro de Hyunjin o invadia centímetro por centímetro, e cada avanço era como fogo percorrendo a espinha.

— Porra, Chan, eu tô enlouquecendo já! — Hyunjin gemeu, sentindo a bunda do outro bater em sua cintura. Encostou a testa no ombro alheio, os corpos colados, tremendo.

Pararam por um momento. Só o som da música e da respiração. Era como se o tempo tivesse se encaixado junto com eles.

Hyunjin foi o primeiro a se mover. Começou lento, firme, sentindo cada impulso, como se estivesse descobrindo o corpo de Chan com reverência. As estocadas vieram ritmadas, profundas, fazendo a pele bater com sons úmidos, quentes.

Chan tremia a cada investida, os dedos escorregando no vidro embaçado, o rosto virado em súplica.

— Você é… tudo pra mim, Chan — Hyunjin murmurou, os lábios colados à pele úmida das costas dele. — Tudo.

Chan virou o rosto mais uma vez, e Hyunjin se inclinou para beijá-lo de lado — com dificuldade, com intensidade, com a respiração entrecortada e os lábios trêmulos.

— Tão gostoso… — sussurrou, e acelerou. A mão subiu pelo peito de Chan até encontrar o pescoço, onde apertou com firmeza a cada estocada.

Chan gemeu alto, os olhos quase revirando, o corpo se entregando com tudo. A força do aperto no pescoço, o ritmo dentro dele, a música... tudo era Hyunjin. Tudo girava em torno dele.

— Me fala… — Hyunjin pediu, ofegante. — Quem tá te deixando assim?

— Você… só você, Hyune… — Chan arfava. — Meu Hyunjin…

— Não. — Hyunjin rosnou, segurando o rosto dele com força. — Fala certo.

Chan fechou os olhos com força, o rosto se contorcendo em prazer, e gemeu alto:

— Você, hyung… você tá me fodendo tão bem...

A forma como ele disse fez Hyunjin arfar como se tivesse perdido o ar. Ele riu, rouco e surpreso, e mordeu o ombro do outro com força.

— Isso. Assim que eu gosto.

Chan arfava contra o vidro, o corpo todo curvado, as mãos espalmadas à frente tentando encontrar algum apoio enquanto suas pernas tremiam. O suor escorria pela nuca, descendo por sua coluna exposta, e cada gota parecia queimar quando encontrava o ar frio do estúdio. Seus joelhos falhavam de leve a cada segundo, como se o corpo ameaçasse derreter sob o prazer que recebia.

Hyunjin estava logo atrás dele, com as mãos firmes em sua cintura, os olhos famintos vasculhando cada movimento do corpo suado à sua frente. E ali, naquela distância de toque, ele era puro controle. Desejo encarnado.

— Olha pra você… — a voz dele saiu baixa, quase um rosnado, vibrando contra a nuca do mais velho. — Tão entregue assim pra mim, hyung?

A palavra foi soprada com intenção. A consoante vibrando no final, como se quisesse arrancar algo direto do estômago de Chan.

Chan não respondeu com palavras. Só gemeu. Um som agudo, trêmulo, quase suplicante, que fez o membro de Hyunjin pulsar contra a própria barriga. Seu rosto encostado ao vidro estava molhado de suor e respiração. Era vulnerabilidade crua. Era rendição.

— Responde de novo, quero ouvir mais uma vez… — Hyunjin insistiu, puxando o quadril do outro para trás, batendo com força contra si e arrancando um gemido mais alto. — Quem é que te faz sentir assim?

— Você… Hyune… só você — Chan arfou, e sua voz saiu fraca, como se fosse difícil até manter o ar dentro do peito.

— Isso. — Hyunjin sorriu, não com doçura, mas com um prazer possessivo, feroz. — Meu hyung só geme desse jeito pra mim.

A resposta foi outro gemido. Chan estava tonto. Inundado por tudo — os toques, a voz, o calor, a música abafada vibrando nas paredes. O estúdio era agora um altar onde ele se oferecia inteiro.

— Fica assim — Hyunjin rosnou. — Bem quietinho pra mim.

Apertou as nádegas do outro com força, abrindo espaço, e se alinhou de novo. Roçou a glande na entrada sensível de Chan, já inchada, latejante. E então, sem mais aviso, empurrou de uma só vez.

Chan gritou. Alto. Um som entre o prazer e o choque. O som reverberou pelo estúdio, abafado só pela trilha grave que ainda tocava no fundo — a mesma música que Chan antes dizia não saber terminar. Agora, cada batida empurrava os corpos pra frente, ditava o ritmo dos gemidos, conduzia o suor, o som, o sexo.

— Isso… — Hyunjin sussurrou contra a pele do outro, os olhos fechados com força. — Assim que eu gosto. Me sente por dentro, hyung. Cada centímetro. Cada maldito centímetro.

A cada investida, Chan subia na ponta dos pés, como se o próprio chão tivesse sumido. O corpo curvado, o peito colado ao vidro, os braços tremendo. Estava sendo mantido em pé só pelo ritmo do outro, pelo domínio que Hyunjin exercia sobre ele como se fosse um fio puxando de dentro. A cada estocada, o som que saía de sua garganta era mais alto, mais desesperado. Choramingava, pedia por mais sem dizer as palavras. Estava vulnerável — e amando estar assim.

Hyunjin passou a mão livre pelas costas de Chan, arranhando com firmeza, as unhas deixando rastros vermelhos sobre a pele quente. Depois, segurou seus cabelos, puxando a cabeça para o lado e mordendo o espaço entre o pescoço e o ombro. Chupou com força, marcando, deixando claro que era dele. Com gosto. Com intenção.

— Olha o barulho que você tá fazendo — ele sussurrou, a boca encostada à pele úmida. — Tão bonito. Tão meu.

Chan se contorceu, gemeu mais alto. O prazer era tanto que parecia querer escapar pelos olhos. O corpo inteiro reagia. Tudo nele queria mais.

— Me dá sua mão — Hyunjin ordenou, a voz baixa, autoritária.

Chan estendeu uma das mãos para trás, trêmula. Hyunjin segurou, deixou um pouco de lubrificante e a levou direto até o membro do mais velho, já babado na ponta, quente, pulsando.

— Se toca pra mim, Channie. Quero ver você se desfazer pra mim.

Chan obedeceu sem hesitar. Começou a se masturbar com a mão tremendo, os dedos sujos de lubrificante deslizando sobre si. A combinação do toque interno e externo fez seu corpo entrar em colapso — o quadril rebolava, desesperado, enquanto os gemidos escapavam descontrolados, cada vez mais altos.

— Isso. Isso. Você vai gozar pra mim assim, de pé, gemendo alto, tremendo, chamando meu nome com essa boca suja…

Hyunjin acelerou. As estocadas agora eram mais intensas, mais profundas, e os quadris batiam com força, fazendo a pele de Chan vibrar a cada encontro.

Chan já não pensava. Só sentia. O som da música misturado aos estalos molhados, aos gemidos altos, aos grunhidos de Hyunjin colado em sua nuca. Era um caos perfeito.

— Hyune… Hyune, eu não aguento mais… por favor…

— Por favor o quê, hyung? — Hyunjin provocou, segurando o pescoço dele de novo, forçando o rosto contra o vidro. — Pede direito.

Chan mordeu os lábios, tentando se controlar, mas a voz veio trêmula, desesperada, entre gemidos e soluços:

— Me deixa gozar, Hyune… me fode até eu desabar…

Hyunjin sorriu, colado ao ouvido dele.

— Você nunca mais vai ouvir alguém te chamar de hyung do mesmo jeito.

Chan gemeu mais alto ainda. A palavra ficou marcada na carne. E eles sabiam disso.

Hyunjin saiu de dentro de Chan devagar, e o corpo do mais velho estremeceu com a ausência. Ficou ali, encostado no vidro, ofegante, as coxas trêmulas e a respiração falhando, como se a alma ainda estivesse presa ao toque que o abandonou.

— Vem cá, hyung. Ainda não terminei com você.

A voz de Hyunjin veio densa, quase arrastada, embriagada de tesão. Ele se sentou no banco acolchoado do estúdio — largo, baixo, com a madeira antiga que rangeu sob seu peso — e se recostou, o corpo nu brilhando de suor sob a luz baixa. Seus olhos buscaram Chan com fome.

— Quero você no meu colo.

Chan se arrastou até ele como se estivesse hipnotizado. O peito subia e descia devagar, ainda tentando acompanhar o próprio coração, mas seus olhos estavam fixos em Hyunjin — naquele corpo aberto, nos dedos ainda lambuzados de lubrificante, no membro duro e latejante que pulsava debaixo dele.

Quando montou em seu colo, o banco gemeu em protesto. Um rangido abafado ecoou pelas paredes acolchoadas do estúdio, como se o próprio espaço sentisse o peso do que acontecia ali. Chan soltou um gemido mais alto só de sentir o toque de Hyunjin outra vez — a ponta do membro roçando sua entrada sensível, ainda molhada e exposta.

— Porra, hyung, você tá tão apertado ainda… — Hyunjin murmurou, a voz rouca, arrastada, como se cada palavra saísse misturada ao desejo. As mãos apertavam a cintura de Chan com firmeza, guiando os quadris num ritmo que já deixava a cadeira rangendo alto sob eles.

Chan sorriu. Estava suado, os cabelos grudados na testa, o corpo completamente entregue, mas os olhos — mesmo semicerrados — tinham um brilho safado, provocador.

— Então você não tá me fudendo bem.

O silêncio que seguiu foi pesado. Quente.

Hyunjin o encarou por um segundo, como se estivesse processando aquela ousadia, e então sua expressão mudou. O maxilar travou, e o brilho nos olhos virou algo faminto. Selvagem.

Sem aviso, segurou Chan pela garganta com uma das mãos, inclinando-o para trás, o peito nu se arqueando no movimento. A cadeira gemeu sob o impulso, quase se arrastando no chão com a força do puxão.

— É isso que você acha, hyung? — Hyunjin rosnou, sua voz agora baixa, suja, grave o suficiente pra vibrar entre as costelas de Chan. — Então eu vou te mostrar como é ser fodido de verdade.

E ele mostrou.

Enterrou-se com força de uma vez só, fazendo Chan arfar alto, o gemido atravessando o estúdio como um grito abafado. A mão que segurava sua garganta apertava no limite entre o prazer e o controle, sem machucar, mas deixando claro quem comandava.

— Isso — Hyunjin continuou, agora se movendo com força, estocadas brutas, certeiras, fazendo o corpo de Chan balançar no colo, os músculos contraindo a cada batida. — É. Foder. Você.

A cada palavra, uma estocada mais funda. A madeira da cadeira rangia como se fosse quebrar a qualquer segundo, acompanhando o ritmo insano dos dois corpos colados.

Chan estava desfeito.

Sua cabeça caía pra trás, a boca aberta, os olhos revirando a cada investida. O suor escorria por sua clavícula, pingando no peito de Hyunjin. Ele tentava responder, mas tudo que saía era gemido, arfada, um “Hyune” perdido entre o prazer.

Hyunjin abaixou o rosto e mordeu o maxilar do outro com força, depois lambeu o suor que escorria da têmpora dele.

— Fala de novo que eu não tô te fodendo direito — ele desafiou, entre estocadas rápidas, fazendo o banco ranger em desespero.

Chan tentou falar, mas falhou. O corpo tremia, os quadris se mexiam por instinto, querendo mais, e os olhos estavam completamente marejados.

— Isso que eu pensei — Hyunjin rosnou, e cravou as unhas na cintura dele, marcando a pele enquanto acelerava ainda mais.

Chan soltou um som alto, quase choroso, e mordeu o lábio com força.

— Hyune… ah, porra… você tá… tão fundo…

— Tô onde você precisa, hyung. Onde você gosta. Onde é só meu.

Hyunjin então pegou o baseado ainda aceso no cinzeiro ao lado, levou até os lábios e tragou fundo, o rosto suado se iluminando brevemente com o brilho da brasa.

Depois, encostou o cigarro nos lábios de Chan e segurou firme seu queixo, obrigando-o a fumar também, enquanto mantinha o ritmo duro e constante com os quadris. O contraste entre o calor da fumaça e o frio da respiração entrecortada tornava tudo ainda mais insano.

Chan tragou com dificuldade, os gemidos se misturando ao vapor que escapava dos lábios entreabertos.

— Você gosta de apanhar, hyung? — Hyunjin murmurou, os olhos escuros fixos nos dele. Deixou um tapa no rosto do outro, forte o suficiente para ficar vermelho — Gosta de ser fodido até esquecer o próprio nome?

Chan apenas assentiu, arfando, com a boca entreaberta e os dedos apertando os ombros do mais novo com força.

— Então aguenta — Hyunjin completou, enterrando-se com tudo mais uma vez, fazendo o banco ranger num grito metálico, o estúdio inteiro vibrando com o impacto.

Chan tentou recuperar o fôlego. Mesmo ainda tremendo, mesmo com as pernas praticamente falhando de exaustão, ele mordeu o canto da boca, ainda montado, e deixou as mãos escorregarem pelo peito de Hyunjin — unhas arranhando levemente o suor que brilhava ali.

— Isso é tudo? — ele sussurrou, rouco. — Pensei que ia me fazer implorar, Hyune...

Foi baixo, mas o suficiente. Um sopro entre os dois. Um desafio.

Os olhos de Hyunjin brilharam. Seu maxilar travou e, sem dizer nada, ele pegou Chan pela cintura e o ergueu parcialmente, quase tirando-o de cima de si, antes de empurrá-lo com força de volta, fazendo-o se enterrar por inteiro em um único movimento violento.

O banco gemeu tão alto que pareceu prestes a se despedaçar.

Chan gritou, jogando a cabeça pra trás com força. O som que escapou de sua garganta não era um gemido comum — era cru, rasgado, desesperado.

— Você quer implorar? Então implora agora, hyung — Hyunjin rosnou, agarrando firme seus quadris e começando a mover com brutalidade. — Implora pra eu parar. Implora pra continuar. Implora pra gozar.

Cada palavra vinha com uma estocada profunda. A cada descida, Chan sentia os pulmões colapsarem de prazer. Os gemidos agora eram incontroláveis, molhados, erráticos. A boca entreaberta, os olhos cerrados com força.

— Hyune… porra, Hyune… — ele choramingava, o rosto colado ao pescoço do mais novo, os dentes roçando a pele como se estivesse tentando se agarrar a alguma âncora no meio do caos. Suas coxas ardendo de tanto subir e descer.

Hyunjin levou a mão até a boca de Chan e o silenciou com dois dedos, empurrando-os devagar entre os lábios carnudos e entreabertos.

— Chupa. — ordenou, baixo, rouco, com o olhar fixo no dele.

Chan obedeceu de imediato, gemendo em volta dos dedos, como se o simples gesto já fosse prazer. Sua língua brincava com eles, envolvia com devoção, lambia devagar e depois mais rápido, deixando-os completamente babados. A cada movimento da língua, ele fazia barulho — molhado, indecente — como se quisesse provocar, como se quisesse mostrar o quanto estava entregue. Seus olhos estavam semicerrados, as bochechas rubras, os quadris já se movendo por conta própria, tentando buscar fricção, ritmo, qualquer coisa que aliviasse o calor pulsando entre as pernas. Mas o corpo já começava a falhar — ele estava completamente dominado.

Hyunjin puxou os dedos com um estalo molhado e passou a mão encharcada sobre a coxa trêmula de Chan. E então, num impulso forte, o pegou pela cintura e o deitou de costas no banco estreito, sem aviso. Chan arfou alto, os braços abrindo para se equilibrar, os joelhos ainda dobrados, ainda ao redor da cintura de Hyunjin. A madeira rangeu violentamente sob o impacto, mas nenhum dos dois se importou.

Hyunjin se inclinou por cima dele, os corpos colados, pele contra pele, e começou a se mover. As estocadas vieram de cima, fortes, ritmadas, certeiras — e com cada uma, o quadril dele batia com força contra o quadril de Chan, arrancando gemidos profundos e desesperados do mais velho. Era barulho de pele se chocando, de respiração ofegante, de prazer escancarado.

Chan não tinha como se esconder. O banco instável balançava a cada investida, o som da madeira rangendo se misturava aos gemidos dele, à trilha esquecida que ainda tocava no fundo da sala e ao cheiro pesado de sexo e fumaça de maconha pairando no ar.

— Agora você vai sentir o que é perder o controle — Hyunjin rosnou entre os dentes, o rosto colado ao dele, a voz como uma faca quente. — Vai gemer meu nome alto o suficiente pra marcar essa porra de estúdio inteiro com sua voz.

Chan tentou conter os sons, os dentes cravados no lábio inferior, mas a cada estocada, seu corpo era empurrado para trás, como se estivesse sendo esculpido pelo ritmo do outro. Os braços tremiam, os dedos escorregavam no banco suado, e seus olhos estavam completamente vidrados no rosto de Hyunjin — aquele olhar concentrado, cruel e apaixonado.

— H-Hyune… por favor… me faz gozar… — implorou, quase soluçando, como se o próprio prazer o machucasse.

Hyunjin sorriu, os dentes cerrados, os olhos ardendo com uma fome feroz. Sem parar os movimentos, sem ceder um centímetro, ele se inclinou até que suas testas se encostassem.

— Pede direito, hyung. — sussurrou, com a voz rouca, carregada de tensão.

Chan ergueu as mãos até o rosto dele, segurando como se estivesse se afogando e Hyunjin fosse a única coisa que ainda o mantinha à tona.

— Me faz gozar, Hyunjin. Por favor. Me fode até eu esquecer meu nome. Até minha voz sumir. Por favor…

Aquilo atravessou Hyunjin como um tiro. Ele gemeu baixo, gutural, e então começou a socar com mais força, mais fundo, com movimentos impiedosos. E não era só força — era precisão. Ele batia exatamente no ponto doce dentro de Chan, de novo e de novo, com tanta vontade que o corpo do outro pulava no banco a cada estocada.

O quadril de Hyunjin se chocava contra o dele com um estalo úmido, e o calor entre eles era sufocante, enlouquecedor. O som da cadeira, da pele, da respiração, de Chan gemendo alto e sem pudor… tudo se misturava como uma trilha caótica e perfeita.

E então Hyunjin levou uma das mãos entre os corpos e envolveu o sexo de Chan, quente, duro, latejando. Começou a masturbá-lo com a mesma intenção que tinha nas estocadas — firme, ritmado, implacável. O polegar circulava a ponta com pressão, espalhando o líquido que já escorria.

— Goza pra mim. Agora. Vai… me mostra. — rosnou, colado à boca dele.

Chan gemeu com força, como se algo dentro dele finalmente tivesse desabado. As costas se arquearam, o pescoço jogado pra trás, a voz saindo falha, embargada, lascada:

— H-Hyunjin! P-porra… tô… tô gozando —

E Chan foi.

O corpo dele tremeu inteiro, os músculos se contraindo enquanto o orgasmo explodia violento, sacudindo tudo. Gozo quente e farto entre os dois, escorrendo pela barriga, grudando nos dedos de Hyunjin. E mesmo assim, ele não parou. Continuou se movendo, estocando fundo, gemendo contra o pescoço suado de Chan até que o próprio clímax o atingiu com força, arrancando um som rouco da garganta e fazendo seu corpo desabar sobre o do outro.

Ficaram assim por longos segundos — colados, suados, ofegantes, os corpos grudados pela mistura de tudo que tinham derramado um no outro. A música ainda tocava, baixa, esquecida. A fumaça do baseado ainda dançava preguiçosa no ar.

Hyunjin afastou o rosto devagar e encarou Chan, que mal conseguia manter os olhos abertos. Os cílios tremiam, as bochechas coradas, o corpo ainda reagindo com pequenos espasmos involuntários. O peito subia e descia em ritmo frenético, como se cada respiração ainda precisasse ser conquistada.

Um sorriso pequeno, satisfeito, apareceu nos lábios de Hyunjin — e então ele se inclinou de novo, sem dizer nada, e colou a boca na de Chan.

O beijo veio quente, urgente, misturado à falta de ar. Não era calmo, nem contido — era carregado de tudo o que ainda vibrava nos músculos, de tudo o que tinham acabado de fazer. As línguas se encontraram no meio do caminho, preguiçosas, sensíveis, e cada movimento arrancava mais um gemido abafado de Chan, que estremecia debaixo dele como se ainda estivesse sendo invadido.

Hyunjin sentia o corpo do outro tremendo sob o seu — pequenas contrações involuntárias, os dedos agarrando fraco sua nuca, as pernas ainda enlaçadas ao redor de sua cintura. Chan estava completamente mole, entregue, submisso até o fim, e ainda assim o beijava de volta com vontade, com fome.

Quando finalmente se afastaram, as bocas ainda roçaram uma na outra por um segundo a mais. O silêncio entre eles era grosso, pulsante, mas dessa vez, não precisava de nenhuma palavra.

Só existia aquilo: a respiração misturada, o gosto da pele, o suor escorrendo entre os corpos colados — e a certeza de que não tinha mais volta.

O estúdio ficou em silêncio.

A não ser pelo som do estofado rangendo uma última vez. E dos dois, arfando.

Colados. Suados. Exaustos. Rindo, baixinho, entre beijos sem pressa.

Aos poucos, os movimentos cessaram. O banco parou de ranger. As mãos afrouxaram. Mas o calor… esse ficou.

Hyunjin estava curvado sobre Chan, a testa colada ao ombro do mais velho, ainda tentando respirar direito. O corpo inteiro tremia com resquícios de prazer, e o suor escorria da nuca até o meio das costas. Chan também arfava, com o peito subindo e descendo num ritmo desordenado, as mãos agora frouxas nas laterais do banco, como se nem soubessem mais onde se agarrar.

O estúdio estava tomado por uma névoa úmida de fumaça, sexo e som abafado. A música ainda tocava, baixa, repetitiva. Era a mesma batida que embalaram os próprios gemidos minutos antes.

Hyunjin se afastou devagar, deslizando para fora com cuidado. Chan estremeceu com a perda de contato, arfando alto, e deixou um resmungo escapar da garganta.

— Porra… — ele sussurrou, quase rindo, os olhos fechados. — Eu vou lembrar disso toda vez que alguém disser “gravando”

Hyunjin soltou uma risada abafada, inclinando-se para beijar o canto da boca dele. Um beijo preguiçoso, quente, úmido.

— Cala a boca, hyung.

— Vai me bater de novo se eu não calar?

Hyunjin mordeu o lábio inferior dele, devagar.

— Talvez.

Chan sorriu contra a boca do outro, e então abriu os olhos com dificuldade. O brilho estava lá — nos olhos semicerrados, nas bochechas ruborizadas, no suor secando na pele. Ele estava esgotado. E ainda assim, completamente aceso.

Hyunjin se afastou só o suficiente para pegar o baseado esquecido em cima da bancada. Estava pela metade. As pontas queimadas e úmidas. Ele o acendeu com a mão ainda tremendo, tragou fundo, e voltou a se sentar, puxando Chan com ele de novo — dessa vez com mais calma, com mais carinho. Chan se ajeitou no colo dele, as pernas abertas de lado, os braços soltos ao redor do pescoço do mais novo.

Hyunjin encostou as costas no encosto do banco que rangeu mais uma vez com o peso dos dois. E então, ofereceu o beck.

— Toma. O nosso último da noite.

Chan aceitou com os dedos trêmulos e deu uma tragada longa, profunda, deixando a fumaça sair devagar pela boca, escorrendo entre os lábios entreabertos como se fosse outra forma de gemido.

A batida da música seguia pulsando no fundo, lenta, arrastada, como se agora tivesse se fundido à respiração dos dois.

Eles ficaram assim por minutos. Fumando em silêncio. Tocando-se devagar. Sentindo o calor escorrer devagar pelo corpo. E, no fim, só ouvindo.

— Vem. — murmurou, puxando Chan pela mão. — Vamos limpar você.

A voz de Hyunjin estava rouca, quente de cansaço e desejo saciado, mas ainda baixa, firme. Era um comando disfarçado de carinho. E Chan, mesmo exausto, foi.

Cada passo parecia mais lento. As pernas dele tremiam, e o toque na mão de Hyunjin era a única âncora concreta naquele momento em que tudo — corpo, mente, coração — ainda vibrava em resquícios do que haviam feito.

Ao saírem da sala abafada, o ar do corredor pareceu mais frio. Chan estremeceu, e Hyunjin, atento, passou o braço por sua cintura.

Sem dizer nada, o loiro se abaixou e puxou sua mochila. De dentro, tirou um pano escuro, macio, dobrado com cuidado. Era o que ele usava pra cobrir os teclados. Agora, seria usado pra cobrir algo bem mais íntimo.

Chan ficou parado, os olhos semicerrados, deixando o outro se ajoelhar diante dele. O pano deslizou por sua pele devagar, como uma extensão do toque de Hyunjin. Primeiro o abdômen, onde ainda havia traços do orgasmo. Depois as coxas, cuidadoso. E enfim, entre as pernas, onde o toque foi mais lento, quase reverente.

Hyunjin não desviava o olhar. Os olhos fixos no que fazia, nas reações de Chan, no leve arrepio que surgia a cada passada do pano.

— Tá tudo bem? — perguntou baixo, os dedos ainda firmes no quadril do outro.

Chan assentiu, a respiração curta.

— Tá. Tá mais que bem.

Quando terminou, Hyunjin passou o pano em si mesmo com menos cuidado, como quem não se importa com a própria bagunça, só queria deixar o outro limpo primeiro. Depois se levantou, esticou a camiseta de Chan e a segurou aberta com as duas mãos.

— Levanta os braços.

Chan obedeceu de imediato, os olhos fixos nos dele. Hyunjin passou a peça por cima com suavidade, ajeitando nos ombros, puxando o tecido com os dedos pelos lados pra que caísse certo, como se vestisse uma obra. Depois abaixou o zíper da calça e a segurou aberta. Ajoelhou-se outra vez e ajudou Chan a vestir.

A forma como se ajoelhou… tão natural. Tão íntima. Como se sempre tivesse sido assim — ele no chão, cuidando. E Chan em pé, aceitando o cuidado.

Enquanto passava o zíper, Hyunjin apoiou a testa por um segundo na barriga do mais velho. Um gesto pequeno, mas cheio. Era descanso. Era afeto.

Vestiu-se em seguida, com movimentos mais desleixados. A camiseta colando ao corpo suado. O cabelo grudado na testa. Mas os olhos… os olhos brilhavam.

Caminhou até o notebook. A luz vermelha ainda piscava no canto da tela, registrando tudo.

— Desliga a gravação — disse, como se fosse só mais uma tarefa.

Chan, ainda tentando se equilibrar dentro do próprio corpo, piscou algumas vezes e então franziu o cenho.

— Espera… — a voz saiu mais baixa que o normal. — Você… gravou?

Hyunjin virou o rosto com calma, sem culpa nenhuma. O sorriso no canto da boca era puro deleite.

— Gravei.

— Hyunjin! — Chan levou a mão à cabeça, rindo nervoso. O rosto corado, a expressão confusa entre incredulidade e desejo. — Você tá maluco.

— Você precisava de inspiração, não precisava? — respondeu Hyunjin, sem mover os ombros. Como se fosse óbvio.

Depois de tudo, o estúdio parecia outro. Mais quente. Mais vivo. A luz suave, o cheiro da pele deles ainda no ar, e a música pausada na tela do notebook — como se tivesse se esgotado junto com eles.

Chan estava recostado na cadeira de antes, com a blusa de volta ao corpo e os olhos vagos, mas com um leve sorriso. Hyunjin andava descalço pelo estúdio, os cabelos ainda um pouco bagunçados, a boca marcada de beijos. Parou perto do sofá, pegou o celular na mochila e destravou a tela.

— Tô com fome — murmurou, voltando para perto de Chan. — E aposto que você também tá.

Chan soltou uma risadinha baixa, cansada.

— Se eu não comer agora, vou apagar aqui mesmo.

Hyunjin riu também e já foi abrindo o aplicativo de entrega, se sentando de lado no braço da cadeira, com o queixo encostado no ombro de Chan. Escolheu rápido, sabia exatamente o que pedir.

— Pronto. Comida a caminho.

— Você é um anjo. — Chan virou o rosto e deixou um beijo curto na bochecha de Hyunjin, meio sem pensar.

Hyunjin não disse nada. Só sorriu.

O tempo entre o pedido e a entrega passou em meio a sorrisos e toques suaves — dedos que se entrelaçavam, beijos rápidos entre palavras soltas, risos abafados em meio às lembranças que ainda queimavam na pele. Tudo tinha um ar de intimidade nova, como se um mundo só deles tivesse se formado ali.

Quando a comida chegou, eles se jogaram no sofá com os potes quentes no colo, usando os hashis com pouca coordenação e muita fome.

— Isso aqui tá melhor do que qualquer prêmio que a gente já ganhou — Chan disse com a boca cheia, e Hyunjin riu alto, quase engasgando.

— E pensar que cinco minutos atrás você tava gemendo na minha boca.

— Hyunjin!

Chan jogou um guardanapo nele, que caiu no peito de Hyunjin sem nenhuma força, e os dois riram, cúmplices, o tipo de riso que só existe entre pessoas que acabaram de se despir por completo — em todos os sentidos.

Entre uma mordida e outra, Hyunjin puxava Chan pela nuca e deixava beijos curtos no canto da boca, na bochecha, no queixo. Chan se fingia de irritado, mas inclinava o rosto para mais.

Os pés deles se encostavam no tapete, os corpos quase colados, e o som do plástico sendo amassado depois da última garfada foi a trilha sonora para o silêncio confortável que veio a seguir.

Hyunjin se deitou no sofá, a cabeça no colo de Chan, olhando pro teto com um sorriso sereno nos lábios.

Chan passou a mão nos cabelos dele, distraído, como quem fazia aquilo desde sempre.

E, por um instante, parecia mesmo que faziam.

Até o celular de Hyunjin vibrar no chão ao lado do sofá.

Ele se esticou e pegou o aparelho, o nome de Changbin acendendo na tela.

Chan congelou.

— Ai, merda…

Hyunjin apenas riu e atendeu com um "alô?" casual.

A voz de Changbin veio clara e direta:

— Hyunjin, onde você se enfiou? A gente achou que você tinha ido embora com alguém da produção! Sumiu do nada!

— Tô no estúdio com o Chan. Tava ajudando ele numa música — respondeu, tranquilo, o tom sem pressa, os olhos olhando diretamente para o rosto em brasas de Chan.

— Ah, tá… avisa antes, idiota. Até daqui a pouco.

— Até.

Ele desligou e deixou o celular de lado, voltando a se ajeitar no colo de Chan.

Chan estava vermelho até a orelha.

— Você falou com uma naturalidade…

— E não era verdade?

Chan bufou e desviou o olhar.

Hyunjin riu, fechando os olhos.

— Fica tranquilo, Channie… ninguém precisa saber da parte boa da música.

Chan mordeu o lábio para não sorrir. Mas falhou.

E deixou que a mão deslizasse mais uma vez pelos cabelos de Hyunjin, como se aquele gesto dissesse tudo o que ainda não tinham coragem de dizer.

Mas por dentro, algo no peito de Chan começou a pesar. Um incômodo sutil, que crescia devagar. Como um medo velho demais pra ser ignorado.

— Hyunjin… — ele chamou, baixinho.

O outro abriu os olhos outra vez.

— Hm?

Chan hesitou. A mão parou nos fios. Ele respirou fundo.

— O que isso foi? — perguntou, enfim. — Quer dizer… pra você.

Hyunjin franziu levemente a testa, sem responder de imediato.

— A gente é amigo. A gente divide tudo. A gente faz parte de um grupo. E agora isso… — Chan fez um gesto vago entre eles, os olhos abaixando. — E se amanhã você se arrepender? Se agir como se nada tivesse acontecido? E se isso foi só… sei lá. Só uma coisa de momento?

A respiração dele já estava um pouco mais rápida, e a voz saiu quase embargada na última pergunta:

— Porque pra mim não foi. Eu não consigo fingir. E se você conseguir… eu não sei o que vou fazer. — Chan queria chorar — Meu Deus, isso foi um erro, não devia ter acontecido.

Hyunjin se sentou, devagar, ficando de frente pra ele. Os joelhos se encostaram, e os olhos dele estavam calmos. Claros. Sem sombra de dúvida.

— Ei. — Ele segurou as mãos de Chan. — Para. Olha pra mim.

Chan levantou o olhar.

— Eu gosto de você — disse Hyunjin, firme. — Não de hoje. Não só agora. Eu gosto de você faz tempo. Só… demorei pra saber o que fazer com isso. E hoje foi só a primeira vez que eu consegui mostrar de verdade. Não quero que seja só uma vez. Não quero que a gente finja. Bom, talvez só para os nossos amigos por enquanto…

Chan continuava encarando, os olhos levemente marejados.

— Eu quero continuar, Channie. A gente pode dar um jeito. Devagar, do nosso jeito. Mas eu quero isso com você. Você também quer?

O silêncio que seguiu foi diferente de todos os anteriores. Tinha peso, mas era bom. Tinha a certeza que Chan precisava.

Ele sorriu, pequeno, e entrelaçou os dedos aos de Hyunjin como se aquilo já fosse o começo.

E era.

— Eu quero — Sorriu — E a gente pode fingir para os nossos amigos, por enquanto.

A comida já havia acabado. Os potes vazios estavam empilhados sobre a mesa, os hashis largados de qualquer jeito. O estúdio agora era só o eco da respiração dos dois, misturado ao calor morno da madrugada.

Hyunjin bocejou, a cabeça ainda deitada no colo de Chan.

— Acho que vou pra casa… — disse, baixo, como se não quisesse de fato ir.

Chan continuava acariciando seus cabelos, distraído, olhando para a tela do notebook, onde a faixa da música ainda estava aberta.

— Vai. Você tá com sono — respondeu com um sorriso pequeno, sem desviar os olhos da tela. — Eu acho que vou ficar mais um pouco.

Hyunjin se ergueu devagar, sentando ao lado de Chan.

— Vai terminar a música?

— Agora que a inspiração finalmente apareceu… — Chan deu de ombros. — Não quero perder o impulso.

— Só não passa a noite aqui, tá bom? Você precisa descansar. — Hyunjin deixou um beijo na testa de Chan.

— Prometo que não vou demorar.

— Eu te vejo amanhã — disse Hyunjin, parando perto da porta. Seu corpo já voltado para o corredor, mas a cabeça ainda virada para Chan.

— Hyunjin.

A voz de Chan o chamou antes que ele pudesse girar a maçaneta.

Hyunjin parou.

Chan se levantou e atravessou o estúdio em passos lentos. Quando chegou perto, estendeu a mão e segurou os dedos do outro, com firmeza.

— Posso… dormir no seu quarto hoje?

Hyunjin piscou. Por um segundo, parecia não entender. Mas então o rosto suavizou, e um sorriso diferente — pequeno, íntimo, quase aliviado — surgiu.

— A porta vai estar aberta.

Foi só isso. Simples. Mas os olhos de Hyunjin diziam mais. Diziam "sim, vem", mesmo que o apartamento fosse dividido com Changbin, mesmo que Chan tivesse que atravessar o corredor em silêncio, pisando leve, sem fazer alarde. Mesmo que aquilo significasse começar a viver o que até então parecia impossível.

Chan assentiu.

Hyunjin tocou de leve o rosto do outro, os dedos escorregando pela bochecha ainda quente, deixou um selar demorar, virou-se e foi embora. O som da porta se fechando foi suave, quase reverente. Como se o próprio estúdio respeitasse o que havia acabado de ser dito — e o que ainda estava por vir.

Chan ficou ali parado por alguns segundos, sentindo o calor da mão de Hyunjin ainda na sua. Um calor calmo, persistente, que ficaria até de manhã.

Então respirou fundo, voltou à cadeira, colocou os fones no pescoço e soltou o play.

A música começou de novo. Assim como a gravação que eles haviam feito.

Mas agora… ela tinha tudo.

(...)

O quarto estava quieto.

Hyunjin acordou devagar, os olhos ainda pesados pela noite mal dormida — ou bem vivida. A luz que entrava pela fresta da cortina era suave, filtrada pela manhã cinzenta.

Ele se virou no colchão, o braço escorregando automaticamente para o lado.

Vazio.

Mas quente.

O lençol ainda guardava o calor do corpo de Chan. A marca leve do peso no colchão, o cheiro dele no travesseiro. Hyunjin fechou os olhos por um segundo e sorriu, pequeno, quase involuntário. O coração batia calmo. O peito, cheio.

O celular vibrou na mesa de cabeceira.

Era uma mensagem.

Chan: “Bom dia, Hyune! Vem pro estúdio quando acordar. Quero te mostrar uma coisa.”

Hyunjin se levantou, passou uma água no rosto, prendeu o cabelo de qualquer jeito e saiu com passos leves pelo corredor. Viu a porta do quarto de Changbin encostada e torceu pra que ele ainda estivesse dormindo. Não queria explicar nada. Ainda não.

O prédio estava silencioso, como se segurasse o fôlego do dia que mal começava. Quando Hyunjin chegou ao estúdio, a porta já estava entreaberta, e ele ouviu vozes lá dentro.

Chan não estava sozinho.

Ao entrar, deu de cara com todos reunidos ali: Changbin no canto mexendo em cabos, Minho esparramado no pufe com um copo de café, Jisung e Jeongin dividindo fones, e Seungmin encostado na parede, os braços cruzados. Félix estava próximo ao Chan, observando ele mexendo nos aparelhos.

Hyunjin hesitou por meio segundo na porta. Mas Chan o viu e acenou com um sorriso rápido.

— Finalmente — disse. — Já que estão todos aqui, quero mostrar a música que eu finalmente terminei.

Hyunjin se aproximou em silêncio, sentando no braço do sofá, perto de Minho. Fingiu naturalidade, mas o coração batia mais forte de novo — por motivos bem diferentes de minutos atrás.

Chan ajustou o volume e soltou o play.

A música começou suave.

Hyunjin reconheceu os acordes. Era a mesma base da noite anterior, a mesma batida etérea e crescente — mas agora ela parecia viva, completa. Havia texturas novas, camadas mais densas, e... algo mais.

Quando a letra começou, Hyunjin sentiu o coração acelerar. Era intensa. Honesta. Cada palavra parecia saída da pele.

Mas então, entre a primeira e a segunda estrofe, ele ouviu. Quase imperceptível, abafado no fundo da mixagem — um suspiro. Um gemido baixo. Depois, uma respiração ofegante.

Ele ficou imóvel.

Mais alguns segundos… e veio outro. Um arrastar de ar, como quem geme com a boca semiaberta, como quem não aguenta mais. Era a gravação da noite passada.

Hyunjin soube no mesmo instante. Seu corpo reconheceu o som antes mesmo da mente processar. Era ele. Era Chan. Era eles.

Ninguém mais pareceu notar de imediato.

Os outros ouviam com expressões sérias, atentos, analisando a música. Changbin mordia o lábio, concentrado. Minho cruzava os braços, balançando a cabeça no ritmo. Jisung mexia os pés no chão.

A faixa chegou ao fim. E o silêncio que se seguiu foi pesado e unânime. Todos encarando Chan, como se ainda absorvessem o que tinham acabado de ouvir.

Até que Jisung quebrou a tensão com a voz carregada de sarcasmo:

— Ok, mas… quem você comeu pra colocar esses gemidos na faixa?

Chan travou.

Hyunjin também.

Minho tossiu disfarçado, segurando uma risada, enquanto Changbin olhou para Chan com as sobrancelhas levantadas, claramente esperando uma resposta. O clima virou entre curioso e debochado.

Chan abriu a boca, mas nada saiu.

— Porque assim… — Jisung continuou, se encostando no sofá com um sorriso maldoso — eu sei que você curte realismo nas composições, mas isso aqui foi outro nível, hyung. Quase um ASMR pornô.

Hyunjin baixou a cabeça, mordendo o lábio para não rir — ou para esconder o calor subindo pelo rosto. Chan estava vermelho. Muito vermelho.

— Era um sample — disse enfim, com a voz rouca e apressada. — De um… de um arquivo antigo. Peguei só as respirações. Dá textura. Ambiência, sabe?

— Ah, claro — Changbin riu. — Ambiência. Uma ambiência bem gemida.

Minho finalmente explodiu numa gargalhada curta, jogando a cabeça pra trás.

— E nem tá tendo assim, tá bom? — Chan revirou os olhos — vocês que são exagerados.

Hyunjin respirou fundo e se meteu, ainda olhando a tela do computador:

— Seja como for… ficou muito boa, hyung. — Hyunjin o encarou com um sorriso malicioso no rosto — Finalmente teve a inspiração que precisava

Chan olhou pra ele.

O olhar que trocaram foi rápido — mas cheio. Cheio de tudo que não podiam dizer ali.

Jisung ergueu os braços.

— Tudo bem, tudo bem… não vou julgar os métodos de criação.

Chan ainda estava meio encabulado, mas respirou fundo, e com a voz baixa, perguntou:

— Mas… vocês gostaram?

Por um segundo, ninguém respondeu.

E então vieram os acenos. As confirmações.

— Ficou ótima. — disse Changbin, sério pela primeira vez. — Eu gostei de como você misturou as coisas. É quase palpável a música.

— Real. Sincera. — acrescentou Minho.

— E bem intensa — comentou Seungmin.

— E muito bem produzida — Jeongin completou, do canto, onde ouvia tudo quieto até então.

— Eu gostei muito — disse Jisung, sem deboche dessa vez. — É diferente. Mas no melhor sentido.

Chan sorriu, tímido. Aquilo significava muito mais do que deixava transparecer.

— Essa música vai entrar no álbum? — foi Seungmin quem perguntou em seguida, já recostado no encosto da cadeira.

Chan balançou a cabeça devagar.

— Ainda não. Acho que é algo pra mais pra frente.

— Hmm… — Seungmin assentiu, pensativo.

— Eu acho que ela funcionaria bem como dueto — comentou Félix — Com vozes que se entrelaçam, sabe? Ia ficar bonito.

— Talvez a gente pudesse fazer isso no próximo álbum, algumas músicas com as units. Ficaria legal — Chan falou já anotando a ideia no grupo de conversas com os meninos.

Todos concordaram em murmúrios baixos e acenos.

— E quem você chamaria pra fazer isso com você? — Minho perguntou, com aquele sorrisinho de canto, como se a pergunta fosse só casualidade... mas não era.

Chan respondeu sem hesitar.

— O Hyunjin.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas carregado. Surpreso. E, de certo modo, óbvio.

Hyunjin desviou o olhar, mas um sorriso contido escapou, lento, nos lábios.

— Faz sentido — Minho disse, dando de ombros, como quem não se surpreende. — Vocês têm química musical.

Jisung riu.

— Musical, é.

Chan ignorou a provocação, com um sorriso quase sereno no rosto. E dessa vez, ele encarou Hyunjin por mais do que um segundo.

E de novo, ninguém ali sabia tudo — e nem precisavam.

Aquela música era deles. E só isso importava.

Importava o que tinha nascido ali, no escuro abafado do estúdio, no calor dos toques, no som entrecortado de respirações cruas. Estava tudo ali: na letra, na batida, no fundo da mixagem. Gravado. Registrado. Vivo.

Era um segredo compartilhado no meio do caos, uma verdade que só eles sabiam traduzir em notas e silêncios.

Enquanto os outros falavam, se movimentavam, planejavam o resto do dia, Hyunjin e Chan ficaram ali — imóveis por dentro, como quem segura uma memória com as duas mãos. Um elo silencioso entre o que sentiam e o que não podiam dizer em voz alta.

Mas os olhos diziam. O sorriso disfarçado também.

E quando os amigos começaram a sair, levando com eles o barulho e a rotina, o estúdio ficou mais leve. Mais calmo. Só os dois ali.

E a certeza muda de que, por mais que tudo ao redor continuasse, eles tinham começado algo que não podia mais ser desfeito.

Aquela música era deles.

E era só o começo.

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