Work Text:
Na noite de seu 33º aniversário, Byun Baekhyun não fazia ideia de que sua vida estava prestes a virar do avesso.
Tudo o que queria era uma comemoração simples: beber com os amigos e soltar a voz no karaokê da Poc Party, a festa mais badalada da região. E, por um tempo, foi exatamente isso. Compartilhou momentos descontraídos, performances dignas (ou nem tanto) de Mariah Carey, flertes que evaporavam tão depressa quanto os shots de tequila e até um prejuízo considerável para a equipe do open bar, que já olhava o grupo com uma mistura de medo e resignação.
No meio da farra, Oh Sehun, amigo mais novo e dono de um histórico questionável com ele — considerando a quantidade de vezes em que já haviam trocado saliva ao longo dos anos —, chegou a puxá-lo pelo braço e insistir para que bebesse, pelo menos, uma garrafa de água. Para não morrer de falência dos órgãos amanhã, enfatizou com o ar sério de quem entendia do assunto. O mais velho, no entanto, soltou uma risada, acenou para o garçom e pediu mais uma rodada de tequila.
Deveria ter escutado aquele conselho.
No momento em que Baekhyun finalmente abriu os olhos, sua visão girava. Piscou algumas vezes, tentando achar o botão imaginário que desligasse a tontura, mas tudo o que conseguiu foi fazer o estômago reclamar.
Respirou fundo, tateando ao seu redor, até sentir o tecido familiar da cama sob seus dedos. Era um bom sinal. Pelo menos não tinha acordado no chão de algum karaokê obscuro ou no colo de um estranho. Permitiu-se um suspiro de alívio em meio ao caos.
Não se recordava exatamente de como havia chegado ali, mas sabia que estava em casa. O cheiro de seu próprio amaciante no travesseiro, o som abafado do vizinho tocando música alta do outro lado da parede… tudo indicava território seguro.
Alguns instantes depois, partiu para um banho quente e relaxante. Com os olhos fechados, esfregava sua pele suavemente, voltado à satisfação causada pela alta temperatura da água. Por fim, enxugou-se lentamente e, com a respiração tranquila, parou em frente ao espelho sobre a pia para aplicar sua rotina de skincare no rosto.
Foi quando o viu.
Simples, mas presente. Um suspiro de tinta em sua pele, outrora imaculada, marcando sua clavícula com linhas pretas finas.
Draco dormiens nunquam titillandus.
Seu coração disparou. Sua respiração tornou-se ofegante. Seus pensamentos estavam a mil por hora. Abriu e fechou a boca diversas vezes, sem ter a menor ideia do que dizer ou fazer.
— QUE MERDA É ESSA?! — gritou, por fim, esfregando rudemente a pele na intenção de “limpar” aquela área.
Sem sucesso. Havia mesmo feito uma tatuagem. De verdade.
Retornou ao quarto em passos desesperados, buscando pistas daquele grave acidente. Tudo parecia normal, exceto pelos novos objetos em sua escrivaninha: uma pomada e um papel de recados.
Parabéns pela nova tattoo!
Eu avisei, mas você insistiu.
Não esquece de lavar com sabão neutro e água fria e passar pomada cicatrizante 3x ao dia, ok?
Mas, se ficar com preguiça, só… tenta não coçar.
E, se precisar se lembrar do por que escolheu essa frase, me liga: 396-1485-1127
— Chanyeol
Baekhyun encarou aquela reunião de palavras chocantes por alguns minutos, como se o bilhete fosse um enigma antigo escrito em uma língua que ele não dominava — ou pior, como uma prova física de que ele tomava péssimas decisões sob efeito de tequila.
Quem caralhos é Chanyeol?
O nome rodopiava em sua cabeça junto com as memórias truncadas da noite anterior, sem encontrar lugar para se encaixar. Ele tinha quase certeza de que não conhecia ninguém com aquele nome… pelo menos, não até ontem.
Em um impulso, buscou seu celular, decidido a pressionar Sehun até arrancar cada detalhe daquela bagunça. Todavia, ao desbloquear a tela, seus dedos congelaram. Não havia necessidade de abrir a lista de contatos: uma janela de conversa já estava ali, aberta no KakaoTalk. No topo da tela, um nome acompanhado de um emoji de tatuagem.
Park Chanyeol.
Baekhyun engoliu em seco.
As últimas mensagens piscavam na tela como pequenas bombas-relógio, e ele titubeou, sem saber se tinha coragem de rolar para cima e conferir tudo o que estava escrito.
Baekhyunnie (05:01)
Ou
Oi
Park Chanyeol (05:01)
Oi, Baek
Chegou bem?
Baekhyunnie (05:02)
Sjm
Som
Sim
Park Chanyeol (05:02)
Fico feliz :)
Cuidado pra não coçar, tá?
Baekhyunnie (05:03)
Nao é dela qye eu quero tirar uma lsqunhw
Lasquinha
Park Chanyeol (05:03)
Eu posso ajudar com isso ;)
Dorme bem, bebê
A vergonha queimava em seu rosto como brasa. E era por isso que, como todo bom mestre na arte de enganar a si mesmo, Baekhyun queria acreditar que, ao clicar na foto de perfil do rapaz, sua única intenção era dar um rosto àquele nome misterioso.
No entanto, bastou a imagem carregar para que a farsa caísse por terra. Era inacreditável como, mesmo bêbado, ele conseguia manter a performance de burrinha inocente. Na tela, havia um homem de ombros largos e músculos definidos, cabelos platinados e ondulados caindo de forma quase criminosa sobre a testa. Seus braços e pescoço eram mapeados por veias e tatuagens, a mão grande segurava o celular em frente ao espelho como se o aparelho fosse um brinquedo. O conjunto inteiro formava um golpe baixo para qualquer coração — e fez Baekhyun engolir em seco mais uma vez, antes que a saliva o denunciasse.
O loiro ria alto, a voz embargada pela quarta — ou quinta? — dose de tequila. O copo batia na mesa a cada gole, como se fosse um desafio pessoal terminar a garrafa antes de a madrugada acabar.
— Você tem mãos grandes… — disse em um tom manhoso, debruçando-se sobre a bancada do estúdio do clube, o olhar subindo devagar pelo braço tatuado de Chanyeol até encontrar o sorriso preguiçoso do outro. — Aposto que faz estrago.
O platinado, tentando parecer o profissional responsável que normalmente era, sentiu a orelha esquentar. Aquele tom tinha sido carregado de intenção demais para passar batido.
— Baekhyun, não me testa — ele riu, ajeitando as luvas de látex. — Tequila não é desculpa pra me provocar.
— Não é a tequila… — apoiou o queixo na mão, os olhos brilhando. — É o destino.
Chanyeol deixou escapar uma gargalhada, mas o sorriso travou no canto da boca quando Baekhyun se inclinou mais, perto o bastante para ele sentir o cheiro cítrico da bebida misturado com algo doce. O tatuador pigarreou, tentando manter a voz firme.
— Deita na maca e tira a camisa. Só vai doer um pouquinho… — murmurou, sem saber se estava falando da agulha ou da sensação estranha no próprio peito.
Seu rosto voltou a pegar fogo com a lembrança. Não apenas havia dado descaradamente em cima do tatuador de sorriso travesso e contagiante, como também estivera parcialmente nu diante dele — e, pior, não fazia ideia de até onde aquela ousadia tinha ido. O álcool, a música alta, a tequila em doses generosas e, principalmente, aquele corpo escultural feito sob medida para seu próprio desejo tinham apagado qualquer filtro que pudesse ter. Era como se tivesse transformado sua dignidade em fichas de cassino e apostado tudo em um único “por que não?”.
Baekhyun digitou, apagou, reescreveu e apagou novamente tantas vezes que sentiu o polegar formigar. O nervosismo travava seus dedos, mas a curiosidade falava mais alto e o empurrava em direção ao caos. A verdade é que, lá no fundo, não passava de uma cadelinha no cio.
Por fim, optou pelo caminho mais seguro. Ou pelo menos achou que fosse.
Baekhyunnie (12:07)
Ei
Acho que minha tatuagem tá falhada
Por que raios havia escrito aquilo? Pensou em apagar, mas a notificação de visualização matou qualquer chance de recuo.
Park Chanyeol (12:08)
Oi, Baek
Sério? :(
Você não esfregou não, né?
Baekhyunnie (12:09)
Só um pouquinho
Mas olha
[Foto]
Naquele momento, confirmou mais uma vez: era mesmo muito cara de pau. A imagem mostrava sua clavícula nua, a pele irritada pela nova tatuagem, cuja ponta realmente apresentava uma discreta falha. O problema é que o enquadramento também deixava à mostra um detalhe intencional: seu mamilo rosado e enrijecido, denunciando qualquer suposta inocência. Ele mordeu o lábio, travesso, aguardando a reação do outro.
Park Chanyeol (12:11)
Uau…
É… nesse caso, vou te pedir pra vir no meu estúdio
[Localização]
O caminho até lá pareceu durar menos do que Baekhyun gostaria — o que era estranho, já que normalmente o transporte público de Seul se arrastava como ele mesmo em um dia de ressaca. Para ambos os quesitos, não era o caso de hoje.
Passou o trajeto inteiro tentando se convencer de que estava indo apenas resolver uma questão técnica, nada mais. Profissionalismo, Byun Baekhyun. Você é um homem sério. Um cliente. Repetia tais palavras mentalmente como um mantra, mas seu reflexo na janela do metrô, ajeitando o cabelo e verificando se o perfume ainda estava perceptível, gritava o contrário.
Agora, parado diante da porta envidraçada com o letreiro Park’s Ink, sentia o coração martelar tão alto que jurava que qualquer um na calçada poderia ouvir. Conferiu o endereço no celular pela terceira vez. Era mesmo ali. Não havia mais volta.
O aroma característico de tinta e antisséptico escapava pelo vão da entrada, junto a um zumbido distante de máquina de tatuagem. Baekhyun respirou fundo e empurrou a porta com a ponta dos dedos, desafiando o território perigoso.
A música no estúdio diminuía o ritmo, mas a energia entre eles só aumentava. Baekhyun, com o rosto corado pela tequila e pela audácia, soltou uma risada fácil enquanto colocava o cabelo atrás da orelha.
— Aposto que você não tem coragem de me tatuar um coração no pulso — provocou, os olhos faiscando em desafio.
Chanyeol ergueu uma sobrancelha, o sorriso arteiro tomando conta da expressão.
— Quer apostar? — respondeu, aproximando-se apenas o suficiente para sentir o calor de Baekhyun, quase como um convite.
A proximidade fez o loiro vacilar por um instante, tropeçando ligeiramente no próprio equilíbrio. O tatuador foi rápido, segurando-o pela cintura com firmeza.
— Calma, vou te ajudar — murmurou, com aquela voz grave que estava fazendo o coração de Byun acelerar mais do que qualquer dose de tequila.
Com cuidado, ele o conduziu até a porta do clube, apoiando-o pelo ombro enquanto o outro tentava manter a postura de alguém minimamente sóbrio. Baekhyun avistou Sehun e resmungou algo incompreensível, mas não teve forças para protestar.
— ‘Tá na hora de você ir, amor — disse Chanyeol, abrindo a porta e sinalizando para um táxi que passava lentamente na rua.
Baekhyun sorriu, meio bobo, meio satisfeito, enquanto se acomodava no banco de trás do carro.
— Obrigado. Acho que amanhã vou ter mais do que só uma tatuagem pra lembrar dessa noite.
Chanyeol apenas riu, com aquele sorriso que prometia que a história entre eles estava apenas começando.
O sino da porta tilintou suavemente quando Baekhyun empurrou o vidro do estúdio, entrando com passos hesitantes. As paredes exibiam uma galeria de ilustrações detalhadas e fotos vibrantes de tatuagens, iluminadas pela luz quente dos pendentes industriais que caíam do teto.
No centro do ambiente, uma cadeira de tatuagem repousava vazia, cercada por prateleiras ordenadas com tintas coloridas, agulhas embaladas e potes de pomada. O silêncio era confortável, quebrado apenas pelo som distante do trânsito e o leve zumbido de um ventilador.
Naquele momento, seus olhos encontraram os de Chanyeol, que surgiu da porta dos fundos vestindo uma calça jeans e uma camiseta preta justa que delineava os músculos largos de seus ombros e braços. Ele era visivelmente mais alto do que Baekhyun, e aquela diferença de altura, somada ao porte atlético, fez o loiro se sentir pequeno perante aquele corpo. Ainda surpreso com a imponência do outro, percebeu que o sorriso agora era tímido, bem diferente do brincalhão da noite anterior. O tatuador deu um passo em sua direção, os olhos ainda faiscando, enquanto ambos se analisavam em silêncio por um instante, como se tentassem decifrar o que havia acontecido além da ressaca e das provocações.
Baekhyun deu um passo à frente, sentindo o peso do constrangimento e da curiosidade. Chanyeol cruzou os braços e inclinou a cabeça, a expressão curiosa e até protetora.
— Olha se não é o mais novo tatuado — disse o moreno, a voz mais suave que o habitual. — Oi, gracinha.
O mais baixo direcionou-lhe um sorriso iluminado, ajeitando a gola de sua camiseta para não revelar a tatuagem, que agora pulsava ligeiramente sob a pele.
— Oi! Espero não ter dado muito trabalho ontem — respondeu, sentindo o clima mudar, carregado de uma tensão que ia além do pigmento na pele.
— Nada que eu já não quisesse.
Os olhares permaneceram presos por um momento a mais do que o necessário, e Baekhyun se perguntou, mais uma vez, se aquela tatuagem era mesmo a única marca daquela noite ou se algo mais havia sido gravado ali, invisível, entre eles.
— Pode se acomodar na maca. Vou cuidar de você — disse Chanyeol, a voz grave carregando um tom que, embora soasse profissional, fez uma onda de calor se espalhar pelo corpo do loiro. Baekhyun obedeceu sem protestar, removendo a camiseta com movimentos lentos, quase estudados, antes de se sentar na beira da maca e se recostar.
De costas para ele, Park abriu o armário, concentrado em organizar e separar itens antissépticos, agulhas, tintas e o que mais fosse necessário. O silêncio era preenchido apenas pelo som leve de embalagens sendo buscadas, mas Byun aproveitava para observar cada detalhe: a largura das costas, o modo como a camiseta justa moldava a musculatura, a maneira quase preguiçosa com que ele se movia. Quando o tatuador se virou, os olhos pousaram diretamente sobre o corpo parcialmente nu diante dele, e um sorriso enviesado se formou em seus lábios — um que parecia dizer que, embora estivesse ali para trabalhar, ele não deixaria de se divertir no processo.
Quando a mão grande e quente pousou sobre sua pele, Baekhyun arrepiou-se, soltando um riso baixo e involuntário.
— ‘Tá com frio? — Chanyeol perguntou, com um sorriso sugestivo, o polegar fazendo um leve carinho no local antes de afastar a mão para posicionar o material.
— Não… só achei que a parte do “vou cuidar de você” vinha com aviso prévio — retrucou, arqueando a sobrancelha e deixando o olhar correr lentamente pelo corpo do tatuador.
O mais alto inclinou-se levemente, aproximando o rosto o bastante para que o outro sentisse o hálito quente e fresco de menta.
— Você não acha que o aviso tiraria a graça? — murmurou, antes de endireitar a postura, como se nada tivesse acontecido, embora o brilho travesso em seus olhos o denunciasse.
Baekhyun mordeu o lábio, provocador.
— Então espero que continue sendo… criativo.
— Ah, pode deixar — respondeu, ajustando a posição da maca e lançando um olhar de cima a baixo, lento o bastante para fazê-lo engolir em seco. — Criatividade é o que não me falta.
Após analisar a área com cuidado, Chanyeol apoiou um pequeno pote entre as mãos.
— Bom, já que alguém esfregou a tatuagem, isso aqui vai ajudar a acalmar a pele e evitar qualquer inflamação — disse, mergulhando os dedos no creme com a calma de quem sabia exatamente o efeito que estava causando.
E Baekhyun, é claro, tentava não se distrair demais com a imagem atraente que aqueles dedos grossos formavam.
O platinado espalhou o produto na clavícula alheia com movimentos lentos, quase preguiçosos, saboreando cada segundo do contato. A pele sensível ardeu de leve no início, mas logo veio a sensação fresca e suave, contrastando com o calor que subia pelo corpo do loiro, não apenas por culpa do creme.
— Você tem a mão quente demais pra isso ser só tratamento — Byun provocou, sentindo os dedos firmes deslizando próximos demais do ombro.
Park ergueu o olhar, um sorriso enviesado surgindo.
— Eu poderia dizer que é só técnica, mas não quero mentir pra você.
O mais baixo soltou um riso, desviando o olhar apenas para não se trair com a intensidade daquele par de olhos escuros.
— Quanto ao retoque… — pontuou, terminando de espalhar o creme com um último toque suave — ainda não posso fazer nada. A gente precisa esperar a cicatrização completa. Isso vai levar algumas semanas.
— E, nesse tempo, eu faço o quê? — Baekhyun perguntou com falsa inocência, a voz carregada de duplo sentido.
Chanyeol inclinou-se um pouco, apoiando o cotovelo na maca e ficando próximo demais, como se contasse um segredo.
— Nesse tempo, você obedece direitinho… — proferiu com uma breve pausa — e volta aqui quando eu mandar.
A respiração do outro vacilou por um instante, e ele sorriu de canto.
— Aparentemente, eu não sou o único que gosta de dar ordens. Mas sou ótimo em segui-las quando quero.
— Baekhyun… — chamou entre os dentes, em tom de alerta. Respirou fundo. — Não aprendeu nada com a frase da sua tatuagem? — questionou com a voz grave.
— Eu sou muito bom com línguas, mas latim não é uma delas — retrucou em um tom divertido, dando de ombros.
Chanyeol suspirou, levando uma das mãos ao queixo alheio.
— Nunca faça cócegas em um dragão — disse, firme, e soltou um risinho nasal ao notar que pegara o mais baixo desprevenido. Baekhyun estava com o rosto corado. — Você se lembra de como foi parar na minha maca ontem lá na balada?
O loiro mordeu o lábio inferior e apoiou-se nos cotovelos, aproximando mais seu rosto do outro, interessado com o rumo daquela conversa.
— Você quis visitar o estúdio local e, quando entrou, sussurrou pro seu amigo que queria mamar o tatuador. Só que não foi bem um sussurro… — Park levou seu polegar ao lábio inferior de Byun, pressionando-o. — Eu não fiz nada ontem porque você não ‘tava em um estado capaz de consentir, é claro. Mas você aparecer aqui, hoje, praticamente se oferecendo pra mim… — suspirou — faz com que eu queira perder meu autocontrole.
Baekhyun arrepiou-se por inteiro. Sua pulsação aumentava gradativamente e, naquele instante, seus pensamentos giravam em torno de uma só coisa: o quanto queria ser destruído da forma mais deliciosa possível.
— Eu não sei do que você ‘tá falando… — ousou dizer com inocência, e chupou lentamente aquele polegar.
Numa tentativa fajuta de se manter são, Chanyeol fechou o punho da mão livre. As veias, agora sobressaltadas, roubaram a atenção dos olhos do mais baixo.
— Você acha que eu não percebi sua intenção com aquela foto? — O dedo úmido do tatuador desceu pelo pescoço de Byun, torcendo o mamilo enrijecido.
Baekhyun respondeu rapidamente ao toque, gemendo baixinho. Sentou-se na maca, de frente para o moreno, e apoiou as mãos nas laterais, permitindo que seu quadril se projetasse mais para frente.
— Engraçado, eu não me lembro de nada disso… — Continuava naquele joguinho, ansioso pelo momento em que Park chegaria ao limite.
— Mas eu me lembro de querer colocar você no seu lugar — pronunciou entredentes, o maxilar enrijecido — como eu quero agora.
— E o que exatamente você ‘tá esperando?
No instante seguinte, Chanyeol já estava trocando a placa de entrada do estúdio para “Fechado” e puxando Baekhyun em direção à porta dos fundos. Trancou-a com rapidez e pressionou o corpo do outro contra ela, a respiração ofegante entregando o quanto estava ansioso por aquilo. Ao deslizar os lábios pela orelha de Byun, sentiu seu rosto ser puxado, provocando a colisão feroz das bocas.
O beijo era intenso, molhado. Havia uma briga por dominância, mas, principalmente, um desejo mútuo de exploração. O gosto doce do mais baixo fazia o peito de Chanyeol estremecer em satisfação, pronto para oferecer tudo o que ele quisesse. Uma das mãos grandes foi de encontro aos fios loiros do parceiro, enquanto a outra buscava a cintura delicadamente esculpida da qual tanto desejava se apossar. Uniu os corpos em um movimento brusco, o encaixe perfeito arrancando um gemido de ambos.
Com o roçar dos quadris, Baekhyun começava a sentir os efeitos físicos daquele momento íntimo. Deslizou uma das mãos entre os corpos, em busca do volume que sentira, e suspirou entre o beijo ao dedilhar o pau avantajado de Chanyeol marcando na calça.
— Você ‘tá com muita roupa… — murmurou entre o ósculo, deixando um sorriso escapar quando o mais alto quebrou o contato das bocas para arrancar a própria camisa e abrir apressadamente o botão de seus jeans. Com a nova vista, que fazia jus à sua imaginação, uma chama queimava intensamente dentro de Baekhyun.
Os lábios de Park mudaram a trajetória: agora, focavam em percorrer cada milímetro do pescoço alheio, decorando a pele clara com chupões demorados. Ele removeu a camiseta de Byun, que tremia sob seus toques, e suspirou ao senti-lo apertar seu membro por cima da cueca, incapaz de conter o tesão acumulado em seu peito.
— Por que você não faz o que tinha dito pro seu amigo que queria fazer? — Chanyeol murmurou no ouvido do menor, o tom rouco de vontade, enquanto deslizava os dedos pelo pescoço dele, criando uma leve pressão. — Aposto que você fica ainda mais gostoso com o meu pau enterrado na sua garganta.
As palavras atingiram Baekhyun em cheio. Em um movimento preguiçoso, o rapaz arranhou o peitoral do mais alto, capturou a mão grossa e levou-a aos próprios cabelos, ajoelhando-se diante de seu mais novo prêmio.
O loiro tomou seu tempo para explorar aquela nova área. A boca deslizava vagamente pelo contorno do membro, sentindo-o crescer ainda mais conforme a provocação avançava sem pressa. Chanyeol observava a cena com expectativa, contando os segundos para ir além. Quando a última peça de roupa que o separava de sua liberdade foi removida, seus dedos seguraram os fios de Baekhyun com um pouco mais de força.
O pau longo e grosso encontrou o rosto do menor, cuja boca salivava com a visão diante de seus olhos. Byun abocanhou-o com vontade, finalmente libertando seus desejos sujos outrora reprimidos, e logo já acomodava mais da metade do comprimento.
— Caralho! — Park xingou, gemendo no processo. — Você ‘tá me engolindo muito fácil, puta que pariu…
O comentário só serviu para instigar ainda mais Baekhyun, cuja língua trabalhava fielmente por cada centímetro daquele pau. No momento em que sua boca o abrigou completamente, o nariz encostado no ventre de Chanyeol enquanto a ponta do membro se acomodava em sua garganta, o mais baixo gemeu, mais do que satisfeito. As ondas reverberaram por todo o corpo escultural de Park, que sentiu seu controle se esvaindo.
— Porra… eu ‘tô sentindo sua garganta contrair, Baek… caralho… — balbuciava o tatuador, perdido em êxtase.
Quando o fôlego se fez necessário, Baekhyun movimentou a cabeça para trás e encostou-se na porta, respirando fundo. Ele encarou Chanyeol com os olhos brilhando em luxúria, e o maior prontamente compreendeu aquela troca silenciosa.
Agora com o controle realmente em mãos, Park investia contra a garganta do mais baixo em movimentos acelerados e ritmados, acompanhados de grunhidos que denunciavam a explosão de sensações. Minutos se passaram assim, com Byun vez ou outra engasgando em meio às estocadas, mas nunca recuando.
— Essa boca… — grunhiu entre investidas. — Eu poderia te foder assim o dia inteiro…
O pau negligenciado de Baekhyun latejava em sua calça, mas não superava as contrações que agora sentia por trás, onde mais começava a desejar ser tratado com aquela brutalidade. Esfregava as pernas tentando aliviar-se, envolto em um misto de sensações únicas.
O momento, é claro, não passou despercebido pelo tatuador.
Em um movimento brusco, Park interrompeu os atos e puxou o outro para que se levantasse, virando-o de frente para a porta. Colou novamente os corpos, o pau duro roçando na nádega ainda coberta.
— Me diz que você tem camisinha aí — sussurrou no ouvido alheio, ofegante — porque eu vou enlouquecer se não comer essa sua bunda até você gritar.
Como se suas mentes estivessem conectadas, a mão de Chanyeol puxou uma embalagem do bolso traseiro da calça de Baekhyun. Ele soltou uma risada lasciva.
— Você veio aqui pensando exatamente nisso, né? — Mordeu o pescoço do outro homem com força, arrancando um gritinho. — Em ter um pau tão fundo em você que esqueceria até o seu próprio nome.
— Por favor…
Com agilidade, Park se livrava das últimas peças que escondiam o corpo esguio.
— O que foi, bebê? — perguntou em um tom provocante, esfregando o membro na bunda de Byun, agora nua. — É só pedir, hm?
— Me fode, por favor — choramingou. — Eu não aguento mais…
Antes que pudesse responder, Chanyeol congelou por um segundo, surpreso com o que encontrara no corpo do parceiro.
Maldito Byun Baekhyun.
— Ah, você aguenta sim — respondeu, movimentando levemente o objeto. Um plug anal. — Aguenta tanto que já veio pra cá com um pau no meio das pernas. Mas um de borracha não é o suficiente, né? — torceu o dispositivo, arrancando um gemido arrastado do outro. — Você é mais sujo do que eu pensava, Baek…
— E-eu gosto de me sentir cheio… — conseguiu dizer, involuntariamente rebolando em direção à mão do tatuador.
Chanyeol finalmente encobriu seu membro com a camisinha, pronto para dar o próximo passo, e removeu com cuidado o plug anal. No instante em que seu pau adentrou totalmente a cavidade apertada, os dois gemeram em uníssono.
— Tão… grande… — Baekhyun já sentia suas pernas enfraquecerem, mas quis provocar. — Será que mete tão fundo também? Ou você só serve pra tatuar?
O grunhido que escapou dos lábios de Park foi o suficiente para formar um sorriso lascivo no rosto de Byun, que logo sentiu dedos grossos pressionarem seu pescoço.
— Vamos ver se você vai continuar engraçadinho assim quando eu te deixar sem ar de novo.
As investidas de Chanyeol tomaram um ritmo cada vez mais frenético e arrancavam choros manhosos do outro rapaz, mergulhado demais em prazer para notar o que se formava ali.
— Yeol… mais, por favor…
O volume era tanto que, atrelado à velocidade e à extensão daquele pau, Baekhyun sentia-se cada vez mais cheio, mais empurrado ao abismo.
Nenhum dos dois duraria muito mais. E eles, em uma sincronia quase poética, eram capazes de sentir isso.
O ambiente no fundo do estúdio exalava sexo. Os sons libidinosos que escapavam das bocas arreganhadas, o roçar das peles que se chocavam a todo instante, o suor que escorria dos corpos conectados física e emocionalmente… todos os elementos carnais testemunhavam o início de uma história que perduraria por muito, muito tempo, e transpassaria os desejos da pele.
Depois de alcançarem o ápice, os dois homens repousavam no sofá dos fundos, lado a lado, as respirações ainda tão ofegantes quanto as batidas de seus corações. Ali, palavras não ditas dançavam no ar, ansiosas pelo momento em que seriam pronunciadas.
— Só pra você saber, eu nunca transei com um cliente antes — Chanyeol proferiu, sem saber muito bem o motivo, mas encarava o menor com certa expectativa. — Não faço esse tipo de coisa.
Baekhyun sorriu contido.
— Eu também nunca fiquei com o meu tatuador antes…
O mais alto bufou.
— Foi a sua primeira tattoo, Baekhyun — replicou, os olhos semicerrados em desconfiança.
— Você aprende rápido! — exclamou em um tom brincalhão. — Não sei se eu faria outras, mas se tiver esse tratamento de pós…
Park soltou uma risada.
— Sem tatuagem, só o pós. Anotado! — confirmou com a cabeça, beijando-lhe a têmpora. — Aliás, acho que você até agora não percebeu, mas… essa tatuagem não é permanente.
— O quê?!
— Baek, você ‘tava bêbado e não tinha nenhuma tatuagem — apontou o óbvio enquanto acariciava a nuca do parceiro. — Claramente sua versão nem um pouco sóbria da madrugada ‘tava fazendo algo que sua versão certinha do dia seguinte surtaria. Assim como eu falei que não tinha feito nada porque você não ‘tava em condição de consentir… — comentou por alto, sugerindo uma conclusão. — Enfim, é só jagua, vai sair daqui a alguns dias. E fica tranquilo, não deixei você pagar.
Os olhos de Byun arregalaram-se, finalmente compreendendo. O rapaz inclinou-se e beijou os lábios convidativos do tatuador, visivelmente satisfeito com o que ouvira. Não pela veracidade da tatuagem, mas por todo o significado que vinha além.
— Você é realmente algo, Park Chanyeol.
