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𝙰 𝙻𝚞𝚣 𝚍𝚎 𝚅𝚎𝚕𝚊𝚜 - 𝙿𝚘𝚗𝚍𝙿𝚑𝚞𝚠𝚒𝚗

Summary:

Paris, 1788. Um nobre. Um ex-padre. Um desejo proibido.

Phuwin, herdeiro de uma casa aristocrática, entra nos becos fétidos de Saint-Antoine achando que caridade bastaria. Mas nada o prepara para o impacto de Pond Naravit - um curandeiro rude, sensual e marcado por cicatrizes que não são só de guerra.

Entre febres, suor e promessas não ditas, o que começa com desprezo vira obsessão. E quando seus corpos finalmente se encontram sob a luz trêmula das velas, não resta mais fé, nobreza ou salvação. Apenas desejo.

Um romance histórico erótico que arde de início ao fim

Chapter 1: Entre a Lama e o Linho

Notes:

Olá, leitores queridos! Espero que estejam bem. 💛

Antes de mergulharem nesta história, queria compartilhar um pouco sobre o que vocês vão encontrar aqui.

Este conto é uma criação da minha mente — nasceu de um devaneio em que imaginei como seria se Pond e Phuwin vivessem um romance intenso, dramático e sensual... mas ambientado no século XVIII.

Então, não, eles não estão na Tailândia. A trama se passa na França pré-revolucionária, um período que eu amo profundamente pela sua tensão histórica, social e simbólica.

Os personagens são inspirados em PondPhuwin, mas ganharam vida própria dentro desse novo universo — então, por favor, não me odeiem se não for exatamente o que vocês esperam. 💔✨

Obrigada por estarem aqui — só o fato de lerem esta nota já significa muito pra mim.
Desejo a vocês uma leitura tão apaixonante quanto foi para mim escrever cada cena.

Com carinho,

Favbookstan ;)

Chapter Text

 

                                capitlo 1

 

França, 1788 - às vésperas da Revolução

No bairro de Saint-Antoine, um arrabalde insalubre de Paris, a carruagem de Phuwin Tangsakyuen avançava aos solavancos por viagens enlameadas. O jovem, filho de Duque Tangsakyuen, segurou-se no estofamento para não ser lançado para frente quando o veículo parou abruptamente, rangendo de forma áspera. Sem esperar pelo cocheiro, abriu a portinhola.

O impacto foi imediato: um bafo pegajoso de verão tardio misturado ao cheiro adocicado da doença e à fumaça do carvão. Instintivamente, pressionou um lenço de seda perfumado contra o nariz - um gesto inútil diante da miríade de odores que lhe reviraram o estômago.

Olhou de volta. Um labirinto de construções precárias, inclinadas umas contra as outras, sustentando-se mais pela esperança do que pela madeira podre que as mantinha de pé. Seu pai o enviará ali com o pretexto de supervisão a distribuição de doações - pão amanhecido, cobertos puídos - uma encenação de caridade feita para preservar as aparências da nobreza, enquanto Paris fervia, acabará com um prejuízo.

Foi então que o viu.

Destacando-se no meio dos rostos pálidos e enfermos, um homem alto, de barba por fazer e ombros largos sob uma camisa de linho escuro, gasta pelo tempo. Os cabelos negros, presos de maneira prática, revelavam um rosto anguloso, e os olhos... olhos que ardiam com uma intensidade sombria. Movia-se com uma energia contida, quase terrível, entre os doentes, levando uma jarra d'água numa mão e um pano embebido em vinagre na outra. As mangas arregaçadas revelaram antebraços fortes, marcados por cicatrizes que falavam de aço e, talvez, de fogo.

Quando aquele olhar se olhou e pousou sobre Phuwin, um arrepio subiu-lhe pela nuca, como se tivesse sido varrido por uma rajada de vento gelado. Não havia boas-vindas naqueles olhos - apenas julgamento. Frio. Imediatamente. Um desprezo que fez Phuwin recuar, mesmo sem perceber.

O homem não fez cerimônia.

- Perdido, senhor? - indagou, a voz grave, contribuindo de uma aspereza desprovida de qualquer reverência. - Ou você acabou de distribuir seus panfletos de caridade antes de correr de volta para o conforto de Versalhes?

A ofensa queimou-lhe sob a pele, mas, em vez de se retirar, Phuwin sentiu algo mais - uma ponta de curiosidade, talvez até de fascínio. Pela postura, deduziu que era médico, ou ao menos alguém que cuidava dos enfermos. O olhar do homem percorreu-o dos pés à cabeça, demorando-se no tecido da seda e no brocado fino que destoavam grotescamente naquele cenário de miséria. Um repuxar de lábios quase zombeteiro acendeu-lhe o sangue nas faces - uma mistura incômoda de humilhação e... algo mais. Algo desconcertante, perigoso, que falha por baixo da própria confiança.

- Vim supervisionar a ajuda enviada - respondeu, com um tom mais altivo do que pretendia. - Em nome do meu pai, o Duque Tangsakyuen.

- Ah, claro. - O homem limpava o rosto febril de um velho moribundo com o pano embebido em vinagre. - Os Tangsakyuen, tão generosos. Um verdadeiro milagre.

Phuwin ignorou o sarcasmo, tentando manter a compostura.

- E o senhor? É o médico responsável por esta área?

O homem escondido-se lentamente, olhando-o sem disfarçar a análise.

- Lagoa Naravit. - A voz era firme. - Ex-padre. Curandeiro, para alguns. Pecador, para muitos. Cuido daqueles que o resto do mundo prefere não ver. - Seu olhar tornou-se mais penetrante, como se

enxergasse além das roupas caras, além dos traços. - Inclusive de gente como você, senhor.

Phuwin vacilou. O desconforto fez-lhe remexer-se, tentando encontrar algum terreno mais firme naquela troca afiada.

- E o que, exatamente, um homem como o senhor poderia fazer por mim? - rebateu, cruzando os braços, sustentando o queixo. - Poderia, ao menos, nos ajudar a descarregar estas doações? Ou indicar onde devemos deixá-las?

Pond não respondeu de imediato. Apenasu a cabeça com lentidão, depois indicou com um aceno de queixo um canto mais abaixo, na viela tomada de sombras.

- Ali – respondeu, seco. - Chame Pip. Um garoto esperto, apesar da idade. Vai ajudar. Sabe onde cada coisa é mais necessária.

Phuwin acertou o gesto. O que antes parecia apenas um prolongamento da miséria revelou-se um pátio improvisado, cercado de construções tortas. Corpos jaziam sobre esteiras puídas ou diretamente sobre a terra batida, de onde subia um calor úmido e insuportável. Velhos de pele encarquilhada, olhos fundos e febris; crianças pequenas, algumas apáticas demais até para chorar; e mulheres que, com gestos exaustos, tentavam afastar o ar fétido do rosto dos filhos.

O cheiro da doença era tão intenso que parecia ter impregnado nas paredes.

Engolindo em seco, Phuwin fez algo que surpreendeu até o si mesmo - e, sobretudo, seu cocheiro, que observou tudo da segurança da carruagem. Sem pensar muito, arregaçou as mangas da camisa de linho, ignorando o fato de que lama e poeira arruinariam o tecido, e começou ele mesmo a descarregar os fardos mais folhas.

Do outro lado do pátio, Pond Naravit comentou o gesto, ainda joelhado junto a um paciente. Um arquejar quase imperceptível das sobrancelhas foi sua única evidência visível, mas, por dentro, uma fagulha de curiosidade acendeu-se. Não esperava aquilo do filho do Duque Tangsakyuen.

Talvez houvesse mais naquele aristocrata do que seda, rapé e uma encenação de caridade.

Enquanto passava caixas ao cocheiro - que, constrangido, também começava a ajudar, embora a contragosto -, Phuwin não conseguiu evitar que seus olhos retornassem, uma vez ou outra, à figura de Pond. O ex-padre move-se com uma precisão austera, as mãos calejadas, firmes, mas surpreendentemente gentis no toque com os enfermos. Sua presença parecia criar, em meio ao caos, uma pequena ilha de ordem. De controle. De força.

Um garoto franzino, não se desviou mais de doze anos, mudou-se com passos tímidos. Olhos enormes, contrastando com o rosto sujo de fuligem.

- Monsieur Naravit disse que o senhor solicitado de ajuda - disse, com uma voz que mal passa de um fio.

- Sim, Pip, preciso. - Phuwin forçou um sorriso, um pouco habituado a suavizar o tom. - Estes cobertores e alimentos podem ser levados para aquele abrigo? - Apontou para uma lona rasgada que mal disfarçava a precariedade da estrutura.

Enquanto trabalhavam, Phuwin não conseguiu tirar os olhos de Pond. O modo como aquele homem se movia, como tocava os enfermos, a autoridade silenciosa que carregava... tudo aquilo o fascinava de um jeito que não sabia nomear.

- Seu mestre... o senhor Naravit... - começou Phuwin, buscando vôo casual, enquanto entregava um saco de grãos a Pip. - Ele parece muito dedicado. Há muito tempo que... cuida deste lugar?

Pip concordou, abraçando o saco com força.

- Mestre Lagoa? Ah, sim, senhor. Desde que eu entendo por gente, ele tá por aqui. Mesmo antes da doença piorar.

- Entendo... - Phuwin hesitou. - Ele foi questionado... padre. Uma mudança... incomum, não acha? - Tentou parecer indiferente, como quem coleta uma informação trivial. - Imagine que tenha sido bem diferente quando usava batina.

A desculpa soava convincente até para ele mesmo - um comentário casual, justificável até. Afinal, seu pai lidou com o funcionário em questões de terras e caridade. Era natural, portanto, desejar entender as motivações de quem transitava entre os mundos.

Na verdade, era tudo mentira.

Ele só queria saber mais. Mais sobre aquele homem. Mais sobre aquele olhar que parecia queimá-lo sempre que cruzavam os olhos.

Pond Naravit esforçou-se para manter o foco nos doentes. Suas mãos - firmes, treinadas, acostumadas a ignorar nojo e dor - deslizaram entre feridas e febres com a precisão de quem aprendeua que vacilar custava vidas. Ainda assim, havia algo naquela manhã que lhe corróia a concentração, como ferrugem sobre lâmina afiada.

Phuwin Tangsakyuen.

O filho do duque permanência próxima, conversando com Pip, as mãos segurando um saco de mantimentos como quem segura um cálice de porcelana. A postura ereta demais, o queixo levemente erguido, o olhar que parecia avaliar o mundo como se ainda estivesse num salão de baile - e, no entanto, algo nele escapava dessa máscara. Uma hesitação. Uma fresta.

Pond abriu os olhos, irritado consigo mesmo por reparar tanto. Não era apenas desconfiança. Era defesa. Pip era ingênuo, falava demais. Palavras demais poderiam ser perigosas, especialmente no tempo em que qualquer detalhe bastava para acender o rastilho de pólvora da revolução que fermentava nas entradas de Paris.

O duque Tangsakyuen sempre foi hábil em manter-se neutro - neutro demais para ser confiável. E agora, o filho, vestido de seda, cirurgia em pleno coração da miséria parisiense? Milagre não era. Coincidência, tampouco.

- Pip - chamou, a voz cortando o ar como aço -, busque mais baldes d'água. Antes que a chuva comece.

O garoto piscou, assustado, e sumiu sem discutir.

Phuwin atrai os olhos na direção de Pond. Olhos escuros. Breu sob o sol, pensei Pond, com um fastio que não queria admitir. Havia curiosidade demais ali. E, pior, desejo demais, disfarçado sob uma fachada de boas intenções.

Notou quando o olhar do jovem escorregou para seu pescoço - e depois fugiu, rápido, como se temesse ter sido pego em flagrante. Um sorriso seco escapou-lhe, involuntário.

Então era isso.

O mistério dos olhares furtivos, das perguntas aparentemente triviais, da presença insistente... Não era apenas política. Não era apenas caridade. Havia mais. Muito mais.

As bochechas de Phuwin estavam coradas - e não era pelo calor abafado do pátio, tampouco pelo exercício físico. Era o rubor típico de quem se vê atraído por algo que não sabe se pode, se deve, ou sequer se entende.

"É claro", pensei Pond, amargo. "O filho de um duque não sabe o que significa desejar um homem aqui, no meio da podridão. Para ele, tudo ainda é jogo."

Mas, apesar do cinismo, não consigo parar de olhar.

Permita-se, por um instante, observar Phuwin com a mesma liberdade que fora observada. A camisa justa, agora molhada de suor, moldava o contorno do corpo magro, mas forte. Os lábios contraídos, como se lutar contra o próprio desconforto fosse um ofício. As mãos que, mesmo inseguras, começavam a se sujar, a tocar, a existir naquele mundo que lhe era - até então - proibido.

Pond voltou-se abruptamente. Maldito Tangsakyuen.

Porque o problema, veja, não era apenas ele.

Phuwin já não se esforçou tanto para disfarçar os olhares - e isso o perturbava mais do que a fome, mais do que o cheiro doce da morte, mais do que as tosses que ecoavam como um réquiem constante.

O que o incomodava, de fato, eram os olhos de Pond. Olhos que não apenas o julgavam, mas, de algum modo terrível, o compreendiam.

"Preciso ir embora. Preciso me recompor."

A desculpa veio rápida, quase automática. Caminhou até Pond, que se inclinava sobre um paciente, e anunciou:

- Monsieur Naravit... As doações foram descarregadas. Espero que sejam úteis.

Esperava apenas ser dispensado. Um aceno seco, uma resposta ríspida, e poderia partir. Mas o que recebi não foi raiva. Nem indiferença.

Foi decepção.

O olhar de Pond era uma lâmina embainhada. Cortava, mesmo sem movimento. Phuwin vacilou. Não sabia por quê. Nunca se importa com o julgamento de ninguém - menos ainda de um homem como aquele. E, no entanto, ali estava, sentindo-se desesperado de qualquer defesa, de qualquer desculpa.

E, sem pensar, ouviu-se dizer:

- Talvez... eu possa retornar com mais suprimentos. Alimentos de verdade. E... remédios.

As palavras ditas antes que pudessem censurá-las. Não estavam no roteiro. Mas eram verdadeiras - e isso, paradoxalmente, era o que mais o assustava.

Ponderando os olhos, arqueando uma sobrancelha. Surpreso - não tanto com a proposta, mas com o tom. Uma hesitação. A honestidade mal disfarçada.

Não respondi. Limitou-se a observá-lo - longo, fundo, como quem não mede só o homem, mas suas mentiras, seus silêncios, suas verdades.

E foi naquele instante, naquele exato instante, que Phuwin viu: havia sido notado. Realmente visto. E, agora, não sabia mais se queria desaparecer - ou ser visto de novo.

 

continua