Chapter Text
O vento estava muito forte naquela noite e as nuvens, que brilhavam a cada relâmpago que ribombava, traziam a notícia de que logo iriam chorar sobre aquela cidade. Não era o momento ideal para estar fora de casa, mas Dane não deu ouvidos à Mãe Natureza.
Estava sob uma capa de chuva, com um lampião aceso na mão direita, enquanto a outra mantinha os dedos bem firmes escondidos no capuz. Algumas gotinhas já estavam caindo lá de cima, mas em pequena quantidade, apenas um gosto da tempestade que iria atormentar os seres humanos naquela noite. Deveria voltar para casa, era o mais seguro a se fazer, mas ele não podia simplesmente dar as costas para sua irmãzinha. Milka não era tão nova assim, mas ainda era jovem o suficiente para querer brincar com os amigos e acabar se perdendo. Foi exatamente o que aconteceu.
Estava ajudando a mãe em casa, lutando para encontrar os materiais de carpintaria que estavam fora do galpão, enquanto a matriarca recolhia as roupas no varal. O vento já estava bem forte e as nuvens escuras corriam pelo céu azul, engolindo a luz daquele fim de tarde que deveria continuar claro até que o Sol tocasse a linha do horizonte. O irmãozinho Nikola estava se debruçando sobre uma janela da sala, olhando para o irmão mais velho, com o desejo de ajudar, mas com a ordem da mãe de ficar dentro de casa e deixar que os adultos cuidassem das tarefas pesadas. Ele era apenas um garotinho que gostava de ajudar. Dane deixou para ele ao longe, querendo passar a mensagem de que dava conta de tudo sozinho.
Foi quando um grupo pequeno de crianças veio correndo pelo terreno da propriedade dos Tesla. Havia quatro crianças, duas garotas e dois garotos, eles estavam assustados e Dane, que viu o grupo se aproximando, ficou um pouco ansioso, porque conhecia aquelas crianças, eram todas amigas de Milka e vieram ali mais cedo para buscar um jovem para irem brincar. Ele as viu. O problema era que Milka não estava com eles.
— Irmão! Irmão! — Um dos garotos, o que alcançou Dane primeiro, chamou. As crianças tinham o costume de chamá-lo de irmão quando os pais não estavam olhando, afinal as pessoas daquele povo admiravam os poucos feitos de Dane. — A Milka… — ele tentou falar, mas a respiração irregular de quem correu mais do que aguentava não estava ajudando.
— Se acalme, Miguel — pediu gentilmente, tocando o ombro do garoto. — Respira com calma e me conta o que aconteceu com Milka.
— E-ela…
— Sumiu! — Uma garota berrou, correndo com dificuldade e tropeçando na saia do vestido que usava. — Estávamos brincando de pique pega e um cachorro correu atrás da gente!
Dane arregalou os olhos quando ouviu aquilo. Se eles estavam tão desesperados e assustados, provavelmente o tal cachorro havia machucado a sua irmã, já que ela não estava ali.
— Vocês estão bem? — Perguntou, olhando primeiro para Miguel, analisando dos pés à cabeça em busca de algum ferimento. As outras crianças se aproximaram e ele fez uma revista visual em cada um. — O que aconteceu com a minha irmã?
— O cachorro foi atrás dela e eles sumiram — a outra garotinha respondeu, os olhos se enchendo de lágrimas. — Nós a chamamos e ela não respondeu… e se ela estiver morta?
— Não diga isso, Valentina — acariciou gentilmente os cabelos castanhos da garota e respirou fundo. A mão dele foi tremenda e não foi pelo esforço de ter carregado ferramentas pesadas. — Ela deve ter se escondido e provavelmente está com medo de sair. Digam onde vocês estavam brincando e eu vou procurar por ela.
Naquele mesmo segundo, um trovão cortou o céu, assustando o grupo de crianças, além de Duka que quase deixou uma peça de roupa ser levada pelo vento.
— Tem que ser rápido — ele murmurou para si mesmo. — Seria muito ruim se ela acabasse se molhando na chuva, não é?
Tentou rir das crianças com um tom de voz mais gentil.
— Contem para a minha mãe o que contaram para mim. Enquanto isso, eu vou atrás de Milka e vocês, voltem para casa, está bem?
Os quatro balançaram a cabeça e as garotas foram até Duka contando o que havia acontecido, enquanto a dupla de garotos apontou para o local que estavam brincando, contando os detalhes que se lembravam. A floresta poderia ser um lugar divertido para as crianças brincarem, mas nem todas as partes eram seguras. Com todas as informações possíveis, foi para dentro de casa pegar uma capa de chuva — já que as nuvens mais óbvias do que prontas para derramar água — e um lampião, tratando de atendê-lo com cuidado para não queimar acidentalmente a casa. As mãos tremiam muito, então tinha que tomar cuidado.
Saiu da residência e segurança até a estrada simples que levava até a floresta, na direção exata que as crianças tinham indicado. Mas parou assim que seguiu passos apressados e escolheu seu nome ser chamado. Virou parcialmente o seu corpo, encontrando o pequeno Nikola correndo em sua direção.
— Dane! Eu ouvi o que eles falaram. Eu vou com você!
— Nem em sonho, moleque! A floresta vai ficar perigosa demais quando começar a chover e você pode se machucar.
— Eu prometo que vou tomar cuidado — havia um brilho determinado nos olhos do irmãozinho.
Nikola gostava de ajudar, principalmente quando o assunto eram os projetos de Dane, mas dessa vez não poderia deixá-lo vir junto, como disse, poderia ser muito perigoso. Já teria que cuidar de si mesmo e de Milka quando a encontrasse — ela poderia estar machucada —, não poderia fazer o mesmo pelo mais novo. Confiava nele, mas dessa vez, não podia correr riscos.
— Não. Você vai ficar aqui em casa, está bem? Cuide da mãe e de Marica enquanto eu estiver fora. Logo o pai vai chegar também e alguém precisa entusiasmado os mais velhos. Pode fazer isso por mim?
Era óbvio para Dane que Nikola não queria, mas foi ensinado a respeito dos mais velhos, por isso ofertas silenciosamente, acenando com a cabeça e dando meia volta.
Restou a Dane ir atrás de Milka, afundando nas profundezas daquela floresta que poderia ser acolhedora durante o dia, mas se tornou o reino do pesadelo de qualquer ser humano durante a noite. Com a tempestade que começou a cair, o seu trabalho só foi difícil; o chão virou uma lameira horrível, dificultando os seus passos e o impedindo de correr. O vento estava tentando arrancar sua capa de chuva, enquanto a chuva gelada estava encantando seu corpo o melhor que conseguia. O terreno estava ficando perigoso até para ele, mas continuava avançando, chamando alto o nome da irmã, o máximo que a sua garganta conseguia alcançar, mas o barulho das folhas balançando e os trovões estavam abafando a sua voz.
O coração batia mais rápido a cada segundo, temendo pela segurança da irmã. Se ela estava machucada, ou pior, se ela realmente estava morta… não! , balançou a cabeça com força, evitando afastar aqueles pensamentos pessimistas. Milka estava bem, só estava com medo do cachorro e da tempestade, então se escondeu em algum buraco.
— Meu bom Deus, por favor — pediu em meio a tempestade, temendo que a sua súplica não alcançasse os céus. — Cuide da minha irmãzinha.
Virou o rosto para o céu escuro, pedindo em voz alta pela segurança da irmã, assim como o pai havia ensinado. Sentiu um gosto amargo se espalhado por sua língua, ao pensar que se fosse a vontade de Deus, Milka pudesse ser levada daquele mundo. Ah, não, ela era jovem demais para isso e era sua irmãzinha! Dane queria ver os irmãos crescendo e se tornando adultos, todos tinham um futuro brilhante pela frente, então não puderam ter uma morte precoce.
Continuou caminhando, gritando aos quatro ventos, na esperança de que a irmã ouvisse e viesse correndo ao seu encontro, mas se preocupava tanto com o desejo de encontrar Milka em meio a vegetação que não prestou atenção no solo onde pisava.
Um único passo que não encontrou o chão em meio às plantas foi o suficiente para empurrar seu corpo para frente. Era uma descida, mas as plantas davam a impressão de que era um caminho reto. Dane bateu contra o chão lamacento e saiu rolando pelo pequeno morro, buscando galhos arranhando seu corpo e roupas. Fechou os olhos e esperou até encontrar uma superfície mais reta, o que foi rápido, mas o que teve que passar até chegar lá não foi nada agradável, bem longe de ser um cafuné da natureza.
Deitou-se com o rosto virado para o céu, sentindo a água gelada batendo contra o seu corpo. As dores das pancadas vieram, infelizmente bateu em algumas pedras no caminho e tinha certeza de que havia alcançado algum ferimento aberto. Lutou para conseguir ficar sentado e respirar fundo; o lampião escapou de sua mão durante a queda e Dane havia caído contra ele, sabia disso porque quando olhou para a mão direita, encontrou alguns cacos de vidro presos em sua carne.
Que dor…
Começou a tirar as pequenas pedrinhas estendidas, com cuidado já que estava com a mão molhada e os dedos escorregadios. Viu filetes de sangue escorrer por sua palma e sentiu aquela ardência perturbadora, mas ignorou e buscou ficar de pé.
— Droga… — praguejou baixinho, sentindo uma dor na perna direita e se arrependendo logo em seguida de sua língua solta.
Neste momento, não fazia ideia de onde estava, apenas que era no meio da floresta. Sem luz, apenas a companhia dos trovões no céu e a água caindo. Nem mesmo os grilos estavam cantando. Os animais buscaram abrigo em suas tocas, mas Dane não podia correr para casa, não sem uma irmã.
Virou a cabeça rapidamente para o lado, assim que pegou um som que não condizia com nada que uma tempestade pudesse causar, mas sim atraia. Quando os céus estavam chorando, derrubando um breu sobre o mundo, as coisas rastejavam pela Terra, em busca de qualquer negatividade que pudesse alimentá-las.
Dane estava com medo, pensando na morte e estava sangrando. Não poderia atrair nada de bom naquele momento breu violento.
— Milka?
Estreitou os olhos, tentando enxergar o que se esconde no meio das árvores. Tinha algo ali, uma pessoa ou um animal? Ambos podiam ser um grande perigo, mas o maior medo de Dane Tesla naquele momento era que sua irmã pudesse ficar ferida.
Viu uma figura se movendo na escuridão. Uma mão esticou os dedos sobre o caule de uma árvore e então apareceu a silhueta de uma cabeça. Foi quase impossível de ver, mas conseguiu identificar um par de olhos extremamente azuis, quase o mesmo tom de azul que ele e seus irmãos tinham herdado da mãe. Mesmo com a semelhança reconfortante, aquela não era Milka, era alta demais para ser uma garota de não mais que dez anos. Na verdade, era maior que ele e isso o asssustou ainda mais. Se virou em direção ao desconhecido e recuou um passo.
— Quem é você?
Não recebi resposta.
A figura se moveu, revelando mais de si mesmo. A cada pequeno movimento, Dane sentia uma onda maior de medo.
— Viu a minha irmã?
Cerrou o punho ferido, sentindo o sangue quente escorrer pela palma. Aquilo não estava seguindo para um lado bom, mas Dane sentiu-se corajoso o suficiente para não correr e se manter firme, mesmo que recuando um passo toda vez que o desconhecido avançava em sua direção. Não o conhecia, poderia ser alguém que estava perdido como ele, procurando por algo ou alguém.
— Sim, eu vi — arregalou os olhos ao ouvir aquela voz, tão calma e gentil, parecia não ser afetada pelo terror que uma tempestade forte fosse capaz de causar. — Eu sei onde Milka está.
Não citou o nome dela, mas talvez ele tenha ouvido os seus chamados.
— Então me diga, por favor! — Pediu em voz alta, nem mesmo ele conseguiu ouvir direito a própria voz naquela ventania e trovões.
O desconhecido se mudou, mais e mais, revelando a sua imagem. Era bem alto e estava escondido sob um manto cinzento, mas era possível ver o rosto, que particularmente Dane teria achado muito belo se não estivesse tão desesperado. Os olhos eram puxados e carregavam aquele tom azul, semelhante a um lago cristalino, intocado por mãos humanas.
— Vou levá-lo até ela e então vou guiá-los para casa.
— O quê?
Conseguiu avistar um sorriso, daquele de quem sabe o que está fazendo.
O desconhecido se virou e ficou pela escuridão. Dane estava com medo, mas o abalo, porque a sua intuição disse que era o certo a se fazer, por mais estranho que fosse. Não fez muito sentido aquele estranho estar ali, no meio de uma tempestade, agitado como se fosse um fim de tarde calmo, mas estava. Por segundos, enquanto tentava acompanhar a figura desconhecida, perdendo-o de vista várias vezes, se viu lembrando dos vários ensinamentos dos pais, envolvendo, principalmente, aparições divinas. Seria possível uma força maior ter atendido ao seu chamado? As suas dores poderiam ter atraído algo e se fosse verdade, esperava muito que fosse algo bom.
Empurrou plantas altas enquanto passava, ainda naquela confiança de que estava fazendo o certo ao se enfiar ainda mais na floresta. O capuz já havia caído e a chuva estava molhando seu rosto e encantando os cabelos, que grudaram na testa. Estreitou os olhos e buscou algo no escuro; o manto cinza balançou um pouco mais a frente e se apressou para alcançá-lo, percebendo que ele havia um parado de caminhar. Puxou foi o suficiente para uma corrida, mas não foi necessário, não quando a figura se abaixou, sumindo da vista de Dane, mas assim que alcançou o ponto exato em que o estranho estava, avistou Milka.
— Meu Deus! — Se apressou para perto da irmã, assim que reservou dois segundos para observar. — Milka, você está bem?!
A garota estava encolhida no meio das raízes de uma árvore grande, tentando se proteger da chuva. Ela declarou a cabeça assim que o ouviu e os lindos olhos azuis se encheram de lágrimas, enquanto as gotas de chuva molhavam o seu rostinho infantil.
— Dane! — Ela exclamou e ficou de pé, correndo até o irmão e o abraçando com força. — Você está aqui! Por favor, diga que não é uma alucinação.
— Sou eu de verdade — abraçou de volta a mais nova, acariciando os cabelos encharcados dela. Retirei a capa de chuva e cobriu Milka com ela. — Vamos voltar para casa…
Um relâmpago cortou o céu violentamente, causando um brilho roxo em todo o campo de visão dos dois. O grito dos céus asssustou os dois. Milka abraçou Dane ainda mais forte.
— Está escuro. Eu não consigo enxergar nada — Milka choramingou.
Ele também não estava conseguindo ver muita coisa. As plantas balançavam de um lado para o outro e os relâmpagos que iluminavam a floresta só causavam uma sensação de terror, pois a qualquer momento algo poderia aparecer no meio de todas aquelas braquiárias. Sentiu medo, porque sabia que não era forte o suficiente para proteger a irmãzinha caso fosse necessário; disse para Nikola que ele poderia se machucar se fosse junto, mas veja só quem conseguiu pisar em falso e descer o caminho rolando, além de cortar a mão no vidro do lampião que ele mesmo carregava. E agora estava tudo, perdido.
Olhou na direção do breu, na esperança de algum tipo de milagre. Pensei na figura que havia guiado-o até a irmã, figura essa que desapareceu como mágica. Passou o antebraço sobre os olhos, tentando tirar o excesso de água acumulada nos espertos.
Soltou o abraço, para poder segurar na mão da irmã. A abertura foi firme, não queria correr o risco de perdê-la, então avançou mata a dentro, com o coração subindo até a garganta de tanta ansiedade. Estava sentindo muito frio, então precisei sair logo dali, ambos pedim, mesmo que não fiz ideia de que ponto específico estavam e para qual lado devessem seguir. Apenas foi em frente, sem noção de direção certa e errada.
E então, ouvi algo. Piscou algumas vezes, semicerrando os olhos, tentando enxergar algo e novamente, aquele brilho azul. O desconhecido estava lá novamente, mais distante, com a chuva caindo sobre o corpo e o deixando encantado como os dois, mas não estava nada incomodado, ainda carregava um tipo assustador de paz. Ele fez um sinal com a mão, um pedido silencioso para que o seguisse e Dane obedeceu, puxando gentilmente a irmã na direção ao encapuzado.
Foi difícil andar no meio de toda aquela lama, era quase como se a terra estivesse tentando engolir os dois. A floresta balançava de um lado para o outro e os relâmpagos causavam brilhos e sons estrondosos assustadores. Milka abriu você a mão de Dane com força e Dane abriu você de volta, tentando passar a sensação de conforto, afinal ele estava com medo, mas igualmente sentiu uma onda de coragem fora do normal, talvez porque o encapuzado estava guiando os irmãos. Não sabia quem era, gostaria de saber o nome dele, mas mal consegui-lo, estava sempre vários passos à frente, mas sempre em seu campo de visão.
Uma sensação anestésica de colapso dominou o seu ser assim que viu uma luz ao fundo. A luz de sua casa!
Milka também viu e foi indicado na direção da luz. Ambos se apressaram para sair da floresta e alcançar a segurança da residência. Já viveram emoções demais para uma única noite, tudo o que desejavam era um lugar quentinho e seco, longe do barulho e do escuro.
Quando chegou, bateu na porta, mas não precisou esperar nem dez segundos. A porta foi aberta, revelando a figura de Nikola. O garoto deixou os dois para dentro e fechou a porta novamente e como era bom não ter vento frio e chuva batendo em seu corpo. O ambiente estava confortável abafado e Dane quase desabou, mas teve que lidar com o mais novo o abraçando, após forçar Milka com força, feliz por ambos estarem bem.
— Graças a Deus vocês estão de volta! — O velho Milutin se mudou, olhando para os dois filhos e suspirando pesadamente, mas aliviado. A esposa veio logo atrás, indo receber a dupla. — Que ideia foi essa de sumir no meio da floresta?
— Eu não queria… — Milka começou, abaixando a cabeça, envergonhada.
— Estou falando de Dane.
— Ei? — Dane olhou para o pai, incrédulo com aquelas palavras. — Eu fui atrás de Milka. Ela não podia simplesmente passar a noite lá fora, em meio a uma tempestade.
— Você poderia ter se machucado gravemente — a menção a um machucado fez Dane apertar a mão com cortes, escondendo-a atrás das costas. — E se você tivesse se perdido? E se os dois precisaram desaparecer?
Encarou o pai com indignação. Era nada mais que o efeito da preocupação, os pais brigavam com os filhos quando eles agiam de modo arriscado, não gostavam de atos heróis, mas isso era justamente por amá-los. Dane não podia julgar Milutin por estar praticamente dando uma bronca nele por ter resgatado a irmã, afinal andar no meio da floresta sem nada para se defender caso algum animal aparecesse, ou então um modo para garantir que não fosse se perder, não era seguro e menos ainda abafado. Foi por impulso, mas ele teve sorte de ambos terem chegado em segurança em casa.
— Eu não poderia ficar parado. Desculpa.
— Vocês precisam de um banho quente — por fim, o patriarca falou, suspirando pesadamente.
Os dois não ousaram discordar, principalmente porque eram tremendo de frio e estavam ensopados. Dane, principalmente, estava sujo de lama até os cabelos, além do ferimento na mão que ele não mostrou para ninguém, era melhor cuidar daquela parte sozinho.
(...)
Assim que sentou-se na cama, sentiu o cansaço o abraçar com força. Não correu por muito tempo sob a tempestade, mas ainda assim foi emoção demais para um único dia. Já havia se lavado e trocado de roupa, agora estava com um pijama confortável. Milka também passou pelos mesmos cuidados e a mãe não desgrudava dela. O que era bom, pois assim não ficou grudado nele.
Olhou para o ferimento na mão, fazendo uma careta ao encontrar os machucados ali. Não sangrou mais, o que era bom, mas não podia simplesmente deixar exposto assim. Se falado e sonoro até o banheiro, onde deveria encontrar um rolinho de atadura. Caminhou em silêncio, para não chamar a atenção de ninguém, mas para a sua surpresa, Nikola já estava lá, esperando o momento certo em que o irmão mais velho iria aparecer. Pensei em inventar que estava indo ao banheiro para fazer as suas necessidades, porém entendi que o mais novo era mais atento e mais esperto. O rolo de atadura estava em suas mãos. Ele com certeza ouviu o olhar de Dane.
— Vai me deixar ajudar? — Dane desviou o olhar, um pouco envergonhado.
— Eu não queria me preocupar com o meu irmãozinho, sabe?
— Então deixa que eu cuido da sua mão.
O que poderia fazer, dizer não?
Concordou com um suspiro derrotado e os dois voltaram para o quarto de Dane, que era o mesmo que dividia com Nikola. Sentou-se na cama e estendeu a mão para o irmão, assim que este enviou-se ao seu lado. Observei em silêncio a eficiência do trabalho, assim como o cuidado.
Se você viu pensando no momento em que estava no meio da floresta, quando aquele estranho apareceu. Queria ter prestado mais atenção nele, mas no momento do desespero era praticamente impossível. Não havia o que fazer, então aceitei a coincidência estranha, se questionei se Milka o havia visto também. Talvez não, ela estava muito assustada e focada mais onde pisava, não no que estava em sua frente. Sem falar que a chuva estava forte demais, além do escuro. Sabe-se Deus como o próprio Dane conseguiu enxergar algo.
— Está pronto!
Recolheu a mão e analisou o bom trabalho do irmão, sorrindo gentilmente ao juntar os dedos.
— Obrigado, Nikola. Vou ficar bem rapidinho.
O sorriso de Nikola era infantil e inocente. Aquele garoto era muito gentil e Dane só conseguiu admirá-lo por isso, mas pensar em gentileza o fez lembrar daquela estranha que o guiou no meio da tempestade. Estreitou os lábios e ficou olhando para a mão enfaixada, refletindo demais sobre aquilo. Já havia passado, então deveria ignorar, seria o mais sensato a se fazer, considerando que não se lembrava de ninguém com aquelas características físicas na pequena cidade.
— Você não pensa tanto? — A pergunta de Nikola o trouxe novamente para a realidade.
— Eu tive muita sorte de encontrar Milka e o caminho de volta para casa. Só isso.
– É verdade. Fiquei preocupado.
Acariciou os cabelos castanhos avermelhados do irmãozinho, bagunçando as ondinhas propositalmente, apenas para ver a ocorrência de Nikola ao afastar a mão dele em meio às risadas. Se jogou na cama logo em seguida, sentindo que precisava muito dormir.
