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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-10-26
Words:
961
Chapters:
1/1
Comments:
11
Kudos:
212
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6
Hits:
1,413

As Marcas do Seu Corpo

Summary:

Dentro na vã da Ordem, logo depois de receber o anúncio de uma pendente morte, Aguiar toma a oportunidade para explorar as linhas do corpo de Labirinto.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

O dia era longo e ainda estava longe de acabar, desde essa manhã quando ele havia acordado no corpo desse homem tudo de confuso havia acontecido. Uma estranheza atrás da outra, sem descanso ou pausa nenhuma. Tentar descobrir quem é esse corpo que ele habita, o que e por que ele estava dentro de um corpo que não era realmente dele, sem nenhuma memória, deixou ele esgotado. Ele sequer se lembrava de quem ele era antes de se tornar esse “Aguiar”, ou se ele sequer era alguém antes.

 

Ele se encontrava mais cansado ainda depois da luta contra aquele bicho estranho do caixão, o seu machado, que por algum motivo misterioso o trazia alegria e conforto, não saiu de suas mãos desde que ele o recuperou. Sujo de sangue e exausto, ele desejava voltar para qualquer semblância de casa que ele tinha, mas não fazia a mínima ideia de onde estaria.

 

Enfim, ao menos ele não era o único nessa situação confusa. Ao lado dele, todos sentados em silêncio na vã da tal da “Ordem” que eles tinham conhecido somente alguns minutos mais cedo, estavam apreensivos com as notícias da pendente morte de alguém do grupo. Os dois agentes sentados do banco de motorista e passageiro estavam silenciosos, até a menina mais nova que não havia fechado o bico um minuto quando eles estavam no galpão.

 

Ela que havia entregado a desconfortável notícia que eles haviam matado um deles e que o habitante original dos corpos havia sido morto por eles mesmos. Nem os agentes, que deveriam ser peritos nessas coisas, tinham certeza do que aconteceria com eles se um dos originais morresse. 

 

Por esse motivo, aquelas pessoas que ele tinha conhecido a poucas horas, se encontravam em diferentes níveis de preocupação.

 

Jae estava sentado, olhando pelas escuras janelas e evitando contato visual com o resto do grupo, sua lâmina firmemente segura em suas mãos. 

 

Kami murmurava para si mesma, olhando brevemente para cada um deles e logo mudando o alvo de suas ponderações. Ao mínimo, o volume que ela murmurava era tão baixo que não incomodava a linha de pensamento dele, que já era tão frágil e cansada.

 

Dalmo ocupava uma grande parte da vã com o seu corpo grande, mas a preocupação era nítida em seu rosto. Mais cedo ele havia mencionado sua esposa e filha que, sem ele, ficariam sozinhas. Ele adivinhava que, mesmo não sendo o Dalmo original, ele ainda tinha algum nível de afeição e responsabilidade por elas.

 

E, finalmente, Labirinto. O homem que ele havia conhecido naquela prisão, algumas horas mais cedo. A conexão entre eles havia sido intensa, seus corações bateram em uníssono naquele momento que seus olhos se cruzaram e desde então, Aguiar não conseguiu tirar ele da sua vista. 

 

Labirinto olhava pra baixo, espinha curvada sobre si mesmo, traçando com sua mão cortada as cicatrizes quadriculadas de sua pele, precisas e perfeitas. Os olhos do delegado focaram no movimento lento, quase sensual, dos dedos encharcados de sangue, cobrindo cada linha do desenho complicado de sangue fresco. Labirinto estava quase coberto de sangue, nas suas roupas rasgadas, no seu rosto e por todo os seus braços. O homem, porém, tinha uma expressão de completa calma, seus lábios inertes e levemente partidos, sangue seco na pele pálida. Nenhuma gota de preocupação em sua expressão. 

 

Aguiar, por si só, já tinha o suficiente para eles dois. Mas o curioso é que ele não se importava se ele morresse, aquele corpo, afinal, nem era dele. Mas se Labirinto corresse perigo… Bom, Aguiar não sabia se conseguiria conter o ódio intenso que reside nesse corpo. 

 

Desviando seus pensamentos do futuro incerto, Aguiar foca sua atenção nas cicatrizes da nuca magra de Labirinto, pálidas e límpidas onde os dedos do homem não sujaram de sangue. Uma espécie de desejo surgiu em Aguiar, e no camburão daquela vã escura, seus dedos traçaram levemente as marcas de Labirinto.

 

Mesmo não sendo a primeira vez que eles tocavam, ele ainda percebeu o arrepio da pele de Labirinto, que imediatamente tenciona e para a pintura incessante do seu próprio braço, surpreso. Mesmo assim, os dois permanecem em silêncio, e Aguiar tentativamente continua sua exploração. 

 

Lentamente, seu dedão segue uma longa linha, partindo do topo de sua nuca que praticamente segue a linha da sua espinha, parando somente quando sua mão esbarra com o tecido de suas roupas e Aguiar lembra que seus toques deveriam ser minimamente apropriados à situação. 

 

Aguiar encontra um novo percurso, seguindo da parte de trás de uma orelha até a outra, seu dedo médio traçando o caminho com cuidado e atenção. Seus dedos eram maiores do que os do próprio Labirinto, que tinha mãos finas e dedos longos, Aguiar tinha mãos cheias de calos, ásperas e rudes - mas ideais para alguém da carreira dele. 

 

Ele se perguntava se Labirinto conseguia sentir a diferença, se sua pele cicatrizada tinha sensibilidade o suficiente para sentir o calor da pele de Aguiar contra a sua pele fria. E principalmente, ele pensa, por onde mais esse labirinto passa? Será que o estômago do homem era coberto como os seus braços? Será que a linha da sua espinha continuava até suas coxas? 

 

Quando Aguiar chegou ao seu destino, acariciando suavemente a hélice da orelha de Labirinto, ele vira o rosto para encontrar os olhos de Aguiar, o encarando com um olhar fervoroso. Aguiar respondeu com um leve sorriso, se inclinando e sussurrando no ouvido de Labirinto, “Quero ver mais, mais tarde.”

 

Labirinto não diz nada, só desvia o olhar de volta para o chão e levemente acena com a cabeça. 

 

O resto na jornada até a tal “base da Ordem” que aquelas pessoas os levavam foi completamente silenciosa, mas Aguiar aproveitou a chance para se perder nas marcas do homem ao seu lado.

Notes:

Vai ter nsfw sim viu