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And if they get me and the sun goes down (What if you put the spike in my heart?)

Summary:

Com o toque do sino após a morte de um dos estigmas da coroa de espinhos, Henri se vê tomado por uma gula intolerável, sofrendo de uma inquietude noturna que tira o sono de Dalmo.

Notes:

Eu comecei a escrever essa na sexta feira e terminei na madrugada após a stream da quarta sessão. Tudo isso para dizer: tem muita coisa que já está datada. Ignorem.
E como assim essa é a primeira Henri/Dalmo?

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Henri sentia-se terrivelmente inquieto depois do soar do sino.

Era como uma comichão, um incômodo que parecia direcionar-se de suas gengivas até seu esôfago, contornando a boca de seu estômago e irradiando ao corpo todo. Em outras palavras: uma tortura, e não do tipo que lhe agradava. Dor, isso ele entendia; fome, não. Ele poderia aguentar, e até deleitar-se, com a visão magnífica de seu sangue e de seus companheiros jorrando sem destino, mas o som gutural de sua ânsia pela recompensa da gula era tão, mas tão, maior.

Ele dava longas passadas no piso inferior da casa, contendo hora ou outra sua vontade de subir para chutar o frágil e temeroso corpo de Pomba, que poderia estar morto ou dormindo (Jae tinha ordenado que não abusasse mais do jovem, e Henri sentia que talvez fosse melhor seguir essa ordem especificamente).

A paranoica do time estava no andar de cima, mantendo a guarda com seus binóculos, enquanto os outros dormiam profundamente, se é que a sinfonia insuportável de roncos poderia sugerir alguma coisa ao escripta. Mesmo assim, Henri estava irrequieto, o sangue de qualquer um ali não estava perto de saciar sua fome causada pelo estigma da coroa, e sabia que não poderia sair para caçar, tendo em vista a impulsividade de Kemi para atirar em qualquer coisa que se movesse próxima ao perímetro da base.

Assim se encontrava Henri: atormentado por um diferente tipo de ódio, mordendo a costura em seus lábios até saturar a língua com o próprio sangue e alheio ao barulho insistente que o piso fazia com seus passos ainda grudentos pela ferida que o parasita deixou em seu dorso.

Eventualmente, quando ele finalmente localizou e esmagou entre os dedos um grande gafanhoto que perturbava ainda mais o silêncio que Henri gostaria de alcançar (audição apurada era uma das coisas que o ajudava a enxergar tão bem, mesmo sem sua visão), ele pôde sentir antes mesmo de ouvir: o chão vibrando delicadamente no intermédio entre o primeiro e o segundo andar da casa, de maneira ritmada e cada vez mais próximo, uma grande massa usava as escadas para descer. A linguagem corporal disse muito a Henri, que soube imediatamente que se tratava de Dalmo Magno, o colosso de dreads que, para Henri, instiga uma aura de pura violência que ele estava familiarizado, e isso o assegurava, de certa forma.

O escripta girou o corpo inteiro teatralmente, não podendo conter seu sorriso por ter algo interessante consigo e, quem sabe, até poderia conseguir um alvará para finalmente ir atrás de algo que pulsasse e saciar sua fome incompreensível, e achou ainda mais graça ao notar a expressão absolutamente infeliz do homem de dreads. Isso seria divertido.

— Nem vem.

Henri riu, feliz, praticamente deslizando em direção ao verdadeiro tanque que se encontrava tão próximo de si. Parou a poucos metros, apoiando a única mão na mesa que consertaram no centro da casa.

— Os vampiros estão vindo, Dalmo. Ou você acha que, depois de comerem tanto frango, eles não vão querer a sobremesa logo ao lado? — Henri praticamente ronronou a frase, molhando os lábios com a língua e, honestamente, blefando. A realidade era que ele apenas queria tirar uma reação do grande, grande homem, e diria qualquer coisa para isso.

— Porra, cara, tu não dorme não?

— Escuta, eu dormi o suficiente. Na realidade, eu não faço a menor ideia — virou levemente a cabeça, como um cão — Eu não sei o que eu fiz antes de chegar aqui. Então não, eu não tô cansado.

— Então eu quero que se foda você. — Dalmo disse, simples, antes de passar por Henri e abrir uma caixa antiga, procurando o Diabo sabe o quê. Henri notou, como um pensamento que reservava a análise para quando as circunstâncias permitiam sua solidão, que Dalmo ainda carregava as manoplas, assim como também exibia o peito nu e brilhante de suor mesmo com parte de sua armadura. Talvez o desconforto da vestimenta também causasse sua aparente insônia.

— Ei, ei, ei. Mas eu não sou o único de pé, ou sou? — o escripta entona, com o rosto seguindo a direção de Dalmo e não vacilando nem por um segundo em sua pequena diversão unilateral — Eu tava aqui pensando…

— Meu irmão, lá fora tá cheio de bicho imenso, tu não vai sair dessa casa pra comer, não. — Dalmo interrompeu, parecendo saber ler as intenções de Henri com uma facilidade inesperada, o que o toma de surpresa. Tinha orgulho em sua imprevisibilidade, e, portanto, escolheu dobrar a aposta apenas pelo prazer de não deixar o outro sair por cima.

— Ah, é? Então é melhor eu nem ficar aqui dentro mesmo, porque tem um bicho imenso bem na minha frente. — Henri morde o lábio, e, como mágica, vê a postura de Dalmo titubear, chocado e, se os sentidos anômalos de Henri não o enganavam, até lisonjeado. Ele não se acanha, e o antigo receptáculo do Diabo muito se agrada com isso.

— Imenso, é?

— Colossal, "pai". — Dalmo fecha a caixa sem pegar nada, interessado nessa gracinha de Henri, sem nenhum motivo específico.

Henri encara Dalmo por cima do ombro, exibindo seu canino afiado e comprido que sua alta exposição paranormal provocara em si. Dentro dele não tinha vergonha, apenas desejos aflorados, e um deles parecia se destacar exponencialmente dentre todas suas outras emoções.

A tensão no ambiente perdura por alguns segundos excruciantes, que são seguidos por uma fisgada brusca, e bem mais forte, de absoluta dor pelo estigma marcado em suas costas e, com isso, mais sangue vermelho vivo parece manchar sua capa arruinada, causando uma série de sensações desagradáveis que tiram de Henri um som estranhamente bestial seguido de ar sendo sugado pelos dentes. Aquele ritual, qualquer que seja, estava mais poderoso, e Henri não sabia nem começar a nomear o prazer que aquilo estava lhe causando.

— Ei, qual foi, cara? Que porra é essa? — Dalmo corta a distância, ficando a dois passos de Henri, com um braço estendido em direção a ele como que para segurar o outro caso caísse. Henri, recuperando-se do ataque repentino, encarou Dalmo desacreditado que ele tinha esquecido do símbolo demoníaco da equipe bem nas costas do homem à sua frente.

— Dalmo, você é idiota? — ele rosna, um tanto extasiado ainda. A frase parece indignar a Dalmo, que franze as sobrancelhas grossas no mesmo momento, o que faz com que suas cicatrizes pareçam mais ameaçadoras do que antes.

— Tu não me chama de idiota não, oh seu sacrifício pau no cu do caralho, que eu te quebro no meio. Vai dar merda e essa casa vai cair, meu irmão. — Dalmo diz, o sotaque ficando mais forte do que o normal com as ameaças, que fazem os joelhos de Henri amolecerem um pouco, a dor lancinante seguida pelas palavras excitantes deixam o sorriso de Henri mais alucinado ainda, mas dessa vez com um fundo mais sombrio do que antes.

— Quebra então, Dalmo. Eu quero — Henri diz, arqueando as costas e, enfim, ficando frente a frente com o maior homem da equipe. Ele estava tão próximo que Henri conseguia sentir o cheiro forte emanando de sua pele, e isso o deixava depravado.

Dalmo abriu a boca e então fechou, parecendo dividido na montanha de emoções que estava passando, e Henri esperou até que ele tirasse a conclusão, lambendo os dentes enquanto afastava sutilmente o pano de sua capa, fingindo brincar com as correntes em seu torso. Ele sequer escondia suas intenções, e as verbalizaria, se a próxima atitude de Dalmo não fosse repentinamente o segurar pelo longo rabo de cavalo para aproximá-lo de seu rosto, fazendo com que o couro cabeludo de Henri ardesse com a tração abrupta.

— Você brinca demais pra quem não pode morrer. — ele murmurou contra Henri, que, a favor de todos os seus instintos mais primários, sem pensar nem por um segundo, lançou-se à boca carnuda de Dalmo.

Há quem deduza que as costuras em metade de sua boca dificultam muito suas "atividades", mas Henri aprendeu a utilizar suas ferramentas de dor com maestria, ferindo-se como um pequeno prazer próprio, e enfiando sua própria língua de encontro a de Dalmo, que correspondeu a dança afobada criada pelo homem, gemendo gravemente quando Henri também o segurou pelos dreads com a mão, aproveitando a oportunidade para lamber como um cachorro os lábios de Dalmo, satisfazendo-se pelo leve rastro de sangue na saliva, e em seguida sentindo ainda mais fome do que antes.

Acreditando estar próximo à inanição, Henri beijou-o impaciente, deleitando-se ao perceber que Dalmo era o tipo que gemia livremente durante o beijo a cada novo movimento esperto do outro, largando enfim o cabelo desalinhado de Henri e o segurando com força pelos quadris com suas manoplas.

Henri, bom, apesar de seu longo histórico no qual bastava-se ao receber ordens, permitindo ser manejado como bem queriam, vivia um novo começo e não podia ignorar o pico de adrenalina que sentia quando via-se defronte à oportunidade de ao menos tentar fazer o que quisesse com um homem tão maior que ele, e foi essa pura lascívia que fez com que Henri empurrasse Dalmo contra a mesa, utilizando de toda força que conseguiu conjurar com uma mão, um antebraço e, suspeitava, a boa vontade do outro. Dalmo pareceu sorrir com isso, o que contagiou uma risada totalmente satisfeita de Henri, que ainda explorava o interior da boca de Dalmo e, inegavelmente, tinha sua ereção consolidando-se cada vez mais dentro de sua calça larga.

E, posto isso, paciência nunca foi sua maior virtude.

Como se estivesse realmente prestes a devorá-lo por inteiro, Henri iniciou um caminho preguiçoso de mordidas, primeiro nos lábios, então no queixo, mandíbula, no pescoço, onde demorou-se especialmente em cima do pulso carótido de Dalmo, saboreando a ideia do fluxo arterial entre os dentes, tão próximo de si. Dalmo, em resposta a isso, se mexeu, aparentemente incomodado com as intenções que transpareciam nas atitudes do menor que atacava um ponto vital seu, provocando em si grunhidos roucos e, se fosse honesto, talvez até um pouco de medo. O mero pensamento o fez segurar mais uma vez Henri pelos cabelos — estava gostando disso mais do que imaginava —, usando a outra mão para apertar sua mandíbula com força, o afastando e direcionando toda a atenção do sacrifício para si.

— Tu tá muito abusado, seu puto. — praticamente cuspiu a frase na cara de Henri, que sorriu ladino, recebendo um tapa fraco como aviso, o que fez sua cabeça girar com as infinitas possibilidades que isso abriu em sua mente.

— E você tá com muita pena. — respondeu, movendo-se desconfortavelmente mais para baixo, finalmente passando a mão pelo abdômen saliente do grande combatente, deixando uma mordida em seu peitoral forte o bastante para arrancar pequenas gotículas de sangue, lambendo-as enquanto soltava um gemido sôfrego pelo êxtase que apenas aquilo o causava, tendo plena consciência da quantidade de pré sêmen que já cobria sua glande ainda escondida. Em resposta à inocente brincadeira do tributo, Dalmo o estapeou de novo, com mais firmeza do que antes, entretanto, Henri conseguia enxergar através dele e, pela conjuntura dos fatos, aquilo era longe de um sinal de desaprovação.

Sentindo seu ouvido atingido zunir um pouco e seu rosto formigar, riu abertamente, serpenteando sua mão pelo cinto de espinhos de Dalmo, pelas fitas de couro até achar seu interesse naquilo tudo, e assobiou quando finalmente sentiu o pau quente de Dalmo em sua palma, pulsando levemente ao mesmo tempo em que ele suspirava de maneira profunda, incentivando as ações de Henri. O tributo, cedendo à uma curiosidade muito maior que ele mesmo, se pôs ao trabalho árduo de tentar abrir a braguilha da calça verde de Dalmo, uma tarefa praticamente impossível diante da pressa que sentia e a unidade de mão que tinha à sua disposição no momento, uma pequena lembrança da Ordem e as incendiárias desgraçadas que recrutava.

Na quarta tentativa frustrada de Henri, ele perdeu sua paciência, decidindo que iria rasgar o tecido com a própria mão, uma ação insolente que lhe rendeu mais um puxão forte de cabelo, o que o fez gemer manhoso e sua rola quase pular dentro das calças.

— Estraga essa merda e tu vai ver. — avisou rouco, aproximando o rosto de Henri mais uma vez em seguida e o fazendo assistir enquanto Dalmo habilidosamente desabotoava a própria calça, descia o zíper e exibia o volume cheio em sua cueca preta, o que fez com que o sacrifício fosse grato pelo punho firme enroscado em seus fios, pois tinha certeza que poderia quebrar suas patelas com a força que se ajoelharia se não fosse por isso (mas não reclamaria se Dalmo quebrasse um osso seu ou dois naquele momento).

Ao invés disso, foi lentamente descendo ao chão, com a permissão de seu carrasco, até estar com o pau de Dalmo na altura do olho, logo avançando até colocar seus lábios em volta do formato coberto pelo tecido, inspirando profundamente o cheiro do colosso até sentir-se inebriado, rindo quando enfim arrastou sua língua atrevida por todo o comprimento, mapeando o que conseguia pela percepção de sua própria boca, sugando levemente a cabeça e gemendo de antecipação.

Não sentindo que Dalmo estava o contrariando de forma alguma, ergueu seu rosto e segurou entre os dentes a barra da cueca, sustentando contato visual quando a puxou, sentindo o membro totalmente enrijecido do combatente encostar, úmido, contra sua bochecha, finalmente revelando seu tamanho e espessura imponentes, condizentes com o tamanho do dono, e isso fez com que Henri praticamente babasse ao "vê-lo" por completo. Era farto, inclinava-se para cima, mais escuro que o resto do corpo de Dalmo, repleto de veias raivosas e definitivamente uma visão digna do próprio Diabo.

Henri, segurando o membro fálico com a mão, fez questão de mostrar seu canino para Dalmo ao passo que iniciava um movimento lento na pele ainda seca, girando o pulso a cada subida até a cabeça e escutando, com muito deleite, Dalmo soltando todo ar de seus pulmões para não produzir sons — algo que mudaria muito, muito em breve.

Sem pensar, encaixou a glande na abertura se seus lábios, lambendo de maneira circular enquanto tinha toda a boca tomada pelo sabor salgado do pré sêmen de Dalmo, quem, Henri percebeu rapidamente, era muito babão. Com toda a ação e eventual sucção de Henri (que logo notou que não conseguiria passar aquele volume pelos lábios grampeados), Dalmo fazia pequenas investidas com os quadris em direção aos lábios obedientes de Henri, gemendo hora ou outra quando sua língua perspicaz fazia movimentos mais amplos, utilizando sua textura para fazer com que Dalmo se curvasse cada vez mais sobre si, tentando buscar mais contato, que Henri só pôde realizar ao lamber todo o comprimento de Dalmo, encostando o nariz nos pelos pubianos encaracolados na base do grande membro e então retornando à ponta, tirando mais gemidos de ambos.

Henri sentia que a qualquer momento poderia gozar assim, resvalando o próprio membro na costura de sua calça, ainda mais quando Dalmo largou seu rabo de cavalo e apoiou sua mão livre no ombro ferido do escripta, lançando sobre si uma onda de dor que provocou nele um estremecer repentino, confundindo uma risada com um arfar doloroso.

Henri, absolutamente obcecado pelo cacete de Dalmo a esse ponto, não fazia a menor ideia de quanto tempo passou ajoelhado, masturbando e lambendo, mas quando teve seu objeto de interesse repentinamente tirado de si, e pôde ver o rosto suado e ofegante do maior, soube imediatamente que foi tempo suficiente para escalar mais uma de suas brincadeiras prediletas.

Dalmo parecia ter dito algo como "levanta", ou foi isso que Henri achou ter ouvido, pois imediatamente projetou-se para cima, sorridente e com os lábios vermelhos e usados após o oral, incunbindo-se de abaixar as próprias calças numa velocidade impressionante, chutando-as para o lado e demonstrando, estranhamente orgulhoso, que não utilizava roupa íntima. Com isso, Dalmo sorriu, apertando sua bunda torneada com um olhar do mais inalterado tesão que Henri já tinha visto.

— Puta que pariu, eu tô querendo muito te comer. — o agente disse, golpeando a região com um tapa que feriria qualquer outro, mas não o masoquista que acabou de o chupar como se estivesse sendo pago para isso, esse gemeu manhoso para Dalmo, ainda mais quando sentiu os espinhos gelados da armadura contra sua barriga. O menor, decidido em sua mais nova missão, segurou a grande mão de Dalmo, guiando-a até o meio de suas nádegas cheinhas, mas sentiu uma estranha resistência do outro, que puxou sua mão.

— Você quer foder ou não quer? — rosnou, impaciente, sendo recebido por uma expressão aborrecida.

— Eu não vou comer teu cu no seco, né, caralho? — respondeu, como se Henri fosse muito imbecil, o que o fez revirar o olho esbranquiçado.

— É óbvio que não. — e então voltou a guiar a mão de Dalmo, mas dessa vez até seu dorso, onde sangue fresco e não coagulado corria livremente até a parte posterior de suas pernas, e permitiu que os dedos de Dalmo viajassem por sua ferida aberta, saturando-os com o próprio sangue e sentindo um ardor prazeroso, o fazendo sibilar de olho fechado. Dalmo pareceu entender o que estava acontecendo, explorando todo o formato nas costas de Henri como se o cultuasse, hipnotizado pelas expressões de volúpia que o outro exibia.

Enfim, sua mão descendeu até o ânus de Henri, circulando com o dedo o músculo pequeno que parecia piscar só para si, e se percebeu rindo junto ao outro. Estava, sem dúvidas, ficando louco também.

— Coloca, Dalmo. Você não é o primeiro que fode meu cuzinho. — Henri disse, encostando a testa na têmpora do outro e mordendo sua bochecha, como se para estimulá-lo a ser menos cuidadoso consigo.

— Eu ainda não quero que tu se machuque. É que aqui é absurdo. — Dalmo disse sem muita seriedade, com um tom que muito lembrava Henri de carinho, e isso o assustou. Contudo, não teve muito tempo para alimentar esse tipo de questionamento, já que logo Dalmo pressionou o indicador quase inteiro dentro de si, o fazendo grunhir e murmurar palavrões contra a pele retinta do rosto do outro. Definitivamente, um dedo de Dalmo contava como dois.

E, assim, Henri foi fodido com os dedos de Dalmo, que engolia os gemidos agudos do outro o beijando com força e fazendo movimentos cada vez mais ágeis com o pulso, se afastando para encarar Henri com um sorriso convencido quando, em uma investida particularmente bruta, o menor pareceu desesperado, apertando o braço forte de seu novo parceiro para que não caísse no chão, e Dalmo soube que havia atingido o ponto mais doce em seu corpo. A partir disso, Henri precisou ser praticamente amordaçado com o tecido que Dalmo carregava no pescoço, já que o tom dos seus gemidos estavam perigosamente próximos de gritos, e ele lembrou-se, com um certo terror, que Kemi estava vigiando tudo lá em cima, e possivelmente os escutando há muito tempo. Ops.

— Foda-se. — Dalmo murmurou para si mesmo, retirando seus dedos lambuzados de sangue de dentro de Henri e, de repente, o segurando com facilidade pelas poplíteas, erguendo-o do chão e quase não o dando tempo para abraçar seu pescoço com os braços. Com uma mão, alinhou seu pênis rapidamente com o buraquinho abusado de Henri, e, decidindo ceder mais uma vez aos estranhos prazeres deste, o mordeu com força no pescoço enquanto socava-se inteiro dentro do outro, que entonou um sonoro "Porra!" antes de apoiar a testa no ombro de Dalmo.

Dalmo, bendito seja, até tentou seguir um ritmo mais lento e íntimo em Henri, que, segurado pelas pernas, não tinha controle algum sobre a situação, só que rapidamente notou a movimentação furiosa que os quadris de Henri tentavam fazer contra seu pau, obrigando-o a ir mais rápido, e foi exatamente isso que Dalmo fez.

A esse ponto, Henri tinha certeza absoluta que estava a poucos momentos de ser destruído, a forma que era segurado permitia acesso livre a sua próstata, que era empurrada com tanta força que o impacto o lançava para cima, ele já não tinha a menor ideia dos sons que saíam da sua boca, seu corpo inteiro parecia completamente mole e à mercê de Dalmo.

Bom, seu estado deixava claro o que sentia, com saliva escapando sem parar de sua boca aberta escondida no ombro de Dalmo e o único olho revirado enquanto fazia expressões honestamente pornográficas de luxúria. Seu próprio pau, negligenciado e, de vez em quando, espetado pelas vestes de Dalmo, parecia doer com a necessidade de gozar, algo que, ele observou, não demoraria tanto.

O som dos corpos chocando-se violentamente era definitivamente ouvido, além dos gemidos roucos de ambos, que pareciam querer amalgamaram-se com a proximidade que mantinham: com as pernas do outro sobre suas cubitais, Dalmo tinha as duas mãos unidas nas costas de Henri, que por sua vez abraçou o pescoço do outro com tanta firmeza que não havia espaço entre seus corpos mais, apenas os quadris incansáveis de ambos forçando movimentos cada vez mais brutos em seus parceiros.

De súbito, o Magno pareceu ter suas ações bruscamente abrandadas, como se suas estocadas crepitassem com um orgasmo iminente. Acima de si, Henri aparentava sofrer do mesmo mal, gemendo ofegante enquanto mordia tudo que podia alcançar no corpo do outro e soltando ruídos que muito se assemelham a rosnados, obviamente aproximando-se da borda em um ritmo assustador.

— Henri, eu… puta merda! — Henri, imprevisível como só ele, decide apertar seu buraco em torno de Dalmo justo quando este busca palavras para avisá-lo de sua atual situação, o que faz com que precise tensionar todos os músculos de seu abdome para não se desmanchar inteiro no mesmo segundo. De qualquer forma, Henri, mesmo com a sensação que seria aberto ao meio num piscar de olhos, o entendeu perfeitamente, e gemeu diretamente em seu ouvido.

— Goza bem gostoso pra mim, Dalmo, mas tem que ser dentro. — comandou rouco, praticamente sem ar, e teve sua ordem imediatamente acatada, sendo preenchido pela sensação anômala de uma grande quantidade de porra sendo socada para dentro de si, impiedosamente, ao mesmo tempo em que ouvia Dalmo quase ganir em meio ao seu forte orgasmo, já que Henri não parava de o comprimir, como se quisesse arrancar até a última gota.

E, então, uma pausa.

Dalmo parecia moído: sua pele estava ensopada pelo suor, que refletia a luz avermelhada da lamparina, sua respiração estava descompensada, a cabeça pendia um pouco para frente e seus braços, apesar de não falharem, estavam tremendo um pouco, recuperando-se da intensidade da atividade que acabara de executar.

Só que Henri ainda não tinha gozado, e ele até reclamaria, se não visse o sorrisinho extasiado escondido entre os dreads desarrumados, seus olhos, ora tão duros, agora irresistivelmente doces no rosto sereno de Dalmo. Isso bastou para calar o tributo.

Alguns eternos segundos se passaram, até que Dalmo procurasse pelos lábios de Henri mais uma vez, o dando um beijo cheio de preguiça, como se tivesse toda paciência do mundo, o que forçou Henri a desacelerar pela primeira vez, obrigando-o a se deixar ser saboreado, e foi assim que fez. Porém, Henri foi notando, perplexo, que Dalmo não saia de dentro de si, e também não parecia amolecer de jeito nenhum, fazendo movimentos abreviados contra ele, parecendo que acompanhava a própria dança entre suas línguas.

Naquele momento, Henri sentiu seu corpo ser descido lentamente, até suas costas ensanguentadas serem pressionadas contra uma estrutura sólida coberta por pano. Percebeu, então, que Dalmo havia o colocado sobre a mesa da sala, mas não só isso, como também encaixava sua mão inteira no pescoço de Henri, com os dedos apertando suas vias aéreas, arrancando um som esganiçado e muito, muito feliz do menor.

— Eu te avisei que ia dar merda. — Dalmo diz, sorridente, antes de continuar suas investidas, mais lentas do que antes por, imaginou Henri, uma sensibilidade acentuada do pós coito, mas logo ocupou sua mão livre com o pau do escripta, utilizando o abundante pré gozo que melava toda a glande como lubrificante e o masturbou no ritmo que aprendera ser o favorito de Henri.

Todos aqueles estímulos não demoraram para fazer efeito nele, que arqueava as costas e choramingava desesperado com o orgasmo cada vez mais perto, sua mente completamente vazia pela pouca quantidade de oxigênio e seu corpo tomado por sensações animalescas.

Com uma lamúria final, Henri gozou com força, como se tivesse sido atropelado por uma van. Linhas peroladas de sêmen projetavam-se sobre ele, sujando seu peitoral, o abdome de Dalmo, suas roupas e um pouco de seu queixo.

Quando Dalmo soltou seu pescoço e, dando um tapinha amigável em sua coxa, retirou-se de dentro do parceiro, foi como se todas as suas conexões com o mundo material fossem repentinamente quebradas, e Henri sentiu-se absolutamente exaurido.

— Henri?

A sensação que tinha era que sua pálpebra era pesada demais, assim como o resto do seu corpo. Não duvidaria que as manoplas maciças de Dalmo fossem amaldiçoadas com Energia, uma vez que um fluxo elétrico constante parecia migrar da pelve de Henri até todas as extremidades de seu corpo.

— Ih, caralho. Matei o menino. — Dalmo disse, de repente preocupado enquanto agarrava seu braço e tentava movê-lo, no que Henri responde com uma sequência incompreensível de sons exaustos, mas parecem ser suficiente para acalmá-lo, já que suspira aliviado.

— Pelo barulho eu achei que tivesse matado mesmo! — uma voz feminina grita do andar de cima, o que imediatamente traz um sorriso enorme para os lábios de Henri.

— Vai cuidar da tua vida, Kemi!

— Vai comer esse filho da puta em outro lugar, Dalmo, porra!

Notes:

Título: Vampires Will Never Hurt You — My Chemical Romance