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Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Character:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of Saudad&
Stats:
Published:
2025-11-20
Completed:
2025-12-19
Words:
122,364
Chapters:
28/28
Comments:
963
Kudos:
2,077
Bookmarks:
106
Hits:
36,169

Saudad&

Summary:

Onde Pomba e Franco se apaixonaram por através da tela do celular virtualmente, sem perceber que já se esbarravam na vida real.

Notes:

apaixonada pelos frambo meudeus doceu

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: "Você voltou!!! :D"

Chapter Text

A sensação de vazio no peito desde que Pomba era criança é algo que nunca o abandonou. Pelo menos não até quando ele decidiu mudar de nome. Seu nome não é Pomba, “Pomba” era só um apelido ridículo que ele recebeu quando era criança na escola, mas que acabou virando algo que ele carrega com carinho consigo.


Ele odeia o próprio nome.


Se ele pudesse falar algo que sente sobre si mesmo, ele também diria que se odeia.


Ele se odeia por ser quem ele é. Tímido, inseguro, não consegue sequer olhar nos olhos de quem ele tenta conversar, e tudo isso o torna uma pessoa insignificante, principalmente pela causa que ele quer seguir em sua própria vida e em sua carreira. De que serve uma pessoa que não consegue conviver em sociedade direito? Isso deveria ser o mínimo.


Ele completou 20 anos faz pouco tempo e está no segundo semestre da faculdade, ele faz Geografia na faculdade, e sonha em poder seguir qualquer coisa que o leve a fazer algo relacionado a isso. Seja ser professor ou cartógrafo, que é o que ele quer.


Ele se isola na faculdade, e é sempre uma luta para fazer trabalhos em grupo, mas que no fim, ele é obrigado a lidar.


Mas como que ele pode se virar em sua vida futuramente se ainda é inseguro demais sobre qualquer coisa?


É o que sua mente fica martelando dia após dia para ele.


Principalmente dentro da floricultura.


As mãos de Pomba abriam e fechavam uma tesoura em frente a um lírio que estava em cima do balcão, dissociando completamente do que estava acontecendo em volta. Nem mesmo quando…


– Pomba! Pomba, ei! – A voz familiar soou, assustando Pomba no mesmo instante, que largou a tesoura rapidamente enquanto se virava para ver o que estava acontecendo. É Coruja, seu irmão. Com seus cabelos loiros curtos e espetados e um óculos redondo. É ele quem é dono dessa floricultura.


Ele sorriu para Pomba, apoiando a mão no ombro de seu irmão.


– Você parece na lua, é bom você começar a arrumar as flores, ou elas vão ficar murchas. – Coruja disse, apontando para os lírios em cima do balcão. Era um pedido que fizeram via redes sociais. Pomba acenou com a cabeça, respirando fundo.


– Desculpa, eu só… Tava pensando demais. – Deu de ombros. – De novo, pra variar. – Pomba arrumou suas roupas.


Ele trabalha com seus irmãos na floricultura de Coruja. Com um uniforme bonitinho verde claro com um avental branco com um pássaro costurado na frente, ao lado do bolso. A floricultura é grande e os trabalhos são divididos entre o balconista, que são Pomba e Coruja. Corvo fica na área do jardim lá atrás, onde ficam as plantações e onde retiram as flores quando está em seu tempo de tirar. Harpia toma conta das entregas e Papagaio separa os pedidos. Tem muitas tarefas, mas é um trabalho em equipe bom.


Os nomes são todos, na verdade, apelidos. Depois do apelido idiota que Pomba recebeu quando era criança, todos eles decidiram adotar nomes de passáros para poder fazer companhia para seu irmão mais novo, pra que não se sentisse sozinho nunca. E hoje, ficou assim.


O espaço da floricultura é grande, tem uma luz aconchegante e um cheiro muito suave graças às inúmeras flores que ficam ali na parte da frente, e também as que estão plantadas no jardim. Uma música suave fica tocando o dia todo, isso irrita Pomba às vezes.


– Algo específico? – Coruja questiona, arrumando seu óculos com o dedo indicador rapidamente enquanto escreve sobre as novas flores que chegaram em um papel. Eles precisam manter tudo isso em ordem para fazer novos pedidos, ou comprar novas sementes.


– … Não não… Nada demais não. – Pomba disse baixo, arrumando os lírios em um buquê bonito. São 8 lírios grandes no total. Ele estaria mentindo se não dissesse que sente dó dessas flores, vão ser postas em uma água qualquer, vão murchar logo e-


– Certeza disso? É algo relacionado a si mesmo? – Coruja larga a caneta rapidamente, olhando para Pomba em um instante. – Você arregala bem mais os olhos quando está pensando em coisas sobre si, sabia? Você não sabe esconder muito bem isso. – Ele dá de ombros, Pomba resmungou, coçando a nuca.


– …Eu não consigo esconder nada mesmo né? – Pomba resmunga, amarrando o buquê por dentro.


– Não. Agora vai, desembucha. – Coruja se apoia no balcão, Pomba já não está mais olhando para o rosto de seu irmão, nervoso demais.


– Eu só… É que tipo… Me sinto meio inútil as vezes, queria conseguir conversar mais com as pessoas… Até mesmo aqui na floricultura, eu não consigo nem olhar para os clientes sem sentir que eu vou explodir a qualquer instante! – Pomba diz, nervoso, as mãos tremendo enquanto ele continua trabalhando nas flores. Os olhos dele se fechando levemente, a boca tremendo suavemente.


– Pomba. Olha pra mim. – A voz de Coruja era confortante de certo modo, Pomba levantou os olhos para seu irmão, com dificuldade. – Você tem se esforçado demais pra conseguir fazer isso. Você precisa se dar um tempo também e parar de se cobrar por causa disso… Você aceitou trabalhar no balcão, de frente com as pessoas, para poder melhorar isso. Você tem se esforçado e tem melhorado muito. – Coruja sorriu. – Apenas se dê o devido tempo… As coisas vão melhorar quando você menos perceber. Seja por você, ou por alguém.


– … Ah? Alguém? – Pomba questiona, confuso.


– Às vezes você precisa de um empurrão. Alguém pode te ajudar com isso! – Coruja inclina a cabeça para o lado, dando um tapinha nas costas de Pomba. – Agora termina esse buquê, tem uma mensagem também para escrever.


Pomba acena com a cabeça, sentindo o peso de seus ombros diminuírem um pouco. Ele sorriu minimamente, é bom saber que pelo menos, não está sozinho, apesar de tudo. Ele descartou completamente a ideia de “alguém”. Afinal, ele não tem amigos além de seus irmãos.


Não demorou muito para que ele conseguisse arrumar o buquê, ele pegou o jeito disso.


– E aí Pombinha… – A voz de Harpia soou, que se aproximou do balcão, entregando um papel para Pomba. – A mensagem que a cliente pediu pra ir no buquê é: “Feliz aniversário, gatinha! Que seu dia seja tão lindo como você. – Agatha”... – Harpia revira os olhos. – Cada dia uma frase clichê diferente, fala sério…


– Ah, para com isso. – Pomba ri, pegando o papel decorado. Ele pega uma caneta preta ponta fina, sua letra é perfeita, é ele quem escreve as mensagens. – É fofo, vai. Deve ser legal ganhar flores.


– Legal? Pra quê? Pra colocar num vaso de água e deixar ela morrer?


– É. Eu penso nisso também, mas você pode sempre guardar, não pode? – Pomba começa a escrever a mensagem.


– Ah não, se estiver falando daquilo lá de pôr as flores no meio de um livro, é melhor deixar morrer do que demorar tanto tempo pra ficar bom.


– Você não é nada romântico, Harpia. – Pomba termina de escrever, colocando dentro do buquê.


– Eu só não aguento mais ver flores na minha frente. – Harpia resmungou, pegando o buquê, finalmente pronto. – Tô indo levar, avisa o Coruja que daqui a pouco deve vir os entregadores para trazer as sementes novas.


– Tá bom, boa viagem! – Pomba acenou para seu irmão, que desapareceu no meio da floricultura.






O dia correu normalmente, não é sempre que tem clientes que ele precisa lidar cara a cara. Graças a internet e as entregas, as pessoas aparecem menos para escolher suas flores pessoalmente. Ou só vão quando é dia dos namorados, dos finados, ou das mães. Esses dias específicos realmente lotam, mas ele trabalha na floricultura a pouco tempo, então não precisou lidar exatamente com lotação.


A floricultura se mantém bem, é bem localizada e saem inúmeros pedidos por dia, e isso é bom. Pomba fica feliz que Coruja tenha estado tão feliz com a floricultura também.


Pomba chegou em casa antes de seus irmãos, ele precisa fazer os trabalhos da faculdade, então volta pra casa mais cedo. Os pensamentos dele estavam voltados às suas aulas de geografia, preocupado, mas animado pra fazer tudo que estão exigindo.


A caminhada até em casa foi tranquila, não é tão longe assim da floricultura. Eles moram em um apartamento grande, todos juntos, mas que é simples, nada muito caro, mas o suficiente para que vivam tranquilamente.


Os passos de Pomba são leves e mal fazem barulho, é quase que uma tática que ele tem. Mas ao contrário de seu corpo fazer barulho, sua mente não para de atormentá-lo, em nenhum instantinho sequer.


É quase como se estivesse amaldiçoado.


A porta de casa foi destrancada rapidamente por Pomba, que nem notou que tinha chegado tão rápido em sua casa.


Sua casa é aconchegante e tem inúmeros quadros pelas paredes. Quadros esses que foram pintados por Papagaio, e outros que são só fotos reveladas deles, desde criancinhas até mais velhos.


Depois de um banho quente, ele se sentou em sua escrivaninha e ligou seu computador, pronto para fazer suas atividades da faculdade. Seus pijamas largos o suficiente para deixá-lo o mais confortável possível.


Ele abriu o site da faculdade, abrindo as atividades online que ele precisava entregar até a próxima semana. Ele está adiantado de certa forma, ele detesta atrasos. Completamente. Quer vê-lo insano? Se atrase.


Pomba abre seu caderno rapidamente, rabiscando algumas formas antes de iniciar as atividades, apenas para aquecer e não se distrair com nada e–


– Huh? – A aba do site da faculdade ficou eternamente carregando, sem nenhum sinal de alguma mudança, ou sequer para abrir o site. Pomba apertou algumas teclas em seu computador rapidamente pensando ser a internet, mas na verdade…


Manutenção.


– Ah, de novo isso? – Pomba resmungou, apertando mais algumas teclas, mas finalmente desistindo completamente de tentar mexer em qualquer coisa nisso. Ele respirou fundo, ele odeia que seus planos sejam destruídos assim. Ele teria ficado realmente mais tempo com seus irmãos na floricultura ajudando.


– Que droga… – Pomba resmungou, talvez seja um sinal divino para que ele descanse pelo menos um pouquinho.


Pomba se levantou de sua escrivaninha, deixando seu caderno e alguns papéis para trás. Ele se jogou em sua cama, esperaria umas meia hora até tentar usar o computador de novo. Ou melhor, o site da faculdade.


Ele deslizou pelas redes sociais por um tempinho, vendo notícias como uma feira que vai acontecer em breve, um show de uma banda de rock e metal, o desaparecimento de alguma pessoa, ou alguns posts de fotos de pessoas da faculdade.


Pomba respirou fundo, o dedo deslizando pra lá e pra cá em seu celular, entediante. Ele não consegue nem se divertir direito, tudo que ele pensa é estudar, estudar e…


Que isso?


O dedo de Pomba parou em cima de um jogo que ele nem sabia que ainda tinha em seu celular, é um jogo de fadinha que ele baixou quando estava no terceirão do ensino médio, ele nem lembrava que esse jogo ainda existia.


Ele riu se lembrando do joguinho bobo.


Ele clicou no jogo, que exigiu uma atualização na hora. Afinal, fazem dois anos que ele sequer abre.


Ele tinha feito um amigo por lá.


Pomba atualizou o jogo rapidamente, não demorou tanto assim, mas o suficiente pra ele ficar um tempo dissociando sozinho enquanto olhava para o teto. Ele não tem nada melhor pra fazer mesmo.


O jogo abriu, a música nostálgica o levou para dois anos atrás, seu cabelo um pouco mais longo, mas ainda isolado o suficiente para sequer ter amigos ou sentir saudade daquela época.


A tela de carregamento está diferente do que ele se lembra, mas quando seu jogo abriu, ele estava no mesmo lugar que sempre esteve desde sempre. Desde dois anos atrás.


Uma notificação do Chat do jogo pingou na tela de seu celular rapidamente. Pomba ficou confuso, faz uns dois anos que ele sequer abre o jogo...


Sem pensar muito, ele apertou o botão da notificação, os olhos dele se arregalaram ao ver de quem era.


Fireborne03: OOOII estrelinnnnnnha


Fireborne03: quanto tempo cara!!!


Fireborne03: uns dois anos?????


Fireborne03: o jogo ta mt fodaaaaaaaaaaaaaaaaa q bom q ce voltou


Fireborne03: acho q eh um bom momento p gnt voltar a jogar…….


Fireborne03: nem sei se vc vai le ne kkksalks


Fireborne03: espero q pelo menos esteja vivoKKKLK


As mensagens antigas ainda estão ali desde dois anos atrás.


Fireborne 03 (2023): eiiiiiiiiiiiiiiiiiiii faz tempo q vc n aparece


Fireborne 03 (2023): sera q acontt3eceu algo


Fireborne 03 (2023): sdds serio


Fireborne 03 (2023): voltaaaaaaaa



Fireborne 03 (2024): espero q vc esteja bem!!!!!!!!!!!



Fireborne 03 (2024): tem um personagem agr q da p jogar em par, ia ser legal jogar com vc!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Pomba fica surpreso ao ler as mensagens, ele nem acredita que este ser ainda existe. Fireborne03 é o usuário de seu amigo virtual que ele conheceu através do joguinho a bons anos atrás. Eles jogavam juntos todos os dias durante quase um ano inteiro, mas desde que Pomba começou a faculdade ele parou de jogar e se afastou completamente de tudo.


Mas… Esse era um jeito de ele não ter nenhum tipo de insegurança, ele podia ser ele mesmo. Sem precisar se mostrar, ou olhar nos olhos de ninguém.


Fireborne03 conhece bem quem é o Pomba de verdade, ele nunca se segurou nem um pouquinho. Mesmo que nenhum dos dois sequer saibam o nome de verdade um do outro.


estrelaa_sz: Oi! Tudo bem? Faz tempo mesmo!! Legal ver que ainda joga isso!


estrelaa_sz: Não jogo desde a última vez que jogamos juntos.


estrelaa_sz: Comecei na faculdade, tem sido legal, mas preciso focar.


Fireborne03: mDSsssss oiiiiiiiiiiiiiiii vc ta vivo!!!


Fireborne03: daora!!!!! q bom q ta na facul!!!!! legal msm


Fireborne03: mas eh bom ter um tempin p se divertir neeeeeeeeee


Fireborne03: deve atualizar amanhaaaaa inclusivvvvvveeeeeee hehehejejehjhjesa


Fireborne03: quer jogar?????? vm jogar????????


Fireborne03: nn precisa ser em call nn, sei q vc n eh mttttttt chhegado, ja q faz tempo tb q a gnt n vai KKKKKKKKKKK


Fireborne03: vc smp foi mais do chat!!!!


Pomba analisa a tela, pensando no que digitar. Ele não gosta de deixar ninguém triste, e mal sabe recusar as coisas. Ele pode só sair do chat e fechar o jogo, mas talvez Fireborne tenha razão e precise se divertir um pouco, nem que seja jogando.


estrelaa_sz: Ah, acho que pode ser…


estrelaa_sz: Mas faz real muito tempo que não jogo, devo estar enferrujado kkk


Fireborne03: EBA


Fireborne03: nn se preocupa, eu te carrego!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Pomba ri ao ler a mensagem, despreocupado. Ele é amigo de Fireborne a um bom tempo, apesar de não conversarem mais, não parece ser nada estranho, ou melhor, forçado. Só alguém que viu o outro online e se lembrou dos velhos tempos.


O pedido pra entrar no mundo de Pomba veio em um instante com o usuário do Fireborne ao lado. Pomba riu suavemente, aceitando o pedido. Não demorou nada pra que aparecesse outro personagem ao lado dele, andando pra lá e pra cá.


Fireborne03: OIIIIIIIIIIIIIIIII QNT TEMPOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOODSAHDHWQUDHASJUHDSA


estrelaa_sz: Oiie!!


estrelaa_sz: Figurinha.


Fireborne03: vc nunca mais jogou, fiquei jogando solo esse tempaovsdk


estrelaa_sz: Você não jogou mais?


Fireborne03: joguei sssss n parei de jogar nn


Fireborne03: mas n achei ngm mais tao legal p ser meu duo q nem vckkkkkkkkkkkkkkkk


Fireborne03: SENTI SSDS!!!!!!!! N SOME TA???????


Pomba não faz ideia do que responder.


Fazem dois anos, e o Fireborne ainda esperava que ele aparecesse online…


Isso tirou um sorriso genuíno de Pomba.


estrelaa_sz: Ah, tudo bem!!


estrelaa_sz: Mas agora me conta, o que tem de novo por aqui?


Fireborne03: HDQWHEQWUHDASJKDHAJKSD AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE


Fireborne03: COISA P KRLH


Fireborne03: VMMM PORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!