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Brienne observava o garotinho brincando na areia à beira mar, ora fazendo castelos decorados com pequenas conchas, ora pulando as ondas suaves do mar azulado e tranquilo.
O cabelo dele era loiro, mas não num tom de palha sem graça como o seu, e sim brilhante e reluzente, como se pequenos fios dourados fossem delicadamente bordados em sua cabeça.
Igual a ele.
A pele era clara, mas não pálida. O rosto anguloso e bem delimitado, mesmo com a presença da gordura infantil. Olhos grandes, mas astutos. Sorriso bonito e travesso.
Igual a ele.
Arthur era, na mais fiel descrição, uma cópia dele.
O jeito andar, de falar, de agir... até a mesma maneira de segurar a espada de treino, mesmo em tão tenra idade, lembrava a ele. Lembrança que ao mesmo tempo em que trazia paz e conforto, também era carregada de dor e angústia.
Dia após dia ele cresceu e se assemelhava ainda mais às características típicas da casa paterna. Nunca foi, nem mesmo se tentou esconder, um segredo que Arthur de Tarth era um verdadeiro Lannister.
Tão fiel às características físicas, a segurança de seu lugar no mundo, a perspicácia ao agir, ao conquistar cada pessoa com quem interagia. Mas isso não foi uma surpresa.
Arthur era uma miniatura de Jaime.
Mais o que você gostaria? Talvez. Era reconfortante ter alguém tão parecido com ele ao seu lado, mas também era um pesadelo, um lembrete constante de que não era ele.
Até porque Jaime estava morto. Ao lado da irmã… amante. Sem saber da existência do próprio filho, de quem ela tem certeza absoluta de que o teria amado incondicionalmente.
Mas agora o papel foi invertido, o pai morto e o filho vivo.
Jaime nunca conheceria Arthur. Arthur nunca conheceria Jaime.
Mas ela nada poderia fazer quanto a isso, apenas observar diariamente o fantasma que ela gerou, pariu, amamentou e estava criando com todo o amor que pôde reunir em meio a dor, como lembranças.
Andando alguns metros, Brienne parou ao lado do filho que agora desenham na areia com um pequeno graveto em mãos. Olhando mais atentamente pudemos observar alguns traços meio desconexos, mas que a experiência de mãe já lhe dizia tratar de uma atração de desenhar pessoas.
"Olha só, mamãe! Sou eu e você!", o sorriso banguela direcionado a ela trazia uma sensação quente e agradável ao peito.
"Eu vejo, querido. Está lindo.", os dedos passando delicadamente entre os fios dourados, "Vamos entrar? Você precisa se lavar antes do jantar."
O garoto chamado, segurou sua mão e juntos iniciaram uma pequena caminhada em direção ao castelo.
“Ma cinti?”
“Sim?”
"Quando pudermos visitar o tio Tyrion e o tio Pod? Preciso mostrar os novos passos de esgrima que aprendi!" Arthur falou liberadodo enquanto andava e pulava.
Brienne olhou para o filho, que em seus quase oito anos de idade era tão dedicado e animado com a ideia de se tornar um cavaleiro, gostava de acreditar que ele tinha herdado isso dela.
“Hhm, acredito que no próximo mês iremos a Porto Real, tenho alguns assuntos a tratar na corte.”
Ele parou por um instante e olhou nos olhos, olhos esses que não eram de Jaime e também não eram seus. Era dos dois, em uma singular harmonia de cores e tons, variando do verde ao azul, do claro ao escuro. Uma combinação perfeita deles.
Arthur feliz, aquele doce sorriso brilhante que tinha, não falou mais nada, apenas andou animado ao seu lado, ainda segurando em sua mão.
Não sabia como seria o futuro, como explicaria a história da sua concepção, como explicaria quem era o seu pai e as escolhas que fez, ao que culminou no seu fim, como ele lidaria com isso, e não poderia negar que esses pensamentos lhe tiravam o sono em noites turbulentas.
Mas, apesar de tudo, Brienne possuía uma única certeza no momento, de que jamais se arrependeu de Arthur, nunca se arrependeu das decisões de levar tudo o que está adiante, da escolha de gerar e criar o filho, mesmo tendo que abdicar de quase tudo o que ganhou e conquistou. Ele jamais seria um arrependimento. Sempre seria seu menino, seu lindo e pequeno menino.
Seu e de Jaime.
