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O tiro de Kemi tinha errado Jae, o que deu um alívio curto para Labirinto, que ainda estava longe demais delu para fazer qualquer coisa.
Conseguiu ouvir uma risada alta de Jae, que arqueou um pouco as costas e tomou mais um soco, que a silenciou novamente. Seu rosto se virou na direção de Labirinto, que viu a face toda ensanguentada, um dos olhos fechados por conta das pancadas e aquele sorriso que Jae parecia sempre ter. Alguém precisava fazer algo.
Kemi obviamente não seria a salvadora de Jae, tampouco Henri. Labirinto queria acreditar que Aguiar poderia fazer isso, mas não parecia algo que aconteceria.
Com suas últimas forças Lab apertou seu passo e chegou até Eloy com três longos passos, e tentou usar inutilmente de sua força. Jogou seu corpo contra o do homem furioso e era como se jogassem uma folha contra um boi — Pare! — Ele gritou, com a respiração ofegante — Você vai matar ele, porra!
Mas foi facilmente derrotado quando Eloy levantou seu braço e o empurrou para longe. Se passaram talvez 2 segundos, tempo o bastante apenas para Labirinto abrir os olhos, já no chão, e olhar para o que havia sido feito.
Eloy tinha parado de socar Jae, e tinha conseguido o que a coroa queria. Havia o matado sem que ele o ferisse. Tudo em sua volta continuava o mesmo. A luta não havia parado, todos ainda tinham seus objetivos. Em algum lugar distante Pomba ainda era torturado.
A ficha finalmente caiu para Labirinto, que gritou — NÃO! — E todos pararam imediatamente, como se tivessem sentido o que havia acontecido. O circo ficou em total silêncio e ninguém ousou sequer respirar.
Jaeyoon estava morto, o peitoral sem respiração, os braços jogados ao lado do corpo, o rosto desfigurado por conta das pancadas e mesmo assim aquele maldito sorriso em seu rosto.
— Puta que pariu… — Eloy tirou sua máscara e se levantou, tonto, mas Labirinto o empurrou para longe e caiu de joelhos ao lado do corpo de sua amada.
Kemi jogou sua arma no chão, desacreditada, e também correu na direção do corpo — Meu deus, meu deus, meu deus, meu deus… — Disse com as mãos na frente dos lábios trêmulos. As coisas não deviam ter acontecido dessa maneira! Ela pensou sozinha, a respiração se tornando ainda mais profunda, os olhos lutando contra as lágrimas que estavam se formando — Jae… JAE!
Todos se aproximaram, incrédulos com o que tinha acontecido, sobre como as coisas tinham dado errado — Não, cara- eu não- não queria ter feito isso, porra, é claro que não — Eloy falou mais distante do grupo que se formou em volta do corpo
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, mas ninguém ousou tocar no corpo. Labirinto ainda estava ajoelhado em sua frente, o olhando com olhos esbugalhados, em total silêncio. Labirinto não piscava, e era quase como se também não respirasse.
— Meo, é que tipo… Elu que me atacou, cara! Não foi sua culpa, você tava tipo, só me defendendo! Eu que sou do seu time! — Cindy disse, próxima ao assassino
Uma discussão se iniciou. Jae merecia ou não merecia o destino que lhe foi imposto? Em pouco tempo todos deixaram Lab e Jae enquanto se juntavam mais próximos ao globo para exporem suas opiniões. Alguém gritou “Ele quebrou o acordo!”, e então outras pessoas gritando coisas como “Você não soube se controlar, Eloy!” e “Ela teve o que mereceu”, “Era óbvio que isso ia acontecer”. Mas no fim, todos haviam sido complacentes.
Aguiar ficou em silêncio, com um nó preso em seu peito. Ao mesmo tempo que o pensamento de que Jae, que era da sua família, deveria ser vingado, não conseguiria fazer isso contra Eloy. Olhou para trás, esperando por um segundo ver Jae viva, e então viu Labirinto, ainda ajoelhado. Ele se aproximou e ficou atrás dele — Lab…
Assim que Aguiar foi colocar uma mão no ombro de Labirinto ele rapidamente se levantou, e parecia mais alto do que nunca, se isso fosse possível. Todo o movimento foi muito rápido e limpo, como ele pegou o pesado capacete que estava amarrado em sua cintura e mesmo sem sorrir o colocou na cabeça. Com a mesma agilidade pegou a antena em suas costas e apontou na direção de Eloy. Sem risada alguma disse: — Eu quero a cabeça dele
Um ritual de energia de Labirinto explodiu no meio do grupinho, e nenhum conseguiu desviar, sendo arremessados em todas as direções. Henri foi jogado contra o globo de morte, mas por sorte os espinhos não haviam acertado nenhum ponto importante, mas com certeza o feriram.
Labirinto se movia lentamente. Virou o rosto de um lado para o outro, procurando onde estava seu alvo, sem se importar quando Aguiar gritou — Labirinto, você tem que se acalmar, cara
Ele começou a rir alto, maniacamente. Se acalmar?? — Elooooy! — Riu ainda mais, até a barriga doer, curvando um pouco as costas
O assassino de seu amor ainda estava caindo no chão, com uma mão na cabeça, e suou frio ao ouvir seu nome ser dito naquele estado maníaco de Labirinto. Sabia de seu poder, e sabia o que ele havia feito com os couraças com aquele capacete. Não queria ferir Labirinto, assim como não queria ter matado Jae, mas parecia não ter nenhuma outra opção. Buscou a própria máscara e lá estava: bem perto dos pés de Labirinto.
Labirinto pareceu rir ainda mais ao perceber a máscara de Eloy, e colocou a ponta de sua antena nela, a queimando, fazendo dela cinzas
Kemi ainda estava chorando, e sua arma longe demais. Se levantou e firmou os pés no chão, correndo para ficar na frente de Eloy. Não poderia perdê-lo agora, e poderia perdoar um erro que foi cometido em um momento de raiva e descontrole — Ele não queria ter feito isso, Laby! — Gritou desesperada.
Ele olhou para ela e deitou o rosto no ar, e sem falar nada apontou a antena na direção dela, obviamente escolhendo-a como seu próximo alvo — Saia do meu caminho
Aguiar pulou em cima dele, o levando para o chão junto com ele — Para com isso logo, caralho! — E se sentou em cima do peito dele, lutando para tirar o capacete de Labirinto, que lutava com ele para que isso não acontecesse.
As mãos de Labirinto estavam mais fortes do que o de costume, arranhando o próprio capacete enquanto tentava o manter no lugar. Por conta da pressão em cima dele e o esforço da luta um dos pontos improvisados de seu peito se abriu, lembrando-o do belo sorriso que seu amado havia cravado em sua carne. Riu mais ainda — Você tinha força o bastante para empurrar Eloy!
A ponta da antena encostou no pescoço de Aguiar, ofegante e também ferido. Ele olhava para baixo com uma mistura de sentimentos, mas não havia medo. Não tinha medo de morrer, menos ainda por um membro de sua equipe, menos ainda por Labirinto, que começou a rir mais ainda.
— Você matou ela também! Todos vocês viraram as costas enquanto a sua aliada estava morrendo! Patéticos! Vocês são traidores patéticos! Hahahahaha, oh, que belo time! Somos a melhor equipe de todas!
Labirinto empurrou a antena ainda mais para cima, forçando Aguiar levantar a cabeça, ferindo um pouco seu queixo.
— Me larga agora antes que eu te faça se encontrar com Jae, porra
Aquela luta era extremamente injusta, como a luta entre Jae e Eloy também havia sido. Labirinto era um só, e mesmo se tirasse Aguiar de cima de si precisava de tempo para conjurar outro ritual, e esse era tempo o bastante para todos se unirem contra ele e o pararem.
Porém Labirinto não estava são o bastante para fazer escolhas sábias. Se levantou e foi até a frente dos desarmados Kemi e Eloy, que se protegiam mesmo cansados.
Os olhos de Kemi brilhavam com lágrimas, e ela encarava Labirinto com coragem e vergonha. No fundo de sua mente havia culpa. Se tivesse afastado Eloy ao invés de tentar dar um tiro em Jae… Mas a sua escolha já tinha sido tomada, e as consequências estavam bem em sua frente, no formato de um alto homem careca com labirintos em seu corpo.
— E-ele não queria ter feito isso, Labirinto — A voz de Kemi saiu quebrada — Eu prometo que não
Labirinto segurou o rosto de Kemi com uma só mão, a forçando a olhar para o sorriso assustador de sua máscara — Você não conhece ele, porra. Ele não é ninguém que não o meu inimigo, o homem que matou o nosso aliado, que matou o meu Jae
Eloy finalmente se levantou. Estava envergonhado por sua maneira de agir enquanto estava usando a máscara, mas não podia aceitar ver Kemi sendo tratada de tal maneira. Assim que ele ia a defender ouviu-a dizer: — Você acha que quer sua vingança, mas não é esse o seu desejo de verdade! Você quer Jae de volta, mas matar Eloy não fará isso acontecer!
Ele riu em resposta, e o sangue de sua ferida no peitoral caiu por entre os labirintos de seu corpo — Porque você não vai buscar Caito lá dentro?
As pernas de Kemi agiram sem que ela pensasse, e ela foi em direção ao globo da morte assim que Labirinto a largou. Ele soltou um suspiro aliviado que havia passado por mais um obstáculo, mas logo se virou novamente para Eloy — Você matou alguém muito importante para mim — Apontou a antena para o globo — Eu deveria fazer o mesmo
— Você não teria coragem
Labirinto riu, usando sua mão livre para se abraçar, segurando o próprio braço, abaixando sua antena — Oh, não é coragem que eu preciso. Não vou matar Kemi porque você nem se importa com ela de verdade. Estava louco para pegar o lugar de Jae na equipe, não estava? Já que somos mais fortes do que esse seu timinho de merda — Apontou com a cabeça para onde Cindy e Caio estavam — Mas novidade: A vaga delu não está livre
Com um movimento rápido pegou a faca de Jae que colocou em seu bolso enquanto estava sozinho com o corpo, e rasgou com agilidade uma linha que ia do peitoral de Eloy até sua cintura, do outro lado do corpo — Porra! — Ele gritou de dor, dando passos para trás em meio a dor.
Kemi se sentiu liberta do transe e correu até as barras do globo da morte, se segurando nelas — Não! Eloy! — E viu quando Labirinto terminou seu objetivo, rasgando o outro lado de seu alvo, cortando um X em seu peito antes dele cair no chão para dar seus últimos suspiros
Tudo que era possível de se ouvir no circo era a risada alta e espalhafatosa de Labirinto e um grito do fundo do peito de Kemi. A batalha entre suas intenções começaria.
