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Agridoce

Summary:

Depois de uma perseguição fervorosa, Eloy deseja apenas repousar — de preferência nos braços de Kemi. Na casa da árvore, ele a puxa para um beijo, acreditando na doçura do gesto.

Entretanto, há doçuras que, antes de acabarem, aprendem a ser agridoce.

Notes:

fiquei matutando 10 mil ideias libidinosas do que rolou na casa da árvore no último episódio, ai tomei vergonha na cara e vim escrever rs
não revisei direito, se tiver alguns erros por favor me perdoem

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

O quarto dia de Hexatombe foi, de longe, um dos piores da vida de Eloy.

Depois do massacre do dia anterior, brigou com o que ainda restava de sua equipe. Foi traído por um dos membros com quem havia firmado uma aliança para não ferir seus próprios amigos, sofreu uma mordida grave de seu sacrifício, tornou-se desertor e acabou desmaiando de exaustão. Como se não bastasse, ainda precisou fugir do Quibungo, morto de cansaço, agarrado ao carro modificado dos Couraças; se relaxasse por um único instante, seria apenas mais um “lanchinho” para o monstro que rugia atrás do veículo. E tudo isso não passava de um breve resumo do caos que havia se abatido sobre ele até aquele momento.

Quando finalmente avistou a base dos Mascarados, o músico quase jurou, internamente, que choraria — e que abraçaria Aguiar por tê-los tirado vivos daquela situação, mas jamais faria. Assim que estacionou o carro, uma das primeiras coisas que perguntou foi onde poderia dormir. A resposta veio rápida e surpreendentemente boa: Kemi disse que ele na casa da árvore, com ela. Se ele tivesse um rabo naquele momento, com certeza estaria abanando-o do tão animado que ficou sobre *finalmente* poder passar um tempo com a mulher, sozinhos, sem que ninguém pudesse atrapalhar.

Por um instante, imaginou algo simples e romântico: dormir abraçados, de conchinha, talvez trocar alguns beijos, e quem sabe até algo a mais. Não que ele não quisesse; queria, e muito, mas o medo de machucá-la ainda o segurava. Muitas das vezes teve que se segurar para não agarrar Kemi e mapear o corpo dela com beijos e mordidas.

Na casa da árvore, quando Kemi finalmente subiu, ela o encontrou sentado na cama, se esforçando para não dormir, para poderem enfim conversar, conversa essa que rapidamente se transformou em uma discussão — daquelas que fazem os tímpanos zumbirem. As possibilidades que ela levantava se atropelavam umas às outras, especialmente tudo o que envolvia Cindy, Caio e o fim do Hexatombe. Eloy sentia a mente saturar.

Ele não podia se dar ao luxo de pensar naquilo agora. Talvez amanhã, quando tivesse tempo para ficar a sós consigo mesmo, enfrentasse cada uma daquelas ideias, menos cansado fisicamente e mentalmente. Mas não ali. Não naquele momento. Não com uma deusa diante dele. Então, simplesmente a puxou para perto e a beijou.

O beijo começou doce, calmo, como apenas um selinho — exatamente como da última vez.

Porém, dessa vez, Kemi não se conteve. Não hesitou, não congelou, não esperou por qualquer tipo de permissão silenciosa. Era como se tivesse se fundido ao instante — ao momento, à intenção, à vontade.

Ela o beijou de volta com intensidade, muito além de todas as outras vezes. Como se tivesse esperado anos por aquilo. Como se estivesse faminta, fome esta que apenas o homem à sua frente poderia saciar.

Um som rouco escapou da garganta dele, baixo e instável, e então suas mãos estavam por toda parte: na cintura, nas costas, nas coxas, no pescoço. Tudo o que pudesse tocar, segurar, puxar para mais perto. Ele não resistia.

Por um breve instante, rápido como um tiro, Kemi percebeu a verdadeira diferença de tamanho entre eles. Era impossível ignorar. Nunca havia pensado nisso com tanta clareza antes. Não que fosse ruim; pelo contrário. Era deliciosamente bom. Um homem, muito maior do que ela, rendido às suas mãos, às suas vontades? Ela poderia jurar que estava nos céus.

Ele a segurava como se Kemi fosse frágil, preciosa. Os dentes roçaram seu lábio inferior antes que ele voltasse a beijá-la, como se não suportasse nem mesmo aquela mínima distância.

— Puta merda! — rosnou, essas sendo as únicas palavras que conseguiram escapar da boca do músico. Kemi mal teve tempo de processar o que ele dissera antes de sentir as costas baterem com força contra a parede mais próxima. Não foi gentil, tampouco cruel, apenas desesperado.

As paredes de madeira, frágeis, rangeram o bastante para deixar Kemi em alerta, os sentidos atentos a cada estalo.

— Cuidado, caralho! — brincou, tentando apaziguar a situação enquanto o advertia. — Se não, a gente cai daqui de cima… e ainda vai encher de farpa o teu pau, hein. — os quadris de Kemi se esfregaram nos dele em um movimento rápido, e o som abafado que ele emitiu logo após era algo que demonstrava uma verdadeira carência.

Eloy não respondeu. Conteve o movimento, o corpo ainda tenso, já decidido a se desculpar por aquele descuido da maneira que julgava mais eficaz. Agachou-se lentamente até ficar de joelhos e ergueu o olhar, silencioso, como um cachorro esperando que o dono jogasse a bolinha.

Mordendo os lábios, sentindo o corpo inteiro vibrar com aquela imagem, Kemi levou uma das mãos aos cabelos dele, afagando-os com calma antes de deslizar até seu queixo. Ergueu-lhe o rosto um pouco mais, obrigando-o a encará-la, o olhar firme preso ao dela.

— Seja um bom garoto para mim.

A frase soou como um estopim. Algo se encaixou na mente de Eloy, uma chave girando, uma permissão dita em voz alta. Sem desviar o olhar, ele segurou o cós da calça de Kemi e a puxou para mais perto. Suas mãos se fecharam nos quadris com uma força quase dolorosa, e então sua boca encontrou o abdômen dela. Os dentes roçaram a pele sensível sem aviso, misturados aos beijos; era evidente que ele queria marcá-la, ainda que tentasse não deixar isso tão explícito.

O som que escapou da mulher foi cru, dilacerante; o dele não foi diferente. Para ambos, cada gemido parecia servir apenas como combustível.

Com um cuidado quase absurdo diante das circunstâncias, Eloy ajudou Kemi a se livrar da calça e da calcinha em um único movimento, contendo-se para não devorar de imediato o banquete à sua frente. Começou com beijos leves ao longo da coxa, marcando-a ali como já havia feito no abdômen, fazendo os pelos do corpo da sniper se arrepiarem por completo.

Um gemido angustiado escapou dela, quase um pedido para que ele finalmente fosse direto ao ponto, Eloy finalmente atacou. Desenhava símbolos, letras e números incompletos nos pontos mais sensíveis de Kemi, intercalando os gestos enquanto penetrava o seu dedo médio na mesma. Mantinha um ritmo preciso das estocadas, quase musical, lembrando o ritmo da bateria da canção que ela ouviu da banda no The Monicas Club.

Kemi gemeu, afundando ainda mais os quadris contra o rosto do homem abaixo, as pernas já começando a fraquejar. Uma de suas mãos se enroscava na cabeça dele, agarrando as madeixas negras com força, enquanto a outra subia até a própria boca, tentando abafar os gemidos falhos e altos. Definitivamente, não queria ter de explicar aos companheiros todos os detalhes daquela noite. Pequenos protestos escapavam de sua boca, quase murmúrios, até que ela puxou a cabeça dele contra o próprio corpo com tanta força que Eloy poderia jurar que alguns fios de cabelo foram arrancados naquela investida, um olhar apavorado pintou sua face.

— Eu fiz alguma coisa errada? Eu… — a frase morreu no meio do gaguejo quando Kemi segurou o rosto dele e o obrigou a encará-la de novo. Seus olhos estavam tomados pela luxúria, brilhantes, e um sorriso lento se formava em seus lábios, seguro demais para ser mal-interpretado.

— Não fez nada de errado — disse, a voz baixa, firme. — É só que eu não aguento mais... Senta.

Ela inclinou levemente a cabeça, indicando a cama atrás dele. Eloy obedeceu sem questionar, sentando-se como se qualquer resistência fosse impossível.

— Tira a roupa.

E, mais uma vez, ele fez exatamente o que Kemi mandou, sem protestos, guiado apenas pela firmeza de sua voz. O sorriso no rosto dela se ampliou ao perceber o quanto ele se mostrava submisso; consciente de que, naquele momento, estava inteiramente em suas mãos.

Kemi apoiou as duas mãos nos ombros musculosos dele. Ambos respiravam de forma irregular, os corpos quentes, suados. Em um movimento rápido, quase impaciente, ela o guiou o pênis do homem até sua entrada, penetrando de uma vez só, sem qualquer hesitação como uma necessidade caótica, desesperada, frenética.

Como por puro reflexo, Eloy avançou junto ao movimento dela, e o impacto junto ao ângulo arrancou o ar dos dois. O mundo pareceu parar por um segundo; era intenso demais, rápido demais.

O tamanho dele fez os olhos de Kemi se encherem d’água, não de prazer, pelo menos não de imediato. Era, com certeza, mais do que ela esperava, mais do que o corpo parecia pronto para receber. Ele a tomava por inteiro, ocupando tudo de uma vez, como se quisesse conquistar seu território ali, por dentro. Se ela não estivesse tão molhada e excitado, teria doído de verdade.

Mas a dor, aguda e ardente, se transformou em algo incandescente. Algo indescritível.

A sensação a fez abrir a boca sem perceber, perder o ritmo da respiração, o corpo reagir antes da mente, tremendo, tentando acompanhar aquilo tudo sem saber como.

 

Era demais.

 

Mas não era o suficiente.

 

Ela, com muito esforço, olhou e percebeu que Eloy não estava muito diferente, parecia que estava igual ou até mesmo “pior”, sobrecarregado com todas aquelas sensações misturadas.

Sua boca estava entreaberta, o peito subindo e descendo em movimentos bruscos e irregulares, o jeito como o pau dele pulsava dentro, o jeito como o aperto dele nos quadris se intensificava como se ele estivesse tentando ficar parado, para saborear cada momento.

Entretanto, ele jamais conseguiria ficar parado.

Ele tentou ir devagar no começo, mas quem ditou o ritmo agora foi Kemi, que começou a cavalgar. Os quadris dele se moviam contra com uma contenção calculada, porém sua respiração falhava a cada vez que ela se apertava ao redor dele.

— Puta que pariu, você é tão perfeita! — Eloy se interrompeu com um gemido quebrado e manhoso.

— Por favor, Eloy… — Kemi puxou o mesmo para um beijo desordenado, muito mais confuso que os outros (tanto que seus dentes se bateram algumas vezes), todavia com muito mais desespero.

 

O prazer era quase enlouquecedor. Era profundo, selvagem, íntimo, e somente deles.

Os quadris do músico, ao começar a notar cansaço pelo esforço da mulher, começaram a se mover com mais força e rapidez. O ritmo, antes lento, foi completamente abandonado enquanto ele buscava o clímax, como estivesse se afogando — o ritmo, novamente, se assemelhava muito ao da bateria da música que ele tocou antes de abrir o portal para o Hexatombe.

 

Kemi pode sentir aquela sensação chegando, cada vez mais rápido e insuportável. Aquele calor sufocante que começava no fundo do estômago e subia a cada estocada, ela estava perto. Antes que pudesse avisar, seu orgasmo havia atingindo-a em cheio. Sua respiração falhou, suas pernas estavam tremendo e sua visão ficou embaçada; um som de puro prazer escapou de sua garganta.

Ela o apertou com tanta força, e Eloy sentiu isso. Sentiu até demais.

A vez, agora, era dele da respiração falhar, ele arquejou enquanto sua voz se quebrava ao meio, penetrando uma última vez com força. Então ele gozou com um gemido rouco, com a cabeça jogada para trás, as mãos cravando-se nos quadris de Kemi, que deixaria visíveis depois.

Ambos caíram na cama, sem se desvencilhar. Os braços fortes de Eloy se encontravam ao redor da mulher em um abraço forte, como se ela fosse sumir se ele mexesse algum centímetro a mais. As mãos dela repousavam sobre o peito do mesmo, como se não confiasse que o mundo se manteria firme a menos que se agarrasse a ele.

Ninguém disse uma palavra. Ninguém se moveu. Isso durou até alguns minutos, até suas respirações se acalmassem, e Kemi olhou para cima, fitando o parceiro com brilho nos olhos.

— Bora mais uma vez? Eu ainda tenho energia!

Eloy soube que se no final o Hexatombe não matasse ele, Kemi o mataria com o seu chá de buceta.

Notes:

É O SEXOTOMBE PORRRRAAAAAAA