Work Text:
Robin estava exausta! Sua profissão exigia muito de si e isso, em alguns momentos, a fazia reconsiderar algumas escolhas que fez no seu passado. Não, ela não se arrependia de tudo por completo, mas sempre havia algumas exceções, como dar ouvidos a sua mãe e não se deixar levar pelas emoções à flor da pele.
Robin era diretora da escola mais renomada que existia no seu bairro e também era psicóloga infantil, auxiliando quando preciso nos cuidados com as crianças que exigiam alguma atenção especial ou possuíam dificuldades em aprendizados ou em seus lares.
Ela era sempre colocada como um exemplo de mãe, profissional e pessoa, sendo dita como uma pessoa organizada, com tempo de sobra e muito amorosa com todos ao seu redor e, em especial, com a filha de três anos, Perona.
Talvez esse último tópico fosse o mais e único verdadeiro entre todos. Ela amava a filha mais do que tudo no mundo e se sentia extremamente culpada em não poder estar ao lado dela nas fases que ela mais precisava.
Robin sentia que estava mais próxima dos alunos da sua escola do que da própria filha e, sentada na sua sala tarde da noite, ela não sabia exatamente como prosseguir com a sua vida. Largar o trabalho estava fora de cogitação, mas tinha que cuidar de Perona.
Os papeis a sua frente aguardavam para serem lidos, mas, pela primeira vez na vida, Robin optou por deixá-los de lado. Tinha que voltar para casa e ter ao menos uma noite de qualidade ao lado da sua pequena que ficava com a babá para mulher se sentir tranquila no trabalho.
A mulher era de total confiança de Robin e por isso se dava a autorização de passar de seu horário de saída. Para a babá tal acontecimento não era um problema para si de fato, pois sabia que seria paga pela hora extra, mas a pequena Perona sentia isso profundamente.
Não eram todas as noites que sua mãe chegava a tempo para lhe dar o jantar e a colocar para dormir, então a pequena chorava até que a babá pudesse a conquistar e fazê-la se acalmar outra vez, afinal nenhuma criança nessa idade entende o sumiço da mãe assim.
Mas, talvez as coisas fossem diferentes a partir de então.
[…]
Robin despertou em meio aos diversos lençois que havia em sua cama, estranhando o fato de se sentir tão leve como não se sentia em tanto tempo. A mulher olhou levemente para o lado se levantando em um salto ao notar que já havia passado da hora de ir para o trabalho.
Não era de se atrasar e possuía diversas reuniões para o dia, então nada podia dar errado para si. Sua cabeça não parava de processar que levaria muitas broncas não só do seu chefe, como dos professores e pais que mudaram toda a agenda para conseguirem falar com a diretora.
Mas, em meio à correria para colocar uma roupa adequada para o trabalho, recolheu todos os seus objetos pessoais e tentou encontrar sua bolsa com as chaves do carro, a mulher se deu conta que havia um bilhete na porta do quarto com uma caligrafia infantil.
Da filha.
O pequeno pedaço de papel era todo decorado com “rabiscos” cor de rosa e pequenos adesivos de coração no mesmo tom, nele havia a orientação de que Robin deveria permanecer no quarto até a hora que Nami fosse a buscar.
Acontece que isso deixou Robin ainda mais confusa. Tinha o coração inundado de amor pelo recado que a filha deixou, mesmo sendo feito com auxílio da babá, mas ainda assim não conseguia entender o que estava acontecendo até os leves toques serem dados na porta de seu quarto a tirando do seu transe.
— Já acordou? Pensei que ia precisar chamar por ajuda! Fiquei preocupada porque você nunca ficou tanto tempo dormindo assim — Nami dizia afobada ao que guiava Robin segurando a mão da mulher.
— Acho que está ficando louca, Nami. Não foi tanto assim fora que ainda estou atrasada para ir trabalhar.
Ambas as mulheres pararam no corredor devido ao choque que as duas estavam sentindo naquele momento. Nami não conseguia entender o que levava Robin a pensar que estava atrasada em pleno domingo após dormir um dia inteiro e Robin, por outro lado, não levava Nami a sério jurando que dormiu apenas algumas horas como todas as noites.
— Robin, você deveria focar mais em você, ok? Não falo só em ficar em casa com Perona, sair mais, fazer outras coisas sem ser o trabalho, mas um psicólogo seria ótimo para você conseguir organizar sua mente e as prioridades da sua vida. — Nami volta a guiar a outra em direção da cozinha a parando antes de abrir a porta do local. — Mas, antes de pensar nisso, aproveite seu dia!
Assim que a porta foi aberta Robin se deparou com toda uma mesa posta de café da manhã, rosas vermelhas e um grande cartaz sendo segurado por Perona com um feliz dia das mães decorado com giz de cera, adesivos diversos e até mesmo foto das duas juntinhas em vários momentos que já viveram.
Robin não perdeu tempo em ir correndo abraçar a filha a enchendo de beijos e abraços arrancando diversas gargalhadas da pequenina que enchia o coração das duas mulheres de alegria, afinal as duas viviam para ver a pequena bem e feliz.
Apesar de Nami não ter uma ligação afetiva com Robin, a mulher se sentia na obrigação de ser um exemplo para a pequena Perona. Não, não queria roubar a figura de mãe que Robin exergia, mas gostaria de ser vista como uma pessoa que a menininha podia confiar e contar seus problemas quando fosse preciso.
Tanto Robin quanto Perona confiavam em Nami mais do que a mesma sabia de fato. O coração de Robin já estava entregue para a mulher antes mesmo de notar e apenas nesse dia de fato foi quando notou que isso havia acontecido, afinal o amor já tinha sido plantado entre elas.
E ali mesmo com muitas coisas para serem acertadas ainda, Robin faria da sua vida pessoal a sua prioridade em tudo o que fosse preciso.
