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Calor escaldante, brisa do mar e cheiro de pastel, a tarde de sábado era de fato agradável. O ambiente estava amigável, as tangas espalhadas pela areia, alguns coolers jogados, cheios de cerveja e algumas garrafinhas d’água, além dos diversos recipientes de protetor solar quase atolados na areia. A bola indo de um lado para o outro era a atração principal de todos ali, que acompanhavam com os olhos atentos cada passe.
– Joga essa porra direito, Kemi! – A voz irritada de Aguiar fez com que os últimos fios de paciência da mercenária se arrepiarem. O homem tinha os cabelos levemente amarrados, o corpo musculoso sendo adornado pelo suor, a pele bronzeada praticamente brilhando com o sol.
– Aguiar, eu juro por Deus que se você me gritar de novo, eu vou enfiar essa bola no teu cu. — A mulher disse, os dreads caindo sobre os ombros em uma cascata loira, o top que usava levemente grudado ao corpo graças as gotículas de suor se acumulando no peito, os pés descalços com areia grudada se arrastando na quadra improvisada.
Era vôlei, o esporte perfeito para a praia, mas certamente não para Kemi, com sua baixa estatura, jogando contra basicamente dois brutamontes, e Franco. A ideia veio de Caio, provavelmente querendo impressionar Cindy – e a si mesmo – e foi rapidamente aceita por Aguiar, que não conseguia simplesmente parar quieto, ele implorou para Jae se juntar, mas a rejeição foi clara, vindo num formato de “Não quero me sujar, Aguiarzinho”, e ele passou por todos os outros membros, fazendo uma carinha de cachorro para ver se conseguia mais membros para o jogo, e claramente Pomba se sentiu pressionado a participar, vendo a animação do homem mais velho e se sentindo incapaz de negar aquele rosto, Kemi de início recusou, mas uma pequena troca de olhares com Eloy, que parecia inclinado a participar, a fez mudar de ideia.
Aquele homem era um pecado, cerca de um e noventa de puros músculos, a regata preta molhada colando no peitoral e os cabelos morenos pingando pela água do mar, os bíceps flexionados e suados, e os olhinhos de homem coitado mexiam com a mercenária de uma forma imoral; não era segredo para ninguém ali que os dois estavam em uma espécie patética de flerte, o famoso “chove e não molha” como diria Labirinto, mas Kemi era uma mulher calculista, e ela sabia muito bem o efeito que ela tinha sobre o baterista, e em algum momento, ele seria dela.
Já era o terceiro set, ambos os times com 1 ponto, do lado direito, Caio, Eloy e Franco davam tudo de si para bloquear maioria dos ataques, principalmente os de Aguiar, que era o único alto da equipe composta por Pomba e Kemi, o que não era exatamente uma desvantagem, já que o garoto moreno mais baixo havia se provado um incrível líbero, e a mulher era extremamente ágil, conseguindo dar pulos altos o suficiente para os garotos da outra equipe bloquearem, esse era o problema, os bloqueios. Mordendo o próprio dedo, a mulher bufava de ódio, três de seus lindos lances haviam sido bloqueados por Eloy, que parecia concentrado no jogo, os braços fortes batendo com força na bola e fazendo ela enterrar na areia, em outras circunstâncias, Kemi adoraria ver aqueles braços em trabalho, bíceps enormes se movendo e deixando para trás as gotículas de suor, mas no momento atual, ela queria pegar aquela bola e estourar no lindo rostinho de Eloy.
Eloy se distanciava, correndo atrás da bola que saiu rolando após um saque perfeito de Aguiar, as costas malhadas se afastando eram de fato uma visão, e Kemi não conteve uma mordida nos lábios, observando os cabelos castanhos balançando ao vento, alguns fios quase loiros com o contraste do sol, que cena de filme.
– Kemi, caralho! – Aguiar a puxou para a realidade, literalmente, já que ele arrastou a garota para perto.
— Que foi, cacete? – Ela resmungou, puxando o pulso de volta para si.
– A gente tá perdendo! – Exclamou, os olhos de cachorro coitado combinando com a voz irritada.
– Não me diga, Aguiar, nossa que informação top secret, ein! – Ela revirou os olhos, cruzando os braços e olhando de soslaio Eloy, que voltava lentamente com a bola na mão.
– Faz alguma coisa! – Aguiar começou, ele olhou para Eloy também. – O Caio não bloqueia muito forte, mas o Eloy, não tem como não. Bota teu namorado na coleira.
– Você deve saber muito de coleiras mesmo… – Ela resmungou, olhando para o homem que já estava pertinho da quadra improvisada. – O que eu faço, caralho?
O silêncio durou cerca de dois segundos, Aguiar abriu um sorriso travesso, e Kemi entendeu na hora, o rosto quase que por reflexo se iluminando e se contorcendo em outro sorriso igualmente perverso, mas ela esperou o homem finalmente abrir a boca de novo:
— Kemi, tira a camisa.
A mulher piscou, uma, duas e três, um riso abafado saiu da boca de Pomba, que olhava para os dois em silêncio, meio confuso. A mercenária cedeu, dando leves risadas baixas, ela tirou o top que usava, bem na hora que Eloy voltava com a bola em mãos, a roupa molhada foi arremessada para o lado, caindo na areia quente. O biquíni fio dental de Kemi era vermelho, as cordas muito bem amarradas nas costas tonificadas da mulher, os seios amarrados contra o pouco tecido. O baterista, congelado no lugar que estava, soltou a bola por reflexo, o rosto completamente rubroso, as pupilas levemente dilatadas, a boca entreaberta que ofegava do jogo e agora, de outra coisa também.
– Calor, né… – A garota deu de ombros, o olhar voltado para Eloy, um sorrisinho leve no rosto, sabendo exatamente os pensamentos do baterista, e também para onde as pupilas dele encararam.
– Bora, mano, falta pouco! – Caio gritou animado, ele pegou a bola do chão, pulando freneticamente na areia, e indo para a posição de saque.
Kemi tirou os olhos de Eloy, se concentrando apenas na bola na mão de Caio, mas ela sabia quando estava sendo observada, o arrepio na nuca, a sensação de respirar com mais força, como se ela estivesse na mira de uma sniper, a breve sensação de adrenalina que dominava os membros. O baque na bola veio com força, que atravessou rapidamente pela rede, Kemi conseguiu acompanhar com o olhar, e Pomba deu dois passos para trás, com os braços estendidos, ele recebeu a sacada, e a bola voou. Kemi não perdeu tempo, indo para trás, óbvio que sua mobilidade tinha sido reduzida, havia um temor crescente de acabar pagando peitinho, mas ela não iria deixar sua performance se abalar, afinal, dentre aqueles que esperavam sua jogada, estava Eloy.
Agilmente, ela movimentou o corpo para trás e pulou, usando mais sua habilidade do que força, mirando exatamente onde queria que a bola caísse, seu olhar se fechando, e a mão batendo na bola, o estalo foi rápido, e quase que instantaneamente encontrou o chão do outro lado da quadra, bem ao pé de Eloy, que mal tinha se movido da posição atual, seus olhos concentrados na mulher que agora sorria, dando leves pulos de alegria.
– Vamo’, caralho! – Ela comemorou, sorrindo diretamente para Eloy, que ficava mais vermelho a cada segundo, completamente sem jeito, os braços levantados sem utilidade alguma.
– Eloy, mano, presta atenção, mano! – Caio resmungou, dando um leve chute na bola para que Aguiar pegasse.
Mas Eloy já não tinha mais cabeça pro jogo, os olhos grudados em Kemi, o sorriso desajeitado no rosto que ainda estava vermelho, e não era de sol, já que Cindy havia dado mil sermões sobre protetor solar, os olhos focados na mulher, no corpo dela, quase babando, incapaz de sair da hipnose que ela mantinha sobre ele apenas por tirar a blusa, os seios cobertos por aquele tecido pequeno, que o homem desejava profundamente que fossem as próprias mãos.
Mais três pontos e a equipe de Kemi ganhou, com Eloy afetado daquela forma era muito mais fácil para Aguiar ultrapassar os bloqueios, e no toques de Kemi o baterista mal conseguia se mover, vendo o corpo menor se movimentar, os seios se movimentando e o chicotear da pele escura que parecia quase o chamar. A comemoração dos mascarados não mudou muito as coisas para Eloy, ele viu de soslaio Aguiar levantando Pomba em pura alegria, mas a mercenária olhava para ele com um sorriso nos lábios que o fazia fraquejar, ela se aproximava lentamente enquanto Caio e Franco iam reclamar para a banda.
– Meus olhos tão aqui, Eloy. – Ela disse, acenando com a mão.
– Kemi! Eu– porra, eu… – O baterista tentou falou, ele gesticulou com as mãos, procurando uma resposta, qualquer resposta.
– Vem logo, imbecil. – Ela agarrou o ombro de Eloy para que finalmente pudesse o beijar.
O baterista demorou dois segundos para que o cérebro assimilasse o momento, mas assim que se recompôs, a mão esquerda de Eloy foi de encontro com a cintura da mulher, o beijo se tornou intenso, ele abriu a boca, sentindo os lábios macios contra os seus, os músculos dele se contraíram, um gemido contido escapou da boca, a mão direita foi direto na bunda na mercenária, apertando o local com força enquanto ela passava as mãos pelo peitoral musculoso dele. O som do beijo era sensual e escandaloso, e por alguns segundos, eles esqueceram que estavam em público, o tesão falando mais alto que qualquer voz irrelevante.
— Quer ir pra’ um lugar mais privado?
