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Manhãs

Summary:

Arthur aproveita uma manhã agradável com os namorados.

 

Ou: Vi um post no twitter falando sobre esses três e me senti inspirada para escrever algo fofo.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Arthur acordou sem sentir o braço — o único que o restava — um corpo quente repousava sobre ele em um sono profundo, a bochecha pressionada contra seu peito desnudo, lábios adoravelmente entreabertos e um zumbido suave ressoando com a respiração. Durante o sono, Joui sempre se parecia mais com aquela versão dele que Arthur conheceu em Carpazinha, mais leve e tranquilo… 

Hoje em dia todos eles estavam tão cansados.

Ele fechou os olhos segurando um suspiro com o pensamento, antes de sorrir com a leve contração do braço que envolvia sua cintura pelo outro lado, Kaiser suspirando em contentamento ao lado do seu ouvido e se aconchegando mais contra ele, o rosto se empurrando contra a lateral do pescoço de Arthur, inspirando profundamente, sentindo seu cheiro.

Kaiser devia ter se aproximado em algum momento da noite, provavelmente atraído pelo calor, já que Arthur se lembrava claramente de ir se deitar — mais tarde que o normal, tendo ficado para ajudar Verissimo com a papelada — e encarar a visão do amante esparramado na beirada da cama, dormindo com a boca aberta e um dos braços caídos para o lado de fora do colchão. Joui encolhido do outro lado com uma criança, roncando baixinho e tremendo um pouco de frio, tendo claramente perdido o domínio do cobertor para Kaiser durante o sono — Arthur acabou pegando outro cobertor para os dois, sabendo que era uma batalha perdida se interpor entre Kaiser e seu cobertor. Era quase engraçado, ele não sabia exatamente quando evoluíram para o que eram no momento, nunca haviam falado sobre ou procurado aquilo ativamente. Talvez fosse o que tornasse aquilo — os tornasse — tão especiais, não era planejado ou pensado previamente. Em vez disso, era simplesmente natural, eles costumavam gravitar em volta uns dos outros antes, quase tão apegados aos outros quanto seus pulmões ao ar. Durante algum momento, parei simplesmente a o caminho natural a se seguir, a única direção para onde conseguiam ir. Não foi realmente uma surpresa para nenhum deles que tivessem acabado alí.

Dos três, Joui era sempre quem acordava primeiro, sempre um pouco obcecado em manter uma rotina saudável, então ele sabia que ainda devia ser muito cedo se nem mesmo o amado ainda estava acordado. Cogitou fechar os olhos e dormir mais um pouco, estava tão quentinho ali, tão confortável, mas ele precisava mesmo ir ao banheiro, então a contragosto começou o trabalhoso processo de se desvencilhar do aperto dos amantes.

— Hum… Arthur?

Kaiser o encarou com olhos semicerrados de sono e resmungou baixinho, a voz deliciosamente rouca. Arthur sorriu um pouco e ajeitou o cobertor sobre ele e Joui com cuidado.

— Volta a dormir, amor, ainda tá muito cedo…

— Tá acordado porque então?

Ele perguntou, mas sua voz já se embolava um pouco enquanto sono começava a vencer a batalha.

— Banheiro.

Arthur respondeu e se abaixou para deixar um beijinho nos lábios do outro, que fez uma careta desanimada e o empurrou fraquinho, sem realmente se importar.

— Ainda não escovei os dentes…

Reclamou contra sua boca e Arthur bufou divertido se afastando um pouquinho e usando o mindinho para afastar uma mecha do cabelo do namorado do rosto dele.

— Eu também não.

Kaiser murmurou uma resposta inteligível e quando Arthur se levantou, sabia que ele já tinha voltado a dormir. Pensou em voltar para a cama quando saiu do banheiro, mas Joui já havia encontrado seu caminho até Kaiser e estava adoravelmente agarrado a ele como um polvo e ele não queria arriscar perturbar o sono dos dois e um barulho abafado ao fundo o fez suspirar, não precisava nem pensar para saber que Jennifer segunda devia ter derrubado a pilha de vasilhas limpas que ele deixou para guardar depois.

 Pressionando o nariz com cansaço, já resignado a não dormir mais naquela manhã, Arthur caminhou até a porta do quarto, quase tropeçando em uma calça jogada no chão e revirando os olhos em resposta. Kaiser… Ele recolheu a peça, dobrando e deixando apoiada sobre o assento da cadeira no canto do quarto e fazendo uma nota mental para dar uma bronca no amante por aquilo mais tarde. Como já imaginava, na cozinha uma bagunça de tampas e potes estava espalhada pelo chão e uma gata orgulhosa lambia a pata sentada sobre a bancada, parecendo satisfeita de mais com sua façanha. 

— Você gosta do meu sofrimento não é? 

Apesar das palavras, Arthur estava sorrindo e estendeu a mão, coçando as orelhas dela por um momento, recebendo um ronronar contente antes de juntar as vasilhas e começar a preparar um café. Por algum tempo, se permitiu se perder em pensamentos, mergulhado no silêncio apenas aproveitando a calmaria da manhã. Os únicos ruídos no comodo sendo o miado ocasional de Jennifer, os barulhos das panelas e pratos e sua própria voz enquanto ele cantarolava baixinho uma música ou outra. Quando o café estava pronto, espalhando o cheiro característico pelo ar e Arthur começava a preparar algo para comer, ele já estava tão perdido nos próprios pensamentos que quase pulou para fora da própria pele de susto quando dois braços fortes rodearam sua cintura, o abraçando por trás e uma cabeça se apoiou em seu ombro.

— Bom dia.

Joui cumprimentou ainda meio sonolento e Arthur suspirou relaxando e abrindo um sorriso carinhoso, apoiou a faca suja de manteiga no pote e se virou no abraço para ficar de frente para o namorado, estendendo a mão para tocar sua bochecha com cuidado, exatamente em cima daquela cicatriz em formato de X.

— Bom dia, dormiu bem amor?

Joui acenou com a cabeça e o abraçou com mais força, escondendo o rosto contra seu pescoço, os lábios roçando sua pele e depositando um pequeno beijinho bem debaixo da sua orelha e Arthur suspirou contente, virando levemente o rosto para beijar o topo da cabeça do namorado.

— Sonho estranho…

Arthur se afastou e o encarou erguendo uma sobrancelha indagadora antes de se virar para pegar um copo e servir um pouco do suco de laranja do dia anterior para Joui.

— Quer me contar?

Perguntou lhe estendendo o copo e recebendo um sorriso brilhante em resposta do namorado que não perdeu tempo em se sentar em uma das banquetas da ilha com o copo.

— Sonhei que o Cesar era um robô — Começou com os olhos semicerrados em concentração, a língua lambendo uma gotinha de suco dos lábios e Arthur soltou uma risadinha, apoiando as costas contra a bancada e ficando de frente para Joui — Ai, você era uma inteligência artificial criada por ele.

Deu de ombros parecendo tão confuso quanto Arthur se sentia e o gaudério soltou uma gargalhada divertida, balançando a cabeça em negação e se virando para terminar de passar a manteiga nos pães para por na chapa e alcançar sua caneca para tomar um gole de café.

— Acho que você anda assistindo muita ficção cientifica.

Joui soltou uma risada baixa e Arthur não precisava olhar para trás para saber que ele estava balançando a cabeça. 

— Posso ajudar?

Arthur deu de ombros, despreocupado, ele não se importava realmente de fazer o café para eles sozinho, mas Joui gostava de ajudar e ele não ia reclamar de passar um tempo cozinhando com o namorado.

— Se você quiser, não vou reclamar.

Ele olhou por cima do ombro, dando uma piscadinha para Joui e o namorado dele pareceu subitamente sem jeito, lhe arrancando uma risadinha.

— O que eu faço?

— Vai quebrando os ovos para a omelete, eu vou colocar esses pães aqui na chapa.

A comida ficou pronta infinitamente mais rápido do que se Arthur estivesse fazendo sozinho e ele admitidamente quase ficou decepcionado quando terminaram graças ao clima agradável que se instaurou entre os dois. Colocando o último prato na mesa, ele pegou uma caneca vazia e colocou ao lado da garrafa de café antes de reabastecer sua própria, Joui, aquela altura já completamente desperto com a energia de uma criança de cinco anos que comeu muito açúcar, passou por detrás dele, as mãos se apoiando suavemente em sua cintura para firmá-lo enquanto ele se inclinava para roubar um biscoito da mesa, beijando sua bochecha antes de se afastar.

— Vou acordar o César!

Arthur mordeu o lábio, segurando um sorriso, apesar de odiar acordar cedo, desde que se mudaram juntos, Kaiser começou a seguir o padrão da rotina dele e de Joui, normalmente ele ia para cama quando um deles ia e não reclamava do namorado deles insistir em acordá-lo de manhã para tomar café com os dois. Arthur achava que o namorado, assim como ele, simplesmente valorizava mais aqueles momentos juntos do que suas preferências de sono. Todos os três sabiam melhor do que dar aqueles momentos simples como garantidos, não, cada segundo juntos por mais mundano e comum era como uma joia preciosa a ser guardada com o devido cuidado. 

Ainda assim, ele se perguntou enquanto observava Kaiser sonolento ser praticamente arrastado pela mão por um Joui falante que tagarelava sobre uma coisa ou outra, ele coçava um dos olhos tentando afastar o sono, os cabelos adoravelmente desgrenhados e as roupas amassadas. Mas apesar disso, ele ainda tinha um pequeno sorriso afetuoso nos lábios e encarava o namorado deles com toda a atenção que sua mente cansada conseguia reunir. Quando os três estavam sentados à mesa, Arthur empurrou a caneca agora cheia para ele e Joui encheu seu proprio copo com mais suco. 

E ele estava bem… todos estavam e ele esperava que continuasse assim por muito, muito tempo.

Notes:

Pensamentos sobre isso??? Sim? Não? Viajei?