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Language:
Português brasileiro
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Published:
2026-01-17
Words:
2,191
Chapters:
1/1
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75

Feliz Natal

Summary:

O natal para Alê sempre era estranho, mas poderia melhorar com a presença de quem ele mais espera.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

O Natal sempre chegou estranho para Alê.

Não era tristeza exatamente, era um vazio estranho, como uma casa grande demais para uma única pessoa. Alê não tinha familiares; desde cedo sabia que viveria sozinha nesse mundo, até conhecer as pessoas da Banda. Para elu, eles eram uma benção. Mas passar o Natal sozinho era rotina, já que os outros tinham afazeres e famílias.

Enquanto caminhava, notava o entorno: ruas enfeitadas, vitrines brilhando, músicas repetidas… tudo parecia acontecer ao redor, nunca dentro.

Naquela noite, a cidade estava molhada por uma garoa fina que deixava o asfalto espelhado. O frio se estendia, anunciando neve em breve. As luzes pisca-pisca refletiam nas poças d’água, distorcidas, tremendo ao menor passo. Alê caminhava sem pressa, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, sentindo o frio atravessar o tecido.

Mas então o celular vibrou.

“Cindy”
–Você ‘tá ocupada?

Elu leu a mensagem duas vezes antes de responder.

“Alê”
–Não. O que foi?

A resposta veio rápida.

“Cindy”
–Vem aqui em casa? Não quero ficar sozinha hoje.

 

O coração de Alê deu aquele salto involuntário, incômodo e conhecido. Apesar de tentar se enganar, elu não podia evitar.

Suspirou, olhando ao redor. Pessoas passavam carregando sacolas, rindo alto, falando de ceias e famílias. Alê pensou em dizer não. Pensou em ficar em casa, colocar um filme clichê de Natal, abrir um vinho e fingir que aquela data era só mais uma.

Mas Cindy não queria ficar sozinha.
E isso sempre bastava. Elu suspirou, já se amaldiçoando por cada passo que dava rumo à casa dela.

Quando chegou, a casa estava estranhamente silenciosa. As luzes do hall principal estavam acesas, mas o silêncio pesava mais do que o esperado. Pegou a chave reserva e abriu a porta. A árvore de Natal piscava num canto da sala, decorada de forma simples, quase desleixada como se tivesse sido montada às pressas, sem muito cuidado ou interesse.

Cindy estava sentada no chão, encostada no sofá, com um copo de vinho na mão. Usava um moletom grande demais, cabelo solto, rosto cansado sem maquiagem.

– Oi - disse ao ver Alê.

Sua expressão estava perdida; desta vez, nenhum sorriso imediato, como de costume. Alê sabia que algo estava errado. Na verdade, sempre estava.

Alê tirou o casaco devagar e o pendurou.

– Oi - respondeu.

O silêncio que se instalou não era desconfortável. Era família, de alguma forma. Alê não era bom ouvinte, mas ver Cindy quieta a deixava levemente deslocada.

– Você não foi pra ceia? - perguntou.

Cindy deu de ombros.

– Minha mãe insistiu, mas… não tava com cabeça. Todo mundo feliz demais, sabe?

Ela bebeu mais um gole.

– Achei que você ia - completou. – De alguma forma, ela prefere mais a sua presença do que a minha.

– Eu nunca vou - Alê respondeu, sentando ao lado dela no chão. – Você sabe. E não diga isso, ela é sua mãe.

Cindy sorriu de canto.

– Hm… às vezes penso que não.

A música de Natal tocava baixa, quase imperceptível. O cheiro de comida pronta misturava-se ao pinho artificial da árvore. Do lado de fora, fogos estouravam de vez em quando, distantes. O relógio na parede marcava 23h00, faltando pouco para a meia-noite.

Cindy inclinou a cabeça e apoiou-a no ombro de Alê. O gesto era automático, repetitivo, como se ela sempre precisasse estar perto.

O corpo de Alê reagiu antes da mente: ficou rígido por um segundo, depois relaxou, aceitando o peso dela.

– Obrigada por vir - Cindy murmurou.

– Sempre - Alê respondeu, sem pensar.

Ela fechou os olhos.

– Não fala isso assim.

– Assim como? - Alê olhou confuso.

– Como se eu pudesse cobrar ou pedir algo toda hora.

Alê engoliu em seco.

– Eu não me importo. Você sabe. - respondeu dando de ombros.

Cindy se afastou um pouco, encarando elu de frente. Os olhos dela refletiam as luzes da árvore, pequenas explosões coloridas no escuro.

– Você devia se importar - disse baixo. – Eu nunca faço isso ser fácil pra você.

Alê sustentou o olhar.

– Eu sei.

O silêncio voltou, mais denso.

Cindy estendeu a mão e tocou os dedos delu, entrelaçando-os devagar, como quem testa limites.

– Alê, você… poderia só desta vez fazer algo que você queira?

Alê sentiu o peito apertar.

Demorou alguns segundos para responder, não por falta de palavras, mas porque havia coisas presas na garganta há anos. Cindy ainda segurava seus dedos — o toque firme o suficiente para ancorar, suave demais para ser exigência.

– Eu não sei se sei fazer isso… - disse por fim, a voz baixa. – …querer coisas pra mim.

Cindy soltou um riso curto, quase sem humor.

– Claro que sabe. Você só passa tempo demais fingindo que não.

Ela puxou Alê um pouco mais para perto, diminuindo a distância sem alarde, como se o corpo tivesse decidido antes da conversa.

– Então diz - pediu. – Não precisa ser algo grandioso, mas algo simples… Só… diz, sabe?

Alê respirou fundo. O som distante dos fogos, a música baixa, o calor da sala contrastando com o frio lá fora. Tudo parecia suspenso.

– Eu quero você - Alê disse. As palavras saíram no automático, e elu se assustou ao ouvi-las.

Cindy ficou em silêncio por um instante. Seus olhos percorreram o rosto de Alê por segundos que pareceram minutos, como se estivesse processando.

– Quer… como? — perguntou baixo.

– Do máximo que der? - Alê respondeu. O rosto, antes neutro, agora mostrava nervosismo e um leve rubor. – Eu não sei explicar…

O silêncio que veio depois não foi pesado, foi denso. Cindy se aproximou mais, sentando no colo de Alê. Elu engoliu em seco, assustado com o contato repentino.

– Você sabe que não posso ser o que você quer… – Cindy murmurou. - Talvez, hoje… eu possa…

A frase ficou suspensa, incompleta, carregada de tudo que ela nunca dizia em voz alta. Alê sentiu o peso dela no colo, o calor atravessando o tecido, e por um segundo achou que o coração ia parar. Não de medo, mas de algo muito maior.

Cindy não esperou resposta. Inclinou-se devagar, os lábios roçando os de Alê antes de se encaixarem. Foi um beijo diferente dos poucos que já tinham trocado - lento, quase cuidadoso, como se estivessem aprendendo o formato uma da outra pela primeira vez.

As mãos de Alê subiram instintivamente até a cintura de Cindy, apertando de leve o moletom largo, sentindo o calor da pele por baixo. Cindy aprofundou o beijo, a língua tocando a dela com paciência. Um suspiro baixo escapou quando Alê deslizou as mãos para os quadris, puxando-a mais para si.

Elas se moveram sem pressa. Cindy ergueu os braços, deixando Alê tirar o moletom. Por baixo, só uma camiseta preta e uma calcinha da mesma cor. A pele dela estava quente, arrepiada onde os dedos de Alê tocaram - primeiro as costelas, depois as costas, traçando a coluna como quem memoriza.

Cindy inclinou a cabeça para trás quando Alê beijou seu pescoço, devagar, delicado demais para ser real. Os lábios desceram até a clavícula, mordiscando de leve, e Cindy deixou escapar um som rouco que fez o corpo de Alê reagir imediatamente. Elu apertou mais os quadris dela, sentindo o movimento sutil quando Cindy se mexeu no colo, buscando contato.

– Alê… – Cindy sussurrou, só o nome, como quem confirma que é real.

Alê levou as mãos ao rosto dela, puxando-a para outro beijo enquanto Cindy tirava a blusa delu, peça por peça, sem alarde. A pele se encontrou quente contra quente, e por um momento ficaram ali, respirando juntas, corações descompassados batendo um contra o outro.

Cindy guiou Alê para trás até que elu estivesse deitado no tapete macio, com ela por cima, os cabelos caindo como cortina ao redor dos rostos. As luzes da árvore piscavam sobre elas, pintando a pele em tons suaves de vermelho e dourado. Alê olhou para cima, procurando dúvida nos olhos de Cindy. Não havia.

Cindy sorriu de leve - pequeno, cansado, mas honesto - e desceu para beijá-la de novo, as mãos deslizando devagar, explorando cada canto do corpo de Alê. Cada toque fazia elu fechar os olhos e suspirar. Elu a queria, não exatamente daquele jeito, mas se isso significasse tê-la, mesmo que só naquela noite, elu aproveitaria cada segundo.

Alê segurou a mão de Cindy por um instante, abriu os olhos e perguntou baixo:

– Tem certeza disso? - o tom era preocupado. – Eu não quero que seja forçado, nem desconfortável pra você.

Antes que continuasse, Cindy colocou o dedo indicador nos lábios delu.

– Alê… não precisa. Eu quero isso. - Ela sorriu levemente, afastando mechas de cabelo do rosto de Alê. – Você se preocupa demais.

Brincou, e voltou a beijá-la. Dessa vez não havia mais espaço para dúvidas.

O dedo que silenciava agora traçava o contorno do rosto de Alê, descendo pelo pescoço, pelo ombro, apagando qualquer hesitação. Alê deixou escapar um suspiro contra a boca dela, as mãos ousando mais ,deslizando por baixo da camiseta preta, sentindo a pele macia das costas, a curva da cintura. Cindy arqueou o corpo de leve, incentivando, e ajudou a tirar a própria camiseta, jogando-a de lado.

Cindy desceu os beijos pelo pescoço de Alê, mordiscando de leve a pele sensível abaixo da orelha. Alê sentiu um arrepio percorrer o corpo inteiro. As mãos delu apertaram os quadris dela com mais força, puxando-a para perto, como se pudessem se fundir.

Cindy sorriu contra a pele de Alê.

– Pode ir mais devagar se quiser - murmurou, rouca. – A noite é longa.

Mas Alê balançou a cabeça, olhos semicerrados.

– Não quero devagar - confessou quase num sussurro. – Quero tudo que você puder me dar hoje.

Cindy parou por um segundo, olhando para elu com admiração misturada a tristeza. Mas Alê inverteu as posições com cuidado e decisão, mãos firmes nos quadris de Cindy, guiando-a para baixo até que ela estivesse deitada no tapete.

Cindy soltou uma risada baixa, surpresa, os olhos brilhando com curiosidade e alívio.

– Tá bem - murmurou, rouca de desejo. – Então me mostra.

Alê ajoelhou-se entre as pernas dela, mãos tremendo levemente enquanto desabotoava a calça de Cindy, puxando-a junto com a calcinha. A pele quente surgiu, as coxas se abrindo instintivamente. Cindy observava o peito subindo e descendo rápido, sem desviar o olhar.
Alê desceu os lábios pela barriga dela, traçando uma linha lenta de beijos até chegar onde Cindy mais precisava. O primeiro toque da língua foi hesitante, quase reverente. Quando Cindy arqueou as costas e soltou um gemido baixo, algo se soltou dentro de Alê. Elu foi mais fundo, mais segura, aprendendo o ritmo pelos sons dela, os dedos enfiados no cabelo longo delu, puxando de leve, guiando sem forçar.

Cindy tremia, pernas apertando as laterais do corpo de Alê, o nome delu escapando em sussurros entrecortados. Quando chegou ao pico, foi com um suspiro longo, quase aliviado, o corpo relaxando contra o tapete como se tivesse esperado anos por aquilo.
Alê subiu devagar, beijando o caminho de volta: à barriga que ainda tremia, o peito em respirações profundas, o pescoço quente e salgado de suor. Cindy virou o rosto para encontrar os lábios delu; o beijo veio lento e preguiçoso. Não havia urgência; só a vontade de prolongar.

As mãos de Cindy exploravam calmamente o corpo de Alê, traçando costelas, cintura, nuca, enfiando os dedos no cabelo longo e bagunçado delu. Alê continuou beijando e mordiscando leve o pescoço dela, descendo até o peito, beijando o seio direito com delicadeza, demorando ali para sentir o coração acelerado sob a pele.

De repente, Cindy riu baixo contra o cabelo de Alê, um som rouco e carinhoso.

– Alê… - murmurou, voz entrecortada. – Vamos pro quarto?

Alê parou os beijos por um segundo, erguendo o rosto para encará-la.

Cindy tinha os olhos semicerrados, rosto corado, lábios inchados e vermelhos. Havia um brilho travesso misturado a algo mais profundo, vulnerável e intenso.

– Aqui tá bom… - continuou ela, passando o polegar no lábio inferior delu. – Mas eu quero você na minha cama. Quero te sentir direito, em algo confortável e macio.

Alê sentiu o peito apertar de um jeito bom, cheio. Assentiu devagar, sem esconder o sorriso pequeno que surgiu. Pela primeira vez em muito tempo, não havia peso naquele sorriso. Não tinha medo imediato do depois.
Cindy se mexeu primeiro, erguendo-se para beijá-lo de novo enquanto se levantava do tapete. Pegou a mão de Alê e puxou com gentileza, entrelaçando os dedos com firmeza, como se soltá-los pudesse quebrar o momento. Alê seguiu, o corpo ainda quente, o coração batendo num ritmo novo não mais só ansiedade, mas algo próximo de felicidade.

Enquanto atravessavam o corredor curto, Alê percebeu, quase surpreso consigo mesmo, que estava feliz. De verdade. A relação com Cindy sempre fora conturbada, cheia de silêncios pesados e palavras não ditas, mas ali, com os dedos entrelaçados e o calor do corpo dela roçando no seu a cada passo, elu se permitiu acreditar que talvez, só talvez, aquele Natal pudesse ser realmente diferente.

Eles entraram no quarto sem acender mais luzes. A porta ficou entreaberta, deixando entrar as luzes coloridas da árvore da sala, que piscavam devagar como estrelas distantes. Cindy virou-se para Alê na penumbra, puxou-o para um beijo suave e demorado, e sussurrou contra os lábios delu:

– Feliz Natal, Alê.

Alê retribuiu o beijo, encostando a testa na dela.

– Feliz Natal, Cindy.

E pela primeira vez em muitos anos, o vazio não estava lá.

Notes:

Talvez eu crie um outro capítulo com a continuação. Mas pensarei sobre, espero que tenham curtido;)