Actions

Work Header

Descanso

Summary:

Não importa o quanto você se esforce, seu corpo nunca vai chegar lá junto a você inteiro. Então as vezes é importante ter que alguém que te lembre disso.

Ou,

Onde Pomba está estudando dia e noite para o vestibular e Franco tem saudade de seu namorado.

Notes:

Tem um tempinho que eu não escrevo, então saiu meio curtinha!! Acabou que n revisei pq tava sem tempo :[
Enfim boa leituraaaa :D

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 Ah, o Ensino Médio. Horas e mais horas assistindo aulas com professores, em sua maioria, empenhados e alunos, em sua minoria, silenciosos. Atividades, trabalhos, apresentações, palestras, provas, seminários, simulados e um ou outro feriado prolongado na tentativa de manter a sanidade dos alunos. Era um currículo relativamente extenso para adolescentes e jovens adultos, não havia uma alma sequer que passasse o dia sem reclamar, discutir ou simplesmente dissociar até o horário da saída. Mas Pomba não era um deles, não mesmo!

 

 Em meio a todo aquele caos, tinha que existir alguém minimamente centrado, não que ele fosse o mais estudioso, ou que nunca tivesse arrumado uma pequena confusão, mas considerava-se alguém mediano, superando sua quietude e invisibilidade na instituição com seu esforço em casa, compensando seu silêncio com.. bom, mais silêncio. Mas desta vez, por uma boa causa! Afinal, seu futuro infelizmente dependia de sua vontade, não? Não podia simplesmente se dar ao luxo de dormir em todas as aulas, não cumprir com as demandas exigidas pelos professores e deixar de lado o conteúdo, tinha de estudar! Se necessário, estudaria até que seus olhos caíssem!

 

 Precisava manter o foco, tinha um objetivo em mente, dois, na verdade, Geografia, UNICAMP, então não, não tinha o luxo de se deixar levar por qualquer distração. Não enquanto Harpia continuava fazendo hora extra e pegando serviço pesado mesmo apenas com um braço, enquanto Papagaio “viajava” a cidade o dia inteiro para atender seus clientes mais promissores, enquanto Corvo aceitava constantemente bicos com péssimas condições trabalhistas, enquanto Coruja passava horas e mais horas acobertando o plantão de outros enfermeiros para ganhar um pouco a mais, não enquanto sua única responsabilidade era ir para a escola e estudar, não quando a única vez quando via todos seus irmãos juntos era quando eles se juntavam e o tentavam convencer de que já havia estudado o suficiente por hoje, de que já deveria estar na cama.

 

 “Seu corpo não vai aguentar se continuar virando a noite, Pombinha.”. Era o que Coruja sempre o dizia, e o que sempre fazia com que ele, às vezes, odiasse o emprego do irmão.

 

 Entendia sua situação, sabia que tinha que ser responsável, que poderia acabar dando um “curti-piu”, como Papagaio gostava de lembrá-lo, mas não conseguia não extrapolar sabendo que os mais velhos passavam o dia inteiro ouvindo reclamações, insultos e esporros para ganhar uns trocados a mais e lhe comprarem uma apostila, um caderno e uma mochila mais espaçosa. Não conseguia achar justo, não importava  o quanto eles lhe diziam, sempre seria horrível ver Harpia chegando tarde da noite em casa com o braço surrado depois de ter passado o dia inteirinho sentado numa cadeira confortável.

 

 Já havia aceitado a derrota contra os mais velhos na luta de arranjar um emprego. Um meio período, jovem aprendiz, nas férias, algum serviço online, não importava! Mas claro que iriam se opor, até mesmo ele sabia o quão importante era o fim do ano, tanto para a escola com seus trabalhos finais quanto para o vestibular, era óbvio que não aceitariam. No final, sabia o quanto se importam com si e que esse era o motivo para serem tão cabeça-dura em relação ao pássaro mais novo. “Alguém tem que aproveitar a adolescência, não?”, era praticamente o lema deles, o que os motivaram a aceitar qualquer oportunidade, por mais porca que fosse. No fim do dia, nunca deixaria de ser reconfortante para os quatro ver o pequeno Pomba se destacando, fazendo amigos e algumas besteiras de vez em quando. Sabiam que não eram os melhores, mas podiam garantir que faziam o seu melhor todos os dias! E não mentiriam: era bom vê-lo interagindo com outras pessoas sem preocupações, mesmo que não fosse recorrente, às vezes acontecia. E sempre seria motivo de alegria entre eles.

 

 Apesar de que, havia alguém muito recorrente na vida de seu irmãozinho mais novo. Um certo ruivinho, esquisito, piromaníaco, metaleiro e meio maluco, que depois de muita luta - tipo muita luta mesmo - passou pelo “teste” dos quatro irmãos, ele podia até ir em casa quando eles não estavam! Mesmo que isso não acontecesse muito, aquela era definitivamente a maior vitória da vida de Franco, que ficou se gabando por dias para todo mundo até receber alguns olhares não muito agradáveis a si e ficar com medo de perder o privilégio de ver seu passarinho todos os dias.

 

 Escutou o celular apitando, saindo de seu transe momentâneo e se deparando mais uma vez com a pilha de materiais em cima da mesa. Pegou o aparelho para verificar, era uma notificação, algumas sendo mais preciso, contatos diferentes.

 

Franbobo <3

 

(16:40): OI POMABINHAA

(16:40): COMO VOEC TA?????????????//

(16:40): agenre tava ensaniando awui na cindi!!!!!!!!

(16:41): TO MCOM SAUDADD SUA :(((((((

(16:45): vse ta fazendo ao que ohje emua mor/??????????

(16:46): alwe vai volttar pra casaa achoq bou eu com ela hojer

(16:55): voi embrora ahora tcauuuuuuuuuu 3<3333333

(16:56): to com saudeeeeeeee :ccc

(16:58): SADUADE***!!!!!!!!!!!! ale vta me zoandso puq eu errei :[

 

 Bobo. Pensou, Franco era idiota, escrevia errado e saia gabaritando quase toda atividade na escola. Era isso que todos falavam, que ele era estranhamente inteligente, e estranhamente gostoso.

 

 

 Longe de si admitir, mas, com sorte, Franco nem sequer sonhava com os planos malignos que Pomba tinha contra seus colegas de turma e alguns de seus fãs - os mais surtados, parassociais, era uma palavra mais correta. Ainda se lembra da única vez em que revelou estar com ciúmes, e Franco não o deixou em paz pelo resto da semana, até seus amigos se voltaram contra ele! Seus irmãos! Não iria permitir que isso acontecesse outra vez, por isso, mantinha todos os mais cruéis pensamentos enterrados no fundo de seu cérebro na esperança de nunca cometer um deslize e soltar um deles em voz alta. Era melhor assim!

 

Franbobo <3

 

Oiiii, tô estudando :p (17:23)

Vocês ensaiando no sábado? Isso é raro kk (17:23)

Também estou com saudades!!! (17:23)

kkkk eu gosto quando vc escreve rapidinho!! Acontece as vezes kk n preocupa !! (17:24)

Vou voltar aqui, mais tarde eu te ligo <3 (17:25)

 

 Bom, vamos lá.. Estequiometria. De novo. 

 

 - Ei Pomba, viu minha carteira? - Corvo apareceu em sua porta, do nada..? O mais velho definitivamente chamava atenção por onde passava, com seus acessórios marcantes na falta de suas roupas pesadas no horário do expediente.

 

 - Não vi não.. - O pequeno pássaro respondeu, levemente curioso. - E quando você chegou aqui?

 

 - Eu vim procurar minha carteira, acabei de chegar e já vou voltar para o trabalho. Eu tinha te mandando mensagem! - Corvo passou rápido pelo corredor, seus resmungos ficando cada vez mais baixos. Rapidamente, pode ouvir o som dos passos apressados retornando a sua porta.

 

 - Estou saindo. E vê se vai dormir cedo, ouviu?! - Apontou para o moreno, os olhos semicerrados expressando.. raiva? A voz grossa levemente carregada de preocupação. - Se voltarmos e você ainda estiver aí vou mandar o Coruja te sedar! 

 

 - Não se eu fugir antes! - Gritou vendo o irmão sair ligeiro de casa, proferindo algum xingamento antes de bater e trancar a porta da frente.

 

 Tomou um gole d’água antes de retomar sua atenção ao material na mesa.

 

 A massa, em g, de sulfeto de ferro obtida será de…

 

 A) 2,76 … B) 2,24 … D) 1,76 … E) 0,48 … A) Questão 3.

 

 …

 

 Suspirou, cansado. As palavras já não faziam mais sentido em sua mente. Talvez devesse dar uma pausa? Sempre teve o costume de parar somente em um horário aceitável para se alimentar ou ir ao banheiro. E convenhamos que cinco horas da tarde não era o melhor horário para jantar.

 

 Levantou-se e foi em direção ao banheiro, ligou a torneira, sentindo a água gelada em sua pele, levando-a para seu rosto na tentativa de acordar um pouco. Enxugou-se com a pequena toalha bege e retornou para seu quarto. Se esticou um pouco, olhando o início de mais um pôr do sol antes de voltar a se sentar na cadeira macia, reiniciando sua luta contra a química antes que o sono o pegasse.

 

 De acordo com a Lei de Lavoisier- 

 

 - Tá fazendo o quê gatinho?

 

 - Ahm…?! - Virou a cabeça rapidamente à porta de seu quarto. - Franco?! Mas o quê-

 

 - Como você tá, hein? - Observou Franco, seu namorado, se aproximando da cadeira, abraçando de leve sua cabeça.

 

 - Como você entrou aqui?! Quando?

 

 - Pedi para Alê me deixar aqui perto! Vi Corvo saindo quando cheguei, ele disse que você tava em casa e deixou eu entrar. Vem cá vem..

 

 - E-eu ainda tô terminando umas coisas..

 

 - Pomba, meu amor, você tá morrendo de sono. - O ruivo ria, o levantando da cadeira.

 

 - Não tô não!

 

 - Tá sim! Tá parecendo uma criança que não quer ir dormir para terminar de ver o desenho! - O puxou para um abraço. 

 

 O ruivo acariciava seus cabelos levemente, intensificando a sensação de cansaço com a qual veio lutando o dia todo, muito provavelmente de propósito. Sentiu seu corpo se entregando aos poucos ao carinho, se encontrando nos braços branquinhos cheios de sardas, queimaduras e tatuagens. Afundou a cabeça nos ombros do amado, o envolvendo ainda mais no abraço, se permitindo fechar os olhos e esquecer as questões e textos grandes por alguns segundos e apenas aproveitar o conforto de estar com seu ruivinho.

 

 - Não tá com sono né?

 

 - Hmm..

 

 Escutou a risada do mais novo, sentindo a pequena vibração vinda de seu peito, acompanhada de um beijinho em seus cabelos.

 

 - Vamos deitar, hm? - Soltou um murmúrio em concordância, alto o suficiente para que o mais alto ouvisse. De repente, os braços se desprenderam de suas costas, descendo para sua cintura e logo mais a sua bunda.

 

 - Fran.. - Um leve aperto em sua carne o despertou. Então, seu corpo foi levantado sem aviso prévio. - E-ei! Você vai me derrubar! - Soltou nervoso, se agarrando ao pescoço do guitarrista e prendendo suas pernas em sua cintura.

 

 - Nunquinha! - O outro o arrumou em seu colo - Você é levinho Pomba, parece uma pena.

 

 Caminhou até a cama do pássaro, o deitando devagar no colchão macio, logo se juntando a ele no meio do edredom grosso.

 

 Os dois entrelaçaram os corpos num encaixe perfeito, se aconchegando um no outro, com Pomba por cima do braço de Franco, e este acomodando a mão livre na cintura do amado.

 

 - Que horas você acordou hoje?

 

 - Acho que umas cinco..

 

 - Cinco da manhã?! - Indagou o outro - Hoje é sábado! Eu acordei às oito! E só porque tive ensaio!!

 

 - Eu tava com uma matéria acumulada..

 

 - Mas você foi deitar tarde ontem meu bem, vai passar mal assim! - Deixou um selinho nos lábios morenos, segurando o rosto de Pomba como se nunca tivesse antes tocado. - Você só vai levantar lá pras dez ouviu?! - Proferiu sério, mesmo com ambos sabendo que, assim que o dia raiasse, Pomba despertaria.

 

 - Mas e você?

 

 - Eu vou dormir aqui! Vou garantir que você durma direitinho, mais tarde eu até faço um lanchinho pra você! - O beijou mais uma vez, aproximando seus corpos e iniciando um carinho gostoso nos cabelos castanhos novamente.

 

 Pomba mal percebeu quando pegou no sono, mas tinha certeza de que aquelas mãos cobertas de cicatrizes nunca iriam largar seus cabelos, de forma alguma.

Notes:

Eu amo eles eu vou explodir!!!!!!!!! Passem no meu twt @/ayggsac la tem Au's bestinhas c: