Chapter Text
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O cheiro de cigarro mentolado enchia o quarto, apesar de uma janela um pouco aberta, junto do cheiro gostoso e conhecido, um incenso também queimava, além da brisa fresca, cheiro de folhas molhadas, grama úmida e chuva fresca. Deitado sobre o chão, olhando para as estrelas fluorescentes no teto, Franco não pensava em nada e tudo ao mesmo tempo.
Um cigarro havia sido apagado recentemente no cinzeiro de vidro, o cheiro permanecia, mas o incenso deixava mais leve. Sentado ao lado de Franco, as costas encostadas na cama atrás de si, estava Pomba, com um caderno aberto sob o colo, com alguns desenhos bobinhos.
– mais um?
– mais um.
Pomba pegou o maço de cigarros na escrivaninha, junto de um isqueiro com adesivos - uma pomba e um fogo ao lado. Abriu a pequena caixinha, tinha apenas dois… Pegou um e pôs na boca, acendendo até a ponta ficar levemente queimada e com um brilho alaranjado nas bordas. Na escrivaninha não tinha nada de interessante, o que chamava atenção mesmo eram duas taças de vinho já vazias, e uma garrafa de vinho barata já vazia.
O cheiro invadiu as narinas, pomba deu uma tragada funda antes de dar para Franco, que aceitou de bom grado, e enquanto tragava, pomba soltou e se apoiou ao seu lado.
Uma música tocava ao fundo, baixa, mas tocava. Era “Seven Minutes in Heaven” de Mindless Self Indulgence.
– Tá pensando em algo? Ou tá dissociando?
Franco soltou uma risadinha, dando o cigarro para pomba – Esse negócio de dissociar é seu, cara.
Pomba sorriu um pouco, antes de revirar os olhos.
– Acho que só tô existindo hoje. O clima tá bom e eu só… Tô aqui, um pouco bêbado e chapado.
…
– Quando ‘cê fumou pela primeira vez?
– Com 16. E você?
– … 20, fumei meu primeiro com você.
Franco arqueou levemente as sobrancelhas, olhando para pomba, que soprou fumaça em sua cara, ele só fechou os olhos, balançando um pouco a cabeça. Na primeira vez que pomba fumou, Franco havia feito aquilo com ele e pomba ficou os olhos vermelhos - por ter fechado os olhos. Ele se lembrava que ficou desesperado quando o homem abaixou a cara e ficou coçando os olhos marejados.
– Nossa.
– O que?
– Sei lá, na minha cabeça você já tinha feito isso antes de me conhecer.
O cigarro passou, ficando entre os dedos calejados de Franco.
– Quando você bebeu pela primeira vez?
Pomba soltou uma risada, suas bochechas esquentando um pouco. – quando eu tinha 13. Papagaio e corvo estavam bebendo e esqueceram o copo em cima da bancada de cozinha, ficou ali por um tempo e eu era curioso.
– Era?
– Parou.
Eles riram. Pomba se deitou ao lado de Franco, os olhos chocolate encontrando as íris Jade, o contato visual durou segundos, mas o tempo pareceu parar, seus olhos brilhavam com algo - paixão, êxtase, talvez desejo…
O contato cessou, agora eles olhavam para o teto.
– Você ainda é virgem?
…
A resposta demorou mais do que o comum, as bochechas - não, o rosto inteiro - de Franco esquentaram, ficando em um tom rosa. Pomba se virou para se deitar de lado, se apoiando em seu cotovelo, esperando uma resposta.
– Eu… sem julgamentos, viu?
Os olhos de pomba se arregalaram quando ouviu a voz dele; trêmula, tímida, meio contida. O braço do ruivo tampou os próprios olhos, e pomba sorriu, meio… algo.
– Nem fudendo, Franco!
O mais novo riu baixinho, sentindo seu corpo todo esquentando por dentro, não completamente vergonha por admitir aquilo - ele não sentia vergonha com pomba -, mas a reação lhe deixou… esquisito
– Cara!.. eu, sei lá, na minha cabeça você era o tipo de cara que fodia todo final de semana.
– Qual é…
– Olha pra sua cara! Você grita a palavra “mulherengo”!
Franco riu, agora de vergonha por causa do elogio. Ele tirou o braço do rosto, olhando para pomba, que tinha até agora um sorriso no rosto e os olhos surpresos. Outra música havia começado a tocar; “Deusa” de Venere Vai Vênus.
– Cê’ nunca ficou curioso ‘pra essas coisas? Porque eu aposto que o que não te falta é oportunidade.
– Já…
– Você é assexual?
– Não… - alguns pensamentos passaram pela cabeça de Franco, de como ele ficava excitado só de pensar em uma certa pessoa com apelido de passarinho - Definitivamente não.
Pomba arqueou uma sobrancelha, olhando para Franco, um pouco desconfiado.
– Cê só nunca quis transar com alguém?
– É. Isso aí. - seus olhos percorreram rapidamente pomba, desde os olhinhos redondos até às cicatrizes da mastectomia, completamente expostas para si - quer dizer, várias pessoas já pediram pra ficar comigo, mas qual o sentido de transar com alguém que tu’ mal conhece? Coisa de brocha.
Pomba riu. A música “I Was Made For Lovin’ You” do Kiss começou a tocar. O cigarro já estava acabando, até que pomba finalmente o apagou no cinzeiro, se virando para Franco. O silêncio se estendeu, não desconfortável, mas incompleto, faltava algo.
O ar ficou levemente denso, seus olhos não conseguiam desviar um do outro, as íris Jade com as íris chocolate, os olhos brilhavam, um leve frio na barriga por sabe-se lá o que, suas mãos coçavam por algum motivo. Até que, pomba decidiu abrir a boca.
– Você já pensou? Se imaginou… sei lá.
Franco sentiu seu coração errar uma batida, as bochechas de pomba estavam começando a esquentar num tom meio arroxeado… bonito.
– Sendo bem sincero contigo, passarinho, já.
– Com quem?
– An?
– Com quem? Que você já se imaginou transando.
O coração de Franco disparou, como se quisesse sair pela garganta, seu rosto inteiro esquentou, ele sentia como se fumaça saísse pelo seu cabelo. Engoliu em seco. Todas as vezes que se imaginou com alguém, tendo um momento tão íntimo… ele estava na sua frente.
Pomba.
Era óbvio que ele se sentia culpado por se imaginar daquele jeito com o seu melhor amigo, mas por algum sentido, simplesmente aparecia… como se fosse um flashback, sempre nebuloso, quente, por algum motivo, era como se já tivesse acontecido. Ele se imaginava beijando pomba, sussurrando baboseira no seu ouvido, tocando seu corpo, apertando as pernas dele… Entrando dentro dele.
Sua boca secou, e pomba estava esperando por uma resposta. Ele ainda estava ali.
– Acho que aí é demais, cara…
Pomba riu. O estômago de Franco revirou.
– Ah, qual é, Fran. - um arrepio percorreu sua nuca. A voz de pomba estava um pouco rouca por causa do vinho e do cigarro - Já me imaginei transando com uma pessoa também, não precisa de vergonha.
Pomba se deitou, virado para Franco. Logo, com um lampejo de coragem, Franco olhou para pomba, se deitando de lado, eles não conseguiram - nem queriam - desviar o olhar.
– Quem?
Franco ficou com medo da resposta, ele tinha certeza que não era com ele, que seus pensamentos eram idiotas e nojentos, pomba iria sentir desgosto se ele soubesse essas coisas, lhe xingaria, e se afastaria e…
– Você.
Ele nem percebeu quando pomba se aproximou, seus narizes quase se tocando, a voz dele um sussurro doce e suave, meloso… seu coração disparou. Sua voz ficou presa na garganta, seus olhos verdes percorrendo o rosto dele; as bochechas levemente coradas, os olhos redondos lhe encarando, escurecidos de tesão, os lábios grossos curvadas em um sorriso, Franco não sabia dizer se era desejo, vergonha ou só… sarcasmo.
– Ah… - sua voz finalmente saiu, fraca e trêmula, como um fio de cabelo, pomba riu fraco - meu Deus.
– o que foi, Fran?
Os olhos dele baixaram rapidamente, Franco tomou consciência de que suas calças estavam começando a ficar apertadas demais. O indicador de pomba subiu, tocando seu braço, subindo lentamente, arranhando suavemente sua pele, a mão esquerda subiu, tocando seu rosto, o polegar traçou sua bochecha.
– eu… - franco se sentia como um marinheiro se encantando pelo belo canto de uma sereia, suas mãos, quase com vida própria, se ergueram, uma tocando sua perna e a outra em seu quadril - também já me imaginei transando com você.
– conta pra mim… - pomba se aproximou, seus narizes roçando suavemente, Franco tentou se inclinar para beijar, mas o polegar de pomba foi mais rápido, sendo a única coisa separando eles.
Ele se inclinou para enterrar o rosto no pescoço de Franco, à ponta do nariz tocando a pele quente, o toque se estendeu para o pressionar suave de lábios, a língua de pomba saindo para tocar a pele sardenta, franco soltou um resmungo baixinho enquanto suas mãos se contraíram em volta da carne. A mão que estava na coxa de pomba subiu lentamente até tocar suas costas.
– c-como assim… - franco gemeu, sentindo os beijinhos molhados que pomba deixava em sua pele, vez ou outra era agraciado com a carícia molhada da língua experiente.
– Fran… eu quero que você fale pra mim dos seus pensamentos comigo.
