Work Text:
De pernas bambas, Utahime não viu outra opção senão rastejar para longe. Seus olhos estavam cansados, a garganta seca e a voz rouca. Ela podia sentir suas forças indo embora pouco a pouco.
Antes que conseguisse cruzar a porta do casarão abandonado, um pé pisou com força em suas costas, fazendo-a perder o fôlego em instantes. Um gemido sôfrego escapou de seus lábios rachados, tanto pela dor da pressão quanto pelas fraturas que já lhe haviam sido causadas.
— Para onde pensa que vai, gatinha? — a voz modificada perguntou em tom de sarcasmo.
Utahime não encontrou forças para responder, tampouco para mandá-lo ir se foder.
Com a respiração descompassada, ela apenas ficou ali, deitada no chão sujo, à mercê daquele homem que a assombrava desde o momento em que chegou com os amigos naquele local abandonado. Ela nem sequer sabia que havia um morador ali; caso contrário, Iori teria escutado seus pais e permanecido sob a proteção de seus cobertores.
O homem vestido de Ghostface retirou de seu manto negro uma lâmina afiada e, sem que a vítima da vez esperasse, enfiou-a em meio à espinha dorsal de Utahime.
Seu grito estridente de agonia ecoou pelas paredes mofadas. Lágrimas desceram pelas bochechas, manchando o caminho por onde escorriam.
Um sorriso ardiloso se estendeu nos lábios do homem por baixo da máscara esbranquiçada.
— Grite mais alto! — ele exclamou. O sorriso de dentes afiados e brancos cresceu a cada reação dela, como o de um predador feliz ao ver sua presa agonizar abaixo de si.
A mão forte agarrou o cabo da faca e a puxou bruscamente. O sangue quente jorrou do corte, descendo pelo corpo em direção às pernas frágeis. Mais um grito pôde ser apreciado pelo único espectador presente, aquele que usou o material das luvas para limpar a lâmina com um movimento hábil antes de guardá-la novamente sob as vestes.
Um bater de palmas animado chegou aos ouvidos da mulher, seguido de risadas, como se ele estivesse se divertindo às custas de seu sofrimento — e estava.
Utahime sentiu o cabelo ser puxado pela raiz; a ardência a fez sibilar de dor. Seus olhos cansados, semelhantes a duas luas crescentes, estavam cheios d’água. Um filete de sangue escorreu de seus lábios.
Uma câmera fotográfica surgiu em frente ao seu rosto atordoado; o flash por pouco não feriu suas íris sensíveis. Após conseguir o que queria, o homem afrouxou o aperto em seu cabelo e, de maneira rude, a deixou cair em um baque surdo.
Com várias lesões espalhadas pelo corpo, ele duvidou que ela sobreviveria para contar a história.
Sem esperar pela chegada da polícia, levantou-se e saiu rapidamente do cômodo. Seus passos pesados ecoaram até desaparecerem, enquanto Utahime permanecia ali, engasgando no próprio sangue.
O que Iori não sabia era quem estava por trás da máscara. Ela poderia ter palpites sobre quem seria, contudo, nunca acertaria — pois Satoru Gojo, seu colega de faculdade, até então indefeso, seria incapaz de fazer mal a uma mosca.
Ele nunca, em hipótese alguma, faria algo contra ela... certo? Certo.
