Work Text:
O corpo de Pomba tensionou assim que pôs os pés na entrada daquele bloco de carnaval.
— Meu Deus, eu já estou querendo voltar pra casa. — Reclamou, ouvindo Kemi bufar o puxando pela multidão.
— Ah não, Pombinha! Vamos eu te convidei pra gente se divertir com o pessoal, sem dá bola pra trás agora!
Era um dos blocos mais esperados da cidade, Pomba mesmo não estando na melhor das animações, ele estava tentando não sucumbir à tristeza toda vez que lembrava daquelas fotos.
Sério, tinha que mandar pro grupo? Pra todo mundo ver? Aquilo acabava com a autoestima dele pouco a pouco.
As fotos eram nada mais nada menos que seu ex namorado, Enrico, atracado com uma garota loira em uma das festas da faculdade que não tinham nem três semanas direito.
Pomba se lembra muito bem de estar em casa nesse maldito dia e de receber mensagens de Enrico dizendo que estava prestes a dormir e bem, ele estava mesmo indo dormir… com outra.
Ele também lembra muito bem de terminar com Enrico sem chance de escutá-lo, até porque sabia que ele devia estar muito ocupado com outra pessoa e não escondia isso, foi o que mais deixou Pomba puto.
Enrico pareceu que gostou do que fez.
Balançou a cabeça, olhando ao redor, parecia sardinhas em lata, muita gente pra uma rua estreita e pequena, ele se surpreendeu ao ver que Kemi conseguia se esquivar bem das pessoas sem esbarrar.
Quando chegaram em frente a um estabelecimento de bebida, tinha uma mesa com pessoas conhecidas por Pomba e Kemi.
Eloy usava uma regata preta com uma calça jeans larga com rasgos na panturrilha, uma bota preta e no rosto uma maquiagem preta que nao deixava de ser brilhante com glitter, pra combinar com o carnaval, ao lado dele estava Jasper e Remi de conversinha, Cindy e Caio também estavam bem juntos e Alê olhava aos arredores segurando uma cerveja.
Quando viu Kemi chegar perto, Eloy ja se levantou da cadeira que estava sentado e deu um beijo na mulher pedindo pra que ela sentasse em seu colo e assim ela fez, pra brincar Alê bateu nas coxas chamando Pomba pra sentar em cima do seu colo também que foi negado, elu riu tomando mais um gole da cerveja.
— Vai ficar em pé mesmo, bonitão? — Jasper perguntou.
— Aham, é melhor e eu ainda não tô cansado. — Deu a melhor desculpa que podia pensar, ouvindo os foliões — Olha só, eu vou atrás de algo pra beber tá?
— Quer que eu vá com você? — Kemi que estava preparada pra se levantar do colo de Eloy, foi segurada assim que Pomba negou com a mão.
— Não precisa, sério. Qualquer coisa se eu demorar você me liga ou vai atrás de mim, ok?
Kemi suspirou, cruzando os braços.
— Beleza, toma cuidado! Cuidado mesmo!
— Eu vou, já volto!
Assim que se afastou um pouco de Kemi e Eloy para comprar alguma bebida em meio a multidão, Pomba sentiu um olhar diferente em si logo quando chegou perto das barraquinhas, suas sobrancelhas franziram e sua respiração parou por um momento ao perceber um pontinho ruivo perto da barraca de bebidas e respirou fundo.
Franco o percebeu antes, ele também estava comprando uma bebida pra se aliviar, usava uma bermuda preta com uma bandana vermelha amarrada, deixando evidente até onde ia sua tatuagem de fumaça, uma regata verde escuro e a pele vermelha pelo sol, Pomba bufou, porque a galera não contou que ele tinha voltado?
Uma pergunta melhor, quando que ele tinha voltado da apresentação de outra faculdade de outro estado?
Andou em passos pesados para perto da barraca sentindo aqueles olhos verdes lhe secando com uma curiosidade extrema, logo Franco chegou perto.
— Era só o que me faltava. — Pomba murmurou, estressado.
Franco que já estava ao seu lado, franziu as sobrancelhas.
— Depois de meses sem conversar, essa é a primeira frase que você me diz? “Era só o que faltava?”
— Eu não estou no meu melhor momento, o que você quer?
— Assim você amassa meu coração príncipe. — Franco dramatizou, colocando uma das mãos em frente ao peito.
— É sério Franco, uma ice por favor, qualquer uma — Tirou dinheiro da sua bolsa e entregou pro vendedor assim que ele disse o preço, logo foi entregue a bebida pra ele.
Franco até esqueceu o que ia comprar quando viu que Pomba estava se afastando da barraquinha, como um cachorro sem dono começou a seguir o moreno.
— Olha só, a gente se pegava antes de você namorar o Enrico, eu sei que você se afastou porque cê começou a namorar, mas éramos amigos também, não é? — Olhou para o lado, comprimindo os lábios — Falando no diabo, soube que ele te deu um chifre daqueles…
Pomba ficou ainda mais impaciente, apertando a long-neck em suas mãos.
— Você veio encher o meu saco em pleno carnaval, é isso mesmo?! Fala mais uma vez dessa porra e eu te dou um soco.
— Calma passarinho, — Levantou as mãos, rendido — eu não tô te falando pra você mostrar suas garrinhas com raiva, quer dizer seria bom pra descontar em mim se quiser, só que a intenção é outra.
Os dois pararam no meio da multidão, perto um do outro para que não se perdessem.
— E qual é? Eu te dar mais uma chance? Vai sonhando ruivinho.
— Eu estava falando da gente voltar a se falar como amigos, mas eu também aceito uma segunda chance de ser usado.
Pomba semicerrou os olhos pela expressão malandra no rosto de Franco, o ruivo passou a língua pelos lábios e Pomba ficou alguns segundos observando os piercings, subindo o olhar e inclinando a cabeça.
— Você gosta de ser esculachado, né? É fetiche?
— Por você? Sim. — Pela resposta, Pomba deu um soquinho no ombro dele, não saindo do lugar.
Era verdade, antes mesmo que começassem a se pegar eles eram amigos e muito bons amigos, se conheceram pela Kemi que começou a namorar Eloy do departamento de música, quase não deram muito certo, mas Franco tinha uma paciência invejável e na época e ele queria conhecer muito mais Pomba que sempre sorria ao redor de Kemi e mais alguns colegas, o guitarrista queria saber se ele podia fazer isso ao seu redor também.
Então encontros na cantina vieram a calhar, caronas no fim das aulas, convites para ver ensaios, foi a forma em que Pomba viu que podia ser quem ele era um pouquinho porque Franco esperaria o tempo que fosse para que ele se revelasse.
E ele sentia que podia ser assim com Franco, mais solto, se achar mais do que era porque pro ruivo era uma realidade inata e sempre bem deixou claro para os de olhos caramelo.
Pomba era um cara espetacular, em todos os sentidos e Franco podia ficar o dia inteiro o observando, escutando, tocando…
Temia não ser eufemismo, podia morrer se não tivesse aquele garoto por perto.
— Hm. — Pomba murmurou em desinteresse fingido.
Franco chegou com a boca perto do ouvido de Pomba, as peles estavam quase a se tocar.
— Poxa você ficou com aquele idiota e eu respeitei sua decisão de não querer falar mais comigo mesmo me doendo muito te perder até como amigo, nem consegui nem mesmo te dizer como foi a minha viagem pra Unifesp!
— E como foi? — Afastou Franco o segurando pelos ombros, o ruivo sorriu um tanto incrédulo.
— Acho que agora não é o momento pra isso, príncipe, mas se deixar mais tarde a gente tem assunto até pra semana que vem!
O moreno negou com a cabeça sorrindo levemente, tudo bem era bom ter aquele tipo de contato com Franco de novo depois de um tempo separados, até que seus olhos, sem querer, foram para trás do ruivo e então sua expressão risonha se desfez.
— Ah não.
Quando Franco se virou ele viu a cena que fez Pomba abaixar o olhar, triste e com raiva.
Era Enrico, o ex namorado de Pomba com a mesma garota que ele traiu Pomba nas fotos, estavam dançando juntos em meio a multidão e era quase impossível não perceber, eles estavam perto demais um do outro.
Que droga, todo mundo da faculdade veio nesse maldito bloco de carnaval? Pensou Pomba, pegando a ice azul e dando um belo gole, ele queria algo mais forte.
Antes que pudesse voltar e perguntar pro vendedor se tinha caipirinha, Pomba sentiu os braços de Franco lhe puxarem pra perto, sentiu o cheiro do perfume de maresia vindo dele, forte, bem pertinho da nuca.
Aquilo era uma armadilha bem ardilosa.
Franco deu o golpe final.
— Pomba, me usa. — Sussurrou suplicante, roçando o nariz na nuca de Pomba que arrepiou olhando para o rosto de Franco, confuso.
— O que?
— É, me usa pra fazer ciúmes nele.
Os olhos verdes mapearam cada traço do rosto moreno, Pomba fez uma careta.
— Eu não quero fazer ciúmes nele, ele não merece isso, ele não merece nada!
— E eu? Eu não mereço nem ser usado? — Começou um carinho singelo na cintura do passarinho com os polegares.
— Franco…
— Só me usa pra se divertir, eu deixo! Só preciso sentir o gosto da sua boca mais uma vez.
Franco sentiu o coração balançar quando Pomba começou a gargalhar, era bom ver que a expressão tristonha evaporou do rosto do garoto.
— Você tá com tanta saudade assim?
Ele viu apenas Franco concordar com a cabeça, como uma criança.
— É carnaval príncipe, aproveita que cê tá solteiro.
Confetes começaram a ser jogados para cima, a banda que acompanhava a multidão começou a batidão e alguns leques começaram a ser batidos pra cima.
“Hoje cê pode me esquecer, é carnaval no Brasil…”
Seus olhos se encontraram, faltava pouco pra Franco se ajoelhar em frente do Pomba se isso fizesse ele deixar que o beijasse.
— O tempo está passando príncipe. — Lambeu os lábios, chamando a atenção do moreno que chiou irritado.
Pomba queria dizer muito mais, que Franco era muito mais pra ser somente usado. Poxa, o guitarrista era uma cara bacana, além de ser bom com a guitarra ele tinha uma marra e uma pegada deliciosa, acima de tudo era um bom ouvinte, companheiro, engraçadinho e certamente as sardas por seu corpo, os piericings dourados e as pontas dos seus cabelos ruivos pintados de pretos era um charme a parte.
A verdade é que Franco era bom demais pra ser só usado, ele com certeza já podia estar namorando qualquer pessoa que quisesse ele é quase como o pacote completo. Como pode Pomba ter aquele cara na palma da mão?
— Tic, tac — Franco começou a dizer, traiçoeiro como uma cobra pronta pra dar o bote — tic, tac...
Pomba abriu um leve sorriso, negando com a cabeça, roçando o nariz com o do ruivo.
— Cala a boca!
Depois de pensar mais de duas vezes, Pomba puxou a nuca de Franco para perto e o beijou com saudade.
“Mas se eu te encontro no fogo eu sou sua, é que eu não aguento sua cara de puto…”
O murmúrio de satisfação do ruivo fez Pomba perder um pouco de sanidade, inclinando a cabeca para aprofundar o beijo.
Eles ouviram alguns assobios junto da música que tremiam dentro do peito de ambos, Franco meteu a língua pra dentro da boca de Pomba com gula sem mesmo esperar, segurando-o pelo queixo com uma das mãos enquanto a outra apertava a cintura de Pomba para puxar ele pra mais perto de seu corpo.
Em meio a bagunça molhada e os arfares dentro da boca do moreno que apertava o seu cabelo ruivo quase arrancando-o, Franco só conseguia sentir ódio.
“Como que aquele idiota traiu essa delicia?” Só de lembrar das fotos que foram espalhadas pelo grupo da faculdade, apertou a cintura de Pomba com firmeza ouvindo-o arfar ainda entre sua boca, segurando sua cintura ao sentir que os joelhos dele falharam por um momento.
Mordeu levemente o lábio inferior de Pomba, sentindo-o puxar seu cabelo para trás apenas para atacar a boca dele mais uma vez e dessa vez, sentindo as mãos quentes de Franco entrarem por debaixo da sua camiseta verde apertando cada parte com devoção, a boca dele descendo para o seu pescoço com beijos molhados.
Pomba já estava em outra dimensão mordendo os labios reprimindo um gemido que estava preso em sua garganta, o maior erro que ele podia cometer era deixar Franco ter um pouco de controle porque ele sabia exatamente como afetar com toques precisos.
Mas antes que pudesse ir junto com Franco para longe da multidão e irem para o fim dessa dimensão, Pomba ouviu um assobio que chamou a sua atenção e apertou levemente os ombros brancos com sardas do ruivo que devorava já perto da sua nuca.
— Merda! — Chiou Pomba, Franco já sabia quem era.
Franco não parou de beijar o pescoço de Pomba, deixando apenas o moreno olhar para o ex, o ruivo começou a receber tapinhas de Pomba para que parasse.
Ele não obedeceu.
— Quando eu vi, pensei que era imaginação minha. — Enrico voltou a dizer, agora perto dos dois.
Não houve resposta, com um pouco de desgosto olhou para as costas de Franco, voltou a debochar.
— Parece que já me superou rápido…
Quando Franco parou os beijos e se virou para encarar o ex de Pomba, o sorrisinho de Enrico se desfez e foi a vez do ruivo sorrir levemente, apertando a cintura do moreno, firme.
— Você!
— Oi pra você também Enrico. — Franco disse com a respiração descompensada e um sorriso maroto, abraçando Pomba pela cintura.
É claro, o motivo principal de Pomba ter parado aos poucos de conversar com Franco foi justamente por causa de Enrico que tinha um ciúme colossal só de pensar no passarinho e no guitarrista juntos, era sempre motivo de briga entre eles.
Agora Pomba podia ver que foi um erro ter deixado de conversar com Franco, acima de tudo eles ainda eram amigos! Como o próprio disse, e ele não era um infiel tarado como certas pessoas, descansou a cabeça no ombro de Franco olhando Enrico ficar vermelho de raiva.
— De tantas pessoas, justo ele?! — Enrico apontou para Franco, embasbacado — Sério?!
— Não te devo mais satisfação de nada, porra, me esquece!
A garota que estava a acompanhando Enrico chegou perto bastante confusa e como se fosse para provar algo, o garoto agarrou a cintura da moça com posse, assustando-a.
— Claro, o guitarristinha devia ter chorado na sua dm quando eu te troquei.
Franco abaixou a cabeça, o ar saiu por seu nariz enquanto sorria desacreditado.
— Não precisei chorar na dm não riquinho, isso eu faço na frente dele. — Segurou delicadamente o queixo de Pomba — Ele gosta.
— Você sabe como convencer as pessoas, manipulador! — Apontou para Franco tremendo de raiva.
— Ah se eu sei! — Entrou na brincadeira, suas mãos saíram da pele morena, indo pra cima de Enrico com uma expressão calma e perigosa — E logo você quer me chamar de manipulador?!
Pomba segurou o braço de Franco que parou calmamente.
— Franco, para, não é hora pra isso.
— Eu não vou fazer nada alarmante, Príncipe.
— Pombinha, a gente pode conversar? A sós. — Enrico ignorou a investida de Franco, olhando apenas para Pomba com um olhar dramático, aquilo não funcionava mais.
— Conversar sobre o que? — Rebateu, arisco e tomando a frente de Franco — Não temos mais nada pra conversar e eu lembro muito bem que pus um ponto final na nossa relação quando terminei com você, Franco--
Cauteloso, Franco empurrou Pomba levemente para o lado, olhando ameaçador para Enrico que não conseguia esconder o tremor nas mãos, bom ele tinha mais massa muscular que o o ruivo, mas as histórias da banda de Franco entrarem em porradaria eram conhecidas pelos corredores da faculdade, ele sabia muito bem dar um soco que desmaiaria Enrico.
O olhar esverdeado tinha um pouco de vermelho fogo, um ódio crescente, Franco mal conseguia imaginar em como Pomba havia ficado quando descobriu a traição. Pior ainda, eles não estavam se falando, estavam longe um do outro e Franco soube isso por terceiros, ele não pôde ser um ombro amigo como sempre foi.
Ah, se ele pudesse voltar no tempo...
— Você teve sorte de que eu estava em São Paulo quando saiu aquelas fotos porque essa sua carinha bonita ia estar vermelha de soco.
Enrico soltou uma risada, tentando devolver o olhar ameaçador.
— É e o que você vai fazer agora? Seu punk! Vai me bater? Tem chance agora, vai!
Apenas pra assustar, o olhar de Franco escureceu ainda mais chegando cada vez mais perto de Enrico que já se tremia todo, aquilo era patético para um homem como Enrico, mas então Franco abriu um sorrisinho, destacando seus piercings dourados da boca.
— Eu vou fazer melhor, mas se continuar a importunar o Pomba, não vou ter pena de estragar o meu punho nessa sua carinha — Segurou a mão de Pomba suavemente, deixando um beijo em seus lábios, passando a língua entre eles — Vamos embora daqui.
Pomba piscou algumas vezes.
— M-mas eu tô com a Kemi--
— É rapidinho, meu bem.
— Pomba não pode fugir assim de mim! — Enrico gritou, recebendo um tapa da mulher que o acompanhava junto de alguns esporros.
Foi tudo o que Pomba presenciou antes de parar em um beco com Franco o prensando contra a parede, escondendo o rosto contra seu pescoço para recobrar a respiração, abraçou Franco fechando os olhos sentindo a quentura do corpo dele contra o seu.
— Você me puxou tão rapido que derrubou a minha bebida. — Lamentou Pomba.
— Eu posso comprar outra pra você.
— Não precisa, tá tudo bem. — Começou um leve carinho nos cabelos ruivos — Eu jurei que você ia bater nele.
— Queria muito, mas me segurei por você — Disse abafado contra o pescoço de Pomba, levantando o rosto — não queria brigar com o seu ex logo depois do nosso primeiro encontro depois de quase... dois meses.
Eles ficaram em sua bolha, a música alta do folião ficou abafada entre o beco e os olhares eram tão cheios de saudades e conforto que não ousariam quebrar aquilo.
Pomba comprimiu os lábios continuando o afago nos cabelos de Franco, levantando levemente os ombros.
— Me desculpa por ter parado de te mandar mensagem eu... eu realmente não queria ter parado mas fui na do Enrico e fui burro e cego demais no começo do meu relacionamento com ele. — Abaixou o olhar, rindo sem graça — O tempo só mostrou que fui burro e cego até o final.
Os olhos de Franco não saiam do rosto de Pomba que era bem expressivo, ele não mentia, sua expressão ressentida era clara, com a ponta dos dedos levantou o queixo do moreno, deixando um carinho com o polegar.
— Não vou mentir eu fiquei bem chateado quando parou de responder as minhas mensagens quando começou a sair com ele, mas isso já passou um pouco, eu só... senti muita e muuita saudades de conversar com você, qualquer coisa.
— Só conversar? — Questionou manhoso com as mãos indo para o rosto do guitarrista.
Franco não aguentou os olhos lindos e suplicantes do passarinho e acabou com a pequena distância que tinham, se beijaram mais uma vez e agora com lentidão, do jeito que se engatar ia parar em mãos bobas, e das mãos bobas em uma cama...
Nenhum dos dois iam reclamar se isso realmente acontecesse.
Agora Pomba não tinha mais timidez, os arfares agora traziam gemidos fracos que Franco só podia ouvir por estar praticamente grudado ao garoto, então os corpos fizeram o mesmo, buscando por algo, mais contato, mais prazer.
— Mais uma coisa, — Franco separou os labios pra murmurar — aquele cara não merece você, nunca mereceu.
— Hm?
— Esse corpo, essa mente, essa boca... — Mordeu levemente o queixo de Pomba, vendo-o estremecer — É muita coisa pra um lixo como ele, você é um cara incrível, inteligente, confiante, merece algo ao seu nível, príncipe.
— E-e quem merece...?
Franco deu uma travada ao ouvir aquele murmúrio, levantando lentamente para olhar nos olhos caramelos.
— Hm?
— Eu perguntei quem me merece, Franco. Você?
O olhar faminto e a boca molhada de Franco mexeu com o ventre de Pomba que o olhava com desejo, o aperto possessivo que Franco deu na carne da cintura de Pomba o fez arfar.
— Sim. Eu mereço isso!
Esbravejou quase como um rosnado, começando a morder, lamber e chupar o pescoço moreno, deixando marcas bem visíveis para não ter dúvidas.
Pomba era seu.
— F-Franco....
— Olha só quem eu achei!
A voz conhecida fez Pomba se encolher instantaneamente, Franco se virou com as sobrancelhas franzidas, impaciente por ter sido atrapalhado mas que logo se desfez ao ver quem estava ali.
— Kemi! Pessoal! — Franco riu quando Pomba se escondeu contra seu peito.
— Graças a Deus! — Kemi gritou, sendo parada de ir até Pomba quando Cindy apareceu com uma mini câmera fotográfica na frente dela.
— Digam xis!
No mesmo momento Franco puxou Pomba para frente, colocou a língua para fora e segurou o rosto do cacheado pra cima, demonstrando os chupões e as mordidas que deixou, o flash da câmera brilhou na cara dos dois tão rápido que Pomba demorou um pouco pra perceber o que tinha acontecido.
— Ah, safadinhos! — Kemi abraçou Pomba fortemente, ouvindo-o resmungar — Era por isso que você tava demorando, eu fiquei preocupada de verdade!
Franco foi para perto de Cindy que olhava pra foto um tanto assustada, o ruivo apontou para a câmera com um sorriso canalha.
— Eu quero essa foto.
— Tava com fome Franco? Quase arrancou um pedaço do garoto e da pra ver claramente na foto! — Observou o lugar Franco e Pomba estavam com nojo — E que insulabridade transar em beco, meo, puta que pariu!
— Quer que eu diga onde já te flagrei com o Caio?! — Cindy empalideceu e ficou vermelha em questão de segundos — No beco é moleza, agora na--
— Cala sua boca!
Franco começou a correr como uma criança atentada enquanto Cindy tentava dar um sopapo bem na cabeça dele, Caio olhava aquilo achando graça, de braços cruzados.
Pomba viu Eloy chegar perto dele e de Kemi.
— Porque que nenhum de vocês me disseram que ele tinha voltado?
— Porra vocês não estavam conversando, né? Vai que ainda estavam brigados, eu não ia me meter nisso não! — Eloy levantou as mãos — E quando ele soube o que o Enrico fez com você ele queria conversar contigo me usando de telefone sem fio pra saber como cê tava, mas eu também não ia me meter não.
— A gente tá indo pra minha casa. — Rondou o pescoço do passarinho com um dos braços, se cansando de correr de Cindy que estava sendo segurada por Caio.
Pomba franziu as sobrancelhas, se apoiando em Franco.
— Estamos?
— Se você quiser... — Franco sussurrou no ouvido de Pomba.
Não demorou um segundo para a resposta.
— Sim, estamos.
— Mas já? — Kemi olhou pra cima — Nem escureceu ainda e a gente tava combinando de ir pra casa do Eloy pra terminar a noite.
Franco suspirou dramático fazendo bico enquanto tentava arrumar uma desculpa.
— Nós dois ainda temos que conversar sobre algumas coisas então...
Bem, não era exatamente uma mentira, mas Kemi sabia onde isso ia dar, semicerrou os olhos pros dois garotos, desconfiada.
— Sei, tô sabendo. — Murmurou, apertando a bochecha de Pomba — Mas vocês vão agora? Ainda vamos ficar mais um pouco.
Franco enfiou a mão no bolso da bermuda que usava, tirando a chave da sua preciosa moto.
— A gente estava indo agora, na verdade. — Arqueou levemente as sobrancelhas — Espera, cadê Alê?
— Recebeu uma ligação do ficante dele e foi embora correndo, deve tá ó! — Kemi bateu a costa da mão na palma da outra — Depois que ele foi embora eu percebi a demora do Pombinha.
— Já que voces já vão — Eloy estendeu a mão pra Franco que apertou — Boa conversa entre vocês.
— Quando chegar mandem mensagem viu, o que tá de policial em blitz aí é brincadeira. — Cindy fez um sinal com a mão indicando "cheio".
— Se dermos sorte, a gente encontra o Aguiar e ele faz a boa. — Franco brincou, recebendo um soquinho de Pomba no peito.
Kemi gargalhou, negando com a cabeça.
— Coitado, trabalhar em quatro dias de carnaval na rua é foda. — Caio disse em meio a uma risada — Boa noite aí pra vocês!
Os dois começaram a ser afastar e se meterem no meio da muvuca para chegarem até onde Franco estacionou sua filhote, quando Pomba ja estava na garupa, ele levantou o visor para conversar com o ruivo.
— Você bebeu alguma coisa?
— Eu ia, mas cê chegou na hora que eu ia pedir uma caipirinha, até esqueci. — Franco piscou, malandro — Eu tô sóbrio, Príncipe, não se preocupa, se segura.
Foi automático, os braços de Pomba rodaram a cintira de Franco o apertando, partiram pro apê do guitarrista.
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⋆ 𖤓 ⋆˚࿔
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Assim que Franco abriu a porta do seu pequeno apartamento, ele foi atacado por Pomba com um beijo que o prendeu contra a porta.
— P-pomba--
Franco estava sendo calado e imprensado contra a porta de entrada, ele só conseguiu ligar a luz da sala enquanto ouvia os estalos e arfares vindo da sua boca junta da do cacheado.
Quando suas bocas se separaram, Pomba não parou nem por um segundo, os beijos desceram pelo pomo de Adão do guitarrista que começava a murmurar xingamentos, apertando os cabelos fofos dele em resposta.
Franco tinha uma pele sensível e Pomba gostava desse fato porque quando o chupava e marcava, aquilo ficava por muito tempo e melhor ainda, Franco não tinha vergonha de mostrar as marcas que o passarinho deixava.
A sensação de posse que Pomba tinha sobre ele era indescritível.
O ruivo chiou, puxando Pomba pelo cabelo para que o encarasse, a boca entreaberta estava fazendo voltas na mente de Franco.
— A gente não ia conversar antes...? — Sussurrou em um descompasso, Pomba sorriu sorrateiramente.
Lambeu os lábios, chegando perto deixandos seus narizes se encostarem observando os olhos verdes se encherem de súplica.
— Podemos fazer isso depois, o que acha? — Sussurrou de volta, as mãos morenas começaram a descer para dentro da bermuda de Franco que tremeu levemente.
— Beleza. — Voltaram a se beijar com tesão, em passos cegos indo até o quarto de Franco, tirando a roupa no meio do percurso.
Assim que chegaram no quarto, Pomba empurrou Franco pra sentar na cama, aos poucos ele se ajoelhou em frente ao ruivo, segurando-se nas coxas cheias de sardas, olhando-o profundamente, bem nos olhos.
Começou a bombear o membro do ruivo sentindo-o endurecer em suas mãos, ouvindo ele gemer em êxtase enquanto segurava uma das coxas dele para que ele não fechasse contra seu rosto.
Não demorou para o pau de Franco estar dentro da sua boca ouvindo o ruivo lamuriar um pouco mais alto, com a cabeca inclinada pra cima, segurando os seus cabelos cacheados para ditar a velocidade, lento, quente, molhado, fundo.
Aos poucos, os dedos de Pomba foram descendo para o seu próprio ponto de prazer, a ponta de seus dígitos já estavam molhados de lubrificação natural esfregando em cima de seu clitóris e logo se enfiou dois dedos, seguindo a velocidade em que Franco fodia sua boca.
— Príncipe eu... — Franco gemeu, tendo espasmos, entregue sentindo seu pau vibrar pelos gemidos de Pomba que estava se tocando — e-eu também quero te provar.
— Não antes de você gozar na minha boca. — Agora Pomba ditava o ritmo
Apertou levemente a extensão fazendo pressão enquanto lambia a cabecinha, Franco olhou aquilo sentindo seu estômago esquentar como nunca.
Ele amou aquela sensação.
— Pomba eu vou... e-eu--
Foi como um comando, a velocidade aumentou e foi o mais fundo que podia dentro da sua garganta, Franco não segurou os gemidos roucos, tendo um pequeno solavanco quando se desfez dentro da boca do passarinho.
Pomba pôs a língua pra fora, deixando um pouco do gozo de Franco cair em cima da glande do ruivo, mas Franco não ia deixar aquilo ser desperdiçado, puxou Pomba pra um beijo sentindo o gosto de si dentro daquela boca.
Pomba subiu para o colo de Franco, arrepiando quando sentiu o pau do guitarrista encostar na sua intimidade, gemeu rente a boca de Franco que o apertou em um abraço, trocando as posições e o jogando na cama.
— Minha vez.
Franco tinha sede e um brilho luxurioso em seus olhos.
Foi beijando por dentro das coxas do passarinho que o olhava manhoso, querendo mais, uma das mãos do guitarrista foi para o pescoço de Pomba segurando com posse enquanto com a outra passava o polegar pela lubrificação de Pomba ouvindo-o arfar surpreso pelo toque repentino, fechando as coxas por reflexo, mas Franco impediu.
— Caralho, isso parece muito bom — Lambeu o polegar molhado de lubrificação, voltando com os movimentos vai e vem na base do clitóris — eu vou me acabar em você príncipe.
E sem avisar, enfiou dois dedos dentro de Pomba vendo-o arquear os ombros, fez mais, enfiou a ponta da lingua para dentro dele, sentindo aquele gosto que ficou com saudades por muito tempo.
— P-Porra! Isso, Franco! — Gritou, puxando os cabelos ruivos enquanto ele socava a língua pra dentro de sua cavidade molhada juntos dos dedos.
Os nervos de Pomba estavam entrando em combustão, puxando Franco para cima vendo sua boca brilhosa e os olhos em êxtase.
— Para, eu preciso de você dentro de mim agora!
Os olhos verdes não pararam quietos em busca de algo indecifrável nos olhos caramelos, mas ele obedeceu, se colocou sentado contra a cabeceira da cama e Pomba ja engatinhava como um leopardo pronto para atacar, pra cima de Franco.
Assim que chegou perto, Pomba guiou o membro, mais uma vez desperto, de Franco até a sua entrada, sentindo-o invadir lentamente, gemeu contra o pescoço do ruivo que chiou em luxúria. Começou a ondular quadril para frente e pra trás, Franco já soltava lágrimas de prazer apertando os lençóis ao seu lado.
— Sem se mexer, senão eu saio de cima de você. — Ameaçou Pomba, começando a cavalgar, ouvindo o ranger da cama.
— Príncipe, por favor...
— Q-quieto!
Pomba se sentia preenchido, suas costas arqueadas enquanto sua boca estava aberta soltando um gemido mudo, explorando as reboladas e cavalgadas em cima de Franco que tinha os olhos brilhantes de lágrimas de prazer, o rosto vermelho destacando suas sardas e as mãos na cintura de Pomba, aceitando o que quer fosse que o passarinho fizesse em cima de si.
Os joelhos dele Pomba não conseguiam aguentar mais, com a respiração descompensada disse.
— Pode se mexer e me tocar Fran--
Não teve hesitação, Franco deitou Pomba na cama segurando as mãos dele em cima da cabeça penetrando o mais fundo que conseguia, ouvindo-o gemer alto arqueando as costas.
Saiu devagar de dentro de Pomba e meteu com força mais uma vez, e de novo, prestando atenção em cada detalhe da expressão de prazer que o cacheado tinha com a sensação de ser preenchido até o talo, a respiração entrecortada com os gemidos arfados e altos quando ia até o fim.
— Eu ainda sei como você gosta. — Disse prazeroso e convencido, vendo Pomba ter solavancos com as estocadas lentas e fundas, segurando sua nuca.
— Franco, d-dentro de... m-mim. — Implorou, manhoso.
— Hm?
— Goza dentro de mim.
O rosto de Franco ficou ainda mais vermelho de tesão aumentando o ritmo das estocadas, o barulho das peles se chocando e o suor estava deixando tudo aquilo mais sujo, gostoso.
— Ah, puta que pariu... — Resmungou Franco quando sentiu que estava perto mais uma vez.
O interior de Pomba se contraiu contra o pau de Franco que soltou jatos quentes dentro do garoto que murmurava manhoso rente ao seu ouvido, os gemidos ficaram mais altos e o prazer chegou ao seu ápice.
Se deitaram juntos, Pomba tinha os olhos fechados aproveitando aquela sensação pós orgasmo e Franco o observava com devoção, com um sorriso satisfeito.
— Eu senti saudades disso.
Pomba riu pela confissão, abrindo os olhos.
— Vamos tomar banho, — Parou em frente a entrada do banheiro, se virando e vendo Franco ainda extasiado — eu posso dormir aqui hoje?
O ruivo se levantou da cama com uma das sobrancelhas arqueadas, indo até Pomba e beijando sua nuca.
— Isso não devia nem ser uma pergunta e sim uma afirmação. — Ouviu o passarinho rir de sua resposta.
Pomba foi o primeiro a entrar embaixo da ducha e logo em seguida Franco entrou também, usaram o shampoo de camomila que a mãe de Franco comprava pra ele desde pequeno e o sabonete de erva verde.
Pra alguém que fumava muito, Franco exalava um cheiro forte de floral, mais do que o cigarro, era surpreendente.
Assim que Pomba saiu do chuveiro, Franco ficou um tempo a mais embaixo da ducha quando a água ficou um pouco mais quente, Pomba vasculhou as gavetas debaixo em busca de uma toalha nova, se surpreendendo ao ver o que tinha encontrado.
— Você ainda guardou o meu anticoncepcional aqui? — Perguntou, também pegando uma toalha e se enrolando.
— Ainda está na validade então... vai que um dia você voltava?
Pomba negou com a cabeça enquanto um sorrisinho apareceu em seus lábios, segurando o remédio.
— Você é inacreditável, mas me salvou agora. — Foi até a cozinha para tomar um comprimido.
Não que seria ruim ter um filho com o Franco, de todos que já ficou, ele era a melhor opção, não só como figura paterna mas também a figura econômica importava.
Franco era herdeiro de uma franquia de lojas de instrumentos de música, Pomba às vezes esquecia desse pequeno detalhe, até mesmo o próprio Franco que quando falavam das lojas ele ficavam um pouco desconcertado, negou com a cabeça dispersando esses pensamentos, voltando para o quarto assim que tomou o anticoncepcional.
Pomba apenas pegou uma camisa preta de Franco para usar, cobrindo até suas coxas e se jogou na cama de solteiro do ruivo, se enrolando no edredom vermelho e laranja.
— Quer que eu ligue o ar? — Franco perguntou já saindo do banheiro secando os cabelos com uma toalhinha.
— Pode?
Franco riu ladino, ligando o ar condicionado.
— Você pode tudo, meu bem.
Pomba se ajeitou na cama, chamando-o com o indicador.
— Vem cá, deixa eu secar o seu cabelo.
Franco obedeceu, se sentando o chão perto da cama, Pomba se movimentou pegou a toalha das mãos dele e começou a secar de forma suave.
— Você ainda não me contou como foi sua apresentação na Unifesp e a sua viagem pra São Paulo. — Murmurou, passando a toalha na nuca do ruivo.
Prestando atenção nas sardas, nas queimaduras e principalmente nas tatuagens que ele fez para cobrir elas.
— Ah é, porra foi demais! De verdade, o tour pela cidade com o professor da bolsa foi uma das melhores coisas que aconteceu, comprei cordas novas pra minha guitarra, cara agora o som ficou bom demais, — Se afastou um pouco para pegar o celular e um cigarro — eu tenho video da apresentação, vou te mandar.
— Deixa eu ver no seu celular.
Não houve objeções, Franco estendeu o celular desbloqueado para Pomba.
— Aliás, quando que você voltou?
— Voltei ontem de madrugada, Eloy me chamou pra ir pro bloco quando eu ainda tava no avião, ainda bem que aceitei — Sorriu canalha, Pomba revirou os olhos segurando um sorrisinho — Ah eu trouxe umas lembranças de São Paulo pra você e para o pessoal também.
Pomba rolou na cama, se enrolando ainda mais no edredom enquanto via as fotos e vídeos na galeria do ruivo sobre a viagem.
— Sério?! Cadê? — Se virou para o ruivo assim que enviou os videos e as fotos da viagem para o seu chat de mensagens.
Franco engatinhou para a mochila preta que levou na viagem e trouxe para perto, em cima da cama, Pomba como um gato curioso foi mexendo dentro tirando algumas coisinhas.
— Nossa, você trouxe até doces asiáticos! Posso ficar com esse? — Mostrou uma embalagem verde e vermelha, era uma bala azeda, Franco concordou.
— Eles foram muito caros, se for ruim eu vou comer com dor no coração. — Sentou do lado de Pomba agora mexendo nas bolsinhas da mochila, tirando de lá uma embalagem pequena — Eu comprei um colar de prata pra você com um pingente de fênix, eu e você.
— Ele é lindo, obrigado. — Franco sorriu ao ouvir aquele murmúrio encantado, deixou um beijo na têmpora de Pomba antes de se levantar em busca de algum isqueiro.
Mexendo um pouco mais na mochila, Pomba sentiu o corpo resetar ao ver uma pequena caixinha preta de veludo, quando abriu ela viu dois anéis de prata, franziu levemente as sobrancelhas.
— Franco, o que é isso?
— Hm? — Quando deu atenção na joia que o moreno tinha em mãos, Franco arregalou os olhos — Ah, cê achou...
— Não era pra eu achar? — Pomba questionou arisco, respirou fundo sentindo o coração apertar com uma possibilidade — Você... tá saindo ou ficou com alguém enquanto estavamos separados?
— Só se esse alguém for você, — Pomba semicerrou os olhos e Franco pareceu ficar um pouco nervoso, acendendo o cigarro — eu... não vou mentir eu fiquei só com uma pessoa depois que a gente parou de se falar, mas só!
— Quem?
— Oi?
— Com quem você ficou?
A resposta não veio de imediato, Franco respirou fundo, bagunçando os cabelos e tragando um pouco do cigarro.
—... Foi com o Henri.
Henri, Henri! Justo o cara no qual era afim de Franco desde que entrou naquela maldita faculdade e ficava zanzando no bloco de música atras do ruivo.
Ele já tirou Pomba do sério várias vezes quando parava Franco para conversar e flertar (coisa que Franco não respondia da mesma forma de volta) e agora ele teve a chance de ficar com o seu Franco?
Pomba piscou um bocado de vezes antes de suspirar.
— Eu vou embora. — Se levantou da cama, com uma carranca no rosto.
— E-ei! Príncipe, não faz assim! — Correu até a porta, barrando a passagem do moreno — Foi só uma vez na ultima festa da faculdade antes da viagem, você estava namorando na época e eu sou solteiro, não sou?
Algo dentro de Pomba quebrou ao lembrar daquilo, claro, Franco não devia satisfação pra ele, justo, Pomba também estava namorando Enrico por quase seis meses.
Bufou, cruzando os braços.
— Mas parece que por pouco tempo, não é? Já até comprou as alianças! Isso é coisa de ter algo sério, não é?
Franco percebeu que Pomba estava com ciúmes, ou algo semelhante, ele até poderia rir daquela situação mas não queria arriscar do passarinho ir embora, então apenas disse calmamente, em meio ao ataque de Pomba.
— Porque elas são pra nós dois, Príncipe.
— E nem vem com-- Como é que é?
Pomba parou na hora.
O que ele está dizendo?
Franco saiu de frente da porta para pegar a caixa de veludo e olhando bem nos olhos de Pomba, se ajoelhou estendendo a caixa.
— Quer namorar comigo…?
...
Pomba franziu as sobrancelhas.
— O que?
Franco começou a ficar nervoso, respirou fundo.
— Eu tô falando sério, tipo bem sério, m-mas se não quiser um relacionamento sério por causa do que aconteceu com o Enrico e a gente ter se encontrado depois um tempo eu entendo, mesmo! E eu sei que esse pedido é bem repentino mas se eu não o fizesse agora, talvez nunca mais.
Pomba abaixou o olhar, pegando a caixinha e se sentando na baixada da cama, Franco se ajoelhou de vez na frente do passarinho, com os olhos hesitantes, mas não ia dar bola pra trás, náo agora.
— Isso você comprou em São Paulo? — Foi cauteloso, olhando para os anéis.
— Não, eu comprei a uns sete meses atrás aqui mesmo na cidade. — Coçou a nuca, ficando vermelho de nervoso — Eu só esqueci de tirar da mochila e guardar.
— O que? Como assim? Não me diz que você…
— É eu… ia te pedir em namoro, mas aí o Enrico foi meio que mais rápido, vagabundo — Pomba arregalou os olhos — e você também não parava de falar dele pra mim quando a gente saía então eu só... desisti com o tempo, mas eu ainda gosto de você, como amigo, companheiro e tudo, você sabe disso.
...
— Por favor, diga alguma coisa sobre. — Implorou Franco em um murmúrio, deixando as mãos descansarem em cima das coxas de Pomba.
O coração de Franco ia pular para fora do peito a qualquer momento enquanto Pomba olhava para aqueles anéis com uma expressão que o ruivo não sabia decifrar o que significava.
Ele ia aceitar?
Ia negar?
Por favor, só uma resposta e--
— Você tem razão, eu não quero entrar em um relacionamento agora, — ah meu Deus Franco já esperava o pior — mas também não quero tentar mais nada com ninguém além de você.
Franco congelou, piscando um bocado de vezes, confuso.
— … isso é um sim? Eu não entendi, eu sou meio lerdinho quando estou nervoso, cê sabe.
O moreno pegou um dos anéis da caixa e colocou no próprio anelar, sorrindo bobo.
— É um sim, mas vamos guardar isso pra gente um pouquinho, ta? — Começou um afago nos cabelos ruivos — Tipo estamos "ficando sério".
Assim que a ficha caiu, Franco colocou o anel que faltava em seu anelar e caiu em cima de Pomba na cama ouvindo-o gargalhar com os beijos no rosto que estava recebendo.
— Quanto tempo eu tenho que guardar?
— Consegue uns dois meses?
Franco fez uma careta.
— Acho que eu morro até lá explodido de ansiedade. — Pomba gargalhou mais uma vez, deixando um beijo nos lábios bonitos de Franco que sorriu gentilmente de volta — Posso sim, príncipe. Até decadas se preferir!
— Voce não aguentaria décadas! — Retrucou Pomba.
— Ainda bem que você me conhece bem.
— Vamos ficar aqui cama? Eu quero te beijar mais um pouco.
— Seu pedido é uma ordem!
Franco iniciou um beijou lento contra os lábios de Pomba que recebeu aquilo de bom grado, os corpos grudados um cima do outro, aproveitando aquela sensação acolhedora e única.
Se Pomba soubesse antes que Franco estava se preparando para lhe pedir em namoro não existiria nenhum universo em que aceitasse o Enrico, porque Pomba gostava de Franco mais do que um melhor amigo a quase um ano.
Ele só aceitou o pedido de Enrico em uma tentativa torpe de se convencer que esses sentimentos além do desejo carnal iriam embora, mas não foram, pioraram com o tempo e a intensidade não podia ser amenizada.
Ele agradeceu naquele momento que o destino estava dando mais numa chance para que ele pudesse ser aceito por Franco, assim como Franco estava de jeolhos para qualquer divindade que lhe concedeu a chance de ter Pomba como mais do que uma simples mão amiga.
Eles aproveitaram aquele momento calmo, mesmo em noite de carnaval, Franco agora deixava sua cabeça descansar em cima do peito de Pomba quando o ouviu murmurar.
— Sabe mudei de ideia.
Franco franziu as sobrancelhas, curioso.
— Sobre?
— Se quiser contar pro Henri e pro Enrico que estamos devidamente em um relacionamento sério e monogâmico! Eu deixo.
Franco gargalhou contra o pescoço moreno que se arrepiou, sentiu os braços sardentos lhe abraçarem com força, como se ele pudesse escapar de seu toque.
— Deixa que eu conto pra eles que eu sou um homem comprometido, monogâmico e acima de tudo fiel somente e apenas por você, príncipe!
