Work Text:
As duas meninas terminaram o colégio, ingressaram na faculdade, se tornaram mulheres…
Tantas coisas mudaram. Pleng decidiu estudar música, agora queria ser professora. Wan seguiu na faculdade de medicina, queria cuidar e ajudar.
Tantas coisas mudaram e tantas outras continuaram as mesmas.
Quando Pleng anunciou um namorado, um colega de faculdade, Wan fingiu estar feliz, mas as duas sabiam que não era verdade. Wan, sendo Wan, deu seu máximo para mostrar indiferença e frieza. Foi lá e arrumou um namorado também, só por vingança, só por birra. Ela sabia muito bem o efeito que teria.
“Acho que durmo na casa dele hoje…” - ela havia anunciado em uma noite qualquer, arrumando a mochila enquanto Pleng, deitada na cama, fingia ver bobagens no telefone - “...é mais perto do campus”
Pleng não falou de imediato, mas a tensão que surgiu era palpável.
“Não acha que ele pode querer algo além de dormir?” - Pleng perguntou, finalmente, tentando fazer parecer que era uma provocação bem humorada, mas acabou soando como uma reclamação.
“E o que é que tem? Não seria nenhuma novidade, afinal somos namorados” - Wan exagerou. Ela nunca tinha dormido com o rapaz, também não tinha interesse em fazê-lo, mas queria que Pleng pensasse o contrário.
“Só namoram há algumas semanas! Isso é sensato da sua parte?” - Pleng deixou o celular de lado e encarou Wan, que tinha ar de riso.
“Você também namora há só algumas semanas, e ontem mesmo passou o dia inteiro na casa do seu namorado, voltou tarde da noite!” - Wan rebateu.
“Mas não dormi lá! Foi só uma visita” - Pleng retrucou - “A mãe dele também estava lá!”
O ping-pong de argumentos mal elaborados continuou até Pleng não conseguir esconder a chateação. Na mesma noite ela terminou o namoro em uma ligação. Wan ouviu atentamente, e conseguiu pegar pedaços como “você foi muito desrespeitoso” e “não gostei! Não é assim que se trata uma mulher”. Dormiram abraçadas, com Pleng fingindo estar triste.
De manhã, quando questionada sobre o namoro, ela disse ao pai que o menino era “cheio de dedos”. O pai, é claro, ficou furioso, quis arrancar a mão do coitado - “Minha filha não é bagunça” - ele havia dito. Foi preciso que a esposa interviesse e lhe garantisse que o namoro estava encerrado.
Depois disso, contrariando as expectativas de Pleng, Wan não terminou seu namoro. Seguiu com a felicidade fingida. Ela fazia vídeo-chamadas, colocava o telefone no viva-voz, e era carinhosa em suas palavras, mas só quando Pleng estava ao alcance. Talvez Wan quisesse machucar Pleng, talvez quisesse que ela sentisse como é ser rejeitada, sentir-se frustrada, enfurecida… Mas a maldade de Wan não durou muito.
Em uma tarde qualquer, enquanto Pleng lia um livro, na cama, Wan fez um comentário sobre comprar roupas íntimas que agradassem o namorado. Pleng não gostou das insinuações e quis dormir sozinha naquela noite. No dia seguinte, Wan terminou o namoro. Coitado do rapaz. Wan disse que precisava focar na faculdade, mas que estava triste por terminar e que iria sentir saudades. É claro que era mentira. Ela apenas o tolerava, não tinha sentimentos reais. Seu coração pertencia, como sempre pertenceu, à Pleng.
O dia que seguiu foi particularmente desafiador na faculdade de medicina. Wan chegou em casa mais tarde, após uma prova que lhe deixou drenada. Ela tomou banho, e não quis comer. Subiu para o quarto de Pleng, que estava na cama, escorada na cabeceira, lendo o mesmo livro de dias atrás.
Quando Wan entrou no quarto, Pleng ficou surpresa, mas soube fingir bem.
“Achei que ia dormir na casa do seu namorado” - ela disse, e soou muito como uma acusação.
Pleng não tirou os olhos do livro, mas não estava mais lendo, Wan sabia.
“Eu terminei com ele” - Wan deu de ombros, se escorando na porta fechada. Pleng ficou em silêncio por um minuto inteiro.
Quando finalmente falou, foi tentando parecer indiferente, olhando por cima do livro - “E por quê…? Achei que gostasse dele…”
“Eu gosto de mulheres” - Wan respondeu com simplicidade. Foi direta, foi firme, foi intensa sem tentar ser, o que fez Pleng corar.
Mais um minuto de silêncio, e Wan desconversou - “O que tá lendo? Te vejo com esse livro há dias” - sentou na beirada da cama.
Pleng respirou fundo antes de responder. Se Wan queria fingir que nada estava acontecendo, tudo bem. “É um livro…” - ponderou, escolhendo as palavras - “... sobre… coisas que os homens não sabem fazer”
“E o que seria? Satisfazer uma mulher?” - Wan riu e Pleng ficou séria.
Elas se olharam até a ficha de Wan cair.
De olhos arregalados, ela perguntou, divertida - “É sério?! É sobre isso?! Você tá lendo pornografia lésbica?!” - riu.
Pleng revirou os olhos, escondendo o rosto atrás do livro - “São contos eróticos! É muito diferente” - mas Wan apenas riu.
Ela se pôs de pé e repetiu. “É pornografia lésbica sim!”
“Não é pornografia!” - Pleng levantou-se rápido, pronta para iniciar uma briga - “E não é lésbico!” - seu tom foi agressivo.
“Ah, esqueci que você é hetero!” - Wan provocou - “Já arranjou outro namoradinho ou já se cansou de fingir que não sabe do que gosta?”
As duas estavam de pé agora, muito próximas, e pareciam prontas para trocar socos e pontapés.
Levou um segundo para que Pleng reagisse. Ela puxou Wan pela gola da camiseta, para mais perto, e antes que ela pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, Pleng beijou-lhe os lábios.
Foi rápido, mas foi o bastante. A faísca que começou o incêndio.
“Entendeu agora?!” - Pleng questionou, muito perto, e quando Wan apenas acenou que sim com a cabeça, voltaram a se beijar.
Beijaram com paixão, uma vontade antiga e um desejo renovado.
Pleng guiou Wan até a cama, se pôs por cima, aprisionando a futura médica entre suas pernas.
“Eu sei muito bem do que eu gosto” - Pleng garantiu, entre beijos.
“Então me fala…” - Wan respondeu, as mãos agora nos seios de Pleng, por baixo da camiseta, apertando com vontade - “...fala, que eu faço”
Pleng não conseguiu, mas também não tentou, segurar o gemido. Respondeu com a voz trêmula de desejo.
“Eu quero que você faça comigo o que os homens não sabem fazer”
