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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-01-29
Words:
691
Chapters:
1/1
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1
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17
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109

Como num sonho que se desfaz ao acordar, ela se torna intensamente erótica

Summary:

Onde eles se beijam (mas eles ainda não existem).

"Quando o ar faltava e ela soluçava, o rosto inteiro tomado por um rubor febril, do pescoço às bochechas ardentes de vergonha, ele a soltava. Sempre. A mesma regra. Ela precisava ir. Por ela e, sobretudo, por ele."

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

“Jane.”

Oh. Teresa Lisbon sussurrava seu nome. Pelo silêncio, já devia ser tarde da noite. Ela estava indo embora — a voz baixa, doce — depois de concluir os relatórios mais urgentes. Agora iria para casa, tomar um banho quente, ficar embalsamada no cheiro do sabonete. Ele imaginou o quão afrodisíaco seria o aroma do recém-lavado, ainda impregnado na pele macia dela, morno, insistente. Não quis acordar. Estava confortável dentro da própria imaginação.

“Jane, preciso que você acorde.”

Ela normalmente não insistia. Apenas anunciava a saída e o deixava dormindo ali, na sala dela, no sofá saturado pelo excesso do cheiro dele e pela delicadeza do cheiro dela. Mas agora insistia para que abrisse os olhos. Ele não podia. Não agora. Não enquanto o perfume do sabonete, aquecido na pele dela, corria solto, ocupando tudo, contaminando a escuridão atrás de suas pálpebras.

“Estou dormindo, Lisbon.”

Ela se agitou. O salto baixo moeu o chão, indeciso. Ele ouviu o jeans se dobrar, o tecido raspando de leve, e então a mão dela pousou em seu ombro. Ela ia sacudi-lo — foi o que concluiu de imediato — expulsar todas as sensações impuras do seu olfato. Mas veio apenas um aperto leve, dedos finos ainda úmidos de hidratante. O xampu de morangos e leite de coco invadiu a penumbra por trás de seus olhos fechados. Ele pensou em frutas maduras, poderia mastigar uma caixa inteira de morangos gordos e molhados, arrancados de um piquenique improvisado.

“Jane…”

A voz dela caiu mais fundo, como se confessasse um segredo que nem o vento deveria ouvir. Então ele entendeu.

Abriu os olhos apenas o suficiente para encontrar o verde pairando sobre ele, o rosto bonito tensionado em negação. Ele sorriu. A mão dormente subiu devagar, como se atravessasse água, e afundou nos cabelos negros, macios, desalinhados. Exerceu pressão na medida exata, deixando que a tração trabalhasse junto do desejo, até que a boca dela, rosada, presa por um segundo entre os dentes, se abrisse e umedecesse a dele. Ela gemeu só com isso, como se aguardasse aquele contato havia horas, e o som bastou para que ele se afastasse por um instante, deleitoso, antes de tomá-la outra vez, esfregando os lábios para sentir a textura quente, viva, da boca dela.

A ansiedade dela vinha primeiro. Não demorou para que a língua serpenteasse, tímida, pela linha dos lábios do loiro preguiçoso, que aceitou de bom grado aprofundar aquela intimidade, enquanto sentia os dedos dela se fecharem com mais força no tecido do seu ombro.

Ele percebia o receio dela no tremor mínimo da boca pequena e cedia à tentação de confundi-la ainda mais, passando os dentes lentamente pelo lábio inferior. Os dedos escorregavam antes de se fecharem com mais domínio nos cabelos junto à nuca; Teresa se arrepiava e enfraquecia sobre ele, os seios cedendo contra seu braço, quase contra o peito. Jane sentia a vontade cruel de puxá-la para cima, de prendê-la entre o sofá e o peso denso do próprio desejo, de apagá-la sob si. Mas nunca passava disso — do beijo quente, do gemido contido, da linha tênue traçada meses antes, entre doses de uísque e o choro por Bosco. Gostava da ideia de que, se a beijasse assim, ela esqueceria quem a havia feito chorar. Gostava também — e talvez mais — da fantasia inútil de um mundo onde pudesse abandonar tudo e desaparecer com ela.

Quando o ar faltava e ela soluçava, o rosto inteiro tomado por um rubor febril, do pescoço às bochechas ardentes de vergonha, ele a soltava. Sempre. A mesma regra. Ela precisava ir. Por ela e, sobretudo, por ele. Jane gostava dessa imagem: como num sonho que se desfaz ao acordar, ela se tornava intensamente erótica, capaz de arrancar dele até os pensamentos mais sombrios.

Fique.

Os olhos verdes vibraram, como se por um segundo fossem líquidos. A respiração dela roçou sua boca, quente, próxima demais, e ele quase a puxou de volta. Quase. Percebeu então que havia falado em voz alta.

“Boa noite, Jane.”

Veio a resposta correta, de quem ainda mantinha a mente no lugar. Ele agradecia por isso. Eles não existiam no agora. Não ali. Não dentro do jogo.

“Boa noite, Teresa.”

Notes:

Eu gosto de imaginar que eles trocaram muitos beijos no sofá. Apenas isso, sinto saudades deles.