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Já passava da meia-noite.
Lorena quase não sentia mais a perna esquerda, que tremia incessantemente desde a última hora. Em uma das suas mãos estava o celular, esperando uma ligação que nunca vinha. Na outra, o resto de um vinho branco que encontrou na adega da galeria. Era sua segunda taça, ou talvez a terceira. Ela não estava mais contando.
Horas antes, naquele restaurante novo que tinham marcado de ir há semanas, Eduarda havia sido direta ao ponto: ela iria para uma operação, e entre todos os lugares possíveis da cidade, essa operação se daria logo na Chacrinha.
Lorena sentia que poderia vomitar o coração para fora de tanta preocupação.
Mas se a sensação até aquele momento era apenas de colocá-lo para fora, o som da campainha da galeria subitamente irrompendo fez o seu coração explodir em mil pedacinhos no interior das suas costelas.
Era ela. Só poderia ser.
Quando abriu a porta, encontrou uma Eduarda exausta, com uniforme pesado dos pés à cabeça e sangue no corpo.
Lorena não cobrou dela uma explicação. Não foi capaz sequer de falar. Apenas a segurou, mesmo com a resistência de Eduarda em receber ajuda, e recebeu a confirmação de que ela não havia sido alvejada. Aqueles eram cortes superficiais. Superficiais, ok. Superficiais significavam que ela continuaria respirando. Lorena poderia conviver com isso.
Foi apenas quando a viu sentada na cadeira do seu quarto, viva e bem (na medida do possível, que seja), que Lorena conseguiu relaxar o mínimo.
“Você quer alguma coisa?” Lorena se sentia idiota. O que deveria oferecer? O que uma policial cansada logo após uma troca de tiros precisaria que ela poderia dar? Lorena era uma inútil. “Água, amor?”
Eduarda deu um sorrisinho. A cor já voltava ao seu rosto, mas ela estava definitivamente baqueada. “Por favor. A porra da viatura não tinha nada além de bala, mas ninguém bebe bala, né?”
Lorena rolou os olhos para sua tentativa de humor mesmo diante da situação. Buscou o copo na cozinha, encheu com mãos trêmulas e aproveitou para levar um pano.
“Me deixa limpar,” ela explicou, diante do rosto confuso de Eduarda ao avistar o pano. “Você. Seu rosto. Tá sangrando.”
“Não é nada demais. Todo mundo leva umas porradas em perseguições,” Eduarda deu de ombros, jogada na cadeira. Lorena se perguntava o peso daquele colete. Ela recriminou por olhar demais a maneira como ela estava vestida — parecia tão forte mesmo em meio à exaustão. Lorena nunca tinha a visto assim. Uniformizada. Pronta para o serviço, armada até os dentes.
“Nada demais, só se for na sua cabeça, sua boba.” Lorena afastou os pensamentos indecentes e se aproximou dela, inclinando o rosto dela para cima com uma mão e passando o pano com a outra.
Eduarda reprimiu uns grunhidos de dor aqui e ali. Lorena tocou o tecido suave nas suas bochechas vermelhas, nos cortes afiados que irritavam a pele. Era tão doloroso vê-la machucada que as lacerações pareciam ter sido feitas no seu próprio corpo também.
“Você tá linda,” Eduarda disse de repente, e Lorena corou violentamente. “Fica linda de branco, sabia?”
“Vê se fica quieta até eu terminar,” ela reclamou, mas suas bochechas continuariam vermelhas por um bom tempo.
Seguindo suas ordens, Eduarda apenas deu uma risadinha e acariciou sua cintura com uma mão suja de pólvora. A poeira marcou seu babydoll claro, mas Lorena estava com a mente em um lugar distante demais para se preocupar com manchas.
A palma de Eduarda era impossivelmente quente. O rastro do seu caminho continuou na sua carne mesmo após deixar de tocá-la, e alcançou lugares de Lorena que ela não queria admitir.
“Pronto,” Lorena anunciou, quando o estado do seu rosto já tinha melhorado. Sua voz falhou, apenas um pouco. “Quase novinha em folha.”
“Obrigada, amor. Eu só preciso descarregar minha arma, agora,” ela murmurou, séria outra vez. Lorena estava aprendendo a interpretar aquele rosto. Era Eduarda no modo policial falando. “Não vou conseguir pregar os olhos com um revólver carregado por aqui.”
“Claro, tudo bem. Posso fazer alguma coisa pra te ajudar?”
“Vai me ajudar esperando na cama, longe de mim,” ela respondeu, já se virando para a outra direção. “Essas porcarias às vezes disparam sozinhas, amor. Não quero correr nenhum risco com você.”
Lorena pressionou os lábios juntos e preferiu não objetar. Agora, sentada na cama, nas mãos o copo com o restante da água e um pano agora sujo de uma mistura de pólvora com sangue, Lorena se permitiu finalmente observar a namorada na frente do espelho.
Eduarda estava tirando o revólver do coldre preso na cintura, parecendo avaliar o estado do cano, até pressionar em algum lugar que Lorena não entendia. Dentre os compartimentos da arma, se sobressaiu um tambor cilíndrico escuro e empoeirado, e Lorena poderia jurar que sentiu um cheiro metálico no ar.
Deixando escapar um grunhido ao se mover, Eduarda se inclinou para frente e virou o revólver para o lado. Dele caíram pelo menos três balas na cabeceira em um barulho feio e agudo, mas que logo foi interrompido quando Eduarda coletou as cápsulas quase mecanicamente. Guardou todas elas em um estojo preto com divisórias, que deveria ser algum tipo de porta-munição. Ele logo desapareceu entre seus vários bolsos, e o revólver voltou ao coldre, agora vazio e inofensivo.
No reflexo, o rosto dela parecia abatido. Eduarda ainda estava suada, mesmo no ar condicionado, e agora apoiava a cabeça nas mãos, esfregando a cara com dedos arrastados. Lorena não sabia se já tinha a visto assim antes, quase derrotada. Estava tão acostumada com uma namorada durona e implacável em todas as suas piores horas que às vezes se esquecia da realidade que ela encontrava nas ruas, e o preço que pagava por isso.
Ela assistiu Eduarda ir para o outro lado do cinturão, vasculhando algo naquele bolso. Remexeu uma, duas vezes, as pernas largadas para os lados agora se agitando. Ela enfiou a mão com mais força (e bem menos paciência), e então algo finalmente caiu de dentro; e se Lorena viu certo, era o seu distintivo.
Eduarda resmungou alguma coisa, se curvando para pegar no chão, mas então reclamou de dor com um palavrão inconformado. Lorena zarpou do seu lugar na cama em direção à ela sem nem processar a decisão do movimento. Ela pôs o copo de água e o pano sob a mesa, se acocou no chão e soltou um, “Deixa que eu pego,” enquanto apanhava o distintivo.
Foi só quando se levantou para entregá-lo que percebeu que ele também estava sujo de sangue.
Lorena observou aquela coisa. Era pesada para o tamanho, com uma corrente fina ao redor e um acabamento atrás que se assemelhava a couro contra os seus dedos. O Brasão de Armas de São Paulo, todo brilhante e dourado, agora parecia bem menos glorioso com tanto sangue seco por cima.
Lorena sentiu um peso maior do que aquele na sua mão ao olhar para Eduarda. Seus olhos sempre entusiasmados estavam opacos, e ela tinha um resto de fuligem na maçã do rosto que havia se recusado a sair. Um risco vermelho-claro no lábio superior acusava um corte superficial que passaria a inchar nas próximas horas, e ela cheirava a metal, suor e algo ainda mais forte.
De repente, um egoísmo cruel permeou no seu peito, e pensamentos ruins cruzaram sua mente. Como aquela cidade se achava digna do sangue dela? Nenhum deles tinha o direito. Não, não ela, não a sua Duda, sua Juquinha, que era teimosa e cabeça-dura e boa demais para sangrar por aquelas pessoas.
Ela, eles não poderiam ter. Não teriam porque já era dela. Eduarda era de Lorena primeiro. A maldita cidade de São Paulo e o resto do mundo inteiro viriam depois.
Lorena atirou o distintivo sob a mesa e se inclinou até poder beijá-la na boca. Você é minha, ela tentava dizer, se comunicando na língua mais antiga dos homens. Só minha.
À princípio, Eduarda se sobressaltou contra ela. Talvez pelo contato inesperado, ou então pela força que Lorena a beijava agora. Ela quase sempre comandava seus beijos, guiando o caminho que elas trilhariam juntas, mas desta vez era diferente. Até mesmo Lorena estava começando a perceber isso. O encontro desajeitado dos seus narizes, a maneira incisiva que seus dentes capturavam o lábio inferior de Eduarda e soltavam em um som molhado… os sons sôfregos que escapavam das duas, em uníssono, preenchendo todo o silêncio.
Aquilo era diferente. Diferente das outras vezes.
Lorena foi surpreendida de volta pelas mãos de Eduarda apertando seus braços como se quisesse marcá-los à ferro e fogo. Sua namorada era pequena e esguia, mas a trouxe para baixo com uma força que Lorena sequer teve chance de resistir. Ela só teve o tempo de reação para abrir as pernas e poder se encaixar no seu colo até finalmente estar lá pela primeira vez.
Ela soltou o ar dos pulmões de um jeito quase desesperado. Eduarda era quente e surpreendentemente rígida debaixo dela, e as coxas de Lorena logo trombaram nos seus aparatos metálicos, enviando reflexos agudos para o centro das suas pernas, este que estava se tornando cada vez mais exigente.
Lorena se sentia mais consciente daquela parte do seu corpo do que nunca antes. Foi por isso que enlaçou o pescoço de Eduarda com os braços e fez um movimento automático com os quadris na direção dela. Era um vai-e-vém que seu corpo a jurava que seria bom, e porra, como ele estava certo. Lorena se arrepiou inteira, arriscando se esfregar novamente contra aquele colo coberto pela calça tática, e mordeu os lábios com força quando a fricção chegou em algum ponto sensível que parecia invadir de fora para dentro dela.
“Amor,” Eduarda a chamou contra um dos seus ouvidos, as mãos agora tomando posse da sua cintura. Não controlando nem parando, mas se unindo ao movimento. “Ei, ei. Devagar.”
Lorena respirava em goles de ar. Ela uniu os seus rostos, descendo o nariz por uma bochecha suja de pólvora, e então beijou logo abaixo do osso do maxilar. “Eu quase perdi você hoje,” ela contrariou. “Não me pede pra ir devagar.”
“Não é pra tanto,” Eduarda deu uma risadinha seca, mas que soou cansada o suficiente para provar o ponto. “Tô viva, não tô?”
Lorena usou as mãos livres para segurar o rosto dela. “Tá,” ela concordou, dando um sorriso pequeno e exasperado. O rosto de Eduarda estava sorridente e corado, tão bem e tão perto dela. Viva, sim. Ela estava perfeitamente viva, e Lorena precisava dela mais do que nunca. “Me deixa comemorar isso, então. Me deixa te sentir aqui, comigo.”
Eduarda a examinou por um instante. Uma das mãos que estava na sua cintura subiu até seu queixo. Ela segurou ali com o polegar com delicadeza, e então a trouxe para um beijo inocente.
“Eu sempre vou estar com você, ok?” Sua fala tinha gosto de promessa. “Mesmo longe… mesmo, sei lá, no fim do mundo. Eu vou, mas eu sempre volto.”
“Eu te amo,” foi o que Lorena conseguiu dizer, tomada pelaemoção do momento. Ela a beijou de novo, então mais uma vez, apanhando seu lábio entre os dentes e movendo os quadris daquela maneira que arrancava um som sôfrego da própria garganta. “Eu te amo, te amo tanto,” Lorena dizia em um mantra sôfrego, beijando sua testa, o espaço entre suas sobrancelhas, a ponta do seu nariz, seu queixo, seu pescoço. Ali ela se demorou, se movendo como um gato manhoso, apossando-se dela como quem tem todo o direito.
“Amor,” Eduarda a chamou pela segunda vez na noite. “Ei, olha pra mim.”
Lorena deu outro beijo na pele sensível daquele pescoço, até sair dali e voltar a encará-la com falsa inocência.
“Que foi?”
Ela assistiu Eduarda suspirar diante da sua famosa pergunta.
“O que você quer, hm?” Eduarda perguntou, a voz pesada por motivos bem diferentes do cansaço. “Fala pra mim.”
Lorena sorriu com o lábio inferior entre os dentes e a deu um beijo de esquimó. “Eu preciso de você, Duda,” ela sussurrou, e seu coração quase escapou de dentro do peito. “Eu quero você agora.”
Eduarda levou uma mão ao seu pescoço, como se seus dedos pertencessem ali. Encostada preguiçosamente na cadeira do quarto, com o cabelo arruinado, o rosto suado e aquela maldita farda com colete pesado, ela arrancou um som vergonhoso de Lorena só por meramente existir.
“Ah, então é isso que você quer?” Eduarda sorriu travessamente ao escutá-la, acariciando sua bochecha com um polegar. Seu próprio rosto corava violentamente, talvez pela maneira que Lorena se movia, pelos sons que ela soltava, ou pela proposta que surgia. Talvez pelo conjunto completo. “Você… você se sente pronta?”
Lorena suspirou, aninhando-se contra a sua mão. Então abriu os olhos de novo, e havia uma fome neles que ela nem imaginava.
“Eu esperei por você a vida toda, Duda,” ela arfou, e, em um surto de coragem, tomou aquela mão na sua e a levou até o meio das suas pernas, contraindo as coxas no primeiro contato e soltando um suspiro demorado. “Por favor...”
Eduarda olhou para seus dedos, então para o rosto vermelho de Lorena, e sua expressão se transfigurou de preocupação para o modo ação. Para a sua revolta, porém, ela apenas pressionou uma vez antes de tirar a mão dali e movê-la para sua coxa desnuda.
“Se inclina pra trás e coloca os cotovelos na mesa,” Eduarda deu a ordem. Sua voz soava diferente agora. Ainda havia ali o tom rouco e arrastado do desgaste físico, mas o comando era claro e direto, arrepiando todo o seu corpo. “Mostra o que você tem pra mim.”
Lorena soltou o ar com força e fez o que ela mandou, se sentindo mais exposta do que nunca. Ela não era nenhuma santa, claro, mas aquilo era novidade. Mesmo que tivesse perdido as contas das vezes que se masturbou pensando nela, nelas, era sempre na constrição privada e segura do seu quarto. Nunca sendo vista, nunca com Eduarda tão perto.
Afastando os pensamentos traiçoeiros, Lorena espaçou um dos cotovelos para trás, apoiando-se na cabeceira e usufruindo da elasticidade dada pelo yoga, então entreabriu mais as pernas acima do colo da namorada. Seu babydoll era um vestido branco, fino e indecente, que mal chegava na metade das suas coxas, então ele já subia até quase a altura da sua barriga naquela posição.
O ar frio alcançou sua calcinha e fez sua respiração vacilar. Lorena se sentia pulsar, o batimento cardíaco concentrado naquele ponto nevrálgico insistente, como se seu coração agora fizesse morada ali.
Os olhos escuros de Eduarda a fitavam com uma intensidade que Lorena nunca tinha visto antes.
“Eu falei pra me mostrar,” ela a lembrou pacientemente.
Lorena umedeceu os lábios e notou que o inferior tremia. Sua mão esquerda desceu pelo próprio corpo, vacilando até chegar à calcinha. Ela se tremeu quando finalmente se tocou e sentiu um círculo molhado, que atravessava o tecido de algodão enquanto ela se abria com dois dedos. Será se Eduarda também perceberia aquilo? A vergonha e o tesão invadiram Lorena simultaneamente, nublando seus pensamentos.
“Hm, isso,” Eduarda deu um daqueles sorrisos faceiros que eram sua marca registrada, e Lorena se tremeu de novo. “Sim, eu tô vendo você. Perfeita, amor. Você tem ideia disso? Tem ideia do quão boa é pra mim?”
Lorena abaixou o rosto, alguns fios selvagens caindo para a frente e mascarando seu rubor violento. Ela não sabia se choramingava pela sensação do seu dedo médio roçando ali ou pelos comentários da namorada sobre o quão molhada ela já estava antes mesmo que começassem de verdade.
As mãos de Eduarda continuaram passeando pelas suas coxas. Ela subiu um pouco mais e apertou sua bunda por um momento, fazendo Lorena vacilar, então logo voltou para baixo, próximo aos joelhos.
“Vai devagar pra mim agora,” Eduarda disse. “Faz como você faz quando tá sozinha.”
Capturando o lábio inferior para dentro da boca, Lorena fechou os olhos e se concentrou nos elogios da sua namorada. Ela massageou o tecido macio contra seu clitóris, babando os dedos em uma umidade que não parecia acabar. Seu quadril estocava para frente sem que controlasse, reagindo naturalmente ao estímulo, e então ela passou a se mexer de cima para baixo, usando mais dedos, mais pressão e mais velocidade, do jeito que ela gostava de fazer, por uma quantidade de tempo indefinida que se arrastava infinitamente naquela sensação divina.
“Devagar,” uma voz irrompeu de repente, a arrancando do seu torpor paradisíaco. Lorena percebeu que agora suas têmporas suavam e ela já gemia em alto e bom som. Ela parou os movimentos diante da ordem de Eduarda e se envergonhou dos barulhos que estava soltando sem nem perceber.
“Ei,” Eduarda falou de novo, mais suave desta vez, apertando suas coxas para chamar sua atenção. “Pode tirar a mão. Tira a mão pra mim, amor.”
Trêmulos, os dedos de Lorena se afastaram da calcinha. O cheiro inconfundível de sexo surgiu. Ela baixou o olhar para sua mão e afastou o dedo médio do anelar. Duas linhas molhadas se esticaram, formando uma ponte translúcida e úmida entre os dedos, e ela se assustou com o quanto havia ali sem nem que tivesse gozado.
Quando voltou a fitar Eduarda, ela sorria só com os lábios, a assistindo todo esse tempo. “Perfeita,” ela repetiu, quase como um devoto falando com um de seus deuses do panteão grego. “Fala pra mim o que você quer.”
Lorena mexeu o quadril inquietamente. Estava mais consciente do próprio corpo do que nunca. Seu clitóris pulsou dolorosamente quando ela se esticou para frente e beijou um pescoço igualmente suado.
“Eu tô quase,” ela sussurrou manhosamente, movida pura e unicamente pela pulsação entre as pernas. “Eu quero gozar pra você, amor. Tô quase…”
“Tá quase, é?” Eduarda levantou o queixo, o rosto empoeirado adquirindo uma confiança que a deixava irresistível. “Já tá quase gozando pra mim sem eu nem te tocar, é isso mesmo?”
“É…” Lorena admitiu com um bico nos lábios, sem ar suficiente nos pulmões para falar com mais dignidade, e se empurrou para baixo impacientemente—
Oh.
Sua calcinha macia e molhada encontrou o tecido grosseiro do uniforme tático com uma força inesperada. O contato duro maltratou seu clitóris e Lorena soltou um gemido surpreso, choramingando o nome de Eduarda sem poder se conter.
Lorena então escutou uma risada satisfeita que esquentou todo o seu baixo ventre. Sem querer saber de mais nada, ela se esfregou daquele jeito de novo, usando aquela coxa para o próprio prazer, e então a mão de Eduarda levantou seu pescoço de supetão, sem aviso prévio que a preparasse.
“Eu sempre soube que você tinha alguma coisa por esse uniforme,” sua namorada apertou os dedos, só de leve, mas o suficiente para tirar o pouco de ar que a restava. “Infelizmente, acho que não podemos fazer muito barulho, amor. Bora ver se você consegue gozar sem acordar a casa inteira.”
Lorena se apoiou no ombro de Eduarda, e a outra mão segurou o braço daquela que se fechava no seu pescoço. Eduarda poderia sentir todas as vibrações da sua garganta daquele jeito, e Lorena precisaria fazer silêncio se não quisesse batidas na porta. Mas, porra, ela estava tão molhada e a constrição no seu pescoço a tornava tão aérea…
Ela rebolou desesperadamente contra sua namorada, lutando contra os próprios sons, mas perdia na maioria das vezes.
“Quieta, agora,” Eduarda a reprimia e apertava mais ainda quando um gemido escapava, mas, contra sua intenção, isso só deixava Lorena mais desesperada. “Fode a minha perna calada, tá me ouvindo?”
A cabeça de Lorena rolou para trás quando as ondas familiares do orgasmo começavam a se aproximar. Sua calcinha já estava quente contra a pele sofrida que continuava a se esfregar, ou talvez fosse a própria pele que estivesse em chamas. Ela foi mais firme, indo mais para baixo, demorando mais contra aquele músculo rígido do quadríceps de Eduarda, e o tempo e espaço não existiam mais. Só existia ela, e o calor, e a fricção, e Eduarda, e Eduarda, e Eduarda, porra, Duda—
Uma mão firme a afastou daquela coxa em um único movimento, e Lorena soltou um gemido sôfrego de desespero tão alto que se arrastou mesmo com os dedos na sua garganta.
“Desculpa, linda, desculpa,” Eduarda beijou seu rosto vermelho e suado, várias vezes, sorridente e satisfeita em contraste à expressão reclamona de Lorena. Ela apertou sua bunda de novo, mais forte desta vez. Ela devia estar adorando aquilo. “Houve uma pequena mudança de planos. Você só vai gozar comigo dentro de você.”
Aquela frase espalhou uma onda elétrica por todo o seu corpo. Comigo dentro de você. Ela sentiu cada ponto de nervos reagir àquelas palavras e à ideia que elas representavam. De repente, aquilo era tudo que ela queria na vida, e a única coisa possível no mundo.
Lorena não poderia esperar mais.
“Então me fode,” Lorena se pegou pedindo, quase implorando. Suas pernas se fechavam contra as de Eduarda por conta própria, e seu clitóris já reclamava da negligência. “Eu quero você, eu… eu preciso de você agora, amor—”
“Shh. Deixa comigo,” Eduarda prometeu no seu ouvido, pondo as mãos calejadas por debaixo das suas pernas, e a carregou para fora da cadeira como se Lorena não pesasse nada. A diferença de alturas fez com que Lorena tivesse que se agarrar nela, e ela fechou as mãos naquele maldito colete como se sua vida dependesse disso.
Eduarda a colocou na cama com todo o cavalheirismo que Lorena já conhecia muito bem. No seu olhar, porém, havia uma fome muito menos honrada do que isso. Foi assim que a segurou contra as colchas macias, usando seu peso para ficar por cima. Lorena não era nenhuma experiente, mas suas pernas pareciam agir por conta própria quando se fecharam na cintura de Eduarda por instinto.
Sua namorada se sentou sob as botas grosseiras, tomando o próprio tempo para admirá-la. Lorena se tornou ainda mais consciente da sua atual situação: deitada provocativamente sob aqueles lençóis caros, com o cabelo bagunçado e lábios que estavam meio dormentes dos seus beijos. Seu babydoll já subia pelo seu abdome, e sua calcinha só havia se tornado ainda mais molhada desde então.
“Eu amo você,” Eduarda soltou contra o silêncio, falando quase sem ar. Em todo o seu uniforme grosseiro e marcas do ofício, Lorena também nunca a amou tanto. “Amo tudo o que você diz,” uma mão no vão entre seu quadril e a coxa esquerda, apertando. “Tudo o que você faz,” um beijo longo no vale suado dos seus seios. “Tudo que você é.”
As mãos de Lorena encontraram seus cabelos quando Eduarda começou a brincar com seus peitos. Afastando o babydoll do caminho, ela dava atenção a um, depois a outro, usando a língua e os dentes e os dedos para morder, puxar, acariciar, pressionar. A pele pálida e incólume dali logo se tornou rósea pelos seus maus-tratos, e Lorena se envergava para cima, contra aquela boca e aquelas mãos, refém do torpor sôfrego que ela proporcionava.
Eduarda então olhou para baixo, orgulhosa do seu trabalho. O vale daquele tórax estava se tornando repleto de marcas que floresciam vagarosamente, e agora estava coberto por fios de saliva que secavam no ar condicionado e faziam a pele se arrepiar pelo contraste de temperaturas.
Lorena estremeceu, mais ansiosa do que nunca.
“Am—”
Antes que terminasse sua reclamação, uma boca confiante tomou a sua em um beijo que arrancou seu ar e suas palavras em um mesmo golpe. “Paciência,” ela disse, sorrindo de canto como uma raposa travessa, e então sua mão destra encontrou a calcinha de Lorena, arrancando dela um gemido manhoso quando finalmente se livrou daquele tecido e fez o ar gelado encontrar sua pele quente e úmida.
“Mais…” Lorena se pegou insistindo, empurrando-se para baixo, contra aqueles dedos ágeis e experientes. Já não se importava com o próprio desespero. A necessidade por Eduarda falava mais alto que o seu orgulho.
Eduarda deu uma risada grave, então pegou seus pulsos com a mão livre, trouxe para cima, mexeu os próprios quadris, e—
Porra.
Lorena quase se soltou da algema improvisada quando sentiu a primeira estocada.
Com a palma imóvel, dedos fundos no seu clitóris e sua entrada, Eduarda usava os quadris encaixados entre suas pernas para empurrar a mão para frente, somado ao peso do próprio corpo e do uniforme que ela vestia.
“Isso,” ela ouviu Eduarda arfar, todo o corpo fazendo força, se movendo contra o dela em estocadas firmes. “Tão molhada, amor. Tá sentindo? Abre mais pra mim.”
Lorena poderia morrer naquele instante e sua vida valeria a pena. Eduarda a sufocava com aquela roupa grosseira e seus movimentos bruscos, e ela suava em um frio de quinze graus. Seu clitóris pulsava com aquela fricção, com o calor daqueles dedos, com a velocidade que eles se esfregavam nela, com os mergulhos daqueles quadris…
Mas ainda não era suficiente.
“Dentro,” Lorena gemeu, os pulsos ainda presos, os seios sensíveis pelo ataque anterior roçando no colete áspero de Eduarda e a fazendo choramingar com a sensação. “Eu preciso de você—”
Ela não precisou dizer de novo.
Eduarda parou as estocadas, beijou sua testa suada, e Lorena quis chorar de tanto amor que não parecia ser capaz de ser armazenado dentro do seu corpo. Ela só não o fez porque Eduarda não permitiu, e ela não permitiu da melhor maneira que poderia existir.
“Me avisa se eu te machucar,” foi a única coisa que ela disse contra os seus lábios antes de introduzir nela dois dos seus maiores dedos e estocá-los fundo com um único movimento dos quadris.
Lorena viu estrelas.
Eduarda ia tão fundo. Mais do que Lorena achava ser possível. Ela preenchia, abria espaço, se forçava para dentro de um lugar que não parecia pronto para recebê-la, mas que estava adorando aquilo da mesma maneira. Os sons molhados de sucção eram tão altos que Lorena estaria envergonhada se o tesão não estivesse dominando sua mente como um cio. Eduarda mal saía de dentro dela e Lorena tinha a impressão que seu corpo já a puxava de volta, se movendo junto das suas bombeadas.
Sua namorada então começou um ritmo cruel, e Eduarda nunca era cruel — mas Lorena estava aprendendo que ela sabia ser quando precisava colocar a energia e o caos para fora. Ela estocava com grunhidos e suspiros pesados, o rosto fundo no seu pescoço. Vez ou outra, seus dentes apareciam e Lorena revirava a cabeça para trás quando sentia Eduarda mordê-la ali. Era como se cada parte do seu corpo estivesse tomado, das suas mãos presas por apenas uma dela até as suas pernas, forçadas abertas por um quadril que se empurrava para baixo cada vez mais rápido.
O mantra de ah e oh se tornou uma sinfonia imperfeita naquele quarto, rasgando a garganta de Lorena a cada segundo. Parte de Lorena queria tocá-la de volta, beijá-la ou até inverter suas posições, mas era muito pequena naquele momento. Na limitação caótica do seu raciocínio, Lorena sabia que Eduarda precisava daquilo, e ela seria a última a negá-la alguma coisa enquanto era fodida daquela maneira.
A melhor parte, e a que mais envergonhava Lorena, é que ela não obedeceu propositalmente ao pedido de Eduarda momentos antes. Me avisa se eu te machucar. Naquele ritmo, a dor das estocadas estava se tornando a sua parte favorita, e Lorena se desmanchava deliciosamente com isso: com a ardência da fricção, tanto nos seios contra o colete quanto entre suas pernas; com o terceiro dedo que Eduarda introduzia ali com uma risadinha satisfeita, alargando ainda mais o caminho; com a sensibilidade aguda de um lugar até então só explorado por ela mesma, em toques furtivos e delicados.
Eduarda a fodia com todas as letras da palavra, e Lorena talvez nunca mais quisesse outra coisa.
O peso do corpo cima do dela, a intensidade das sensações nos pontos mais sensíveis do seu corpo e a maneira que ela estava sendo usada estavam construindo uma onda dentro dela que Lorena só poderia esperar por um maremoto. Começou com uma maré crescida, então se tornou uma correnteza, e agora já se quebrava contra as pedras do restante da sua consciência.
E então Eduarda parou. Não parou, parou — mas seu ritmo diminuiu bruscamente de repente. Lorena arfou, a garganta seca demais para reclamar. O rosto de Eduarda se aproximou de volta e ela a deu um beijo ardente, puxando seu lábio inferior com os dentes.
“Eu tô sentindo você perto,” ela estocou mais uma vez, mais pesado desta vez, arrancando o ar dos seus pulmões e rangendo a cama. “Tão boa, amor. Me recebendo tão bem, tão boa. Você nasceu pra mim.”
O ritmo agora era lento, mas Eduarda ia impossivelmente mais fundo. Tudo de Lorena parecia estar sendo tomado por ela, carimbado pelos seus dedos longos e esguios. Sua namorada fazia um movimento como se quisesse chamar alguém, pressionando algo dentro dela toda vez que se empurrava que a fazia ter a visão escurecida.
Lorena flutuou no que ela dizia. Eduarda passou a grunhir o quão apertada ela era, o quão bem a recebia, o quão gostoso era comê-la. O quanto Lorena era dela agora e o quanto dela também sempre tinha sido de Lorena. Eram elogios sincronizados a estocadas ritmadas, tão certas e completas que Lorena gostaria que nunca tivessem um fim.
O maremoto cresceu tanto dentro dela que superou o nível das nuvens, alimentando-se para acima da atmosfera. A dor era profunda e deliciosa. Ela não mais se forçava contra aqueles dedos, mas rebolava neles, aproveitando o quão longe eles iam. Não havia mais nada dentro dela que Eduarda não conhecesse. Não havia mais nada dela que Eduarda não tivesse.
E foi com o nome dela na boca que Lorena finalmente chegou lá, a onda do tsunami se quebrando em infinitas estrelas que permearam sua visão como o nascimento de uma galáxia.
Eduarda chegou depois, gemendo no seu ouvido, e não saiu de dentro dela.
Sua outra mão libertou seus pulsos. Lorena arquejou com a dor momentânea nos músculos, e então segurou o rosto dela com dedos trêmulos. Qualquer movimento brusco a lembrava que sua namorada ainda estava a preenchendo, e Lorena mordeu o lábio inferior com a sensibilidade extrema pós-orgasmo antes de beijá-la.
As duas arfavam. Um dos cortes no rosto de Eduarda tinha voltado a sangrar, e seu uniforme agora também cheiraria a sexo, somado à pólvora e poeira e suor.
Mas isso pouco importava à Lorena. Principalmente quando Eduarda voltava a se mover, apenas meros milímetros, ameaçando tudo outra vez.
Ela deu um sorriso fraco, amolecida por debaixo dela, refém dos seus anseios. “Você ainda vai me matar.”
“Não é pra tanto,” Eduarda repetiu a frase de antes, dando um sorrisinho travesso e cansado, de orelha a orelha, e seus olhos brilharam em afeto desmedido.
Lorena a amou tanto naquele instante que era impossível falar. Então ela fechou as pernas contra sua cintura e a beijou, torcendo para ser entendida. E Eduarda, sempre com aquela maldita cabeça esperta demais para o próprio bem, não demorou muito para decifrá-la.
