Chapter Text
“Eu tenho uma surpresa pra você, sabia?”
Lorena bufou na mesma hora que escutou aquela frase. Ela sentia que poderia eclodir em múltiplos pequenos frangalhos, quase como confete de festa infantil, toda vez que Eduarda soltava algo assim. E, para seu azar, Eduarda já tinha aprendido há muito tempo que as suas promessas eram capazes de deixá-la assim, mais brilhante do que fogos de artifício.
Ela se remexeu impacientemente na cama larga da sua namorada, afogando suas expectativas com uma birra quase infantil. “Ai, não. Nem vem com esse papo de novo.”
Em pé na sua frente, Eduarda até que era uma tentação. Ela vestia sua calça de moletom e regata preta rente ao corpo, e seu cabelo estava preso daquele jeito despreocupado que Lorena adorava.
Mesmo assim, Lorena poderia tentar socá-la até soltar o que seria essa bendita surpresa, por horas a fio, sem remorso algum.
Mas só tentar, é claro. Maldito treinamento policial.
“Não entendi, amor. Que papo?” Como se lesse seus pensamentos homicidas, Eduarda sorriu com sua típica falsa inocência, soltando restos de fumaça ao falar. O beck entre os seus dedos já estava quase terminando. “Isso é falso testemunho, tá? Não é crime nenhum surpreender sua namorada.”
“Isso se torna crime quando você faz de propósito só pra me deixar maluca de ansiedade com essas suas ideias. Eu vou te processar, é sério.”
“Vai, é?” Sua namorada se aproximou, então segurou seu rosto com uma das mãos e apertou suas bochechas. Lorena até deu língua, mas Eduarda a beijou antes que se soltasse. “Pena que você já é maluca por mim naturalmente. Vira um processo sem causa, né?”
Lorena sentiu a cara queimar em rubor, mas logo tentou empurrar Eduarda para longe com chutes na sua barriga.
“Você é péssima!” Ela reclamou entre risos, emputecendo-se toda vez que errava a mira que estava bem diante dela. “Sua confiada!”
Em meio às suas tentativas fúteis de ataque, uma mão capturou uma das suas pernas, e Lorena só teve tempo de soltar um arquejo agudo antes de sua namorada enlaçá-la na sua cintura com uma naturalidade injusta.
“Eu sou o quê, mesmo?” Um aperto na sua coxa, seguido de um sorriso faceiro. Lorena sentiu o ar escapar dos seus pulmões com a visão. “Ein?”
Como se seus ossos tivessem virado gelatina, Lorena se derreteu na cama, subitamente muito interessada no encaixe delicioso dos seus quadris. “Você? Não sei, não… acho que esqueci.”
“Ah, mas que pena,” Eduarda disse maldosamente, descartando o beck no chão e movendo a palma para ficar logo acima do seu baixo ventre. Ali ela fitava com uma intenção que fez Lorena suspirar. “Porque eu tô pensando na minha surpresa agora mesmo. Mas se você não quiser saber…”
Isso a fez dar um pulinho com os quadris. “Eu quero!” Lorena se apressou, procurando a palma dela sobre o seu abdome e unindo seus dedos. “Eu quero, amor. Fala pra mim.”
Eduarda continuou sorrindo daquele jeito travesso que deixava Lorena louca. Ela estava tão confiante, tão certeira na maneira que a tocava, que algo a dizia que se tratava de algo maior do que imaginava.
De alguma maneira, aquilo parecia diferente. E Lorena estava certa em descobrir do que se tratava o mais rápido possível.
“É que eu andei pensando. Sabe, em nós duas,” Eduarda disse, acariciando sua pele exposta pela camiseta, logo acima do short do pijama. “Nas coisas que podemos ir testando juntas, aos poucos. Tipo um experimento.”
Lorena franziu o cenho. “Como assim?”
O quadril de Eduarda se moveu sozinho por um instante, para frente e para trás, e a forma que ela apertava os lábios indicava que ela se divertia com a sua confusão. “Talvez seja melhor demonstrar,” ela respondeu. “Me dá um segundo.”
Soltando sua perna, Eduarda se afastou dela e remexeu em uma das gavetas que ficavam logo abaixo da televisão. Tirou de lá uma caixa simples e retangular que não acusava nada de especial.
Lorena se sentou na cama, espiando curiosamente. “E aí? O que é?”
Ela subiu o olhar, e se surpreendeu ao perceber um leve tom rosado nas bochechas de Eduarda.
“Descubra por si mesma,” foi o que ela disse, com um sorrisinho que agora indicava uma leve timidez.
Lorena mordeu o lábio inferior, sem conter a animação. Afinal, poucas coisas envergonhavam Eduarda, e ela estava tão adorável daquele jeito que Lorena precisava descobrir de uma vez o que estava causando aquilo.
Ela pegou a caixa e tirou a tampa, encontrando um pano macio cobrindo o que quer que estivesse guardado ali dentro. E após titubear uma única vez, Lorena segurou o pano e o afastou do caminho.
Ela teve que piscar algumas vezes enquanto processava.
Era… sexual, claro, e Lorena já esperava por isso. Mas era algo que elas só tinham discutido em flertes contidos, sem exatamente usar nomes, dentro naquele mar desconhecido de possibilidades. Ela não esperava já ver aquilo na sua frente, materializado daquela forma, prometendo realizar o que elas antes só cochichavam ideias tímidas e abstratas.
Lorena observou o objeto. Era todo preto, até os arreios, que pareciam ser de couro. O comprimento brilhava no que se assemelhava ao silicone, escuro como a noite, e se curvava levemente para cima, tal como Eduarda já fazia dentro dela. A base era fina, mas se alongava bastante até a ponta bulbosa, parecendo maior e mais substancial que seus dedos—
Eduarda se remexeu na sua frente. “Fala alguma coisa,” ela pediu em uma voz pequena, a arrancando do seu torpor.
“É… perfeito,” Lorena balbuciou de volta em um sopro de voz, perdida em pensamentos.
“Então você gostou?”
A incerteza no tom de Eduarda, algo tão raro de presenciar, fez Lorena levantar o rosto para olhá-la. Ao ver seu sorriso, sua namorada relaxou no mesmo instante. “Eu adorei, amor,” Lorena a garantiu, e era verdade. A pontada sutil no meio das suas pernas era uma testemunha honesta. “Eu não sei o que dizer.”
“Não precisa dizer nada,” Eduarda disse, levando as mãos ao seu rosto. “Eu fiquei pensando nas vezes em que nós falávamos sobre essa possibilidade… aí tomei a liberdade de comprar um. Mas nós podemos trocar se não for o certo, tá?”
Lorena negou com a cabeça, sorrindo tanto que o rosto doía. “Esquece isso. É perfeito, amor, já falei.”
O rubor no rosto de Eduarda só piorava. “Que bom,” ela coçou a nuca. Lorena iria morrer de amor, estava certa disso. “Que bom que gostou. Eu…”
“Você…” Lorena insistiu quando ela se interrompeu.
O semblante de Eduarda ficou meio travesso outra vez. “Eu quero experimentar com você. Quando você quiser, é claro. Sem pressa.”
Lorena deu uma risadinha. “É um convite oficial, detetive?”
Eduarda apenas acenou com o rosto, várias vezes, mais corada do que nunca. Lorena mordeu o interior do lábio, a pressão familiar no seu baixo ventre se irradiando por conta própria.
Foi assim que ela agarrou a caixa, usando as duas mãos, e a ofereceu à namorada com a voz rouca, em um surto de coragem que arrepiou seu corpo.
“Por que você não vai e se prepara pra mim, então?”
Os olhos escuros de Eduarda se estatelaram quando ela pegou a caixa. Se ela pudesse ficar mais vermelha que o próprio cabelo, isso aconteceria a qualquer instante. “Agora? Você quer dizer agora, agora?”
Lorena sorriu, se desmanchando na cama de novo, as pernas agitadas. Seu sangue já se acumulava por ali. “Se você também quiser, amor,” ela disse manhosamente. “Você sabe que eu quero.”
“Você também sabe sobre mim,” Eduarda respondeu, e titubeou só uns segundos antes de vencer a timidez do momento. “Na verdade, meio que eu já me adiantei nesse quesito também.”
Lorena levantou uma sobrancelha. “Como é?”
“Eu pesquisei como se cuida, sabe, por ser couro e silicone, e… já deixei limpo e pronto pra uso,” ela revelou com uma risadinha. “Comprei todo o kit de cuidados na semana passada.”
O sorriso de Lorena foi aumentando gradativamente. Sua namorada era impossível. Estava sempre um passo à frente.
Com isso, a sua necessidade por ela só crescia como uma exponencial infinita. E a vendo assim, com a faca e o queijo nas mãos, Lorena só pensava em uma única coisa.
“Então me mostra.”
Ela recebeu um olhar cúmplice de Eduarda, que não disse mais nada. A caixa foi colocada ao lado delas, e sua namorada foi mergulhando na cama, encaixando-se nela, encontrando seus rostos em um beijo que fez Lorena se liquefazer. Eduarda pôs uma mão ao lado da sua cabeça e outra na sua cintura, e cada pressão daqueles dedos a dava a sensação de estar sendo marcada por ela.
Lorena queria mais e mais daquilo. Queria que todos soubessem de quem ela era, a quem ela pertencia.
“Amor…”
“Shh,” ela foi silenciada por um beijo bem debaixo da sua orelha. Eduarda sabia que ela era sensível ali. Lorena arfou alto, surpresa, e apertou suas pernas naquela cintura. “Eu tenho que deixar você pronta pra mim.”
Lorena rolou os olhos, mordendo o lábio inferior. “Eu sempre tô pronta pra você.”
“Dessa vez vai ser diferente,” Eduarda insistiu, subindo uma mão pra um dos seus seios. Ela manejou ali, do jeito áspero que fazia Lorena se desmanchar. “Mas pode deixar que eu cuido do recado.”
E ela seguiu sua promessa. Beijou Lorena em todos os seus pontos mais sensíveis, a começar no lóbulo, até a base do pescoço e na lateral macia dos seios, onde chupou até formar o princípio de manchas escuras. Ela desceu pelo seu abdome, que contraía sozinho, e olhou nos seus olhos quando tocou os lábios logo acima da costura do seu short.
Lorena não teve que pedir para ela tirar. Eduarda matou dois coelhos numa cajadada só ao puxar o pijama e a calcinha juntos para baixo, revelando sua nudez ao frio do quarto. Lorena choramingou com a sensação brusca contra a sua pele que se tornava mais sensível a cada segundo.
Eduarda entreabriu suas pernas com uma mão em cada coxa, e Lorena sentiu o ar gelado encontrar sua umidade, acusando o resultado. “Acho que fiz um bom trabalho,” ela disse, soando ridiculamente orgulhosa. “Mas ainda posso fazer melhor.”
Lorena levantou os braços para cima da cabeça, agarrando os lençóis. Ela já se sentia tão quente. A pulsação no seu clitóris não mentia. “Duda…”
“É pra já,” sua namorada a zombou com um sorrisinho faceiro, e não a deu tempo de resposta.
Ela soprou ar gelado diretamente no seu clitóris, e Lorena se arqueou na cama, ameaçando fechar as pernas quando seus nervos saltitaram. Antes que se mexesse, porém, a língua quente de Eduarda substituiu o ar gélido e Lorena presenciou o surgimento da Via Láctea, bem ali, no escuro profundo dos seus olhos fechados.
Um gemido alto preencheu o quarto. O nome dela. Então se repetiu, e outra vez, a cada trajeto daquela língua. Ela ia rápido e em movimentos circulares, e, mesmo com os pensamentos erradicados pelo instinto, Lorena conseguia perceber que ela se concentrava na sua entrada, parecendo espalhar a lubrificação formada pela sua umidade e a própria saliva.
Só isso a fez apertar os lençóis com mais força, empurrando os quadris para baixo, contra aquele rosto. A ideia da sua namorada estar a preparando para o que viria depois era tão deliciosa que Lorena poderia—
Sua mão desceu depressa. Ela empurrou a testa de Eduarda às cegas. “Eu vou—”
Eduarda se afastou na mesma hora. Seus lábios úmidos encontraram sua coxa, então mordiscaram. “Shh.”
Apesar do motivo, Lorena não podia evitar a frustração do orgasmo impedido, e virou o rosto para trás, os olhos fechados enquanto mexia-se na cama, procurando alguma fricção nos lençóis que ela sabia que não viria. Seu clitóris pulsou em sincronia com as batidas violentas do seu coração contra o seu peito.
Um click silencioso a lembrou do que estaria acontecendo bem diante dela. Lorena se forçou a abrir os olhos, e poderia ter gozado apenas com o que viu.
Já sem a calça de moletom, Eduarda terminava de fechar os arroios nos quadris, ajustando pelas fivelas a cada lado do corpo. Sua calcinha preta cobria os lugares certos onde as tiras de couro se apertavam, e ela parecia perfeitamente bem na própria pele, trajada daquela forma.
Foi quando Eduarda se moveu para buscar a parte mais importante do strap dentro da caixa que ela percebeu que Lorena a observava.
Elas trocaram outro olhar cúmplice, e Lorena sabia que iria no inferno e voltaria com aquela mulher se tivesse a certeza de que estariam juntas o tempo inteiro.
Eduarda subiu na cama, posicionando-se entre suas pernas, enquanto uma única mão bastava para enroscar o pau de silicone entre as pernas, em um aro prateado alguns centímetros acima do clitóris, no meio do seu monte de Vênus.
Lorena não sabia se ainda se lembrava como respirar. Não com Eduarda se apossando de uma de suas coxas com uma mão e segurando seu novo comprimento com a outra. Suas pernas eram mais fortes do que pareciam ser quando estava vestida, e ela fitava Lorena com aquela sua intensidade que era restrita à elas duas, naquele quarto ou no dela, ou em qualquer lugar em que pudessem se entregar uma à outra daquela maneira.
“Sobe o quadril pra mim, amor,” Eduarda pediu em seguida, parecendo tão imersa na profundidade do momento quanto ela, mas ainda precisando se preocupar com a logística daquilo.
Lorena a obedeceu com um sonzinho baixo, vindo do fundo da garganta. Eduarda sorriu brevemente, mas logo a ajudou puxando mais camadas dos lençóis para criar um ângulo mais aberto.
Naquela posição, Lorena estava exposta. E não era à toa que se sentia assim — suas pernas continuavam abertas, espaçadas para permitir que Eduarda se posicionasse, e a luz alaranjada do entardecer já banhava o quarto, não a permitindo o conforto da escuridão.
Ela não se arrependeria nunca, no entanto. Não quando aquela iluminação quente tornava Eduarda quase dourada, o cabelo vívido e avermelhado. Elas viam tudo uma da outra na claridade da tarde, e Lorena apenas se sentiu ainda mais úmida com essa realidade.
Sua namorada manteve uma mão na sua coxa, acariciando a pele como quem quer passar segurança. A outra, porém, rastejou até o ponto acima do seu clitóris, e puxou para cima com o polegar.
Seus olhos estavam nos de Lorena, mesmo que seu polegar agora dedilhasse diretamente no seu clitóris. “Se você quiser, eu tenho lubrificante na gaveta.”
Lorena rebolou inconscientemente contra o seu dedo. “Não acho que vá precisar,” ela respondeu em uma voz indecente, e mordeu o lábio outra vez.
Eduarda desceu o dedo por alguns segundos, e ele se umedeceu na mesma hora. Ela sorriu de canto. “É, também acho que não.”
Mantendo a palma ali, a outra finalmente deixou sua coxa para retornar ao pau que se acoplava nela. Eduarda parecia segura na maneira que se aproximava dela, mas Lorena notava a dobra de preocupação na sua sobrancelha.
“Ei,” ela a chamou baixinho.
“Hm?”
Eduarda já roçava a ponta entre seus lábios, lubrificando-se com sua umidade. Sua entrada estava tão pronta que ela tinha dificuldade em não penetrá-la antes da hora. Lorena se limitou a gemer, o silicone gelado se arrastando tortuosamente por sua extensão.
Entre uma pincelada e outra, Lorena finalmente fez a pergunta que queria e não teve coragem antes. “Você… já fez isso antes?”
Eduarda gemeu junto com ela quando quase entrou pela segunda vez. “Não,” ela respondeu, e seus olhos escuros eram sinceros. “Você é minha primeira. Você já?”
Lorena foi rápida em negar com um movimento do rosto suado. “Você—ah—foi todas as minhas primeiras vezes, amor,” ela a lembrou, então deu um sorriso. “Tinha que ser você.”
Tomada por algum sentimento que não colocou em palavras, Eduarda se inclinou sobre ela e a beijou. Foi um daqueles beijos sem noção do tempo, como na galeria após sua expulsão de casa ou quando combinaram de ter sua primeira noite juntas. Seus narizes se tocaram e Eduarda mordeu seu lábio, soltando em um estalo que só foi silenciado quando a língua de Lorena encontrou a sua e rendeu dominância.
Quando finalmente se separaram por oxigênio, Eduarda a deu um selinho demorado. “Eu te amo.”
“Eu também te amo. Muito.”
O olhar da sua namorada traduziu tudo que ela sentia, e, naturalmente, foi caindo para os seus quadris quase colados um ao outro. Antes de ter se inclinado, Eduarda havia se encaixado por cima dela, deixando o seu comprimento descansar no seu monte de Vênus. Sem querer, porém, ela acabou criando outra visão que fez Lorena respirar em um gole de ar.
Ela alcançava muito além do que Lorena estava acostumada, e a mera ideia de que toda aquela extensão estaria dentro dela, naquele mesmo caminho e em poucos minutos, fez com que ela se apressasse ainda mais para descobrir como seria.
Eduarda buscou algo na sua expressão. Uma confirmação. Lorena se derreteu preguiçosamente na cama e entreabriu ainda mais as pernas, que agora se firmavam ao redor daquela cintura outra vez, e deu um aceno seguido de um sorriso. Vá em frente.
Aquele era o ponto sem volta, o limiar entre a realidade e o paraíso. Eduarda pareceu sentir o mesmo, porque seu rosto se tornou sério outra vez. Ela desceu as costas de dois dedos pela extensão de Lorena, a fazendo estremecer, e usou a umidade para lubrificar o restante dela, até a base.
Lorena a viu suspirar. “Você tá tão molhada,” ela contemplou, e a sua voz profunda, tão diferente do dia a dia, deixaria Lorena louca muito em breve. “Abre bem pra mim, e me avisa se quiser que eu pare.”
Lorena apenas respondeu com acenos, fechando os olhos e se oferecendo com os quadris.
Primeiro ela sentiu a pressão já familiar da cabeça, bem na sua entrada. Sua namorada se moveu uma, duas vezes, e logo ela estava com toda a ponta dentro dela. Lorena soltou um hmm satisfeito. Não havia dor naquilo, não ainda, e seu corpo pedia que continuasse.
“Mais, amor,” ela choramingou. “Pode ir.”
A respiração de Eduarda estava pesada por cima dela, mas Lorena resistiu à vontade de abrir os olhos. Ela queria a plenitude da concentração, e logo percebeu que não apenas queria, mas precisava dela, porque Eduarda começou a ocupar muito espaço dentro dela.
Um chorinho foi crescendo em Lorena, nascido do fundo da garganta, incrementando em volume. Eduarda era tão longa. Até onde ela iria? A pressão começou a aumentar, a forçando a se adaptar, e os sons molhados que saíam dela eram altos e completamente indecentes. Aquilo não parecia ter fim, e Lorena fez uma súbita careta de dor.
Eduarda parou sem que ela verbalizasse, talvez por estar atenta às suas expressões. Ficou imóvel, só a recheando, e subitamente Lorena sentiu algo no seu clitóris que a fez tremer ao redor do pau de Eduarda.
Era seu polegar, ali outra vez. Girando, pressionando pelos segundos certos, esfregando. Lorena gemeu com o estímulo direto, e, como se lesse o seu manual, Eduarda conseguiu deixá-la ainda mais molhada.
“Mais…” Ela chorou de novo, e resmungou sem conseguir se conter quando sentiu os quadris de Eduarda finalmente tocarem os seus.
Lorena respirava com dificuldade. Ela não conseguia se mexer. Estava completamente preenchida, cada espaço vago dentro dela agora tomado por Eduarda. A ponta, que era maior e mais protuberante, chegava tão fundo nela que Lorena quase sentiu medo pela primeira vez.
“Ei,” Eduarda se aproximou dela, tendo que se inclinar de novo, e Lorena soltou um gemido sôfrego com o movimento pesado dentro dela. “Tá tudo bem? Hm?”
Ela penteava seus cabelos cuidadosamente para longe do rosto suado. Quando Lorena finalmente abriu os olhos, uma lágrima de reflexo escorreu para baixo. Ela deu um aceno pequeno.
“Eu posso esperar,” sua namorada a relembrou, beijando cada canto dos seus olhos. “Posso esperar todo o tempo que quiser. Também podemos tentar de novo outro dia. É só dizer, amor, tá bem?”
Lorena sorriu com a sua preocupação. Não sabia se sequer isso era possível, mas até as perguntas nervosas de Eduarda a deixavam com mais vontade.
“Tá tudo bem. Só vai devagar,” ela a garantiu, então suspirou com o início de uma estocada. “Isso…”
Eduarda afogou seu gemido crescente com um beijo. Seus quadris se mexiam bem pouco, quase nada, e Lorena se esforçou para voltar àquele estado inebriante de antes. Ela se concentrou na sensação da sua namorada dentro dela, nas curvaturas do seu pau abrindo suas paredes, como se deixassem tudo no formato certo apenas para ela, exatamente como uma chave na fechadura. Ela arquejou com o pensamento, e Eduarda engoliu seu som sofrido com mais beijos molhados e uma mão no seu pescoço.
Ela estava tão cheia, e logo se sentiu ficando mais molhada de novo. Parte dela se perguntava se era possível que toda aquela lubrificação viesse dela, mas então Eduarda gemeu deliciosamente no seu ouvido ao realizar outro movimento que refletia diretamente no próprio clitóris, e Lorena abandonou todas as dúvidas.
Ela era quem estava fazendo sua namorada se sentir assim, e isso deixou sua cabeça aérea ao escutar Eduarda respirar fundo, tremendo por cima dela, contendo a vontade de ir com toda a força possível.
Lorena mordeu os lábios. Suas mãos encontraram as costas dela. Na estocada seguinte, mais firme, mais funda, suas unhas se fincaram ali. E na próxima, quando já começavam a gemer juntas e ela conseguia ir mais rápido, Lorena passou a descer as unhas pela extensão inteira da pele, formando filetes vermelhos.
Todo o corpo de Lorena tremia sempre que Eduarda se afundava nela, soltando aqueles barulhos molhados e impróprios, fazendo a cama ranger. A pressão constante no seu baixo ventre já se tornava uma sensação única, comparável a nada que ela conhecesse na vida senão algum tipo de pistão, que ia, e ia, e ia, e ia de novo, mais forte e mais rápido, a todo vapor. Também era estranhamente pesado, menos preciso que os dedos com os quais estava acostumada, mas criava um turbilhão de sensações que a deixava eufórica.
Em meio à suas respirações pesadas, Eduarda beijou o canto entreaberto da sua boca. “Tudo bem?”
Lorena acenou algumas vezes. Ela usou uma das mãos para segurar o pescoço da namorada. “Mais rápido,” ela sussurrou, entre grunhidos, e deu um sorriso zombeteiro.
Os olhos escuros de Eduarda brilharam em desafio ao fitá-la, e então ela parou por um momento.
A interrupção do movimento fez Lorena se mexer, tentando se afundar naquele comprimento de novo. Mas Eduarda não se moveu.
Lorena choramingou. “Que foi?”
Eduarda tocou no seu rosto, acariciando sua bochecha suada, então segurou seu queixo. “Pede.”
“Amor…”
“Pede pra eu ir mais rápido,” sua namorada insistiu. Ela beijou sua boca, então o osso da sua mandíbula, a dobra sensível do seu pescoço. “Pede que eu te dou.”
Machucando o lábio inferior com os dentes, Lorena apertou as pernas ao redor da sua cintura. “Me fode mais rápido, amor.”
Um movimento. Lorena gemeu, satisfeita com a força, mas então parou outra vez.
“Duda!”
Ela apertou seu pescoço. “Pede direito,” grunhiu.
“Por favor…”
Eduarda deu um sorriso satisfeito. “Boa menina,” ela elogiou, e Lorena soltou um suspiro. “Agora vira de bruços e empina pra mim. Deixa eu te ver, amor.”
Quando Lorena foi se mover, algo doeu dentro dela e ela fez uma careta automática. Era uma dor suportável, no entanto, e a vontade de gozar ainda falava muito mais alto. Foi isso que fez com que conseguisse se jogar de bruços, sentindo o amontoado de lençóis, antes posto debaixo dos seus quadris, agora levantarem a sua bunda para cima.
Ela não evitou de aproveitar a posição para se esfregar ali, soltando um ronronado cansado e satisfeito.
Uma mão a parou antes que continuasse, afundando na sua cintura. Lorena sentiu a outra espalmar sua bunda, antes de apertar a carne com gosto.
“Você tá linda,” sua namorada sussurrou no seu ouvido. Lorena afundou o rosto ainda mais contra os lençóis, envergonhada. “Não, não. Olha pra cá. Olha pro espelho, amor. Quero que você veja o quão bonita você fica quando goza.”
Lorena soltou o ar pelo nariz, sorrindo diante daquelas palavras. Ela nem precisava se mover para encarar o que era refletido no grande espelho na lateral do quarto de Eduarda, fixado em duas das portas do seu armário que ia do chão ao teto.
Sua boca se entreabriu. Se ela estivesse com o pau da sua namorada dentro dela naquele momento, tinha certeza que alcançaria o orgasmo ali mesmo.
Seu corpo era felino na maneira que se debruçava na cama. Ela estava mais suada do que se sentia, o rosto corado e o cabelo bagunçado pelo sexo. Seus olhos estavam desfocados, e sua boca já inchava. Havia marcas de Eduarda pela sua pele, ela formava um arco irresistível com os quadris para cima, só esperando por algo que já estava certo por vir.
Mas não era só isso. Para seu azar, aquele era só o começo daquela visão.
Sua namorada estava quase irreconhecível. Ainda era a sua Duda, pequena e mais forte do que parecia, mas havia algo novo na forma que ela a montava, os cabelos jogados para o outro lado, o rosto exaurido pelo esforço. Todos os seus músculos, apesar de sutis, marcavam a pele dos braços e das costas e das pernas quando ela se movia.
O olhar de Eduarda encontrou o dela no espelho. Ela se inclinou para beijar sua omoplata. “Tá vendo?”
Lorena acenou. Essa parecia ser sua única forma de comunicação nesses últimos minutos.
“Então assiste como você fica quando eu te tenho,” Eduarda disse, e voltou à ação na mesma hora.
Suas mãos apertaram sua bunda, se movendo por ali uma, duas vezes, então ela caminhou com os joelhos até se aproximar o suficiente. Lorena sugou o ar com força quando o silicone encontrou a sua outra entrada primeiro, antes de voltar para onde estava antes.
Eduarda entrou nela em uma única estocada, e Lorena gemeu alto com a visão.
Sua namorada não simplesmente se metia. Ela girava os quadris, espaçava os joelhos, e entrava nela em um rebolado tão erótico quanto a forma que seu pau alcançava cada pequena área dentro dela.
Ela parecia ainda maior naquela posição. Lorena se empinou mais para cima, na torcida que facilitasse, e afundou o rosto na cama para abafar seus choros.
“Abre pra mim,” ela escutou Eduarda mandar enquanto bombeava, respirando pesado pelo esforço físico. “Usa as mãos.”
Por instinto, Lorena puxou cada lado das suas nádegas, se abrindo por completo. Ela se sentia mais animalesca do que nunca, mais bicho do que gente, e se forçou a manter os olhos abertos, fixos no espelho. Não queria perder um segundo sequer da sequência sensual do movimento dos seus corpos.
Ela nunca imaginou sentir algo assim. Sempre tinha sido a adolescente calada cujo pai impunha mil e uma expectativas de parceiro e herdeiro no futuro. Lorena nunca tinha sonhado com isso — com o sexo, com a reprodução. Nunca com um homem em cima dela, fazendo o que Eduarda fazia, dizendo coisas no pé do seu ouvido como Eduarda dizia, entre grunhidos e gemidos. Era isso que Lorena queria.
Era o que ela sempre quis e até então não tinha descoberto como colocar em palavras. Mas agora ela sabia.
Minha mulher, sua mente repetia em uma cacofonia aérea e contente. No espelho, Eduarda a viu sorrir e sorriu também, mesmo com a boca entreaberta e o fôlego faltando. As suas duas mãos foram para a sua cintura, empurrando todo o seu peso para baixo, e Lorena se rendeu ao vai-e-vem tortuoso, em um ritmo frenético e pesado. O quadril de Eduarda se espalmava contra sua bunda em um barulho úmido e indecente, ditando o ritmo rápido e constante como um metrônomo.
Algo se construía no fundo da sua barriga a cada vez que Eduarda estocava fundo nela e amassava seu clitóris contra o amontoado de colchas.
“Amor—ah—eu vou—”
Lorena mergulhou o rosto no lençol, fechando os olhos com força. Havia um gosto diferente na sua boca. Foi então que percebeu que estava mordendo a fronha.
Eduarda nada disse, apenas permaneceu naquele ritmo, a respiração falhando e gotas do seu suor pingando nas costas de Lorena. Como sempre que se tratava delas, o espaço-tempo se tornou areia e Lorena perdeu a noção da sua idade, de onde estava, do próprio nome. Seu nome poderia ser o dela, ela não se importaria. Eduarda era a única coisa que importava naquele momento. Ela era a única coisa que existia no mundo.
Só elas. Não havia mais nada além delas duas.
Foi quando Eduarda se fincou nela e não saiu mais que a explosão veio, tão forte e brilhante que cegava o fundo dos olhos como uma supernova. Ela deixou cada centímetro dentro dela enquanto Lorena chegava lá, naquele buraco negro desconhecido das sensações humanas, e esteve com ela até que voltasse, beijando um caminho torto pelas suas costas molhadas.
Lorena soltou um chorinho quando sua namorada saiu de dentro dela, e só reuniu forças para rolar a barriga para cima de novo. Havia uma dor gostosa entre as suas pernas agora, pulsando discretamente. Ela moveu as pernas e soltou um gemido baixo, procurando o rosto de Eduarda.
Quando a encontrou, viu que estava de pé, retirando os arroios e deixando sob o pano, fora da caixa. Suas pernas pareciam tremer, mas Lorena nem confiava na sua visão naquele momento.
“Oi,” ela disse, os olhos caídos, e ofereceu sua mão.
Eduarda abriu um sorriso de canto, achando graça do seu estado. Ela aceitou sua mão e se jogou parcialmente sobre o seu corpo. “Oi. Ai. Acho que você acabou de me matar.”
Lorena bufou, as pálpebras querendo fechar. Ela subitamente se sentia muito sonolenta. “Eu? Olha o que você fez comigo.”
Sua namorada se levantou um pouco, se apoiando em um dos cotovelos e procurando os seus olhos. “Você gostou?” Ela perguntou, quase inocentemente.
Ela riu, um sopro de ar. “Preciso dizer alguma coisa? Teve uma hora que eu não lembrava nem do meu nome.”
O rosto de Eduarda se iluminou em alívio. “Sua boba. Mas que bom. Foi muito especial pra mim também.”
“Meu Deus, a Maggye vai me zoar tanto,” Lorena bocejou, se espreguiçando com uma nova careta. Seu corpo todo agora estava com aquele resquício de dormência e cansaço. “Não vou poder sentar em uma cadeira perto dela por uns três dias.”
Eduarda deu um riso fraco, beijando sua bochecha demoradamente.
“Você vai sobreviver,” ela disse no pé do seu ouvido, então mordeu o lábio. “E espero que tenha conseguido aprender direitinho.”
Mesmo com a sonolência, Lorena levantou as sobrancelhas em curiosidade. “Então isso também foi uma aula, é?”
“Preciso dizer alguma coisa?” Eduarda repetiu a sua pergunta, sorridente.
“Safada,” Lorena disse, então segurou seu rosto e a deu um beijo demorado. “Sabe que eu não recuso um desafio, não sabe?”
“Sei. E é justamente por isso que eu te amo.”
