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Arte

Summary:

Em um mundo onde rabiscos feitos na pele são espelhados em suas almas gêmeas, Till, um amante da arte que vive desenhando em seus braços, encontra quem partilha de seus desenhos.

Notes:

Oiii!

Tá, eu deveria estar escrevendo Kisses n' Fame, mas eu vi essa ideia de plot duas vezes (vcs tem noção de como é raro ver um pin do pinterest e dps um vídeo no ttk falando sobre esse pin?) e eu fiquei com muita vontade de colocar os Ivantill aí.

Próxima atualização de Kisses n' Fame vem em breve (acho)

Boa leitura!!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

Till sabia sobre a “maldição” que caía sobre todos.

 

Mesmo assim, sendo um jovem que sempre gostara de desenhar, nunca parou de usar canetas e mais canetas para fazer diversos rabiscos em seus braços. Ele sabia que sua alma gêmea teria de viver com o braço coberto de falsas tatuagens o tempo todo, mas, sinceramente, não se importava muito.

 

Neste exato momento, sentado ouvindo a chata explicação da professora de matemática, ele terminava o desenho de um olho, feito em caneta preta, logo abaixo do pulso. Diversas pequenas ilustrações — que nada tinham haver umas com as outras — cobriam as costas de sua mão e seu antebraço. 

 

– Till, – sussurrou Hyuna, sua melhor amiga, ao seu lado. – como que eu resolvo isso aqui?

 

Ele se virou para ver sobre o que ela perguntava, e viu um desenho da própria garota apontando para si um dedo do meio. Quando olhou para a pessoa real, viu-a imitando a pose.

 

– Tsc. – Resmungou, antes de rir baixinho, sendo acompanhado pela amiga.

 

– Eu estou atrapalhando alguma coisa? – Ouviram a professora falar, de braços cruzados, à frente da grande lousa de giz.

 

O de cabelos verde-acinzentados revirou os olhos, e escreveu em seu caderno “tá sim, caralho” sem tirar o olhar da mais velha. A amiga ao seu lado olhou para o papel, não conseguindo conter um baixo riso, que foi alto o suficiente para que irritasse a educadora.

 

– Fora os dois! Agora! – Gritou.

 

Eles saíram ainda rindo um pouco, o menino levando a caneta consigo. Quando saíram da sala, sentaram-se em um banco posicionado bem em sua frente.

 

– Tsc tsc tsc… mandado para fora de novo senhorito Till? – Brincou Hyuna.

 

– “Eu estou atrapalhando alguma coisa?” – Ele imitou, a voz com certeza mais aguda que a da professora. Não que eles se importassem.

 

– O que ela esperava que a gente dissesse? “Não querida professora, sentimos muito, por obséquio continue sua maravilhosa aula, que será indiscutivelmente importante para o nosso futuro”. – A garota riu de sua própria imitação. – Mas falando sério, eu não sei como você vai bem na matéria dela… ela te tirou de sala em mais da metade das aulas que a gente teve.

 

– É que eu sou o próximo gênio do século. – Till deu uma piscadela, o sorriso em seu rosto crescendo.

 

E assim passaram a próxima quase hora, esperando que a aula acabasse para que pudessem adentrar novamente a sala. Não estavam nem um pouco ansiosos por isso.

 

~★~

 

Dentro da sala, Ivan observava enquanto a professora retirava os dois alunos.

 

Quando ela retornou à sua explicação anterior, o de cabelo preto olhou para seu braço, coberto em desenhos, escondidos pelo casaco longo, apenas um olho feito em caneta preta era visível, logo abaixo de seu pulso.

 

Ele conhecia o autor destas obras. Quando mais novos, Ivan e Till eram melhores amigos, e o mais velho sempre observava enquanto o outro desenhava em folhas de sulfite, usando giz colorido ou canetinhas. Aos cinco anos, idade em que as marcas aparecem, percebeu que a mesma arte que antes via apenas no papel aparecia pequena em seu braço, e aos dez passou a usar roupas mais compridas, que escondessem o que ocorria em seu corpo.

 

Aos doze, entretanto, tiveram uma briga. Foi algo bobo, algo que não deveria ter acabado com o resultado que teve, mas Till era orgulhoso demais para assumir, e Ivan não queria aceitar a injustiça. Com isso, se distanciaram, e não tiveram mais coragem para falar um com o outro.

 

Apesar de tudo, Ivan gostava de Till, e por não poder se aproximar, se contentava com observar a arte que sempre tomava lugar em seus braços.

 

– Alguém pode me dizer a resposta da 3? – O garoto levantou sua mão. – Ivan.

 

– 37,8.

 

– Correto. – Proferiu a professora, com orgulho. – E a resposta da 4? Quem pode me responder?

 

A aula continuou como o habitual. Ivan respondia à algumas perguntas, anotava fórmulas e resultados em seu caderno, o de sempre.

 

Após o final da lição, o de cabelos pretos guardou seu material, saindo de sua classe com a mochila nas costas. Do lado de fora da sala, encostadas na parede ao lado da porta, estavam sua irmã, Sua, e sua melhor amiga e namorada de sua irmã, Mizi. 

 

Assim que passou pela porta, Sua suspirou em alto tom, dramaticamente.

 

– Finalmente, por acaso todos os seus materiais decidiram se esconder de você?

 

– Amor… – Mizi riu.

 

– Ew, lésbicas. – Ivan revirou os olhos, depois mostrando a língua e começando a andar em direção à saída do prédio. 

 

– Disse o gay incubado que não consegue nem falar com o crush. – Sua irmã retrucou, acelerando o passo junto à de cabelos rosas.

 

– Cala a boca, Sua…

 

E assim continuaram o caminho até o ponto de ônibus, discutindo se ele teria alguma chance com Till. Apenas pararam quando chegaram ao ponto em que Mizi desceria, o assunto se dissipando naturalmente com a pausa na constância. Os minutos passaram, e logo os irmãos estavam descendo em seu respectivo ponto.

 

Chegando em casa, foram cada um para seu quarto.

 

Ivan retirou os cadernos da mochila, começando a trabalhar em seu dever de casa. No meio de uma atividade de ciências, percebeu as marcas sendo aos poucos apagadas. Till provavelmente estava lavando-se na pia. Prosseguiu com a lição, as mãos trabalhando com a caneta preta, escrevendo em seu caderno e grifando partes do livro que deveria ler. 

 

Em poucos minutos, percebeu um novo padrão surgindo em seus braços, desta vez não tão detalhado, que começava das costas da mão, subia por todo antebraço e ainda depois parte do braço. Após isso, começou a tomar conta de seu pulso.

 

Isso fez com que perdesse seu foco e parasse para observar o que o outro fazia.

 

Logo, viu que as marcas começavam a ser preenchidas por cor, provavelmente tinta. Ele já havia visto alguns padrões bem detalhados sendo feitos, mas este estava definitivamente entre os mais bem produzidos nos últimos 12 anos, quando os desenhos começaram a surgir em sua pele. O de cabelos pretos olhava admirado para o próprio braço, percebendo como cada pincelada adicionava algo a mais na obra.

 

Algum tempo depois, Ivan chegou à conclusão de que Till havia encontrado o resultado final de sua arte, pois nada mais era implementado em seu braço. Pegando seu celular, o mais alto tirou uma foto da pintura, salvando-a em uma pasta onde guardava todas as imagens criadas pelo outro.

 

Quanto tempo mais duraria essa rivalidade? Ele sabia que o de cabelos verde-acinzentados jamais iria admitir seu erro. Provavelmente já tinha até mesmo superado… mas ele não. Ivan visualizava todo dia como seria se finalmente falasse para Till que ele era na verdade sua alma gêmea. Talvez fosse a hora de tomar uma atitude.

 

Fechou o app da câmera, abrindo o whatsapp e clicando na conversa com o ex-amigo, as mensagens datando uma época que já havia acabado. Mas ele tinha como mudar isso, se para o bem ou para o mal era algo que só saberia quando o fizesse. Abriu sua galeria, enviando a foto recém tirada de seu braço.



𓆩★𓆪

 

Você

*Imagem*

17:29

𓆩★𓆪

 

Para seu azar — ou sorte —, Till ficou curioso quando sua tela acendeu, indicando uma mensagem vinda de alguém com quem não falava há anos. Por causa disso, sequer teve tempo de se arrepender da imagem enviada.

 

𓆩★𓆪

 

Tilly

Q merda é essa?

Ivan oq isso significa?

A gnt briga, passa a porra de 12 anos sem se flr, e agr vc me vem com essa?

17:29

 

Você

É exatamente o que vc tá vendo

Vc fez isso no seu braço, e apareceu no meu também



Tilly

Nem fudendo

Quem te mandou essa ft?

Você

Ninguém me mandou

Eu acabei de tirar

 

Tilly

Eu sei q vc quer voltar a flr cmg

Mas fingir q vc é minha alma gêmea n é o jeito

Se eu soubesse q vc tava tão desesperado eu já tinha falado com vc antes

17:31

 

𓆩★𓆪

 

Ivan suspirou. Sabia que isso iria acontecer. A sensação de ter dito não aliviou-o em nada, considerando que o outro sequer acreditava em si. Abriu a câmera novamente, desta vez gravando um vídeo, onde primeiro mostrava seu próprio rosto, e depois indicava o braço repleto de tinta.

 

Quando a gravação chegou para Till, ele assistiu-a ainda mais incrédulo do que estivera antes, observando como a pintura parecia a exata mesma para si. No vídeo, o outro fazia uma pequena estrela em um ponto onde a obra não alcançava. Olhando para este mesmo ponto, o mais baixo percebeu ali a mesma estrela.

 

𓆩★𓆪

 

Você

*vídeo*

Eu só queria que vc soubesse

Não espero que a gente tenha nada

Sei que você não é gay

17:33

 

Tilly

Eu sou bi

A quanto tempo vc sabe disso?

Como eu nunca vi?

17:33

 

Você

Você é bi?!

 

Tilly

Sou

Agr responde minhas perguntas

 

Você

Sei desde os 5 anos

Eu escondia debaixo do casaco, por isso vc nunca viu

17:35

 

𓆩★𓆪

 

Ivan precisou de algum tempo para digitar as últimas mensagens, a realização caindo pesada sobre si. Esse tempo todo Till fora bi. Mas isso não significava que seus sentimentos fossem recíprocos, não podia ter esperanças.

 

Depois disso, as mensagens pararam, e Ivan se forçou a continuar o dever inacabado em sua mesa, mesmo que não absorvesse nada do que lia, considerando a bagunça que iniciava-se em sua mente. Em pouco tempo, desistiu dos cadernos, se jogando na cama e logo caindo no sono.

 

~★~

 

Nos últimos três dias Ivan não olhou para Till uma vez sequer.

 

Nos últimos três dias nenhum desenho apareceu no braço de Ivan.

 

Nos últimos três dias não houve segundo que outra coisa tivesse sua atenção.

 

Entretanto, no quarto dia após a conversa, uma mensagem escrita em uma caligrafia que conhecia bem apareceu em seu antebraço, fazendo com que o nervosismo se apossasse de seu corpo. “Atrás da escola, no fim da aula”. 

 

O resto da lição passou como um borrão, seu estômago revirando, e o nó em sua garganta apertando conforme as últimas atividades eram indicadas.

 

Quando pegou sua mochila e estava saindo da sala, avistou os dois rostos conhecidos, os de sempre.

 

– Eu sei que eu falo isso constantemente, mas dessa vez você demorou mesmo. – comentou Sua. – Eu não sou toda amorzinho que nem a Mizi, mas isso tá começando a me preocupar. – Ele não respondeu.

 

Assim, em silêncio, começaram a andar até a porta, o nó impedindo que o de cabelos pretos dissesse qualquer coisa, a mochila pesada em suas costas, assim como sua consciência, assim como o saber de que Till queria falar consigo.  

 

– Ivan, tá tudo certo? – A de cabelos rosas parou quando alcançaram a porta de saída, o olhar que demonstrava carinho e preocupação sinceros.

 

– Uhum. – Murmurou, desviando o olhar. – Podem ir indo, eu tenho algumas perguntas para o professor de história.

 

A mentira era tão óbvia que doía. Ivan amava história, e sempre foi muito focado nas aulas, não havia maneira de ele ter dúvidas em algo que conhecia tanto quanto a palma de sua mão. Nos raros casos em que tinha, perguntava ainda em sala. Apesar de tudo isso, Mizi suspirou, tomou a mão da namorada e saiu de perto do prédio, seguindo o caminho de sempre.

 

Ivan sentiu o nó apertar, sabendo que elas não acreditaram em sua mentira. Com isso, começou a ir em direção aos fundos da escola. O local não era bem organizado, mas não poderia ser considerado abandonado. Algumas mesas estavam dispostas entre a grama verde mal cortada que cobria o chão.

 

Ali, sentado ao pé de uma mesa bem ao fundo, a mochila jogada de qualquer jeito ao seu lado e o caderno de desenho em mãos, estava Till. Conforme se aproximou, viu o outro fechar o bloco em suas mãos, apoiando-o em cima da mesa.

 

– Se perdeu no caminho, foi? – Provocou, recebendo apenas um revirar de olhos como resposta.

 

Ivan colocou sua mochila no banco da mesa, parando ali para respirar fundo. Nenhum dos dois sabia como preencher o silêncio que se instalou no ar. Se aproximou, sentando à frente daquele que se instalou como um parasita em sua mente.

 

– É… então, o que queria dizer? – Perguntou o de cabelos pretos, forçando a voz a sair, e ouviu o outro suspirar

 

– Olha, Ivan, eu… – Ele parou e respirou fundo, limpando a garganta. – Nos últimos três dias eu tenho pensado bastante. Sobre o negócio de a gente ser… você sabe sobre o que eu tenho pensado. E eu cheguei a uma conclusão. – O mais alto esperou que ele terminasse a frase, e quando isso não aconteceu, decidiu tentar ajudar um pouco.

 

– E essa conclusão seria..?

 

– Eu sou um idiota.

 

– Você… o que?

 

– Eu sou um idiota. – Repetiu, e Ivan observou seu rosto enrubescer. – Eu sustentei essa briga sem sentido por doze anos, só porque eu não conseguia assumir que eu gosto de você. – Antes que conseguisse se convencer de que entendeu errado, o outro ficou ainda mais vermelho, enquanto completava. – Mais que como um amigo.

 

Isso o deixou sem palavras, encarando o outro boquiaberto. 

 

– Você fica fofo assim. Corado. – Sua boca agiu antes que pudesse se conter, e a reação raivosa do outro apenas fez com que risse. – Till, você não sabe o quanto eu desejei que isso acontecesse. Ok, definitivamente não foi assim que eu imaginei, mas ter isso realmente ocorrendo é ainda melhor. 

 

O mais baixo tornou seu olhar para o outro, aproximando seus rostos sem quebrar o contato visual com os olhos negros penetrantes.

 

– Posso te beijar? – Till perguntou, a voz não passando de um suspiro, e Ivan percebeu seu olhar momentaneamente descendo para seus lábios.

 

Sem perder a oportunidade, Ivan quebrou a distância entre eles, selando seus lábios em um toque frágil e casto. O tempo pareceu desacelerar, e repentinamente tudo o que importava era o contato entre eles.

 

Foi Till quem partiu-o, quando se afastou com o rosto completamente ruborizado, apoiando a cabeça no topo da mesa atrás de si, os olhos fechados com força pensando no que acabara de acontecer. Ivan não ficou muito diferente, o rosto agora tinha também um rubor, que ficava aparente na pele pálida. Ele observou a reação do outro, não acreditando que fosse real, mas sim um grande sonho ou delírio, que fosse sua mente o pregando peças novamente, talvez.

 

O de cabelos verdes devolveu o olhar, agora menos enrubescido.

 

Você me beijou.

 

– Ahm… Sim? – Disse, confuso.

 

– Eu perguntei se eu poderia te beijar. – Continuou, novamente se aproximando. – Agora é minha vez.

 

Notes:

Gostaram?

Confesso que me apressei ali pro final e ficou parecendo coisa daquelas novelas super dramáticas, mas eu escrevi isso em uma noite... me deixa vai ;-;

Até muito em breve!