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Eduarda sempre adorou o quão vocal Lorena era sobre tudo ao seu redor. Se discordava de algo, a boca agia antes do corpo; não pensava duas vezes antes de expor sua opinião, não importava o quão desconfortável ou desagradável fosse para quem escutasse. Não tinha medo de devolver o constrangimento.
Por sorte, para Eduarda, Lorena reservava apenas o seu amor. E a morena também não media palavras quando se tratava disso. Lembrava todos os dias do primeiro “eu te amo” que a namorada disse para ela — tão genuíno, tão natural, como se as palavras estivessem esperando para sair há dias. Foi tão espontâneo que parecia que Lorena já tinha dito aquilo há décadas.
O amor que Lorena sentia nem sempre era externalizado em palavras, mas não deixava de ser vocal: quando ronronava com a cabeça escondida no pescoço de Eduarda, quando grunia ao receber qualquer carinho da ruiva ou quando suspirava em resposta aos beijos que trocavam. A mais nova era sensível e carente de toques, e fazia questão de vocalizar isso.
Eduarda, porém, tinha descoberto um som novo — algo que saiu dos lábios de Lorena tão deliciosamente que a fez ficar obcecada instantaneamente.
Depois de uma noite trocando amassos em um barzinho, como de costume, Eduarda deixou a namorada na porta da galeria dos Damatta. Mas naquela noite a energia magnética que atraía as duas uma para a outra parecia mais forte do que nunca. Já tinham passado alguns minutos dentro do carro, se beijando. Agora se encontravam em pé, uma de frente para a outra, encostadas na lateral da viatura disfarçada, enrolando para se despedirem.
Os lábios de ambas estavam vermelhos, inchados e formigando, implorando por mais beijos.
— Tem certeza que não vai poder entrar? — a voz soou rouca e baixa. Lorena segurou as duas lapelas da jaqueta bege de Eduarda, como se estivesse ajeitando-as.
Os olhos da ruiva seguiram a mão da morena, que se arrastou perigosamente perto de seus seios antes de pousar em seus braços e dar um aperto singelo.
— Você sabe que não. — respondeu carinhosa, dando um beijo bem em sua covinha. Em seguida, depositou um selinho em seus lábios. — Eu já tô vinte minutos atrasada. O Paulinho deve estar surtando, querendo ir pra casa.
— É uma pena. Eu ainda tinha tantos beijos para te dar. — Lorena era manhosa e perigosa como um felino.
Roçou o nariz no da ruiva e soltou um suspiro que parecia secar o ar de seus pulmões. Eduarda não conseguia resistir ao apelo da namorada por mais carinho. Mal sabia ela que a decisão de ceder a mais alguns beijos a deixaria em ruínas minutos depois.
Fingiu pensar um pouco antes de dar um selinho demorado e molhado nos lábios rosados, fazendo um estalo ecoar pela rua quando se afastou.
— Acho que… — outro beijo — o Paulinho não vai se importar… — mais outro — com mais dez minutos de atraso.
Lorena sorriu largo entre os selinhos.
— Ou quinze… — brincou.
As mãos da mais alta foram ao encontro do cabelo ruivo à sua frente, agarrando os fios para dar início a um beijo de verdade. As bocas se abriram e Lorena, faminta como sempre, foi a primeira a deslizar a língua.
O beijo já começou lento e intenso. Precisando de algum tipo de apoio, quase por reflexo, Eduarda empurrou Lorena contra o carro. O corpo das duas reagia naturalmente. As pernas da morena se abriram para dar espaço para que a ruiva se encaixasse ali, nivelando a altura das duas — sem pensar muito no fato de que aquela era uma área perigosamente sensível.
O beijo continuou por mais um tempo. As mãos da herdeira se agarravam ao tecido da regata escura da policial, trazendo-a mais para perto — como se toda a proximidade ainda fosse pouca. Eduarda puxava os cabelos da namorada, arranhando a base de sua nuca com as unhas curtas.
— Ah… — o som escapou dos lábios de Lorena. Foi alto, desesperado e extremamente gostoso.
A mais alta sentiu a vergonha tomar conta no instante em que aquilo saiu de sua boca. Apressou-se em esconder o rosto vermelho no pescoço da ruiva, tremendo levemente.
A base do pescoço e as pontas das orelhas de Eduarda também estavam vermelhas, mas por um motivo bem diferente. Lorena parecia querer controlar os murmúrios que escapavam de sua garganta, mas eles vibravam contra sua pele, tornando-a muito ciente do estado da namorada. Piscou duas vezes, tentando organizar os pensamentos e entender o que estava causando aquela reação na morena.
— Meu bem? — a voz era rouca, evidenciando o efeito que aquilo causara nela.
Eduarda se moveu e tentou fazer Lorena erguer o rosto. Nesse momento, a morena se apertou ainda mais contra seu pescoço, soltando outro gemido — tão gostoso quanto o primeiro.
— Sua perna… — sussurrou tão baixo que a ruiva só escutou por causa da proximidade de sua boca em seu ouvido.
Eduarda só então percebeu onde sua perna estava pressionada: exatamente entre as pernas de Lorena. As duas estavam tão coladas que era impossível que aquilo não estivesse causando uma fricção prazerosa todas as vezes que a mais baixa se mexia.
Quando a policial compreendeu o que aquilo implicava, seus olhos escuros brilharam ainda mais. Um sorriso contido surgiu em seus lábios.
Ela precisava ouvir aquele som novamente.
E agora sabia como conseguir.
Propositalmente, pressionou a perna contra Lorena, sentindo a fricção gostosa do jeans contra o tecido dos shorts. Um peso acumulado em seu peito desceu e se concentrou ainda mais em seu ventre.
— Eduarda… — a forma manhosa como a morena disse seu nome, em resposta ao toque mais firme, fez com que a ruiva soltasse seu próprio som rouco.
Sentiu a boca secar. Precisava ouvir de novo. Provavelmente nunca seria o suficiente. Precisava de mais.
Se Lorena já estava sensível assim apenas com o atrito entre roupas, não conseguia imaginar como seria quando, de fato, fizessem sexo.
O pensamento fez a ruiva se mover novamente, mais firme, arrancando outro gemido — agora parcialmente contido por uma mordida em seu pescoço.
A morena lutava contra a vontade de mover os próprios quadris. Já estava envergonhada o suficiente; se chegasse ao limite apenas se esfregando na perna da namorada, não saberia onde se esconder. E sentia que não demoraria muito para chegar ao orgasmo se continuassem assim.
Antes que Eduarda pudesse colocar aquela teoria à prova, ali mesmo na rua deserta, seu celular começou a tocar.
As duas se afastaram rapidamente, de repente muito cientes do local e da situação em que se encontravam.
Lorena permaneceu encostada no carro, de cabeça baixa, enquanto a ruiva limpava a garganta e fazia um gesto indicando que atenderia. O nome “Paulinho” brilhava no visor.
Após a ligação, voltou para perto dela.
— Era o Paulinho.
Lorena assentiu.
— Acho que a gente se distraiu demais. — brincou, observando o rosto ainda vermelho da namorada.
— É… — respondeu com um sorriso misto de diversão e encabulamento. — Acho melhor eu entrar. Pra não te distrair de novo.
Eduarda gargalhou e observou Lorena se afastar nervosa, caminhando até a porta da galeria.
— Espera aí, Lorena Ferette.
A morena parou no meio do caminho, já com as chaves nas mãos, e se virou.
— Sim?
— Não vai me dar nem um beijinho de boa-noite?
Fez um bico, fingindo mágoa.
— Claro, meu amor.
Caminhou de volta e depositou um selinho rápido, tímido e desajeitado nos lábios avermelhados.
Eduarda esperou a namorada entrar antes de voltar para o carro. Encarou o volante, apertando as pernas ao sentir a umidade em sua calcinha, um sorriso perigoso surgindo ao raciocinar descoberta.
—
Os encontros entre as duas não mudaram de dinâmica depois do episódio. Muito pelo contrário: Lorena continuava provocando Juquinha com olhares sedutores e frases de duplo sentido. Eduarda continuava respondendo às provocações apenas com sorrisos maliciosos e olhos brilhantes.
O corpo de Lorena, porém, reagia com mais intensidade aos toques da namorada, como se aquela noite tivesse despertado uma fome diferente da qual a morena já estava acostumada.
Mas foi ao acaso que Eduarda provocou os barulhos que saíram de Lorena novamente.
Estavam dentro da viatura, estacionadas em frente à galeria. Lorena usava uma blusa curta, que ia até a metade das costelas. Mesmo em uma posição não muito confortável — cada uma em um banco, viradas de lado — a ruiva alcançou a pele exposta da cintura da namorada. As mãos espalmadas se arrastaram por ali, dando apertos firmes à medida que o beijo se intensificava.
As mãos experientes exploravam a pele arrepiada, ouvindo os suspiros. Ousou subir mais as palmas; os dois polegares entraram por baixo da blusa de Lorena, encostando na base dos seios dela — apenas um relar de pele.
— Hm.
Novamente Eduarda foi agraciada pelo som. Um pouco mais baixo e contido do que da última vez, mas inconfundível.
Lorena nem pensou em se sentir envergonhada; ela mesma não tinha percebido que tinha gemido. Então, quando a namorada quebrou o beijo para encará-la com lascívia, retribuiu, acreditando estar em mais um jogo de flertes.
Sem que Lorena esperasse, Eduarda quase se jogou em seu colo. Beijando-a.
Os olhos verdes se arregalaram.
Pela primeira vez, não sabia onde pôr as mãos durante o beijo.
Lorena sempre soubera exatamente onde tocar Eduarda, como provocar, como conduzir.
Mas agora o ritmo tinha mudado, algo entre o desconhecido e o já explorado.
O corpo da namorada estava sobre o seu, os quadris próximos demais, as mãos decididas. Não havia espaço para provocações calculadas — só intensidade.
Os braços ficaram parados por um segundo longo demais, um de cada lado do próprio corpo, as palmas abertas contra o banco de couro, como se o cérebro precisasse de um instante para acompanhar a velocidade que o corpo já tinha alcançado.
“ Eduarda está no meu colo.”
A mente gritava em alerta, mesmo durante o beijo.
Ela queria tocar tudo ao mesmo tempo — as costas, a cintura, os cabelos — mas o cérebro parecia ter virado geleia diante da percepção do peso, do calor, da proximidade real. Lorena tinha certeza de que ia morrer a qualquer momento.
Então veio a sentença final: sentiu as mãos quentes irem de encontro aos seus seios, espalmadas contra os mamilos, sem o impedimento de tecido — Eduarda as havia passado por baixo da blusa.
“Oh.”
Pensou.
Suas mãos agarraram o couro do banco com força. Piscou, percebendo que não estava mais beijando a namorada.
A mente, tão concentrada na sensação, não percebeu que o gemido não era só pensamento — foi audível, e contra a pele da bochecha de sua amada.
O rosto ficou ainda mais vermelho ao notar que continuava a soltar os sons.
Eduarda a encarava, ainda com as mãos em seus seios, pincelando os bicos com o polegar, com nada menos que admiração. Cada detalhe daquela mulher a fazia se apaixonar mais.
— Você fica linda assim, sabia? — disse, dando um beijo casto na bochecha dela, quase contrariando a situação em que estavam.
Outro gemido — talvez o mais alto até agora — saiu dos lábios de Lorena quando Eduarda pressionou os mamilos entre os dedos, primeiro envolvendo-os, depois apertando levemente. Um gemido manhoso escapou.
A essa altura, Lorena já estava com a cabeça escondida no pescoço de Eduarda, dando beijos molhados ali, como se aquilo ajudasse a regular a própria situação.
A ruiva sentia a saliva aumentar na boca, a vontade de experimentar a pele da namorada, imaginando os sons que Lorena faria se continuasse, a vibração que sentiria contra sua boca.
Sentiu a morena inquieta sob seu corpo. Percebeu que, involuntariamente, movia o próprio quadril, para tentar algum alívio, e que o corpo de Lorena buscava esse contato, mesmo inconscientemente.
Começou a se mover de verdade sobre a namorada, soltando um gemido muito próximo ao ouvido dela. Escutou Lorena sugar o ar com força e prender a respiração quase imediatamente.
Em reação, a ruiva retirou as mãos dos seios e parou os movimentos, rindo baixo ao escutar um murmúrio contrariado contra seu pescoço.
Passou as mãos pelo rosto de Lorena, fazendo-a parar de se esconder.
— Está sendo demais para você? — perguntou com cuidado, acariciando-lhe o rosto.
Sem palavras, Lorena a encarou, implorando algo com o olhar, os olhos brilhando e uma expressão quase sofrida de antecipação.
Eduarda podia ter sua resposta, mas precisava que ela verbalizasse.
— Você quer parar?
A tensão não abandonava o carro nem por um segundo.
— Não.
O cérebro finalmente pareceu responder, quase desesperado com a possibilidade de aquilo acabar.
Por iniciativa própria, Lorena iniciou um beijo para reafirmar o que tinha dito. Não demorou um minuto para que Eduarda voltasse a se mover contra o quadril dela, os gemidos sendo engolidos pela namorada.
Sentindo falta das mãos de Lorena em seu corpo, a ruiva buscou-as ainda presas ao banco e as guiou devagar por suas costas até deixá-las sobre sua bunda.
— Pode apertar. — disse entre o beijo.
Era diferente de um esbarrar inocente; a intenção era clara. O que deixava Lorena mais nervosa.
Mesmo insegura, Lorena fechou as mãos ali, pressionando. O contato arrancou gemidos roucos das duas.
Um pouco inebriadas pelos movimentos, nem perceberam quando Lucélia saiu da galeria e caminhou em direção à viatura.
— Que pouca vergonha é essa, meu Deus? — disse venenosa e intrometida como sempre, batendo no vidro do carro.
Rapidamente, a ruiva se deslocou do colo da namorada e sentou no banco do motorista novamente, ajeitando os cabelos, um toque de vergonha enfeitando suas bochechas.
Abaixou o vidro do carro.
— Não ouvi o que você disse.
— Perguntei que pouca vergonha era essa. — repetiu, quase gritando agora, forçando uma intimidade que nem tinha com as duas.
Eduarda pigarreou.
— Tinha um bicho no cabelo dela e eu fui ajudar a tirar. — sorriu largo demais, tentando disfarçar o desprezo.
A resposta arrancou uma gargalhada de Lorena e um revirar de olhos de Lucélia.
— Agora eu entendo o Dr. Ferette ter infartado quando viu vocês duas. Acho que vou precisar lavar meus olhos depois disso.
A expressão da policial mudou na mesma hora, fervendo de raiva. Já Lorena, bem diferente da vergonha que sentia minutos antes, assumiu um ar atrevido, a resposta na ponta da língua.
— Lucélia, acho que você devia se preocupar com a sua vida, não é?
— Mas vocês fazem parte da minha vida, queridas amigas. Se pegando aí na rua, sem vergonha nenhuma. — piscou inocente.
— Acho que se você tivesse alguém para pegar você desse jeito — deu ênfase na última frase — não estaria sendo tão intrometida.
— Só pode ser inveja.
Lucélia serrou os olhos, claramente ofendida.
— Até parece que eu vou sentir inveja de duas sapatas. — disse com naturalidade. — Olha só, meu Uber chegou. Tchauzinho.
Eduarda se segurou para não voar no pescoço da mulher que se afastava, e Lorena apenas riu.
— Como você aguenta essa piranha? — perguntou para a namorada.
— Confesso que me diverte discutir com ela. É menos trabalhoso do que discutir com meu pai.
Eduarda concordou, o clima anterior completamente mudado.
— Melhor eu entrar… — disse Lorena, os olhos descendo para a boca da ruiva, em busca de um último beijo.
Deram um selinho demorado.
— Hoje eu posso entrar com você. — murmurou Eduarda, ainda com as bocas grudadas.
Lorena a empurrou levemente.
— Safada. — riu da insinuação da sua mulher. — Melhor não. Não quero acordar todo mundo.
Piscou para a mulher e saiu do carro, sem perceber os rastros que as implicações de sua frase deixaram na mente da namorada.
—
Deixar Lorena nervosa e com tesão mal contido agora era um dos passatempos preferidos de Eduarda. Ver a garota, que sempre começava as provocações, sem jeito era, no mínimo, divertido para a ruiva. Ela já tinha aprendido que era fácil causar certas reações na namorada — bastavam alguns toques não tão inocentes.
Em uma dessas ocasiões, elas estavam jantando em um encontro duplo, com Maggye e Junior sentados na frente delas. Mantinham uma conversa casual, até que um monstrinho rastejou para a cabeça de Eduarda, implantando uma ideia.
Moveu uma das mãos e a posicionou sobre uma das coxas da namorada, a princípio apenas deixando-a parada ali — o contato quente contra a pele já levemente arrepiada.
Lorena percebeu no mesmo instante.
Olhou rapidamente para a ruiva e sorriu antes de voltar o olhar para a amiga, como se nada estivesse acontecendo.
Sem aviso, a mão da mais baixa começou a se mover sobre a coxa, em movimentos suaves, quase preguiçosos, com as pontas dos dedos. Círculos eram traçados numa inocência claramente falsa. Lentamente. Sem pressa.
Já era o suficiente para desfocar Lorena da conversa.
Ela perdeu uma palavra no meio da frase.
O suspiro pesado que soltou passou despercebido pelo casal à frente — Eduarda continuava a conversar com eles com naturalidade impecável, sorrindo, respondendo, fazendo perguntas, como se não estivesse sentindo, sob a palma da mão, o músculo da coxa da namorada tensionar a cada toque.
Minutos depois, Junior e Maggye iniciaram uma conversa própria entre eles. A ruiva aproveitou o momento.
A mão se fechou em torno da pele alva, as unhas raspando levemente, devagar o suficiente para não parecer brusco — mas firme o bastante para provocar.
A respiração de Lorena falhou por um segundo.
Ela checou Maggye antes de encarar Eduarda, os lábios comprimidos, o maxilar levemente travado.
Os olhos estavam mais escuros agora, algo como desejo claramente exposto em sua expressão.
Encarava a ruiva como quem implora e desafia ao mesmo tempo, sem saber se pedia para ela parar ou por mais.
Eduarda inclinou um pouco a cabeça.
— O que foi? — disse com um sorriso cínico, a voz baixa o suficiente para que só ela escutasse.
Sentia-se vingada por todas as vezes que Lorena lhe dirigira aquela mesma pergunta, com aquele mesmo tom sonso.
A herdeira se aproximou, muda, dando alguns beijos rápidos no rosto da policial — demorando um segundo a mais do que o necessário perto do ouvido.
O ar de Lorena esquentou.
Um gemido baixo, quase sufocado, reservado apenas para Eduarda, escapou quando a mão quente subiu lentamente para perto de sua virilha — sem tocar diretamente, apenas existindo ali.
O sorriso satisfeito de Eduarda veio automaticamente. Mas dessa vez, mesmo envergonhada, Lorena não se escondeu.
—
No dia da operação que Eduarda tinha participado, Lorena fugiu de ficar sozinha com ela no quarto, como o diabo foge da cruz. Tinha sido ela que tinha dado a ideia de assistirem um filme no seu quarto, mas ela não tinha percebido as implicações daquilo até, de fato, estar sozinha com Eduarda, ambas deitadas na cama, ainda escolhendo um filme.
A partir daí, Lorena inventou mil desculpas para não ficarem sozinhas ali. Se Eduarda a provocasse novamente, naquele ambiente, naquelas condições, provavelmente ia morrer antes de ceder totalmente à sua namorada.
Eduarda riu em todas as vezes que Lorena inventou alguma desculpa, desde um carregador esquecido até um lanche que a morena insistiu em preparar para ela. A ruiva percebeu os sinais de que a namorada estava muito nervosa com a situação que poderia se desenrolar, então, naquela noite, elas de fato apenas assistiram a um filme.
Lorena não poderia estar mais aliviada... e frustrada. Completamente frustrada.
Por isso, quando Eduarda a chamou para assistir a um filme na sua casa, foi sem segundas intenções. Esperava apenas receber um chamego da namorada depois de uma semana cansativa.
Ela estava reservando todas as suas provocações para a noite especial que tinha prometido a Lorena.
Repetiu milhões de vezes em sua cabeça, não importava quantas vezes os gemidos de Lorena viessem à sua mente para lhe convencer do contrário. Ela até resolveu fazer a noite do filme no sofá, em vez da cama.
Quando Lorena chegou, foi abraçada instantaneamente pelo ambiente confortável do apartamento de Eduarda. O cheiro de pipoca amanteigada recém-feita invadiu seu nariz.
Finalmente, uma folga das semanas turbulentas que as duas estavam enfrentando. Apenas ela e Duda de chamego, com um plano de fundo: uma comédia romântica qualquer.
Mesmo com uma vozinha no seu cérebro insistindo em lembrar do tanto que ela tinha gostado de ser provocada por Eduarda durante os intervalos dessas mesmas semanas.
Pode-se dizer que foi assim que o contato iniciou naquela noite: uma inocência com um toque de malícia que ambas tentavam empurrar para o fundo da cabeça.
Estavam há um bom tempo trocando carinhos inocentes. O filme não era tão importante quanto o cheiro uma da outra. A sensação da pele macia, o cafuné, o afago, os beijos. Tudo que acalentava seus corações.
Em um momento, no entanto, o conforto e a inocência se misturaram com o perigo e a perversão.
Um toque.
Uma das pernas de Lorena estava repousada por cima de uma perna de Eduarda, casualmente.
O contato da mão firme da ruiva na coxa de Lorena também era casual. E era tão casual que naturalmente começou a desenhar formas aleatórias ali. As unhas curtas raspando a pele vez ou outra.
Sentiu a pele arrepiada embaixo dos seus dedos, percebendo o que estava causando e, talvez, inconscientemente, buscasse aquilo.
— Você não está prestando atenção em nenhuma palavra do filme agora, não é? — a provocação era clara e foi dita quase em um sussurro.
Lorena — que encarava o personagem ditando um discurso motivacional como se fosse complicadíssimo de entender — respondeu:
— Claro que tô. — A voz era rouca, expondo que aquele toque, quase superficial, estava mexendo em algo dentro dela.
Eduarda agora observava a mulher pelo canto do olho, testando suas reações. Moveu a mão para a parte interna da sua coxa, o toque diferente da vez do restaurante, pois fingia ser inocente.
Lorena respirou fundo, sem gemidos, apenas uma ansiedade para que algo fosse feito, um desejo que crescia durante semanas, sendo provada ao limite. Ainda havia espaço para vergonha; suas bochechas evidenciavam isso, como de costume.
Mas a vontade gritava há dias em sua cabeça. Ela precisava de algo para controlar aquela coisa avassaladora que crescia nela; seus próprios dedos não apagavam mais a vontade.
— Para de fazer isso como se fosse sem querer... — Lorena disse, a voz baixa, os olhos escurecidos.
— Fazer o quê?
Parou os movimentos, mas o tom era provocador.
A morena ponderou por um segundo, hesitante. Encarou a namorada, que sorria de canto para ela, satisfeita.
Lorena não ia passar mais uma noite pensando no que poderia ter acontecido. Ela ia assumir o controle e ela mesma ia perder o controle.
Foi com esse pensamento e uma dose de coragem repentina que subiu em cima do colo de Eduarda. Devagar, um movimento felino e sorrateiro que surpreendeu a ruiva.
Os olhos brilharam ao encarar a sua mulher em cima de si, um encaixe que era muito óbvio para deixar dúvidas do que Lorena queria. A percepção da umidade da morena contra sua perna brilhando em alerta na sua cabeça.
— Lorena... — sussurrou quando sentiu o primeiro movimento.
A morena não parou; moveu-se novamente, testando, assim como Eduarda tinha testado-a tantas vezes. Devagar e consciente.
Ela fechou os olhos, mordeu os lábios para tentar prender um gemido, mas o som escapou mesmo assim. Eduarda encarava com fascínio a cena.
Lorena continuou a se mexer, quase timidamente. Dessa vez, era ela quem ditava o ritmo, sem provocações lentas que não chegavam a lugar nenhum, apesar de chegarem bem perto de algo.
Eduarda não ousaria se intrometer naquilo, então, quando segurou sua cintura, não foi por controle, e sim por apoio.
O ar do apartamento ficou denso e quente, mesmo com o ar-condicionado ligado. Lorena se esfregava em quase desespero, a cabeça no pescoço de Eduarda, mas, dessa vez, não para se esconder, e sim para deixar marcas do próprio descontrole. Mordia e beijava a pele macia enquanto gemia contra ela.
Os sons que saíam de Eduarda também a inebriavam.
A fricção do tecido fino contra a pele nua era tão deliciosa que Lorena pensava que não podia haver algo melhor que aquilo.
Não demorou muito para os movimentos ficarem ainda mais desesperados, às vezes mais longos e demorados e, de repente, rápidos e desleixados.
— Meu amor, você vai... — parou de falar ao sentir o tremor nas pernas da mulher.
Olhou admirada enquanto assistia Lorena se perder completamente, se desmanchar. Um gemido alto, gutural e desesperado saiu dos lábios rosados quando deu um último impulso contra a coxa de Eduarda. O orgasmo tinha atingido ela com uma força que nunca imaginou que poderia ter.
A ruiva conseguia sentir a pulsação de Lorena contra ela, fazendo sua própria intimidade contrair. Lorena ainda parecia presa no que restou do orgasmo, pequenos movimentos involuntários contra Eduarda.
Ela respirou fundo e, talvez um pouco envergonhada pela situação, escondeu-se novamente em sua namorada.
— Hm... — murmurou, obscena demais, perto demais do ouvido de Eduarda. — Calada.
Eduarda riu, incrédula.
— Mas eu não disse nada.
— Mas tá pensando. — Retirou-se do seu esconderijo, encarando a situação.
Ainda lutava contra a timidez, mas agora estava um pouco mais confiante.
— Tô. — disse sorrindo mais ainda.
— E o que você está pensando? — perguntou, curiosa.
— Que eu criei um monstro. — Eduarda brincou.
Lorena deu um tapa na ruiva, rindo e se escondendo novamente contra ela.
