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11 de abril de 2020, 10h, Torre Alfa, zona oeste de São Paulo.
Um encontro entre sete pessoas havia sido marcado no oitavo andar de uma grande torre comercial na avenida Faria Lima. Duas delas esperavam na sala de reuniões, em diferentes graus de paciência, seus convidados chegarem: um senhor de barba e cabelos brancos bem aparados e uma jovem com longos cachos cor de vinho.
Apesar das roupas próprias para o escritório que usava, a moça sentava desleixada na cadeira adjacente à cabeceira da mesa, onde o mais velho estava, suas botas pretas já desgastadas contrastavam com a mesa de madeira maciça. Ela prestava atenção em algo em seu celular, digitando rapidamente com o cenho franzido, mas um sorriso entretido tomou lugar da preocupação quando o outro limpou a garganta lhe lançando um olhar de reprovação.
Momentos após ela guardar o aparelho, a porta se abre. Cinco pessoas encaram do batente: uma moça de cabelos pretos usando um jaleco, um homem de moletom cinza e barba, dois rapazes que aparentam ter a mesma idade, um deles de ascendência asiatica que usava um suéter vermelho e o outro de cabelos negros volumosos um colete de lã, e, atrás deles, um homem grande de cabelos brancos com uma cicatriz de queimadura no lado esquerdo do rosto.
— Cês demoraram, hein? — Lety, a jovem à mesa, sorri, se balançando no pés traseiros da cadeira, para frente e para trás.
— Todos chegaram? Podem entrar — Veríssimo, o mais velho na sala, espera todos encontrarem seus lugares. Enquanto se ajeitam, apenas dois membros do grupo percebem a rápida olhada que Lety lança a ele, olhos estreitos e um vinco entre as sobrancelhas, mas antes que possam inferir alguma coisa a expressão se suaviza como se nem tivesse mudado em primeiro lugar.
Cristopher, o homem grande sentado à esquerda do jovem cabeludo, se pronuncia — Eu queria saber o que que meu filho tá fazendo aqui — o que faz Cesar, o rapaz ao seu lado, revirar os olhos com um suspiro.
Lety se inclina na direção do homem sentado à sua frente — Teu pai é o Van Damme? — ela sussurra, olhos redondos arregalados em uma expressão dramática de surpresa. O olhar não é recíproco, os olhos cansados do hacker encontram a ponta do nariz dela ao invés de seus olhos — Não.
Encorajada pela resposta seca, ela olha dele para o pai e então de volta para ele — Tem certeza? — e sorri. Ele a encara em silêncio por alguns segundos antes de responder a contragosto — Tenho — A garota segura a risada, se contentando em retornar a sua posição original na cadeira com uma expressão satisfeita, e volta sua atenção para Veríssimo.
Documentos são passados de mão e mão, relatórios e duas fotos polaroid, conforme ele apresenta os detalhes da missão: uma equipe de agentes desapareceu durante uma investigação na cidade de Carpazinha, no Rio Grande do Sul, deixando para trás apenas seu último relatório.
— Não tivemos mais notícias deles desde então, é por isso que eu estou assimilando vocês agora para descobrir o que aconteceu com esses membros e talvez auxiliar eles no combate contra esses exo-terroristas.
— Pera, isso não é uma piada? A gente vai ter que viajar com o casos de família, então? — Elizabeth, a única outra mulher na sala, dá uma risada irônica.
— A gente não tem escolha — O tom de Lety carece de qualquer divertimento que tinha antes — Se fosse pra fazer do jeito certo, nenhum de vocês ia tá aqui agora.
— Aham.. mas cê tá ligada que esses dois do jeito que tá conta como menos um, né? — Thiago, o de cinza, se pronuncia — Com todo respeito, Tio Cris…
— Por isso — a agente interrompe — que eu preciso que vocês levem isso a sério… — ela se vira na direção do ex-dublê — Olha… é Cris, né? Olha, Cris, teu filho tá aqui, cara, não tem o que fazer… Cê tem que aceitar isso e olhar pra frente agora.
— Pensa assim, meu querido, você falou que queria proteger seu filho… O quão fácil é proteger seu filho com ele perto de você? Muito mais do que longe — Thiago tenta acalmar o outro — ó seu tamanho, tu parece um armário, pai…
— Eu entendo a sua preocupação — a voz da jovem se suaviza —, a de vocês também, — ela olha rapidamente para Liz e Thiago — mas eu não vou mandar ninguém embora a não ser que seja por escolha própria — a garota se endireita, sua postura refletindo a de Veríssimo — e eu gostaria muito que todos vocês ficassem.
Liz desvia o olhar, fugindo do castanho intenso que a encara — Tá… — ela resmunga depois de uma deliberação silenciosa com o jornalista — mas se esses dois começaram de novo…
— Eu resolvo — a mais nova assegura —, mas eu preciso que você deixe eu resolver — ela diz a última parte mais baixo, se dirigindo a cientista especificamente.
— Tá, tá… Tanto faz… — Liz se levanta da mesa, dando a discussão como encerrada. Aos poucos, o grupo a segue.
Joui, o do suéter, para no batente olhando Lety ainda próxima a mesa — você não vem? — ela apenas sorri e abana com a mão — vai lá, eu preciso só vê um negócio aqui com o véio, já encontro vocês — ele acena com a cabeça e saí, fechando a porta atrás dele.
O sorriso some do rosto da jovem — Cê não podia ter me avisado? — ela se vira na direção de seu superior, mas ele se ocupa com as pastas restantes na mesa — Cristopher tem experiência, vai fazer bem à equipe… — sua voz soa mais do que cansada.
— Não foi isso que eu disse — o ar fica tenso —, eu sei que você não chamou ele de última hora, por que não me avisou? — ela para ao lado do Veríssimo atrás da mesa forçando a atenção do mais velho para si.
— Eu não tive tempo — ele suspira pesadamente — você sabe o que está por vir… — por um segundo, Lety quase se encolheu com a lembrança, mas sua indignação foi mais forte — Eu sei que eu fui a única que aceitou liderar uma missão como essa…
— Você foi a única a quem eu pedi — ele finalmente olha para ela.
Alguns segundos se passam, Lety parece não ter ideia de como responder, pega de surpresa pela honestidade e calmaria do que acabara de ouvir, então muda de assunto — Eu nem conheço o cara!
— Em breve você vai, Cristopher não é uma pessoa difícil de ler — o fantasma de um sorriso agracia suas feições, mas não demora muito para retornar ao habitual, sério e impassível.
— Eles precisam de um líder — ele coloca a mão no ombro dela em um aperto que Lety julga ser paternal. — E agora, esse líder é você — apesar do assunto mal resolvido, ela assente — Boa sorte e…
— Olhos sempre abertos… — ela revira os olhos — Cê não tem outra frase não? — Veríssimo se afasta com um aceno de cabeça — Não se atrase — e a dispensa.
O grupo está disperso pelo corredor: Liz e Thiago conversam em um canto, Joui espera curioso o mais próximo que consegue ficar deles sem ser enxotado e Cesar está apoiando contra a parede o mais longe possível dos outros enquanto ignora a presença de Cris ao seu lado.
— Beleza… — Lety chama a atenção de todos com uma palma — a gente se encontra no aeroporto daqui umas duas horas. Peguem equipamentos, malas, armas…
— O menina, como a gente vai viajar de avião com armamento? — a voz de Cris ecoa no corredor vazio — Ah, não se preocupem com isso — o sorriso dela exala uma confiança quase irritante — a Ordem já organizou tudo, tragam o que precisarem… sem restrições — os olhos de Joui parecem brilhar de animação.
— Bom, eu tenho um monte de coisa pra pegar, me preparar, então vou lá viu? Té mais… — Cesar é o primeiro a se afastar do grupo. A agente se adianta na direção dele — O garoto! — ele para com a mesma expressão desinteressada de antes, dessa vez, com o rosto enfiado no celular — Que foi?
— Ó, eu não sei qual o rolê de vocês aí… — os ombros dele tensionam — mas tem como cê colaborar um pouco?
— Eu tenho que colaborar..?! — ele abaixa o celular, o cenho franzido.
— Sim, você, porra. — a postura indignada dele murcha de imediato — do mesmo jeito que ele tem que aceitar, você também vai ter que lidar com ele aqui e seguir o baile… — ela hesita, pesando a intensidade de suas próximas palavras — de preferência antes que alguém se machuque.
Ele arregala os olhos — credo… — e ajusta a alça da mochila no ombro, claramente desconfortável — Eu tô falando sério — novamente, a voz dela toma uma qualidade terna. — Eu sei… tá, vou cooperar.. mas eu não vim brincar de casinha com ninguém não… — Segurando uma risada com a resposta clichê, ela assente — Só cooperar tá bom… Obrigada.
Ela então se vira para o resto do grupo — Não se atrasem!
11 de abril de 2020, 15h30, Carpazinha, Rio Grande do Sul
Ao chegarem do aeroporto deixam Cris com a tarefa de encontrar um veículo para alugar capaz de comportar seis pessoas de uma vez, de preferência que não seja um van ou algo igualmente chamativo.
— Eu duvido que ele encontre algo num fim do mundo desse — Cesar resmunga, erguendo seu celular em busca de sinal. — Não deve ser tão difícil assim… — apesar da incerteza, Lety tenta se manter positiva. — Ele vai voltar com o que? Uma SUV? — O hacker parece frustrado ao guardar o aparelho.
— Ou uma minivan… — Liz olha por cima da cabeça dos dois na direção em que Cris estava. — Um minivan ia ser legal! — a mais nova olha para a colega animada, mas seu sorriso some ao virar na direção da buzina — que porra é essa…?
Para a infelicidade de todos, Cris não voltou com nenhuma dessas opções, mas sim, com um dos carros mais feios já feitos. Tinha faróis altos na base do para-brisa que estendia para a frente, criando uma divisória com o resto do carro, e a cor metálica o deixava ainda mais chamativo.
— Era o único carro que dava, menina! — Cris grita da janela do motorista. — O banco da frente, diferente dos carros convencionais, estendia por toda a largura do veículo, permitindo que três pessoas sentassem lado a lado.
— Vamo, queridos… — Thiago guia o trio horrorizado em direção ao carro, um sorriso suave nos lábios, Joui segue atrás deles com passos cautelosos, observando Liz para saber como reagir a situação.
Ela se recusa a sentar no meio, já irritada com a escolha de carro, cruzando os braços com um olhar fulminante para Thiago até ele se acomodar ao lado de Cris no banco da frente. Cesar passa reto por seu pai e se senta atrás dele, os outros dois se juntam ao hacker sem grandes objeções.
— Vocês querem com ou sem emoção? — a pergunta de Cris faz os agentes mais novos praticamente pularem no banco — Com emoção! — , mas Liz e Thiago recusam exasperados, o que faz Joui mudar de ideia na mesma hora. — Vira casaca… — Lety se afunda no banco
Cris gargalha, mas atende aos pedidos, respeitando (quase) todas as leis de trânsito até o endereço indicado no mapa, em menos de dez minutos eles param em frente de uma casa azul simples, acima da porta há uma placa indicando “Polícia”.
Lety toma a frente do grupo, ajustando suas roupas antes de caminhar diretamente para a mesa de informações, mas somente após gerarem certo tumulto, o detetive Victor Rott os convida para seu escritório. Lá, o grupo faz perguntas sobre a morte de Rafael Montes, dois lugares se destacam: o bar Suvaco Seco perto da estrada onde o corpo foi encontrado e a casa da família Montes, na cidade.
Cris, contra as indicações de Thiago e Liz, pega o número do policial antes do grupo se dirigir à casa da família. Ela é simples, mais ainda que a delegacia, à sua frente uma placa de vende-se e um grande portal de metal, o qual Cris pula habilmente.
— É rapaziada, o jeito é todo mundo pular mesmo… — Lety limpa a terra dos joelhos, depois de uma falha tentativa de arrombar a fechadura — alguém quer pézinho? Porra, pior que era melhor o Cristopher dá pézinho, né? Agora já foi…
— Abre pá nois aí, Cristopher — o dublê tenta, mas não consegue atender o pedido de Thiago. — Não tem como, menino!
Agora muito ocupados discutindo se ele deveria abrir com um chute ou não, o grupo não percebe a agente escalando as grades até que ela aterrissa em pé do outro lado. Joui faz uma acrobacia para atravessar até o outro lado, é claro o esforço para mostrar suas habilidades aos seus mentores.
Cris e Lety ajudam os outros três a passarem, a equipe arromba a porta da casa com um chute do maior e se espalham pelo ambiente para investigar. Assim que Cesar tenta se separar do grupo para explorar outro cômodo, Thiago barra o caminho dele com um braço — Sem se separar, meu querido.
— É uma casa vazia, o que que pode acontecer? — Liz intervém
— Morte… laceração… assassinato…
— A casa é pequena, se tiver morte e assassinato, a gente vai ouvir… — Lety segue para dentro da casa — é só ninguém ficar sozinho!
Não há nada na casa além de sujeira e móveis abandonados, então a equipe aproveita que ainda está de tarde para ir até o bar indicado.
— Agora eu vou com emoção — Cris avisa antes de arrancar na maior velocidade que o veículo consegue atingir. — Ebaaaa! — Lety e Joui erguem os braços, claramente animados, e a moça desce sua janela para para sentir o vento forte no rosto. Liz, Thiago e Cesar, por outro lado, se seguram nos seus assentos de forma apreensiva.
Eles estacionam frente a um bar sujo com letreiro mal iluminado, a mais nova ignora os olhares confusos dos outros e, usando o espelho lateral do carro como guia, começa alterar sua aparência; a camisa social dá lugar para uma regata preta rendada que deixa à mostra o piercing no umbigo; ela esfrega os olhos até borrar o rímel e lápis de olho e bagunça os cabelos, adicionando mais volume aos cachos.
— O… minha querida, que que cê tá fazendo? — a voz julgadora de Liz chama atenção de Lety para longe do espelho. — A gente vai num bar de motoqueiro.. que chama Suvaco Seco, o mínimo é não parecer um bando de turista perdido… — ela para no meio da frase, encarando Liz de cima a baixo — Cê vai de jaleco?
— Vou ué
— Quem vai num bar de jaleco?”
— Eu…?
— Não, para de ser esquisita. Deixa no carro, depois cê pega — Liz a muito contragosto tira o jaleco — as luvas também..! — e as luvas, guardando o primeiro no banco da frente do carro e o segundo no bolso da calça.
O grupo que se dispersa para dentro do bar: Joui e Liz vão em direção ao grupo jogando sinuca, Thiago e Lety vão em até o balcão pedir um whisky e uma cerveja, respectivamente, ele permanece e a garota se aproxima da mesa de sinuca para assistir o jogo.
Quando o jornalista pede por histórias locais, Ivete chama Brúlio, um homem alto e forte de cabelos longos e brancos, para o balcão. — Esse aí é maior de idade? — ele questiona, apontando para Cesar — Eu tenho 30 anos — a surpresa é tanta que Lety quase se machuca ao virar a cabeça tão rápido na direção deles.
Brúlio propõe os desafios em troca de histórias da região, mencionando um Doutor Lunático — Que tipo de desafios? — Lety sorri entretida de seu lugar no canto do bar. — Não vai ter queda de braço não, né? — Cesar resmunga, arrancando uma risada calorosa de Brúlio — essa é a primeira!
— Vai ser você mesmo, gringão? — o Gaudério sorri, já sentado na mesa em que seria feito o jogo. — Olha pra eles, se acha que algum deles ia conseguir fazer isso? — Cris diz com confiança, arrancando “eis” ofendidos de Joui e Lety. A competição é acirrada, no entanto, o gaudério leva a vitória quando Cris se distrai ao ouvir seu filho torcendo por ele.
Joui se oferece para o segundo jogo, uma disputa de dardos contra o gaudério ruivo que usa um tapa olho, Gregório. As rodadas são extremamente anti climáticas, ambos fazendo jogadas péssimas, Joui ao tentar se mostrar para seus mentores novamente, acaba acertando um dardo no teto, mas mesmo assim, o ginasta vence.
— Eu ganhei no braço de ferro, vocês ganharam no dardo… chegou no último jogo… — Todos hesitam quando Brúlio pega uma pistola do colete, retira quase todas as balas, com exceção de uma, gira o tambor e a coloca sobre a mesa — Quem vai?
Os dois agentes veteranos discutem entre si para decidir quem vai jogar, quando demoram demais Lety passa por eles e pega a arma. — A gente vai fazer isso a troco de ouvir a fábula do doutor Lula, é isso? — Cesar diz indignado, mas ela não responde, apenas respira fundo. Sem tirar os olhos dos de Brúlio leva a ponta da arma até a têmpora e puxa o gatilho… nada acontece.
Brúlio dá outra risada alta e calorosa — É disso que eu gosto! — Ele mostra o barril… a arma estava vazia — Só queria ver se vocês tinham coragem, eu nunca ia matar alguém aqui, a Ivete não deixa usar arma aqui dentro
— Se o jogo fosse real, algum turista tinha morrido já, o rapaz ia ter avisado a gente disso pelo menos… — um olhar mais atento veria o tremor quase em suas mãos ao devolver a arma na mesa. Ela toma um gole da cerveja, o primeiro desde que chegaram.
O grupo conversa com os Gaudérios perto da mesa de sinuca, ouvindo as histórias do Doutor Lunático e dos Assombrados, gangue rival de motoqueiros, e como se invocados, dois de seus integrantes entram no bar. Eles empurram o senhor conhecido como “Véio Louco” no chão, gritam com a Ivete, transformando a atmosfera num lugar tenso.
Um deles se aproxima para mexer com a Liz e num impulso Lety e Cesar se movem para adicionar distância entre a perita e o motoqueiro. Thiago puxa sua arma, mas é prontamente impedido por Brúlio, armas são proibidas dentro do bar.
A tensão finalmente estoura quando um dos assombrados ataca o líder dos gaudérios, todos parecem se mover ao mesmo tempo: Lety avança no outro Assombrado e leva uma facada no ombro; Cris tem uma faixa de pele do seu braço arrancado e seu torso perfurado ao tentar ajudá-la; Joui, Cesar, Liz e Thiago saem ilesos, os veteranos causam dano o suficiente para espantar os motoqueiros.
Com o perigo neutralizado, Liz pega o kit de primeiros socorros do carro e cuida dos ferimentos de Cristopher e Lety. Brúlio insiste que digam a verdade — Turistas não fazem o tipo de perguntas que vocês… ou participam de brigas de bar assim…
O longo silêncio é quebrado por Lety — A gente veio aqui pra investigar a morte do Rafael Montes… — Liz aperta seu braço em aviso, ao fazer um curativo no seu ombro, mas ela continua — é importante ninguém saber disso pra não atrapalhar nosso trabalho… — ela devolve o olhar intenso da cientista, um aviso próprio: eu sei o que eu to fazendo.
— Depois dessa história toda, não parece que filha e a esposa tenham sido coincidência… por isso que a gente precisa saber de tudo que der sobre Carpazinha, mesmo que não faça sentido… alguém pode tá usando a lenda para encobrir algo.
Thiago afirma o perigo com que o grupo lida, pedindo para que Brulio não se envolva pela própria proteção. O Gaudério aceita a verdade nas palavras deles, mesmo que sinta que estão ocultando algo, e sugere que eles passem na biblioteca.
Saindo do bar, o grupo decide ir para o hotel descansar, lá eles se dividem em três quartos: Lety e Liz, Thiago e Cris e Cesar e Joui. A jovem já está no quarto, quando sua colega entra com uma garrafa de whisky em mãos — Se você vomitar durante a noite, eu não vou desafogar você… — ela não tirar os olhos do celular — cuida do seu aí, querida — Liz chia em resposta, tomando direto da garrafa antes de se preparar para dormir.
Ainda digitando quando a perita adormece, na manhã seguinte, quando a acorda a jovem já está de pé, vestida para o dia, e novamente com o celular em mãos — você não larga isso aí nunca, não? — a voz sonolenta chama atenção da agente. Ela suspira e guarda o objeto no bolso do shorts — pode ser um choque pra você, Doutora, mas eu tenho vida fora daqui…
A equipe se encontra no saguão e Cesar compartilha as poucas informações que encontrou durante sua pesquisa na noite anterior antes de irem à biblioteca. Lá seus achados os levam até o antigo sanatório da cidade: um casarão velho e claramente abandonado.
De fora, os agentes já escutam barulhos de batida vindos de dentro e empunham suas armas. Thiago vira na direção do mais velho ao ver as tábuas de madeira apodrecidas que barram a porta — Ou… Cris, tá ligado que é sua deixa de novo, né? — isso é tudo que Cristopher precisa para arrombar a porta com um único chute.
