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Nossa ruína

Summary:

Lorena Ferette era uma personificação do rigor, uma sucessora de mármore e leis que via a vida passar através de janelas fechadas. Até que Eduarda surgiu, não como um capítulo planejado, mas como uma poesia marginal que se recusa a seguir a margem. Entre o aroma de café fresco e as luzes de uma São Paulo que nunca dorme, elas viveram o impossível, o instante em que o idealizado se torna toque, e o que era apenas sonho ganha voz.

Foi um encontro onde o tempo se curvou diante da intensidade, o reconhecimento de duas almas que demonstraram que a liberdade não está no destino, mas no caminhar lento por uma calçada qualquer. Foi incrível, vasto e absoluto.

Mas, como toda beleza que desafia a ordem, foi também o início do desmoronamento. Porque, para quem sempre viveu de aparências, o amor de verdade é uma ruína necessária, o doce impacto que derrota as prisões de cristal para que, sobre os escombros, o coração possa, enfim, habitar a própria verdade.

Notes:

Esta história é dedicada a todos aqueles que, como Lorena, passaram a vida lendo sobre o amor em páginas amareladas, idealizando-o em segredo enquanto o mundo real protege apenas silêncio e protocolo. Para quem conhece a saudade de algo que ainda não viveu, e que guarda no peito um universo que nunca coube na rotina.

Chapter 1: PRÓLOGO.

Chapter Text

Se o amor é o sopro que dá vida ao barro, o que acontece quando a respiração decide que já caminhou o suficiente?

Houve um tempo em que o mundo delas cabia não espaço de um sussurro entre as estantes da biblioteca, onde o cheiro de papel antigo se misturava ao perfume doce da descoberta. Foi um amor desenhado nas margens de cadernos e selado em promessas feitas sob a luz alaranjada de fins de tarde que deixaram eternos.

Elas foram o encontro exato entre o rigor e a rima, a batida perfeita de dois corações que acreditavam piamente ter inventado o próprio destino.

Foi lindo, aquela forma cruel que só as coisas puras oferecem ser. Tinha o cor do céu antes da tempestade e o gosto do primeiro café compartilhado em uma manhã fria. Eles se tornaram o refúgio uma da outra, um território onde as obrigações e a lógica não podiam entrar, onde o único julgamento permitido era o toque e a única filosofia aceitável era a do agora.

Mas às vezes, a beleza carrega uma lâmina escondida.

O mesmo amor que lhes ensinou a voar foi o que as ancorou na dor de ver o relógio correr rápido demais. Foi um sentimento que floresceu no peito como uma primavera vibrante, apenas para ser colhido por um inverno que não pediu licença para entrar. Elas aprenderam, entre lágrimas e silêncios pesados, que amar alguém profundamente é também aceitar o risco de carregar o vazio que essa pessoa deixará.

Elas tiveram o brilho das estrelas, mas também a escuridão que sobra quando elas se apagam. Construíram um castelo de memórias sobre um chão de vidro que, eventualmente, começou a trincar sob o peso da realidade. E, no fim, restou apenas o eco de risadas que não voltam mais e o rastro de uma tinta que secou antes da última página ser escrita.

Afinal, o que o amor vira quando chega ao fim?