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Did you come to stare? Or wash away the blood?

Summary:

A ideia era para ser só um trabalho da faculdade de artes. Ajudaria imenso se a situação não fodesse tanto com a cabeça deles, e se o Gerard não tentasse afogar aquele tesão todo em garrafas de álcool e carreiras de pó. Principalmente com o Frank sendo demoníaco e apaixonante.

Tentar não se envolver acaba virando um autêntico show de horrores de drogas, bissexualidade e música. Afinal, a arte exige sacrifícios — e a sanidade mental do Gerard foi a primeira a ir pelo ralo. Tudo por uma maldita chance de expor arte numa galeria, claro.

Notes:

Essa fanfic foi e está sendo escrita como o resultado de um surto. Doente de fomo pós-show do My Chemical Romance no Brasil.

Dedico essa obra de arte à minhes amiges lindes, que me ajudam a revisar e escrever, desenvolver os plots e fechamentos. Bea, Fe, Laiz e Giovanna, eu amo vocês.

Não sei quantos capítulos terá, muito menos se vocês vão gostar. Mas eu gostei!

A fic não tem compromisso com a verdade. Apenas com informações, nem sempre verdadeiras.

É minha primeira fanfic, aos 24 anos, com muito orgulho. Não me xinguem muito nos comentários.

Me sigam no twitter/X, meu user é @fod0rr

A Fic tem uma playlist no spotify, com as músicas dos capítulos: open.spotify.com/playlist/2bFm7jQnrNFYVV1OMXy8Ra?si=9XohxDj-R3OnolpkbOQE5A

Chapter 1: Boys Don´t Cry

Chapter Text

20 de Setembro de 1995.

 

Frank acordou, com uma raiva enorme do mundo, porque teve de acordar, o que supostamente era um evento diário. Levantou, chutou as roupas sujas que estavam no chão ao redor da cama, lembrou que sua mãe no dia anterior deu uma dura nele para dar um jeito na bagunça, sua raiva cresceu, seu sangue ferveu. 

 

Como ela não entende? Não consigo! Não consigo limpar, lembrar de jogar as embalagens vazias de cosméticos fora, não consigo fazer nada! Só quero dormir pra sempre! — Gritou Frank, dentro de sua própria cabeça. 

 

Faz só três meses que a pior coisa na vida dele aconteceu, ele perdeu o único ser que o entendia no mundo todo, seu melhor amigo… Seu cachorro Beavis... Levantou, foi pro banho (evento raro, mas hoje ele sabia que teria de tirar foto na escola). Era ensaio da “Colação de Grau” rito de passagem pro colegial. 

 

Ridículo! Patético! Pra que uma merda dessa? É só a oitava série, não é realmente uma formatura, porra… — rosnou ao ver o relógio. 

 

Frank tinha uma boca suja demais para um adolescente — Hoje não teria aula pela manhã, apenas esse ensaio à tarde, marcado para 14h30. Era 14h10. Frank estava FODIDO. Ele vai levar a bronca do século na porta da escola. Saiu do banho correndo, vestiu sua calça jeans azul mais antiga e esgarçada, que ele não usava desde que entendeu seu estilo mas ainda fazia parte da coleção de roupas patéticas que sua mãe costumava escolher pra ele, pra ele “pertencer e se misturar”...

 

Merda! Nasci no Halloween! Como posso “pertencer e se misturar”? Nunca! Vou viver a minha verdade!— ...Frankie era um rebelde sem causa. Mas pra quem tem 14 anos, é só mais um dia qualquer.

 

Ele aceitou que estava atrasado pra cacete. Passou um lápis de olho de forma esdrúxula em seus olhos — quase arranhando a linha d’água — com o lápis de olho preto antigo e mal apontado que roubara de sua avó, que sempre o incentivava à vestir-se “excentricamente”...Riu, lembrando disso, e percebendo que estava cada vez mais fodido pelo horário.

 

Vestiu uma camiseta do “desenho animado” (aspas pois é um desenho tão alternativo visualmente que chamar de desenho animado parece sátira) Beavis and Butt-Head, que ele havia desenhado pra seu irmão mais velho, que era fã, mas eventualmente roubou, e era a camiseta estampada mais séria que ele possuía. All star preto sujo, rasgado — consequência das constantes quedas de skate — desbotado e rabiscado, precisava comprar um novo antes que sua mãe o xingasse de novo por não “pertencer e se misturar”, ruim era convencer seu pai a pagar… Seguiu para pegar a bicicleta para correr para a escola, já que era no bairro ao lado. Correu pela cozinha e gritou: 

 

To saindo, mãe! To muito atrasado, tenho que estar lá em 5 minutos! — De forma que ela não conseguisse ver a maquiagem em seu rosto, isso é um problema pro Frank do Futuro.

 

Passou o caminho todo, pedalando num ritmo quase de corrida, cantarolando uma música do The Cure, “Boys Don’t Cry”. O que ele estranhou estar grudado na cabeça já ele não escutava essa banda, quem escutava era seu irmão e sua mãe ouvia com ele, afinal era música da juventude dela, mas ele gostava. Não se alegrava em admitir, mas gostava de ficar perto do irmão, apenas observando o que ele fazia durante o dia, o que ele escutava, e o quão descolado ele parecia ser. — Um dia vou ser assim… Gótico e do mal, cruel e arrogante, que nem esse otário… Mas acho foda, fazer o que, sonho do oprimido ser o opressor e etc… — Pensou com certo desconforto, não imaginava o chato que seu irmão se tornaria na vida adulta.

 

O nanico chegou na escola, todo vermelho de pedalar, respirando pesado, implorou para o zelador o deixar entrar fora do horário, guardou sua bicicleta, e dirigiu-se ao pátio, onde todos estavam sentados numa fileira esquisita e mal feita de cadeiras, como num casamento, todos da sua série, deveria ter umas 65 pessoas ali! — MERDA! Mil vezes merda, merda, merda! Argh.  Pensou. A coordenadora o lançou um olhar mortífero, mas não impediu ele de se sentar. Só tinha 2 lugares mesmo, ele sentou no mais para a ponta. Todo mundo o encarou ao entrar. Ele esqueceu por completo que seu cabelo estava com duas cores. Óbvio que olhariam. Como uma bixinha de 1,50 de altura, cabelo metade azul metade rosa, vai passar despercebida? — Ok. Já vai acabar, não preciso falar com ninguém, vou pra casa já… — Pensou — com tédio — se acalmando e respirando fundo, acabou prestando atenção em somente metade daquele discurso inútil da coordenadora. 

 

Quem porras se importa com isso tudo? Meu Deus, esse inferno não acaba! — Frankie já estava desesperado dentro da sua cabeça, brincando de mudar pensamentos de lugar para não ter que ouvir o discurso da coordenadora.

 

Fazia só 3 minutos que havia chegado e se sentado. Ele sempre foi muito dramático.

 

Frank sentiu um arrepio na espinha. Seus olhos imediatamente se voltaram para a entrada, para aquelas portas de vidro envelopadas com máscara esverdeada, que ricocheteavam o sol fervente de fim de verão. Avistou um cara? Não sabia se era um cara ou não? Era familiar… Mas não sabia de onde o conhecia. O cara estava como ele quando chegou, vermelho, respirando com dificuldade, vestido de forma esquisita, o que parecia mais uma fantasia. Não, não, ele não estava fantasiado, só parecia aquelas pessoas “naturalmente alternativas”. Ele estava com uma camiseta velha do Misfits, uma calça jeans surrada e furada no joelho, adidas campus todo preto…

 

Oh! Oh… — Frank pensou, amava essa merda de tênis, mas não combinava com suas roupas, então nunca sonhou em comprar, o esquisito tinha olhos cor de âmbar, esverdeados, a pele mais pálida que leite… Parecia muito macia. Os cabelos pretos, levemente ondulados na metade do pescoço, lábios vermelhos, sobrancelha que não hesitava em chamar atenção…

 

Ele estava intrigado. Nunca havia visto esse cara. Não é possível que tivessem a mesma idade, ele parecia alto, e ele saberia, conhecia cada um daquela escola, estava lá há muitos anos, anos demais… Ele não viu, apesar de estar hipnotizado, que o cara se moveu na direção dele e pediu para sentar ao seu lado, já que Frank bloqueava o caminho. Ninguém pareceu notar aquele cara ali, estranho… 

 

Será que ele existe mesmo? Ou to criando pessoas na cabeça de tanta vontade de beijar alguém? — Frank pensou de forma adolescente. 

 

Nah, ele existia. Era irmão mais velho do seu amigo Mikey, que estava doente e não podia ir no ensaio. Mas ele não sabia. Só soube quando…

 

Merda! Lugar demoníaco! Pensei que nunca mais ia ter que vir aqui nesse inferno, ainda mais ficar ouvindo essas regras ridículas pra essa colação patética que eu tenho certeza que o Mikey não dá UMA foda! Argh! “Usar sapato preto fechado” (Mimicou, caçoando da coordenadora e fazendo a voz nasalada e estridente desta) Quem liga pra essa bosta? Mikey só tem um all star preto! Vai ter que ser esse mesmo… — O irmão olhou pro lado, onde estava Frank, estático e boquiaberto, sem entender porque aquele cara esquisito tava xingando tão abertamente do lado dele.

Ah!... Você deve ser o Frank  — sussurrou o irmão, julgando e analisando cautelosamente a expressão e a aparência de Frank, com uma certa malícia.

O Mikey fala muito de você! Sou irmão dele, Gerard, e me formei aqui ano passado. To entrando na faculdade agora, eu espero, se eu conseguir…

 

Merda, pinto, cu, bosta, mijo. — Frank pensou seu conhecido mantra boca suja que sempre pensava quando alguém o pegava fazendo algo errado. E ele estava. Estava encantado e se sentindo atraído por um ADULTO, que era irmão mais velho de seu melhor amigo, e então se sentiu bobo e pequeno, como se fosse possível ser menor do que já era. 

 

Conversou brevemente com Gerard sobre como odiava as regras da escola, que odiava aquele lugar e queria ser músico, enquanto ele ria da inocência dele, mas não de forma a caçoar, era como se Frank fosse um filhote de cachorro que ele achava adorável. Ao fim do ensaio, Gerard prontamente levantou com pressa e exclamou:

 

Finalmente! Agora vou poder sumir desse inferno para sempre de novo. Bom te conhecer Frank! Sei que se tivéssemos estudado juntos seríamos muito bons amigos… Vou tentar ficar em casa das próximas vezes que você aparecer lá pra jogar videogame com Mikey. Prometo. Até mais! O que Gerard quis dizer com “seríamos muito bons amigos…” de forma tão maliciosa? Frank provavelmente não descobriria logo pois…


…sumiu. Sumiu tão rápido, da mesma forma que apareceu na vida de Frank. Deixou borboletas no estômago, um arrepio confortável na espinha, uma validação que nunca sentira antes. Não iria mais vê-lo, Gerard iria para a faculdade, viveria trancado no porão quando tivesse na casa dos Pais. Só o veria em outro contexto, outra história, outra proposta, mas sabia que quando se conectassem de novo, a vida dele mudaria.