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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-04-08
Words:
1,594
Chapters:
1/1
Comments:
8
Kudos:
260
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11
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4,730

said i'm fine but it wasn't true

Summary:

Eduarda cuidando da Lorena depois dela voltar para casa bêbada no capítulo 23 da Novelinha.

Notes:

oie, amores

achei que ficou faltando essa parte da duda cuidando da lorena quando ela chega bêbada em casa na novelinha, então fiz essa fic curtinha pra preencher essa lacuna

engajem a novelinha nos canais oficias da globe bjs e aproveitem a leitura

Work Text:

Seis meses em Londres…

 

Esse era o único pensamento que ecoava na mente de Eduarda desde a conversa que tivera com Lorena, antes da morena sair para trabalhar. No fundo, ela sabia qual era a decisão certa, sabia o que precisava dizer para acalmar a angústia que vira nos olhos da namorada quando a contou sobre o curso. Mas ser a decisão certa não tornava a ideia de ter que passar tanto tempo longe dela mais fácil.

 

Estava deitada na cama, rolando distraidamente pelo celular, incapaz de relaxar o suficiente sequer para dormir. Sentia que não conseguiria ficar em paz até dar continuidade na conversa sobre o futuro das duas.

 

E, como se a possibilidade de passar seis meses separadas já não fosse suficiente para preocupar a mente da ruiva, Lorena ainda estava atrasada, fazia quase uma hora que ela deveria ter chegado do trabalho.

 

Eduarda abriu a conversa delas e a releu mais uma vez, mesmo sabendo que não havia nenhuma mensagem nova desde a última, enviada há meia hora.

 

Eu [30 minutos atrás]

Gatinha, tudo certo aí?                                      

 

Meu amor ♡ [30 minutos atrás]

tudo, amor

tô só conversando um pouco com o pessoal

mas não precisa se preocupar

 

Eu [30 minutos atrás]

Se precisar que eu vá te buscar, me avisa, tá bom?

Te amo

Meu amor ♡ [29 minutos atrás]

tá ok meu amor

te amo

 

Antes que pudesse se afogar de vez em pensamentos negativos e nos mil cenários possíveis sobre o que poderia ter acontecido com Lorena, Eduarda finalmente ouviu o som das chaves na fechadura.

 

O alívio veio imediato, mas durou pouco, logo dando lugar a desconfiança quando a porta demorou mais do que o normal para abrir, como se quem estivesse do outro lado estivesse tendo dificuldade com as chaves.

 

Ela se levantou na mesma hora e foi até a sala para verificar. Enquanto estava chegando, a porta finalmente se abriu, e Lorena praticamente tropeçou para dentro, desabando no pequeno banco que ficava na entrada do apartamento.

 

— Amor, o que é isso? — Eduarda diz enquanto caminha até Lorena.

 

Assim que entrou na sala, encontrou a namorada com o olhar turvo, lutando para pendurar a bolsa no gancho. Somando aquilo ao contexto da última conversa que tiveram, e ao fato de que ela havia demorado mais de uma hora além do esperado em um bar, a conclusão veio quase instantânea.

 

— Você tá bêbada? — perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

 

— Não. — Lorena negou, teimosa, ainda tentando acertar o gancho. Mas o cheiro de álcool não deixava muito espaço para dúvida.

 

A preocupação tomou conta de Eduarda na mesma hora. O coração apertou ao imaginar o estado emocional da morena para chegar aquele ponto, ainda mais sendo alguém que raramente bebia. Talvez exatamente por isso tivesse passado do limite.

 

— Lorena! Amor, você não sabe beber. Vem cá. — disse, envolvendo a cintura dela com cuidado para ajudá-la a se equilibrar e guiando-a até a poltrona da sala.

 

— Mas eu não tô bêbada, amor. Tô só alegrinha. — Lorena murmurou, tropeçando um pouco nas palavras.

 

— Ah, é? E a alegrinha bebeu quanto, posso saber?

 

— Foram só umas duas garrafas de cerveja... ou três, quatro, sei lá.

 

Eduarda a ajudou a se sentar, e Lorena praticamente derreteu na poltrona, o corpo relaxando de vez. A ruiva foi até a cozinha e voltou rapidamente com um copo de água gelada, estendendo-o para ela.

 

— Bebe.

 

— Não quero. — Lorena fez uma careta quase infantil, arrancando de Eduarda um esforço visível para não rir do drama desnecessário da namorada.

 

— Não quero saber se você não quer. É pra beber, é pro seu bem.

 

— Nossa, Investigadora Fragoso, como você é autoritária. — reclamou, mas ainda assim pega o copo da mão de Eduarda e toma algumas goladas.

 

Um pouco de água escorreu pelo queixo dela, e Eduarda, quase no automático, levou a mão para secar.

 

— Você voltou pra casa sozinha nesse estado?

 

— Não, o André me deu uma carona. — respondeu, estendendo o copo, agora vazio, de volta para Eduarda.

 

— Dá próxima vez, se tiver uma próxima vez, eu quero que você me ligue, não importa a hora. É perigoso você estar nesse estado, a gente nunca sabe quais são as intenções das pessoas.

 

— Eu sei, mas eu não queria te preocupar.

 

— Eu fico preocupada com você de qualquer jeito. — disse mais baixo dessa vez, se aproximando. — Agora vem, vamos pro banho, vai te fazer melhor.

 

Lorena soltou um resmungo de palavras incompreensíveis, mas não teve forças para resistir quando Eduarda se abaixou em sua frente e passou um braço ao redor da sua cintura. Com um pouco de esforço, Eduarda conseguiu colocá-la de pé e o peso da morena veio imediato, o corpo cedendo contra o dela e a cabeça caindo no seu ombro.

 

Eduarda abriu a porta do banheiro e guiou Lorena para dentro, fazendo-a sentar no vaso sanitário.

 

— Vou te ajudar a tomar um banho. — disse, e Lorena fez um bico enorme.

 

— Mas eu já tomei banho hoje. — respondeu com a voz manhosa.

 

— Não depois de beber metade do bar, Cascãozinha. Eu vou pegar uma muda de roupa pra você rapidinho, pode ir tirando a roupa enquanto isso… se você conseguir.

 

Eduarda tentou fazer o caminho até o guarda-roupa o mais rápido possível, escolhendo um pijama fresco de listras que encontrou no topo da gaveta de “roupas de ficar em casa” de Lorena.

 

Quando voltou para o banheiro, encontrou-a exatamente como havia deixado, ainda vestida, sentada no vaso.

 

— Que foi, amor? Não conseguiu tirar a… — a frase morreu nos lábios de Eduarda quando viu a trilha de lágrimas escorrendo pelas bochechas da morena. — O que aconteceu, meu amor? Você tá sentindo alguma coisa? — disse, apressada, ajoelhando-se em frente dela para poder olhá-la melhor.

 

— Me desculpa, meu amor… — foi tudo o que Lorena conseguiu dizer, em um fio de voz.

 

— Desculpa por quê, Lorena? Você não tem nada do que se desculpar, tá bom? — respondeu Eduarda, enquanto secava as lágrimas que continuavam a cair.

 

— Claro que tenho. Primeiro eu jogo essa bomba do curso em Londres em cima de você, agora volto nesse estado pra você ter que cuidar de mim. Eu sou péssima. Desculpa.

 

— Você não disse naquele dia que nós somos casadas? — Eduarda perguntou, esperando Lorena assentir antes de continuar. — Então, casamento é na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… e na sobriedade e na embriaguez. — completou, com um sorriso bobo, segurando as mãos da namorada.

 

— Acho que a igreja não vai aprovar muito essa versão… — Lorena respondeu, deixando escapar a sombra de um sorriso.

 

— Não tem problema, a gente faz a nossa própria versão. E sobre o curso… quando você estiver se sentindo um pouco melhor, a gente conversa, tá? Agora vamos focar em você descansar um pouquinho. Vem, vou te ajudar com essa roupa. — Eduarda guiou os braços de Lorena para cima e retirou a blusa com cuidado.

 

Com movimentos pacientes, tirou o restante das roupas e a conduziu até o chuveiro, ligando a água morna.

 

Primeiro, Eduarda pegou um pouco de água com as mãos e passou pelo rosto dela, afastando os fios escuros que grudavam na testa. Repetiu o gesto algumas vezes, limpando com cuidado e tirando os resquícios de maquiagem e lágrimas ainda presentes.

 

— Eu amo tanto você, Duda — Lorena murmurou de repente, a voz embargada.

 

— Eu também te amo muito, Lorena. Não precisa chorar. — disse Eduarda, com um leve sorriso de canto. Ela nunca tinha visto a namorada naquele estado, o que a divertia na mesma proporção que a enternecia.

 

— É que eu não quero nem pensar em ficar sem você. Como é que eu vou acordar sem o seu café, sem o seu abraço, sem dar cheirinho no seu pescoço? Eu não quero, Duda. — a expressão da morena se tornou pesarosa, o lábio inferior projetado num biquinho quase infantil.

 

— A gente não precisa pensar nisso agora, meu bem. Uma coisa de cada vez. — repetiu com calma, estendendo a mão para pegar o shampoo e começar a lavar os fios escuros.

 

Eduarda terminou o banho um certo esforço. A manha de Lorena a obrigava a interromper o processo o tempo todo, ora para consolá-la, ora para repreendê-la por atrapalhar ou fazer comentários pouco apropriados para o momento. Quando finalmente a morena estava mais apresentável, agora seca e vestida com roupas limpas, Eduarda a guiou de volta para a sala, já precisando oferecer menos apoio para que ela caminhasse, e a acomodou no sofá.

 

— Espera aqui um pouquinho, vou ali na cozinha rapidinho só colocar uma água pra esquentar. — Lorena assentiu, e Eduarda seguiu até a cozinha, colocando a chaleira no fogão com a intenção de preparar um chá que ajudasse a acalmar os nervos da namorada.

 

Quando voltou, sentou-se ao lado dela e a puxou para um abraço. Lorena se encaixou naturalmente, o rosto escondido no pescoço de Eduarda e os corpos colados.

 

— Tá se sentindo um pouquinho melhor?

 

— Tô. Obrigada, Duda.

 

— Imagina, amor. Essas coisas acontecem. Só Deus sabe quantas vezes eu já enchi a cara e voltei pra casa completamente fora de mim quando era mais nova e tava chateada. — disse, com um leve tom de humor. — Eu só me preocupo com você porque não quero que você chegue a esse ponto porque acha que não pode falar comigo. — Ela começou um carinho lento e ritmado nos cabelos castanhos, os dedos deslizando com delicadeza pelos fios mais curtos na base da nuca. — Mesmo que seja difícil, mesmo que seja sobre a gente, eu quero que você sempre se sinta segura pra conversar comigo, tá?

 

— Eu te amo muito, Duda. — Lorena respondeu, colando suas testas.

 

— Eu te amo mais.