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Never Have I Ever

Summary:

É o aniversário de 21 anos de Javadi e os médicos do PTMC decidem comemorar em um bar.
Um jogo de "Eu nunca" deixam as coisas um pouco mais divertidas.

Notes:

Vamos lá, essa aqui saiu um pouco fora do controle. Era pra ser curta, mas não ficou tão curta, mas também não vai ser longa.
Como eu ainda estou escrevendo, talvez eu poste um capítulo por semana, mas esse tempo pode até diminuir.

Chapter Text

Aquela era uma noite diferente para os jovens médicos do PTMC. O bar escolhido ficava a poucos quarteirões do hospital, um refúgio conhecido entre plantonistas exaustos e jovens em busca de diversão. Famoso por transmitir os jogos de baseball em suas tvs, seguido por noites de karaokê, o lugar vibrava em uma energia caótica, onde risadas altas se misturavam a gritos de torcedores descontentes.

O motivo da reunião era simples: a comemoração dos vinte e um anos de Javadi.

A ideia tinha partido da própria aniversariante. Depois de um plantão particularmente turbulento e das cobranças incessantes de sua mãe, a mais jovem dos médicos havia decidido que, se ainda não podia controlar os rumos da própria vida, pelo menos escolheria como celebrar seu próprio aniversário.

E lá estavam eles. Reunidos em uma mesa no canto do bar, aguardando o retorno da garçonete com suas bebidas. Cada um deles carregava um motivo próprio para querer esquecer dos problemas e simplesmente se permitir algumas horas de distração naquela noite.

Desde o feriado de quatro de julho, Santos não havia voltado a ver Garcia. O que antes lhe parecia suficiente, um relacionamento leve, despretensioso, sustentado apenas pelo desejo, agora já não a atraía da mesma forma.

Whitaker, por sua vez, tentava impor a si mesmo limites que demorara a reconhecer… Permanecer ao lado de Amy e de seu filho, não como médico, mas como uma presença constante na fazenda, ultrapassava um limite que ele não sabia realmente se queria cruzar. 

Já Mel estava tentando evitar pensar em Becca. Ou mais precisamente, evitava pensar no fato de que a irmã omitira acontecimentos importantes de sua vida para ela. Como o relacionamento com Adam e tudo que vinha acompanhado daquilo. A ideia de Becca crescendo e se tornando de certa forma independente dela, a inquietava mais do que gostaria de admitir.

E Samira…

Bom, Samira queria acalmar os sentimentos que começavam a se formar dentro dela. Desde o dia em que Jack Abbot se oferecera para ajudá-la com seu paciente, algo havia mudado. Não era apenas gratidão o que ela estava sentindo. Era algo mais. Algo que ela ainda tinha dificuldade em compreender.

Quando a garçonete retornou equilibrando a bandeja onde se encontravam cinco canecas generosas de cerveja, algo mudou na atmosfera da mesa. Os jovens médicos, até então imersos em seus próprios pensamentos, se animaram de imediato. Após as bebidas serem distribuídas como pequenos troféus, Samira, Santos, Mel, Whitaker e Javadi ergueram suas canecas e celebraram a recém-conquistada maioridade da amiga. O brinde ecoou breve, em meio a risos e pequenos gritos de comemoração, e sem hesitação alguma, eles tomaram suas bebidas, esvaziando-as rapidamente.

Após três rodadas, o ambiente já era outro. Os médicos riam e conversavam sobre vários assuntos ao mesmo tempo. As loucuras que presenciavam diariamente nos corredores do hospital. Quem estaria ganhando o jogo de baseball. Que horas o karaokê iria começar. Javadi, sem conseguir evitar, olhava de tempos em tempos para a porta do bar, como se estivesse esperando a chegada de alguém. Um gesto discreto, quase imperceptível, mas não o suficiente para os olhares sagazes de Santos.

— O que você está olhando? — perguntou a jovem residente, inclinando-se levemente na cadeira, atenta ao comportamento da colega.

— Nada! — A resposta veio rápida e alta demais para ser convincente. Javadi sentiu o olhar cético de todos os seus colegas e admitiu: — Eu mandei mensagem para o Mateo… achei que ele viria.

— Bom… — Whitaker apontou com a cabeça para a direção da porta — Parece que ele aceitou o convite.

Javadi sentiu o coração acelerar e virou-se rápido demais, quase derrubando a própria caneca de cerveja. O jovem enfermeiro atravessava a porta com aquele ar tranquilo que lhe era tão característico. Quando seus olhos se encontraram, ele acenou levemente em sua direção. Um gesto simples, mas suficiente para desorganizar os pensamentos da jovem aniversariante.

Mateo estava à caminho da mesa onde os médicos se encontravam, desviando de pessoas pelo caminho, quando algo, ou melhor alguém, chamou sua atenção. Javadi, com o olhar fixo àquela cena, o acompanhou com certa curiosidade, inclinando-se um pouco na cadeira, na tentativa de ver o que fizera o jovem enfermeiro mudar de rota.

— É a Ellis… e o Shen? — murmurou, semicerrando os olhos na tentativa de enxergar melhor.

— Sim, eles estão de folga hoje. — Mel respondeu, identificando uma terceira pessoa conhecida. — E o Abbot.

Foi a vez de Samira quase derrubar a bebida em suas mãos. A simples menção ao nome dele, fez seu coração disparar. Ela tentou aplacar o que estava sentindo com um generoso gole de cerveja e falhou miseravelmente. Nunca havia passado pela sua cabeça que encontraria Jack Abbot naquela noite. Se soubesse que isso era uma possibilidade, provavelmente não teria vindo. Não queria vê-lo. Não queria estar perto dele. Não quando ainda não sabia exatamente o que estava sentindo. Ela havia conseguido evitá-lo durante esses dias, mudando de rota quando o via pelos corredores do hospital, e até se escondendo de forma patética algumas vezes. Havia funcionado… até agora. Tomada pela curiosidade de vê-lo fora de seu ambiente de trabalho, a médica desviou o olhar para a direção em que os amigos olhavam.

Não foi difícil para ela identificar Ellis e Shen, parados perto do balcão, conversando com Mateo. E então, um pouco mais ao fundo, lá estava ele. Jack Abbot. O médico usava um jeans escuro e uma camisa cinza básica que moldava perfeitamente seus braços. Estava sentado em uma mesa afastada, o corpo relaxado na cadeira, uma caneca de cerveja apoiada em umas das mãos e… rindo. Foi nesse momento que Samira se dera conta. 

Jack Abbot não estava sozinho.