Chapter Text
Buracos negros são definitivamente uma beleza exótica e unica do universo. Mesmo que haja tantos deles por ai, quantos estão próximos à terra? O buraco negro mais próximo da terra se chama Gaia BH1, a aproximadamente 1.500 anos luz da terra. Muito longe, definitivamente. Isso significa que, na realidade, se olharmos por um telescópio e localizarmos esse buraco negro, estaremos vendo o brilho de seu disco de acreção - se estiver se alimentando, é claro - a 1.500 anos no passado. Então imaginem só, vocês podem estar olhando para algo que já nem está mais vivo ou presente no espaço.
Como todos dizem e sabemos, o tempo é relativo.
Este conto, porém, se passa um pouquinho mais afastado da terra. A um pouco mais de seis mil e quinhentos anos luz - 6.500 em caracteres humanos - da terra, em um braço externo da via láctea chamado Perseu. Olhando de um certo ângulo, mesmo de longe, poderia ser visto uma esfera gigantesca no meio do espaço, como se tudo naquele lugar tivesse sido consumido por algo maior que a compreensão humana. Do outro lado, porém, havia mais estrelas, confirmando que a anomalia não apenas ocupava um espaço significativo, mas também se movia muito devagar. Essa visão, é claro, apenas é possível de ser vista quando ele não se alimenta - o que é bastante raro.
Com seus respeitáveis quase 800 milhões de massas solares - ou seja, 800 milhöes de sóis juntos e comprimidos —, The Point é um buraco negro supermassivo notável. Seu disco de acreção enluva seu horizonte de eventos e se estende nas extremidade, como dois cinturões de asteróides, um embaixo e outro em cima. Esse, porém, cinturão de asteróides de poeira e radiação brilhava em um branco quando próximo ao horizonte de eventos, mudando gradualmente para um azul claro e em seguida azul escuro até atingir a cor preta completa conforme se afastava do centro de massa. A nuvem de poeira que uma vez foi uma estrela anã branca pulsava e se afastava, lentamente se dissolvendo no espaço sideral. Eventualmente, essa bela cor de azul irá sumir e o buraco negro irá ficar solitário novamente, sem nada para se alimentar.
Porém, ele ainda iria continuar dançando com os planetas que constituem seu sistema. Ao todo há cinco planetas que orbitam esse belo buraco negro, mas que nome e especificações não vem ao caso. Todos esses planetas são pontos de comércio e descanso. A variedade de comércio pode variar entre o mais afastado da órbita focado em congelados até mais próximo focado em armas e produtos de forja. Suas rotas são bem irregulares, mas graças a uma coincidência do destino, todos estes cinco astros conseguiram se formar em uma distância relativamente segura, nem tão próximos para serem sugados pelo horizonte de eventos e nem tão longe para serem expulsos da rota e vagarem pelo vazio absoluto.
Esses planetas e o sistema inteiro, porém, não são apenas um local de comercio, mas também um ponto de encontro como já diz o nome, visto que esta região não tem dono e sacar armas é estritamente proibido. No espaço quase não há regras, mas é subentendido que pontos importantes devem ser respeitados por todos. Nada disso impede, porém, de uma nave ser joga da contra o horizonte de eventos e apenas darem a desculpa de que 'esbarraram'- mas haverão consequências caso seja testemunhado, é claro.
Por mais que o disco de acreção do The Point seja extremamente quente e emita radiaçao constante o suficiente para obliterar um ser vivo, a maioria das naves espaciais da atualidade são revestidas por Datium ou Dátio, um minério conhecido por sua capacidade que o torna crucial para a construção de uma nave espacial.
O ambiente em volta do The Point estava tranquilo a princípio, apenas com uma ou duas naves se dirigindo para seus supostos objetivos. Elas deslizavam como se estivessem no oceano. Um oceano cheio de estrelas.
Uma dessas naves - minúscula em comparação com o buraco negro -é conduzida por piloto automático. Está longe do disco de acreção e dos outros planetas, mas também perto o suficiente para o buraco negro ser visto em sua completa extensão pela vidraça fronta, logo à frente do painel de controle com dois acentos vazios um degrau acima do resto da nave. O fato de estarem longe de tudo significava que estava apenas de passagem.
Suas velas de radiação estavam abertas e estendidas. Como placas solares, essas velas usam da radiação para formar energia, uma coisa importantissima para viagens longas para que os motores continuem funcionando como deveriam.
Alguns poucos quilômetros da nave, porém, um pequeno asteróide se aproximou, atraído pela gravidade do buraco negro. Lentamente, o asteroide atingiu uma das velas, os ganchos frageis que as prendem deixando de fazer sua função. A vela antes azul vibrante por ter absorvido a radiação do disco de acreção agora perdeu seu brilho, gradualmente se tornando cinza. O impacto foi tão suave que a nave nem se mexeu.
Estalos de mandibula e um grunhido longo ecoaram no comodo. Um yautja macho dava passos precisos, seus olhos atentos a quaisquer movimentos. Sua mandibula e maxila externa roçavam entre si, o que demonstra sua irritação. Ele vestia apenas um tapa-sexo simples e uma camisa escura parcialmente rasgada. Sua pele era de um marrom esverdeado com manchas escuras. Também estava sem máscara. Ele rosnou, audivelmente, suas sobrancelhas franzindo ao formar marcas de expressões.
Uma criatura humanoide rastejou pela parede atrás do yautja, movimentos calculados para fazer o minimo barulho. Sua cabeça era alongada em uma crista fálica; seu rosto sem olhos. fazia ser impossivel decifrar suas expressões. Sua pele era completamente preta, tão dura quanto o ferro primitivo da Terra. O nome de sua espécie era xenomorfo, uma criatura letal e temida por toda a galáxia.
Sua boca se abriu em ângulo quase de 90°, sua boca estava salivando excessivamente. Acriatura não conseguiu se conter, porém, quando sibilou em um som agudo.
O xenomorfo pulou ao mesmo tempo que o yautja se virou e imediatamente abriu a mao.
Ele agarrou o pescoço da criatura esguia, girou e a socou contra o chão da nave, caindo de joelhos contra o metal frio. O xenomorfo gritou e arqueou-se para cima, sibilando de dor enquanto tentava se libertar do
agarrão. O yautja rosnou e rugiu, abrindo seu maxilar externo o máximo que conseguia. Saliva esguichou no rosto da criatura, que guinchou em resposta.
O xenomorfo ofegou, mas não se deu por vencido e rosnou de volta. Sua cauda traiçoeira se moveu de forma ágil para sufocar o predador, as protuberâncias duras da cauda
pressionando sua traquéia. O aperto do yautja se aliviou, agora agarrando a cauda do xenomorfo para tentar a retirar
de seu pescoço. A criatura, porém, imediatamente pulou em cima do Predador e cravou as garras em sua pele áspera. Ele abriu a boca de novo, pronto para cravar sua mandibula
interna no rosto do predador; Mas o yautja apanhou a lingua da criatura em formato de mandibula, apertou e segurou
forte o suficiente para fazer doer. O xenomorfo emitiu um chilrear agudo e recuou, chacoalhando a cabeça de um lado para o outro para tentar se livrar do aperto que continuava o puxando.
O yautja aproveitou a fraqueza da criatura e se levantou, agarrando o pescoço - logo abaixo de um dispositivo eletrônico - dele ao mesmo tempo que segurava a lingua.
Antes que esquecesse, o predador pisou na cauda do xenomorfo e moveu o pé de forma que esmagasse a cauda contra o chão duro da nave. O predador rosnou, sabendo que havia ganhado a luta. Ele então ergueu um pouco mais a criatura, girando o próprio torço de forma que fizesse uma menção de jogar o xenomorfo contra a parede.
— Espera, espera, espera! Eu me rendo, eu me rendo! — O dispositivo envolta do pescoço do xenomorfo acendeu, um espectro de frequência de áudio brilhando em verde vibrante. Ele conseguia falar mesmo sem cordas vocais apropriadas graças ao dispositivo tecnológico avançado que era conectado ao seu cérebro.
O yautja estreitou os olhos e apertou um pouco mais o pescoço da presa
— Minha caixa de ferramentas. — Ele falou no idioma yautja, que o xenomorfo conhecia bem.
— Tá, tá! Ugh, tá na sala de criogenia...— o xenomorfo imediatamente foi solto e jogado contra o chão gelado enquanto o yautja se dirigia para a sala informada anteriormente.
O xenomorfo conhecido por Tiamat bufou e se levantou do chão sem esforço. Ele se jogou contra o acento direito da sala de controle logo depois de quase tropeçar no degrau.
Seus braços esguios penderam nas costas da cadeira virada ao contrário. A cadeira era extremamente móvel e continha uma mola inteligente que fazia ser possivel se inclinar em
até 180°.
Pelo vidro, Tiamat viu o buraco negro e seu disco de acreção. Sua cauda chicoteou atrás de si para exibir sua felicidade ao ver tal grandiosidade. Um efeito placebo fazia o xenomorfo acreditar que a luz azul o banhava, sentindo sua temperatura corporal subir apenas um pouco.
— Como será que eles funcionam?
Ele deslizou a mão de seis dedos pelo painel de controle sem olhar e mudou a iluminação da nave de amarelo para azul anil.
— Eu queria poder chegar mais perto — Tiamat divagou, suspirando.
Ele se recostou e virou de costas com sua cabeça alongada apoiando-se acima da cadeira. Tiamat guinchou, o mesmo que um riso quando viu uma nave minúscula sendo
espaguetificada.
— Idiotas.
O yautja, conhecido como Kassar'kto pisou forte ao subir o degrau da sala de controle e colocou a grande caixa de ferramentas e sua bio máscara na mesa de manutenção ao lado do painel na extremidade esquerda do xenomorfo.
— Ah, você vai.
— Hã? — Tiamat inclinou a cabeça como um gato curioso, encarando com seu rosto sem
olhos o do predador.
— Uma das velas foi atingida por um asteróide — Kassar'kto murmurou enquanto abria o painel frontal biomáscara, onde fica a testa, checando a fiação complexa de tecnologia yautja antes de continuar.
— Estamos nos movendo devagar demais. Porém, se não arrumarmos aquela vela, não conseguiremos repor a energia completa da nave e voltar para a velocidade normal
Tiamat choramingou, se espreguiçando na cadeira.
— Mas lá fora? Você não pode ir?
— Desde que você rasgou o nosso único traje anti-radiação... Não, suponho que não — Ele zombou do xenomorfo com um bufo. —, a não ser que você queira que eu volte de lá com câncer.
Kassar'kto deu de ombros — E você é o unico que ao mesmo tempo que não precisa respirar, não é afetado pelo vácuo do espaço e não reage à radiação.
Se Tiamat tivesse olhos, ele teria os revirado.
— Tem certeza de que isso é seguro? — ele olhou para a corda de metal enrolada na própria cintura com os braços levemente abertos. — Não me parece muito correto.
Ele ergueu a cabeça para olhar para a camera da sala de descontaminação como um
cachorrinho chutado, tentando ganhar compaixão de Kassar'kto e fazê-lo sentir pena do pobre xenomorfo indefeso.
— Situações extremas exigem ações extremas.- A voz grave de Kassar'kto ecoou do
alto-falante.
Pelo visto, diálogo não funcionaria.
A porta se abriu e de repente Tiamat se viu no breu do espaço sideral, seus pés não pareciam mais ser seus. Ele flutuou devagar no mesmo lugar. O xenomorfo sorriu, mexendo os pés como se estivesse em uma brincadeira. Era engraçado.
Com cuidado, ele se esgueirou pelas paredes da nave, se agarrando nas protuberâncias da anatomia tecnológica. Realmente, Tiamat não sentia quase nada de diferente ao estar fora da nave. Além,é claro, de uma estranheza inicial ao ficar sem gravidade e o frio intenso mesmo na órbita de um buraco negro ativo; era de gelar os ossos, mas já recebeu tratamentos piores.
Logo ele avistou a vela defeituosa e rastejou até um dos pontos altos da nave onde ficam os ganchos. Como o impacto foi suave, a vela não ficou tão longe de onde deveria ficar. Devagar e com cuidado, ele agarrou um dos buracos gigantes da extremidade onde
deve-se encaixar um dos vários ganchos. Ele agarrou o gancho com a cauda e se puxou, em seguida segurou a base do gancho, unindo as duas partes com um pouco de
dificuldade.
Tiamat fez o mesmo com todos os outros. Um gancho, porém, estava em falta, provavelmente arrancado durante o impacto. Ele ficou em dúvida no começo, mas imaginou
que se as velas fossem muito resistentes, corpos celestes poderiam arrastar elas sem rumo. De certa forma, a falta desse gancho não fez falta, pois as velas gradualmente se
tingiram de azul. A cauda de Tiamat balançou devagar. Ele estava feliz que fez algo útil sem ser manutenção
de eletrônicos.
Com curiosidade, o xenomorfo rastejou para o topo da nave; a luz e a unicidade do buraco negro banhou Tiamat. Ele lentamente afastou os lábios e demonstrou os dentes em um sorriso inexpressivo. A capacidade de testemunhar tal grandeza o fez sentir-se especial. Ele guinchou e inclinou a cabeça para o lado.
Momentos como esse o fazem lembrar do tempo em que havia sido expulso de sua colônia. Durante esses tempos sombrios, ele continuou perto do local, esperando ser aceito, mas até ele sabia que isso nunca iria acontecer. Ele se lembra de sentar nas copas das arvores. inclinar a cabeça para cima, sentir a brisa gelada do vento e observar as estrelas, sonhando um dia viajar por entre elas.
Lentamente, os pes se Tiamat se afastaram da nave. Ele não se desesperou, não se assustou. Ele abriu os braços, sua cauda deslizou devagar, quase estática. Era como flutuar
em um oceano preto com vários pontinhos brancos. A sensação de insignificância era simplesmente deliciosa para ele. E agora que ele tinha uma familia, porque deveria pensar no passado?
Seus devaneios foram interrompidos quando Kassar'kto puxou sua corda
